{"id":11597,"date":"2016-07-16T23:26:33","date_gmt":"2016-07-17T02:26:33","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=11597"},"modified":"2016-08-02T01:00:20","modified_gmt":"2016-08-02T04:00:20","slug":"como-o-sul-pagou-pelas-crises-do-norte-e-pela-sua-propria-submissao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11597","title":{"rendered":"Como o sul pagou pelas crises do norte e pela sua pr\u00f3pria submiss\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.odiario.info\/b2-img\/AUTORESERICTOUSSAINT1_01.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>Eric Toussaint*<\/p>\n<p>Como os portugueses hoje bem sabem as crises da d\u00edvida da periferia est\u00e3o ligadas \u00e0s crises que surgem nos mais poderosos pa\u00edses e s\u00e3o utilizadas para subordinar os pa\u00edses mais fracos.<!--more--><\/p>\n<p>O texto que hoje apresentamos de Eric Toussaint \u00e9 uma perspetiva hist\u00f3rica da crise da d\u00edvida dos pa\u00edses da \u00abperiferia\u00bb desde o s\u00e9culo XIX ao s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p>Este texto \u00e9 uma introdu\u00e7\u00e3o a uma s\u00e9rie de 6 artigos que tratam da \u00abd\u00edvida como um instrumento de subordina\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina\u00bb, em tudo id\u00eantico ao que est\u00e1 a acontecer aos pa\u00edses do sul da Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>N\u00e3o sendo regra, resistir e derrotar a press\u00e3o dos pa\u00edses imperialistas n\u00e3o foi tarefa imposs\u00edvel, como veremos neste estudo.<\/p>\n<p>A partir dos anos 1820, os governos dos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, rec\u00e9m-sa\u00eddos das guerras de independ\u00eancia, lan\u00e7aram-se numa onda de empr\u00e9stimos. Os banqueiros europeus procuravam avidamente oportunidades para endividar estes novos estados, porque isso era extremamente ben\u00e9fico para eles [1]. Inicialmente, estes empr\u00e9stimos serviram ao esfor\u00e7o de guerra para garantir e refor\u00e7ar a independ\u00eancia. Na d\u00e9cada de 1820, os empr\u00e9stimos estrangeiros assumiram a forma de t\u00edtulos de d\u00edvida emitidos por Estados por meio de banqueiros ou corretores de bolsa em Londres. Ent\u00e3o, a partir da d\u00e9cada de 1830, atra\u00eddos pelos altos rendimentos, os banqueiros franceses tornaram-se muito activos e entraram em concorr\u00eancia com o centro financeiro de Londres. No decorrer das d\u00e9cadas seguintes outros centros financeiros entraram na competi\u00e7\u00e3o: Frankfurt, Berlim, Antu\u00e9rpia, Amesterd\u00e3o, Mil\u00e3o, Viena\u2026 A forma utilizada pelos banqueiros para emprestar aos Estados limitava os riscos a que estavam expostos porque em caso de suspens\u00e3o de pagamento da d\u00edvida, os obrigacionistas eram os diretamente afetados. Teria sido diferente se os banqueiros tivessem emprestado directamente aos estados [2]. No entanto, quando estes banqueiros adquiriam eles pr\u00f3prios uma parte dos t\u00edtulos vendidos ou vendidos por outros banqueiros, tinham dificuldades no caso de n\u00e3o pagamento. Al\u00e9m disso, a exist\u00eancia de um mercado de t\u00edtulos ao portador permitia aos banqueiros efectuar m\u00faltiplas manipula\u00e7\u00f5es que lhes permitiam um alto rendimento.<\/p>\n<div>\n<p>O recurso ao financiamento externo revelou-se contraproducente para os pa\u00edses em causa, em particular, porque esses empr\u00e9stimos eram contratados com condi\u00e7\u00f5es muito favor\u00e1veis para os credores. As suspens\u00f5es de pagamentos eram numerosas e levaram a retalia\u00e7\u00f5es pelos pa\u00edses credores que utilizaram em v\u00e1rias ocasi\u00f5es a interven\u00e7\u00e3o armada para obter o reembolso. As reestrutura\u00e7\u00f5es de d\u00edvidas serviam normalmente os interesses dos credores e das grandes pot\u00eancias que os apoiavam e fizeram entrar os pa\u00edses devedores num c\u00edrculo vicioso de endividamento, depend\u00eancia e \u00abdesenvolvimento do subdesenvolvimento\u00bb, para usar uma express\u00e3o do economista Andr\u00e9 Gunder Frank [3].<\/p>\n<p>A arma da d\u00edvida foi usada como um meio de press\u00e3o e subordina\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses endividados. Tal como sublinhou Rosa Luxemburgo em 1913, os empr\u00e9stimos \u00abs\u00e3o o meio mais seguro para os velhos pa\u00edses capitalistas manterem sob a sua tutela os jovens pa\u00edses, para controlar as suas finan\u00e7as e exercer press\u00e3o sobre a sua pol\u00edtica exterior, aduaneira e comercial\u00bb [4].<\/p>\n<p>Felizmente, o M\u00e9xico, em duas ocasi\u00f5es, saiu de forma vitoriosa do confronto com os seus credores (em 1867 sob a presid\u00eancia de Benito Juarez e, mais tarde, na onda da revolu\u00e7\u00e3o mexicana liderada por Emiliano Zapata e Pancho Villa, que ordenou a suspens\u00e3o da d\u00edvida em 1914). O Brasil tamb\u00e9m enfrentou com sucesso os seus credores, entre 1933 e 1943, bem como o Equador em 2007-2009, sem esquecer Cuba no que respeita ao Clube de Paris de 1962. Quando se prepara uma nova crise da d\u00edvida na Am\u00e9rica Latina, \u00e9 fundamental retirar ensinamentos dos \u00faltimos s\u00e9culos N\u00e3o fazer isso \u00e9 condenar-se a reviver as trag\u00e9dias do passado.<\/p>\n<p><b>A d\u00edvida externa como arma de domina\u00e7\u00e3o e subordina\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>O uso de d\u00edvida externa como arma de domina\u00e7\u00e3o desempenhou um papel fundamental nas pol\u00edticas imperialistas das principais pot\u00eancias capitalistas ao longo do s\u00e9culo XIX e continua do s\u00e9culo XXI, sob formas que evolu\u00edram. A Gr\u00e9cia, desde o seu nascimento nos anos de 1820-1830, foi completamente submetida aos ditames das pot\u00eancias credoras (especialmente Gr\u00e3-Bretanha e Fran\u00e7a) [5]. O Haiti, que se tinha libertado da Fran\u00e7a durante a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa e tinha proclamado a independ\u00eancia em 1804, foi novamente submetido aquele pa\u00eds em 1825 por causa da d\u00edvida [6]. Atun\u00edsia, endividada, foi invadida pela Fran\u00e7a em 1881 e transformada em um protetorado-col\u00f3nia [7]. O mesmo destino foi imposto ao Egipto pela Gr\u00e3-Bretanha em 1882 [8]. O Imp\u00e9rio Otomano, a partir de 1881, foi submetido directamente aos credores (Gr\u00e3-Bretanha, Fran\u00e7a, Alemanha, It\u00e1lia\u2026) [9], o que acelerou o seu estouro. A China, no s\u00e9culo XIX, foi for\u00e7ada pelos credores a fazer concess\u00f5es territoriais e abrir totalmente o seu mercado. O R\u00fassia czarista, altamente endividada, tamb\u00e9m poderia ter-se tornado presa das pot\u00eancias credoras se a revolu\u00e7\u00e3o bolchevique n\u00e3o tivesse levado em 1917-1918 \u00e0 rejei\u00e7\u00e3o unilateral das d\u00edvidas.<\/p>\n<p>Das diferentes pot\u00eancias perif\u00e9ricas [10] que poderiam potencialmente aceder ao papel das pot\u00eancias capitalistas imperialistas na segunda metade do s\u00e9culo XIX, ou seja, o Imp\u00e9rio Otomano, o Egipto, o Imp\u00e9rio Russo, a China e o Jap\u00e3o, apenas a \u00faltima conseguiu a muta\u00e7\u00e3o [11]. Na verdade, o Jap\u00e3o n\u00e3o recorreu praticamente ao endividamento externo para realizar um desenvolvimento econ\u00f3mico significativo e se tornar uma pot\u00eancia capitalista imperialista na segunda metade do s\u00e9culo XIX. O Jap\u00e3o experimentou um grande desenvolvimento capitalista aut\u00f3nomo, como resultado das reformas do per\u00edodo Meiji (iniciado em 1868). Importou as t\u00e9cnicas de produ\u00e7\u00e3o mais avan\u00e7adas de ent\u00e3o, enquanto impedia a penetra\u00e7\u00e3o financeira estrangeira no seu territ\u00f3rio, recusando-se a recorrer a empr\u00e9stimos estrangeiros no pa\u00eds e suprimindo os obst\u00e1culos \u00e0 circula\u00e7\u00e3o de capital aut\u00f3ctone. No final do s\u00e9culo XIX, o Jap\u00e3o passou de uma autarquia secular a uma expans\u00e3o imperialista vigorosa. \u00c9 claro que a aus\u00eancia de d\u00edvida externa n\u00e3o foi o \u00fanico factor que permitiu ao Jap\u00e3o saltar para um desenvolvimento capitalista vigoroso e levar a cabo uma pol\u00edtica externa agressiva, elevando-se ao n\u00edvel das grandes pot\u00eancias imperialistas. Outros fatores, que seria demasiado longo elencar aqui actuaram igualmente, mas, obviamente, a aus\u00eancia de d\u00edvida externa desempenhou um papel fundamental [12].<\/p>\n<p>Em contraste, a China, que at\u00e9 a d\u00e9cada de 1830 realizava um desenvolvimento muito importante e constitu\u00eda uma pot\u00eancia econ\u00f3mica de primeiro n\u00edvel [13], ao recorrer a empr\u00e9stimos externos permitiu \u00e0s pot\u00eancias europeias e aos Estados Unidos marginaliz\u00e1-la gradualmente e submet\u00ea-la progressivamente. Aqui tamb\u00e9m estiveram envolvidos outros fatores, tais como as guerras impostas pela Gr\u00e3-Bretanha e a Fran\u00e7a para impor o livre com\u00e9rcio e as exporta\u00e7\u00f5es de \u00f3pio for\u00e7adas \u00e0 China, mas a d\u00edvida externa e as suas consequ\u00eancias desastrosas desempenharam um papel muito importante. Na verdade, para pagar os empr\u00e9stimos estrangeiros, a China teve que sacrificar concess\u00f5es territoriais e portu\u00e1rias a pot\u00eancias estrangeiras. Rosa Luxemburgo menciona, entre os m\u00e9todos utilizados pelo Ocidente para dominar a China o \u00absistema da d\u00edvida p\u00fablica, empr\u00e9stimos europeus, controle financeiro europeu, com o resultado da ocupa\u00e7\u00e3o das fortalezas chinesas, a abertura for\u00e7ada de portos francos e a concess\u00e3o ferrovi\u00e1ria, obtidos sob a press\u00e3o dos capitalistas europeus\u00bb [14]. Joseph Stiglitz, quase um s\u00e9culo depois de Rosa Luxemburgo, tamb\u00e9m se refere a isso na sua obra<i>\u00a0A grande decep\u00e7\u00e3o<\/i>.<\/p>\n<p><b>A crise da d\u00edvida externa na Am\u00e9rica Latina do s\u00e9culo XIX ao s\u00e9culo XXI<\/b><\/p>\n<p>Desde a independ\u00eancia, em 1820, os pa\u00edses latino-americanos conheceram quatro crises de d\u00edvida.<\/p>\n<p>A primeira foi declarada em 1826, produzida pela primeira grande crise capitalista internacional que come\u00e7ou em Londres em dezembro de 1825. Esta crise da d\u00edvida durou at\u00e9 os anos 1840-1850.<\/p>\n<p>A segunda come\u00e7ou em 1876 e terminou no in\u00edcio do s\u00e9culo XX [15].<\/p>\n<p>A terceira come\u00e7ou em 1931 como uma extens\u00e3o da crise que eclodiu em 1929 nos Estados Unidos. Ela terminou no final dos anos 1940.<\/p>\n<p>A quarta rebentou em 1982 ligada \u00e0s decis\u00f5es tomadas pela Reserva Federal dos Estados Unidos em termos de taxas de juro, combinadas com a queda dos pre\u00e7os das mat\u00e9rias-primas. Esta quarta crise terminou em 2003-2004, quando o aumento dos pre\u00e7os das mat\u00e9rias-primas aumentou consideravelmente o rendimento das divisas. A Am\u00e9rica Latina tamb\u00e9m se aproveitou de taxas de juros internacionais que ca\u00edram drasticamente como resultado das decis\u00f5es do FED, seguida pelo BCE e o Banco da Inglaterra a partir da crise banc\u00e1ria no Norte, que come\u00e7ou em 2008-2009.<\/p>\n<p>Prepara-se uma quinta crise como consequ\u00eancia da queda acentuada dos pre\u00e7os das mat\u00e9rias-primas, que come\u00e7ou em 2013-2014, e da evolu\u00e7\u00e3o da economia das principais pot\u00eancias imperialistas &#8211; que hoje incluem China (perspectiva de taxas crescentes de juros determinada pelo FED, explos\u00e3o da bolha do mercado de a\u00e7\u00f5es\u2026 causando uma repatria\u00e7\u00e3o de capitais para os Estados Unidos, Europa e talvez China). A crise, que j\u00e1 afeta totalmente Puerto Rico ]16] \u00e9 um pren\u00fancio, mas s\u00e3o especialmente a Venezuela e a Argentina, que est\u00e3o em risco de, quando uma nova crise estourar, sofrer com grande amplitude, com a particularidade de que uma parte de sua d\u00edvida \u00e9 subscrita com a China, novo actor maior na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>As origens destas crises e os momentos em que rebentam est\u00e3o intimamente relacionadas com o ritmo da economia mundial e, especialmente, a dos pa\u00edses mais industrializados. Cada crise da d\u00edvida foi precedida por uma fase de sobreaquecimento da economia dos pa\u00edses industrializados do Centro, no decurso da qual houve superabund\u00e2ncia do capital, parte do qual foi reciclada nas economias da Periferia. As fases preparat\u00f3rias da eclos\u00e3o da crise, durante a qual a d\u00edvida cresce fortemente, correspondem ao final de cada longo ciclo expansivo dos pa\u00edses mais industrializados, excepto neste caso, porque, desta vez, n\u00e3o pode falar de longo ciclo expansivo, salvo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 China (e outros BRICS). A crise \u00e9 geralmente causada por fatores externos aos pa\u00edses perif\u00e9ricos endividados: uma recess\u00e3o ou crash financeiro atacando uma ou mais das principais economias industrializadas, uma mudan\u00e7a de pol\u00edtica na taxa de juros decidida pelos bancos centrais das grandes pot\u00eancias do momento.<\/p>\n<p>O que foi dito acima est\u00e1 em desacordo com a narra\u00e7\u00e3o das crises que domina o pensamento hist\u00f3rico-econ\u00f3mico [17] e ve\u00edculado pela m\u00e9dia e governos. De acordo com a narrativa dominante, a crise que eclodiu em Londres, em dezembro de 1825, e se espalhou para outras pot\u00eancias capitalistas, resultou do sobre-endividamento dos Estados latino-americanos; a dos anos 1870, do sobre-endividamento da Am\u00e9rica Latina, do Egipto e do Imp\u00e9rio Otomano; a da d\u00e9cada de 1890 que quase causou a fal\u00eancia de um dos principais bancos brit\u00e2nicos, do endividamento da Argentina; a dos anos de 2010, do endividamento da Gr\u00e9cia e, mais genericamente dos \u00abPIGS\u00bb (Portugal, Irlanda, Gr\u00e9cia, Espanha).<\/p>\n<p><b>As crises da d\u00edvida e as ondas longas da economia capitalista internacional<\/b><\/p>\n<p>H\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o entre o estouro dessas quatro crises e as ondas longas do capitalismo. As ondas longas do desenvolvimento capitalista desde o in\u00edcio do s\u00e9culo XIX foram analisadas por v\u00e1rios autores, incluindo Ernest Mandel que forneceram um contributo substancial, nomeadamente quanto ao impacto do factor pol\u00edtico sobre o desenvolvimento e o resultado das ondas longas, contribui\u00e7\u00e3o que continua sem ser conclu\u00edda [18]. Ernest Mandel prop\u00f5e a data\u00e7\u00e3o seguinte para as ondas longas desde o final do s\u00e9culo XVIII ao in\u00edcio do s\u00e9culo XX [19]:<\/p>\n<p>\u2022 forte crescimento a partir de 1793 terminando na grande crise de 1825<br \/>\n\u2022 crescimento lento em 1826-1847 com a forte crise em 1846-1847<br \/>\n\u2022 forte crescimento 1848-1873, com forte crise em 1873<br \/>\n\u2022 crescimento lento em 1874-1893 com a crise banc\u00e1ria em 1890-1893<br \/>\n\u2022 forte crescimento de 1894-1913\u2026<\/p>\n<p>As fases de expans\u00e3o forte, bem como as fases de expans\u00e3o lenta, s\u00e3o subdivididas em ciclos mais curtos que variam de 7 a 10 anos e acabam em crise.<\/p>\n<p>Depois de um crash financeiro da Bolsa de Londres em 1825, a primeira crise moderna da superprodu\u00e7\u00e3o de mercadorias (1826) abre o caminho para uma longa onda de crescimento lento (1826-1847) e a primeira crise da d\u00edvida na Am\u00e9rica Latina (que come\u00e7a em 1826-1827).<\/p>\n<p>A segunda crise eclodiu em 1873 como resultado de um crash na bolsa de Viena seguido por outro em Nova York. Segue-se uma longa depress\u00e3o nas economias industrializadas de 1873 a 1893 e a crise da d\u00edvida na Am\u00e9rica Latina na d\u00e9cada 1870.<\/p>\n<p>Como resultado da crise de Wall Street, em 1929, a depress\u00e3o da d\u00e9cada de 1930 na economia global leva \u00e0 crise da d\u00edvida na Am\u00e9rica Latina que eclodiu ao mesmo tempo, mas levando a um cen\u00e1rio diferente do da crise anterior. De facto, como resultado, em especial, da decis\u00e3o de n\u00e3o pagar a d\u00edvida por catorze pa\u00edses africanos, a crise da d\u00edvida conduz a um boom industrial de longa dura\u00e7\u00e3o nos principais pa\u00edses (em particular Brasil e M\u00e9xico) em contradi\u00e7\u00e3o com a crise dos pa\u00edses do Centro.<\/p>\n<p>A quarta crise que come\u00e7ou em 1982 foi causada pelo efeito combinado da segunda recess\u00e3o econ\u00f3mica global (1980-1982) do p\u00f3s-guerra, da queda dos pre\u00e7os das mat\u00e9rias-primas (que est\u00e1 ligado a essa recess\u00e3o) e da subida das taxas de juro decididas pela Reserva Federal dos Estados Unidos em 1979.<\/p>\n<p><b>As quatro primeiras crises duraram 15 a 30 anos. A quinta est\u00e1 em prepara\u00e7\u00e3o. Afectaram o conjunto dos Estados independentes da Am\u00e9rica Latina e do Caribe, quase sem excep\u00e7\u00e3o.<\/b><\/p>\n<p>No decorrer dessas crises, eram frequentes as suspens\u00f5es de pagamento da d\u00edvida. Entre 1826 e 1850, durante a primeira crise, a maioria dos pa\u00edses suspendeu o seu pagamento. Em 1876, onze pa\u00edses latino-americanos tinham suspendido o pagamento. Em 1930, onze pa\u00edses do continente decretaram uma morat\u00f3ria. Entre 1982 e 2003, M\u00e9xico, Bol\u00edvia, Peru, Equador, Brasil, Argentina, Cuba e outros, suspenderam o reembolso em algum momento, por um per\u00edodo de v\u00e1rios meses ou v\u00e1rios anos. A suspens\u00e3o decretada pela Argentina entre o fim de 2001 e Mar\u00e7o de 2005, num montante de cerca de 90.000 milh\u00f5es de d\u00f3lares permitiu um crescimento econ\u00f3mico sustentado.<\/p>\n<p>Na maioria dos casos, as suspens\u00f5es de pagamentos s\u00e3o seguidas por reestrutura\u00e7\u00f5es da d\u00edvida favor\u00e1veis aos interesses dos credores. Os exemplos de estados perif\u00e9ricos que vitoriosamente repudiam as suas d\u00edvidas s\u00e3o muito raros, mas existem. \u00c9 o caso do M\u00e9xico durante o mandato do liberal Benito Juarez, o primeiro presidente ind\u00edgena da Am\u00e9rica Latina [20]. O M\u00e9xico, que suspendeu o pagamento da d\u00edvida odiosa, em 1861, conseguiu expulsar o Corpo Expedicion\u00e1rio Franc\u00eas em 1866 ap\u00f3s quatro anos de duros combates e a imposi\u00e7\u00e3o de um imperador europeu, Maximiliano da \u00c1ustria. Em 1867, o M\u00e9xico repudiou a d\u00edvida reclamada pela Fran\u00e7a. Igualmente raros s\u00e3o os casos em que um Estado organizou uma auditoria da d\u00edvida a fim de questionar o seu pagamento. Foi o caso do Equador, em 2007-2008. Os seus exemplos s\u00e3o ricos em ensinamentos.<\/p>\n<p><b>As ondas longas na evolu\u00e7\u00e3o do capitalismo<\/b><\/p>\n<p>Vejamos o que diz Michel Husson: \u00abA teoria das ondas longas j\u00e1 tinha sido objecto do Cap\u00edtulo 4 de\u00a0<i>O capitalismo tardio<\/i>(Mandel, 1972) antes de ser desenvolvida durante uma s\u00e9rie de palestras dadas em Cambridge em 1978, o que levou \u00e0 publica\u00e7\u00e3o de<i>\u00a0The Long Waves of Capitalist Development<\/i>\u00a0em 1980 (<i>As ondas longas do desenvolvimento capitalista: uma interpreta\u00e7\u00e3o marxista<\/i>). Uma das propostas essenciais desta teoria \u00e9 que o capitalismo tem uma hist\u00f3ria, e que esta n\u00e3o obedece a um funcionamento c\u00edclico. Conduz a uma sucess\u00e3o de per\u00edodos hist\u00f3ricos, marcada por caracter\u00edsticas espec\u00edficas, que faz alternar fases expansivas e fases recessivas. Essa altern\u00e2ncia n\u00e3o \u00e9 mec\u00e2nica: n\u00e3o basta esperar 25 ou 30 anos. Se Mandel fala de onda em vez de ciclo, \u00e9 claramente porque a sua abordagem n\u00e3o est\u00e1 focalizada num esquema geralmente atribu\u00eddo &#8211; e, provavelmente, erroneamente &#8211; a Kondratieff, de movimentos regulares e alternados dos pre\u00e7os e da produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um dos aspectos importantes da teoria de ondas longas \u00e9 quebrar a simetria das inflex\u00f5es: a passagem da fase de expans\u00e3o \u00e0 fase depressiva \u00e9 \u00abend\u00f3gena, no sentido de que resulta dos mecanismos internos do sistema. Ao contr\u00e1rio, a passagem da fase depressiva para a fase de expans\u00e3o \u00e9 ex\u00f3gena, n\u00e3o autom\u00e1tica e pressup\u00f5e uma reconfigura\u00e7\u00e3o do ambiente social e institucional. A ideia-chave aqui \u00e9 que a transi\u00e7\u00e3o para a fase de expans\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um dado adquirido e exige reconstituir uma nova \u00abordem produtiva\u00bb. Isso leva tempo, e n\u00e3o h\u00e1, portanto, um ciclo semelhante ao ciclo conjuntural, cuja dura\u00e7\u00e3o pode ser relacionada com o tempo de vida do capital fixo. Esta \u00e9 a raz\u00e3o pela qual esta abordagem n\u00e3o d\u00e1 qualquer prioridade \u00e0s inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas: na defini\u00e7\u00e3o desta nova ordem de produ\u00e7\u00e3o desempenham um papel essencial as transforma\u00e7\u00f5es sociais (a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as entre capital e trabalho, o grau de socializa\u00e7\u00e3o, as condi\u00e7\u00f5es de trabalho, etc.)\u201d.<\/p>\n<p>(Ver Michel Husson:<a href=\"http:\/\/www.contretemps.eu\/lectures\/\" target=\"_blank\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?hl=pt-BR&amp;q=http:\/\/www.contretemps.eu\/lectures\/&amp;source=gmail&amp;ust=1468808246005000&amp;usg=AFQjCNGw8_zVDFHTO87pD9kof_OMOM7S2w\"> www.<wbr \/>contretemps.eu\/lectures\/<\/a>\u2026 e <a href=\"http:\/\/www.vientosur.info\/IMG\/pdf\/O\" target=\"_blank\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?hl=pt-BR&amp;q=http:\/\/www.vientosur.info\/IMG\/pdf\/O&amp;source=gmail&amp;ust=1468808246005000&amp;usg=AFQjCNFWH6s3H2LCTDCGkxKDabsE6DQJAA\">www.vientosur.info\/IMG\/<wbr \/>pdf\/O<\/a>\u2026)<\/p>\n<p><b>Adaptando um pouco a apresenta\u00e7\u00e3o cronol\u00f3gica de Ernest Mandel<\/b><\/p>\n<p><b><\/b><b>1. 1789-1848: Per\u00edodo da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial<\/b>, das grandes revolu\u00e7\u00f5es burguesas, das guerras napole\u00f3nicas e da constitui\u00e7\u00e3o do mercado mundial de bens manufaturados: fase \u201cascendente \u201d da onda 1789-1825; fase de crescimento lento 1826-1848.<\/p>\n<p><b>2. 1848-1893: Per\u00edodo do capitalismo industrial de \u201clivre concorr\u00eancia\u201d,<\/b>\u00a0com uma fase de ascens\u00e3o de 1848-1873 e uma fase de crescimento lento de 1873-1893 (longa depress\u00e3o do capitalismo de \u201clivre concorr\u00eancia\u201d).<\/p>\n<p><b>3. 1893-1913: Apogeu do imperialismo cl\u00e1ssico<\/b>\u00a0e capital financeiro. \u00c9 uma fase ascendente com crescimento forte.<\/p>\n<p><b>4. 1914-1940: Per\u00edodo de decl\u00ednio do capitalismo,<\/b>\u00a0a era da guerras inter-imperialistas, revolu\u00e7\u00f5es e contra-revolu\u00e7\u00f5es. Fase de crescimento lento, com crise de amplitude muito grande.<\/p>\n<p><b>5. Desde 1940 nos Estados Unidos e na Am\u00e9rica Latina e depois da Segunda Guerra Mundial para a Europa:<\/b>fase de crescimento forte no \u00e2mbito da terceira idade do capitalismo (capitalismo tardio), ap\u00f3s as derrotas sofridas pelo movimento oper\u00e1rio nos anos 1930. Esta fase de forte crescimento (o \u201ctrinta gloriosos\u201d de acordo com alguns autores) acaba nos Estados Unidos no final dos anos 1960 e na Europa durante os anos 1970. A partir do in\u00edcio da d\u00e9cada de 1980, entra-se numa fase de crescimento lento. A quarta crise da d\u00edvida na Am\u00e9rica Latina (e mais geralmente dos chamados pa\u00edses em desenvolvimento) come\u00e7ou em 1982.<\/p>\n<p>De acordo com Michel Husson, \u00abDesde a publica\u00e7\u00e3o do livro de Mandel, a economia mundial mudou drasticamente. Com a ascens\u00e3o dos pa\u00edses chamados \u201cemergentes\u201d, estamos testemunhando uma verdadeira \u201cmudan\u00e7a radical no mundo\u201d cuja medida pode ser tomada com a ajuda de alguns n\u00fameros. Assim, os pa\u00edses emergentes realizaram em 2012 metade das exporta\u00e7\u00f5es industriais do mundo, quando a sua participa\u00e7\u00e3o foi de apenas 30% no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990. Desde o in\u00edcio de 2000, o total da progress\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o industrial mundial foi realizada nos pa\u00edses emergentes. O capitalismo parece assim encontrar um segundo f\u00f4lego relocalizando a produ\u00e7\u00e3o em pa\u00edses que registam ganhos de produtividade significativos, e onde o n\u00edvel salarial \u00e9 muito baixo\u00bb. (\u2026)<\/p>\n<p>Reflectir sobre os \u00abvelhos\u00bb pa\u00edses capitalistas \u00abou sobre o conjunto da economia global, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o mesmo: o crescimento da produ\u00e7\u00e3o (incluindo a produ\u00e7\u00e3o industrial), os ganhos de produtividade e o desenvolvimento da classe trabalhadora est\u00e3o, desde o in\u00edcio do s\u00e9culo XXI, no Sul. H\u00e1 aqui mais que uma dessincroniza\u00e7\u00e3o que poderia ser colocada na conta de fatores espec\u00edficos\u00bb (\u2026).<\/p>\n<p>\u00abEm \u00faltima an\u00e1lise, o que \u00e9 verdadeiro para os velhos pa\u00edses capitalistas do Norte, ou seja, a incapacidade de p\u00f4r em pr\u00e1tica as bases de uma nova\u201d onda longa expansiva\u201d n\u00e3o parece totalmente aplic\u00e1vel a toda uma s\u00e9rie de pa\u00edses que reagrupam uma fra\u00e7\u00e3o significativa da popula\u00e7\u00e3o mundial. Poderia no limite, falar-se de uma onda longa expansiva a seu respeito. Se \u00e9 um modo de crescimento que aumenta as desigualdades e a barb\u00e1rie (que evoca por outro lado, o auge da Inglaterra do s\u00e9culo XIX), \u00e9 uma outra quest\u00e3o: o ponto decisivo \u00e9 que nos pa\u00edses em causa, a acumula\u00e7\u00e3o de capital e o crescimento do emprego assalariado d\u00e3o provas de um dinamismo impressionante\u00bb.<\/p>\n<p>Acrescento da minha parte que a fase de forte expans\u00e3o nos pa\u00edses emergentes (com a China \u00e0 cabe\u00e7a) e de um grande n\u00famero de pa\u00edses em desenvolvimento, mostra sinais de perda de energia ou esgotamento a partir de 2014 a 2015, enquanto as economias dos velhos pa\u00edses industrializados permanecem atoladas na continua\u00e7\u00e3o de um crescimento lento.<\/p>\n<p>Uma das ideias que este artigo adianta, \u00e9 que existe uma estreita rela\u00e7\u00e3o entre as fases de expans\u00e3o forte do capitalismo global e a acumula\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas nos pa\u00edses perif\u00e9ricos (e, neste caso, a Am\u00e9rica Latina) estimuladas em particular, pela vontade das economias capitalistas mais fortes de aumentar os fluxos de capitais para a periferia (devo salientar que temos agora que colocar a China entre as economias capitalistas mais fortes). A rota\u00e7\u00e3o da fase de crescimento forte desemboca geralmente numa crise da d\u00edvida nos pa\u00edses perif\u00e9ricos e pode-se dizer sem exagero que \u00abprovoca\u00bb uma crise da d\u00edvida. No presente per\u00edodo hist\u00f3rico, vivemos num per\u00edodo de dobragem (sem um crescimento forte nas antigas economias capitalistas) que poderia levar a uma nova crise da d\u00edvida na Am\u00e9rica Latina e outros pa\u00edses perif\u00e9ricos (na \u00c1frica e \u00c1sia), &#8211; os primeiros a ser afetados ser\u00e3o os pa\u00edses que dependem fortemente da exporta\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias-primas para pagar a sua d\u00edvida &#8211; juntando-se \u00e0 dos pa\u00edses perif\u00e9ricos no interior ou nas margens da Europa (Gr\u00e9cia, Portugal, Espanha, Irlanda, Chipre, Ucr\u00e2nia, outros pa\u00edses do ex bloco de Leste, etc.) ou da esfera dos Estados Unidos (Porto Rico d\u00e1 o exemplo).<\/p>\n<p><b>Notas:<\/b><\/p>\n<p>[1] Fizeram o mesmo com a Gr\u00e9cia em 1824-1825, concedendo dois empr\u00e9stimos de um montante igual a 100% do PIB desse pa\u00eds, que se estava formando. Ver: <a href=\"http:\/\/cadtm.org\/Grecia-nacio-con-u\" target=\"_blank\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?hl=pt-BR&amp;q=http:\/\/cadtm.org\/Grecia-nacio-con-u&amp;source=gmail&amp;ust=1468808246005000&amp;usg=AFQjCNG777oHXfIzEDtZ82R1fS4G6PGwSg\">http:\/\/cadtm.org\/Grecia-nacio-<wbr \/>con-u<\/a>\u2026<\/p>\n<p>[2] Foi o que aconteceu nos anos 1960-1970. Durante esse per\u00edodo, os banqueiros concederam empr\u00e9stimos diretamente. Quando eclodiu a crise da d\u00edvida do Terceiro Mundo, em 1982, eles livraram-se dos contratos gra\u00e7as \u00e0 interven\u00e7\u00e3o dos estados imperialistas e a dupla Banco Mundial \/ FMI que os autorizaram a regressar \u00e0 securitiza\u00e7\u00e3o da d\u00edvida como era praticada em todo do s\u00e9culo XIX at\u00e9 a d\u00e9cada de 1930. Voltaremos a isso mais adiante. Abordei a quest\u00e3o em A bolsa ou a vida de 1998, reedi\u00e7\u00e3o revista e ampliada em 2004. <a href=\"http:\/\/cadtm.org\/La-bolsa-o-la-vida\" target=\"_blank\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?hl=pt-BR&amp;q=http:\/\/cadtm.org\/La-bolsa-o-la-vida&amp;source=gmail&amp;ust=1468808246005000&amp;usg=AFQjCNExCGa_SFmYPLgPWQnCXZBraT_rUQ\">http:\/\/cadtm.org\/La-bolsa-o-<wbr \/>la-vida<\/a> e<br \/>\n<a href=\"http:\/\/bibliotecavirtual.clacso.org\" target=\"_blank\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?hl=pt-BR&amp;q=http:\/\/bibliotecavirtual.clacso.org&amp;source=gmail&amp;ust=1468808246005000&amp;usg=AFQjCNEOo7v-ZvkoAKmttklSuM-6NSPcNw\">http:\/\/bibliotecavirtual.<wbr \/>clacso.org<\/a>\u2026<\/p>\n<p>[3] Gunder Frank, Andr\u00e9. 1972. Le d\u00e9veloppement du sous-d\u00e9veloppement: l\u2019Am\u00e9rique latine, Maspero, Paris, 399 p. <a href=\"https:\/\/books.google.es\/books\/about\" target=\"_blank\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?hl=pt-BR&amp;q=https:\/\/books.google.es\/books\/about&amp;source=gmail&amp;ust=1468808246005000&amp;usg=AFQjCNH60k-x6GzYvPPh47lz48O_GKoXzA\">https:\/\/books.google.es\/books\/<wbr \/>about<\/a>. O desenvolvimento do subdesenvolvimento. IEPALA Editorial, 1992, 179 p\u00e1ginas<\/p>\n<p>[4] Rosa Luxemburgo, A Acumula\u00e7\u00e3o de Capital, Maspero, Paris, Vol II, p. 89. Em espanhol, La acumulaci\u00f3n de capital <a href=\"http:\/\/grupgerminal.org\/?q=system\/f.%7C\" target=\"_blank\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?hl=pt-BR&amp;q=http:\/\/grupgerminal.org\/?q%3Dsystem\/f.%257C&amp;source=gmail&amp;ust=1468808246005000&amp;usg=AFQjCNGnmew1c5CZxWvuh7k7Kwjx7KrDjA\">http:\/\/grupgerminal.org\/?q=<wbr \/>system\/f.|<\/a> [5] Ver <a href=\"http:\/\/cadtm.org\/Grecia-nacio-con-u\" target=\"_blank\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?hl=pt-BR&amp;q=http:\/\/cadtm.org\/Grecia-nacio-con-u&amp;source=gmail&amp;ust=1468808246005000&amp;usg=AFQjCNG777oHXfIzEDtZ82R1fS4G6PGwSg\">http:\/\/cadtm.org\/Grecia-nacio-<wbr \/>con-u<\/a>.<\/p>\n<p>[6] Sophie Perchellet, Haiti. Entre coloniza\u00e7\u00e3o, divida et domina\u00e7\u00e3o, CADTM-PAPDA, Li\u00e8ge-Porto Principe, 2010 <a href=\"http:\/\/cadtm.org\/Haiti-Entre-coloni\" target=\"_blank\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?hl=pt-BR&amp;q=http:\/\/cadtm.org\/Haiti-Entre-coloni&amp;source=gmail&amp;ust=1468808246005000&amp;usg=AFQjCNGtXA5CxGYVVU9Mb8vlrwntbChzrg\">http:\/\/cadtm.org\/Haiti-Entre-<wbr \/>coloni<\/a>\u2026 A ordenan\u00e7a do rei da Fran\u00e7a 1825 \u00abArtigo 2: Os habitantes actuais da parte francesa de Santo Domingo entregaram \u00e0 Caixa de Dep\u00f3sitos e Remessas de Fran\u00e7a em cinco parcelas iguais, de ano a ano, a primeira em 1 de Dezembro de 1825, a soma de cento e cinquenta milh\u00f5es de francos, destinado a compensar os antigos colonos que reivindicam um indemniza\u00e7\u00e3o\u00bb. Este montante foi reduzido para 90 milh\u00f5es de francos alguns anos mais tarde.<\/p>\n<p>[7] \u00abA d\u00edvida como uma ferramenta para a conquista colonial do Egipto\u00bb<br \/>\n<a href=\"http:\/\/cadtm.org\/La-deuda-como-inst\" target=\"_blank\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?hl=pt-BR&amp;q=http:\/\/cadtm.org\/La-deuda-como-inst&amp;source=gmail&amp;ust=1468808246005000&amp;usg=AFQjCNFd40FHEOiNEKDhbHcEjO5KHvEBcw\">http:\/\/cadtm.org\/La-deuda-<wbr \/>como-inst<\/a>\u2026<\/p>\n<p>[8] \u00abA Fran\u00e7a apoderou-se da Tun\u00edsia usando a d\u00edvida como arma. <a href=\"http:\/\/cadtm.org\/Francia-se-apodero\" target=\"_blank\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?hl=pt-BR&amp;q=http:\/\/cadtm.org\/Francia-se-apodero&amp;source=gmail&amp;ust=1468808246005000&amp;usg=AFQjCNGS53LHXi--2t1xDMXnoQYILNYC4Q\">http:\/\/cadtm.org\/Francia-se-<wbr \/>apodero<\/a>\u2026<\/p>\n<p>[9] Ver <a href=\"http:\/\/cadtm.org\/L-Empire-Ottoman-f\" target=\"_blank\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?hl=pt-BR&amp;q=http:\/\/cadtm.org\/L-Empire-Ottoman-f&amp;source=gmail&amp;ust=1468808246005000&amp;usg=AFQjCNGtmQkb2BAjtJPEyLEOhGnQtE3BAg\">http:\/\/cadtm.org\/L-Empire-<wbr \/>Ottoman-f<\/a>\u2026<\/p>\n<p>[10] Perif\u00e9ricas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s grandes pot\u00eancias capitalistas europeias (Gr\u00e3-Bretanha, Fran\u00e7a, Alemanha, Holanda, It\u00e1lia, B\u00e9lgica) e em rela\u00e7\u00e3o aos Estados Unidos.<\/p>\n<p>[11] Jacques Adda \u00e9 um dos autores que chamam a aten\u00e7\u00e3o para isso. Veja Jacques Adda. 1996. Mondialisation de l\u2019\u00e9conomie, tomo 1, p. 57-58.<\/p>\n<p>[12] Para saber mais sobre os diferentes factores porque n\u00e3o se deve recorrer \u00e0 d\u00edvida externa, ler Perry Anderson de 1979 O Estado absolutista (Siglo XXI Editores) sobre a transi\u00e7\u00e3o do feudalismo para o capitalismo no Jap\u00e3o. Al\u00e9m disso, Carmen M. Reinhart e Christoph Trebesch ressaltam que efectivamente o Jap\u00e3o n\u00e3o recorreu a empr\u00e9stimos externos e saiu-se melhor do que os outros. Ver Carmen M. Reinhart e Christoph Trebesch, \u201cAs armadilhas da depend\u00eancia externa: Gr\u00e9cia, 1829-2015\u2033, Brookings Papers.<\/p>\n<p>[13] Kenneth Pomeranz, que trabalha para p\u00f4r em evidencia os fatores que impediram que a China se tornasse uma das grandes pot\u00eancias capitalistas, n\u00e3o atribui import\u00e2ncia \u00e0 d\u00edvida externa, embora seja verdade que o seu estudo se concentra no per\u00edodo anterior a 1830-1840. A sua an\u00e1lise \u00e9, contudo, muito rica e sugestiva. Veja Kenneth Pomeranz (2000), A Grande Diverg\u00eancia, Princeton University Press, 2000, 382 p\u00e1ginas.<\/p>\n<p>[14] Rosa Luxemburgo, A Acumula\u00e7\u00e3o do Capital:<br \/>\n<a href=\"http:\/\/grupgerminal.org\/?q=system\/f\" target=\"_blank\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?hl=pt-BR&amp;q=http:\/\/grupgerminal.org\/?q%3Dsystem\/f&amp;source=gmail&amp;ust=1468808246006000&amp;usg=AFQjCNG2MAK5kQicyvBAsNp6bmcHFruYTQ\">http:\/\/grupgerminal.org\/?q=<wbr \/>system\/f<\/a>\u2026<\/p>\n<p>[15] No caso da Venezuela, que se recusou a pagar a sua d\u00edvida, levou a um verdadeiro teste de for\u00e7a com os imperialistas USA, alem\u00e3es, brit\u00e2nicos e franceses, que enviaram em 1902 uma frota militar multilateral para bloquear o porto de Caracas e obter, pela diplomacia das canhoneiras, o compromisso da Venezuela de retomar o pagamento das d\u00edvidas. A Venezuela acabou de pagar essa d\u00edvida em 1943. Veja Pablo Medina e al. 1996 \u201cABC da d\u00edvida externa.\u201d p. 21-22 p. 37, p. 50.<br \/>\n[16] Ver <a href=\"http:\/\/cadtm.org\/Puerto-Rico-en-lut\" target=\"_blank\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?hl=pt-BR&amp;q=http:\/\/cadtm.org\/Puerto-Rico-en-lut&amp;source=gmail&amp;ust=1468808246006000&amp;usg=AFQjCNHqbqlC9nzynDnrShzEEiQR7ZnpPw\">http:\/\/cadtm.org\/Puerto-Rico-<wbr \/>en-lut<\/a>\u2026<\/p>\n<p>[17] Ver em particular os escritos de Sismondi e Tugan Baranovsky no s\u00e9c. XIX tal como os grandes titulos da imprensa da \u00e9poca e os discursos dos governos europeus.<\/p>\n<p>[18] Mandel, Ernest, As ondas largas do desenvolvimento capitalista: uma interpreta\u00e7\u00e3o marxista. Madrid: Siglo XXI Editores, 1980\/1986. ISBN 84-33-0558-3 O livro de Ernest Mandel sobre as ondas longas pode ler-se na web em <a href=\"http:\/\/digamo.free.fr\/ondaslargas.pdf\" target=\"_blank\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?hl=pt-BR&amp;q=http:\/\/digamo.free.fr\/ondaslargas.pdf&amp;source=gmail&amp;ust=1468808246006000&amp;usg=AFQjCNENMQnA-1SeKo3VK5Es4ItNnYFLSw\">http:\/\/digamo.free.fr\/<wbr \/>ondaslargas.pdf<\/a><\/p>\n<p>[19] Ver E. Mandel , El capitalismo tardio. M\u00e9xico: Ediciones Era, 1972\/ 1979<\/p>\n<p>[20] Benito Juarez (1806-1872) era zapoteca, um dos povos nativos do M\u00e9xico (regi\u00e3o de Oaxaca)<\/p>\n<p><b>Agradecimentos:<\/b><br \/>\nO autor agradece a Brigitte Ponet, Damien Millet, Claude Qu\u00e9mar e Pierre Salama, pela sua releitura e sugest\u00f5es e a Pierre Gottiniaux pelas ilustra\u00e7\u00f5es. O autor \u00e9 inteiramente respons\u00e1vel pelos eventuais erros.<\/p>\n<p>*Professor na Universidade de Li\u00e8ge, Eric Toussaint \u00e9 porta-voz da rede internacional do Comit\u00e9 de Anula\u00e7\u00e3o da D\u00edvida do Terceiro Mundo (CADTM), que ajudou a criar.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o de Guilherme Alves Coelho<\/p>\n<p>http:\/\/www.odiario.info\/como-o-sul-pagou-pelas-crises\/<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Eric Toussaint* Como os portugueses hoje bem sabem as crises da d\u00edvida da periferia est\u00e3o ligadas \u00e0s crises que surgem nos mais poderosos \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11597\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-11597","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s10-internacional"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-313","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11597","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11597"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11597\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11597"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11597"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11597"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}