{"id":1174,"date":"2011-02-02T00:47:26","date_gmt":"2011-02-02T00:47:26","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1174"},"modified":"2011-02-02T00:47:26","modified_gmt":"2011-02-02T00:47:26","slug":"horizonte-de-lutas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1174","title":{"rendered":"Horizonte de lutas"},"content":{"rendered":"\n<p>\u201cN\u00e3o ser\u00e1 dif\u00edcil adivinhar qu\u00e3o febril deve ser neste dias a inger\u00eancia e actividade subversiva de servi\u00e7os secretos e ag\u00eancias de divers\u00e3o para limitar \u00abestragos\u00bb e estancar a onda de revolta, tentando impedir que a luta do povo tunisino \u2013 que d\u00e1 sinais de uma din\u00e2mica crescente \u2013 possa assumir a qualidade de uma mobiliza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria de cariz anti-imperialista.\u201d<\/p>\n<p>Os acontecimentos em curso na Tun\u00edsia inquietam profundamente as for\u00e7as do sistema. Perante o \u00edmpeto da revolta popular e o descontentamento alargado que tomou conta das ruas, apesar da repress\u00e3o, o afastamento do ditador Ben Ali era irremedi\u00e1vel. A sua fuga para a Ar\u00e1bia Saudita constituiu uma vit\u00f3ria do povo tunisino.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, torna-se claro que a todos aqueles que na capital, Tunes, e noutros pontos do pa\u00eds norte-africano continuam a manifestar-se, exigindo a deposi\u00e7\u00e3o efectiva do velho regime e mudan\u00e7as verdadeiramente democr\u00e1ticas, os c\u00famplices do neocolonialismo e apaniguados do imperialismo, e os seus amos de Paris e Washington, nada t\u00eam para oferecer, sen\u00e3o o prolongamento da agonia da aus\u00eancia de perspectivas.<\/p>\n<p>N\u00e3o ser\u00e1 dif\u00edcil adivinhar qu\u00e3o febril deve ser neste dias a inger\u00eancia e actividade subversiva de servi\u00e7os secretos e ag\u00eancias de divers\u00e3o para limitar \u00abestragos\u00bb e estancar a onda de revolta, tentando impedir que a luta do povo tunisino \u2013 que d\u00e1 sinais de uma din\u00e2mica crescente \u2013 possa assumir a qualidade de uma mobiliza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria de cariz anti-imperialista.<\/p>\n<p>Os perigos de \u00abcont\u00e1gio\u00bb ao mundo \u00e1rabe e M\u00e9dio Oriente s\u00e3o particularmente temidos. Os protestos que nos \u00faltimos dias se fizeram ouvir nas ruas do Egipto, Jord\u00e2nia e I\u00e9men, entre outros, s\u00e3o demonstrativos de um grau generalizado de satura\u00e7\u00e3o popular que come\u00e7a a tocar n\u00edveis \u00abexplosivos\u00bb. Em Aman, o rei Abdullah apressou-se a decretar o desagravamento do pre\u00e7o de alguns bens essenciais na tentativa de aplacar o descontentamento social que tem enchido as ruas da capital jordana de milhares de manifestantes, ostentando diferentes consignas e bandeiras.<\/p>\n<p>Noutras latitudes, \u00e9 o caso da Alb\u00e2nia \u2013 retaguarda da frente de interven\u00e7\u00e3o dos EUA, NATO e UE nos Balc\u00e3s \u2013, o poder optou por varrer mortalmente a tiro os protestos contra a corrup\u00e7\u00e3o em Tirana. Nada de novo, por certo, que possa suscitar a m\u00ednima d\u00favida sobre os \u00abatributos democr\u00e1ticos\u00bb do regime bipartid\u00e1rio, presentemente encabe\u00e7ado pelo primeiro-ministro Sali Berisha\u2026<\/p>\n<p>O alastrar do descontentamento e o engrossar das for\u00e7as de protesto social \u00e9 insepar\u00e1vel do aprofundamento da crise mundial capitalista e do ataque aos direitos dos trabalhadores e dos povos.<\/p>\n<p>Por mais que se tente decretar a sa\u00edda da crise, a realidade teima em desmenti-lo.<\/p>\n<p>O \u00faltimo relat\u00f3rio da UNCTAD alerta para a eventualidade de uma nova recess\u00e3o da UE em 2011, salientando a amea\u00e7a representada pelo fosso econ\u00f3mico existente entre os diferentes pa\u00edses da UE. Nesta pescadinha de rabo na boca, a recupera\u00e7\u00e3o relativa da Alemanha faz-se \u00e0 custa dos \u00abmais pequenos\u00bb, sem que tal n\u00e3o deixe de aprofundar os riscos \u00e0 estabilidade de todo o edif\u00edcio capitalista da UE. Simultaneamente, como reconhece o relat\u00f3rio, mais optimista, do FMI divulgado esta semana, o crescimento previsto para os v\u00e9rtices da Tr\u00edade \u00e9 incapaz de travar o desemprego. Para a UNCTAD, o elevado desemprego, o alargamento dos desequil\u00edbrios globais e as guerras cambiais est\u00e3o entre os factores que ensombram uma recupera\u00e7\u00e3o global sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Os EUA, cujo r\u00e1cio de endividamento face ao PIB \u00e9 de 100 por cento, continuam a navega\u00e7\u00e3o \u00e0 vista, injectando verbas astron\u00f3micas de d\u00f3lares que alimentam a especula\u00e7\u00e3o financeira \u2013 como afirmou o vice-ministro chin\u00eas das Finan\u00e7as, se no in\u00edcio da crise havia 9 bili\u00f5es de d\u00f3lares de \u00abdinheiro quente\u00bb \u00e0 solta no mundo, hoje o seu valor atinge j\u00e1 os 10 bili\u00f5es (Asia Times, 12.11.10).<\/p>\n<p>Situa\u00e7\u00e3o insustent\u00e1vel face \u00e0 qual todos os cen\u00e1rios de mais grave conting\u00eancia s\u00e3o poss\u00edveis. Da guerra ao regresso do poder da m\u00e3o de ferro tout court. Atente-se pois aos sinais, como o sinistro regresso de Duvalier no Haiti. Ou \u00e0s renovadas amea\u00e7as contra a soberania do L\u00edbano e do Ir\u00e3o. Ou \u00e0 carta do anti-comunismo.<\/p>\n<p>H\u00e1 que estar vigilante, com a perseveran\u00e7a e confian\u00e7a em que a resposta da luta dos trabalhadores e dos povos prevalecer\u00e1.<\/p>\n<p>* Lu\u00eds Carapinha \u00e9 analista de pol\u00edtica internacional.<\/p>\n<p>Este texto foi publicado no Avante n\u00ba 1.939 de 27 de Fevereiro de 2011.<\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/www.odiario.info\/?p=1957<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: ODiario.info\n\n\n\n\n\n\n\n\nLu\u00eds Carapinha*\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1174\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-1174","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-iW","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1174","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1174"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1174\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1174"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1174"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1174"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}