{"id":11663,"date":"2016-07-23T15:47:38","date_gmt":"2016-07-23T18:47:38","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=11663"},"modified":"2016-08-11T01:21:01","modified_gmt":"2016-08-11T04:21:01","slug":"uma-ilha-africana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11663","title":{"rendered":"Uma ilha Africana"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.odiario.info\/b2-img\/AUTORESCARLOSLOPESPEREIRA1_01.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>Carlos Pereira*<\/p>\n<p>A solidariedade internacionalista do povo cubano foi um exemplo \u00fanico que superou toda e qualquer proporcionalidade que se queira encontrar.<!--more--><\/p>\n<p>Por isso, \u00abas for\u00e7as progressistas e os povos da \u00c1frica jamais esquecer\u00e3o o contributo da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana para a liberta\u00e7\u00e3o do continente e o sangue derramado pelos cubanos, muitos deles descendentes de escravos africanos levados \u00e0 for\u00e7a, s\u00e9culos antes, para o Caribe\u00bb.<\/p>\n<p>Evidenciando os la\u00e7os hist\u00f3ricos que unem os povos de Cuba e \u00c1frica, Am\u00edlcar Cabral disse um dia que a terra de Fidel \u00ab\u00e9 uma ilha africana perdida no Mar do Caribe\u00bb. Sentimento partilhado pelo revolucion\u00e1rio cubano, para quem Cuba \u00ab\u00e9 um pa\u00eds latino-africano\u00bb.<\/p>\n<p>Assassinado em 1970 por agentes do colonialismo portugu\u00eas, o l\u00edder da luta pol\u00edtica e armada pela independ\u00eancia nacional da Guin\u00e9-Bissau e de Cabo Verde era um grande admirador da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana e dos seus dirigentes.<\/p>\n<p>Em princ\u00edpios de 1965, Cabral encontra-se em Conakry com Ernesto Che Guevara, quando este faz um p\u00e9riplo por \u00c1frica para contactar dirigentes de movimentos de liberta\u00e7\u00e3o nacional e de regimes progressistas como os da Arg\u00e9lia, Egipto, Gana e Tanz\u00e2nia. Pouco depois, Cuba despacha por via mar\u00edtima alimentos, medicamentos, uniformes e armas para os combatentes do PAIGC. E envia os primeiros m\u00e9dicos e assessores militares para apoiar o governo de Massamba-D\u00e9bat, do Congo (Brazzaville), e os guerrilheiros da Frelimo, em Mo\u00e7ambique, e do Congo (Leopoldville). Mais tarde, em meados de 1966, desembarcam nas \u00e1reas libertadas da Guin\u00e9-Bissau equipas de m\u00e9dicos e de assessores militares cubanos.<\/p>\n<p>Este apoio internacionalista de Cuba ao movimento independentista africano estender-se-\u00e1 mais tarde a outros pa\u00edses. Em Dezembro de 1975, quando Agostinho Neto proclama a Rep\u00fablica Popular de Angola, j\u00e1 invadida pelas hordas sul-africanas e por mercen\u00e1rios a soldo do imperialismo, h\u00e1 combatentes cubanos a ajudar os angolanos na defesa de Luanda.<\/p>\n<p>Em Angola, at\u00e9 meados dos anos 80, militares cubanos \u2013 a par de m\u00e9dicos, professores e outros t\u00e9cnicos a trabalhar na constru\u00e7\u00e3o do novo Estado \u2013 ajudar\u00e3o o governo do MPLA a combater, travar e vencer o ex\u00e9rcito da \u00c1frica do Sul doapartheid e seus t\u00edteres. Vit\u00f3rias decisivas para a conquista da paz em Angola, para a independ\u00eancia da Nam\u00edbia, para o fim dos regimes racistas rodesiano e sul-africano, para a mudan\u00e7a profunda do mapa pol\u00edtico da \u00c1frica Austral.<\/p>\n<p>As for\u00e7as progressistas e os povos da \u00c1frica jamais esquecer\u00e3o o contributo da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana para a liberta\u00e7\u00e3o do continente e o sangue derramado pelos cubanos, muitos deles descendentes de escravos africanos levados \u00e0 for\u00e7a, s\u00e9culos antes, para o Caribe.<\/p>\n<p><strong>Respeito irrestrito pela soberania nacional<\/strong><\/p>\n<p>As estat\u00edsticas da coopera\u00e7\u00e3o Cuba-\u00c1frica, hoje, s\u00e3o impressionantes. Num artigo recente, no Granma, jornal do Partido Comunista de Cuba, a jornalista Laura Prada fornece n\u00fameros sobre essa \u00abponte entre povos irm\u00e3os\u00bb.<\/p>\n<p>O primeiro passo foi dado em Maio de 1963, quando chegou \u00e0 Arg\u00e9lia acabada de conquistar a independ\u00eancia a primeira equipa m\u00e9dica cubana, com 55 elementos. Um dos exemplos mais recentes deste esp\u00edrito solid\u00e1rio, na \u00e1rea da sa\u00fade, elogiado pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas, pela Uni\u00e3o Africana e pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, foi o envio de uma brigada de 256 profissionais de sa\u00fade para a Guin\u00e9-Conakry, a Lib\u00e9ria e a Serra Leoa, para ajudar a controlar a emerg\u00eancia sanit\u00e1ria provocada pelo v\u00edrus do \u00e9bola.<\/p>\n<p>Desde o triunfo da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana at\u00e9 2015, mais de um milh\u00e3o de cubanos trabalharam em 160 pa\u00edses e cerca de 30 mil ofereceram os seus servi\u00e7os nas \u00e1reas da sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, desporto, ci\u00eancia e constru\u00e7\u00e3o civil em diferentes regi\u00f5es do Norte da \u00c1frica e da \u00c1frica subsaariana.<\/p>\n<p>Trabalham em \u00c1frica, actualmente, segundo o Granma, cinco mil cubanos, ainda assim apenas 10 por cento dos cooperantes de Cuba em todo o mundo. Por sectores, 2442 s\u00e3o da sa\u00fade, 247 da educa\u00e7\u00e3o, 82 do sector t\u00e9cnico, 72 da constru\u00e7\u00e3o civil. Os pa\u00edses africanos com maior n\u00famero de cooperantes cubanos, em finais do primeiro trimestre deste ano, eram Angola (2742), Arg\u00e9lia (905), Guin\u00e9 Equatorial (507). Mo\u00e7ambique (389), \u00c1frica do Sul (329), G\u00e2mbia (114), Nam\u00edbia (113) e, com menos de uma centena, Botswana, Gab\u00e3o, Congo, Cabo Verde, Guin\u00e9-Bissau, Burkina Faso, Zimbabu\u00e9, Rep\u00fablica \u00c1rabe Saharaui Democr\u00e1tica, Eritreia, Eti\u00f3pia, Tanz\u00e2nia.<\/p>\n<p>Esta coopera\u00e7\u00e3o baseia-se em quatro princ\u00edpios, que ajudam a compreender a admira\u00e7\u00e3o dos povos africanos pelo internacionalismo da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana. Um primeiro, o do benef\u00edcio comum e o da solidariedade; um segundo, o da contribui\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento dos pa\u00edses receptores de ajuda de emerg\u00eancia ou em caso de desastre; um terceiro, o da mostra da solidariedade entre os povos, sem condi\u00e7\u00f5es; e, um quarto princ\u00edpio, o do respeito sem restri\u00e7\u00f5es pela soberania, leis nacionais, cultura, religi\u00e3o e autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos.<\/p>\n<p><em>* Jornalista<\/em><\/p>\n<p><em>Este texto foi publicado no Avante n\u00ba 2.223 em 7 de Julho de 2016.<\/em><\/p>\n<p>http:\/\/www.odiario.info\/uma-ilha-africana\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Carlos Pereira* A solidariedade internacionalista do povo cubano foi um exemplo \u00fanico que superou toda e qualquer proporcionalidade que se queira encontrar.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11663\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[177],"tags":[],"class_list":["post-11663","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-327","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11663","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11663"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11663\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11663"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11663"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11663"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}