{"id":11472,"date":"2016-07-01T18:41:46","date_gmt":"2016-07-01T21:41:46","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=11472"},"modified":"2016-07-18T18:10:51","modified_gmt":"2016-07-18T21:10:51","slug":"outra-noticia-dolorosa-da-palestina-ocupada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11472","title":{"rendered":"Outra not\u00edcia dolorosa da Palestina ocupada"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.resumenlatinoamericano.org\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Soladado-israeli%CC%81-nin%CC%83os-palestinos.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>por Carlos Azn\u00e1rez<\/p>\n<p>30 de junho de 2016 \u2013 H\u00e1 vezes que \u00e9 dif\u00edcil para n\u00f3s comunicadores populares escrever. Mais ainda, diria que nos indigna faz\u00ea-lo, sabendo que nossas palavras repercutir\u00e3o em grandes sentimentos de indiferen\u00e7a. No entanto, me sinto obrigado a opinar sobre uma nova trag\u00e9dia ocorrida na Palestina. A not\u00edcia da qual quero falar relata uma <!--more-->verdadeira trag\u00e9dia, como tantas que h\u00e1 quase sete d\u00e9cadas vem acontecendo nos territ\u00f3rios ocupados por Israel.<\/p>\n<p>Um adolescente palestino de 17 anos, Muhammad Nasser Tarayra, aparentemente, ingressou em um assentamento ilegal de Kiryat Arba, nos arredores de Hebron e, depois de entrar em uma das c\u00f4modas habita\u00e7\u00f5es que quase sempre possuem os colonos ocupantes, teria esfaqueado em seu dormit\u00f3rio outra adolescente de 13 anos, Hallel Yafa Ariel. A menina morreu pouco depois no hospital para onde foi levada, e o adolescente palestino foi morto a tiros, como se costuma fazer nestes casos, tenha ou n\u00e3o tenha uma faca em suas m\u00e3os.<\/p>\n<p>Esses s\u00e3o os fatos contados friamente pelas ag\u00eancias internacionais, que n\u00e3o titubeiam em caracterizar o jovenzinho Tarayra como um \u201cperigoso terrorista\u201d e a menina judia-estadunidense como a \u201cv\u00edtima de um assassinato cruel\u201d, segundo limita em seu particular estilo o primeiro ministro sionista Benjam\u00edn Netanyahu.<\/p>\n<p>Sem nenhuma d\u00favida \u00e9 um horror que dois adolescentes que poderiam estar namorando, rindo em algum bar ou indo como bons amigos a um cinema ou a uma discoteca, estejam metidos, ambos, em uma situa\u00e7\u00e3o pela qual nenhum dos dois \u00e9 totalmente respons\u00e1vel.<\/p>\n<p>Existem outros detalhes que n\u00e3o s\u00e3o contados pelas m\u00eddias e muito menos se s\u00e3o israelenses ou fieis a suas matrizes de opini\u00e3o. O jovem Tarayra vivia em Bani Naim, Hebron, e isso j\u00e1 significa muito neste conflito onde a brutalidade de um ex\u00e9rcito ocupante se une com a provoca\u00e7\u00e3o, muitas vezes assassina dos colonos e colonas sionistas. Hebron \u00e9, como Gaza, uma verdadeira pris\u00e3o a c\u00e9u aberto, com a diferen\u00e7a de que apesar de todas as bombas lan\u00e7adas e a destrui\u00e7\u00e3o gerada sobre o povo gazita, ali pelo menos, os habitantes n\u00e3o se cruzam diariamente com os soldados do ex\u00e9rcito israelense. Em compensa\u00e7\u00e3o, em Hebron, os habitantes palestinos desse povoado vivem em constante tens\u00e3o j\u00e1 que adultos e jovens colonos n\u00e3o param de atac\u00e1-los, provoc\u00e1-los e humilh\u00e1-los.<\/p>\n<p>Tanto \u00e9 assim que das partes mais altas de seus departamentos n\u00e3o param de atirar seus excrementos, garrafas, pedras, ferros e todo tipo de objetos pontiagudos contra a parte baixa das casas de seus vizinhos palestinos. Estes t\u00eam que se rodear por completo de cancelas laterais e, inclusive, tetos alambrados para que seus meninos e meninas n\u00e3o sejam alcan\u00e7ados por tudo o que jogam col\u00e9ricos colonos que repetem como uma ladainha: \u201c\u00e1rabes filhos da puta\u201d, \u201cvamos mat\u00e1-los\u201d, \u201cv\u00e3o embora\u201d.<\/p>\n<p>Quando os meninos de Hebron saem para as escolas da zona, ou quando as e os adolescentes palestinos fazem o mesmo para a Universidade, devem faz\u00ea-lo rodeados de seus familiares adultos para proteg\u00ea-los dos ataques a golpes empreendidos por verdadeiras gangues de jovens sionistas. O mesmo ocorre quando eles e elas voltam de suas atividades \u00e0 tarde. Ao mesmo tempo, os soldados riem ou aplaudem seus colonos, enquanto outros n\u00e3o demoram a somar-se para agredir ou prender os palestinos que optam por rebelar-se frente a tantas inj\u00farias e viol\u00eancia cotidiana.<\/p>\n<p>Estes ataques, \u00e9 preciso recordar, ocorrem nos 365 dias do ano. Eu vi com meus pr\u00f3prios olhos quanto tive a oportunidade de visitar essa terra t\u00e3o sacrificada, por\u00e9m t\u00e3o resistente. Existem dezenas de v\u00eddeos nas redes que mostram com detalhes estes eventos e a impunidade com que se produzem.<\/p>\n<p>Como voc\u00ea acha que podem estar os \u00e2nimos daqueles que vivem nessa situa\u00e7\u00e3o? Qual seria nosso pr\u00f3prio comportamento, n\u00e3o paro de me perguntar, se ocorresse algo assim em nosso bairro ou em nossas cidades? N\u00e3o uma vez, n\u00e3o duas, mas centenas, milhares de dias. \u00c9 dif\u00edcil poder responder a isto \u00e0 dist\u00e2ncia, por\u00e9m, sem d\u00favida, s\u00e3o situa\u00e7\u00f5es limites provocadas por algo que, a esta altura, \u00e9 ineg\u00e1vel. Trata-se de um territ\u00f3rio invadido, martirizado e abandonado a sua sorte pela hipocrisia da comunidade internacional.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, existe algo mais e o digo a partir da dor de imaginar a vis\u00e3o dos cad\u00e1veres de duas crian\u00e7as destro\u00e7adas por uma viol\u00eancia que come\u00e7ou em 1948 com a Nakba (a cat\u00e1strofe) e que se estende durante 68 anos, gerada pelos falc\u00f5es israelenses. Como ocorre habitualmente nestes casos, existindo mortos ou n\u00e3o, numerosos efetivos do ex\u00e9rcito isolaram a cidade natal do jovem palestino Tarayra, tiraram as permiss\u00f5es de trabalho dos membros de sua fam\u00edlia e as escavadeiras procederam com a demoli\u00e7\u00e3o da casa onde habitavam seus pais e tios.<\/p>\n<p>De Tel Aviv, Netanyahu amea\u00e7ava a Autoridade Palestina para que condenasse imediatamente \u201co crime produzido por um de seus seguidores\u201d, e advertia \u201co mundo para que pressionem os instigadores destes crimes contra nossos cidad\u00e3os\u201d. O que n\u00e3o disse o primeiro ministro sionista \u00e9 que desde outubro at\u00e9 hoje suas for\u00e7as militares j\u00e1 assassinaram 220 palestinos, nem que foi precisamente nesse m\u00eas quando come\u00e7ou esta nova onda de rebeldia e desespero de palestinos e palestinas, ao ver que a Mesquita de Al Aqsa era ocupada por colonos e judeus ortodoxos em uma provoca\u00e7\u00e3o de grande magnitude, algo que voltou a se repetir dias atr\u00e1s durante o Ramad\u00e3. Nem tampouco o chefe israelense conta ao mundo que, como bem assinalam organiza\u00e7\u00f5es palestinas e israelenses de direitos humanos, grande parte das mortes palestinas acontecem em consequ\u00eancia do estado de vingan\u00e7a, revanchismo, \u00f3dio e crise nervosa em que est\u00e3o as tropas israelenses, que pisam com prepot\u00eancia um territ\u00f3rio que n\u00e3o \u00e9 deles.<\/p>\n<p>Organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais israelenses, como B\u2019Tselem e M\u00e9dicos pelos Direitos Humanos, denunciam que em m\u00faltiplas ocasi\u00f5es os soldados balearam jovens desarmados \u201cpor preven\u00e7\u00e3o ou por medo\u201d, e que as medidas punitivas encaradas pelo governo sionista se converteram em um \u201ccastigo coletivo\u201d e \u201cvingan\u00e7a sancionada pela pr\u00f3pria Corte israelense\u201d, em clara viola\u00e7\u00e3o do direito internacional.<\/p>\n<p>Por outro lado, \u00e9 verdade que muitos jovens palestinos, desesperados por conta da situa\u00e7\u00e3o de opress\u00e3o que vivem, fartos da agress\u00e3o f\u00edsica e psicol\u00f3gica que abarca tanto a eles como a suas fam\u00edlias, chocados por estarem separados por um muro gigantesco que cada vez mais se estende por seu territ\u00f3rio, golpeados pela falta de trabalho e de expectativas de futuro, ou por terem muitos de seus amigos, pais e irm\u00e3os em c\u00e1rceres-tumbas por dezenas de anos, ou pelo sentimento de que muitos de seus dirigentes n\u00e3o est\u00e3o \u00e0 altura das circunst\u00e2ncias ou diretamente tra\u00edram suas reivindica\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas, um bom dia tomam a decis\u00e3o de jogar-se com tudo em a\u00e7\u00f5es espont\u00e2neas e solit\u00e1rias, nas quais, na grande maioria dos casos, morrem na tentativa.<\/p>\n<p>Enquanto os cad\u00e1veres de Tarayra e Hallel s\u00e3o chorados por seus respectivos familiares, em Tel Aviv os hierarcas sionistas com Netanyahu e Avigdor Lieberman encabe\u00e7ando, seguem prometendo mais e mais viol\u00eancia. Outros meninos e meninas, como Hallel, s\u00e3o educados com a ideia de que esses que est\u00e3o na Palestina ocupada s\u00e3o os \u201cinimigos\u201d e, logo, quando esses meninos crescerem, portar\u00e3o um fuzil, ser\u00e3o alistados no ex\u00e9rcito e se lan\u00e7ar\u00e3o a ca\u00e7ar outros jovens como eles, a ocupar suas casas, a destruir suas oliveiras, a matar os suspeitos.<\/p>\n<p>Uma \u00faltima pergunta: N\u00e3o chegar\u00e1 o momento que uma parte da sociedade israelense n\u00e3o ganha pela ideologia do terror de seus governantes, decida colocar-se de p\u00e9 e enfrentar \u00e0queles que est\u00e3o dispostos a que Tarayra e Hallel continuem se multiplicando por dez, por cem, por mil, por toda a vida?<\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2016\/06\/30\/otra-noticia-dolorosa-desde-palestina-ocupada-por-carlos-aznarez\/<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Carlos Azn\u00e1rez 30 de junho de 2016 \u2013 H\u00e1 vezes que \u00e9 dif\u00edcil para n\u00f3s comunicadores populares escrever. 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