{"id":11366,"date":"2016-06-20T11:50:39","date_gmt":"2016-06-20T14:50:39","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=11366"},"modified":"2016-07-18T18:08:20","modified_gmt":"2016-07-18T21:08:20","slug":"guerra-nao-convencional-contra-a-venezuela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11366","title":{"rendered":"Guerra n\u00e3o convencional contra a Venezuela"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/resistir.info\/venezuela\/imagens\/guerra_nao_convencional.jpg?w=747\" alt=\"\" \/><b> por Gustavo Borges Revilla, Diego Sequera* <\/b><\/p>\n<p>A Venezuela \u00e9 um pa\u00eds neste momento sitiado. No pa\u00eds s\u00e3o aplicados novos m\u00e9todos de guerra alternativos concebidos nos <!--more-->laborat\u00f3rios dos servi\u00e7os secretos dos EUA e outros pa\u00edses poderosos. No futuro imediato o objetivo \u00e9 tirar o chavismo do poder. Posteriormente, eliminar todas as formas da participa\u00e7\u00e3o maci\u00e7a do povo na pol\u00edtica, fazer desaparecer o chavismo como proposta civilizacional e enterr\u00e1-lo como um precedente na regi\u00e3o e refer\u00eancia \u00e9tica para outros movimentos globais.<\/p>\n<p>Os diferentes m\u00e9todos usados para destruir qualquer sinal de estabilidade e de for\u00e7a do chavismo para a Venezuela passam pelas agress\u00f5es financeiras, culturais, econ\u00f3micas, pol\u00edticas, militares e morais.<\/p>\n<p>Ao terminar este documento, numa semana sucederam-se duas pequenas marchas da oposi\u00e7\u00e3o caracterizadas por uma baixa taxa de participa\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m pela coloca\u00e7\u00e3o em cena de surtos premeditados de &#8220;confronto&#8221; perante um ex\u00e9rcito de c\u00e2maras e telefones em liga\u00e7\u00e3o direta com todos os grandes media mundiais <i> (The New York Times, The Washington Post, Wall Street Journal, Bloomberg, The Economist, CNN, Fox News, NBC, etc,).<br \/>\n<\/i><br \/>\nO \u00faltima destas marchas, a 18 de maio, terminou com uma tentativa de linchamento pela t\u00e9cnica do &#8220;enxame&#8221; <i> (swarming) <\/i> <b> <\/b> contra um oficial <b> feminino <\/b> da pol\u00edcia nacional Bolivariana por provocadores profissionais de guerrilha urbana, estudantes embrutecidos e lumpen.<\/p>\n<p>Na mesma semana, os media mais poderosos do planeta (e dois da imprensa espanhola) aumentaram seu ass\u00e9dio. O agrupamento dos media em cart\u00e9is unificou os argumentos contra a Venezuela, o que indica a entrada numa nova fase do processo de guerra n\u00e3o convencional, tenazes geopol\u00edticas e procura do colapso interno. Houve 1135 informa\u00e7\u00f5es agressivas.<\/p>\n<p>Como o Presidente denunciou, evidencia-se um salto qualitativo em compara\u00e7\u00e3o com o modelo pr\u00e9-existente de agress\u00e3o. O \u00fanico precedente de um ass\u00e9dio semelhante ter\u00e1 sido na L\u00edbia em 2011 e sabemos como isso acabou.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, Alvaro Uribe procura a interven\u00e7\u00e3o militar estrangeira &#8220;que proteja a oposi\u00e7\u00e3o&#8221;, Jos\u00e9 Mar\u00eda Aznar fala da urg\u00eancia de uma &#8220;mudan\u00e7a de regime&#8221;, Joe Biden, disse que a Venezuela continuou a cometer &#8220;viola\u00e7\u00f5es graves dos direitos humanos&#8221;, Federica Mogherini fala de &#8220;restri\u00e7\u00f5es das liberdades&#8221; e John Kerry, em coordena\u00e7\u00e3o total, diz que Washington &#8220;apoia a Carta Democr\u00e1tica da OEA contra a Venezuela&#8221;. Tudo isso em menos de 30 dias. A escalada na guerra contra a Venezuela atingiu sua acelera\u00e7\u00e3o m\u00e1xima.<\/p>\n<p>A Venezuela \u00e9 v\u00edtima de um cen\u00e1rio que combina todos os elementos das novas guerras. As modalidades da agress\u00e3o procuram aumentar a fraqueza e o caos interno de diferentes maneiras.<\/p>\n<p><b> 1. A guerra econ\u00f3mica, as agress\u00f5es financeiras e a crise induzida. <\/b><\/p>\n<p>Nestes \u00faltimos tr\u00eas anos a Venezuela sofreu uma agress\u00e3o sistem\u00e1tica \u00e0 sua vida econ\u00f3mica, concertada entre os diferentes agentes e atores dos meios econ\u00f3micos nacionais e internacionais. Os ataques de maior envergadura quebraram a din\u00e2mica econ\u00f3mica interna, causando uma enorme deteriora\u00e7\u00e3o da qualidade de vida da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os procedimentos usados para interromper a atividade econ\u00f3mica na Venezuela partem de uma concep\u00e7\u00e3o nova por m\u00faltiplos fatores, usando agentes poderosos e pequenos comerciantes para formar uma corrente que atua em v\u00e1rias frentes:<\/p>\n<p><b> \u2013 Desvio de mercadorias e especula\u00e7\u00e3o <\/b> ; desvio pelos grandes distribuidores de mercadorias para o com\u00e9rcio ilegal, para mercados de rua itinerantes ou municipais, restaurantes de luxo, onde os controles de pre\u00e7o n\u00e3o s\u00e3o realizados e a especula\u00e7\u00e3o \u00e9 superior a 2000%, utiliza\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias-primas, financiadas pelo Estado venezuelano para produzir outros bens, provocando a escassez de produtos.<\/p>\n<p><b> \u2013 A\u00e7ambarcamento <\/b> : Manter toneladas de alimentos e outros produtos em grandes armaz\u00e9ns para venda atrav\u00e9s de canais ilegais a pre\u00e7os exorbitantes. O objetivo da guerra econ\u00f4mica contra a Venezuela \u00e9 que as pessoas n\u00e3o possam comprar alimentos.<\/p>\n<p><b> \u2013 Deitar fora e queimar alimentos <\/b> : 4.000 kg de frango em estado de decomposi\u00e7\u00e3o foram deitados fora por uma das mais importantes cadeias de lojas na Venezuela, os Hipermercados Occidente. Noutras zonas do pa\u00eds, a mesma coisa se repete: chefes de empresa e distribuidores deixam apodrecer alimentos.<\/p>\n<p><b> \u2013 Utiliza\u00e7\u00e3o de m\u00e1fias <\/b> em cumplicidade com distribuidores retiram grandes quantidades de alimentos das lojas para depois os venderem a um pre\u00e7o 5 000 vezes superior nas ruas, alimentando a infla\u00e7\u00e3o e impedindo o acesso da popula\u00e7\u00e3o a esses produtos.<\/p>\n<p><b> \u2013 Fuga de capitais e redu\u00e7\u00e3o das importa\u00e7\u00f5es <\/b> : o patronato venezuelano (agrupado em organiza\u00e7\u00f5es como Fedecamaras e Consecomercio, os dois principais cart\u00e9is econ\u00f3micos no pa\u00eds) tem 30 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares depositados em bancos fora da Venezuela. A mesma quantidade de divisas que entrou no pa\u00eds com a venda de petr\u00f3leo durante todo o ano de 2015. Esses capitais que n\u00e3o entram na economia venezuelana paralisam e fazem estagnar a produ\u00e7\u00e3o dos sectores de priorit\u00e1rios para o consumo da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A guerra econ\u00f3mica usa v\u00e1rios processos para organizar a escassez de produtos b\u00e1sicos e aumentar seus pre\u00e7os. A sua finalidade \u00e9 provocar constantemente filas de espera e que menos venezuelanos tenham acesso a alimentos. Procura-se causar a fome e o desespero seja devido a pre\u00e7os altos ou \u00e0 escassez. Tudo isto para levar o povo a reduzir o apoio e a legitimidade do Presidente Nicol\u00e1s Maduro responsabilizando-o por estes atos.<\/p>\n<p><b> 2. A guerra no territ\u00f3rio. Os paramilitares, a guerra ilegal e os bandos criminosos. <\/b><\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos a Venezuela viu criarem-se forma\u00e7\u00f5es privadas e ilegais de homens armados e treinados com claros fins pol\u00edticos e militares. Trata-se de ex\u00e9rcitos paramilitares que ganharam impulso com a crise econ\u00f3mica provocada, procurando tornar-se um ex\u00e9rcito \u00fanico atrav\u00e9s de alian\u00e7as com grupos criminosos que nasceram na Venezuela a seguir \u00e0 deslocaliza\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es ditas de autodefesa colombiana e o tr\u00e1fico de droga, cujos dirigentes estiveram juntos na pris\u00e3o.<\/p>\n<p>Um esquema muito semelhante foi desenvolvido h\u00e1 alguns anos atr\u00e1s na S\u00edria e no Iraque com os &#8220;ex\u00e9rcitos livres&#8221; que lutam contra &#8220;o regime&#8221; e que controlam o territ\u00f3rio como uma autoridade soberana que se alimenta dos canais estrat\u00e9gicos de circula\u00e7\u00e3o de rendimentos e do capital. Na Venezuela, estes ex\u00e9rcitos recebem um apoio semip\u00fablico e encoberto de financeiros e agentes de Estados estrangeiros que obedecem a uma agenda que favorece, obviamente, pot\u00eancias estrangeiras e grandes empresas do petr\u00f3leo e da energia.<\/p>\n<p>Estes novos ex\u00e9rcitos e estes grupos criminosos usam mecanismos sofisticados para realizar suas a\u00e7\u00f5es no territ\u00f3rio. Possuem uma log\u00edstica tecnol\u00f3gica como drones e aparelhos para interceptar chamadas para os dispositivos de interven\u00e7\u00e3o. Estabeleceram redes de informa\u00e7\u00e3o no territ\u00f3rio ocupado e fora dele infiltrando o tecido social das popula\u00e7\u00f5es mais pobres. E todos t\u00eam o mesmo inimigo comum, um objetivo pol\u00edtico partilhado: o Estado venezuelano e as for\u00e7as de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>H\u00e1 algumas semanas, as for\u00e7as de seguran\u00e7a enfrentaram e neutralizaram com poucos dias de intervalo, dois chefes de megabandos criminosos que descreveram o que acabamos de dizer.<\/p>\n<p>Trata-se de Jos\u00e9 Antonio Colina Tovar, El Picure, que agia numa posi\u00e7\u00e3o geoestrat\u00e9gica no territ\u00f3rio venezuelano. A poucos quil\u00f3metros do centro exato do pa\u00eds, no estado mais central de todos (Gu\u00e1rico). Este megabando colocava-se num ponto de passagem para qualquer dire\u00e7\u00e3o, com vias de grande import\u00e2ncia nas proximidades.<\/p>\n<p>A internet e os media em papel tinham feito de El Picure um mito concedendo-lhe, bem como aos seus crimes, um tratamento privilegiado. Ele usufru\u00eda de uma representa\u00e7\u00e3o privilegiada como um arqu\u00e9tipo do Robin dos Bosques (amado pelo povo que receberia generosos presentes que ele expropriava ao mau governo, sem revelarem os seus crimes e assassinatos). Seus talentos eram sobreavaliados ao ponto torn\u00e1-lo intoc\u00e1vel. Ele foi levado para a Assembleia Nacional pela atual maioria parlamentar. E saiu em festa para comemorar a vit\u00f3ria da oposi\u00e7\u00e3o nas elei\u00e7\u00f5es de 6 de dezembro de 2015.<\/p>\n<p>Tr\u00eas dias depois da morte de Tovar Colina, foi abatido Jamilton Andr\u00e9s Su\u00e1rez Ulloa, El Topo, perto de El Callao, na regi\u00e3o de minera\u00e7\u00e3o do Sul do Estado Bol\u00edvar. El Topo, que foi paramilitar na Col\u00f4mbia na sua juventude, foi o respons\u00e1vel direto por um massacre perpetrado contra um grupo de 17 mineiros nesta \u00e1rea. Foi um crime que chocou a na\u00e7\u00e3o e que nos leva a um conjunto muito pesado de quest\u00f5es sobre esta zona.<\/p>\n<p>El Topo operou um territ\u00f3rio estrat\u00e9gico no sul da Venezuela conhecido como o Arco Mineiro, uma regi\u00e3o de riquezas muito importantes em minerais abertamente cobi\u00e7ado por empresas internacionais. O seu valor estrat\u00e9gico \u00e9 tal que tanto pelas suas reservas como pela qualidade dos recursos minerais, especialistas consideram a possibilidade de fazer um novo salto tecnol\u00f3gico a partir apenas do que at\u00e9 ao presente est\u00e1 dado como existente sem ser extra\u00eddo. Al\u00e9m do ouro, dos chamados &#8220;minerais raros&#8221; (t\u00f3rio, ni\u00f3bio, van\u00e1dio, coltan-colombo e t\u00e2ntalo etc) existem jazidas de diamantes. Como se v\u00ea, estes bandos criminosos irradiam a geopol\u00edtica e o interesse declarado ou obscuro pela gest\u00e3o direta de recursos muito sens\u00edveis e de interesse global.<\/p>\n<p>Se algo se torna claro no dossier de Topo e de Picure \u00e9 a instala\u00e7\u00e3o de um bra\u00e7o armado nas t\u00e1ticas da pol\u00edtica neoliberal de terra queimada \u2013 tamb\u00e9m aplicadas noutros pa\u00edses. &#8220;Atr\u00e1s dos paramilitares deslocando os camponeses, chegam as transnacionais do \u00f3leo de palma&#8221;, relatou o comandante paramilitar colombiano Jorge Ivan Laverde ali\u00e1s El Iguano (o iguana) numa triste hist\u00f3ria da guerra colombiana.<\/p>\n<p>A resposta do Estado a estes novos mecanismos h\u00edbridos de ex\u00e9rcitos paramilitares foi a &#8220;Opera\u00e7\u00e3o de liberta\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o do povo&#8221;. Os seus resultados foram agora demonstrados (todos os dias, l\u00edderes caem e bandos s\u00e3o desmantelados). Esta opera\u00e7\u00e3o foi objeto de uma forte e custosa campanha de descr\u00e9dito e criminaliza\u00e7\u00e3o que enche os relatos de falsidades sobre o falhan\u00e7o do Estado, quando \u00e9 precisamente uma opera\u00e7\u00e3o que inverte estes fatores de desestabiliza\u00e7\u00e3o. Nos media, ONG financiadas por organiza\u00e7\u00f5es estrangeiras e entidades do Departamento de Estado dos EUA, a soberania da Venezuela \u00e9 criminalizada.<\/p>\n<p><b> 3 &#8211; A guerra medi\u00e1tica, a propaganda e os falsos relatos <\/b><\/p>\n<p>Foram escritas 1315 notas negativas sobre a Venezuela nestes \u00faltimos tr\u00eas meses em Bogot\u00e1, Madrid e Miami. Os media pertencentes ao grande capital, com grande influ\u00eancia global e regional, implantaram uma campanha feroz para mobilizar a opini\u00e3o p\u00fablica mundial em apoio a uma interven\u00e7\u00e3o internacional na Venezuela. Conglomerados de media superpoderosos como <i> The New York Times, The Washington Post, The Wall Street Journal, Bloomberg <\/i> e <i> The Economist <\/i> est\u00e3o na origem dos ataques sistem\u00e1ticos contra a Venezuela, e a partir daqui reproduzidos em un\u00edssono pelos outros meios de comunica\u00e7\u00e3o na Europa e Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>&#8220;A Venezuela \u00e9 a resposta ao que aconteceria se um cartel da droga economicamente analfabeto assumisse um pa\u00eds&#8221; escreveu em 19 de maio deste ano, Matt O&#8217;Brien, respons\u00e1vel para a Am\u00e9rica Latina do jornal norte-americano <i> The Washington Post, <\/i> no seu \u00faltimo artigo. (A Venezuela \u00e0 beira de um completo colapso econ\u00f3mico). Este jornalista e dezenas de seus colegas apoiam os seus artigos com \u00edndices do FMI e outras organiza\u00e7\u00f5es que dependem de grupos de press\u00e3o pol\u00edticos e financeiros com grande interesse na mudan\u00e7a de regime ou num golpe de estado na Venezuela, um pa\u00eds que possui as reservas de petr\u00f3leo mais importantes do mundo e incont\u00e1veis reservas minerais de ouro e de &#8221; minerais raros&#8221;.<\/p>\n<p>Na Europa, dois grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o dirigem a fabrica\u00e7\u00e3o de argumentos, relatos falsos, manipula\u00e7\u00e3o, meias verdades, desinforma\u00e7\u00e3o e cal\u00fanias contra a Venezuela: <i> El Pa\u00eds <\/i> (Propriedade da BNP Paribas, Bank of America e Deutsche Bank) e <i> ABC <\/i> (Propriedade de bancos BBVA, Santander e Lazard). O pico mais alto de <i> infofrenia <\/i> e dem\u00eancia comunicacional contra a Venezuela foi em 19 de maio, dia em que 74 informa\u00e7\u00f5es foram publicadas nos mais importantes media em papel e digitais.<\/p>\n<p>A este n\u00edvel, a forma vai para segundo plano e formaliza-se (uma vez mais) o uso sistem\u00e1tico contra a Venezuela, do &#8220;princ\u00edpio da renova\u00e7\u00e3o&#8221; de Goebbels: &#8220;\u00e9 preciso constantemente divulgar novas informa\u00e7\u00f5es e novos argumentos a um ritmo tal que, quando o advers\u00e1rio responde o p\u00fablico j\u00e1 se interessa para outra coisa. As respostas do oponente nunca devem parar o crescente n\u00edvel das acusa\u00e7\u00f5es&#8221;.<\/p>\n<p>O objetivo \u00e9 que a popula\u00e7\u00e3o mude a percep\u00e7\u00e3o e o controlo do esp\u00edrito a fim de que a responsabilidade pela crise seja deslocada para o governo. Embora nos \u00faltimos meses as not\u00edcias tenham sido deslocadas para <i> audi\u00eancias <\/i> externas a fim de legitimar a\u00e7\u00f5es internacionais de modo a martelar no pa\u00eds e no exterior tr\u00eas narrativas: &#8220;Crise humanit\u00e1ria&#8221;, &#8220;Estado que fracassou&#8221;, &#8220;interven\u00e7\u00e3o internacional&#8221;.<\/p>\n<p>No interior, os media tradicionais <i> (El Nacional, <\/i> 2001, <i> Globovisi\u00f3n, <\/i> etc) e novos meios de comunica\u00e7\u00e3o digitais justificam diariamente as hist\u00f3rias que v\u00eam do exterior e servem de placa girat\u00f3ria para mobilizar os grupos radicais e as declara\u00e7\u00f5es sensacionalistas dos med\u00edocres l\u00edderes dos partidos da oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A criminaliza\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito e dos organismos de seguran\u00e7a do Estado \u00e9 uma tarefa essencial dos media venezuelanos ligados a sectores muito poderosos do patronato.<\/p>\n<p>O controlo permanente dos danos que os jornalistas e os meios de comunica\u00e7\u00e3o oferecem aos sectores paramilitares e gangues criminosos tamb\u00e9m representa algo de in\u00e9dito na Venezuela. Eles protegem e transformam em mito a imagem de chefes criminosos not\u00f3rios, procurados na Venezuela pela Interpol. El Picure, no momento em que foi abatido ap\u00f3s anos de trabalho dos servi\u00e7os de informa\u00e7\u00f5es do Estado, teve tratamento preferencial na internet e redes sociais nos meios de comunica\u00e7\u00e3o que fizeram uma triste tentativa para minimizar o progresso efetivo das for\u00e7as de seguran\u00e7a do Estado contra as estruturas criminosas e paramilitares.<\/p>\n<p>Colocando palavras-chave estrat\u00e9gicas em redes sociais e nas primeiras p\u00e1ginas dos jornais como &#8220;assassinado&#8221;, evidenciaram a rela\u00e7\u00e3o de interesse entre esses meios de comunica\u00e7\u00e3o e os bandos. O objetivo \u2013 n\u00e3o t\u00e3o escondido \u2013 \u00e9 classificar como &#8220;assassinos&#8221; o corpo de seguran\u00e7a de Estado e aumentar ainda mais o esquema de viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos. Tentando apagar elementos que p\u00f5em em evid\u00eancia o estado de guerra total em que se encontra a Venezuela. El Picure, tem de passar a qualquer pre\u00e7o por v\u00edtima, mesmo que combatesse com armas e granadas.<\/p>\n<p>Fazer do assassino uma v\u00edtima e violar a soberania e a seguran\u00e7a da na\u00e7\u00e3o fecha o c\u00edrculo das \u00f3bvias cumplicidades entre os media venezuelanos, os novos bandos criminosas e paramilitares e os pol\u00edticos da oposi\u00e7\u00e3o. Todos focados no mesmo objetivo: desalojar o chavismo do poder por qualquer meio.<\/p>\n<p><b> 4 &#8211; A guerra n\u00e3o convencional: &#8220;senso comum&#8221; e antipol\u00edtica &#8220;constitucional&#8221; <\/b><\/p>\n<p>Com as novas guerras, as conspira\u00e7\u00f5es, os compl\u00f4s obscuros das pot\u00eancias mundiais, acontece a mesma coisa que com uma bact\u00e9ria: pode-se acreditar que n\u00e3o existem porque n\u00e3o se &#8220;v\u00eam&#8221; e no entanto, fazem o seu trabalho e seus efeitos v\u00eaem-se. O ceticismo \u00e9 tamb\u00e9m um produto dessa ind\u00fastria.<\/p>\n<p>As guerras atuais ultrapassam todo o modelo conceptual que as define como tais agravando-se em aspectos que convencionalmente podiam ser considerados como &#8220;&#8216;n\u00e3o militares&#8221; atacando todos os ciclos de atividade da sociedade venezuelana desde a paralisia da economia \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de uma neurose medi\u00e1tica, a instala\u00e7\u00e3o permanente da fobia e da rejei\u00e7\u00e3o do que \u00e9 pol\u00edtico e da pol\u00edtica, ao profundo esgotamento da vida quotidiana impondo filas para comprar alimentos e medicamentos. Tudo isto define perfeitamente um ciclo de desestabiliza\u00e7\u00e3o e ensaio de novos m\u00e9todos para destruir do exterior um pa\u00eds.<\/p>\n<p>A guerra n\u00e3o convencional que ocorre contra a Venezuela tem por objetivo principal o psicol\u00f3gico, o f\u00edsico, o econ\u00f3mico e o bem-estar, por isso eles realizam multiplas a\u00e7\u00f5es de sabotagem de servi\u00e7os b\u00e1sicos e fundamentais (sistema el\u00e9trico e \u00e1gua), al\u00e9m da paramilitariza\u00e7\u00e3o do submundo. Tudo isto instalado pela for\u00e7a com a promo\u00e7\u00e3o em paralelo pelos media.<\/p>\n<p>Mois\u00e9s Na\u00edm intitula um de seus artigos escritos no <i> El Nacional <\/i> em 15 de maio de 2016: \u00abVenezuela: como viver num estado que falhou? &#8216;<\/p>\n<p>O Decreto de Obama e a proposta da lei de Amnistia e Reconcilia\u00e7\u00e3o Nacional da oposi\u00e7\u00e3o na Assembleia Nacional projetam a mesma narrativa sob diferentes \u00e2ngulos usando as ONGs como fontes &#8220;de informa\u00e7\u00e3o&#8221; habitual que, atrav\u00e9s de m\u00faltiplas manipula\u00e7\u00f5es, confirmam a imagem da Venezuela como uma nova S\u00e9rvia, nova Som\u00e1lia, novo Afeganist\u00e3o, novo Iraque, nova L\u00edbia, nova S\u00edria.<\/p>\n<p>O Decreto de Obama coroa a vers\u00e3o do ocidente que d\u00e1 o seu aval \u00e0 vers\u00e3o de Estado p\u00e1ria-totalit\u00e1rio que fracassou enquanto a lei de amnistia pretende negar e anular os crimes pol\u00edticos, as responsabilidades hist\u00f3ricas do passado come\u00e7ando pelo ciclo da insurrei\u00e7\u00e3o de 12 de fevereiro de 2014, que \u00e9 precisamente o ponto de partida do Decreto de Obama.<\/p>\n<p>Num despacho interno CIA de 1967, assinala-se a necessidade de qualificar como &#8220;te\u00f3ricos da conspira\u00e7\u00e3o&#8221;, para os desacreditar, os que denunciem um certo n\u00famero de factos que na verdade, mais se aproximam da realidade.<\/p>\n<p>Neste ponto, se se nega tudo sem conceder um m\u00ednimo de possibilidades, tal obedece a tr\u00eas raz\u00f5es: ou \u00e9 cegueira que produz o dogma pol\u00edtico e ideol\u00f3gico ou se participa conscientemente no processo de desestabiliza\u00e7\u00e3o ou se \u00e9 suficientemente ignorante e adormecido por mecanismos de aliena\u00e7\u00e3o sob todas as suas formas.<\/p>\n<p><b> 5 &#8211; Que fazer? Verdade e m\u00e9todo contra o golpe de estado acelerado e em marcha <\/b><\/p>\n<p>Ap\u00f3s descrever como foi configurada a maior opera\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica semi-secreta da regi\u00e3o (e provavelmente do mundo), contra a Venezuela chavista, podemos tra\u00e7ar algumas conclus\u00f5es que funcionar\u00e3o como dicas para a a\u00e7\u00e3o. A saber:<\/p>\n<p><b> \u2013 Risco, m\u00e9todo e capacidade de imagina\u00e7\u00e3o <\/b> . Os novos m\u00e9todos empregados contra pa\u00edses soberanos pela aplica\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios da guerra n\u00e3o-convencional excederam sempre os ant\u00eddotos e mecanismos tradicionais obsoletos de opera\u00e7\u00f5es semelhantes do passado. O jornal\u00edstico, o acad\u00e9mico, a dogm\u00e1tica e o tradicional passaram diretamente da Hist\u00f3ria sem reciclagem. H\u00e1 necessidade hoje de novos n\u00edveis de aud\u00e1cia que tornem indecifr\u00e1vel o confronto com o superpoder das transnacionais. A investiga\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de fontes abertas, a sobrestima\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do que parece sem import\u00e2ncia, a capacidade de unir o que parece irrelevante e o risco de designar o que em tempo de paz, alguns poderiam considerar como teoria da conspira\u00e7\u00e3o constitui o primeiro passo. Porque estas guerras s\u00e3o guerras que t\u00eam como alvo central a popula\u00e7\u00e3o civil e, portanto, \u00e9 tarefa de todos.<\/p>\n<p><b> \u2013 Recep\u00e7\u00e3o e resist\u00eancia. <\/b> Todos os factos pol\u00edticos, informa\u00e7\u00f5es, qualquer mensagem da rua, toda realiza\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica, toda realidade que se torna cita\u00e7\u00e3o uma vez dita provem de um emissor condicionado. Como m\u00e9todo eficaz, ler tudo e receber o conte\u00fado dos grandes media sem nenhum intermedi\u00e1rio para ent\u00e3o desmont\u00e1-los de forma cr\u00edtica. E como ponto de partida cr\u00edtico para o demonstrar, Mision Verdad tem quase quatro anos de an\u00e1lise ininterrupta.<\/p>\n<p><b> \u2013 \u00abFollow the money\u00bb. <\/b> A luta de classes nunca para. Unindo os pontos comuns entre os atores pol\u00edticos e do capital financeiro local e global, desenvolvendo um mapa das rela\u00e7\u00f5es que assinalam muito claramente os interesses, os objetivos e alian\u00e7as do poder, contra a Venezuela e no resto do mundo.<\/p>\n<p><b> \u2013 A Venezuela e a geopol\u00edtica global <\/b> . Premissa chave: a S\u00edria \u00e9 o mundo, a Venezuela tamb\u00e9m o \u00e9. Que as consequ\u00eancias de tr\u00eas anos de cerco medi\u00e1tico n\u00e3o sejam t\u00e3o vis\u00edveis, n\u00e3o tornam menos verdadeiro o facto de que se a Venezuela cair v\u00f3s caireis tamb\u00e9m e a contra-revolu\u00e7\u00e3o olig\u00e1rquica quase ter\u00e1 ganho.<\/p>\n<p><b> \u2013 Solidariedade real, ativa e honesta <\/b> . Atos simb\u00f3licos e manifesta\u00e7\u00f5es de rua n\u00e3o valem nada se seu conte\u00fado n\u00e3o estiver absolutamente de acordo com o que se passa na Venezuela. A primeira linha de a\u00e7\u00e3o de solidariedade refere-se estritamente ao dom\u00ednio da comunica\u00e7\u00e3o e deve estar de acordo com o objetivo de fazer parar os reais efeitos da narrativa \u00fanica do inimigo.<\/p>\n<p><b> \u2013 Dados de problemas id\u00eanticos <\/b> . N\u00e3o \u00e9 uma coincid\u00eancia se este Ver\u00e3o, se vir uma escalada sem precedentes na S\u00edria, for escolhido este momento para realizar o golpe final na Venezuela e se a Ucr\u00e2nia estiver definitivamente fragmentada. Estes s\u00e3o os tr\u00eas principais movimentos que o labirinto do Imp\u00e9rio realizar\u00e1 na sua situa\u00e7\u00e3o eleitoral in\u00e9dita.<\/p>\n<p><b> \u2013 Ideia preconcebida. <\/b> As linhas ideol\u00f3gicas n\u00e3o apenas foram alteradas, mas s\u00e3o fracturadas at\u00e9 se tornarem um instrumento que atue contra governos populares e democracias radicais. Desconfie-se dos discursos acad\u00e9micos, como se se tratasse de Hillary Clinton.<\/p>\n<p><b> [*] Diretor e Redator chefe de <a href=\"http:\/\/misionverdad.com\/\" target=\"_new\"> misionverdad.com\/<\/a><\/b><\/p>\n<p>A vers\u00e3o em franc\u00eas encontra-se em <a href=\"http:\/\/www.legrandsoir.info\/venezuela-clefs-de-la-guerre-non-conventionnelle-contre-le-venezuela-mision-verdad.html\" target=\"_new\"> www.legrandsoir.info\/&#8230;<\/a>. Tradu\u00e7\u00e3o de DVC.<\/p>\n<p><b> Este artigo encontra-se em <a href=\"http:\/\/resistir.info\/\" target=\"_new\"> http:\/\/resistir.info\/<\/a> . <\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Gustavo Borges Revilla, Diego Sequera* A Venezuela \u00e9 um pa\u00eds neste momento sitiado. 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