{"id":1152,"date":"2011-01-25T12:56:30","date_gmt":"2011-01-25T12:56:30","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1152"},"modified":"2011-01-25T12:56:30","modified_gmt":"2011-01-25T12:56:30","slug":"duas-decadas-apos-a-primeira-guerra-do-golfo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1152","title":{"rendered":"Duas d\u00e9cadas ap\u00f3s a primeira Guerra do Golfo**"},"content":{"rendered":"\n<p>\u201cA vit\u00f3ria militar dos EUA na Guerra do Golfo, acompanhada do golpe de Ieltsine que destruiu a URSS passado poucos meses, fez parecer invenc\u00edvel o imperialismo norte-americano. Decretou-se o fim da Hist\u00f3ria, o triunfo eterno do capitalismo. (\u2026) As duas d\u00e9cadas seguintes tornaram claro o significado da dupla vit\u00f3ria do imperialismo em 1991. Mas estas duas d\u00e9cadas tamb\u00e9m mostraram outras coisas. (\u2026) Mostraram que, por muita for\u00e7a que o imperialismo tenha, o mundo n\u00e3o p\u00e1ra: povos e pa\u00edses afirmam a sua soberania, procuram alternativas, crescem e desenvolvem-se, alteram em profundidade a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as mundial.\u201d<\/p>\n<p>A primeira Guerra do Golfo foi h\u00e1 20 anos. Nessa guerra, o imperialismo norte-americano mostrou ao mundo o seu novo arsenal de tecnologia da morte, com m\u00edsseis cruzeiro e Tomahawk, armas com ur\u00e2nio empobrecido que atravessam a blindagem de tanques, interceptores Patriot que, pretensamente, derrubavam os m\u00edsseis de Saddam Hussein. A guerra foi transformada num \u00abasseado\u00bb espect\u00e1culo medi\u00e1tico pelas grandes cadeias de (des)informa\u00e7\u00e3o do imperialismo, escondendo os seus terr\u00edveis custos humanos, escondendo que Saddam fora um aliado dos EUA, escondendo quase tudo sobre a verdadeira natureza daquela guerra.<\/p>\n<p>Vinte anos depois, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil perceber que a Guerra do Golfo foi um marco na hist\u00f3ria recente. Insepar\u00e1vel das contra-revolu\u00e7\u00f5es que haviam liquidado o socialismo no Leste da Europa e estavam prestes a destruir a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, a Guerra do Golfo \u2013 como muito justamente assinalou na altura o PCP \u2013 teve por miss\u00e3o mostrar ao mundo que uma nova correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as se afirmava no planeta. Uma correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as onde o imperialismo ditava as leis, estava pronto a usar a for\u00e7a militar, n\u00e3o reconhecia fronteiras, nem soberanias. O imperialismo norte-americano \u2013 j\u00e1 ent\u00e3o em decl\u00ednio no plano econ\u00f3mico \u2013 procurava impor a sua hegemonia planet\u00e1ria pela via militar, para controlar recursos energ\u00e9ticos, sustentar os seus monop\u00f3lios e respectivos lucros, mesmo que contra a vontade de outros concorrentes imperialistas.<\/p>\n<p>A vit\u00f3ria militar dos EUA na Guerra do Golfo, acompanhada do golpe de Ieltsine que destruiu a URSS passado poucos meses, fez parecer invenc\u00edvel o imperialismo norte-americano. Decretou-se o fim da Hist\u00f3ria, o triunfo eterno do capitalismo. Muitos, incluindo a pr\u00f3pria classe dirigente dos EUA, se convenceram que assim era. As duas d\u00e9cadas seguintes tornaram claro o significado da dupla vit\u00f3ria do imperialismo em 1991.<\/p>\n<p>\u00c0 guerra do Golfo seguiu-se a Jugosl\u00e1via, o Afeganist\u00e3o, Iraque, L\u00edbano, Gaza. Seguiu-se a pilhagem do planeta pelo grande capital dos centros imperialistas, asseadamente designada \u00abglobaliza\u00e7\u00e3o\u00bb. Seguiu-se a destrui\u00e7\u00e3o acelerada de direitos e conquistas sociais e pol\u00edticas, o refor\u00e7o do autoritarismo e dos mecanismos de repress\u00e3o. O capitalismo mostrou as suas garras, contidas durante d\u00e9cadas pelas vit\u00f3rias das lutas populares no S\u00e9culo XX. As ilus\u00f5es da propaganda imperialista tornaram-se um pesadelo bem real para a grande maioria da Humanidade.<\/p>\n<p>Mas estas duas d\u00e9cadas tamb\u00e9m mostraram outras coisas. Mostraram que a resist\u00eancia e luta dos povos \u2013 desde logo, dos que s\u00e3o v\u00edtimas das agress\u00f5es imperialistas \u2013 n\u00e3o t\u00eam fim, por mais \u00abdecretado\u00bb que seja pelas classes dominantes. Mostraram que, liberto de amarras e funcionando de acordo com as suas pr\u00f3prias regras, o capitalismo dos nossos dias \u00e9, n\u00e3o apenas um voraz devorador da riqueza produzida em todo o planeta, mas um incorrig\u00edvel gerador de enormes crises para as quais n\u00e3o encontra outra solu\u00e7\u00e3o que n\u00e3o seja agravar ainda mais a explora\u00e7\u00e3o, a domina\u00e7\u00e3o e a viol\u00eancia, alimentando dessa forma as causas profundas da crise. Mostraram que, por muita for\u00e7a que o imperialismo tenha, o mundo n\u00e3o p\u00e1ra: povos e pa\u00edses afirmam a sua soberania, procuram alternativas, crescem e desenvolvem-se, alteram em profundidade a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as mundial.<\/p>\n<p>A aparente invencibilidade do imperialismo deu lugar a uma crise profunda. A cada dia que passa se tornam mais evidentes o desnorte, as divis\u00f5es, a incapacidade das classes dominantes em encontrarem resposta para a sua crise. Mas isso n\u00e3o significa que o pior tenha passado. Pelo contr\u00e1rio. A profunda crise do capitalismo agrava os perigos de que o desespero d\u00ea lugar \u2013 como no passado \u2013 \u00e0 viol\u00eancia extrema e aventureira. A ofensiva contra os povos chegou aos centros do imperialismo. E multiplicam-se perigosos sinais de que o imperialismo prepara novas aventuras militares, no M\u00e9dio Oriente, em \u00c1frica, no Extremo Oriente.<\/p>\n<p>O caminho \u00e9 a luta. A luta dos trabalhadores e povos de todo o mundo, contra o seu inimigo comum: o imperialismo. E no cora\u00e7\u00e3o dessa luta ter\u00e3o de estar aqueles que n\u00e3o se deixaram levar pelos cantos de sereia, nem venderam contos de fadas nestes 20 anos terr\u00edveis. \u00c9 esse o papel dos comunistas.<\/p>\n<p><em>* Professor da Universidade de Lisboa e analista de pol\u00edtica internacional.<\/em><\/p>\n<p><em>** T\u00edtulo da responsabilidade de <a href=\"http:\/\/odiario.info\/\" target=\"_blank\">odiario.info<\/a>.<\/em><\/p>\n<p><em>Este texto foi publicado no Avante n\u00ba 1.938 de 20 de Janeiro de 2011.<\/em><\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/www.odiario.info\/?p=1946\" target=\"_blank\">http:\/\/www.odiario.info\/?p=1946<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: ODiario.info\n\n\n\n\n\n\n\n\nJorge Cadima*\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1152\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-1152","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-iA","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1152","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1152"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1152\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1152"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1152"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1152"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}