{"id":11576,"date":"2016-07-13T16:26:09","date_gmt":"2016-07-13T19:26:09","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=11576"},"modified":"2016-08-02T00:59:22","modified_gmt":"2016-08-02T03:59:22","slug":"professora-da-rede-publica-e-afastada-ao-abordar-marx-em-sala-de-aula","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11576","title":{"rendered":"Professora da rede p\u00fablica \u00e9 afastada ao abordar Marx em sala de aula"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/farm8.staticflickr.com\/7103\/27562288894_b29e3350e8_z.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/>Caso fomenta o debate sobre o projeto \u201cEscola sem partido\u201d, discutido nacionalmente no Legislativo<\/p>\n<p>Camilla Hoshino<\/p>\n<p>Curitiba (PR), 08 de Julho de 2016 \u00e0s 16:15<!--more--><\/p>\n<p>Parodia &#8220;Karl Marx \u00e9 baile de favela&#8221;, feita por estudantes do Col\u00e9gio Estadual Prof\u00aa Maria Gai Grendel, viralizou na internet e foi alvo de ataques de blogs e sites da direita. \/ Flickr Fl\u00e1vio Arns<\/p>\n<p>Em menos de 24 horas, um v\u00eddeo publicado nas redes sociais por uma professora de sociologia da rede p\u00fablica do Paran\u00e1 obteve mais de 150 mil visualiza\u00e7\u00f5es e virou alvo de ataques por blogs e sites da direita. Na grava\u00e7\u00e3o, alunos do primeiro ano do ensino m\u00e9dio, do Col\u00e9gio Estadual Prof\u00aa Maria Gai Grendel, do bairro Caximba, na regi\u00e3o sul de Curitiba, cantam uma par\u00f3dia com o funk \u201cbaile de favela\u201d. O protagonista da nova letra, no entanto, \u00e9 um te\u00f3rico que tem causado pol\u00eamicas no Legislativo nacional, estadual e municipal: Karl Marx.<\/p>\n<p>\u201cOs burgueses n\u00e3o moram na favela\/ Est\u00e3o nas empresas explorando a galera\/ E os prolet\u00e1rios, o sal\u00e1rio \u00e9 uma mis\u00e9ria\/ Essa \u00e9 a mais-valia, vamos acabar com ela\u201d, dizem os versos da par\u00f3dia \u201cKarl Marx \u00e9 baile de favela\u201d, que resgata temas e an\u00e1lises abordadas em sala de aula.<\/p>\n<p>De acordo com a professora Gabriela, acusada pelo colunista Rodrigo Constantino de promover \u201cdoutrina\u00e7\u00e3o marxista\u201d, ela estava incentivando os estudantes a compreender melhor os te\u00f3ricos da sociologia, como \u00c9mile Durkheim, Karl Marx, Erving Goffman, entre outros autores previstos nas diretrizes curriculares. \u201c\u00cdamos come\u00e7ar a estudar Max Weber\u201d, conta.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a repercuss\u00e3o do v\u00eddeo, Gabriela foi afastada pela diretoria do col\u00e9gio, que alegou exposi\u00e7\u00e3o dos alunos e \u201cdifama\u00e7\u00e3o\u201d da institui\u00e7\u00e3o. Em resposta, dezenas de estudantes se manifestaram pela volta da professora e iniciaram a campanha \u201c#VoltaGabi\u201d. \u201cO que ela fez de errado em ensinar a realidade para n\u00f3s?\u201d, escreveu uma aluna em rede social.<\/p>\n<p>Na \u00faltima quarta-feira (6), os estudantes organizaram um protesto no col\u00e9gio, imprimiram c\u00f3pias da letra da par\u00f3dia e cantaram durante o intervalo. Segundo informa\u00e7\u00f5es de um dos organizadores, que n\u00e3o quis se identificar por medo de repres\u00e1lia, participaram aproximadamente 180 alunos. \u201cCome\u00e7amos a gravar a manifesta\u00e7\u00e3o, os alunos gritavam \u2018volta Gabi\u2019 e os funcion\u00e1rios do col\u00e9gio quiseram tomar os celulares, mandando todo mundo apagar as imagens. Logo depois de uma confus\u00e3o com um estudante que discordava da a\u00e7\u00e3o, a diretoria chamou a patrulha e vieram tr\u00eas viaturas da Rotam. Entram no col\u00e9gio com escopeta e tudo\u201d, descreve.<\/p>\n<p><strong> \u201cLei da Morda\u00e7a\u201d<\/strong><\/p>\n<p>O caso da professora de sociologia afastada fomenta o debate sobre a implementa\u00e7\u00e3o da proposta \u201cEscola Sem Partido\u201d, que inspira atualmente tr\u00eas projetos de lei na C\u00e2mara dos Deputados. Um deles, o PL 1411\/2015, apresentado pelo deputado Rog\u00e9rio Marinho (PSDB\/RN), tipifica o crime de \u201cass\u00e9dio ideol\u00f3gico\u201d em sala de aula, prevendo penas de at\u00e9 um ano de pris\u00e3o, al\u00e9m de multas aos professores. Entre as justificativas para a aplica\u00e7\u00e3o do programa nas diretrizes e bases do sistema nacional est\u00e1 a de que professores e autores de livros did\u00e1ticos estariam se aproveitando da \u201caudi\u00eancia cativa dos alunos\u201d para promover determinadas correntes pol\u00edticas e ideol\u00f3gicas, contr\u00e1rias \u00e0quilo que \u00e9 ensinado dentro do ambiente familiar.<\/p>\n<p>Em audi\u00eancia p\u00fablica no Senado, realizada na \u00faltima quarta-feira (6), o ministro interino da Educa\u00e7\u00e3o, Mendon\u00e7a Filho, se posicionou contr\u00e1rio aos projetos de lei, alegando que a liberdade de express\u00e3o garante o acesso a todas as correntes de pensamento.<\/p>\n<p>Apesar disso, os tr\u00eas projetos de lei- entre eles os PL 861\/2015 e PL 867\/2015, apresentados pelo deputado Izalci Lucas Ferreira (PSDB-DF)-, continuam incentivando a aplica\u00e7\u00e3o do programa \u201cEscola Sem Partido\u201d em 11 estados e em c\u00e2maras municipais, como no Rio de Janeiro. No Paran\u00e1, a proposta que ficou conhecida como \u201cLei da Morda\u00e7a\u201d, apresentada em outubro de 2015 na Assembleia Legislativa pelo deputado Pastor Gilson de Souza (PSC), l\u00edder da bancada evang\u00e9lica, foi derrubada. O texto previa puni\u00e7\u00e3o para professores que expressassem suas opini\u00f5es pol\u00edticas, ideol\u00f3gicas e religiosas, e proibia a veicula\u00e7\u00e3o de conte\u00fados sobre quest\u00f5es de g\u00eanero em sala.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do doutor em Educa\u00e7\u00e3o e professor da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (Ufscar), Ant\u00f4nio Fernando Gouv\u00eaa da Silva, o \u201cEscola Sem Partido\u201d \u00e9 uma proposta autorit\u00e1ria, defendida por grupos que tamb\u00e9m se posicionam politicamente. \u201cToda a a\u00e7\u00e3o humana tem sempre uma inten\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso perceber que n\u00e3o h\u00e1 neutralidade no ato educativo, como n\u00e3o h\u00e1 neutralidade em nenhuma a\u00e7\u00e3o humana\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Para Gouv\u00eaa da Silva, o modelo de educa\u00e7\u00e3o do \u201cEscola Sem Partido\u201d prop\u00f5e apenas a forma\u00e7\u00e3o de pessoas para o mercado de trabalho e n\u00e3o estimula o pensamento cr\u00edtico dos estudantes. \u201cUma escola que \u00e9 ap\u00e1tica, passiva ou que muitas vezes estimula preconceitos raciais, sociais ou em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o de g\u00eanero, que desqualifica alguns cidad\u00e3os em detrimento de outros, essa escola n\u00e3o \u00e9 sem partido, ela j\u00e1 tem um partido, s\u00f3 que ela n\u00e3o assume o papel pol\u00edtico que ela exerce\u201d, questiona.<\/p>\n<p><b>Polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica<\/b><\/p>\n<p>A hostilidade em rela\u00e7\u00e3o ao caso do Col\u00e9gio Estadual Prof\u00aa Maria Gai Grendel e a outros professores do estado pode ser interpretada dentro de um contexto mais amplo, caracterizado pela polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica associada \u00e0 intoler\u00e2ncia que surge ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es de 2014. Essa \u00e9 a opini\u00e3o do doutor em Ci\u00eancia Politica e professor da Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR), Alexsandro Eugenio Pereira. \u201cAs rea\u00e7\u00f5es contra os professores que lecionam Marx mostram os efeitos dessa intoler\u00e2ncia sem sentido e sem prop\u00f3sito. Se voc\u00ea tiver oportunidade de coletar depoimentos dos pais, ver\u00e1 como eles associam Marx \u00e0 doutrina\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica e ao PT, como se Marx, socialismo e PT fossem uma coisa s\u00f3\u201d, comenta.<\/p>\n<p>Segundo Pereira, lecionar Marx nas disciplinas de Sociologia e Hist\u00f3ria nas escolas \u00e9 tratar de um conte\u00fado obrigat\u00f3rio, mas que pode ser mal interpretado. \u201cMarx \u00e9 um te\u00f3rico importante das Ci\u00eancias Sociais, mas tamb\u00e9m um pensador cujas ideias tiveram enorme repercuss\u00e3o no s\u00e9culo XX. Suas ideias influenciaram as revolu\u00e7\u00f5es socialistas e sua cr\u00edtica ao capitalismo serve de refer\u00eancia para os movimentos sociais que lutam contra a desigualdade, a explora\u00e7\u00e3o do trabalho, a mis\u00e9ria, etc.\u201d, explica.<\/p>\n<p>https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2016\/07\/08\/professora-da-rede-publica-e-afastada-ao-abordar-marx-em-sala-de-aula\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Caso fomenta o debate sobre o projeto \u201cEscola sem partido\u201d, discutido nacionalmente no Legislativo Camilla Hoshino Curitiba (PR), 08 de Julho de 2016 \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11576\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[60],"tags":[],"class_list":["post-11576","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c71-educacao"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-30I","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11576","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11576"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11576\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11576"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11576"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11576"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}