{"id":11459,"date":"2016-07-18T09:45:31","date_gmt":"2016-07-18T12:45:31","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=11459"},"modified":"2016-08-02T01:00:43","modified_gmt":"2016-08-02T04:00:43","slug":"claudino-jose-da-silva-negro-operario-e-comunista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11459","title":{"rendered":"Claudino Jos\u00e9 da Silva: negro, oper\u00e1rio e comunista"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/grabois.org.br\/userfiles\/images\/Candidato%20Claudino%20Jose%20da%20Silva%201954%281%29.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>Claudino Jos\u00e9 da Silva nasceu numa fazenda em Natividade (RJ), a 23 de julho de 1902. Sua m\u00e3e, Maximiana Maria da Gl\u00f3ria, morreu em 1915. Enlouquecido pelo luto, seu pai, Querino Jos\u00e9 Alfredo, morreu tr\u00eas anos depois. \u00d3rf\u00e3o, Claudino se viu na obriga\u00e7\u00e3o de abandonar os estudos prim\u00e1rios, tornando-se trabalhador rural nas fazendas de sua regi\u00e3o natal.<!--more--><\/p>\n<p>Transferiu-se para Niter\u00f3i, ent\u00e3o capital do estado do Rio de Janeiro, onde trabalhou como aprendiz de carpinteiro e integrou a diretoria do Centro dos Carpinas e Classes Anexas de Mar e Terra e participou da Liga Oper\u00e1ria da Constru\u00e7\u00e3o Civil de Niter\u00f3i. Na sede da Liga, assistiu a palestras de Oct\u00e1vio Brand\u00e3o, Laura Brand\u00e3o e Astrojildo Pereira, tornando-se um grande admirador de L\u00eanin e da Revolu\u00e7\u00e3o Russa.<\/p>\n<p>Filiou-se ao PCB em 1928. Foi dirigente do comit\u00ea zonal do partido em Niter\u00f3i e, em 1929, ingressou na Estrada de Ferro Leopoldina, envolvendo-se nas lutas da categoria. Em 1931, foi preso em decorr\u00eancia de sua atividade pol\u00edtica. Posto em liberdade, voltou a atuar no PCB e no movimento oper\u00e1rio. Neste mesmo ano, deixou a Leopoldina e seguiu para Recife, a fim de participar do Congresso da Uni\u00e3o dos Trabalhadores de Pernambuco na condi\u00e7\u00e3o de delegado eleito pela Confer\u00eancia Geral dos Trabalhadores do Brasil. Preso em Recife por sua atua\u00e7\u00e3o em reuni\u00f5es sindicais, mudou-se para Jo\u00e3o Pessoa ao sair da pris\u00e3o e continuou sua milit\u00e2ncia no PCB. Diversas vezes preso e torturado, ficou seriamente doente. Restabelecido, foi para Minas Gerais, onde atuou na reorganiza\u00e7\u00e3o do Partido durante os anos 1935 e 1936.<\/p>\n<p>Preso pela repress\u00e3o em 1936, sua ativa milit\u00e2ncia na den\u00fancia do racismo interno e do expansionismo colonialista e imperialista contra os povos africanos n\u00e3o lhe garantiu o apoio de todas as lideran\u00e7as negras do Brasil de ent\u00e3o. Presidente da Frente Negra de Minas Gerais, foi atacado pelos dirigentes da Frente Negra Brasileira (FNB), vinculados ao integralismo, que consideravam o comunismo uma \u201cdoutrina ex\u00f3tica e inadapt\u00e1vel ao Brasil\u201d.<\/p>\n<p>Claudino permaneceu preso at\u00e9 1938. Voltou para Minas Gerais e retomou sua milit\u00e2ncia no PCB, pelo que foi novamente preso. Solto mais uma vez, atuou clandestinamente no PCB durante o Estado Novo, voltando \u00e0 pris\u00e3o em 1940. Em 1943, integrou o comit\u00ea de organiza\u00e7\u00e3o da 2\u00aa Confer\u00eancia Nacional do PCB, a Confer\u00eancia da Mantiqueira, realizada clandestinamente em 1943, na qual foi eleito membro do diret\u00f3rio nacional do PCB, respons\u00e1vel pelos trabalhos da agremia\u00e7\u00e3o no Norte e Nordeste do pa\u00eds. Com a desagrega\u00e7\u00e3o do Estado Novo (1937-1945) e a legaliza\u00e7\u00e3o do Partido, tornou-se Secret\u00e1rio Pol\u00edtico do Comit\u00ea Estadual do Rio de Janeiro e foi reconduzido ao Comit\u00ea Central.<\/p>\n<p>Em dezembro de 1945, foi o \u00fanico representante negro, eleito pelo antigo Estado do Rio de Janeiro, na Assembleia Nacional Constituinte. Diferenciando-se das demais em fun\u00e7\u00e3o, principalmente, da origem social de seus integrantes, a bancada comunista incomodou os parlamentares burgueses e foi respons\u00e1vel por apresentar propostas avan\u00e7adas em favor direitos dos trabalhadores e da popula\u00e7\u00e3o pobre.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a promulga\u00e7\u00e3o da nova Constitui\u00e7\u00e3o, em setembro de 1946, Claudino exerceu seu mandato ordin\u00e1rio na C\u00e2mara Federal at\u00e9 a cassa\u00e7\u00e3o, em 1948, decorrente da suspens\u00e3o do registro do PCB em 1947. Na clandestinidade, foi preso pichando a frase \u201cSalve Luiz Carlos Prestes!\u201d em um muro da cidade de Niter\u00f3i, em 1950. Foi condenado a um ano de pris\u00e3o pela auditoria da 5\u00aa regi\u00e3o militar, em 27 de junho de 1968, por distribuir material subversivo em Joinville.<\/p>\n<p>Pouco se sabe sobre a sua vida ou milit\u00e2ncia pol\u00edtica nos anos subsequentes. Faleceu em 12 de fevereiro de 1985, aos 82 anos de idade, e foi velado no sagu\u00e3o da Assembleia Legislativa do estado do Rio de Janeiro, por solicita\u00e7\u00e3o de Luiz Carlos Prestes.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11417\" target=\"_blank\">http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11417<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Claudino Jos\u00e9 da Silva nasceu numa fazenda em Natividade (RJ), a 23 de julho de 1902. 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