{"id":1169,"date":"2011-01-30T18:03:53","date_gmt":"2011-01-30T18:03:53","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1169"},"modified":"2011-01-30T18:03:53","modified_gmt":"2011-01-30T18:03:53","slug":"o-movimento-de-protesto-no-egito-qditadoresq-nao-ditam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1169","title":{"rendered":"O movimento de protesto no Egito: &#8220;Ditadores&#8221; n\u00e3o ditam"},"content":{"rendered":"\n<p>O regime Mubarak pode entrar em colapso face ao vasto movimento de protesto \u00e0 escala nacional. Quais as perspectivas para o Egipto e o mundo \u00e1rabe?<\/p>\n<p>&#8220;Ditadores&#8221; n\u00e3o ditam, eles obedecem ordens. Isto \u00e9 verdade tanto na Tun\u00edsia como na Arg\u00e9lia e no Egipto.<\/p>\n<p>Ditadores s\u00e3o sempre fantoches pol\u00edticos. Os ditadores n\u00e3o decidem.<\/p>\n<p>O presidente Hosni Mubarak foi o fiel servidor dos interesses econ\u00f4micos ocidentais e assim era Ben Ali.<\/p>\n<p>O governo nacional \u00e9 o objecto do movimento de protesto. O objectivo \u00e9 remover o fantoche ao inv\u00e9s do mestre do fantoche. Os slogans no Egipto s\u00e3o &#8220;Abaixo Mubarak, abaixo o regime&#8221;. N\u00e3o h\u00e1 cartazes anti-americanos&#8230; A influ\u00eancia avassaladora e destrutiva dos EUA no Egipto e por todo o M\u00e9dio Oriente permanece oculta.<\/p>\n<p>As pot\u00eancias estrangeiras que operam nos bastidores est\u00e3o protegidas do movimento de protesto.<\/p>\n<p>Nenhuma mudan\u00e7a pol\u00edtica significativa se verificar\u00e1 a menos que a quest\u00e3o da interfer\u00eancia estrangeira seja tratada de forma expl\u00edcita pelo movimento de protesto.<\/p>\n<p>A Embaixada dos EUA no Cairo \u00e9 uma importante entidade pol\u00edtica, sempre ofuscando o governo nacional, n\u00e3o \u00e9 alvo do movimento de protesto.<\/p>\n<p>No Egipto, em 1991 foi imposto um devastador programa do FMI na altura da Guerra do Golfo. Ele foi negociado em troca da anula\u00e7\u00e3o da multimilion\u00e1ria d\u00edvida militar do Egipto para com os EUA bem como da sua participa\u00e7\u00e3o na guerra. A resultante desregulamenta\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os dos alimentos, a privatiza\u00e7\u00e3o geral e medidas de austeridade maci\u00e7as levaram ao empobrecimento da popula\u00e7\u00e3o eg\u00edpcia e \u00e0 desestabiliza\u00e7\u00e3o da sua economia. O Egipto era louvado como uma &#8220;aluno modelo&#8221; do FMI.<\/p>\n<p>O papel do governo de Ben Ali na Tun\u00edsia foi impor os rem\u00e9dios economicos mortais do FMI, os quais num per\u00edodo de mais de vinte anos serviram para desestabilizar a economia nacional e empobrecer a popula\u00e7\u00e3o tunisina. Ao longo dos \u00faltimos 23 anos, a pol\u00edtica economica e social na Tun\u00edsia foi ditada pelo Consenso de Washington.<\/p>\n<p>Tanto Hosni Mubarak como Ben Ali permaneceram no poder porque os seus governos obedeceram e aplicaram efectivamente os diktats do FMI.<\/p>\n<p>Desde Pinochet e Videla at\u00e9 Baby Doc, Ben Ali e Mubarak, os ditadores t\u00eam sido instalados por Washington. Historicamente, na Am\u00e9rica Latina, os ditadores eram nomeados atrav\u00e9s de uma s\u00e9rie de golpes militares patrocinados pelos EUA.<\/p>\n<p>Hoje eles s\u00e3o nomeados atrav\u00e9s de &#8220;elei\u00e7\u00f5es livres e justas&#8221; sob a supervis\u00e3o da comunidade internacional.<\/p>\n<p>Nossa mensagem ao movimento de protesto:<\/p>\n<p><strong>As decis\u00f5es reais s\u00e3o tomadas em Washington DC, no Departamento de Estados dos EUA, no Pent\u00e1gono, em Langley, sede da CIA, na H Street NW, as sedes do Bando Mundial e do FMI. <\/strong><\/p>\n<p><strong>O relacionamento do &#8220;ditador&#8221; com interesses estrangeiros deve ser considerado. Derrubar fantoches pol\u00edticos mas n\u00e3o esquecer de alvejar os &#8220;ditadores reais&#8221;. <\/strong><\/p>\n<p><strong>O movimento de protesto deveria centrar-se na poltrona real da autoridade pol\u00edtica; deveria ter como alvo a Embaixada dos EUA, a delega\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia, as miss\u00f5es nacionais do FMI e do Banco Mundial. <\/strong><\/p>\n<p>Uma mudan\u00e7a pol\u00edtica significativa s\u00f3 pode ser assegurada se a agenda de pol\u00edtica econ\u00f3mica neoliberal foi jogada fora.<\/p>\n<p><strong>Substitui\u00e7\u00e3o de regime <\/strong><\/p>\n<p>Se o movimento de protesto deixar de tratar o papel das pot\u00eancias estrangeiras incluindo press\u00f5es exercidas por &#8220;investidores&#8221;, credores externos e institui\u00e7\u00f5es financeiras internacionais, o objectivo da soberania nacional n\u00e3o ser\u00e1 alcan\u00e7ado. Nesse caso, o que ocorrer\u00e1 \u00e9 um processo estreito de &#8220;substitui\u00e7\u00e3o de regime&#8221;, o qual assegura continuidade pol\u00edtica.<\/p>\n<p>&#8220;Ditadores&#8221; s\u00e3o postos e depostos. Quando eles est\u00e3o politicamente desacreditados e j\u00e1 n\u00e3o servem os interesses dos seus patrocinadores estado-unidenses, eles s\u00e3o substitu\u00eddos por um novo l\u00edder, muitas vezes recrutado dentro das fileiras da oposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Na Tun\u00edsia, a administra\u00e7\u00e3o Obama j\u00e1 se posicionou. Ela pretende desempenhar um papel chave no &#8220;programa de democratiza\u00e7\u00e3o&#8221; (isto \u00e9, manuten\u00e7\u00e3o das chamadas elei\u00e7\u00f5es justas). Ela tamb\u00e9m pretende utilizar a crise pol\u00edtica como um meio de enfraquecer o papel da Fran\u00e7a e consolidar a sua posi\u00e7\u00e3o na \u00c1frica do Norte:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px; text-align: justify;\">&#8220;Os Estados Unidos, que foram r\u00e1pidos em avaliar a vaga de protesto nas ruas da Tun\u00edsia, est\u00e3o a <strong>tentar pressionar em seu proveito a fim de promover reformas democr\u00e1ticas <\/strong>no pa\u00eds e outras mais al\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px; text-align: justify;\">O alto enviado dos EUA para o M\u00e9dio Oriente, Jeffrey Feltman, foi o primeiro respons\u00e1vel estrangeiro a chegar ao pa\u00eds depois de o presidente Zine El Abidine Ben Ali ser derrubado em 14 de Janeiro e suavemente apelou a reformas. Ele disse na ter\u00e7a-feira que s\u00f3 elei\u00e7\u00f5es livres e justas fortaleceram e dariam credibilidade \u00e0 lideran\u00e7a sob ataque do estado norte africano.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px; text-align: justify;\">&#8220;Espero certamente que estaremos utilizando o exemplo tunisino&#8221; em conversas com outros governos \u00e1rabes, acrescentou o secret\u00e1rio de Estado Feltman.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px; text-align: justify;\">Ele foi despachado para o pa\u00eds norte africano a fim de oferecer a ajuda dos EUA na turbulenta transi\u00e7\u00e3o de poder e encontrar-se com ministros e figuras da sociedade civil tunisina.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px; text-align: justify;\">Feltman viaja para Paris na quarta-feira a fim de discutir a crise com l\u00edderes da Fran\u00e7a, promovendo a impress\u00e3o de que <strong>os EUA est\u00e1 a conduzir apoio internacional a uma nova Tun\u00edsia, em detrimento da antiga pot\u00eancia colonial, a Fran\u00e7a. &#8230; <\/strong><\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px; text-align: justify;\">Pa\u00edses ocidentais apoiaram por longo tempo a derrubada lideran\u00e7a da Tun\u00edsia, encarando-a como um baluarte contra militantes isl\u00e2micos na regi\u00e3o norte africana.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px; text-align: justify;\">Em 2006, o ent\u00e3o secret\u00e1rio da Defesa dos EUA Donald Rumsfeld, falando em Tunis, louvou a evolu\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px; text-align: justify;\">A secret\u00e1ria de Estado Hillary Clinton, agilmente, interveio com um discurso em Doha a 13 de Janeiro advertindo l\u00edderes \u00e1rabes para permitirem aos seus cidad\u00e3os maiores liberdades ou [sofrerem] o risco de extremistas explorarem a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px; text-align: justify;\">&#8220;N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que os Estados Unidos est\u00e3o a tentar posicionar-se muito rapidamente do lado bom&#8230;&#8221; AFP: <a href=\"http:\/\/www.google.com\/hostednews\/afp\/article\/ALeqM5hDbfg1WFaPPd7sbU5Ghogi4YHQ2w?docId=CNG.148a6c382024ebbebe64021de441dac9.b91\" target=\"_blank\">US helping shape outcome of Tunisian<\/a> , enfase acrescentada.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que Washington ter\u00e1 \u00eaxito em nomear um novo regime fantoche?<\/p>\n<p>Isto depende muito da capacidade do movimento de protesto de tratar o papel insidioso dos EUA nos assuntos internos do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Os poderes avassaladores do imp\u00e9rio n\u00e3o s\u00e3o mencionados. Numa ironia amarga, o presidente Obama exprimiu o seu apoio ao movimento de protesto.<\/p>\n<p>Muitas pessoas dentro do movimento de protestos s\u00e3o levadas a acreditar que o presidente Obama est\u00e1 comprometido com a democracia e os direitos humanos e \u00e9 apoiante da resolu\u00e7\u00e3o da oposi\u00e7\u00e3o de destronar o ditador, o qual fora antes instalado pelos EUA.<\/p>\n<p><strong>Coopta\u00e7\u00e3o de l\u00edderes da oposi\u00e7\u00e3o <\/strong><\/p>\n<p>A coopta\u00e7\u00e3o dos l\u00edderes dos principais partidos da oposi\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil na previs\u00e3o do colapso de um governo fantoche autorit\u00e1rio faz parte dos des\u00edgnios de Washington, aplicados em diferentes regi\u00f5es do mundo. O processo de coopta\u00e7\u00e3o \u00e9 implementado e financiado pelos EUA com base em funda\u00e7\u00f5es incluindo o National Endowment for Democracy (NED) e o Freedom House (FH). Tanto o FH como o NED t\u00eam liga\u00e7\u00f5es ao Congresso dos EUA, ao Council on Foreign Relations (CFR) e ao establishment de neg\u00f3cios estado-unidense. Tanto o NED como o FH s\u00e3o conhecidos por terem la\u00e7os com a CIA.<\/p>\n<p>O NED est\u00e1 envolvido activamente na Tun\u00edsia, Egipto e Arg\u00e9lia. A Freedom House apoia v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil no Egipto.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px; text-align: justify;\">&#8220;O NED foi estabelecido pela administra\u00e7\u00e3o Reagan depois de o papel da CIA nos financiamentos encobertos para derrubar governos estrangeiros ter sido trazido \u00e0 luz, levando ao descr\u00e9dito dos partidos, movimentos, revistas, livros, jornais e indiv\u00edduos que receberam financiamento da CIA. &#8230; Como uma funda\u00e7\u00e3o bi-partid\u00e1ria, com participa\u00e7\u00e3o dos dois principais partidos, bem como da AFL-CIO e da US Chamber of Commerce, o NED assumiu o comando do financiamento de movimentos para derrubar governos estrangeiros, mas abertamente e sob a rubrica da &#8220;promo\u00e7\u00e3o da democracia&#8221;. (Stephen Gowans, January \u00ab 2011 &#8220;What&#8217;s left&#8221;<\/p>\n<p>Se bem que os EUA tenha apoiado o governo Mubarak durante os \u00faltimos trinta anos, funda\u00e7\u00f5es dos EUA com la\u00e7os no Departamento de Estado e no Pent\u00e1gono apoiaram activamente a oposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica incluindo o movimento da sociedade civil. Segundo a Freedom House: &#8220;A sociedade civil eg\u00edpcia \u00e9 tanto vibrante como constrangida. H\u00e1 centenas de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais dedicadas a expandir direitos civis e pol\u00edticos no pa\u00eds, operando num ambiente altamente regulado&#8221;. (Freedom House Press Releases).<\/p>\n<p>Numa ironia amarga, Washington apoia a ditadura Mubarak, incluindo suas atrocidades, enquanto tamb\u00e9m apoia e financia seus detractores, atrav\u00e9s das actividades do FH, NED, dentre outras.<\/p>\n<p>O esfor\u00e7o da Freedom House para envolver uma nova gera\u00e7\u00e3o de advogados proporcionou resultados tang\u00edveis e o programa New Generation no Egipto ganhou proemin\u00eancia tanto ao n\u00edvel local como internacional. <strong>Membros visitantes eg\u00edpcios de todos os grupos da sociedade civil receberam [Maio 2008] aten\u00e7\u00e3o sem precedentes e reconhecimento, incluindo reuni\u00f5es em Washington com o secret\u00e1rio de Estado, o Conselheiro de Seguran\u00e7a Nacional e membros eminentes do Congresso. Nas palavras de Condoleezza Rice, eles representam a &#8220;esperan\u00e7a para o futuro do Egipto&#8221;. <\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.freedomhouse.org\/template.cfm?page=66&amp;program=84\" target=\"_blank\">http:\/\/www.freedomhouse.org\/template.cfm?page=66&amp;program=84<\/a><\/p>\n<p><strong>Pol\u00edtica d\u00faplice: Conversar com &#8220;ditadores&#8221;, misturar-se com &#8220;dissidentes&#8221; <\/strong><\/p>\n<p>Sob os ausp\u00edcios da Freedom House, em Maio de 2008 dissidentes eg\u00edpcios e oponentes de Hosni Mubarak foram recebidos por Condoleezza Rice no Departamento de Estado e no Congresso dos EUA.<\/p>\n<p>Em Maio de 2009, Hillary Clinton encontrou-se com uma delega\u00e7\u00e3o de dissidentes eg\u00edpcios, visitando Washington sob os ausp\u00edcios da Freedom House. Foram reuni\u00f5es de alto n\u00edvel. Este grupos de oposi\u00e7\u00e3o, os quais est\u00e3o a desempenhar um papel importante no movimento de protesto, est\u00e3o destinados a servir os interesses dos EUA. A Am\u00e9rica \u00e9 apresentada como um modelo de Liberdade e Justi\u00e7a. O convite de dissidentes para o Departamento de Estado e o Congresso dos EUA pretende instilar um sentimento de compromisso e lealdade a valores democr\u00e1ticos americanos.<\/p>\n<p><strong>Os mestres dos fantoches apoiam o movimento de protesto contra os seus pr\u00f3prios fantoches <\/strong><\/p>\n<p>Os mestres dos fantoches apoiam dissidentes contra os seus pr\u00f3prios fantoches?<\/p>\n<p>Chama-se a isto &#8220;alavancagem pol\u00edtica&#8221;, &#8220;fabrica\u00e7\u00e3o de dissidentes&#8221;. O apoio a ditadores bem como a oponentes do ditador como um meio de controlar a oposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Estas ac\u00e7\u00f5es da parte da Freedom House e do National Edowment for Democracy, por conta das administra\u00e7\u00f5es Bush e Obama, asseguram que a oposi\u00e7\u00e3o da sociedade civil financiada pelos EUA n\u00e3o dirigir\u00e1 suas energias contra os mestres do fantoche por tr\u00e1s do regime Mubarak, nomeadamente o governo dos EUA.<\/p>\n<p>Estas organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil financiadas pelos EUA actuam como um &#8220;Cavalo de Troia&#8221; o qual fica incorporado dentro do movimento de protesto. Elas protegem os interesses dos mestres do fantoche. Elas asseguram que o movimento de protesto das bases n\u00e3o considerar\u00e1 a quest\u00e3o mais vasta da interfer\u00eancia estrangeira nos assuntos internos de estados soberanos.<\/p>\n<p><strong>Os Facebook, Twitter e bloguistas apoiados e financiados por Washington <\/strong><\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao movimento de protesto no Egipto, v\u00e1rios grupos da sociedade civil financiados por funda\u00e7\u00f5es com sede nos EUA t\u00eam dirigido o protesto com o Twitter e o Facebook:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px; text-align: justify;\">&#8220;Activistas do movimento Kifaya (Basta) do Egipto \u2013 uma coliga\u00e7\u00e3o de oponentes ao governo \u2013 e o Movimento da Juventude 6 de Abril organizaram os protestos nas redes sociais dos s\u00edtios web do Facebook e Twitter&#8221;. (Ver Voice of America, <a href=\"http:\/\/www.voanews.com\/english\/news\/middle-east\/Tunisia-style-Rallies-Planned-in-Egypt-114540164.html\" target=\"_blank\">Egypt Rocked by Deadly Anti-Government Protests<\/a><\/p>\n<p>O movimento Kifaya, o qual organizou uma das primeiras ac\u00e7\u00f5es dirigidas contra o regime Mubarak em 2004, \u00e9 apoiado pelo <a href=\"http:\/\/www.nonviolent-conflict.org\/index.php\/about-icnc\" target=\"_blank\">International Center for Non-Violent Conflict<\/a> com sede nos EUA, o qual \u00e9 ligado \u00e0 Freedom House. Por sua vez, a Freedom House tem estado envolvida na promo\u00e7\u00e3o e treino do Facebook e de blogs Twitter no M\u00e9dio Oriente e \u00c1frica do Norte.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px; text-align: justify;\">Os assistidos pela Freedom House adquiriram qualifica\u00e7\u00f5es em mobiliza\u00e7\u00e3o c\u00edvica, lideran\u00e7a e planeamento estrat\u00e9gico, e <strong>beneficiam de oportunidades em rede atrav\u00e9s da interac\u00e7\u00e3o com doadores, organiza\u00e7\u00f5es internacionais e os media baseados em Washington. Depois de retornarem ao Egipto, os assistidos receberam pequenas subven\u00e7\u00f5es para implementar iniciativas inovadoras tais como advogar pela reforma pol\u00edtica atrav\u00e9s do Facebook e de mensagens SMS. <\/strong><\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px; text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.freedomhouse.org\/template.cfm?page=66&amp;program=84\" target=\"_blank\">http:\/\/www.freedomhouse.org\/template.cfm?page=66&amp;program=84<\/a> (emphasis added)<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px; text-align: justify;\">De 27 de Fevereiro a 13 de Mar\u00e7o [2010], a Freedom House hospedou 11 bloguistas do M\u00e9dio Oriente e \u00c1frica do Norte [de diferentes organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil] para um Advanced New Media Study Tour de duas semanas em Washington, DC. O Study Tour deu aos bloguistas treino em seguran\u00e7a digital, feitura de v\u00eddeos digitais, desenvolvimento de mensagens e mapeamento digital. <strong>Enquanto em DC, os assistidos tamb\u00e9m participaram numa reuni\u00e3o no Senado e encontraram-se com respons\u00e1veis de alto n\u00edvel na USAID, no Departamento de Estado e no Congresso bem como com os media internacional incluindo a Al-Jazeera e o <em>Washington Post <\/em>. <\/strong><a href=\"http:\/\/www.freedomhouse.org\/template.cfm?page=115&amp;program=84&amp;item=87\" target=\"_blank\">http:\/\/www.freedomhouse.org\/template.cfm?page=115&amp;program=84&amp;item=87<\/a> \u00eanfase acrescentada<\/p>\n<p>Pode-se facilmente perceber a import\u00e2ncia concedida pela administra\u00e7\u00e3o dos EUA a este programa de treino de bloguistas, o qual \u00e9 complementado com reuni\u00f5es no Senado, no Congresso, no Departamento de Estado, etc.<\/p>\n<p>O papel do movimento Facebook Twitter como express\u00e3o de dissid\u00eancia deve ser cuidadosamente avaliado \u00e0 luz de liga\u00e7\u00f5es de v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil \u00e0 Freedom House (FH), \u00e0 National Endowment for Democracy (NED) e ao Departamento de Estado dos EUA.<\/p>\n<p><strong>A Fraternidade Mu\u00e7ulmana <\/strong><\/p>\n<p>A Fraternidade Mu\u00e7ulmana constitui no Egipto o maior segmento da oposi\u00e7\u00e3o ao presidente Mubarak. Segundo informa\u00e7\u00f5es, a Fraternidade Mu\u00e7ulmana domina o movimento de protesto.<\/p>\n<p>Apesar de haver uma proibi\u00e7\u00e3o constitucional de partidos pol\u00edticos religiosos, membros eleitos ao parlamento eg\u00edpcio como &#8220;independentes&#8221; constituem o maior bloco parlamentar.<\/p>\n<p>A Fraternidade, contudo, n\u00e3o constitui uma amea\u00e7a directa aos interesses econ\u00f4micos e estrat\u00e9gicos de Washington na regi\u00e3o. Ag\u00eancias de intelig\u00eancia ocidentais t\u00eam uma longa hist\u00f3ria de colabora\u00e7\u00e3o com a Fraternidade. O apoio brit\u00e2nico \u00e0 Fraternidade instrumentado atrav\u00e9s do Servi\u00e7o Secreto Brit\u00e2nico remonta \u00e0 d\u00e9cada de 1940. A partir da d\u00e9cada de 1950, segundo o antigo respons\u00e1vel de intelig\u00eancia William Baer, &#8220;A CIA [canalizou] apoio \u00e0 Fraternidade Mu\u00e7ulmana devido \u00e0 louv\u00e1vel capacidade da Fraternidade para derrubar Nasser&#8221;. <a href=\"http:\/\/www.historycommons.org\/context.jsp?item=western_support_for_islamic_militancy_202700&amp;scale=0\" target=\"_blank\">1954-1970: CIA and the Muslim Brotherhood Ally to Oppose Egyptian President Nasser<\/a> . Estas liga\u00e7\u00f5es encobertas \u00e0 CIA foram mantidas na era p\u00f3s Nasser.<\/p>\n<p><strong>Notas conclusivas <\/strong><\/p>\n<p>A remo\u00e7\u00e3o de Hosni Mubarak tem estado, desde h\u00e1 v\u00e1rios anos, nos planos da pol\u00edtica externa dos EUA.<\/p>\n<p>A substitui\u00e7\u00e3o de regime serve para assegurar continuidade, ao mesmo tempo que proporciona a ilus\u00e3o de que se verificou uma mudan\u00e7a pol\u00edtica significativa.<\/p>\n<p>A agenda de Washington para o Egipto tem sido &#8220;sequestrar o movimento de protesto&#8221; e substituir o presidente Hosni Mubarak por um novo fantoche complacente na chefia do estado.<\/p>\n<p>O objectivo de Washington \u00e9 sustentar os interesses de pot\u00eancias estrangeiras, defender a agenda econ\u00f4mica neoliberal que serviu para empobrecer a popula\u00e7\u00e3o eg\u00edpcia.<\/p>\n<p>Do ponto de vista de Washington, a substitui\u00e7\u00e3o de regime n\u00e3o exige mais a instala\u00e7\u00e3o de um regime militar autorit\u00e1rio como no auge do imperialismo estado-unidense. Ela pode ser implementado pela coopta\u00e7\u00e3o de partidos pol\u00edticos, incluindo a esquerda, financiamento de grupos da sociedade civil, infiltra\u00e7\u00e3o no movimento de protesto e manipula\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es nacionais.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao movimento de protesto no Egipto, o presidente Obama declarou num v\u00eddeo de 28 de Janeiro difundido no Youtube: &#8220;O governo n\u00e3o deveria recorrer \u00e0 viol\u00eancia&#8221;.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o mais fundamental \u00e9 o que \u00e9 a fonte daquela viol\u00eancia?<\/p>\n<p>O Egipto \u00e9 o maior receptor de ajuda militar dos EUA. Os militares eg\u00edpcios s\u00e3o considerados serem a base de poder do regime Mubarak.<\/p>\n<p>As pol\u00edticas estado-unidenses impostas ao Egipto e ao mundo \u00e1rabe durante mais de 20 anos, a par de reformas &#8220;mercado livre&#8221; e da militariza\u00e7\u00e3o do M\u00e9dio Oriente, s\u00e3o a causa raiz da viol\u00eancia de Estado.<\/p>\n<p>A inten\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica \u00e9 utilizar o movimento de protesto para instalar um novo regime.<\/p>\n<p>O Movimento Popular deveria redireccionar suas energias: Identificar o relacionamento entre a Am\u00e9rica e &#8220;o ditador&#8221;. Destronar o fantoche pol\u00edtico da Am\u00e9rica mas n\u00e3o esquecer o alvo do &#8220;ditadores reais&#8221;.<\/p>\n<p>Desviar o processo de mudan\u00e7a de regime.<\/p>\n<p>Desmantelar as reformas neoliberais.<\/p>\n<p>Encerrar bases militares dos EUA no Egipto e no mundo \u00e1rabe.<\/p>\n<p>Estabelecer um governo realmente soberano.<\/p>\n<p>The CRG grants permission to cross-post original Global Research articles on community internet sites as long as the text &amp; title are not modified. The source and the author&#8217;s copyright must be displayed. For publication of Global Research articles in print or other forms including commercial internet sites, contact: <a href=\"https:\/\/mail.google.com\/mail\/h\/1a98egrzgk5ll\/?v=b&amp;cs=wh&amp;to=crgeditor@yahoo.com\" target=\"_blank\">crgeditor@yahoo.com<\/a><\/p>\n<p>\u00a9 Copyright Michel Chossudovsky, Global Research, 2011<\/p>\n<p><strong>O original encontra-se em <a href=\"http:\/\/www.globalresearch.ca\/index.php?context=va&amp;aid=22993\" target=\"_blank\">www.globalresearch.ca\/index.php?context=va&amp;aid=22993<\/a><\/strong><\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/resistir.info\/chossudovsky\/egipto_29jan11.html<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: Resistir.info\n\n\n\n\n\n\n\n\nMichel Chossudovsky \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1169\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-1169","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-iR","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1169","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1169"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1169\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1169"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1169"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1169"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}