{"id":11399,"date":"2016-06-25T20:10:56","date_gmt":"2016-06-25T23:10:56","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=11399"},"modified":"2016-07-18T18:09:16","modified_gmt":"2016-07-18T21:09:16","slug":"a-explosao-do-genocidio-indigena-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11399","title":{"rendered":"A explos\u00e3o do genoc\u00eddio ind\u00edgena no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/radioyande.com\/images\/8fc50986542af302d134c31149f6af12.png?w=747\" alt=\"imagem\" \/><b>Por Daiara Tukano para a R\u00e1dio Yand\u00ea<\/b><\/p>\n<p>Ap\u00f3s o primeiro m\u00eas de governo interino no Brasil, o panorama da viol\u00eancia e preconceito contra os povos ind\u00edgenas tem se agravado: no estado do Mato Grosso do Sul nos \u00faltimos dias tem acontecido ataques coordenados nas terras ind\u00edgenas Pindoroky, Itagu\u00e1, Teyijusu, Kunumi Yvu, Nhandeva Pindo Pty, Guapoy, Joha, Javoraikue e Mbytere.<!--more--><\/p>\n<p>O conflito pela terra teve inicio a partir do momento em que o estado brasileiro vendeu as terras da uni\u00e3o, j\u00e1 ocupadas tradicionalmente por ind\u00edgenas, \u00e0 colonos fazendeiros no projeto de expans\u00e3o da fronteira agr\u00edcola na regi\u00e3o, provocando a expuls\u00e3o dos povos origin\u00e1rios de suas terras e deixando-os \u00e0 pr\u00f3pria sorte \u00e0s beiras das estradas ou concentrados no Reformat\u00f3rio Krenak, lembrados como espa\u00e7os de proibi\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas tradicionais, das l\u00ednguas, lugares de trabalho for\u00e7ado e de assassinato de diversas lideran\u00e7as, algo semelhante a campos de concentra\u00e7\u00e3o ind\u00edgenas desde os anos 50 at\u00e9 o fim da ditadura militar no brasil.<\/p>\n<p>Durante o per\u00edodo de redemocratiza\u00e7\u00e3o do Brasil, os povos Guarani, Kaiowa e Terena decidiram pelo processo de retomada das terras ancestrais como \u00fanico meio de sobreviv\u00eancia de seus povos, reocupando as beiras das fazendas ali instaladas h\u00e1 poucas d\u00e9cadas e enfrentando preconceito, viol\u00eancia, criminaliza\u00e7\u00e3o e terror quotidianos. O Mato Grosso do Sul, batizado um dia por suas florestas exuberantes, hoje \u00e9 um deserto de cana-de-a\u00e7\u00facar, pasto e soja, lavouras de grandes produtores rurais e poucos agricultores familiares: a maioria da popula\u00e7\u00e3o do campo trabalha a servi\u00e7o desse modelo de produ\u00e7\u00e3o muitas vezes em condi\u00e7\u00e3o de trabalho escravo.<\/p>\n<p>Os grandes propriet\u00e1rios conduzem a economia e a pol\u00edtica do estado de acordo com os pr\u00f3prios interesses, assim desenvolveram ao longo dos anos um sistema de exterm\u00ednio dos povos ind\u00edgenas protagonizado por mil\u00edcias compostas por pistoleiros, membros da pol\u00edcia militar e do DOF (Departamento de Opera\u00e7\u00f5es de Fronteira) que atendem diretamente \u00e0s ordens do governo do estado al\u00e9m de contar em suas fileiras in\u00fameros casos de corrup\u00e7\u00e3o. Entre os pistoleiros sabe-se de muitos ex-presidi\u00e1rios ou assassinos convictos fugitivos da lei, que circulam livremente pela regi\u00e3o deixando os acampamentos ind\u00edgenas num estado de alerta e terror constante.<\/p>\n<p><b>Como acontecem os ataques:<\/b><\/p>\n<p>Os pistoleiros costumam transitar constantemente de carro e moto pelas estradas \u00e0s beiras das retomadas, os fazendeiros costumam andar acompanhados por seguran\u00e7a privada e muito frequentemente escoltados por carros da PM e do DOF. O grande n\u00famero de atropelamentos nessas estradas \u00e9 reconhecido pelos habitantes da regi\u00e3o como uma estrat\u00e9gia para alegar acidentes ou homic\u00eddios dolosos que n\u00e3o entrem nas estat\u00edsticas de execu\u00e7\u00e3o de ind\u00edgenas: muitas vezes atropelam e jogam \u00e1lcool nas bocas das v\u00edtimas para alegar que estariam alcoolizadas no momento do \u201cacidente\u201d sem prestar socorro ou notificar as autoridades.<\/p>\n<p>Os plantios de cana-de-a\u00e7\u00facar em volta das retomadas s\u00e3o incendiados com o intuito de dificultar as rotas de fuga em meio a um tiroteio iminente: a queimada da cana faz parte do ciclo do plantio, mas raramente com a frequ\u00eancia que acontece em volta das retomadas ind\u00edgenas. Os inc\u00eandios nas lavouras intoxicam o ar e dificultam a vis\u00e3o panor\u00e2mica em volta da retomada, facilitando a aproxima\u00e7\u00e3o dos pistoleiros. Em v\u00e1rias ocasi\u00f5es aconteceu nesse contexto o inc\u00eandio criminoso de casas de reza e casas improvisadas com palha, lona e pl\u00e1stico, levando a \u00f3bito anci\u00f5es e crian\u00e7as queimados vivos dentro de suas pr\u00f3prias moradias.<\/p>\n<p>Nas fazendas \u00e9 poss\u00edvel encontrar verdadeiros arsenais de armamentos comprados do outro lado da fronteira, e geralmente os fazendeiros e funcion\u00e1rios possuem porte de arma sem justificar seu uso. Durante as noites \u00e9 necess\u00e1rio fazer vig\u00edlia constante para notar se algum carro est\u00e1 rondando o acampamento com as luzes desligadas, pode ser um sinal de ataque iminente. Os tiros come\u00e7am no meio da noite, podem avan\u00e7ar ou n\u00e3o, deixando a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena sitiada e em p\u00e2nico. Os cartuchos das balas podem ser encontrados espalhados ao redor do acampamento com facilidade, mas raramente se d\u00e1 andamento \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o dos autores dos disparos a n\u00edvel municipal ou estadual: apenas na esfera federal existe alguma resposta \u00e0s denuncias contra esses crimes.<\/p>\n<p>Durante os ataques a popula\u00e7\u00e3o majoritariamente composta por mulheres e crian\u00e7as corre para tentar encontrar algum lugar seguro mesmo que seja no meio das planta\u00e7\u00f5es ao relento no frio do inverno sul-mato-grossense.<\/p>\n<p>As pr\u00e1ticas aqui descritas s\u00e3o apenas algumas das mais comuns no momento do tiroteio; a elas soma-se o envenenamento por pulveriza\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xico via a\u00e9rea, a contamina\u00e7\u00e3o das \u00e1guas pot\u00e1veis e do solo, os ataques isolados a lideran\u00e7as ind\u00edgenas e os estupros seguidos de homic\u00eddio ou suic\u00eddio que tamb\u00e9m est\u00e3o entre as principais causas de \u00f3bito ind\u00edgena no estado.<\/p>\n<p><b>Omiss\u00e3o do estado frente ao genoc\u00eddio ind\u00edgena:<\/b><\/p>\n<p>Na portaria n\u00ba611 de 10 de junho de 2016, o Ministro da Justi\u00e7a Alexandre Moraes colocou, no Art. 1\u00ba &#8211; \u201cFicam suspensas, por noventa dias, as delega\u00e7\u00f5es de compet\u00eancia relativas \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o de contratos, conv\u00eanios e instrumentos cong\u00eaneres, a nomea\u00e7\u00e3o de servidores, a autoriza\u00e7\u00e3o de repasses de quaisquer valores n\u00e3o contratados, a realiza\u00e7\u00e3o de despesas com di\u00e1rias e passagens, e a realiza\u00e7\u00e3o de eventos, no \u00e2mbito do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e Cidadania (&#8230;)\u201d<\/p>\n<p>Organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil informaram \u00e0 PFDC que a medida gera impactos diretos no funcionamento dos cinco conselhos de direitos vinculados administrativamente \u00e0 Secretaria Especial de Direitos Humanos, incorporada ao Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e Cidadania: o Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), o Conselho Nacional da Pessoa com Defici\u00eancia (Conade), o Conselho Nacional dos Direitos da Crian\u00e7a e do Adolescente (Conanda), o Conselho dos Direitos da Pessoa Idosa (CDI) e o Conselho Nacional de Combate \u00e0 Discrimina\u00e7\u00e3o e Promo\u00e7\u00e3o dos Direitos de L\u00e9sbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (CNCD\/LGBT). Tamb\u00e9m estariam sob amea\u00e7a a continuidade de pol\u00edticas e programas voltados \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de defensores de direitos humanos, de v\u00edtimas e testemunhas amea\u00e7adas, de crian\u00e7as e adolescentes, entre outros segmentos socialmente vulnerabilizados.<\/p>\n<p>A SDH \u00e9 um dos \u00f3rg\u00e3os que sofreu com os cortes e reorganiza\u00e7\u00e3o administrativa do governo Temer, e vem passando igualmente pela reformula\u00e7\u00e3o dos cargos com a exonera\u00e7\u00e3o dos funcion\u00e1rios em cargos de dire\u00e7\u00e3o; a pasta foi direcionada da presid\u00eancia da rep\u00fablica para o minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, que nomeou Fl\u00e1via Piovesan para o cargo. A nomea\u00e7\u00e3o da secret\u00e1ria consta no Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o sem que, no entanto, ap\u00f3s algumas semanas, tenha acontecido a cerim\u00f4nia de posse ou a mesma tenha se apresentado para trabalhar em Bras\u00edlia. A mesma portaria ministerial paralisou o or\u00e7amento da Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio &#8211; FUNAI &#8211; que, em 2016, seguindo o planejamento anual, dever\u00e1 atuar com o corte de 26% em seu or\u00e7amento e a capacidade de apenas 36% dos servidores.<\/p>\n<p>O sucateamento da institui\u00e7\u00e3o \u00e9 oportuno para um governo omisso e conduzido abertamente pelos interesses do agroneg\u00f3cio, cujos parlamentares da frente ruralista encabe\u00e7am atualmente a CPI da FUNAI e do INCRA no intuito de questionar os m\u00e9todos e atividades da funda\u00e7\u00e3o, criminalizando servidores do \u00f3rg\u00e3o e lideran\u00e7as ind\u00edgenas em conflitos por terra. A CPI da FUNAI e do INCRA d\u00e1 continuidade aos debates instaurados na Proposta de Emenda Parlamentar 215, defendida pela mesma bancada, que se articula pela revis\u00e3o e impedimento da demarca\u00e7\u00e3o das terras ind\u00edgenas no pa\u00eds e almeja sua abertura para o avan\u00e7o da fronteira agr\u00edcola, da minera\u00e7\u00e3o e da explora\u00e7\u00e3o de recursos naturais.<\/p>\n<p>Os debates sobre a quest\u00e3o ind\u00edgena na c\u00e2mara federal s\u00e3o conduzidos pela bancada ruralista composta por 257 deputados, que aliada \u00e0 bancada empresarial (composta por 190 deputados), \u00e0 bancada dos policiais militares (com 55 representantes) e \u00e0 bancada evang\u00e9lica (com 52 representantes diretos, pois muitos membros tamb\u00e9m comp\u00f5em as outras bancadas) formam o grupo apelidado de <b>BBB &#8211; Boi, B\u00edblia e Bala<\/b> -, completando mais de 80% do total de deputados, sendo que os interesses de ind\u00edgenas, negros, quilombolas, LGBTI e mulheres s\u00e3o representados por um grupo reduzido de deputados em di\u00e1logo com os movimentos sociais leg\u00edtimos porta-vozes dos relatos de viol\u00eancia e desigualdade no Brasil.<\/p>\n<p>A alian\u00e7a do BBB tem, entre seus representantes, pol\u00edticos que usam da imunidade parlamentar para proferir discursos de \u00f3dio, preconceito, racismo, discrimina\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia de g\u00eanero e fundamentalismo religioso sem se ater aos princ\u00edpios democr\u00e1ticos de respeito aos direitos humanos que, por sua vez, s\u00e3o alvo de campanha de distor\u00e7\u00e3o e difama\u00e7\u00e3o: os conceitos de feminismo, luta de classes, igualdade racial e reforma agr\u00e1ria t\u00eam sido perseguidos ideologicamente por discursos reacion\u00e1rios que alcan\u00e7aram as ruas. Entre as figuras pol\u00edticas que se destacam no congresso nacional pela crueza de seus discursos est\u00e3o Luis Carlos Heinze, Alceu Moreira, Valdir Colatto e Nilson Leit\u00e3o como os mais ferrenhos defensores do agroneg\u00f3cio, ecoados por Jair Bolsonaro como maior representante da bancada da bala e Marcos Feliciano pela bancada da b\u00edblia. Bolsonaro e Feliciano, apesar de se mostrarem deputados pouco ativos em suas fun\u00e7\u00f5es, t\u00eam ganhado popularidade nas ruas, colaborando na dissemina\u00e7\u00e3o do discurso de \u00f3dio contra ind\u00edgenas, negros, LGBTI, sindicalistas, sem terra e sem teto.<\/p>\n<p><b>Viol\u00eancia no campo e nas ruas: <\/b><\/p>\n<p>Os discursos de \u00f3dio ganham as redes sociais e os coment\u00e1rios da grande m\u00eddia pelas declara\u00e7\u00f5es de cidad\u00e3os que rapidamente se colocam favor\u00e1veis ao genoc\u00eddio ind\u00edgena: seu envenenamento, esteriliza\u00e7\u00e3o, execu\u00e7\u00e3o e exclus\u00e3o social. Para muitos cidad\u00e3os an\u00f4nimos da internet, \u201co \u00fanico lugar do \u00edndio \u00e9 nos livros de hist\u00f3ria\u201d.<\/p>\n<p>O assassinato do menino Vitor Kaing\u00e1ng, degolado no seio de sua m\u00e3e no centro da cidade, n\u00e3o gerou sequer como\u00e7\u00e3o entre as testemunhas de sua morte, que permitiram que o assassino se afastasse tranquilamente. Da mesma forma, os recentes assassinatos de ind\u00edgenas Guarani Kaiow\u00e1 no Mato Grosso do Sul, t\u00eam sido em parte celebrados pela popula\u00e7\u00e3o local que recebeu recentemente as visitas de deputados ruralistas e do pr\u00f3prio Bolsonaro.<\/p>\n<p>Dos ataques acontecidos ao longo da \u00faltima semana resultaram 18 ind\u00edgenas feridos, entre eles v\u00e1rias crian\u00e7as, uma das quais ainda se encontra internada com tiros no abd\u00f4me. O agente de sa\u00fade ind\u00edgena Cleudiodo foi assassinado no conflito de reintegra\u00e7\u00e3o de posse da fazenda Yvu (batizada pelo dono com o nome antigo da terra Guarani Kaiow\u00e1), cujo propriet\u00e1rio \u00e9 vulgarmente conhecido como \u201cVirg\u00edlio Mata a Tiro\u201d, apelido que denota e alerta bem sobre suas pr\u00e1ticas criminosas aos moldes dos coron\u00e9is dos s\u00e9culos passados, ou dos bandeirantes que em nome do progresso do Brasil se encarregavam de limpar o territ\u00f3rio brasileiro a chumbo e sangue.<\/p>\n<p>Os ataques de ruralistas \u00e0s retomadas ind\u00edgenas aumenta em todo o pa\u00eds, contando com a impunidade, omiss\u00e3o ou lentid\u00e3o do estado, flagelando especialmente os povos dos primeiros contatos que resistem at\u00e9 hoje fora do espa\u00e7o da Amaz\u00f4nia Legal, no Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste brasileiros. O direito \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio ancestral \u00e9 garantido \u00e0s popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas por acordos internacionais supra-constitucionais firmados pelo Brasil, por\u00e9m, se o brasileiro comum parece desconhecer sua hist\u00f3ria, pior \u00e9 o conhecimento da legisla\u00e7\u00e3o vigente entre aqueles que ainda acreditam na tutela para ind\u00edgenas ou na ideia que estes sejam incapazes de dialogar com o mundo contempor\u00e2neo sem perder sua identidade ou conquistar sua autonomia.<\/p>\n<p><b>O desafio da defesa dos direitos humanos no Brasil:<\/b><\/p>\n<p>Em defesa do estado democr\u00e1tico de direito, a sociedade civil e certos representantes do pr\u00f3prio estado tentam se organizar para resistir aos retrocessos aplicados pelo governo interino nos tr\u00eas poderes: os movimentos sociais se esfor\u00e7am no constante di\u00e1logo por seus direitos em espa\u00e7os leg\u00edtimos como o Conselho Nacional de Direitos Humanos, as Comiss\u00f5es de Direitos Humanos da C\u00e2mara e do Senado Federal, a Secretaria de Direitos Humanos e o F\u00f3rum para promo\u00e7\u00e3o de direitos e combate \u00e0 viol\u00eancia no campo no Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, como espa\u00e7os para denuncia e relatoria do cen\u00e1rio de viol\u00eancia e viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos no Brasil. Nestes espa\u00e7os foram produzidos relat\u00f3rios de refer\u00eancia para pol\u00edticas p\u00fablicas de promo\u00e7\u00e3o aos direitos humanos, como a promo\u00e7\u00e3o da igualdade racial, da distribui\u00e7\u00e3o de renda pelos programas bolsa fam\u00edlia e minha casa minha vida, as leis de inclus\u00e3o da tem\u00e1tica afro-brasileira, negra e ind\u00edgena no ensino brasileiro, as cotas de acesso \u00e0s universidades federais para estudantes em vulnerabilidade socioecon\u00f4mica e racial (negros e ind\u00edgenas), o programa universidade para todos &#8211; PROUNI &#8211; e outras iniciativas que visam a diminui\u00e7\u00e3o das desigualdades no pa\u00eds. Todas essas pol\u00edticas s\u00e3o justamente as que mais v\u00eam sendo perseguidas pelas bancadas do BBB que aparentam defender a manuten\u00e7\u00e3o dos privil\u00e9gios das pequenas oligarquias agr\u00edcolas e empresariais que se consideram donas do Brasil.<\/p>\n<p>Os relat\u00f3rios de direitos humanos tamb\u00e9m s\u00e3o acompanhados nas esferas da pol\u00edtica internacional, ambiente que tem se mostrado fundamental na defesa das minorias, a exemplo dos acordos, tratados e declara\u00e7\u00f5es internacionais de direitos dos povos ind\u00edgenas da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT), Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), e recentemente a Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos (OEA), todos ratificados pelo Estado Brasileiro.<\/p>\n<p>A demarca\u00e7\u00e3o das terras ind\u00edgenas s\u00f3 pode acontecer em \u00e2mbito federal, firmadas pela presid\u00eancia da rep\u00fablica, uma vez que estas s\u00e3o propriedade da uni\u00e3o com usufruto dos povos origin\u00e1rios, o que entra em conflito com os interesses dos industriais e do agroneg\u00f3cio que conduzem os blocos pol\u00edticos nos estados, e que por meios excusos, acabam por gerar uma enorme rede de corrup\u00e7\u00e3o a favor do exterm\u00ednio ind\u00edgena. Os crimes contra os direitos humanos dos povos ind\u00edgenas tamb\u00e9m tendem a ser julgados no alto escal\u00e3o, dificultando e protelando os processos judiciais a favor do tempo dos grandes propriet\u00e1rios enquanto as balas correm soltas. Em raras ocasi\u00f5es esse tipo de denuncia alcan\u00e7a os \u00e2mbitos internacionais, tendo o \u00faltimo epis\u00f3dio ocorrido durante o fim da ditadura militar no Brasil, quando o estado foi r\u00e9u sob acusa\u00e7\u00e3o de genoc\u00eddio e etnoc\u00eddio ind\u00edgena como parte da estrat\u00e9gia de urg\u00eancia pela redemocratiza\u00e7\u00e3o do Brasil. Hoje o panorama pol\u00edtico nos faz questionar se essa redemocratiza\u00e7\u00e3o foi plena, j\u00e1 que cresce o \u00edndice de viol\u00eancia e se deterioram os mecanismos de defesa dos direitos humanos deliberadamente a ponto de permitir o crescimento dos discursos de \u00f3dio.<\/p>\n<p>Apesar do esfor\u00e7o em denunciar os crimes contra os povos origin\u00e1rios no Brasil, a conscientiza\u00e7\u00e3o sobre a realidade ind\u00edgena n\u00e3o alcan\u00e7a as grandes m\u00eddias nem o conhecimento geral do brasileiro comum, que parece mais receptivo ao discurso de \u00f3dio que ao de justi\u00e7a, igualdade ou paz. Diante desse panorama, a comunica\u00e7\u00e3o livre, as m\u00eddias independentes e as m\u00eddias sociais t\u00eam sido o principal campo de embate pela informa\u00e7\u00e3o das grandes massas. Contamos com sua colabora\u00e7\u00e3o para que cada cidad\u00e3o do mundo possa saber a realidade dos povos ind\u00edgenas dentro e fora do brasil e que juntos possamos um dia parar definitivamente o maior e mais longo genoc\u00eddio da hist\u00f3ria da humanidade.<\/p>\n<p>http:\/\/radioyande.com\/default.php?pagina=index.php&#038;site_id=975&#038;pagina_id=21862&#038;tipo=post&#038;post_id=602<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Por Daiara Tukano para a R\u00e1dio Yand\u00ea Ap\u00f3s o primeiro m\u00eas de governo interino no Brasil, o panorama da viol\u00eancia e preconceito contra \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11399\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-11399","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s8-brasil"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2XR","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11399","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11399"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11399\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11399"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11399"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11399"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}