{"id":1170,"date":"2011-01-31T18:00:28","date_gmt":"2011-01-31T18:00:28","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1170"},"modified":"2011-01-31T18:00:28","modified_gmt":"2011-01-31T18:00:28","slug":"o-mundo-arabe-desperta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1170","title":{"rendered":"O Mundo \u00c1rabe Desperta"},"content":{"rendered":"\n<p>Primeiro foram os protestos em Argel contra a subida dos pre\u00e7os. Depois ocorreram as grandes manifesta\u00e7\u00f5es da Tun\u00edsia, reprimidas com ferocidade pela ditadura de Zin Ben Ali.<\/p>\n<p>O protesto evoluiu para rebeli\u00e3o nacional. Em Washington acreditou-se que a fuga de Ben Ali e a forma\u00e7\u00e3o imediata de um governo transit\u00f3rio presidido pelo primeiro-ministro Ghanuchi \u00abnormalizaria\u00bb a situa\u00e7\u00e3o. Mas isso n\u00e3o aconteceu. O povo manteve-se nas ruas exigindo o afastamento de todos os ex-ministros do ditador incluindo o primeiro-ministro e a puni\u00e7\u00e3o dos elementos da engrenagem corrupta do Poder.<\/p>\n<p>Na Casa Branca e no Pent\u00e1gono a inquieta\u00e7\u00e3o cedeu lugar a uma atmosfera de alarme quando os acontecimentos da Tun\u00edsia come\u00e7aram a abalar o mundo \u00e1rabe, do Atl\u00e2ntico ao Tigre e ao Golfo P\u00e9rsico.<\/p>\n<p>No Cairo e depois em Suez e noutras cidades os eg\u00edpcios decidiram tamb\u00e9m desafiar o poder desp\u00f3tico de um regime corrupto e vassalo. Hosni Mubarak respondeu com a repress\u00e3o. Mas o povo n\u00e3o se intimidou e, em manifesta\u00e7\u00f5es gigantescas, exigiu a ren\u00fancia do presidente e da sua camarilha. Isso no momento em que Mubarak, na presid\u00eancia h\u00e1 tr\u00eas d\u00e9cadas, se preparava para designar como seu sucessor o filho Gamal.<\/p>\n<p>Quase simultaneamente, em efeito de cont\u00e1gio domin\u00f3, os iemenitas tomaram as ruas em Sana, a capital, num movimento de protesto torrencial.<\/p>\n<p>Em Marrocos, o rei, d\u00f3cil instrumento dos EUA e da Fran\u00e7a, assustado, decide impedir a subida do pre\u00e7o dos alimentos e de bens essenciais, temendo pelo futuro da monarquia feudal.<\/p>\n<p>Na Ar\u00e1bia Saudita o clima \u00e9 de tens\u00e3o. O mesmo ocorre no Sultanato de Oman e na Jord\u00e2nia, um estado artificial criado pelos ingleses ap\u00f3s a I Guerra Mundial.<\/p>\n<p>Registe-se que todos esses pa\u00edses eram (ou s\u00e3o) oprimidos por regimes ditatoriais, tutelados por Washington, cujos governantes actuam como instrumentos da sua estrat\u00e9gia para o M\u00e9dio Oriente e a \u00c1frica mu\u00e7ulmana.<\/p>\n<p>OS EUA temem sobretudo o rumo imprevis\u00edvel da situa\u00e7\u00e3o criada no Egipto, um gigante com quase 80 milh\u00f5es de habitantes, o pa\u00eds tamp\u00e3o entre a \u00c1frica e a \u00c1sia que controla o Canal de Suez e tem uma fronteira explosiva com a Palestina (Gaza) e Israel.<\/p>\n<p>Mubarak tem sido ao longo dos 30 anos do seu consulado o mais submisso dos aliados de Washington. Com excep\u00e7\u00e3o de Israel, \u00e9 o maior recebedor da \u00abajuda\u00bb financeira norte-americana, 1.300 milh\u00f5es de d\u00f3lares por ano, grande parte investida na compra de armamento.<\/p>\n<p>O Egipto foi o primeiro pa\u00eds \u00e1rabe a estabelecer rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas com o Estado sionista de Israel e sem a sua cumplicidade a estrat\u00e9gia de domina\u00e7\u00e3o imperialista na Regi\u00e3o seria invi\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u00c9 compreens\u00edvel portanto o temor de Washington (e de Tel Aviv) nascido da rebeli\u00e3o em marcha dos povos \u00e1rabes contra os regimes ditatoriais que suportam h\u00e1 d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Como era de esperar, os analistas de servi\u00e7o nos media portugueses acumulam disparates nos coment\u00e1rios aos acontecimentos da Tun\u00edsia e do Egipto.<\/p>\n<p>Fazer previs\u00f5es sobre o desfecho das rebeli\u00f5es populares \u00e1rabes que alarmam a Casa Branca e as burguesias europeias, suas aliadas seria uma imprud\u00eancia.<\/p>\n<p>Mas pode-se afirmar que a sa\u00edda torrencial das massas \u00e0s ruas em pa\u00edses ali\u00e1s muito diferentes, exigindo o fim de regimes autocr\u00e1ticos e corruptos, configura uma derrota do imperialismo.<\/p>\n<p>\u00c9 significativo que El Baradei (um politico que goza da confian\u00e7a do Departamento de Estado) tenha voado imediatamente para o Cairo, apresentando-se como alternativa a Mubarak. Cumprir ali a miss\u00e3o de bombeiro no inc\u00eandio social eg\u00edpcio \u00e9 o seu objectivo. Tamb\u00e9m na Tun\u00edsia, os EUA tudo far\u00e3o para evitar a radicaliza\u00e7\u00e3o do processo.<\/p>\n<p>Seja qual for o desenvolvimento das lutas populares em curso, a atitude de intelectuais que se apressaram a antever na rebeli\u00e3o tunisina o pr\u00f3logo de um 25 de Abril \u00e1rabe \u00e9 rom\u00e2ntica.<\/p>\n<p>N\u00e3o devemos esquecer o ensinamento de Lenine segundo o qual n\u00e3o h\u00e1 revolu\u00e7\u00e3o social profunda vitoriosa, que dure, sem que a sua direc\u00e7\u00e3o seja assumida por um partido ou organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria. E tal partido n\u00e3o \u00e9 identific\u00e1vel na rebeli\u00e3o \u00e1rabe, marcada pelo espontaneismo.<\/p>\n<p>O tsunami pol\u00edtico que agita o mundo \u00e1rabe deve por\u00e9m ser saudado com firmeza e entusiasmo pelas for\u00e7as progressistas em todo o mundo. As massas, assumindo-se como sujeito hist\u00f3rico, tomam as ruas. A rebeli\u00e3o pode desembocar em revolu\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas nacionais.<\/p>\n<p>OS EDITORES DE <a href=\"http:\/\/www.odiario.info\/?p=1953\" target=\"_blank\">ODIARIO.INFO <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: ODiario.info\n\n\n\n\n\n\n\n\nOs Editores\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1170\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[71],"tags":[],"class_list":["post-1170","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c84-solidariedade"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-iS","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1170","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1170"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1170\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1170"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1170"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1170"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}