{"id":11546,"date":"2016-07-09T20:53:52","date_gmt":"2016-07-09T23:53:52","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=11546"},"modified":"2016-08-02T00:58:27","modified_gmt":"2016-08-02T03:58:27","slug":"familias-guarani-e-kaiowa-sao-desalojadas-sem-ordem-judicial-em-dourados-ms","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11546","title":{"rendered":"Fam\u00edlias Guarani e Kaiow\u00e1 s\u00e3o desalojadas sem ordem judicial em Dourados (MS)"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/farm8.staticflickr.com\/7110\/27851132890_331c53cfea_z.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/>Para lideran\u00e7as da regi\u00e3o, a\u00e7\u00e3o \u00e9 mais uma sinaliza\u00e7\u00e3o da estrat\u00e9gia do governo interino de reprimir povos ind\u00edgenas<\/p>\n<p>Juliana Gon\u00e7alves (SP) e Karina Vilas Boas (MS)S\u00e3o Paulo, 06 de Julho de 2016 \u00e0s 14:48<br \/>\n<!--more--><\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o de extrema vulnerabilidade das fam\u00edlias ind\u00edgenas Guarani e Kaiow\u00e1 de\u00a0Tekoh\u00e1 Apyka&#8217;i foi agravada na manh\u00e3 desta quarta-feira (6) com a a\u00e7\u00e3o de despejo realizada pela Pol\u00edcia Federal, com ordem do juiz F\u00e1bio Kaiut Nunes.<\/p>\n<p>Uma grande movimenta\u00e7\u00e3o policial come\u00e7ou \u00e0s 5h da manh\u00e3 desta quarta, quando agentes da Pol\u00edcia Federal, Pol\u00edcia Rodovi\u00e1ria, Pol\u00edcia Militar, For\u00e7a T\u00e1tica e For\u00e7a Especial entraram no acampamento anunciando o despejo. O grupo, formado por cerca de 30 ind\u00edgenas, pensou em resistir, mas resolveu sair pacificamente intimidado pela for\u00e7a policial com mais de 100 homens.<\/p>\n<p>Equipes de advogados\/as do Conselho Indigenista Mission\u00e1rio (Cimi) e de outras entidades ligadas aos Direitos Humanos, articulam\u00a0a\u00e7\u00f5es\u00a0para contestar a ordem de despejo.<\/p>\n<p>O territ\u00f3rio Apyka&#8217;i est\u00e1 a sete quil\u00f4metros do centro de Dourados (MS), sentido Ponta Por\u00e3, entre um riacho polu\u00eddo e uma planta\u00e7\u00e3o de cana.<\/p>\n<p>A \u00e1rea est\u00e1 arrendada para a usina S\u00e3o Fernando, de propriedade do pecuarista Jos\u00e9 Carlos Bumlai, preso na Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato.<\/p>\n<p>Sem ter para onde ir, as fam\u00edlias voltar\u00e3o\u00a0para a beira da BR-463 onde viveram por mais de dez anos.<\/p>\n<p>Nove pessoas j\u00e1 faleceram, oito delas, v\u00edtimas de atropelamentos, e uma envenenada por agrot\u00f3xicos utilizados nas planta\u00e7\u00f5es que circundam o lugar.<\/p>\n<p>As tens\u00f5es entre o governo Temer e o movimento ind\u00edgena se acirraram\u00a0nesta semana quando foi divulgada a informa\u00e7\u00e3o de que est\u00e3o em curso negocia\u00e7\u00f5es para que o general reformado, Roberto Sebasti\u00e3o Peternelli (PSC) assuma a presid\u00eancia da Funai. Para lideran\u00e7as da regi\u00e3o, a a\u00e7\u00e3o de hoje \u00e9 mais uma sinaliza\u00e7\u00e3o da estrat\u00e9gia do governo interino de reprimir, intimidar e despejar os povos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Hist\u00f3rico<\/p>\n<p>Desde maio deste ano, o poder judici\u00e1rio tenta\u00a0remover as fam\u00edlias daquele territ\u00f3rio. Em junho, o mesmo juiz requisitou ao Ministro da Justi\u00e7a, Alexandre de Moraes, o envio de tropas da For\u00e7a Nacional de Seguran\u00e7a P\u00fablica para retirar os ind\u00edgenas da \u00e1rea.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, a Funai entrou com pedido de Suspens\u00e3o de Liminar no Supremo Tribunal Federal (STF), para evitar o despejo. Esse pedido ainda tramita no STF e, \u00e0 revelia do que est\u00e1 sendo requisitado pela Funai, a reintegra\u00e7\u00e3o de posse ocorreu hoje.<\/p>\n<p>Lideran\u00e7a<\/p>\n<p>Pela manh\u00e3, a cacique Damiana Cavanha,\u00a070 anos, \u00a0saiu do acampamento Apyka&#8217;i\u00a0levando nove cruzes embaixo do bra\u00e7o, simbolizando as nove pessoas Guarani e Kaiow\u00e1 que faleceram \u00e0 beira da BR-463. Todas as vezes que \u00e9 despejada, Damiana carrega junto consigo o s\u00edmbolo que lembra seus antepassados e familiares mortos, incluindo seu neto, de apenas 4 anos.<\/p>\n<p>Depois de 4 anos morando no territ\u00f3rio chamado pelos ind\u00edgenas de \u00a0&#8220;tekoh\u00e1&#8221; (terra onde se \u00e9), da tradu\u00e7\u00e3o do guarani, Damiana volta com seu povo para a beira da rodovia.<\/p>\n<p>Ind\u00edgenas no Mato Grosso do Sul<\/p>\n<p>O Mato Grosso do Sul possui pouco mais de 35 milh\u00f5es de hectares. As \u00e1reas urbanas de seus 79 munic\u00edpios somam apenas 44,1 mil hectares. Segundo dados do IBGE, os Guarani e Kaiow\u00e1s ocupam 35 mil hectares Mato Grosso do Sul. Estudos preliminares do Cimi sobre o tamanho das terras reivindicadas pelos ind\u00edgenas apontam que estas n\u00e3o ultrapassam 900 mil hectares. Isto \u00e9, menos de 2,5% do territ\u00f3rio do estado.<\/p>\n<p>Com informa\u00e7\u00f5es do Conselho Indigenista Mission\u00e1rio (Cimi)<\/p>\n<p>Foto: Cacique Damiana Cavanha saiu do acampamento levando cruzes representando mortos ind\u00edgenas v\u00edtimas da precaridade da situa\u00e7\u00e3o do seu povo \/ Comit\u00ea de Defesa Ind\u00edgena de Dourados<\/p>\n<p>https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2016\/07\/06\/familias-guarani-e-kaiowa-sao-desalojadas-sem-ordem-judicial-em-dourados-ms\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Para lideran\u00e7as da regi\u00e3o, a\u00e7\u00e3o \u00e9 mais uma sinaliza\u00e7\u00e3o da estrat\u00e9gia do governo interino de reprimir povos ind\u00edgenas Juliana Gon\u00e7alves (SP) e Karina \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11546\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[163],"tags":[],"class_list":["post-11546","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-movimento-indigena"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-30e","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11546","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11546"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11546\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11546"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11546"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11546"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}