{"id":11617,"date":"2016-07-18T17:46:24","date_gmt":"2016-07-18T20:46:24","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=11617"},"modified":"2016-08-02T01:00:56","modified_gmt":"2016-08-02T04:00:56","slug":"eua-sociedade-em-ruptura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11617","title":{"rendered":"EUA, sociedade em ruptura?"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" height=\"259\" width=\"485\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/160702-EUApobres-e1467471816798-485x259.jpg?resize=485%2C259\" alt=\"imagem\" \/>Por C.J. POLYCHRONIOU<\/p>\n<p><i>A poucos meses das elei\u00e7\u00f5es presidenciais, Noam Chomsky relata: desigualdade provocada pelos ricos tragou maiorias, reduziu democracia a fachada e alimenta fen\u00f4mento Trump<\/i><!--more--><\/p>\n<p>Entrevista a <b>C.J. Polychroniou<\/b>, no <a href=\"http:\/\/www.truth-out.org\/\"><i>Truthout<\/i><\/a> | Tradu\u00e7\u00e3o: <b>In\u00eas Castilho<\/b><\/p>\n<hr \/>\n<p>Primeira de duas partes. A pr\u00f3xima, sobre rela\u00e7\u00f5es externas ser\u00e1 publicada breve<\/p>\n<hr \/>\n<p>Os Estados Unidos est\u00e3o enfrentando um tempo de incertezas. Embora permane\u00e7am como \u00fanico superpoder global, n\u00e3o s\u00e3o mais capazes de influenciar os fatos e seus resultados conforme desejam, ao menos n\u00e3o a maioria destes fatos. A frustra\u00e7\u00e3o e ansiedade a respeito do risco de desastres futuros parecem ter peso muito maior que as esperan\u00e7as dos eleitores por uma ordem mundial mais justa e racional. Enquanto isso, afirma Noam Chomsky, a ascens\u00e3o e a popularidade de Donald Trump decorrem do fato de que a sociedade norte-americana vive um processo de ruptura.<\/p>\n<p>Nesta entrevista exclusiva \u00e0 <i>Truthout<\/i>, Noam Chomsky fala sobre o desenvolvimento contempor\u00e2neo nos Estados Unidos e no mundo, e desafia a vis\u00e3o dominante sobre luta de classes, neoliberalismo como resultado de leis econ\u00f4micas, o papel dos EUA como pot\u00eancia global, o status das economias emergentes e o poder do lobby israelense.<\/p>\n<p><b>Noam, voc\u00ea tem afirmado que a ascens\u00e3o de Donald Trump deve-se em grande parte ao colapso da sociedade norte-americana. O que exatamente quer dizer com isso?<\/b><\/p>\n<p>As pol\u00edticas estatais-corporativas dos \u00faltimos 35 anos, aproximadamente, tiveram efeitos devastadores sobre a maioria da popula\u00e7\u00e3o. Resultaram diretamente em estagna\u00e7\u00e3o e n\u00edtido aumento da desigualdade. Isso gerou medo e fez as pessoas sentirem-se isoladas, desamparadas, v\u00edtimas de for\u00e7as poderosas que n\u00e3o entendem e n\u00e3o podem influenciar. O colapso n\u00e3o \u00e9 causado por leis econ\u00f4micas. S\u00e3o pol\u00edticas, uma esp\u00e9cie de luta de classes travada pelos ricos e poderosos contra a popula\u00e7\u00e3o pobre e trabalhadora. Isso \u00e9 o que define o per\u00edodo do neoliberalismo, n\u00e3o somente nos EUA mas tamb\u00e9m na Europa e em outros lugares. Trump \u00e9 atraente para aqueles que sentem e experimentam a desagrega\u00e7\u00e3o da sociedade norte-americana \u2013 profundos sentimentos de raiva, medo, frustra\u00e7\u00e3o, desamparo. Provavelmente, h\u00e1 setores da popula\u00e7\u00e3o que vivem um aumento na mortalidade, algo antes desconhecido \u2014 a n\u00e3o ser na guerra.<\/p>\n<p>A guerra de classes mant\u00e9m-se t\u00e3o perversa e unilateral como sempre. A governan\u00e7a neoliberal nos \u00faltimos trinta anos, fosse o governo republicano ou democr\u00e1tico, intensificou enormemente o processo de explora\u00e7\u00e3o e levou a fissuras ainda maiores entre os que t\u00eam e os que n\u00e3o t\u00eam na sociedade norte-americana. Al\u00e9m disso, n\u00e3o vejo a classe pol\u00edtica neoliberal recuando, a despeito das oportunidades abertas em raz\u00e3o da \u00faltima crise financeira e pelo fato de um democrata ocupar o centro na Casa Branca.<\/p>\n<p>As classes empresariais, que em larga medida governam o pa\u00eds, t\u00eam muita consci\u00eancia de classe. N\u00e3o \u00e9 uma distors\u00e3o descrev\u00ea-los como materialistas vulgares, com valores e compromissos reversos. Foi somente h\u00e1 trinta anos que o l\u00edder do sindicato mais poderoso reconheceu e criticou a \u201cluta de classes unilateral\u201d, incessantemente travada pelo mundo empresarial. Ela teve \u00eaxito, alcan\u00e7ando os resultados que voc\u00ea descreveu. Contudo, as pol\u00edticas neoliberais est\u00e3o em ru\u00ednas. Elas acabaram por prejudicar os mais poderosos e privilegiados (que as aceitaram para si mesmos apenas parcialmente, para come\u00e7o de conversa), de modo que n\u00e3o podem ser sustentadas.<\/p>\n<p>\u00c9 muito impactante observar que as pol\u00edticas que os ricos e poderosos adotam para si mesmos s\u00e3o o exato oposto daquelas que imp\u00f5em aos fracos e pobres. Assim, se a Indon\u00e9sia est\u00e1 numa crise financeira profunda, as instru\u00e7\u00f5es do Departamento do Tesouro norte-americano (via FMI) correm para saldar a d\u00edvida (ao Ocidente), aumentar as taxas de juros e desacelerar a economia, privatizar (de modo que corpora\u00e7\u00f5es ocidentais possam comprar os bens) e todo o resto do dogma neoliberal. Para si mesmos, as pol\u00edticas s\u00e3o esquecer suas d\u00edvidas, reduzir a zero as taxas de juros, nacionalizar (sem usar a palavra) e despejar recursos p\u00fablicos no bolso das institui\u00e7\u00f5es financeiras, e da\u00ed por diante. \u00c9 tamb\u00e9m impressionante que o tremendo contraste passe desapercebido, visto que est\u00e1 de nos registros da hist\u00f3ria econ\u00f4mica dos \u00faltimos s\u00e9culos, raz\u00e3o fundamental da separa\u00e7\u00e3o entre primeiro e terceiro mundos.<\/p>\n<p>At\u00e9 aqui, a pol\u00edtica de classes, est\u00e1 apenas marginalmente sob ataque. O governo Obama evitou dar at\u00e9 mesmo passos m\u00ednimos na dire\u00e7\u00e3o de acabar e reverter o ataque aos sindicatos. Obama at\u00e9 mesmo sinalizou, indiretamente e de modo interessante, seu apoio a esse ataque. Vale recordar que a primeira viagem para mostrar sua solidariedade com as classes trabalhadoras (denominada \u201cclasse m\u00e9dia\u201d, na ret\u00f3rica dos EUA) foi \u00e0 f\u00e1brica da Caterpillar em Illinois. Foi at\u00e9 l\u00e1 desafiando os pleitos de organiza\u00e7\u00f5es religiosas e de direitos humanos, em raz\u00e3o do papel grotesco da Caterpillar nos territ\u00f3rios ocupados por Israel, onde \u00e9 um instrumento preferencial na devasta\u00e7\u00e3o das terras e vilas das \u201cpessoas erradas\u201d. Mas parece n\u00e3o ter sido sequer notado que, adotando as pol\u00edticas antitrabalhistas de Reagan, a Caterpillar tornou-se a primeira corpora\u00e7\u00e3o industrial em gera\u00e7\u00f5es a quebrar um sindicato poderoso ao empregar fura-greves, violando radicalmente as conven\u00e7\u00f5es internacionais do trabalho. Isso isolou os EUA do mundo industrial, junto com a \u00c1frica do Sul do apartheid, na toler\u00e2ncia a tais meios de minar os direitos dos trabalhadores e a democracia \u2013 e, presumo, agora os EUA est\u00e3o s\u00f3s. \u00c9 dif\u00edcil acreditar que a escolha tenha sido acidental.<\/p>\n<p><b>H\u00e1 uma cren\u00e7a generalizada, ao menos entre alguns estrategistas pol\u00edticos bem conhecidos, de que fatos n\u00e3o definem as elei\u00e7\u00f5es norte-americanas \u2013 ainda que a ret\u00f3rica seja de que os candidatos precisam entender a opini\u00e3o p\u00fablica para conquistar eleitores \u2013 e sabemos, claro, que a m\u00eddia fornece uma riqueza de informa\u00e7\u00f5es falsas sobre temas cr\u00edticos (tome o papel da m\u00eddia de massa antes e durante o lan\u00e7amento da guerra do Iraque) ou n\u00e3o fornece informa\u00e7\u00e3o nenhuma (sobre temas trabalhistas, por exemplo). Contudo, fortes evid\u00eancias indicam que o p\u00fablico norte-americano preocupa-se com as grandes quest\u00f5es sociais, econ\u00f4micas e de pol\u00edtica externa enfrentadas pelo pa\u00eds. Por exemplo, conforme estudo divulgado h\u00e1 alguns anos pela Universidade de Minnesota, os norte-americanos colocavam os servi\u00e7os de sa\u00fade entre os temas mais importantes.<\/b> <b>Sabemos tamb\u00e9m que a grande maioria dos norte-americanos apoia os sindicatos. E que julgaram um fracasso completo a guerra contra o terror. \u00c0 luz de tudo isso, qual a melhor maneira de entender a rela\u00e7\u00e3o entre a m\u00eddia, a pol\u00edtica e o p\u00fablico na sociedade norte-americana contempor\u00e2nea?<\/b><\/p>\n<p>\u00c9 bem conhecido o fato de que as campanhas eleitorais s\u00e3o concebidas de modo a marginalizar os problemas e concentrar-se em personalidades, estilos ret\u00f3ricos, linguagem corporal etc. E h\u00e1 boas raz\u00f5es para isso. Gestores de partidos leem as pesquisas, e est\u00e3o bem conscientes de que, num grande conjunto de problemas, os dois partidos est\u00e3o bem \u00e0 direita da popula\u00e7\u00e3o \u2013 o que n\u00e3o surpreende; afinal, s\u00e3o partidos de neg\u00f3cios. Pesquisas mostram que a grande maioria dos eleitores \u00e9 contra, mas s\u00e3o as \u00fanicas escolhas oferecidas a eles num sistema eleitoral gerido como neg\u00f3cio, em que o candidato mais pesadamente financiado quase sempre vence.<\/p>\n<p>Da mesma forma, os consumidores podem preferir um transporte de massa decente a escolher entre dois autom\u00f3veis, mas esta op\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 prevista pelos publicit\u00e1rios \u2013 na verdade, pelos mercados. A publicidade na televis\u00e3o n\u00e3o oferece informa\u00e7\u00e3o sobre produtos; ao contr\u00e1rio, fornece ilus\u00e3o e imagens mentais. As mesmas empresas de rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas que buscam minar o mercado, certas de que consumidores desinformados far\u00e3o escolhas irracionais (ao contr\u00e1rio de teorias econ\u00f4micas abstratas), tentam, do mesmo modo, minar a democracia. E os gestores est\u00e3o bem conscientes disso tudo. Figuras influentes no setor vangloriavam-se, na imprensa econ\u00f4mica, de que desde Reagan v\u00eam fazendo o marketing dos candidatos como se fossem commodities \u2013 e esse \u00e9 seu maior sucesso, pois, preveem, fornecem um modelo aos executivos das corpora\u00e7\u00f5es e ind\u00fastria de marketing do futuro.<\/p>\n<p>Voc\u00ea mencionou a pesquisa de Minnesota sobre servi\u00e7os de sa\u00fade. Ela \u00e9 t\u00edpica. Durante d\u00e9cadas, estudos mostraram que a sa\u00fade est\u00e1 no topo, ou perto dele, nas preocupa\u00e7\u00f5es da popula\u00e7\u00e3o \u2013 n\u00e3o por acaso, dado o desastroso fracasso do sistema de sa\u00fade, com custo per capita duas vezes mais alto que o de sociedades compar\u00e1veis e alguns dos piores resultados. (\u2026) Acontece que a ind\u00fastria manufatureira vem sofrendo em raz\u00e3o do sistema de sa\u00fade privatizado, caro e ineficiente, e dos enormes privil\u00e9gios garantidos, por lei, \u00e0 ind\u00fastria farmac\u00eautica. Quando um grande setor de concentra\u00e7\u00e3o de capital favorece um programa, ele se torna \u201cpoliticamente poss\u00edvel\u201d e tem \u201capoio pol\u00edtico\u201d. T\u00e3o revelador quanto os pr\u00f3prios fatos \u00e9 que eles n\u00e3o s\u00e3o comunicados.<\/p>\n<p>Muito disso \u00e9 verdade para v\u00e1rias outras quest\u00f5es, dom\u00e9sticas e internacionais.<\/p>\n<p><b>A economia dos EUA est\u00e1 enfrentando uma mir\u00edade de problemas, embora os lucros dos ricos e das corpora\u00e7\u00f5es j\u00e1 tenham, h\u00e1 tempos, voltado aos n\u00edveis anteriores \u00e0 erup\u00e7\u00e3o da crise financeira de 2008. Mas o problema da d\u00edvida governamental \u00e9 o \u00fanico que a maioria dos analistas acad\u00eamicos e financeiros parece focar como o mais cr\u00edtico. De acordo com os analistas mainstream, a d\u00edvida dos EUA est\u00e1 quase fora do controle, raz\u00e3o pela qual eles v\u00eam se posicionando consistentemente contra os pacotes de grande est\u00edmulo econ\u00f4mico para o crescimento, sob o argumento de que tais medidas apenas mergulhar\u00e3o os EUA mais profundamente na d\u00edvida. Qual \u00e9 o impacto prov\u00e1vel que uma d\u00edvida inflada ter\u00e1 na economia norte-americana e na confian\u00e7a dos investidores internacionais, diante de eventual nova crise financeira?<\/b><\/p>\n<p>Ningu\u00e9m sabe realmente. A d\u00edvida foi muito mais alta no passado, particularmente depois da Segunda Guerra Mundial. Mas foi superada, gra\u00e7as ao not\u00e1vel crescimento da economia, semidirigida no tempo da guerra. Por isso, sabemos que, se o governo incentiva o crescimento sustent\u00e1vel da economia, a d\u00edvida pode ser controlada. E h\u00e1 outros artif\u00edcios, como a infla\u00e7\u00e3o. Mas, quanto ao resto, trata-se de muita suposi\u00e7\u00e3o. Os principais financiadores \u2013 principalmente China, Jap\u00e3o, os pa\u00edses produtores de petr\u00f3leo \u2013 podem decidir transferir seu capital para outro lugar em busca de lucros mais altos. Mas h\u00e1 poucos sinais desses movimentos, e eles n\u00e3o s\u00e3o muito prov\u00e1veis. Os financiadores participam da sustenta\u00e7\u00e3o da consider\u00e1vel economia dos EUA para suas pr\u00f3prias exporta\u00e7\u00f5es. N\u00e3o h\u00e1 como fazer previs\u00f5es confi\u00e1veis, mas parece claro que o mundo inteiro est\u00e1 numa situa\u00e7\u00e3o delicada, para dizer o m\u00ednimo.<\/p>\n<p><b>Voc\u00ea parece acreditar, ao contr\u00e1rio de tantos outros, que os EUA mant\u00eam-se como um superpoder econ\u00f4mico, pol\u00edtico e, claro, militar, mesmo depois da \u00faltima crise. Tamb\u00e9m tenho a mesma impress\u00e3o, uma vez que o resto das economias do mundo n\u00e3o somente n\u00e3o est\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es de desafiar a hegemonia norte-americana, como olham para os EUA como um salvador da economia global. O que voc\u00ea v\u00ea como vantagens competitivas do capitalismo dos EUA sobre a economia da Uni\u00e3o Europeia e as novas economias emergentes na \u00c1sia?<\/b><\/p>\n<p>A crise financeira de 2007-2008 foi originada principalmente nos EUA, mas seus principais competidores \u2013 a Europa e o Jap\u00e3o \u2013 acabaram sofrendo mais severamente, e os EUA mantiveram-se o local preferido dos investidores que buscam seguran\u00e7a em tempo de crise. As vantagens dos EUA s\u00e3o substantivas. Eles t\u00eam amplos recursos internos. S\u00e3o unificados, um fato importante. At\u00e9 a guerra civil nos anos 1860, a frase \u201cEstados Unidos\u201d era plural (como ainda \u00e9 nas l\u00ednguas europeias). Mas desde ent\u00e3o, vem sendo usada no singular, no ingl\u00eas padr\u00e3o. As pol\u00edticas tra\u00e7adas em Washington pelo poder estatal e capital concentrado valem para todo o pa\u00eds. Isso \u00e9 muito mais dif\u00edcil na Europa. H\u00e1 muitas vantagens da unidade. Alguns dos efeitos nocivos da inabilidade europeia para coordenar a respostas \u00e0 crise t\u00eam sido amplamente discutidas pelos economistas europeus.<\/p>\n<p>As ra\u00edzes hist\u00f3ricas dessas diferen\u00e7as entre a Europa e os EUA s\u00e3o familiares. S\u00e9culos de\u2026 conflitos impuseram um sistema de estado-na\u00e7\u00e3o na Europa, e a experi\u00eancia da Segunda Guerra Mundial convenceu os europeus de que devem abandonar seu esporte tradicional de trucidar uns aos outros, porque a pr\u00f3xima tentativa seria a \u00faltima. Ent\u00e3o temos aquilo que os cientistas pol\u00edticos gostam de denominar \u201cuma paz democr\u00e1tica\u201d, ainda que nem de longe esteja claro se a democracia tem algo a ver com isso. Em contraste, os EUA s\u00e3o um Estado colonizador-colonial, que assassinou a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena e confinou os remanescentes em \u201creservas\u201d, ao mesmo tempo em que conquistava metade do M\u00e9xico e expandia-se para al\u00e9m. Muito mais que na Europa, a rica diversidade interna foi destru\u00edda. A guerra civil cimentou o poder central e, da mesma forma, a uniformidade em outros dom\u00ednios: linguagem nacional, padr\u00f5es culturais, enormes projetos p\u00fablico-privados de engenharia social tais como a suburbaniza\u00e7\u00e3o da sociedade, subs\u00eddio central maci\u00e7o \u00e0 ind\u00fastria avan\u00e7ada por meio de pesquisa e desenvolvimento, aquisi\u00e7\u00e3o e outros instrumentos, e muito mais.<\/p>\n<p>As novas economias emergentes na \u00c1sia t\u00eam incr\u00edveis problemas internos, desconhecidos no Ocidente. Sabemos mais sobre a \u00cdndia do que sobre a China, porque \u00e9 uma sociedade mais aberta. H\u00e1 raz\u00f5es pelas quais ela est\u00e1 em 130\u00ba lugar no ranking do \u00cdndice de Desenvolvimento Humano (mais ou menos onde estava antes da reformas neoliberais parciais); a China est\u00e1 no 90\u00ba lugar, e poderia ser pior se se soubesse mais a respeito do pa\u00eds. Isso apenas arranha a superf\u00edcie. No s\u00e9culo 18, China e \u00cdndia eram os centros comerciais e industriais do mundo, com sistemas de mercado sofisticados, n\u00edveis avan\u00e7ados de sa\u00fade pelos padr\u00f5es comparativos etc. Mas conquistas imperiais e pol\u00edticas econ\u00f4micas deixaram-nos em condi\u00e7\u00f5es miser\u00e1veis. \u00c9 not\u00e1vel que o \u00fanico pa\u00eds do Sul Global a desenvolver-se foi o Jap\u00e3o, o \u00fanico que n\u00e3o foi colonizado. A correla\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 acidental.<\/p>\n<p><b>Os EUA ainda est\u00e3o ditando as pol\u00edticas do FMI?<\/b><\/p>\n<p>Isso n\u00e3o \u00e9 claro, mas meu entendimento \u00e9 que os economistas do FMI supostamente s\u00e3o, talvez sejam, de certa forma independentes dos pol\u00edticos. No caso da Gr\u00e9cia, e da austeridade em geral, os economistas publicaram alguns papers fortemente cr\u00edticos aos programas da Uni\u00e3o Europeia, mas os pol\u00edticos parecem estar ignorando-os.<\/p>\n<p><em>Foto: Sem-teto, fen\u00f4meno marcante da paisagem norte-americana de hoje. Para Chomsky, \u201cpol\u00edticas estatais-corporativas dos \u00faltimos 35 anostiveram efeitos devastadores sobre a maioria da popula\u00e7\u00e3o\u201d<\/em><\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/outraspalavras.net\/destaques\/eua-sociedade-em-ruptura\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Por C.J. POLYCHRONIOU A poucos meses das elei\u00e7\u00f5es presidenciais, Noam Chomsky relata: desigualdade provocada pelos ricos tragou maiorias, reduziu democracia a fachada e \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11617\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[165],"tags":[],"class_list":["post-11617","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-eua"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-31n","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11617","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11617"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11617\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11617"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11617"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11617"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}