{"id":116,"date":"2009-09-21T23:49:37","date_gmt":"2009-09-21T23:49:37","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=116"},"modified":"2009-09-21T23:49:37","modified_gmt":"2009-09-21T23:49:37","slug":"brasil-e-washington-decidem-o-destino-da-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/116","title":{"rendered":"Brasil e Washington decidem o destino da Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"\n<p>2. Setembro: hora da verdade para os governos desenvolvimentistas A decis\u00e3o de que a batalha decisiva se d\u00ea em setembro foi tomada na reuni\u00e3o da UNASUR em Bariloche, quando os presidentes decidiram resolver o conflito mediante negocia\u00e7\u00f5es entre seus embaixadores e ministros de defesa, nas primeiras duas semanas de setembro. Nestas negocia\u00e7\u00f5es Obama-Bush-Uribe n\u00e3o v\u00e3o ceder nada e ent\u00e3o chegar\u00e1 a hora da verdade aos governos desenvolvimentistas. Estes s\u00f3 t\u00eam duas maneiras poss\u00edveis de reagir: aceitar a usurpa\u00e7\u00e3o militar do espa\u00e7o andino por Washington, com alguma racionaliza\u00e7\u00e3o propagand\u00edstica, ou enfrentar em bloco tal usurpa\u00e7\u00e3o. Caso aceitem a usurpa\u00e7\u00e3o militar, ficam sem credibilidade em seu discurso bolivariano e tornam-se c\u00famplices de sua futura submiss\u00e3o militar imperialista; caso n\u00e3o a aceitem, ter\u00e3o que assumir a atitude dos Libertadores. Esta \u00e9 a disjuntiva que t\u00eam que resolver na primeira quinzena de setembro, para irem preparados \u00e0s negocia\u00e7\u00f5es com Uribe; e, depois, nas \u00faltimas duas semanas de setembro, para ganhar a batalha pela ess\u00eancia moral de seu projeto e por sua credibilidade p\u00fablica.<\/p>\n<p>3. O significado pol\u00edtico-militar de Bariloche A transcendental data de setembro fica mais transparente quando se a ilustra com o seguinte cen\u00e1rio b\u00e9lico. Dois ex\u00e9rcitos, o imperial-colonialista e o patri\u00f3tico-libertador, se alistam para definir pelas armas qual dos dois projetos hist\u00f3ricos que representam prevalecer\u00e1. Antes do choque dos dois corpos armados, as suas vanguardas se encontram e decidem negociar (Bariloche). Dado que nenhuma parte cede, resolvem adiar a batalha decisiva para o m\u00eas de setembro. As primeiras duas semanas s\u00e3o de \u201cguerra fria\u201d, caracterizadas pela reuni\u00e3o dos ministros. Dado que essas reuni\u00f5es, como todo mundo sabe, n\u00e3o v\u00e3o resolver nada, porque os dois projetos s\u00e3o antag\u00f4nicos, o conflito passa \u00e0 fase \u201cquente\u201d na segunda parte de setembro; na qual cada governo ficar\u00e1 publicamente definido como proimperialista ou probolivariano.<\/p>\n<p>4. Os definidores da guerra: Washington e Brasil A transcendental decis\u00e3o que determinar\u00e1 se a P\u00e1tria Grande seguir\u00e1 sendo neocol\u00f4nia monroeista [refer\u00eancia \u00e0 Doutrina Monroe, pol\u00edtica dos EUA para os outros pa\u00edses americanos, de 1823], ou se converter\u00e1 em sujeito da pol\u00edtica mundial, ser\u00e1 resultado essencialmente entre os dois gestores preponderantes da geopol\u00edtica hemisf\u00e9rica: Estados Unidos e Brasil. A posi\u00e7\u00e3o de Washington nas futuras reuni\u00f5es, executada por um personagem interposto, o seu pe\u00e3o Uribe, n\u00e3o implica mist\u00e9rio algum. N\u00e3o far\u00e1 nenhuma concess\u00e3o real em seu modus operandi imperial, a expans\u00e3o e agress\u00e3o militarmidi\u00e1tica, porque \u00e9 o \u00fanico modo de imposi\u00e7\u00e3o mundial que lhe resta, depois de seu colapso financeiro e seu enfraquecimento pol\u00edtico. O peso da decis\u00e3o recai, ent\u00e3o, sobre o Brasil, \u00fanica for\u00e7a efetiva capaz de dar corpo aos tr\u00eas elementos da conten\u00e7\u00e3o que se requer para frear o projeto monroeista no curto tempo que resta: a Doutrina Militar Anti Monroe, o Bloco Militar de Defesa Sulamericana (BMDS) e o isolamento pol\u00edtico-econ\u00f4mico hemisf\u00e9rico de Uribe. Tal posi\u00e7\u00e3o de vanguarda seria objetivamente poss\u00edvel para o Brasil, pela debilidade estadunidense na Eur\u00e1sia e na sua economia; mas \u00e9 duvidoso que a classe dominante brasileira aceite-a, ou que Lula se atreva a implement\u00e1-la sem o respectivo apoio da elite. Existe uma alta probabilidade, ent\u00e3o, de que Bras\u00edlia preferir\u00e1 manter a absurda fic\u00e7\u00e3o legalista das \u201cgarantias jur\u00eddicas\u201d de Uribe, sustentada em Bariloche, junto com um padr\u00e3o de appeasement [contemporiza\u00e7\u00e3o, adapta\u00e7\u00e3o ao gosto dos outros por respeito ou interesse] ante a troika Uribe-Bush-Obama.<\/p>\n<p>5. Obriga\u00e7\u00e3o moral-pol\u00edtica dos presidentes progressistas Nessa fase decisiva da pol\u00edtica latinoamericana \u00e9 obriga\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e moral dos presidentes latinoamericanos Rafael Correa, Hugo Ch\u00e1vez, Ra\u00fal Castro, Evo Morales e Daniel Ortega, tratar de criar:<\/p>\n<p>a) uma Frente Unificada de Recha\u00e7o contra o projeto Uribe-Bush-Obama entre eles e os presidentes latinoamericanos vacilantes (Lula), invis\u00edveis (Tabar\u00e9 V\u00e1squez) e d\u00e9beis (Cristina Kirchner, Fernando Lugo), e,<\/p>\n<p>b) aproximar-se aos movimentos de massas para conscientiz\u00e1-los e mobiliz\u00e1-los sobre esta conjuntura particularmente perigosa da luta de liberta\u00e7\u00e3o. 6. A incompreens\u00edvel aus\u00eancia de Hugo Ch\u00e1vez Nesta acelerada din\u00e2mica de acumula\u00e7\u00e3o de for\u00e7as antag\u00f4nicas entre monroeistas e bolivarianos \u00e9 incompreens\u00edvel que o Presidente Hugo Ch\u00e1vez se ausente da Am\u00e9rica Latina de 31 de agosto a 11 de setembro, em lugar de jogar um papel protag\u00f4nico na mobiliza\u00e7\u00e3o das massas e dos governos cr\u00edticos antes da reuni\u00e3o dos ministros de defesa e embaixadores da UNASUR. N\u00e3o recorda o Presidente a li\u00e7\u00e3o do referendo de dezembro de 2007, quando encarregou a mobiliza\u00e7\u00e3o deste a uma equipe escolhida por ele, para ausentar-se, ficando na Eur\u00e1sia, com o resultado de ter perdido o referendo? Nem est\u00e1 consciente do que dizem os seus ministros entre si? De que a contrarrevolu\u00e7\u00e3o elaborou longas listas com dezenas de milhares de bolivarianos que querem matar e fazer desaparecer caso regressem ao poder.<\/p>\n<p>7. O papel dos povos e intelectuais O papel dos movimentos sociais, pol\u00edticos e intelectuais da Am\u00e9rica Latina, nesta conjuntura, \u00e9 de suma import\u00e2ncia. Teriam que pressionar publicamente aos governos locais vacilantes, em primeiro lugar o governo brasileiro, para enfrentar o perigo olig\u00e1rquico-imperial com um programa concreto de patriotismo e dignidade latinoamericana. Dado que as bases militares na Col\u00f4mbia e a ditadura militar em Honduras s\u00e3o uma quest\u00e3o de vida ou morte para os povos, que oferecer\u00e3o os mortos se triunfar a contrarrevolu\u00e7\u00e3o, e dado tamb\u00e9m que a pol\u00edtica n\u00e3o se faz por amor e mediante o humanismo, mas sim por interesses e poder, os movimentos sociais devem usar a sua for\u00e7a frente aos governos desenvolvimentistas. De que forma? Fazendo-os entender que o seu futuro apoio a estes governos depende do papel que vir\u00e3o a assumir nesta batalha sulamericana do ano de 2009. Que os movimentos assumam esta posi\u00e7\u00e3o de sujeitos pol\u00edticos solid\u00e1rios, por\u00e9m aut\u00f4nomos, n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil, porque as ilus\u00f5es de um triunfalismo bruto promovido com grande for\u00e7a por alguns governos locais e seus intelectuais cortes\u00e3os \u2013 tanto individuais como coletivos (jornais, tv, portais de Internet) \u2013 e a falta de forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica sistem\u00e1tica das organiza\u00e7\u00f5es de massas, assim como a simbiose entre movimentos de massas e intelectuais do Estado com os governos desenvolvimentistas, t\u00eam atrasado o nascimento de uma vanguarda latinoamericana que possa assumir essa tarefa vital nesse vital m\u00eas de setembro.<\/p>\n<p>&#8220;Dos esfor\u00e7os de hoje depende a sorte da Am\u00e9rica do Sul\u201d, dizia o Grande Marechal Antonio Jos\u00e9 de Sucre \u00e0s suas tropas em Ayacucho, no dia 9 de dezembro de 1824. Hoje, ante o Ayacucho de 2009, \u00e9 t\u00e3o vigente esta consigna como h\u00e1 dois s\u00e9culos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Por Heinz Dieterich &#8211; M\u00e9xico\n1. O \u00e1rbitro da pol\u00edtica \u00e9 o militar O \u00faltimo \u00e1rbitro de todo conflito pol\u00edtico \u00e9 o poder militar. A prepara\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica do uso da for\u00e7a b\u00e9lica \u00e9 tarefa dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, mas a opera\u00e7\u00e3o cir\u00fargica decisiva do poder corre por conta das armas. Esta \u00e9 a ess\u00eancia do conflito entre Washington e as For\u00e7as Bolivarianas, que teve sua primeira escaramu\u00e7a em Bariloche e que ser\u00e1 decida definitivamente neste m\u00eas de setembro. Restam apenas quatro [agora, duas] semanas para a batalha decisiva. Por que este estreito espa\u00e7o de tempo?\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/116\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-116","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1S","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/116","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=116"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/116\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=116"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=116"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=116"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}