{"id":1150,"date":"2011-01-22T15:37:04","date_gmt":"2011-01-22T15:37:04","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1150"},"modified":"2011-01-22T15:37:04","modified_gmt":"2011-01-22T15:37:04","slug":"a-diplomacia-estadunidense-e-a-dissidencia-cubana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1150","title":{"rendered":"A diplomacia estadunidense e a dissid\u00eancia cubana"},"content":{"rendered":"\n<p>Revisado por Caty R.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">H\u00e1 50 anos, a pol\u00edtica exterior de Washington relacionada \u00e0 La Habana, cujo objetivo \u00e9 conseguir uma mudan\u00e7a de regime, baseia-se em dois pilares fundamentais: a imposi\u00e7\u00e3o de san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas dr\u00e1sticas \u2013 que afetam a todos os setores da sociedade cubana \u2013 e a organiza\u00e7\u00e3o e financiamento de uma oposi\u00e7\u00e3o interna.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Assim, em seis de abril de 1960, Lester D. Mallory, subsecret\u00e1rio adjunto de Estado para os Assuntos Interamericanos, recordava em um memorando a Roy R. Rubottom Jr., ent\u00e3o secret\u00e1rio de Estado para os Assuntos Interamericanos, o objetivo das san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas: \u201cA maioria dos cubanos ap\u00f3ia a Castro. N\u00e3o h\u00e1 oposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica eficaz (&#8230;). O \u00fanico meio poss\u00edvel para aniquilar o apoio interno (ao regime) \u00e9 provocar o desencanto e o desalento pela insatisfa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e pela pen\u00faria (&#8230;). Se devem empregar rapidamente todos os meios poss\u00edveis para debilitar a vida econ\u00f4mica de Cuba (&#8230;). Uma medida que poderia ter um forte impacto seria negar todo financiamento ou envio a Cuba, o que reduziria os ingressos monet\u00e1rios e os sal\u00e1rios reais e provocaria a fome, o desespero e o derrocamento do governo\u201d.<sup><sup>i<\/sup><\/sup><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">De 1959 a 1990, o programa de cria\u00e7\u00e3o de uma dissid\u00eancia interna se manteve secreto. Assim, os arquivos estadunidenses parcialmente desclassificados confirmam a exist\u00eancia de m\u00faltiplos programas destinados a criar uma oposi\u00e7\u00e3o ao governo Fidel Castro, a qual serviria aos interesses dos Estados Unidos, que desejava uma mudan\u00e7a de regime. A partir de 1991, com o desmoronamento da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, o apoio financeiro e log\u00edstico aos dissidentes cubanos voltou a ser p\u00fablico e foi integrado \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o estadunidense.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><strong>O financiamento da oposi\u00e7\u00e3o interna <\/strong><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Durante uma reuni\u00e3o do Conselho de Seguran\u00e7a Nacional celebrada em 14 de janeiro de 1960, o subsecret\u00e1rio Livingston Merchant declarou: \u201cNosso objetivo \u00e9 ajustar todas nossas a\u00e7\u00f5es com vistas a acelerar o desenvolvimento de uma oposi\u00e7\u00e3o em Cuba (&#8230;)\u201d. Por sua parte, o secret\u00e1rio adjunto para os Assuntos interamericanos, Roy Rubottom, afirmou que \u201co programa aprovado (destinado a derrocar o governo cubano) nos autorizou a brindar nossa ajuda a elementos que se op\u00f5em ao governo Castro em Cuba para que pare\u00e7a que sua ca\u00edda \u00e9 o resultado de seus pr\u00f3prios erros\u201d.<sup><sup>ii<\/sup><\/sup><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A partir de 1991, persuadido de que a hora final da Revolu\u00e7\u00e3o havia chegado, os Estados Unidos n\u00e3o vacilou em publicar seu apoio \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o interna. A se\u00e7\u00e3o 1705 estipula que os \u201cEstados Unidos proporcionar\u00e3o assist\u00eancia \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais adequadas para apoiar a indiv\u00edduos e organiza\u00e7\u00f5es que promovem uma mudan\u00e7a democr\u00e1tica n\u00e3o violenta em Cuba\u201d.<sup><sup>iii<\/sup><\/sup><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A se\u00e7\u00e3o 109 da Lei Helms-Burton de 1996 prev\u00ea que \u201co presidente [dos Estados Unidos] est\u00e1 autorizado a proporcionar assist\u00eancia e oferecer todo tipo de apoio a indiv\u00edduos e organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais independentes para unir os esfor\u00e7os com vistas a construir uma democracia em Cuba\u201d.<sup><sup>iv<\/sup><\/sup><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O primeiro informe da Comiss\u00e3o de Assist\u00eancia a uma Cuba Livre prev\u00ea a elabora\u00e7\u00e3o de um \u201cs\u00f3lido programa de apoio que favore\u00e7a a sociedade civil cubana\u201d. Entre as medidas previstas se destina um financiamento de 36 milh\u00f5es de d\u00f3lares, ao \u201capoio da oposi\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e ao fortalecimento da sociedade civil emergente\u201d.<sup><sup>v<\/sup><\/sup><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Em tr\u00eas de mar\u00e7o de 2005, Roger Noriega, Secret\u00e1rio Adjunto para os Assuntos do Hemisf\u00e9rio Ocidental da administra\u00e7\u00e3o Bush, assinalou que haviam sido adicionados 14,4 milh\u00f5es de d\u00f3lares ao or\u00e7amento de 36 milh\u00f5es de d\u00f3lares previsto no informe de 2004. Noriega revelou a identidade de algumas das pessoas que se encarregam da elabora\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica exterior estadunidense contra Cuba, a saber, Marta Beatriz Roque, as Damas de Branco e Osvaldo Pay\u00e1.<sup><sup>vi<\/sup><\/sup><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O segundo informe da Comiss\u00e3o de Assist\u00eancia a uma Cuba Livre prev\u00ea um or\u00e7amento de 31 milh\u00f5es de d\u00f3lares para financiar, ainda mais, a oposi\u00e7\u00e3o interna.<sup><sup>vii<\/sup><\/sup> Ademais, est\u00e1 previsto um financiamento de ao menos 20 milh\u00f5es de d\u00f3lares anuais, com o mesmo objetivo, para os anos seguintes \u201cat\u00e9 que a ditadura deixe de existir\u201d. O plano prev\u00ea tamb\u00e9m \u201ctreinar e equipar jornalistas independentes da imprensa escrita, radiof\u00f4nica e televisiva em Cuba\u201d.<sup><sup>viii<\/sup><\/sup><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A Ag\u00eancia Estadunidense para o Desenvolvimento Internacional (USAID), que depende do governo federal admite que financia a oposi\u00e7\u00e3o cubana. Segundo a ag\u00eancia, para o ano fiscal de 2009, a soma de ajuda destinada aos dissidentes cubanos foi elevada a 15,62 milh\u00f5es de d\u00f3lares. \u201cA grande maioria desta soma destina-se a indiv\u00edduos que se encontram em Cuba. Nosso objetivo \u00e9 maximizar a soma de apoio do qual se beneficiam os cubanos na ilha\u201d.<sup><sup>ix<\/sup><\/sup><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A organiza\u00e7\u00e3o governamental enfatiza tamb\u00e9m o seguinte ponto: \u201ctemos formado uma centena de jornalistas num per\u00edodo de dez anos cujo trabalho tem aparecido em grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o internacionais\u201d. Essa declara\u00e7\u00e3o destro\u00e7a as afirma\u00e7\u00f5es sobre o car\u00e1ter independente dos jornalistas opositores em Cuba. Formados e financiados pelos Estados Unidos respondem ante tudo aos interesses de Washington, cujo objetivo \u00e9, como assinalam os documentos oficiais do Departamento de estado, uma \u201cmudan\u00e7a de regime\u201d na ilha.<sup><sup>x<\/sup><\/sup><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Desde o ponto de vista jur\u00eddico, essa realidade coloca de fato os dissidentes que aceitam os emolumentos oferecidos pela USAID em uma situa\u00e7\u00e3o de agentes ao servi\u00e7o de uma pot\u00eancia estrangeira, o que constitui uma grave viola\u00e7\u00e3o do C\u00f3digo Penal em Cuba, mas tamb\u00e9m em qualquer pa\u00eds do mundo. Consciente dessa realidade, a Ag\u00eancia recorda que \u201cningu\u00e9m est\u00e1 obrigado a aceitar ou formar parte dos programas do governo dos Estados Unidos\u201d.<sup><sup>xi<\/sup><\/sup><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A representa\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica estadunidense em La Habana, a Se\u00e7\u00e3o de Interesses Norte-americanos (SINA), confirma em um comunicado: \u201cA pol\u00edtica estadunidense, h\u00e1 muito tempo, \u00e9 proporcionar assist\u00eancia humanit\u00e1ria ao povo cubano, especificamente \u00e0s fam\u00edlias de presos pol\u00edticos\u201d.<sup><sup>xii<\/sup><\/sup><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Laura Poll\u00e1n, do grupo dissidente As Damas de Branco, admite que recebe dinheiro dos Estados Unidos: \u201caceitamos a ajuda, o apoio, desde a ultra direita at\u00e9 a esquerda, sem condi\u00e7\u00f5es\u201d.<sup><sup>xiii<\/sup><\/sup> O opositor Vladimiro Roca confessa que a dissid\u00eancia cubana est\u00e1 subvencionada por Washington alegando que a ajuda financeira recebida \u00e9 \u201ctotal e completamente l\u00edcita\u201d. Para o dissidente Ren\u00e9 G\u00f3mez, o apoio econ\u00f4mico dos Estados Unidos \u201cn\u00e3o \u00e9 uma coisa que h\u00e1 que ocultar ou que temos que nos envergonhar\u201d.<sup><sup>xiv<\/sup><\/sup> Da mesma maneira, o opositor Elizardo S\u00e1nchez confirma a exist\u00eancia de um financiamento por parte dos Estados Unidos: \u201ca chave n\u00e3o est\u00e1 em quem envia a ajuda, mas o que se faz com a ajuda\u201d.<sup><sup>xv<\/sup><\/sup> Por seu lado, Marta Beatriz Roque declara que a ajuda financeira recebida dos Estados Unidos \u00e9 indispens\u00e1vel para sua atividade de dissidente.\u201d<sup><sup>xvi<\/sup><\/sup><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><em>Agence France-Presse<\/em> informa que \u201cos dissidentes, por sua parte, reivindicaram e assumiram essas ajudas econ\u00f4micas\u201d.<sup><sup>xvii<\/sup><\/sup> A ag\u00eancia espanhola <em>EFE<\/em>, alude aos \u201copositores pagos pelos Estados Unidos\u201d.<sup><sup>xviii<\/sup><\/sup> Segundo a ag\u00eancia de imprensa brit\u00e2nica Reuters, \u201co governo estadunidense proporciona abertamente um apoio financeiro federal para as atividades dos dissidentes, o que Cuba considera um ato ilegal\u201d.<sup><sup>xix<\/sup><\/sup><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A ag\u00eancia de imprensa estadunidense <em>The Associated Press<\/em> afirma que a pol\u00edtica de fabricar e financiar uma oposi\u00e7\u00e3o interna n\u00e3o \u00e9 nova: \u201cH\u00e1 anos, o governo dos Estados Unidos gasta milh\u00f5es de d\u00f3lares para apoiar a oposi\u00e7\u00e3o cubana\u201d.<sup><sup>xx<\/sup><\/sup> Tamb\u00e9m recorda o n\u00edvel de vida dos dissidentes que se beneficiam ao mesmo tempo dos emolumentos de Washington e do sistema social cubano:<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\u201cUma parte do financiamento prov\u00e9m diretamente do governo dos Estados Unidos, cujas leis promovem o derrocamento do governo cubano. A Ag\u00eancia Internacional para o Desenvolvimento dos Estados Unidos (USAID), que supervisiona o apoio financeiro do governo para uma \u2018transi\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica\u2019 em Cuba, tem dedicado mais de 33 milh\u00f5es de d\u00f3lares \u00e0 sociedade civil para o presente ano fiscal [2008]\u201d.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Quase todos os cubanos, inclusive os dissidentes, disp\u00f5em de uma casa gratuita, de acesso gratuito \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o at\u00e9 a universidade. Ra\u00e7\u00f5es de arroz, batatas, sab\u00e3o e outros produtos b\u00e1sicos permitem \u00e0s pessoas satisfazerem suas necessidades b\u00e1sicas durante quase todo o m\u00eas.<sup><sup>xxi<\/sup><\/sup><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O di\u00e1rio franc\u00eas <em>Lib\u00e9ration<\/em> assinalou que \u201cFari\u00f1as nunca negou que recebe \u2018doa\u00e7\u00f5es\u2019 da Se\u00e7\u00e3o de interesses norte-americanos para procurar um computador e exercer seu of\u00edcio de \u2018jornalista independente\u2019 na Internet\u201d.<sup><sup>xxii<\/sup><\/sup><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A Anistia Internacional admite que \u201cpessoas as quais considera presos de consci\u00eancia\u201d t\u00eam \u201crecebido fundos ou materiais do governo estadunidense para realizar atividades que as autoridades consideram subversivas e prejudiciais para Cuba\u201d.<sup><sup>xxiii<\/sup><\/sup><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Wayne S. Smith, \u00faltimo embaixador estadunidense em Cuba, confirma o car\u00e1ter subversivo da pol\u00edtica estadunidense. Segundo ele, \u00e9 completamente \u201cilegal e imprudente mandar dinheiro aos dissidentes cubanos\u201d.<sup><sup>xxiv<\/sup><\/sup> Agrega que \u201cningu\u00e9m deveria dar dinheiro aos dissidentes e menos ainda com o objetivo de derrocar ao governo cubano\u201d pois \u201cquando os Estados Unidos declara que seu objetivo \u00e9 derrocar ao governo cubano e depois afirmam que um de seus meios para logr\u00e1-lo \u00e9 proporcionar fundos aos dissidentes cubanos, estes se encontram de fato na posi\u00e7\u00e3o de agentes pagos por uma pot\u00eancia estrangeira para derrocar seu pr\u00f3prio governo\u201d.<sup><sup>xxv<\/sup><\/sup><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><strong>Uma dissid\u00eancia que carece de toda base popular segundo Washington<\/strong><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Apesar dos recursos pol\u00edticos, econ\u00f4micos, midi\u00e1ticos e financeiros que se dedicam \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o cubana, esta sempre careceu de toda base popular. Al\u00e9m disso, est\u00e1 profundamente dividida e envelhecida. \u00c9 a amarga constata\u00e7\u00e3o que faz Jonathan D. Farrar, atual chefe da SINA em La Habana, em um memorando confidencial de 15 de abril de 2008 intitulado \u201c<em>Estados Unidos e o papel da oposi\u00e7\u00e3o em Cuba<\/em>\u201d, dirigido ao Departamento de Estado.<sup><sup>xxvi<\/sup><\/sup><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O diplomata assinala primeiro que o presidente cubano Raul Castro encontra-se atualmente em \u201cuma posi\u00e7\u00e3o de autoridade indiscut\u00edvel\u201d. Quanto ao papel da dissid\u00eancia, \u00e9 \u201cnulo\u201d pois \u201cos grupos de opositores se encontram dominados por indiv\u00edduos com fortes egos que n\u00e3o trabalham juntos\u201d. Farrar precisa que \u201co movimento dissidente em Cuba envelhece e est\u00e1 completamente desconectado da realidade dos cubanos\u201d. Em efeito, gra\u00e7as aos emolumentos que recebe, a dissid\u00eancia cubana leva um modo de vida que nenhum cidad\u00e3o normal pode permitir-se.<sup><sup>xxvii<\/sup><\/sup><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Farrar reconhece que est\u00e1 regularmente em contato \u201ccom a maioria do movimento dissidente oficial em La Habana\u201d, cujos membros visitam freq\u00fcentemente a SINA. N\u00e3o obstante, afirma que \u201cnenhuma prova permite demonstrar que as organiza\u00e7\u00f5es dissidentes dominantes em Cuba tenham uma influ\u00eancia sobre os cubanos. As sondagens informais realizadas entre os solicitantes de visto e asilo tem demonstrado que apenas t\u00eam conhecimento das personalidades dissidentes ou de sua agenda.\u201d <sup><sup>xxviii<\/sup><\/sup><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Farrar explica isso pela idade dos opositores, a maioria entre 50 e 70 anos, e cita a Francisco Chaviano, Ren\u00e9 G\u00f3mez Manzano e Oswaldo Pay\u00e1. \u201cEles t\u00eam muito pouco contato com a juventude cubana, e sua mensagem n\u00e3o interessa a esse segmento da sociedade\u201d. O diplomata lamenta as lutas internas dentro dos diferentes grupos e a falta de unidade. Seu ju\u00edzo \u00e9 implac\u00e1vel: \u201cApesar das informa\u00e7\u00f5es segundo as quais representam \u2018milhares de cubanos\u2019, n\u00e3o temos nenhuma prova de semelhante apoio, pelo menos ao que se refere a La Habana onde nos encontramos\u201d. Agrega que \u201cn\u00e3o t\u00eam influ\u00eancia na sociedade cubana e n\u00e3o oferecem alternativa pol\u00edtica ao governo de Cuba\u201d.<sup><sup>xxix<\/sup><\/sup><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Outros diplomatas europeus compartem essa opini\u00e3o, e a expressaram durante um encontro com Farrar. \u201cOs representantes da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia durante a reuni\u00e3o desqualificaram aos dissidentes nos mesmos termos que os do governo de Cuba, insistindo no fato de que \u2018n\u00e3o representam a ningu\u00e9m\u201d.<sup><sup>xxx<\/sup><\/sup><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">H\u00e1 uma raz\u00e3o para isso e encontra-se na idiossincrasia cubana. A sociedade cubana est\u00e1 longe de ser monol\u00edtica e os setores insatisfeitos da popula\u00e7\u00e3o se mostram severos em suas cr\u00edticas \u00e0s autoridades quando se trata de denunciar as contradi\u00e7\u00f5es, as aberra\u00e7\u00f5es, o sectarismo e as injusti\u00e7as que \u00e0s vezes engendra o sistema cubano. As cr\u00edticas s\u00e3o acerbas e sem concess\u00f5es, e segundo Farrar os meios cubanos os difundem. A SINA aponta que \u201cmuitos artigos de imprensa s\u00e3o muito cr\u00edticos com as pol\u00edticas atuais\u201d.<sup><sup>xxxi<\/sup><\/sup> N\u00e3o obstante, apesar das vicissitudes cotidianas, os cubanos seguem sendo visceralmente zelosos de sua independ\u00eancia e sua soberania nacionais e n\u00e3o podem conceber que um de seus compatriotas possa aceitar estar ao servi\u00e7o de uma pot\u00eancia estrangeira que sempre almejou retomar a posse da ilha. Trata-se da heran\u00e7a pol\u00edtica \u201cantiimperialista\u201d que deixaram os pr\u00f3ceres da hist\u00f3ria da na\u00e7\u00e3o como Jos\u00e9 Mart\u00ed, Ant\u00f4nio Maceo, M\u00e1ximo Gomez, Julio Ant\u00f4nio Mella, Ant\u00f4nio Guiteras, Eduardo Chibas e Fidel Castro.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A diplomacia estadunidense assinala tamb\u00e9m outra raz\u00e3o: a persistente popularidade de Fidel Castro entre os cubanos cinq\u00fcenta anos depois de sua chegada ao poder. \u201cSeria um erro subestimar [&#8230;] o apoio do qual disp\u00f5e o governo, particularmente entre as comunidades populares e os estudantes\u201d.<sup><sup>xxxii<\/sup><\/sup> Farrar enfatiza \u201ca significativa admira\u00e7\u00e3o pessoal por Fidel na sociedade cubana\u201d.<sup><sup>xxxiii<\/sup><\/sup><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A SINA fustiga tamb\u00e9m a falta de programa assim como a cobi\u00e7a dos opositores, interessados somente pelos recursos financeiros que podem trazer o neg\u00f3cio da dissid\u00eancia. \u201cSeu maior esfor\u00e7o consiste em conseguir suficientes recursos para que os principais organizadores e seus partid\u00e1rios possam viver comodamente. Uma organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica nos afirmou aberta e francamente que necessitava dinheiro para pagar sal\u00e1rios e apresentou um or\u00e7amento com a esperan\u00e7a de que a SINA se encargaria dos gastos. Al\u00e9m da busca de fundos, que \u00e9 sua principal preocupa\u00e7\u00e3o, sua segunda prioridade parece que \u00e9 criticar ou marginalizar as atividades de seus competidores, para preservar seu poder e seu acesso aos recursos\u201d.<sup><sup>xxxiv<\/sup><\/sup><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">N\u00e3o obstante, Farrar reitera a import\u00e2ncia da oposi\u00e7\u00e3o na realiza\u00e7\u00e3o dos objetivos estadunidenses e, por isso, \u201ch\u00e1 que apoi\u00e1-la\u201d, e buscar ao mesmo tempo uma alternativa com o fim de estimular o movimento dissidente em Cuba.<sup><sup>xxxv<\/sup><\/sup><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><strong>A prioridade Yoani S\u00e1nchez<\/strong><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A diplomacia estadunidense v\u00ea na blogueira Yoani S\u00e1nchez uma alternativa cr\u00edvel \u00e0 dissid\u00eancia tradicional e confia nela, o que explica sua fama internacional enquanto que \u00e9 uma total desconhecida em Cuba. \u201cPensamos que a jovem gera\u00e7\u00e3o de dissidentes n\u00e3o tradicionais, como Yoani S\u00e1nchez, pode desempenhar um papel em longo prazo em uma Cuba p\u00f3s-Castro\u201d. Farrar aconselha assim ao Departamento de Estado que concentre seus esfor\u00e7os nessa dissidente e lhe brinde mais apoio.<sup><sup>xxxvi<\/sup><\/sup><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">De fato, a hist\u00f3ria at\u00edpica de Yoani S\u00e1nchez suscita algumas interrogantes. Depois de emigrar a Su\u00ed\u00e7a em 2002, decidiu regressar a Cuba dois anos depois, em 2004. Em 2007, decidiu integrar o universo da oposi\u00e7\u00e3o em Cuba ao criar seu blog <em>Generaci\u00f3n Y<\/em>, e se converte em uma ac\u00e9rrima detratora do governo de La Habana.<sup><sup>xxxvii<\/sup><\/sup><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Suas cr\u00edticas s\u00e3o acerbas e pouco matizadas. Apresenta um panorama apocal\u00edptico da realidade cubana e acusa as autoridades de todos os problemas. Segundo ela, Cuba \u00e9 \u201cuma imensa pris\u00e3o com muros ideol\u00f3gicos\u201d<sup><sup>xxxviii<\/sup><\/sup>, um \u201cbarco que faz \u00e1guas a ponto do naufr\u00e1gio\u201d<sup><sup>xxxix<\/sup><\/sup>, onde \u201cseres das sombras, que como vampiros se alimentam de nossa alegria humana, nos inoculam o temor atrav\u00e9s do golpe, da amea\u00e7a, a chantagem.\u201d<sup><sup>xl<\/sup><\/sup> O blog de Yoani S\u00e1nchez descreve a realidade cubana de modo terr\u00edfico e nenhum aspecto positivo da sociedade cubana aparece. Do mesmo modo, alude minuciosamente o singular contexto geopol\u00edtico no qual se encontra Cuba desde 1959.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">S\u00e1nchez tem um discurso muito preciso que se acerca \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o estadunidense. Assim, minimiza o impacto das san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas \u2013 \u201cuma desculpa\u201d para o governo cubano \u2013 afirmando que \u201co governo cubano \u00e9 respons\u00e1vel por 80% da crise econ\u00f4mica atual e os 20% \u00e9 pelas san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas.\u201d<sup><sup>xli<\/sup><\/sup> A comunidade internacional, longe de compartilhar essa opini\u00e3o, condenou (187 pa\u00edses contra 2) o estado de s\u00edtio econ\u00f4mico em 2010 pela d\u00e9cima nona vez consecutiva, ao consider\u00e1-lo como o principal obst\u00e1culo para o desenvolvimento da ilha. Justifica essa realidade pelas nacionaliza\u00e7\u00f5es ocorridas nos anos 1960 e pela crise dos m\u00edsseis.<sup><sup>xlii<\/sup><\/sup> Segundo ela, \u201co bloqueio tem sido o argumento perfeito do governo cubano para manter a intoler\u00e2ncia, o controle e a repress\u00e3o interna. Se amanh\u00e3 levantassem as san\u00e7\u00f5es, duvido muito que se veriam os efeitos\u201d.<sup><sup>xliii<\/sup><\/sup><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Quanto ao caso dos cinco agentes cubanos condenados em 1998 \u00e0 pris\u00e3o perp\u00e9tua nos Estados Unidos por infiltrar-se em grupelhos respons\u00e1veis de atentados terroristas contra Cuba, a blogueira adota tamb\u00e9m o ponto de vista estadunidense e afirma que \u201cos cinco realizavam atividades de espionagem\u201d e que \u201cderam informa\u00e7\u00e3o que causou a morte de v\u00e1rias pessoas\u201d, uma realidade que o fiscal do tribunal de Miami reconheceu que era incapaz de demonstrar.<sup><sup>xliv<\/sup><\/sup><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">N\u00e3o obstante, a Corte de Apela\u00e7\u00e3o de Atlanta reconheceu que n\u00e3o se tratava de um caso de espionagem, nem de um atentado contra a seguridade nacional. N\u00e3o menos de dez Pr\u00eamios Nobel apresentaram uma peti\u00e7\u00e3o <em>Amicus Curiae<\/em> \u00e0 Corte Suprema estadunidense, exigindo um ju\u00edzo justo e a libera\u00e7\u00e3o dos cinco cubanos. Mary Robinson, ex-presidente da Irlanda e Alta Comiss\u00e1ria dos Direitos Humanos das Na\u00e7\u00f5es Unidas entre 1997 e 2002, o Senado mexicano por unanimidade, com todas as suas tend\u00eancias pol\u00edticas juntas, a <em>National Association <\/em><em>of Criminal Defense Lawyers<\/em>, os <em>Cuban-American Scholars<\/em>, o <em>Ibero-American Federation of Ombudsmen<\/em>, o <em>National Jury Project<\/em>, o <em>William C Velazques Institute and the Mexican American Political Association<\/em>, o <em>National Lawyers Guild <\/em>e a <em>National Conference of Black Lawyers<\/em>, o <em>Civil Right Clinic <\/em>da <em>Howard University School of Law<\/em>, a <em>International Association of Democratic Lawyers<\/em>, a <em>Florida Association of Criminal Defense Lawyers-Miami Chapter<\/em>, o <em>Center for International Policy <\/em>y o <em>Council on Hemispheric Affairs <\/em>pediram a libera\u00e7\u00e3o dos cinco cubanos.<sup><sup>xlv<\/sup><\/sup><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Esse caso jur\u00eddico tem sido denunciado v\u00e1rias vezes. A Anistia Internacional considera aos cinco cubanos presos pol\u00edticos. Por sua parte, o coronel Lawrence Wilkerson, antigo Chefe do Estado Maior do gabinete do ex-Secret\u00e1rio de Estado Colin Powell, condenou o ju\u00edzo contra essas pessoas: \u201cchega ao c\u00famulo: castigar com pris\u00e3o perp\u00e9tua a homens que vieram aqui para determinar como e quando iria ser atacado seu pa\u00eds por pessoas que violam a lei norte-americana\u201d. Segundo ele, \u201cesta \u00e9 uma par\u00f3dia de justi\u00e7a. Esses homens n\u00e3o tinham armas, n\u00e3o planejaram dano f\u00edsico algum contra os Estados Unidos, e foram motivados pela id\u00e9ia de proteger seus compatriotas de uma invas\u00e3o e de ataques repetidos por cubano-americanos residentes na Florida\u201d. Logo, agregou: \u201cTemos que nos perguntar tamb\u00e9m como pode ser que havemos chegado a constituir um santu\u00e1rio para presumidos terroristas? Como pode ser que os Estados Unidos da Am\u00e9rica poderiam ocupar um lugar em nossa pr\u00f3pria lista de patrocinadores do terrorismo\u201d.<sup><sup>xlvi<\/sup><\/sup><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Da mesma maneira, Yoani S\u00e1nchez minimiza as conquistas sociais do sistema cubano e afirma que \u201cexistiam\u201d<sup><sup>xlvii<\/sup><\/sup> na Cuba dos anos anteriores \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o. Segundo ela, sob a ditadura de Batista, \u201chavia uma liberdade de imprensa plural e aberta, programas de r\u00e1dio de toda tend\u00eancia pol\u00edtica\u201d.<sup><sup>xlviii<\/sup><\/sup> Por outra parte, defende a lei de Ajuste Cubano \u2013 \u00fanica no mundo \u2013 aprovada pelo Congresso estadunidense em 1966, que estipula que todo cubano que emigra legal ou ilegalmente aos Estados Unidos depois de 1\u00ba de janeiro de 1959 consegue automaticamente o status de residente permanente ao fim de um ano, assim como diversas ajudas s\u00f3cio-econ\u00f4micas.<sup><sup>xlix<\/sup><\/sup> Mais ins\u00f3lito, pensa que o escritor colombiano Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez n\u00e3o merecia seu Pr\u00eamio Nobel de Literatura, pela sua amizade com Fidel Castro: \u201cmuitos escritores latino-americanos mereciam o Pr\u00eamio Nobel de Literatura mais do que Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez\u201d.<sup><sup>l<\/sup><\/sup> Consciente de que o objetivo do governo dos Estados Unidos \u00e9 derrocar o governo cubano, admite sem complexos que comparte do mesmo objetivo: \u201cEstados Unidos deseja uma mudan\u00e7a pol\u00edtica em Cuba, mas \u00e9 o que desejo eu tamb\u00e9m\u201d.<sup><sup>li<\/sup><\/sup> S\u00e1nchez reafirma tamb\u00e9m sua vontade de impor \u201c<em>um capitalismo sui generis<\/em>\u201d em Cuba.<sup><sup>lii<\/sup><\/sup><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Assim, em apenas um ano de exist\u00eancia, enquanto existem dezenas de blogs mais antigos e n\u00e3o menos interessantes que o de S\u00e1nchez, a blogueira cubana conseguiu o Premio de Jornalismo Ortega e Gasset, dotado de 15.000 euros, em 4 de abril de 2008, outorgado pelo di\u00e1rio espanhol <em>El Pa\u00eds<\/em>. De costume, esse pr\u00eamio se outorga a prestigiosos jornalistas ou escritores que apresentam uma longa carreira liter\u00e1ria. \u00c9 a primeira vez que uma pessoa com o perfil de S\u00e1nchez o obt\u00e9m.<sup><sup>liii<\/sup><\/sup> Da mesma maneira, a blogueira cubana foi selecionada entre as 100 pessoas mais influentes do mundo pela revista Time (2008), em companhia de George W. Bush, Hu Jintao e o Dalai Lama.<sup><sup>liv<\/sup><\/sup> Seu blog foi inclu\u00eddo na lista dos 25 melhores blogs do mundo da cadeia <em>CNN<\/em> e a revista <em>Time<\/em> (2008) e tamb\u00e9m logrou o pr\u00eamio espanhol <em>Bitacoras.com<\/em> assim como <em>The Bob\u2019s<\/em> (2008).<sup><sup>lv<\/sup><\/sup> Em 30 de novembro de 2008 o di\u00e1rio espanhol <em>El Pa\u00eds<\/em> a incluiu na sua lista das 100 personalidades hispano-americanas mais influentes do ano (lista na qual n\u00e3o apareceram nem Fidel Castro, nem Raul Castro).<sup><sup>lvi<\/sup><\/sup> A revista <em>Foreign Policy <\/em>fez mais ainda em dezembro de 2008, ao inclu\u00ed-la entre os intelectuais mais importantes do ano.<sup><sup>lvii<\/sup><\/sup> A revista mexicana <em>Gato Pardo <\/em>fez o mesmo em 2008.<sup><sup>lviii<\/sup><\/sup> A prestigiosa universidade estadunidense de Columbia concedeu-lhe o pr\u00eamio Mar\u00eda Moors Cabot.<sup><sup>lix<\/sup><\/sup> E a lista \u00e9 longa.<sup><sup>lx<\/sup><\/sup><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Por outra parte, o site <em>Generaci\u00f3n Y<\/em> de Yoani S\u00e1nchez recebe 14 milh\u00f5es de visitas ao m\u00eas e \u00e9 o \u00fanico que est\u00e1 dispon\u00edvel em n\u00e3o menos de 18 idiomas (ingl\u00eas, franc\u00eas, espanhol, italiano, alem\u00e3o, portugu\u00eas, russo, esloveno, polaco, chin\u00eas, japon\u00eas, lituano, checo, b\u00falgaro, holand\u00eas, finland\u00eas, h\u00fangaro, coreano y grego). Nenhum outro site do mundo, inclusive os das mais importantes institui\u00e7\u00f5es internacionais como, por exemplo, as Na\u00e7\u00f5es Unidas, O Banco Mundial, o Fundo Monet\u00e1rio Internacional, a OCDE ou a Uni\u00e3o Europ\u00e9ia, disp\u00f5e de tantas vers\u00f5es ling\u00fc\u00edsticas. Nem o site do Departamento de Estado dos Estados Unidos nem o da CIA disp\u00f5em de semelhante variedade.<sup><sup>lxi<\/sup><\/sup> Outro fato \u00fanico, o presidente estadunidense Barack Obama concedeu uma entrevista a Yoani S\u00e1nchez.<sup><sup>lxii<\/sup><\/sup><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Jamais nenhum dissidente em Cuba \u2013 qui\u00e7\u00e1 no mundo \u2013 tenha conseguido tantas distin\u00e7\u00f5es em t\u00e3o pouco tempo, com uma caracter\u00edstica particular: entregam a Yoani S\u00e1nchez suficiente dinheiro para viver tranquilamente em Cuba o resto da sua vida. De fato, a blogueira tem sido retribu\u00eda \u00e0 altura de 250.000 euros no total, isto \u00e9, um importe equivalente a mais de vinte anos de sal\u00e1rio m\u00ednimo num pa\u00eds como a Fran\u00e7a, quinta pot\u00eancia mundial. O sal\u00e1rio m\u00ednimo mensal em Cuba \u00e9 de 420 pesos, ou seja, 18 d\u00f3lares ou 14 euros, pelo qual Yoani S\u00e1nchez conseguiu o equivalente a 1.488 anos de sal\u00e1rio m\u00ednimo cubano pela sua atividade de opositora.<sup><sup>lxiii<\/sup><\/sup><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Yoani S\u00e1nchez est\u00e1 em estreita rela\u00e7\u00e3o com a diplomacia estadunidense em Cuba, como assinala um informe, classificado \u201csecreto\u201d por seu conte\u00fado sens\u00edvel, que emana da SINA. A administra\u00e7\u00e3o Obama valora muito a blogueira cubana como demonstra a reuni\u00e3o secreta que teve lugar no apartamento da opositora com a subsecret\u00e1ria de Estado estadunidense Bisa Williams durante sua visita a Cuba entre 16 e 22 de setembro de 2010. Durante seu encontro com Williams, S\u00e1nchez comunicou seu desejo de beneficiar-se dos servi\u00e7os da empresa estadunidense de transfer\u00eancia de dinheiro <em>Paypal<\/em> \u2013 que os cubanos n\u00e3o podem utilizar por causa das san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas \u2013 para lutar mais eficazmente a favor de uma mudan\u00e7a de regime em Cuba: \u201cVoc\u00ea sabe tudo o que poder\u00edamos fazer se pud\u00e9ssemos utilizar o <em>Paypal?<\/em>\u201d Esse servi\u00e7o permite receber fluxos financeiros de todo o mundo. A opositora tem sido escutada, pois o \u00fanico site cubano que se beneficia dos servi\u00e7os de <em>Paypal<\/em> \u00e9 <em>Generaci\u00f3n Y.<\/em> Enquanto a dissidente conta regularmente sua vida cotidiana em seu blog, n\u00e3o se encontra nenhum rastro de seu encontro com Williams, o que demonstra seu car\u00e1ter clandestino. Esse correio diplomata revela assim os v\u00ednculos entre a midi\u00e1tica blogueira cubana e os representantes estadunidenses em La Habana e a import\u00e2ncia que Washington d\u00e1 \u00e0 opositora.<sup><sup>lxiv<\/sup><\/sup><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Outro memorando recorda tamb\u00e9m a import\u00e2ncia da entrevista que concedeu o presidente Barack Obama a S\u00e1nchez, que contribuiu \u00e0 midiatiza\u00e7\u00e3o internacional da opositora cubana.<sup><sup>lxv<\/sup><\/sup><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><strong>Aus\u00eancia de perspectivas para a oposi\u00e7\u00e3o cubana<\/strong><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">N\u00e3o obstante, Farrar \u00e9 realista: \u201cnenhum dissidente tem uma vis\u00e3o pol\u00edtica que poderia aplicar-se em um futuro governo. Ainda que os dissidentes n\u00e3o o admitam, s\u00e3o muito pouco conhecidos em Cuba fora do corpo diplomata e midi\u00e1tico estrangeiro [&#8230;]. \u00c9 pouco prov\u00e1vel que desempenhem um papel significativo em um governo que sucederia aos irm\u00e3os Castro\u201d.<sup><sup>lxvi<\/sup><\/sup><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A diplomacia estadunidense assinala que o objetivo \u00e9 \u201capoiar o bom trabalho do movimento dissidente\u201d em sua campanha contra o governo de La Habana, enfocando o trabalho no tema dos \u201cdireitos humanos\u201d e os \u201cpresos pol\u00edticos\u201d, as duas raz\u00f5es que esgrime Washington para manter as san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas contra Cuba. Essa campanha se destina sobretudo \u00e0 opini\u00e3o p\u00fablica internacional pois, segundo Farrar, \u201cn\u00e3o interessa aos cubanos cujas principais preocupa\u00e7\u00f5es s\u00e3o ter um melhor n\u00edvel de vida e mais oportunidades para viajar mais livremente\u201d.<sup><sup>lxvii<\/sup><\/sup><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Em outro informe, a SINA admite tamb\u00e9m encontrar-se isolada sobre a quest\u00e3o dos direitos humanos em Cuba: \u201cA imensa maioria das 100 miss\u00f5es diplom\u00e1ticas estrangeiras em La Habana n\u00e3o enfrentam um dilema dos direitos humanos em suas rela\u00e7\u00f5es com os cubanos. Esses pa\u00edses n\u00e3o abordam esse tema. O resto, um grupo que inclui uma maioria da Europa, Canad\u00e1, Austr\u00e1lia, Jap\u00e3o e Estados Unidos, afirma que emprega enfoques diferentes para evocar a quest\u00e3o dos direitos humanos em Cuba, mas a verdade \u00e9 que a maior parte desses pa\u00edses n\u00e3o incide sobre a quest\u00e3o em Cuba\u201d.<sup><sup>lxviii<\/sup><\/sup><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A SINA observa tamb\u00e9m que alguns aliados dos Estados Unidos, como Canad\u00e1, n\u00e3o compartem a mesma opini\u00e3o sobre a quest\u00e3o dos \u201cpresos pol\u00edticos\u201d, e recorda uma discuss\u00e3o com seus hom\u00f3logos canadenses: \u201cNossos colegas canadenses nos perguntaram o seguinte: Por acaso algu\u00e9m que aceita dinheiro dos Estados Unidos deve ser considerado como um preso pol\u00edtico?\u201d. A diplomacia canadense recordou assim que todas as na\u00e7\u00f5es ocidentais tamb\u00e9m sancionam aos indiv\u00edduos que s\u00e3o financiados por uma potencia estrangeira com o objetivo de derrocar a ordem estabelecida.<sup><sup>lxix<\/sup><\/sup><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A diplomacia estadunidense n\u00e3o se ilude sobre a efic\u00e1cia das san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas estadunidenses contra a ilha, que tem unido o pa\u00eds a uma s\u00e9ria crise econ\u00f4mica. Segundo ela, \u201co povo cubano est\u00e1 acostumado aos per\u00edodos dif\u00edceis e responder\u00e1 \u00e0s restri\u00e7\u00f5es governamentais futuras com uma resist\u00eancia similar\u201d.<sup><sup>lxx<\/sup><\/sup> Descarta a possibilidade de uma grave crise e aponta que \u201cCuba e os cubanos n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o vulner\u00e1veis como em 1989 antes do fim dos subs\u00eddios sovi\u00e9ticos\u201d. Por outra parte, \u201co n\u00edvel de vida dos cubanos, ainda que n\u00e3o seja t\u00e3o elevado como h\u00e1 vinte anos antes do fim da ajuda sovi\u00e9tica, segue sendo muito melhor do que durante os dias mais sombrios do per\u00edodo entre 1990 e 1993, quando o PIB caiu mais de 35%\u201d. Al\u00e9m disso, \u201ca economia cubana atual \u00e9 menos vulner\u00e1vel [&#8230;] gra\u00e7as \u00e0s fontes de ingressos e de cr\u00e9ditos mais diversificados e a uma popula\u00e7\u00e3o cubana com mais recursos.\u201d<sup><sup>lxxi<\/sup><\/sup><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">N\u00e3o obstante, apesar das san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas que Washington imp\u00f5e, a diplomacia estadunidense assinala que os cubanos n\u00e3o sentem uma particular animosidade em rela\u00e7\u00e3o aos cidad\u00e3os estadunidenses, pois n\u00e3o consideram o povo do Norte respons\u00e1vel pela pol\u00edtica de Washington. A SINA sublinha assim \u201cos sentimentos positivos em rela\u00e7\u00e3o ao povo americano\u201d.<sup><sup>lxxii<\/sup><\/sup><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><strong>Conclus\u00e3o <\/strong><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Quase meio s\u00e9culo depois de sua elabora\u00e7\u00e3o, a pol\u00edtica estadunidense que consiste em criar e apoiar uma oposi\u00e7\u00e3o interna em Cuba segue vigente. Esta estrat\u00e9gia, clandestina durante cerca de trinta anos, \u00e9 agora reivindicada e p\u00fablica, ainda que o direito internacional a considere ilegal. Assim, o financiamento da oposi\u00e7\u00e3o cubana por parte dos Estados Unidos alcan\u00e7a v\u00e1rios milh\u00f5es de d\u00f3lares ao ano. Frente \u00e0 eros\u00e3o da dissid\u00eancia tradicional que representam Oswaldo Pay\u00e1, Elizardo S\u00e1nchez, Vladimiro Roca, Marta Beatriz Roque, Guillermo Fari\u00f1as e as Damas de Blanco, Washington aposta agora pela nova gera\u00e7\u00e3o de opositores cuja figura emblem\u00e1tica \u00e9 a blogueira cubana Yoani S\u00e1nchez.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Os contatos diplomatas da blogueira dissidente lhe permitem chegar at\u00e9 a Casa Branca e se re\u00fane regularmente com os altos funcion\u00e1rios estadunidenses tais como Bisa Williams. Para evitar as cr\u00edticas, Estados Unidos diversificam seu apoio \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o cubana. Al\u00e9m da ajuda financeira direta que prop\u00f5em, t\u00eam elaborado, gra\u00e7as \u00e0 poderosa rede p\u00fablica e midi\u00e1tica que disp\u00f5e, um sistema de financiamento \u201clegal\u201d que consiste em recompensar a oposi\u00e7\u00e3o ao governo de La Habana mediante pr\u00eamios dotados de v\u00e1rias de dezenas de milhares de d\u00f3lares, como ilustra a avalanche de distin\u00e7\u00f5es que tem recebido S\u00e1nchez, a nova ninfa Eg\u00e9ia de Washington, no espa\u00e7o de alguns meses.<\/p>\n<p>O objetivo de Washington j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 federar a popula\u00e7\u00e3o cubana ao redor dessas pessoas que preconizam uma mudan\u00e7a de sistema em Cuba, pois sabe que seu discurso n\u00e3o \u00e9 aud\u00edvel entre os habitantes da ilha, cuja maioria permanece fiel ao processo revolucion\u00e1rio apesar das dificuldades e vicissitudes cotidianas. A oposi\u00e7\u00e3o aliada aos Estados Unidos, no melhor dos casos, suscita a indiferen\u00e7a entre os cubanos, e muitas vezes o recha\u00e7o. A guerra \u00e9 mais de ordem midi\u00e1tica. Ao manter a presen\u00e7a de uma oposi\u00e7\u00e3o interna, inclusive sem envergadura e carente de toda base popular, permite justificar sua pol\u00edtica de isolamento e de san\u00e7\u00f5es contra o governo de La Habana em nome da luta \u201cpelos direitos humanos e a democracia\u201d.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Traduzido do Espanhol por Coletivo Paulo Petry, n\u00facleo do PCB\/UJC em Cuba.<\/p>\n<p>\uf02a Salim Lamrani \u00e9 Doutor em Estudos Ib\u00e9ricos e Latino-americanos da Universidade Paris Sorbonne-Paris IV, \u00e9 professor encarregado de cursos na Universidade Paris-Sorbonne-Paris IV e na Universidade Paris-Est Marne-la-Vall\u00e9e e jornalista franc\u00eas, especialista em relaciones entre Cuba e Estados Unidos. Acaba de publicar <a href=\"http:\/\/rebelion.org\/noticia.php?id=92726\" target=\"_blank\"><strong>Cuba: Ce que les m\u00e9dias ne vous diront jamais<\/strong> <\/a>. Dispon\u00edvel em livrarias e no Amazon: <a href=\"http:\/\/www.amazon.fr\/Cuba-Medias-Vous-Diront-Jamais\/dp\/2953128417\/ref=pd_rhf_p_t_1\" target=\"_blank\"><strong>http:\/\/www.amazon.fr\/Cuba-Medias-Vous-Diront-Jamais\/dp\/2953128417\/ref=pd_rhf_p_t_1<\/strong> <\/a>Para qualquer peti\u00e7\u00e3o dedicada, contatar diretamente: <a href=\"mailto:lamranisalim@yahoo.fr\" target=\"_blank\"><strong>lamranisalim@yahoo.fr<\/strong> <\/a>, <a href=\"mailto:Salim.Lamrani@univ-mlv.fr\" target=\"_blank\"><strong>Salim.Lamrani@univ-mlv.fr<\/strong><\/a><\/p>\n<p>iLester D. Mallory, \u00ab Memorandum From the Deputy Assistant Secretary of State for Inter-American Affairs (Mallory) to the Assistant Secretary of State for Inter-American Affairs (Rubottom) \u00bb, 6 de abril de 1960, Department of State, Central Files, 737.00\/4-660, Secret, Drafted by Mallory, <em>in<\/em> <em>Foreign Relations of the United States (FRUS)<\/em> , 1958-1960, Volume VI, Cuba: (Washington: United States Government Printing Office, 1991), p. 885.<\/p>\n<p>ii Marion W. Boggs, \u00ab Memorandum of Discussion at 432d meeting of the National Security Council, Washington \u00bb, 14 de janeiro de 1960, Eisenhower Library, Whitman File, NSC Records, Top Secret, <em>in Foreign Relations of the United States 1958-1960<\/em> (Washington: United States Government Printing Office, 1991), pp. 742-743.<\/p>\n<p>iii <em>Cuban Democracy Act<\/em> , T\u00edtulo XVII, Se\u00e7\u00e3o 1705, 1992.<\/p>\n<p>iv <em>Helms-Burton Act<\/em> , T\u00edtulo I, Se\u00e7\u00e3o 109, 1996.<\/p>\n<p>v Colin L. Powell, <em>Commission for Assistance to a Free Cuba<\/em> , (Washington: United States Department of State, mayo 2004). <a href=\"http:\/\/www.state.gov\/documents\/organization\/32334.pdf\" target=\"_blank\">www.state.gov\/documents\/organization\/32334.pdf <\/a>(sitio consultado em 7 de maio de 2004), pp. 16, 22.<\/p>\n<p>vi Roger F. Noriega , \u00ab <a href=\"http:\/\/www.state.gov\/p\/wha\/rls\/rm\/2005\/ql\/42986.htm\" target=\"_blank\">Assistant Secretary Noriega \u2019s Statement Before the House of Representatives Committee on International Relations <\/a>\u00bb , Department of State, 3 de mar\u00e7o de 2005 . (site consultado em 9 abril 2005 ).<\/p>\n<p>vii Condoleezza Rice &amp; Carlos Guti\u00e9rrez, <em>Commission for Assistance to a Free Cuba<\/em> , (Washington: United States Department of State, julho2006). <a href=\"http:\/\/www.cafc.gov\/documents\/organization\/68166.pdf\" target=\"_blank\">www.cafc.gov\/documents\/organization\/68166.pdf <\/a>(sitio consultado em 12 de julho de 2006), p. 20.<\/p>\n<p>viii <em>Ib\u00edd.<\/em> , p. 22.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">ixA<em>long the Malecon<\/em>, \u00abExclusive: Q &amp; A with USAID\u00bb, 25 de outubro de 2010. <a href=\"http:\/\/alongthemalecon.blogspot.com\/2010\/10\/exclusive-q-with-usaid.html\" target=\"_blank\">http:\/\/alongthemalecon.blogspot.com\/2010\/10\/exclusive-q-with-usaid.html<\/a> (sitio consultado em 26 de outubro de 2010).<\/p>\n<p>x <em>Ib\u00edd.<\/em><\/p>\n<p>xi <em>Ib\u00edd.<\/em><\/p>\n<p>xii <em>The Associated Press\/El Nuevo Herald<\/em> , \u00ab Cuba: EEUU debe tomar \u2018medidas\u2019 contra diplomatas\u00bb, 19 de maio de 2008.<\/p>\n<p>xiii <em>El Nuevo Herald<\/em> , \u00abDisidente cubana teme que pueda ser encarcelada\u00bb, 21 de maio de 2008.<\/p>\n<p>xiv Patrick B\u00e8le, \u00abCuba accuse Washington de payer les dissidentes\u00bb, <em>Le Figaro<\/em> , 21 de maio de 2008.<\/p>\n<p>xv <em>Agence France-Presse<\/em>, \u00abPrensa estatal cubana hace inusual entrevista callejera a disidentes\u00bb, 22 de maio de 2008.<\/p>\n<p>xvi Tracey Eaton, \u00abFactions Spar Over U.S. Aid for Cuba\u00bb, <em>The Houston Chronicle<\/em>, 18 de dezembro de 2010.<\/p>\n<p>xvii <em>Agence France-Presse<\/em>, \u00abFinancement de la dissidence: Cuba \u2018somme\u2019 Washington de s\u2019expliquer\u00bb, 22 de maio de 2008.<\/p>\n<p>xviii <em>EFE<\/em>, \u00abUn diputado cubano propone nuevos castigos a opositores pagados por EE UU\u00bb, 28 de maio de 2008.<\/p>\n<p>xix Jeff Franks, \u00abTop U.S. Diplomat Ferried Cash to Dissident: Cuba\u00bb, <em>Reuters<\/em>, 19 de maio de 2008.<\/p>\n<p>xx Ben Feller, \u00abBush Touts Cuban Life After Castro\u00bb, <em>Associated Press<\/em>, 24 de outubro de 2007.<\/p>\n<p>xxi Will Weissert, \u00abActivistas cubanos dependen del financiamiento extranjero\u00bb, <em>The Associated Press<\/em> , 15 de agosto de 2008.<\/p>\n<p>xxii F\u00e9lix Rousseau, \u00abFari\u00f1as, \u00e9pine dans le pied de Ra\u00fal Castro\u00bb, <em>Lib\u00e9ration<\/em> , 17 de mar\u00e7o de 2010.<\/p>\n<p>xxiii <em>Amnesty International<\/em> , \u00abCuba. Cinq ann\u00e9es de trop, le nouveau gouvernement doit lib\u00e9rer les dissidents emprisonn\u00e9s\u00bb, 18 de mar\u00e7o de 2008. <a href=\"http:\/\/www.amnesty.org\/fr\/for-media\/press-releases\/cuba-five-years-too-many-new-government-must-release-jailed-dissidents-2\" target=\"_blank\">http:\/\/www.amnesty.org\/fr\/for-media\/press-releases\/cuba-five-years-too-many-new-government-must-release-jailed-dissidents-2<\/a> (sitio consultado em 23 de abril de 2008).<\/p>\n<p>xxiv <em>Radio Habana Cuba<\/em> , \u00abFormer Chief of US Interests Section in Havana Wayne Smith Says Sending Money to Mercenaries in Cuba is Illegal\u00bb, 21 de maio de 2008.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">xxv Wayne S. Smith, \u00abNew Cuba Commission Report: Formula for Continued Failure\u00bb, <em>Center for International Policy<\/em> , 10 de julho de 2006.<\/p>\n<p>xxvi Jonathan D. Farrar, \u00abThe U.S. and the Role of the Opposition in Cuba\u00bb, <em>United States Interests Section<\/em>, 9 de abril de 2009, cable 09HAVANA221. <a href=\"http:\/\/213.251.145.96\/cable\/2009\/04\/09HAVANA221.html\" target=\"_blank\">http:\/\/213.251.145.96\/cable\/2009\/04\/09HAVANA221.html <\/a>(sitio consultado em 18 de dezembro de 2010).<\/p>\n<p>xxvii <em>Ibid.<\/em><\/p>\n<p>xxviii <em>Ibid.<\/em><\/p>\n<p>xxix <em>Ibid.<\/em><\/p>\n<p>xxx Joaquin F. Monserrate, \u00abGOC Signals \u2018Readiness to Move Forward\u2019\u00bb, <em>United States Interests Section<\/em> , 25 de setembro de 2009, cable 09HAVANA592, <a href=\"http:\/\/213.251.145.96\/cable\/2009\/09\/09HAVANA592.html\" target=\"_blank\">http:\/\/213.251.145.96\/cable\/2009\/09\/09HAVANA592.html <\/a>(sitio consultado em 18 de dezembro de 2010).<\/p>\n<p>xxxi Jonathan D. Farrar, \u00abKey Trading Parters See No Big Economic Reforms\u00bb, <em>United States Interests Section<\/em> , 9 de fevereiro de 2010, cable 10HAVANA84, <a href=\"http:\/\/213.251.145.96\/cable\/2010\/02\/10HAVANA84.html\" target=\"_blank\">http:\/\/213.251.145.96\/cable\/2010\/02\/10HAVANA84.html <\/a>(sitio consultado em 18 de dezembro de 2010).<\/p>\n<p>xxxiiMichael E. Parmly, \u00abComsec Discusses Freedom and Democracy With Cubain Youth\u00bb, <em>United States Interests Section<\/em> , 18 de janeiro de 2008, 08HAVANA66, <a href=\"http:\/\/213.251.145.96\/cable\/2008\/01\/08HAVANA66.html\" target=\"_blank\">http:\/\/213.251.145.96\/cable\/2008\/01\/08HAVANA66.html <\/a>(sitio consultado em 18 de dezembro de 2010).<\/p>\n<p>xxxiii Jonathan D. Farrar, \u00abThe Speculation on Fidel\u2019s Health \u00bb, <em>United States Interests Section<\/em> , 9 de janeiro de 2009, cable 09HAVANA35, <a href=\"http:\/\/213.251.145.96\/cable\/2009\/01\/09HAVANA35.html\" target=\"_blank\">http:\/\/213.251.145.96\/cable\/2009\/01\/09HAVANA35.html <\/a>(sitio consultado em 18 de dezembro de 2010).<\/p>\n<p>xxxiv Jonathan D. Farrar, \u00abThe U.S. and the Role of the Opposition in Cuba \u00bb, <em>United States Interests Section<\/em>, 9 de abril de 2009, <em>op. cit.<\/em><\/p>\n<p>xxxv Ibid.<\/p>\n<p>xxxvi Jonathan D. Farrar, \u00abThe U.S. and the Role of the Opposition in Cuba\u00bb, <em>United States Interests Section<\/em>, 9 de abril de 2009, cable 09HAVANA221. <a href=\"http:\/\/213.251.145.96\/cable\/2009\/04\/09HAVANA221.html\" target=\"_blank\">http:\/\/213.251.145.96\/cable\/2009\/04\/09HAVANA221.html<\/a> (sitio consultado em 18 de dezembro de 2010).<\/p>\n<p>xxxvii Yoan\u00ed S\u00e1nchez, \u00abMi perfil\u00bb, <em>Generaci\u00f3n Y<\/em>.<\/p>\n<p>xxxviii <em>France 24<\/em>, \u00abCe pays est une immense prison avec des murs id\u00e9ologiques\u00bb, 22 de outubro de 2009.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">xxxixYoan\u00ed S\u00e1nchez, \u00abSiete preguntas\u00bb, <em>Generaci\u00f3n Y<\/em>, 18 de novembro de 2009.<\/p>\n<p>xl Yoan\u00ed S\u00e1nchez, \u00abSeres de la sombra\u00bb, <em>Generaci\u00f3n Y<\/em>, 12 de novembro de 2009.<\/p>\n<p>xli Salim Lamrani, \u00abConversaciones con la bloguera cubana Yoani S\u00e1nchez\u00bb, 15 de abril de 2010, <em>Rebeli\u00f3n<\/em>. <a href=\"http:\/\/www.rebelion.org\/noticia.php?id=104205\" target=\"_blank\">http:\/\/www.rebelion.org\/noticia.php?id=104205<\/a> (sitio consultado em 20 de dezembro de 2010).<\/p>\n<p>xlii <em>Ibid.<\/em> Yoan\u00ed S\u00e1nchez sobre la crisis de los misiles: <a href=\"http:\/\/blip.tv\/file\/get\/Inforeb-YoaniSanchezSobreLaCrisisDeLosMisilesmp3878.mp3\" target=\"_blank\">Ouvir entrevista<\/a><\/p>\n<p>xliii <em>Ibid.<\/em> Yoan\u00ed S\u00e1nchez sobre las sanciones econ\u00f3micas: <a href=\"http:\/\/blip.tv\/file\/get\/Inforeb-YoaniSanchezSobreLasSancionesEconomicas1mp3245.mp3\" target=\"_blank\">Ouvir entrevista<\/a><\/p>\n<p>xliv<em>Ibid.<\/em> Yoan\u00ed S\u00e1nchez sobre los Cinco: <a href=\"http:\/\/blip.tv\/file\/get\/Inforeb-YoaniSnchezSobreLosCincomp3962.mp3\" target=\"_blank\">Ouvir entrevista<\/a><\/p>\n<p>xlv <em>Supreme Court of the United States<\/em>, \u00abBrief of Amici Curiae of Jos\u00e9 Ramos-Horta, Wole Soyinka, Adolfo P\u00e9rez Esquivel, Nadine Gordimer, Rigoberta Mench\u00fa, Jos\u00e9 Saramago, Zhores Alferov, Dario Fo, Gunter Grass, and M\u00e1eread Corrigan Maguire in support of the petition for writ of certiorari\u00bb, N\u00b0 08-987, <a href=\"http:\/\/www.freethefive.org\/legalFront\/amicusnobel.pdf\" target=\"_blank\">http:\/\/www.freethefive.org\/legalFront\/amicusnobel.pdf<\/a> (sitio consultado el 12 de mar\u00e7o de 2009). Veja \u00e9galement <a href=\"http:\/\/www.freethefive.org\/resourceslegal.htm\" target=\"_blank\">http:\/\/www.freethefive.org\/resourceslegal.htm<\/a> (sitio consultado em 12 de mar\u00e7o de 2009)<\/p>\n<p>xlvi <em>Granma<\/em>, \u00abEx ayudante de Colin Powell denuncia arbitrariedades contra los Cinco\u00bb, 24 de novembro de 2007. <a href=\"http:\/\/www.granma.cubaweb.cu\/miami5\/enjuiciamiento\/justicia\/0093.html\" target=\"_blank\">http:\/\/www.granma.cubaweb.cu\/miami5\/enjuiciamiento\/justicia\/0093.html <\/a>(sitio consultado em 15 de novembro de 2008).<\/p>\n<p>xlvii Salim Lamrani, \u00abConversaciones con la bloguera cubana Yoani S\u00e1nchez\u00bb, <em>op.cit.<\/em><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">xlviii<em>Ibid. <\/em>Yoan\u00ed S\u00e1nchez sobre a dictadura de Fulgencio Batista: <a href=\"http:\/\/blip.tv\/file\/get\/Inforeb-YoaniSanchezSobreLaDictaduraDeBatistamp3672.mp3\" target=\"_blank\">Ouvir entrevista<\/a><\/p>\n<p>xlix <em>Ibid. <\/em>Yoan\u00ed S\u00e1nchez sobre a lei de Ajuste Cubano: <a href=\"http:\/\/blip.tv\/file\/get\/Inforeb-YoaniSanchezSobreLaLeyDeAjusteCubanomp3429.mp3\" target=\"_blank\">Ouvir entrevista<\/a><\/p>\n<p>l <em>Ibid.<\/em> Yoan\u00ed S\u00e1nchez sobre Gabriel Garcia M\u00e1rquez: <a href=\"http:\/\/blip.tv\/file\/get\/Inforeb-YoaniSanchezSobreElNobelDeGabrielGarciaMarquezmp3646.mp3\" target=\"_blank\">Ouvir entrevista <\/a><\/p>\n<p>li <em>Ibid.<\/em> Yoan\u00ed S\u00e1nchez sobre el objetivo com\u00fan con Estados Unidos: <a href=\"http:\/\/blip.tv\/file\/get\/Inforeb-YoaniSanchezYSuObjetivoComunConEstadosUnidosmp3850.mp3\" target=\"_blank\">Ouvir entrevista<\/a><\/p>\n<p>lii Mauricio Vicent, \u00abLos cambios llegar\u00e1n a Cuba, pero no a trav\u00e9s del gui\u00f3n del Gobierno\u00bb, <em>El Pa\u00eds<\/em>, 7 de maio de 2008.<\/p>\n<p>liii <em>El Pa\u00eds<\/em>, \u00abEL PA\u00cdS convoca los Premios Ortega y Gasset de periodismo 2009\u00bb, 12 de janeiro de 2009.<\/p>\n<p>liv <em>Time<\/em>, \u00abThe 2008 Time 100\u00bb, 2008. <a href=\"http:\/\/www.time.com\/time\/specials\/2007\/0,28757,1733748,00.html\" target=\"_blank\">http:\/\/www.time.com\/time\/specials\/2007\/0,28757,1733748,00.html<\/a> (sitio consultado em 25 de novembro de 2009)<\/p>\n<p>lv Yoani S\u00e1nchez, \u00abPremios\u00bb, <em>Generaci\u00f3n Y.<\/em><\/p>\n<p>lvi Miriam Leiva, \u00abLa \u2018Generaci\u00f3n Y\u2019 cubana\u00bb, <em>El Pa\u00eds<\/em>, 30 de novembro de 2008.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">lviiYoani S\u00e1nchez, \u00abPremios\u00bb, <em>op. cit.<\/em><\/p>\n<p>lviii <em>Ibid.<\/em><\/p>\n<p>lix <em>Ibid.<\/em><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">lx <em>El Pa\u00eds<\/em>, \u00abUna de las voces cr\u00edticas del r\u00e9gimen cubano, mejor blog del a\u00f1o\u00bb, 28 de novembro de 2008.<\/p>\n<p>lxi Yoani S\u00e1nchez, <em>Generaci\u00f3n Y.<\/em><\/p>\n<p>lxii Yoani S\u00e1nchez, \u00abRespuestas de Barack Obama a Yoani S\u00e1nchez\u00bb, <em>Generaci\u00f3n Y<\/em>, 20 de novembro de 2009.(<a href=\"http:\/\/blip.tv\/file\/get\/Inforeb-YoaniSanchezObamaYLaAmenazaDeInvasionmp3908.mp3\" target=\"_blank\">Ouvir entrevista<\/a> <a href=\"http:\/\/blip.tv\/file\/get\/Inforeb-YoaniSanchezObamaYLaAmenazaDeInvasionmp3908.mp3\" target=\"_blank\">Click to play<\/a> )<\/p>\n<p>lxiii Yoani S\u00e1nchez, \u00abPremios\u00bb, <em>op. cit.<\/em><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Fonte: <a href=\"http:\/\/www.rebelion.org\/noticia.php?id=119156\" target=\"_blank\">Rebeli\u00f3n<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: voltairenet\n\n\n\n\n\n\n\n\nSalim Lamrani\uf02a\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1150\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-1150","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-iy","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1150","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1150"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1150\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1150"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1150"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1150"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}