{"id":11445,"date":"2016-07-06T09:08:37","date_gmt":"2016-07-06T12:08:37","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=11445"},"modified":"2016-08-02T00:58:08","modified_gmt":"2016-08-02T03:58:08","slug":"imperialismo-a-industria-da-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11445","title":{"rendered":"Imperialismo, a ind\u00fastria da morte"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/s2.glbimg.com\/M2Go59IHtDrwyrcPMD3rg8OlgD8%3D\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2014\/10\/18\/2014-10-18t124609z_12915324.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>A guerra \u00e9 um dos principais neg\u00f3cios do imperialismo. Promovida em todos os cantos do planeta, propicia trilh\u00f5es de d\u00f3lares de lucros para as transnacionais, perversamente conscientes das mortes e trag\u00e9dias que geram.<!--more--><\/p>\n<p>Apenas a ind\u00fastria armamentista envolve cerca de 570 bilh\u00f5es de d\u00f3lares anuais. Armas de todos os tipos s\u00e3o vendidas indiscriminadamente: avi\u00f5es, m\u00edsseis, foguetes, drones, tanques, metralhadoras, bombas, canh\u00f5es, rev\u00f3lveres, minas. Os compradores, em geral, s\u00e3o os pa\u00edses ditos como aliados, que implementam os interesses do imperialismo contra pa\u00edses vizinhos ou que simplesmente imp\u00f5em algum tipo de obst\u00e1culo \u00e0 vol\u00fapia do capital.<\/p>\n<p>Ao fomentar guerras, muitas delas fratricidas, as grandes empresas ganham n\u00e3o somente com a comercializa\u00e7\u00e3o de armas, mas tamb\u00e9m com a explora\u00e7\u00e3o de recursos naturais dos pa\u00edses envolvidos \u2013 com destaque para o petr\u00f3leo \u2013 e com a ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas internas que beneficiam o capital, como a financeiriza\u00e7\u00e3o da economia atrav\u00e9s das chamadas d\u00edvidas p\u00fablicas, a privatiza\u00e7\u00e3o de empresas estatais e dos servi\u00e7os essenciais, como a sa\u00fade, a educa\u00e7\u00e3o, a seguran\u00e7a, os transportes etc.<\/p>\n<p>Interesses geopol\u00edticos tamb\u00e9m determinam as guerras e, por conseguinte, \u201cos neg\u00f3cios\u201d, como acontece com destaque no Afeganist\u00e3o, na S\u00edria e na Ucr\u00e2nia, atualmente.<\/p>\n<p>A liga\u00e7\u00e3o entre os interesses pol\u00edticos, militares e econ\u00f4micos \u00e9 umbilical. A Ar\u00e1bia Saudita, por exemplo, \u00e9 o segundo maior produtor de petr\u00f3leo e possui as segundas maiores reservas em n\u00edvel mundial. N\u00e3o coincidentemente, \u00e9 o principal aliado dos Estados Unidos no Oriente M\u00e9dio, sendo um dos maiores compradores de armas e, ao mesmo tempo, fornecedor de petr\u00f3leo. Em 2015, a ditadura saudita comprou cerca de US$ 25 bilh\u00f5es em armas, muitas das quais foram para outros pa\u00edses e para o Estado Isl\u00e2mico, alimentando os conflitos contra a S\u00edria, a L\u00edbia, a Nig\u00e9ria e a Eritr\u00e9ia, entre outros.<\/p>\n<p>\u00c9 significativo que os maiores produtores e vendedores de armas sejam os pa\u00edses chamados desenvolvidos, do Primeiro Mundo. Pela ordem: Estados Unidos, com 31% do mercado mundial, R\u00fassia, com 27%, China, que galgou tal posi\u00e7\u00e3o somente no ano passado, Alemanha, Fran\u00e7a, Reino Unido, Espanha, Ucr\u00e2nia, It\u00e1lia e Israel. No com\u00e9rcio de armas leves \u2013 rev\u00f3lveres, metralhadoras, bombas de g\u00e1s lacrimog\u00eaneo etc. \u2013 o Brasil se introduz nessa elite, sendo o quarto maior em n\u00edvel mundial.<\/p>\n<p><b>Guerras, grandes neg\u00f3cios e petr\u00f3leo<\/b><\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que muitos acreditam, as guerras n\u00e3o representam custos para as na\u00e7\u00f5es imperialistas, mas sim investimentos, pois proporcionam altos lucros para suas empresas, que ganham vendendo armas para seus pr\u00f3prios governos e aliados.<\/p>\n<p>S\u00e3o incont\u00e1veis as guerras ocorridas nos \u00faltimos anos. As mais significativas, pelo n\u00famero de mortos, dura\u00e7\u00e3o, interesses em jogo e recursos s\u00e3o: S\u00edria, Afeganist\u00e3o, Eritr\u00e9ia, Som\u00e1lia, Nig\u00e9ria, Palestina, Sud\u00e3o, I\u00eamen, L\u00edbia, Iraque, Sud\u00e3o do Sul, Rep\u00fablica Centro-Africana, Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, Ucr\u00e2nia e Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>Os interesses s\u00e3o claros. A Ucr\u00e2nia, por exemplo, \u00e9 a maior produtora de alimentos da Europa, possui alta tecnologia aeroespacial herdada da URSS, abriga uma base naval russa no Mar Negro e faz fronteira com a R\u00fassia. \u00c9 fundamental estrategicamente, tanto do ponto de vista militar quanto econ\u00f4mico, j\u00e1 que os EUA t\u00eam enorme interesse em ampliar seus neg\u00f3cios com a Uni\u00e3o Europeia, conforme as negocia\u00e7\u00f5es em curso para a Parceria Transatl\u00e2ntica de Com\u00e9rcio e Investimento (TTIP).<\/p>\n<p>No caso da S\u00edria, s\u00e3o determinantes as reservas de petr\u00f3leo e a posi\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica. Al\u00e9m disso, \u00e9 a porta de entrada para alcan\u00e7ar o Ir\u00e3, a joia da coroa do Oriente M\u00e9dio para o imperialismo.<\/p>\n<p>A Palestina padece com o expansionismo do Estado de Israel. J\u00e1 a L\u00edbia enfrenta guerra civil desde o assassinato de <span style=\"color: #111111;\">al-Gaddafi<\/span>, tamb\u00e9m por ser um dos maiores produtores de petr\u00f3leo em n\u00edvel mundial.<\/p>\n<p>Apenas na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo morreram mais de cinco milh\u00f5es de pessoas desde o final do s\u00e9culo passado, um dos maiores genoc\u00eddios da hist\u00f3ria recente, mas que n\u00e3o tem repercuss\u00e3o na m\u00eddia internacional, porta-voz do capital.<\/p>\n<p><strong>Pa\u00edses maiores produtores de petr\u00f3leo em 2015<\/strong><\/p>\n<p>EUA<\/p>\n<p>Ar\u00e1bia Saudita<\/p>\n<p>R\u00fassia<\/p>\n<p>Canad\u00e1<\/p>\n<p>China<\/p>\n<p>Emirados \u00c1rabes<\/p>\n<p>Ir\u00e3<\/p>\n<p>Iraque<\/p>\n<p>Kuwait<\/p>\n<p>M\u00e9xico<\/p>\n<p><strong>Pa\u00edses com maiores reservas de petr\u00f3leo<\/strong><\/p>\n<p>Venezuela &#8211; 297,7 bilh\u00f5es de barris (bbl)<\/p>\n<p>Ar\u00e1bia Saudita &#8211; 268,4 bilh\u00f5es de barris<\/p>\n<p>Canad\u00e1 &#8211; 173,2 bilh\u00f5es de barris<\/p>\n<p>Ir\u00e3 &#8211; 157,3 bilh\u00f5es de barris<\/p>\n<p>Iraque &#8211; 140,3 bilh\u00f5es de barris<\/p>\n<p>Kuwait &#8211; 104 bilh\u00f5es de barris<\/p>\n<p>Emirados \u00c1rabes Unidos &#8211; 97,8 bilh\u00f5es de barris<\/p>\n<p>R\u00fassia &#8211; 80 bilh\u00f5es de barris<\/p>\n<p>L\u00edbia &#8211; 48,47 bilh\u00f5es de barris<\/p>\n<p>Nig\u00e9ria &#8211; 37,14 bilh\u00f5es de barris<\/p>\n<p><strong>Empresas maiores produtoras de petr\u00f3leo no mundo em 2015<\/strong><\/p>\n<p><strong>Saudi Aramco<\/strong> (Ar\u00e1bia Saudita): 12 milh\u00f5es de barris por dia<\/p>\n<p><strong>Gazprom<\/strong> (R\u00fassia): 8,3 milh\u00f5es<\/p>\n<p><strong>Companhia Nacional de Petr\u00f3leo do Ir\u00e3<\/strong> (Ir\u00e3): 6 milh\u00f5es<\/p>\n<p><strong>Exxon Mobil<\/strong> (EUA): 4,7 milh\u00f5es<\/p>\n<p><strong>Rosneft<\/strong> (R\u00fassia): 4,7 milh\u00f5es<\/p>\n<p><strong>Petrochina<\/strong> (China): 4 milh\u00f5es<\/p>\n<p><strong>BP<\/strong> (Reino Unido): 3,7 milh\u00f5es<\/p>\n<p><strong>Royal Dutch Shell<\/strong> (Reino Unido): 3,7 milh\u00f5es<\/p>\n<p><strong>Pemex<\/strong> (M\u00e9xico): 3,6 milh\u00f5es<\/p>\n<p><strong>Kuwait Petroleum<\/strong> (Kuwait): 3,4 milh\u00f5es<\/p>\n<p><strong>Um tratado ineficaz<\/strong><\/p>\n<p>Em 2014 entrou em vigor o Tratado Global de Com\u00e9rcio de Armas (ATT, da sigla em ingl\u00eas), cujo objetivo \u00e9 bloquear e fiscalizar o com\u00e9rcio internacional de armas, principalmente para governos com hist\u00f3rico de desrespeito aos direitos humanos.<\/p>\n<p>Mais de 50 pa\u00edses assinaram e ratificaram o tratado, entre eles o Brasil e alguns dos maiores exportadores de armas, como Alemanha, Espanha, Fran\u00e7a, It\u00e1lia e Reino Unido. Cerca de outros 70 pa\u00edses assinaram, mas n\u00e3o ratificaram o acordo, com destaque para os Estados Unidos, maior produtor e vendedor mundial de armas. China e R\u00fassia sequer o assinaram quando da sua entrada em vigor.<\/p>\n<p>O referido tratado pressup\u00f5e a divulga\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio de armas e a aplica\u00e7\u00e3o de normas e procedimentos para tanto. H\u00e1 enorme resist\u00eancia por parte dos pa\u00edses e empresas produtoras quanto a sua aplicabilidade, pois a gama de recursos envolvida \u00e9 substancial. O sigilo das vendas das empresas para os pa\u00edses compradores \u00e9 assegurado pela maioria dos governos, signat\u00e1rios ou n\u00e3o do tratado, o que o inviabiliza na pr\u00e1tica.<\/p>\n<p><strong>A III Guerra e a corrida armamentista<\/strong><\/p>\n<p>A crise deflagrada em 2008 exacerbou a disputa entre as pot\u00eancias imperialistas. O caso mais flagrante \u00e9 a contradi\u00e7\u00e3o entre os Estados Unidos, de um lado, e a R\u00fassia e a China, de outro. Esses dois pa\u00edses forjaram uma alian\u00e7a para barrar o expansionismo estadunidense na Europa, Oriente M\u00e9dio, \u00c1sia e \u00c1frica, ao mesmo tempo em que impulsionam suas economias, particularmente a chinesa, cujas taxas de crescimento nas recentes d\u00e9cadas foram significativamente altas, apesar de terem ca\u00eddo nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>A China investe na chamada \u201cRota da Seda\u201d, em alus\u00e3o ao fluxo comercial da Idade M\u00e9dia. Atrav\u00e9s da R\u00fassia, pelo Norte, da \u00cdndia e \u00c1frica, pelo Sul, trabalha para alcan\u00e7ar o mercado europeu, confrontando a pol\u00edtica estadunidense, empenhada em concluir a TTIP.<\/p>\n<p>A R\u00fassia tamb\u00e9m mant\u00e9m intenso com\u00e9rcio com os pa\u00edses europeus, por\u00e9m, cada vez mais se volta para o mercado asi\u00e1tico, em especial na China e na \u00cdndia, pa\u00edses mais populosos do planeta e com vigoroso crescimento econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>O t\u00e3o decantado ex\u00e9rcito mais poderoso do mundo \u2013 derrotado e humilhado no Vietn\u00e3 \u2013 j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais o mesmo. Os russos desenvolveram os m\u00edsseis S-500, capazes de interceptar quaisquer m\u00edsseis inimigos, o que lhes d\u00e1 uma superioridade militar sem precedentes na hist\u00f3ria recente. Da\u00ed a preocupa\u00e7\u00e3o estadunidense em fortalecer a OTAN na Europa, tentar instalar bases militares na fronteira com a R\u00fassia e lhe aplicar san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas. Enquanto isso, tenta desenvolver m\u00edsseis capazes de superar os \u201cinimigos\u201d.<\/p>\n<p>A corrida armamentista nos dias de hoje \u00e9 superior \u00e0 da \u00e9poca da guerra fria. O planeta voltou a ser amea\u00e7ado pela guerra entre as superpot\u00eancias. Nunca foi t\u00e3o atual a ins\u00edgnia \u201cSocialismo ou barb\u00e1rie\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11417\" target=\"_blank\">http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11417<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A guerra \u00e9 um dos principais neg\u00f3cios do imperialismo. 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