{"id":11362,"date":"2016-06-15T22:22:21","date_gmt":"2016-06-16T01:22:21","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=11362"},"modified":"2016-06-30T16:04:15","modified_gmt":"2016-06-30T19:04:15","slug":"em-massacre-guarani-e-kaiowa-e-assassinado-e-cinco-indigenas-adultos-e-uma-crianca-estao-hospitalizados-em-estado-grave","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11362","title":{"rendered":"Em massacre, Guarani e Kaiow\u00e1 \u00e9 assassinado e cinco ind\u00edgenas adultos e uma crian\u00e7a est\u00e3o hospitalizados em estado grave"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cimi.org.br\/pub\/MS\/Tey-Jusu\/IMG-20160614-WA0011.jpg?w=747\" alt=\"\" \/>Massacre. A palavra resume o resultado do ataque sofrido na manh\u00e3 desta ter\u00e7a-feira, 14, pelos Guarani e Kaiow\u00e1 da terra ind\u00edgena Dourados-Amambai Pegu\u00e1, munic\u00edpio de Caarap\u00f3 (MS). Conforme informa\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7as ind\u00edgenas e da Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (Funai), o Kaiow\u00e1 e agente de sa\u00fade ind\u00edgena Clodiodi Aquileu Rodrigues de Souza, 23 anos, foi assassinado com ao menos dois tiros, morrendo ainda no local. At\u00e9 a tarde desta ter\u00e7a, seis ind\u00edgenas foram encaminhados ao Hospital S\u00e3o Matheus, na mesma cidade, alvejados por disparos de arma de fogo, entre eles uma crian\u00e7a de 12 anos, atingida com um tiro no abd\u00f4men.<!--more--><\/p>\n<p>Tr\u00eas Guarani Kaiow\u00e1 foram removidos para o Hospital da Vida, em Dourados, e dois aguardam remo\u00e7\u00e3o. Todos correm risco de morte. Apenas uma mulher, atingida no bra\u00e7o, dever\u00e1 receber alta ainda nesta ter\u00e7a.<\/p>\n<p>No entanto, de acordo com servidores da Funai, o n\u00famero de feridos deve ser ainda maior porque os ind\u00edgenas se dispersaram pelo territ\u00f3rio, em fuga, com a chegada de cerca de 200 caminhonetes, motocicletas, cavalos e trator usados por pistoleiros, capangas e homens que chegaram atirando contra o acampamento em que os Guarani e Kaiow\u00e1 estavam na Fazenda Yvu, incidente sobre a terra ind\u00edgena, atualmente em processo de demarca\u00e7\u00e3o pelo Minit\u00e9rio da Justi\u00e7a (MJ).<\/p>\n<p>Em filmagens feitas pelos pr\u00f3prios Guarani e Kaiow\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel ver uma centena de homens armados, queimando motos e demais posses dos ind\u00edgenas. A maioria dos indiv\u00edduos est\u00e1 vestida com um uniforme preto; nas filmagens, \u00e9 poss\u00edvel ouvir gritos de: \u201cBugres! Bugres!\u201d, forma pejorativa usada para se referir aos ind\u00edgenas na regi\u00e3o sul do pa\u00eds. Caminhonetes circulam como moscas ao redor dos homens de preto e das enormes fogueiras usadas para incendiar tudo o que antes era o pouco que estes Guarani e Kaiow\u00e1 possu\u00edam, al\u00e9m da terra tradicional pela qual mais um massacre contra o povo se registra.<\/p>\n<p>Os Guarani e Kaiow\u00e1 n\u00e3o sa\u00edram da \u00e1rea retomada. Refugiaram-se de forma dispersa em outros rinc\u00f5es do territ\u00f3rio, e na pr\u00f3pria reserva que comp\u00f5em a terra ind\u00edgena.<\/p>\n<p>Na porta do Hospital S\u00e3o Matheus, em Caarap\u00f3, a preocupa\u00e7\u00e3o maior de familiares das v\u00edtimas, que vivem em reservas vizinhas, era sobre a seguran\u00e7a dos ind\u00edgenas que ainda seguem na \u00e1rea do massacre. O clima de tens\u00e3o \u00e9 tamanho que viaturas da Pol\u00edcia Militar foram para a Fazenda Yvu ajudar a socorrer as v\u00edtimas, mas acabaram atacadas pelos ind\u00edgenas; temiam que os policiais chegassem para atac\u00e1-los, posto que na regi\u00e3o a pol\u00edcia \u00e9 associada pelos Guarani e Kaiow\u00e1 aos fazendeiros.<\/p>\n<p><b>Opera\u00e7\u00e3o Massacre<\/b><\/p>\n<p>O ataque foi uma resposta \u00e0 retomada realizada pelos ind\u00edgenas de Tey&#8217;i Kue na Fazenda Yvu, vizinha \u00e0 reserva. Segundo S.T., lideran\u00e7a ind\u00edgena que estava no local e pediu para n\u00e3o ser identificada, no \u00faltimo domingo, 12, um grupo de 100 fam\u00edlias reocupou o territ\u00f3rio chamado de tekoha Toropaso, onde incide a Fazenda Yvu. &#8220;Quando chegamos l\u00e1, n\u00e3o tinha ningu\u00e9m na fazenda, s\u00f3 um funcion\u00e1rio que era ind\u00edgena. Explicamos nossa luta e ele se prop\u00f4s a ficar com n\u00f3s&#8221;, relata S.T.<\/p>\n<p>No dia seguinte, os ind\u00edgenas receberam a Pol\u00edcia Federal (PF) no local, acompanhada da For\u00e7a Nacional, Pol\u00edcia Militar e Pol\u00edcia Civil, al\u00e9m de duas caminhonetes em que estavam, segundo a lideran\u00e7a, alguns fazendeiros da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a sa\u00edda da pol\u00edcia, um grupo de carros se aglomerou num ponto a cerca de tr\u00eas quil\u00f4metros do acampamento ind\u00edgena, e os observou por cerca de quatro horas. Na ter\u00e7a-feira, por volta das sete da manh\u00e3, cerca de 200 carros se concentraram no mesmo local do dia anterior.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c0s sete da amanh\u00e3, come\u00e7amos a avistar carro chegando no mesmo local de ontem&#8221;, relembra. &#8220;Vinha mais de duzentos carros. Fizeram uma divis\u00e3o, dois grupos: um veio de um lado, pela divisa da aldeia, fizeram um cerco na gente. Do outro lado, veio p\u00e1 cavadeira [tipo de trator] e arrebentou a cerca, e come\u00e7aram a entrar pelo campo. Vieram atirando, atirando, tiroteio feio mesmo, arma pesada&#8221;.<\/p>\n<p>A lideran\u00e7a segue no relato: &#8220;A gente foi empurrado de volta pra aldeia. Eles continuaram atr\u00e1s e entraram na reserva, atacando. No meio desse ataque o filho da nossa lideran\u00e7a caiu morto, as pessoas foram feridas&#8221;, conta S.T.<\/p>\n<p>Tudo indica que a opera\u00e7\u00e3o massacre desencadeada contra a comunidade est\u00e1 longe de um fim. &#8220;Estamos cercados aqui. T\u00e1 tudo rodeado, os fazendeiros est\u00e3o em volta. N\u00e3o podemos nem entrar nem sair&#8221;, diz S.T. Ainda, os ind\u00edgenas afirmam saber quem s\u00e3o produtores rurais respons\u00e1veis pelos disparos.<\/p>\n<p><b>Relat\u00f3rio publicado e manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas<\/b><\/p>\n<p>Em maio, os ind\u00edgenas estiveram em Bras\u00edlia, <a href=\"https:\/\/mobilizacaonacionalindigena.wordpress.com\/2016\/05\/10\/guarani-e-kaiowa-ocupam-funai-em-brasilia-por-demarcacao-de-ti-dourados-amambai-pegua-i-ms\/\">pressionando pela publica\u00e7\u00e3o<\/a> do relat\u00f3rio da terra ind\u00edgena Dourados-Amambai Pegu\u00e1. Sob press\u00e3o, <a href=\"http:\/\/www.funai.gov.br\/index.php\/comunicacao\/noticias\/3769-presidente-da-funai-assina-relatorio-de-identificacao-da-terra-indigena-dourados-amambaipegua-i-ms\">a Funai assinou o relat\u00f3rio<\/a>. Dessa forma, a demarca\u00e7\u00e3o da terra ind\u00edgena teria prosseguimento e o massacre, para as lideran\u00e7as ind\u00edgenas, \u00e9 uma forma criminosa e covarde de intimidar as autoridades p\u00fablicas e expulsar os Guarani e Kaiow\u00e1 de uma terra que lhes pertence.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/cimi.org.br\/site\/pt-br\/?system=news&amp;conteudo_id=8772&amp;action=read\">Em nota<\/a>, o Conselho Indigenista Mission\u00e1rio categorizou como &#8220;paramiltar&#8221; a a\u00e7\u00e3o, e afirma que, no \u00faltimo semestre, foram registrados ao menos vinte e cinco casos similares entre os Guarani e Kaiowa do estado.<\/p>\n<p><i>Fotos de ind\u00edgenas e imagens veiculadas na m\u00eddia loca<\/i><\/p>\n<p>http:\/\/www.cimi.org.br\/site\/pt-br\/?system=news&#038;conteudo_id=8774&#038;action=read<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Massacre. A palavra resume o resultado do ataque sofrido na manh\u00e3 desta ter\u00e7a-feira, 14, pelos Guarani e Kaiow\u00e1 da terra ind\u00edgena Dourados-Amambai Pegu\u00e1, \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11362\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[163],"tags":[],"class_list":["post-11362","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-movimento-indigena"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2Xg","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11362","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11362"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11362\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11362"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11362"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11362"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}