{"id":11636,"date":"2016-07-21T16:51:30","date_gmt":"2016-07-21T19:51:30","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=11636"},"modified":"2016-08-11T01:20:23","modified_gmt":"2016-08-11T04:20:23","slug":"pressoes-ideologicas-e-clarificacoes-na-identidade-comunista-do-partido-comunista-do-mexico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11636","title":{"rendered":"Press\u00f5es ideol\u00f3gicas e clarifica\u00e7\u00f5es na identidade comunista do Partido Comunista do M\u00e9xico"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.odiario.info\/b2-img\/PavelBlancoCabrera.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>P\u00e1vel Blanco Cabrera*<\/p>\n<p>Neste texto de P\u00e1vel Blanco Cabrera publicado na revista ideol\u00f3gica do Partido Comunista do M\u00e9xico, El Machete, perpassa mais uma vez a franqueza que tanto carateriza os membros do PCM, sem abandonar a firmeza dos princ\u00edpios na defesa do marxismo-leninismo.<!--more--><\/p>\n<p>O Partido Comunista do M\u00e9xico (PCM) seguiu um caminho sinuoso at\u00e9 se encontrar com o marxismo-leninismo, e s\u00f3 ap\u00f3s o momento se tornou poss\u00edvel a unidade ideol\u00f3gica e org\u00e2nica plena \u2013 na realidade e n\u00e3o apenas nas palavras \u2013 o que por sua vez permitiu uma maior interven\u00e7\u00e3o junto da classe oper\u00e1ria, mais clara, e um aumento da sua influ\u00eancia ideol\u00f3gica, baseada no crescimento e desenvolvimento partid\u00e1rio, forjando quadros \u00e0 sua imagem e semelhan\u00e7a, isto \u00e9, da necessidade concreta e da estrat\u00e9gia revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p>Os primeiros anos que se seguiram ao in\u00edcio da reorganiza\u00e7\u00e3o, um per\u00edodo que vai de 1994 at\u00e9 ao ano 2001, foram de grande confus\u00e3o, de ecletismo, de procura da identidade e de defini\u00e7\u00f5es que permitiram decantar os comunistas dos revisionistas, assim como recuperar de posi\u00e7\u00f5es de classe, gra\u00e7as ao rearmamento ideol\u00f3gico a partir do marxismo-leninismo.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria atividade do Partido, a sua vida interna e a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica mostram quanto essas limita\u00e7\u00f5es tinham impacto, e at\u00e9 certo ponto anulavam o desenvolvimento do PCM.<\/p>\n<p>Nunca \u00e9 de mais sublinhar o m\u00e9rito dos camaradas perfilharam a Convocat\u00f3ria de 20 de Novembro de 1994 e tamb\u00e9m o facto de, independentemente dos erros, das limita\u00e7\u00f5es, dos desvios, fixaram um objetivo b\u00e1sico: a reorganiza\u00e7\u00e3o de um partido comunista no nosso pa\u00eds. Isso permitiu que os esfor\u00e7os militantes n\u00e3o se dispersassem, que se concentrassem for\u00e7as nessa dire\u00e7\u00e3o, que as discuss\u00f5es tivessem a marca desse mesmo Partido.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio nome inicial, Partido dos Comunistas Mexicanos, como o explicou v\u00e1rias vezes Sergio Quiroz [1], seu principal dirigente de 1994 at\u00e9 2002, tinha que ver com um conceito lato, uma casa comum para todos os partid\u00e1rios do socialismo; esta conce\u00e7\u00e3o era adotada de uma vis\u00e3o deformada de Gramsci e da pr\u00e1tica eurocomunista dos comunistas italianos, bem como da muta\u00e7\u00e3o sofrida pelo Partido Comunista Franc\u00eas; tudo isto era explicado como uma transi\u00e7\u00e3o at\u00e9 \u00e1 recupera\u00e7\u00e3o do nome de partido comunista, que se atingiria pela via da unidade dos diversos destacamentos, que nesses anos reivindicavam a luta pelo socialismo.<\/p>\n<p>A grande tarefa de reorganizar o partido da classe oper\u00e1ria era torpedeada pelas ideias alheias ao marxismo-leninismo que tinham influ\u00eancia na equipa dirigente do Partido.<br \/>\n<strong><br \/>\nUm balan\u00e7o errado da derrota temporal do socialismo<\/strong><\/p>\n<p>Em 1994 era imprescind\u00edvel, tal como agora, uma resposta cient\u00edfica para explicar o retrocesso temporal que significava o triunfo da contrarrevolu\u00e7\u00e3o na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, em praticamente todo o campo socialista, para a luta de classes e para a pr\u00f3pria humanidade. Ent\u00e3o, as an\u00e1lises eram mediadas pela vis\u00e3o imposta pelo imperialismo como ideologia dominante, isto \u00e9, an\u00e1lises circunscritas \u00e0 quest\u00e3o da democracia, dos direitos humanos, da liberdade. Consequentemente, as respostas inscreviam-se naqueles derrotismos, pois renunciava-se a aspetos fundamentais da teoria marxista, como a ditadura do proletariado e a via revolucion\u00e1ria, ao n\u00e3o resistir \u00e0s press\u00f5es ideol\u00f3gicas do fim da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>N\u00e3o ter firmeza nestes assuntos tem a ver com o facto de, no per\u00edodo anterior, a identidade comunista ter sido internacionalmente atacada sem houvesse resposta contundente. Desde 1956, com a plataforma oportunista do XX Congresso do PCUS, a teoria dissolvente das vias espec\u00edficas para o socialismo, o policentrismo, a coexist\u00eancia pac\u00edfica, a colabora\u00e7\u00e3o de classes e, posteriormente, o eurocomunismo, a perestroika e, particularmente no nosso pa\u00eds, a confus\u00e3o entre o \u00abnacionalismo revolucion\u00e1rio\u00bb, ou a ideologia burguesa da Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana, e as posi\u00e7\u00f5es marxistas [2]. Al\u00e9m disso, como resultado de tudo isto, devido a influ\u00eancias alheias ao marxismo-leninismo, para explicar os novos fen\u00f3menos e a realidade da luta de classes na situa\u00e7\u00e3o contrarrevolucion\u00e1ria e na procura de respostas verificou-se um ref\u00fagio na teoria cr\u00edtica, no marxismo ocidental, nos estudos de outras correentes adversas ao movimento comunista internacional, como a nova esquerda, isto para citar apenas um exemplo.<\/p>\n<p>A reorganiza\u00e7\u00e3o do partido da classe oper\u00e1ria enfrentou assim desde o ber\u00e7o a alternativa do ecletismo ideol\u00f3gico e o seu inevit\u00e1vel fracasso, ou o retomar o marxismo-leninismo e o reencontro com a identidade comunista, despojando-a dos desvios e deforma\u00e7\u00f5es do degelo \u00abantiestalinista\u00bb e do oportunismo que minou o movimento comunista internacional ap\u00f3s 1956. No entanto, esta op\u00e7\u00e3o n\u00e3o era poss\u00edvel em 1994, e teria que passar quase uma d\u00e9cada e tr\u00eas Congressos para que as defini\u00e7\u00f5es fossem poss\u00edveis, com o desenvolvimento de novos quadros, muita controv\u00e9rsia e as contribui\u00e7\u00f5es de v\u00e1rios partidos comunistas e oper\u00e1rios.<\/p>\n<p>Retomando o tema do balan\u00e7o da constru\u00e7\u00e3o socialista, nesses anos iniciais surgiram cr\u00edticas contra o burocratismo, o estatismo [3], o unipartidarismo. Fez-se um balan\u00e7o cient\u00edfico com base no m\u00e9todo marxista? Estudaram-se os documentos do PCUS, o funcionamento do Estado e dos Sovietes? Trocaram-se opini\u00f5es com os cientistas marxistas-leninistas dos partidos irm\u00e3os? Estudaram-se as tend\u00eancias, a estat\u00edsticas, falou-se com os oper\u00e1rios? N\u00e3o, aderiu-se apenas a posi\u00e7\u00f5es sup\u00e9rfluas de alguns intelectuais de esquerda e de partidos irm\u00e3os que, presurosamente, davam opini\u00f5es cuja inconsist\u00eancia ficou demonstrada.<\/p>\n<p>Toda a responsabilidade foi atribu\u00edda a Estaline, de quem o PCUS se tinha desligado 35 anos antes, para depois ser atacado com virul\u00eancia pela Glasnost e pela Perestroika. Tamb\u00e9m de modo superficial alguns camaradas responsabilizavam apenas o traidor Gorbachov. Ambas as abordagens s\u00e3o erradas, n\u00e3o t\u00eam em conta o que o marxismo-leninismo ensina sobre a pol\u00edtica como reflexo da economia, a dial\u00e9tica revolu\u00e7\u00e3o\/contrarrevolu\u00e7\u00e3o, e a agudiza\u00e7\u00e3o da luta de classes. Erro crasso sobrestimar o papel das personalidades na hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Sem qualquer coer\u00eancia argumentativa e saltando de uma posi\u00e7\u00e3o para outra e baseando-se num artigo de Gramsci [4], S\u00e9rgio Quiroz recuperava a posi\u00e7\u00e3o de Kautsky de que a Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro era um erro hist\u00f3rico, desde princ\u00edpio condenada ao fracasso, por n\u00e3o estarem maduras na R\u00fassia czarista as condi\u00e7\u00f5es de desenvolvimento capitalista; e que o atraso das rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o gerava \u00abdeforma\u00e7\u00f5es\u00bb. Sem pudor, usavam-se express\u00f5es acient\u00edficas como \u00abexperi\u00eancia fracassada\u00bb, \u00abcolapso\u00bb, \u00abmodelo sovi\u00e9tico\u00bb.<\/p>\n<p>Como consequ\u00eancia disto o Programa do nosso Partido era neste aspeto inexato, pois fixar como objetivo hist\u00f3rico o \u00abhumanismo socialista e a nova democracia socialista\u00bb \u2013 conceito derivado da demarca\u00e7\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o socialista no s\u00e9culo XX \u2013 levava ao abandono da conce\u00e7\u00e3o marxista-leninista sobre a revolu\u00e7\u00e3o e as suas leis, bem como \u00e0 refuta\u00e7\u00e3o da ditadura do proletariado. O Partido reorganizava-se transportando consigo essa grave falha que o separava temporalmente da plenitude da identidade comunista. Foi em Abril-Maio de 2001, no II Congresso, ap\u00f3s 7 anos de debate, que se recuperou a ditadura do proletariado como elemento fundamental na ideologia e no programa dos comunistas do nosso pa\u00eds. E tiveram que decorrer mais de 20 anos para que o Partido contasse com um Programa coerente com os nossos princ\u00edpios e objetivos nesta \u00e9poca de Revolu\u00e7\u00e3o social, processo assumido no per\u00edodo que vai do IV Congresso em Novembro de 2010 e Fevereiro de 2011, at\u00e9 ao V Congresso, em Setembro de 2014. Estas indefini\u00e7\u00f5es, insistimos, atrasaram o nosso desenvolvimento como um mal menor, quando enfrent\u00e1vamos o risco da liquida\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria.<\/p>\n<p>A corros\u00e3o ideol\u00f3gica afetava o conjunto das posi\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas do socialismo cient\u00edfico. Quando se rev\u00ea a publica\u00e7\u00e3o te\u00f3rica com que ent\u00e3o contava o PCM, Os Cadernos do Marxismo, as falhas s\u00e3o evidentes. Os nossos dirigentes colocavam-se nas posi\u00e7\u00f5es do \u00abmarxismo ocidental\u00bb, atacando o materialismo dial\u00e9tico como determinista e dogm\u00e1tico; insistiam, uma e outra vez, no marxismo como um novo humanismo, e nas teorias do \u00abjovem Marx\u00bb. As antologias das escolas de quadros dos anos 1994-1998 centravam-se na vers\u00e3o eurocomunista de Gramsci, em Luckacs, Korsch, Fromm, Schaff, nos escritos juvenis de Marx e nos escritos de Lenine sobre a NEP. Foi toda uma batalha interna para recuperar o estudo de Marx, Engels e Lenine, e com os cl\u00e1ssicos ganhar educa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e uma forma\u00e7\u00e3o de quadros baseada no materialismo hist\u00f3rico, no materialismo dial\u00e9tico, na economia pol\u00edtica e no socialismo cient\u00edfico.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio entender este processo para apreciar por que raz\u00e3o o PCM esteve sujeito todos esses anos aos vendavais das modas te\u00f3ricas, das correntes oportunistas e do ecletismo da intelectualidade pequeno-burguesa, que desde a academia se inscreve na esquerda. Recordemos o impacto nesse momento da categoria \u00abSociedade civil\u00bb para mascarar a luta de classes, retirada tamb\u00e9m do campo do marxismo. Quanto tempo perdido.<\/p>\n<p><strong>Ado\u00e7\u00e3o temporal de concess\u00f5es alheias \u00e0 teoria leninista do Partido<\/strong><\/p>\n<p>Fortemente impressionado com as altera\u00e7\u00f5es organizativas do PC Franc\u00eas no seu XVIII Congresso, Sergio Quiroz desenvolveu esse modelo nas nossas fileiras: renuncia ao centralismo e substitui-o por consensos, como forma democr\u00e1tica da vida interna; substitui\u00e7\u00e3o do Comit\u00e9 Central por um Conselho Nacional; substitui\u00e7\u00e3o do Secret\u00e1rio-Geral por um Coordenador Nacional que se renovava a cada seis meses, provocando a instabilidade na equipa dirigente; o questionamento dos quadros profissionais do Partido, o que dava lugar a que s\u00f3 os camaradas provenientes da academia, com mais possibilidades materiais tivessem trabalho de dire\u00e7\u00e3o permanente. Essa horizontalidade impedia uma imprensa regular, uma sede central, organizar o trabalho por sectores, orientar a interven\u00e7\u00e3o e estabelecer prioridades. Como a pol\u00edtica estrat\u00e9gica do Partido consistia em trabalhar para a unidade da esquerda, tudo se destinava ao trabalho de rela\u00e7\u00f5es, \u00e0 diplomacia, e descuidava-se o desenvolvimento do Partido, o seu crescimento, o recrutamento, o trabalho organizativo, as frentes oper\u00e1rio-sindical, ideol\u00f3gica, financeira, editorial, etc.. Eram formas organizativas dissolventes que necessit\u00e1vamos confrontar, e confront\u00e1mos.<\/p>\n<p>Sublinhemos que a base te\u00f3rica dessa posi\u00e7\u00e3o organizativa radicava no questionamento do papel do proletariado, da classe oper\u00e1ria, porque na dire\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria, ent\u00e3o, o tema em voga era o livro de Rifkin O fim do trabalho.<\/p>\n<p>Em sintonia com o pensamento de Robert Hue e a muta\u00e7\u00e3o oportunista dos franceses, a dire\u00e7\u00e3o do PCM desenvolveu o conceito do Partido como casa comum, o que significava o ecletismo ideol\u00f3gico, a ren\u00fancia \u00e0 unidade ideol\u00f3gica. No Partido podiam militar marxistas-leninistas, maoistas, gramscianos, crentes, trotskistas, lombardistas, seguidores da Nova Esquerda. Contra isso houve que lutar, e de forma irreconcili\u00e1vel, o que implicou a expuls\u00e3o do Partido dessas conce\u00e7\u00f5es e dos quadros que as sustentavam.<\/p>\n<p>O Partido sem unidade ideol\u00f3gica, com formas organizativas mais pr\u00f3ximas a um movimento, tinha que superar essa crise, sequela da contrarrevolu\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m do revisionismo e do oportunismo dos anos anteriores, e o seu renascimento com um apego ilimitado ao marxismo-leninismo.<\/p>\n<p><strong>Agudizam-se as contradi\u00e7\u00f5es, tornam-se necess\u00e1rias as defini\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Unia-nos a ideia da necessidade do partido comunista, do partido da classe oper\u00e1ria, da cr\u00edtica ao cpitalismo, e no entanto estava evidenciada a incompatibilidade entre o marxismo-leninismo e estes renovadores, que tinham m\u00e9ritos ineg\u00e1veis [5], mas na pr\u00e1tica estavam a colocar uma camisa-de-for\u00e7as que impedia o Partido de avan\u00e7ar.<\/p>\n<p>De 1994 at\u00e9 2001 \u00e9 ineg\u00e1vel a hegemonia da equipa dirigente, quer ideol\u00f3gica quer politicamente [6]; o inconformismo crescia e expressou-se no II Congresso. Havia dois caminhos: enfrentar individualmente, como fizeram v\u00e1rios camaradas que consideravam que o Partido n\u00e3o tinha conserto e que por isso se retiravam para a sua vida pessoal ou para outras express\u00f5es pol\u00edticas, ou entrar no debate dentro das estruturas partid\u00e1rias, procurando convencer a maioria.<\/p>\n<p>A gota que fez transbordar o copo foi a proposta de Sergio Quiroz de ado\u00e7\u00e3o das teses de Negri-Hardt em Imp\u00e9rio. Isso deu lugar a um debate sobre a vig\u00eancia ou a perda da vig\u00eancia do leninismo, n\u00e3o s\u00f3 na teoria do imperialismo mas tamb\u00e9m da Revolu\u00e7\u00e3o, do Partido, etc.. Tiv\u00e9mos que recuperar os debates adiados, refutar os conceitos que se foram apurando como globaliza\u00e7\u00e3o, altermundismo, movimentismo, neoliberalismo, a democracia como valor absoluto; mas isso implicou tamb\u00e9m confrontar as teses oportunistas anteriores, como a via nacional, o debate depend\u00eancia\/interdepend\u00eancia.<\/p>\n<p>Esta luta ideol\u00f3gica tinha que ser abordada conjuntamente, pois os assuntos em quest\u00e3o estavam interligados. \u00c9 preciso reconhecer que, baseando-nos n\u00f3s unicamente na nossa experi\u00eancia, tinhamos limita\u00e7\u00f5es e que \u2013 tal e como corresponde a um movimento de natureza internacional \u00abpelo seu conte\u00fado\u00bb &#8211; foi necess\u00e1rio aprender com a experi\u00eancia de outros partidos comunistas e oper\u00e1rios, e com as pol\u00e9micas contempor\u00e2neas. A nossa experi\u00eancia era tamb\u00e9m, em maior ou menor grau, um problema geral de outros partidos. N\u00f3s aprendemos muito com o Partido Comunista da Gr\u00e9cia e com a Revista Comunista Internacional.<\/p>\n<p>Chegar \u00e0s conclus\u00f5es que hoje subscrevemos n\u00e3o foi um processo simples, nem autom\u00e1tico no processo de reorganiza\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria. Foi um caminho complexo e com incertezas, mas \u00e9 uma conquista para o presente e para o futuro do Partido, que tem de ver a frente ideol\u00f3gica como vital para a exist\u00eancia e o desenvolvimento do PCM, mas tamb\u00e9m deve aprender-se que quando se enfrentam dificuldades n\u00e3o pode tomar-se a atitude \u00abquimicamente pura\u00bb de voltar as costas ao Partido, mas que h\u00e1 que defender o marxismo-leninismo dentro do Partido, com franqueza, nos correspondentes escal\u00f5es do Partido.<\/p>\n<p>Foi a partir da supera\u00e7\u00e3o dessas influ\u00eancias alheias, de nos rearmarmos com o marxismo-leninismo, que super\u00e1mos essas press\u00f5es ideol\u00f3gicas exteriores, e que, pensamos, existe uma experi\u00eancia para afrontar as que no futuro se apresentem. Al\u00e9m disso, se hoje existe um crescimento das fileiras partid\u00e1rias e uma interven\u00e7\u00e3o clara entre a classe oper\u00e1ria, isso deve-se precisamente a esta premissa.<\/p>\n<p><em>Notas:<br \/>\n[1] Sergio Quiroz Miranda foi membro do Comit\u00e9 Central e da dire\u00e7\u00e3o Nacional do Partido Popular Socialista (PPS) onde, entre outras responsabilidades foi Secret\u00e1rio das Rela\u00e7\u00f5es Internacionais e por isso organizador do Encontro de Partidos Comunistas e Oper\u00e1rios da Am\u00e9rica Latina e do Caribe, realizado no M\u00e9xico em 1994; foi v\u00e1rias vezes Deputado Federal do PPS e entre o ano 1993-1994 liderou uma corrente que criticava a viragem oportunista do PPS e lutou por transform\u00e1-lo num partido comunista. Em 1994 assistiu ao XXVIII Congresso do Partido Comunista Franc\u00eas, onde foi eleito Roberto Hue, e dele regressou muito impressionado e sempre prop\u00f4s que a muta\u00e7\u00e3o fosse o nosso modelo pol\u00edtico e reorganizativo.<br \/>\n[2] Esta mistura tem a sua origem na justifica\u00e7\u00e3o te\u00f3rica que o PCM expressou nos anos 30 do s\u00e9culo passado para apelar \u00e0 alian\u00e7ada classe oper\u00e1ria com o cadernismo (\u00aa) (durante a viragem da Frente Popular indicada pelo VII Congresso da Comintern), levado a um plano superior pela influ\u00eancia do browderismo no nosso pa\u00eds durante o p\u00f3s-guerra, e posi\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica program\u00e1tica definitiva depois de 1956, com a chamada via mexicana para o socialismo. (\u00aa) [NdT.: Refer\u00eancia a L\u00e1zaro C\u00e1rdenas (21 de maio 1895 \u2013 19 de outubro de 1970), militar, pol\u00edtico, estadista, que foi Presidente da Rep\u00fablica de 1 de dezembro de 1934 a 30 de novembro de 1940].<br \/>\n[3] Em muitos casos empregava-se \u201cestatalismo\u201d.<br \/>\n[4] Gramsci, Antonio; A Revolu\u00e7\u00e3o contra o Capital.<br \/>\n[5] Entre outros m\u00e9ritos, um dos mais importantes foi o n\u00e3o se terem juntado \u00e0 transfigura\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica e, contrariando as ideias liquidacionistas terem colocado no meio da escura noite contrarrevolucion\u00e1ria a necessidade de reorganizar o Partido, ainda que alguns anos depois tentassem trav\u00e1-lo e, inconscientemente, conden\u00e1-lo a uma nova liquida\u00e7\u00e3o.<br \/>\n[6] Tanto em 1997 com o apoio eleitoral a C\u00e1rdenas e ao PRD para o governo da cidade do M\u00e9xico, como em 2000 com os conv\u00e9nios de apoio ao PRD, tal como a C\u00e1rdenas para a Presidencia da Rep\u00fablica, como a L\u00f3pez Obrador para o Governos da cidade do M\u00e9xico<\/em><\/p>\n<p>*Primeiro Secret\u00e1rio do CC do Partido Comunista do M\u00e9xico.<\/p>\n<p><em>Tradu\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Paulo Gasc\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>http:\/\/www.odiario.info\/pressoes-ideologicas-e-clarificacoes-na-identidade\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"P\u00e1vel Blanco Cabrera* Neste texto de P\u00e1vel Blanco Cabrera publicado na revista ideol\u00f3gica do Partido Comunista do M\u00e9xico, El Machete, perpassa mais uma \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11636\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[90],"tags":[],"class_list":["post-11636","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c103-mexico"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-31G","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11636","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11636"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11636\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11636"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11636"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11636"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}