{"id":1165,"date":"2011-01-29T14:02:45","date_gmt":"2011-01-29T14:02:45","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1165"},"modified":"2011-01-29T14:02:45","modified_gmt":"2011-01-29T14:02:45","slug":"as-causas-de-tantos-desastres-ambientais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1165","title":{"rendered":"As causas de tantos desastres ambientais"},"content":{"rendered":"\n<p>O fato \u00e9 que tudo isto faz parte de um modelo capitalista de organizar a vida social apenas para o lucro, que representa o desastre, a desgra\u00e7a e o alto custo de vidas humanas cada vez maior<\/p>\n<p><em>19\/01\/2011<\/em><\/p>\n<p>Sofremos mais uma trag\u00e9dia. Mais de 600 pessoas perderam a vida nos munic\u00edpios serranos do Rio de Janeiro. Outras dezenas pagaram com a vida em S\u00e3o Paulo, Minas Gerais&#8230;<\/p>\n<p>A televis\u00e3o e os meios de comunica\u00e7\u00e3o da burguesia est\u00e3o cumprindo seu papel: transformaram a desgra\u00e7a alheia num espet\u00e1culo diuturno, em que se assiste a tudo, menos o mais importante, que \u00e9 debater sobre o por que est\u00e1 acontecendo tudo isso.<\/p>\n<p>Para a televis\u00e3o n\u00e3o interessa debater as causas. Seu objetivo n\u00e3o \u00e9 resolver os problemas sociais, \u00e9 apenas aumentar a audi\u00eancia. E aumentando a audi\u00eancia, sobem os pontos para as tarifas da publicidade que cobram das empresas.<\/p>\n<p>Para a classe dominante, a burguesia brasileira e seus representantes no Estado brasileiro, tampouco interessa debater quais as causas destes desastres ambientais. Eles sabem que um debate mais reflexivo, s\u00e9rio e profundo certamente chegaria at\u00e9 eles como os principais respons\u00e1veis e causadores dessas trag\u00e9dias.<\/p>\n<p>Assim, a popula\u00e7\u00e3o brasileira vai vivendo de espet\u00e1culo em espet\u00e1culo, como uma verdadeira novela. Ou melhor, de trag\u00e9dia em trag\u00e9dia. Mas novela \u00e9 fic\u00e7\u00e3o, representa\u00e7\u00e3o, teatro. E o que est\u00e1 acontecendo n\u00e3o \u00e9 teatro. Na vida real, milhares de fam\u00edlias perdem suas casas e tudo o que constru\u00edram. Centenas perdem seus entes queridos. Mas quem se importa com isso? As elites dizem: \u201co povo logo esquece as desgra\u00e7as&#8230;\u201d e a vida se normaliza.<\/p>\n<p>Quem ainda se lembra de quantos morreram na regi\u00e3o sul do estado do Rio no ano passado? Quantos se lembram das 13 cidades pobres do sul de Pernambuco e norte de Alagoas que foram soterradas no ano passado? Quantos ainda se lembram que ainda h\u00e1 centenas de desabrigados, na regi\u00e3o de Blumenau (SC), dos desastres de dois anos?<\/p>\n<p>Felizmente t\u00eam aparecido an\u00e1lises s\u00e9rias, de estudiosos e especialistas ambientais, que nos levam a entender e a explicar onde est\u00e3o as verdadeiras causas desses \u201cdesastres naturais\u201d, provocados pela a\u00e7\u00e3o humana e que t\u00eam-se repetido sistematicamente no territ\u00f3rio brasileiro.<\/p>\n<p><strong>Destas avalia\u00e7\u00f5es, podemos enumerar as principais:<\/strong><\/p>\n<p><strong>1. Houve uma agress\u00e3o permanente<\/strong> no Bioma da Amaz\u00f4nia e do Cerrado, destruindo a vegeta\u00e7\u00e3o nativa e introduzindo a monocultura e a pecu\u00e1ria. Isso alterou o regime de chuvas e criou uma verdadeira estrada que traz chuvas torrenciais do Norte para o Sudeste.<\/p>\n<p><strong>2. Houve uma agress\u00e3o ao n\u00e3o se respeitar o meio ambiente ao redor das cidades<\/strong>, e n\u00e3o h\u00e1 mais \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o nos cumes das montanhas, nas encostas e margens dos rios. De maneira que, quando aumentam as chuvas, elas se projetam diretamente sobre as moradias e a infraestrutura social existente.<\/p>\n<p><strong>3. Houve uma impermeabiliza\u00e7\u00e3o das cidades<\/strong>, em fun\u00e7\u00e3o do autom\u00f3vel, para ele andar mais r\u00e1pido.Tudo \u00e9 asfaltado. E quando chove, a velocidade das \u00e1guas aumenta de forma abrupta, em tempo e volume.<\/p>\n<p><strong>4. H\u00e1 uma especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria permanente<\/strong>, que quer apenas lucro, empurrando os pobres para ladeiras, encostas, margens de rios, c\u00f3rregos e manguezais.<\/p>\n<p><strong>5. O modelo de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola do agroneg\u00f3cio introduziu o monocultivo exten<\/strong>sivo, sobretudo com pasto, cana e soja, que desequilibraram o meio ambiente. Destruindo toda a biodiversidade vegetal e animal. Este desequil\u00edbrio provoca altera\u00e7\u00e3o no regime de chuvas, na sua intensidade e concentra\u00e7\u00e3o em determinadas regi\u00f5es. Ou seja, chuvas torrenciais, concentradas em volume e em determinados dias. Isso \u00e9 provocado pelo tipo de agricultura, que devastou o equil\u00edbrio que havia na biodiversidade natural. Da\u00ed que a agricultura familiar, que pratica agroecologia e agrofl oresta \u00e9 fundamental para o equil\u00edbrio do regime de chuvas, de clima e temperaturas em todo o territ\u00f3rio nacional, inclusive nas cidades.<\/p>\n<p><strong>6. As cidades brasileiras est\u00e3o se organizando apenas em fun\u00e7\u00e3o do transporte individual<\/strong>, do autom\u00f3vel, que apenas d\u00e1 lucro para meia d\u00fazias de transnacionais instaladas no pa\u00eds. Ent\u00e3o se investem volumosos recursos em obras de vias p\u00fablicas, fazem-se pontes, t\u00faneis, viadutos, soterram-se c\u00f3rregos etc. Tudo isso altera o equil\u00edbrio que havia nos territ\u00f3rios hoje urbanizados.<\/p>\n<p><strong>7. A popula\u00e7\u00e3o urbana perdeu o h\u00e1bito de ter jardins<\/strong>, hortas familiares e defender mais \u00e1reas verdes nas cidades, que ainda poderiam amenizar o volume das chuvas e o equil\u00edbrio das temperaturas. Elas tamb\u00e9m s\u00e3o induzidas a impermeabilizar os arredores de suas casas.<\/p>\n<p><strong>8. Nenhum governante ou ag\u00eancia estatal se preocupa com medidas preve<\/strong>ntivas, que podem avisar e deslocar as popula\u00e7\u00f5es para lugares seguros, como se faz na maioria dos pa\u00edses. Basta lembrar que, h\u00e1 dois anos, Cuba sofreu um ciclone de propor\u00e7\u00f5es imagin\u00e1veis, que arrasou o territ\u00f3rio. Mas eles tiveram apenas tr\u00eas mortos em todo pa\u00eds. Porque, antes, deslocaram milh\u00f5es de pessoas para abrigos, e o Estado os deu prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que tudo isto faz parte de um modelo capitalista de organizar a vida social apenas para o lucro, que representa o desastre, a desgra\u00e7a e o alto custo de vidas humanas cada vez maior. Portanto, enquanto a sociedade e os governantes n\u00e3o se conscientizarem, assumirem suas responsabilidades e tomarem medidas concretas para enfrentar as verdadeiras causas, teremos, infelizmente, a repeti\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica de trag\u00e9dias ambientais e sociais.<\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/www.brasildefato.com.br\/node\/5504<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: 4.bp.blogspot\n\n\n\n\n\n\n\n\nEditorial da edi\u00e7\u00e3o 412 do Brasil de Fato\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1165\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[68],"tags":[],"class_list":["post-1165","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c81-ecologia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-iN","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1165","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1165"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1165\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1165"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1165"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1165"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}