{"id":11463,"date":"2016-06-30T15:49:56","date_gmt":"2016-06-30T18:49:56","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=11463"},"modified":"2016-07-18T18:10:33","modified_gmt":"2016-07-18T21:10:33","slug":"e-um-trabalho-de-mais-de-30-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11463","title":{"rendered":"&#8220;\u00c9 um trabalho de mais de 30 anos&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.revistacontinente.com.br\/images\/2016\/186_fotos\/entrevista.png?w=747\" alt=\"imagem\" \/>por Roberto Arrais<\/p>\n<p>Anita Leoc\u00e1dia Prestes nasceu em 27 de novembro de 1936, na pris\u00e3o de mulheres de Barnimstrasse, em Berlim, na Alemanha nazista, filha dos revolucion\u00e1rios comunistas Luiz Carlos Prestes, brasileiro, e Olga Ben\u00e1rio Prestes, alem\u00e3. Anita \u00e9 graduada em Qu\u00edmica Industrial pela UFRJ, doutora em Economia e Filosofia na URSS. Com doutorado tamb\u00e9m em Hist\u00f3ria pela UFF, ela \u00e9 professora do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria Comparada <!--more-->da institui\u00e7\u00e3o. Presidente do Instituto Luiz Carlos Prestes, ela passou mais de 30 anos pesquisando, entrevistando e escrevendo sobre a vida do l\u00edder comunista. No final do ano passado, o resultado desse empenho foi apresentado aos leitores, a biografia <em>Luiz Carlos Prestes &#8211; Um comunista brasileiro<\/em> (editora Boitempo). Nesta entrevista \u00e0 <strong>Continente<\/strong>, ela destacou o cuidado com os fatos e suas refer\u00eancias, falou com admira\u00e7\u00e3o sobre o pai, que foi uma das mais destacadas figuras do mundo pol\u00edtico brasileiro no s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p><strong>CONTINENTE:<\/strong> <em>Como a senhora construiu este livro e como isso ocorreu?<\/em><\/p>\n<p><strong>ANITA PRESTES:<\/strong> Este livro \u00e9 uma biografia pol\u00edtica de Luiz Carlos Prestes, que visa exatamente retratar os fatos da forma mais comprometida poss\u00edvel com com a verdade, seguindo a orienta\u00e7\u00e3o do grande historiador marxista ingl\u00eas Eric Hobsbawm, que dizia que o historiador tem compromisso com a evid\u00eancia; ent\u00e3o, pontuei-me muito por essa vis\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 um trabalho que levou mais de 30 anos para ser realizado. Comecei a trabalhar na tem\u00e1tica da participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de Luiz Carlos Prestes na hist\u00f3ria do s\u00e9culo XX, l\u00e1 no in\u00edcio dos anos 1980, quando meu pai estava ainda presente, vivo. A vida dele foi muito longa, 92 anos, dos quais 70 de intensidade pol\u00edtica no Brasil e no exterior. Ent\u00e3o, como num trabalho de historiador era imposs\u00edvel abordar estes 70 anos de uma vez, fui por partes. No in\u00edcio, n\u00e3o tinha nem clareza, certeza de que seria poss\u00edvel elaborar uma biografia, porque realmente era uma tarefa de longo prazo, n\u00e3o sabia o tempo que ia levar, se eu teria vida que me permitisse chegar l\u00e1. Comecei pela Coluna Prestes, at\u00e9 porque meu pai tinha uma mem\u00f3ria privilegiada, principalmente sobre os acontecimentos da Coluna. Gravamos depoimentos com ele, pesquisei v\u00e1rios anos em diversos arquivos no Brasil, nos depoimentos dele e dos participantes da Coluna, que ainda havia nos anos 1980.<\/p>\n<p>Anos atr\u00e1s, fui a Moscou para pesquisar nos arquivos da Internacional Comunista, reuni todo este material, refazendo muita coisa, fazendo a pesquisa. Pesquisei per\u00edodos em que havia lacunas e cheguei, afinal, a conseguir escrever e publicar esta biografia, para a qual a editora Boitempo fez uma revis\u00e3o muito cuidadosa. Trabalhamos v\u00e1rios meses com revisores para chegar \u00e0 publica\u00e7\u00e3o deste livro, enriquecido com uma grande quantidade de fotos, mais de 100, com reprodu\u00e7\u00e3o de documentos in\u00e9ditos, fotos in\u00e9ditas, enfim, foi um trabalho cuidadoso, feito pela Ivana Jinkings, a presidente desta editora, e de toda equipe que trabalhou no projeto. Realmente, ficou uma edi\u00e7\u00e3o primorosa, que todas as pessoas est\u00e3o achando bonita, bem-feita. A minha preocupa\u00e7\u00e3o foi deixar uma obra comprometida com a evid\u00eancia, com a verdade sobre o que foi a vida de Luiz Carlos Prestes para as gera\u00e7\u00f5es atuais e futuras.<\/p>\n<p><strong>CONTINENTE:<\/strong> <em>A Coluna Prestes termina sua trajet\u00f3ria invicta, n\u00e3o foi derrotada. Mas, depois desse per\u00edodo, Prestes foi chamado pelos defensores da Revolu\u00e7\u00e3o de 30, inclusive por Get\u00falio Vargas, para aderir a esse movimento armado. Como se deu o posicionamento dele diante da solicita\u00e7\u00e3o desse apoio \u00e0 ades\u00e3o ao movimento de 30?<\/em><\/p>\n<p><strong>ANITA PRESTES:<\/strong> O ano de 1930 foi muito importante na vida de Prestes e na hist\u00f3ria do Brasil. Porque, depois da Coluna, que foi encerrada em 1927, como voc\u00ea disse, invicta &#8211; quer dizer, embora tenha enfrentado 53 combates com as for\u00e7as governistas, nunca foi derrotada. E derrotou 18 generais do ex\u00e9rcito brasileiro, percorreu 25 mil quil\u00f4metros pelo Brasil, 13 estados; foi uma epopeia. Ele compreendeu que n\u00e3o havia for\u00e7as sociais e pol\u00edticas, que o Partido Comunista era clandestino, pequeno, sem condi\u00e7\u00f5es de influir nos acontecimentos pol\u00edticos. Se ele aceitasse ir para o poder, como os camaradas tenentes queriam, ele viraria uma marionete nas m\u00e3os daquelas oligarquias agr\u00e1rias que fizeram o movimento de 30. Ent\u00e3o, ele recusa. Este \u00e9 um momento importante na vida dele e na hist\u00f3ria do Brasil, porque pela primeira vez uma lideran\u00e7a, a maior lideran\u00e7a pol\u00edtica do Brasil na \u00e9poca, rompe com as classes dominantes, se recusa a ser uma lideran\u00e7a a servi\u00e7o daquelas oligarquias agr\u00e1rias que fizeram o movimento de 30, e passa por cima da trincheira da luta de classes e vai se colocar ao lado dos trabalhadores, dos explorados, dos oprimidos e vai sempre, a partir da\u00ed, de 1930 at\u00e9 morrer, em 1990. Ou seja, 70 anos lutando contra a burguesia, contra as classes dominantes, solid\u00e1rio e participando da luta dos trabalhadores, dos revolucion\u00e1rios brasileiros.<\/p>\n<p><strong>(<a href=\"https:\/\/drive.google.com\/open?id=0B9OkSrCIvhFldUcwY3JkTDJlVzQ\" target=\"_blank\">Leia a mat\u00e9ria na \u00edntegra&#8230;<\/a>)<\/strong><\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/www.revistacontinente.com.br\/secoes\/musica\/925-a-contenente\/revista\/entrevista.html<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Roberto Arrais Anita Leoc\u00e1dia Prestes nasceu em 27 de novembro de 1936, na pris\u00e3o de mulheres de Barnimstrasse, em Berlim, na Alemanha \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11463\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[50],"tags":[],"class_list":["post-11463","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c61-cultura-revolucionaria"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2YT","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11463","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11463"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11463\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11463"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11463"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11463"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}