{"id":1143,"date":"2011-01-21T00:26:43","date_gmt":"2011-01-21T03:26:43","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1143"},"modified":"2017-11-09T13:32:40","modified_gmt":"2017-11-09T16:32:40","slug":"revolucao-popular-na-tunisia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1143","title":{"rendered":"Revolu\u00e7\u00e3o popular na Tun\u00edsia"},"content":{"rendered":"\n<p align=\"justify\">2011 come\u00e7ou com uma revolu\u00e7\u00e3o popular na Tun\u00edsia. O evento obrigou o ditador Zine El Abidine Ben Al\u00ed fugir com toda sua fam\u00edlia para a Ar\u00e1bia Saudita, na sexta-feira passada, 14 de janeiro. Ben Al\u00ed permaneceu no poder durante 23 anos. O \u201cnovo\u201d governo foi formado pelos farrapos do velho e est\u00e1 em total desequil\u00edbrio. Enquanto isso, a mobiliza\u00e7\u00e3o das massas continua com for\u00e7a<\/p>\n<p align=\"justify\">O ditador fugitivo deixou seu primeiro ministro Mohammed Ghannouchi no poder. No entanto, seu governo durou apenas um dia. O mesmo foi substitu\u00eddo pelo Presidente do Parlamento, Fouad Mebazaa, que anunciou liberdades p\u00fablicas. Entretanto, a rebeli\u00e3o popular permanece ativa, pese a repress\u00e3o que j\u00e1 deixou mais de 100 mortos. Ningu\u00e9m acredita no \u201cnovo\u201d governo. Na realidade, ele \u00e9 o mesmo velho governo, por\u00e9m sem seu l\u00edder&#8230; Tampouco existe uma alternativa pol\u00edtica vis\u00edvel. Quatro ministros do \u201cnovo\u201d governo j\u00e1 renunciaram. A UGTT (Uni\u00e3o Geral dos Trabalhadores), composta de burocratas que estiveram submetidos ao governo de Ben Al\u00ed, agora denuncia que o novo governo est\u00e1 dominado pelo partido do ex-presidente.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Uma economia \u201cde sucesso\u201d<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Anos atr\u00e1s a ditadura era parabenizada pelo FMI e pelo Banco Mundial por seus \u201c\u00eaxitos\u201d econ\u00f4micos em \u201catrair investimentos\u201d. Para isso, baixou ao m\u00ednimo os impostos e facilitou a exporta\u00e7\u00e3o de lucros, com o intuito de que a Europa instalasse suas f\u00e1bricas, principalmente as 1.250 empresas da Fran\u00e7a, e aproveitasse a m\u00e3o de obra barata. Enquanto isso, a pol\u00edcia pol\u00edtica prendia e torturava opositores e lideran\u00e7as sociais, proibia qualquer imprensa oposicionista e censurava a internet. Uma gigantesca corrup\u00e7\u00e3o concentrou a maior parte \u201cnacional\u201d da economia no cl\u00e3 Trabelsi (a fam\u00edlia do ditador).<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>A fa\u00edsca e a explos\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Em 17 de dezembro \u00faltimo, a corrupta pol\u00edcia do regime confiscou (roubou) o carrinho de m\u00e3o com frutas e verduras, \u00fanico sustento de Mohamed Bouazizi, de 26 anos, que possu\u00eda o ensino superior, mas estava sem trabalho, vivendo da venda ambulante. Bouazizi, desesperado pela perda, se banhou com gasolina e ateou fogo. Faleceu em 4 de janeiro, como resultado das graves queimaduras.<\/p>\n<p align=\"justify\">A morte de Bouazizi se converteu num s\u00edmbolo. Centenas de milhares de jovens sem trabalho e sem nada a perder tomaram as ruas enfrentando a pol\u00edcia. Ningu\u00e9m conseguiu deter esse movimento. A repress\u00e3o (diz-se que existem mais de 100 mortos e milhares de feridos e presos) multiplicava a indigna\u00e7\u00e3o e o n\u00famero de manifestantes. Ningu\u00e9m acreditou nas promessas do ditador de criar postos de trabalho e outorgar liberdades. A rebeli\u00e3o juvenil se mostrou incontrol\u00e1vel. Os oper\u00e1rios das f\u00e1bricas, na sua maioria jovens e com sal\u00e1rios miser\u00e1veis, come\u00e7aram a unir-se \u00e0 revolta, pese a passividade na condu\u00e7\u00e3o promovida pela UGTT. A UGTT s\u00f3 se manifestou de maneira contundente quando foi pressionada pela greve geral, organizada pela base. Milhares de pessoas atacaram domic\u00edlios e propriedades da fam\u00edlia Trabelsi. Al\u00e9m disso, delegacias foram incendiadas. A multid\u00e3o enfrentou a pol\u00edcia no bra\u00e7o e com pedras contra as balas. E venceu! O regime ficou sem ar. O ex\u00e9rcito n\u00e3o interveio, talvez sabendo que corria o risco de desintegrar-se. Assim, ao ditador s\u00f3 restou a fuga&#8230;<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>A luta mal come\u00e7ou<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">A derrota do ditador e a conquista de fato de muitas liberdades pol\u00edticas, \u00e9 um grande triunfo popular. Mas, \u00e9 apenas o primeiro round. Se fala de elei\u00e7\u00f5es em 90 dias, por\u00e9m com partidos proscritos, como est\u00e1 atualmente, entre outros, o Partido Comunista Trabalhista da Tun\u00edsia (PCOT), que possui influ\u00eancia em alguns sindicatos de base.<\/p>\n<p align=\"justify\">O avan\u00e7o na autoconfian\u00e7a e organiza\u00e7\u00e3o das massas de jovens e trabalhadores que derrubaram a ditadura \u00e9 grande. Um representante da cidade de Ksour disse: \u201cOs homens &#8216;de confian\u00e7a&#8217; s\u00e3o jovens, adultos e anci\u00e3os, que se equiparam a paus e facas. Estas pessoas levantaram barricadas para controlar acessos \u00e0 localidade, bairro por bairro, rua por rua. N\u00e3o permitiam o tr\u00e2nsito de ve\u00edculos nem de pessoas desconhecidas\u201d (J. D. Fierro, Rebeli\u00f3n).<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00c9 ineg\u00e1vel que o imperialismo ianque e europeu perdeu um aliado. Juntamente com as distintas for\u00e7as pol\u00edticas patronais tunisianas e o ex\u00e9rcito, est\u00e3o empenhados agora em desmobilizar o povo e \u201cestabiliz\u00e1-lo\u201d, promovendo algumas concess\u00f5es democr\u00e1ticas. Contudo, isto n\u00e3o soluciona os problemas de fundo, a mis\u00e9ria, a desocupa\u00e7\u00e3o e a explora\u00e7\u00e3o imperialista. Paralelamente a isso, o descontentamento tunisiano contagia a mobiliza\u00e7\u00e3o dos povos da Arg\u00e9lia e L\u00edbia, somando mais temores ao imperialismo.<\/p>\n<p align=\"justify\">A exig\u00eancia central da revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 a reivindica\u00e7\u00e3o da juventude por trabalho. Isso requer outro plano econ\u00f4mico, expropriar \u201ca fam\u00edlia\u201d do ditador e as transnacionais. Estas mudan\u00e7as de fundo s\u00f3 poder\u00e3o ser alcan\u00e7adas sob um novo poder: trabalhador, popular e campon\u00eas. Nesse caminho, segue a mobiliza\u00e7\u00e3o popular pelas reivindica\u00e7\u00f5es sociais e democr\u00e1ticas, a busca pela recupera\u00e7\u00e3o dos sindicatos, expurgando os burocratas para lutar pelo sal\u00e1rio e todas as necessidades dos trabalhadores, assim como a dissolu\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia pol\u00edtica e o castigo dos carrascos do regime, passando o povo a decidir, livremente, sobre seu futuro.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Exemplo contagioso<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">A revolu\u00e7\u00e3o na Tun\u00edsia \u00e9 express\u00e3o da resist\u00eancia das massas ante o ajuste capitalista mundial que imp\u00f5e a desocupa\u00e7\u00e3o e sal\u00e1rios de fome. Por\u00e9m, al\u00e9m disso, o mesmo ocorre numa regi\u00e3o \u2013 nos pa\u00edses \u00e1rabes (Marrocos, Arg\u00e9lia, L\u00edbia, Egito, Sud\u00e3o, Jord\u00e2nia, S\u00edria, I\u00eamen, Iraque, Ar\u00e1bia Saudita, L\u00edbano, etc) \u2013, com uma grande unidade hist\u00f3rica e cultural, agora dominada por governos ditatoriais submetidos ao imperialismo. \u201cMuitos jovens \u00e1rabes se identificam com os problemas que enfrentam os jovens tunisianos: desemprego, corrup\u00e7\u00e3o, autocracia, viola\u00e7\u00f5es aos direitos humanos\u201d (BBC de Londres). Isto se soma \u00e0 derrota ianque no Iraque, tamb\u00e9m pa\u00eds \u00e1rabe.<\/p>\n<p align=\"justify\">O \u201ccont\u00e1gio\u201d proveniente dos acontecimentos da Tun\u00edsia j\u00e1 \u00e9 evidente na Arg\u00e9lia, onde ocorrem grandes protestos h\u00e1 duas semanas. Tamb\u00e9m ocorreram manifesta\u00e7\u00f5es na Jord\u00e2nia e na L\u00edbia. No I\u00eamen, na pen\u00ednsula ar\u00e1bica, milhares de estudantes marcharam pelas ruas gritando a favor dos povos \u00e1rabes, contra o que chamaram \u201cos assustados e falsos l\u00edderes\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">Dados da Rep\u00fablica Tunisiana<\/p>\n<p align=\"justify\">Popula\u00e7\u00e3o: 10.400.000 habitantes<\/p>\n<p align=\"justify\">Superf\u00edcie: 165.000 km2 (similar \u00e0 prov\u00edncia de C\u00f3rdoba)<\/p>\n<p align=\"justify\">Economia: agroind\u00fastria, fosfatos, turismo e maquila (f\u00e1bricas imperialistas instaladas com baix\u00edssimos impostos e m\u00e3o de obra barata).<\/p>\n<p align=\"justify\">Idioma: \u00e1rabe.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Maria Fernanda M. Scelza<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: 1.bp.blogspot.com\n\n\n\n\n\n\n\n\nMiguel Lamas\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1143\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[36],"tags":[],"class_list":["post-1143","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c41-unidade-comunista"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-ir","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1143","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1143"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1143\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1143"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1143"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1143"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}