{"id":11640,"date":"2016-07-21T16:58:15","date_gmt":"2016-07-21T19:58:15","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=11640"},"modified":"2016-08-11T01:20:33","modified_gmt":"2016-08-11T04:20:33","slug":"80-anos-guerra-civil-espanhola-ou-guerra-revolucionaria-compreender-para-resistir-por-angeles-maestro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11640","title":{"rendered":"80 anos: Guerra Civil Espanhola ou Guerra Revolucion\u00e1ria? Compreender para Resistir (por Angeles Maestro)"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" height=\"400\" width=\"620\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.resumenlatinoamericano.org\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/687-620x400.jpg?resize=620%2C400\" alt=\"imagem\" \/><\/p>\n<p>Resumen Latinoamericano, 17 de julho de 2016 \u2013 A for\u00e7a heroica com a qual os povos do Estado espanhol enfrentaram o fascismo \u00e9 uma das grandes epopeias da hist\u00f3ria da luta pela emancipa\u00e7\u00e3o dos povos. Epopeia na qual se condensou a consci\u00eancia expressa como vontade coletiva de resist\u00eancia.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Se, como afirmou Walter Benjamin, o sujeito do conhecimento \u00e9 a classe trabalhadora em luta, na Guerra Civil espanhola se concentrou \u2013 como obra coletiva internacional \u2013 o grau mais alto de consci\u00eancia do proletariado mundial. Esse saber oper\u00e1rio que, como sujeito pol\u00edtico de uma tit\u00e2nica obra, \u201ctenta emergir da escurid\u00e3o, na unidade prolet\u00e1ria, frente ao inimigo propriamente dito, e tamb\u00e9m frente \u00e0s elites pol\u00edticas pr\u00f3prias, respons\u00e1veis \u2013 ou como tais aparecem \u2013 da divis\u00e3o da classe oper\u00e1ria e de seus potenciais aliados\u201d.<\/p>\n<p><b>Amputar a mem\u00f3ria coletiva<\/b><\/p>\n<p>Extirpar essa profunda e potente impress\u00e3o, capaz de fecundar a mem\u00f3ria de muitas gera\u00e7\u00f5es, \u00e9 um objetivo estrat\u00e9gico das classes dominantes. Tentar amputar essa terr\u00edvel beleza que nos constitui e identifica, e que estabelece a continuidade hist\u00f3rica da luta de todas as gera\u00e7\u00f5es de oprimidos \u00e9 condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel para perpetuar a domina\u00e7\u00e3o. Dizia Rodolfo Walsh: \u201cNossas classes dominantes procuraram sempre que os trabalhadores n\u00e3o tenham hist\u00f3ria, n\u00e3o tenham doutrina, n\u00e3o tenham her\u00f3is e m\u00e1rtires. Cada luta deve come\u00e7ar de novo, separada das lutas anteriores: a experi\u00eancia coletiva se perde, as li\u00e7\u00f5es se esquecem. A hist\u00f3ria aparece assim como propriedade privada, cujos donos s\u00e3o os donos de todas as coisas\u201d.<\/p>\n<p><b>Impor outra Transi\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>A Transi\u00e7\u00e3o teve dois grandes objetivos: truncar a linha vermelha que atravessa a hist\u00f3ria das lutas oper\u00e1rias e pela liberdade dos povos, e isolar a luta do povo basco \u2013 na qual mais pot\u00eancia combativa se concentrava \u2013 que repudiou a legitimidade da Transi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa estrat\u00e9gia come\u00e7a a quebrar-se quando a crise e as brutais pol\u00edticas que aplicam os governos do capital contra as classes populares desatam a ira popular e come\u00e7am a agitar os pilares da domina\u00e7\u00e3o. Desmorona-se o prest\u00edgio da monarquia, do PSOE e do PP, j\u00e1 n\u00e3o existe dinheiro p\u00fablico ou privado que sirva \u2013 como ent\u00e3o \u2013 para suavizar a submiss\u00e3o das elites pol\u00edticas e sindicais da esquerda, e se imp\u00f5e a percep\u00e7\u00e3o popular de que a \u201cEuropa Social e democr\u00e1tica\u201d n\u00e3o existe.<\/p>\n<p>Precisamente, ent\u00e3o, aparece uma suposta esquerda empenhada em apagar todo vest\u00edgio de mem\u00f3ria e identidade de classe.<\/p>\n<p>Como homenagem \u00e0 melhor gera\u00e7\u00e3o dos povos do Estado espanhol e das Brigadas Internacionais, quero recordar uma organiza\u00e7\u00e3o militar clandestina que funcionou desde 1934 no interior do ex\u00e9rcito e que foi chave para a cria\u00e7\u00e3o das mil\u00edcias populares.<\/p>\n<p><b>A Uni\u00e3o de Militares Republicanos Antifascistas<\/b><\/p>\n<p>A UMRA foi criada em 1934, durante o Bi\u00eanio Negro (novembro de 1933 e fevereiro de 1936, quando venceu a Frente Popular) no qual os governos da direita reprimiram de maneira selvagem o movimento oper\u00e1rio e popular, sobretudo na Revolu\u00e7\u00e3o de Ast\u00farias. O objetivo desta organiza\u00e7\u00e3o era responder a a\u00e7\u00e3o da direitista Uni\u00e3o Militar Espanhola (UME) e, para isso, desenvolveu um importante aparato de informa\u00e7\u00e3o sobre a atividade golpista dos comandos.<\/p>\n<p>A UMRA tamb\u00e9m se encarregava da solidariedade com os numerosos militares presos ap\u00f3s negar-se a participar da repress\u00e3o da Revolu\u00e7\u00e3o de Ast\u00farias (outubro de 1934). \u00c9 pouco conhecida a importante resist\u00eancia militar em participar no esmagamento da Revolu\u00e7\u00e3o, que mais tarde foi executada brutalmente por Franco: \u201cNos dias cinco e seis de outubro de 1934, um grupo numeroso de soldados da base de Le\u00f3n se apropriou de fuzis e muni\u00e7\u00f5es para impedir a sa\u00edda de avi\u00f5es para bombardear as casas e \u2018a seus irm\u00e3os\u2019 de Ast\u00farias. (\u2026) O comandante De la Puente, [chefe da dita Base A\u00e9rea], foi destitu\u00eddo pelo governo e sumariado (sic). Vinte e oito militares foram processados. No Ex\u00e9rcito Terrestre, v\u00e1rios chefes e oficiais foram submetidos a conselho de guerra e condenados. Dezesseis soldados do Regimento de Infantaria \u201cBurgos\u201d, da pra\u00e7a de Le\u00f3n, foram condenados em outro conselho de guerra. O cruzador Miguel de Cervantes teve que ser desviado a La Coru\u00f1a porque entre as for\u00e7as da \u00c1frica que transportava, ao comando do tenente-coronel L\u00f3pez Bravo, se tinha estendido a consigna de \u2018n\u00e3o disparar contra nossos irm\u00e3os\u2019. O cruzador Almirante Cervera n\u00e3o pode utilizar seus canh\u00f5es contra as posi\u00e7\u00f5es dos revolucion\u00e1rios em Gij\u00f3n, porque dois marinheiros gijoneses se apoderaram das chaves de fogo e as atiraram ao mar\u201d.<\/p>\n<p>A atividade conspirativa da direita se acelerou ap\u00f3s a vit\u00f3ria da Frente Popular. Nos meses seguintes foram assassinados dois militares filiados \u00e0 UMRA. Em 16 de julho, uma delega\u00e7\u00e3o da UMRA conversou com o Presidente do Conselho de Ministros, Casares Quiroga, para alert\u00e1-lo da subleva\u00e7\u00e3o em marcha e propor uma serie de medidas imediatas, como as destitui\u00e7\u00f5es dos generais Goded, Franco, Varela, Aranda, Fanjul ou Mola e, inclusive, a dissolu\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito. Suas recomenda\u00e7\u00f5es n\u00e3o foram escutadas.<\/p>\n<p>As not\u00edcias acerca da iminente subleva\u00e7\u00e3o fascista foram levadas em considera\u00e7\u00e3o pelos suboficiais e radiotelegrafistas da UMRA na Marinha. Conscientes de que a imensa maioria da oficialidade era hostil \u00e0 Rep\u00fablica, aceleraram o processo organizativo e conseguiram abortar a incorpora\u00e7\u00e3o da Marinha \u00e0s fileiras franquistas.<\/p>\n<p>Os fatos ocorreram assim: \u201cNa noite de sexta-feira, 17 de julho, se estabeleceu no Minist\u00e9rio da Marinha uma estrutura que se apoderou dos cais de controle sobre o que se podia salvar das bases e da frota. Quando na madrugada de 18 se conheceu pela esta\u00e7\u00e3o de R\u00e1dio de Madrid a mensagem de felicita\u00e7\u00e3o de Franco \u00e0 guarni\u00e7\u00e3o de Melilla pela vit\u00f3ria da subleva\u00e7\u00e3o transmitida da Base Naval de Cartagena, Benjam\u00edn Balboa [terceiro oficial do Corpo de Auxiliares Radiotelegr\u00e1ficos que estava nesse momento de guarda na central e membro da UMRA] informou diretamente ao ajudante do ministro, tenente de navio Pedro Prado Mendiz\u00e1bal, obviando a linha hier\u00e1rquica do Estado Maior. O pr\u00f3prio Balboa ordenou em sua primeira comunica\u00e7\u00e3o aos radiotelegrafistas de navios da esquadra, que a cada duas horas comunicassem a posi\u00e7\u00e3o dos mesmos. Se n\u00e3o existisse resposta, entenderia que na unidade teria triunfado o golpe\u201d.<\/p>\n<p>Balboa, ao receber a ordem de seu chefe de que comunicasse a mensagem de Franco \u00e0s guarni\u00e7\u00f5es, se negou a obedecer e o prendeu. Depois, contatou os radiotelegrafistas de todos os navios, a maioria dos quais conhecia pessoalmente. Informou de que seus oficiais podiam estar a ponto de sublevar-se contra o governo e pediu que atuassem em consequ\u00eancia.<\/p>\n<p>Estes acontecimentos permitiram que na Marinha, a quase totalidade dos navios de guerra se amotinasse e prendesse seus oficiais. A Marinha permaneceu fiel \u00e1 Rep\u00fablica. \u201cEssa gl\u00f3ria \u00e9 integralmente sua. Foi resultado da a\u00e7\u00e3o improvisada das tripula\u00e7\u00f5es dirigidas pelos cabos e inspiradas pelo homem que fez chegar aos navios a voz do alarme (\u2026) em poucas horas resgataram um encoura\u00e7ado, tr\u00eas cruzadores, dezesseis destr\u00f3ieres, doze submarinhos e in\u00fameros torpedeiros e guarda-costas e outros navios auxiliares\u201d.<\/p>\n<p><b>Os tempos se aceleram<\/b><\/p>\n<p>A crise abrevia os prazos de desgaste das for\u00e7as pol\u00edticas, as contradi\u00e7\u00f5es se aprofundam e desaparecem as formas intermedi\u00e1rias. Quando se aproximam per\u00edodos culminantes da luta de classes \u00e9 preciso organizar a resist\u00eancia para uma etapa de confronta\u00e7\u00e3o longa e dura.<\/p>\n<p>\u00c9 nesses tempos quando \u00e9 mais imprescind\u00edvel atualizar os tesouros de hero\u00edsmo que cada povo possui. Em nosso caso, o dos povos do Estado espanhol e das Brigadas Internacionais.<\/p>\n<p>Suas ra\u00edzes se fundam neste solo e nos ajudam a n\u00e3o perder o norte; a n\u00e3o esquecer nunca que somente se \u00e9 capaz de abarcar o que significa ser sobre esta terra, quando esse formoso e terr\u00edvel legado se transforma \u2013 no momento concreto e nas condi\u00e7\u00f5es em que nos toca viver \u2013 em vontade combatente.<\/p>\n<p>*Red Roja<\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2016\/07\/17\/80-anos-guerra-civil-espanola-o-guerra-revolucionaria-comprender-para-resistir-por-angeles-maestro\/<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Resumen Latinoamericano, 17 de julho de 2016 \u2013 A for\u00e7a heroica com a qual os povos do Estado espanhol enfrentaram o fascismo \u00e9 \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11640\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[50,9],"tags":[],"class_list":["post-11640","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c61-cultura-revolucionaria","category-s10-internacional"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-31K","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11640","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11640"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11640\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11640"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11640"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11640"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}