{"id":11451,"date":"2016-07-10T09:23:50","date_gmt":"2016-07-10T12:23:50","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=11451"},"modified":"2016-08-02T00:58:44","modified_gmt":"2016-08-02T03:58:44","slug":"moradia-o-lucro-em-detrimento-da-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11451","title":{"rendered":"Moradia: o lucro em detrimento da vida"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/009\/img\/noticias\/mendigo6941957581_73ec1d87f5_z.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>Mais de 20 milh\u00f5es de brasileiros n\u00e3o t\u00eam onde morar. Vivem nas ruas, debaixo dos viadutos, se escondendo da chuva e do frio nas marquises, em qualquer lugar que lhes forne\u00e7a abrigo.<\/p>\n<p>Segundo dados oficiais de 2013, o d\u00e9ficit habitacional brasileiro \u00e9 de 5,846 milh\u00f5es de domic\u00edlios. O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) contesta essa informa\u00e7\u00e3o, <!--more-->com base em estudo da Funda\u00e7\u00e3o Jo\u00e3o Pinheiro, que estima em 6,940 milh\u00f5es a falta de moradias.<\/p>\n<p>Se, por um lado, o programa federal \u201cMinha Casa, Minha Vida\u201d foi constitu\u00eddo com a promessa de reduzir o d\u00e9ficit habitacional das fam\u00edlias de baixa renda, particularmente daquelas com rendimento de 1 a 3 sal\u00e1rios m\u00ednimos, ainda est\u00e1 longe de beneficiar a todos os necessitados.<\/p>\n<p>Na verdade, quem mais ganha com esse programa s\u00e3o as empreiteiras, tanto pelas constru\u00e7\u00f5es das habita\u00e7\u00f5es, quanto pela venda dos terrenos, muitos localizados em \u00e1reas de dif\u00edcil acesso, longe do trabalho, da escola, dos hospitais, daquilo tudo que os moradores mais precisam. Os mais acess\u00edveis s\u00e3o destinados \u00e0 classe m\u00e9dia, com pre\u00e7os mais elevados. At\u00e9 mesmo nas pol\u00edticas sociais os governos do PT adotaram as famigeradas Parcerias P\u00fablico-Privadas (PPP), garantindo o lucro do capital.<\/p>\n<p>Doen\u00e7as, desperd\u00edcio e viol\u00eancia<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o somente os sem teto passam por dificuldades. Cerca de 35 milh\u00f5es de brasileiros n\u00e3o t\u00eam acesso a \u00e1gua tratada, enquanto metade da popula\u00e7\u00e3o, mais de 100 milh\u00f5es de pessoas, n\u00e3o possui coleta de esgoto, boa parte largado a c\u00e9u aberto. Para piorar, daquilo que \u00e9 coletado, apenas 40% \u00e9 tratado. A popula\u00e7\u00e3o de baixa renda, os trabalhadores e suas fam\u00edlias, s\u00e3o obrigados a viver em meio a polui\u00e7\u00e3o, sujeira, mau cheiro, insetos e a propaga\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as.<\/p>\n<p>Estudos apontam a falta de saneamento como respons\u00e1vel por um sem n\u00famero de doen\u00e7as que afligem a popula\u00e7\u00e3o de baixa renda. Dezenas de bilh\u00f5es de reais poderiam ser economizados, e consequentemente investidos em outras demandas sociais, particularmente a sa\u00fade, caso os governos investissem em \u00e1gua tratada e coleta de esgoto.<\/p>\n<p>O investimento necess\u00e1rio para acabar com esse problema \u00e9 da ordem de meio trilh\u00e3o de reais, metade do que o pa\u00eds paga de juros e amortiza\u00e7\u00f5es por ano para a suposta d\u00edvida p\u00fablica, ou seja, para os banqueiros e rentistas.<\/p>\n<p>Outro s\u00e9rio problema \u00e9 o da mobilidade urbana. Devido \u00e0 especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, cada vez mais a popula\u00e7\u00e3o mais pobre \u00e9 empurrada para a periferia. Os transportes, cada vez mais caros quando deveriam ser gratuitos, s\u00e3o de p\u00e9ssima qualidade, sempre lotados, atrasados, em quantidade muito inferior ao necess\u00e1rio, o que implica em longos per\u00edodos de espera e de tempo entre o local de moradia e o trabalho. Um per\u00edodo que deveria ser computado enquanto hora trabalhada, tanto na ida quanto na volta, ideia que os patr\u00f5es n\u00e3o admitem sob hip\u00f3tese alguma.<\/p>\n<p>A falta de \u00e1reas de lazer e de esportes \u00e9 outro grave problema. No lugar de oferecer pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para os trabalhadores e a juventude, o Estado apela para a coer\u00e7\u00e3o e a viol\u00eancia, por meio da Pol\u00edcia Militar, criminalizando a pobreza e tentando sufocar leg\u00edtimas manifesta\u00e7\u00f5es de revolta promovidas pelas classes subalternas.<\/p>\n<p>Na contram\u00e3o da pol\u00edtica habitacional burguesa, que n\u00e3o atende \u00e0s necessidades da maioria da popula\u00e7\u00e3o, os trabalhadores se organizam atrav\u00e9s das ocupa\u00e7\u00f5es, a exemplo de Pinheirinhos (SP), Gl\u00f3ria (MG), Conjunto Cidade Jardim (CE) e da Vila Aut\u00f3dromo (RJ), v\u00edtima da constru\u00e7\u00e3o da \u201cCidade Ol\u00edmpica\u201d, mais um projeto que beneficia apenas as classes dominantes. Este \u00e9 o caminho da luta por moradia, que ao mesmo tempo aponta a possibilidade real de constru\u00e7\u00e3o do Poder Popular.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11417\" target=\"_blank\">http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11417<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Mais de 20 milh\u00f5es de brasileiros n\u00e3o t\u00eam onde morar. 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