{"id":11774,"date":"2016-08-07T01:02:22","date_gmt":"2016-08-07T04:02:22","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=11774"},"modified":"2016-09-03T14:01:26","modified_gmt":"2016-09-03T17:01:26","slug":"os-guarani-e-a-continua-agonia-e-morte-nas-margens-das-rodovias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11774","title":{"rendered":"Os Guarani e a cont\u00ednua agonia e morte nas margens das rodovias"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.cimi.org.br\/pub\/RS\/Tekoha%20Irapua\/2016-08-01-PHOTO-00000110.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>Sem a demarca\u00e7\u00e3o das terras, as comunidades Guarani Mbya vivem sob as lonas e sob as rodas dos caminh\u00f5es nas margens das rodovias, estaduais e federais, no Sul do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Cotidianamente repetem-se nos acampamentos ind\u00edgenas as <!--more-->situa\u00e7\u00f5es de dor, sofrimento e morte. Desta vez foi vitimado, pelas rodas de um caminh\u00e3o, Lucas Fernandes (na foto), de apenas 36 anos de idade. Homem que lutava, juntamente com sua comunidade, pela possibilidade de ter uma vida longe do asfalto e da morte prematura.<\/p>\n<p>O acidente ocorreu do Km 299 da BR-290, munic\u00edpio de Ca\u00e7apava do Sul, no acampamento que recebe o nome da Terra Ind\u00edgena Irapu\u00e1 (na foto abaixo). Palco de in\u00fameras injusti\u00e7as, amea\u00e7as, expuls\u00f5es, abandono e exclus\u00e3o.<\/p>\n<p>Na tarde de s\u00e1bado, 30 de julho, quando Lucas atravessava a rodovia com o objetivo de tomar um \u00f4nibus para visitar seus parentes, que habitam outro acampamento do povo Guarani, h\u00e1 30 quil\u00f4metros do Irapu\u00e1, acabou sendo atingido por um caminh\u00e3o que trafegava em alta velocidade.<br \/>\nA vida de Lucas foi ceifada antes mesmo dele ter tido a possibilidade de pisar dentro da pequena \u00e1rea demarcada pela Funai e reconhecida pelo Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a como sendo terra Guarani Mbya.<\/p>\n<p>Lucas morreu porque a \u00fanica op\u00e7\u00e3o que o Estado lhe ofereceu foi a de viver na exclus\u00e3o. Exclus\u00e3o da assist\u00eancia em sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, saneamento b\u00e1sico; a possibilidade de poder beber um copo de \u00e1gua pot\u00e1vel. Exclus\u00e3o da terra m\u00e3e.<\/p>\n<p>Os fazendeiros, que em sua maioria s\u00e3o grileiros, receberam do ESTADO o direito a propriedade dentro de terras ind\u00edgenas. Eles n\u00e3o aceitam a exist\u00eancia dos Guarani, n\u00e3o admitem a possibilidade de que tenham direitos e obrigam, atrav\u00e9s das artimanhas pol\u00edticas e jur\u00eddicas, que as vidas ind\u00edgenas sejam expostas \u00e0s variadas formas de viol\u00eancias.<\/p>\n<p>Lucas morreu sobre o asfalto da rodovia e \u00e0 margem do direito \u2013 n\u00e3o apenas da estrada. O exclu\u00edram de tudo e, apesar de ser filho da terra, n\u00e3o h\u00e1 sequer uma cova para enterrar seu corpo \u2013 levado para uma dist\u00e2ncia de trezentos quil\u00f4metros, na \u00e1rea Guarani do Cantagalo, munic\u00edpio de Viam\u00e3o, uma pequenina terra onde h\u00e1 um cemit\u00e9rio para as vidas que s\u00e3o brutalmente arrancas.<\/p>\n<p>No Rio Grande do Sul as terras ind\u00edgenas, menos de 90, est\u00e3o com os procedimentos de demarca\u00e7\u00e3o paralisados. E\u00a0essa foi uma determina\u00e7\u00e3o do governo federal para beneficiar os pol\u00edticos da bancada ruralista e por n\u00e3o querer enfrentar a judicializa\u00e7\u00e3o de seus atos administrativos. No estado s\u00e3o \u00ednfimos os hectares de terras regularizados e apesar disso a oposi\u00e7\u00e3o a esse direito constitucional \u00e9 intenso.<\/p>\n<p>Dos 281.730,223 km\u00b2 do territ\u00f3rio do Rio Grande do Sul, menos de 0,5% s\u00e3o reivindicados como \u00e1rea ind\u00edgena. Ou seja, 99,95 % das terras est\u00e3o sendo destinadas a propriedade privada ou para outras finalidades. Mas, mesmo assim, \u00e9 comum a utiliza\u00e7\u00e3o de express\u00f5es e argumentos de que os &#8220;\u00edndios&#8221; atrapalham o desenvolvimento econ\u00f4mico do Estado \u2013 esse que passa pelas estradas ceifando vidas de forma tr\u00e1gica.<\/p>\n<p>O l\u00edder Kaingang, j\u00e1 falecido, Augusto Op\u00e9 da Silva costumava dizer que se um estado n\u00e3o consegue se desenvolver com mais 99 % de seu territ\u00f3rio, n\u00e3o ser\u00e1 o 1 % de terras ind\u00edgenas o respons\u00e1vel por sua inefici\u00eancia. H\u00e1 algo de estranho nesse argumento, dizia o l\u00edder de saudosa mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>Lucas morreu em consequ\u00eancia de uma pol\u00edtica de Estado que \u00e9 racista, administrado por governos genocidas e que historicamente s\u00e3o acobertados ou protegidos por parlamentares e ju\u00edzes igualmente racistas.<\/p>\n<p>At\u00e9 quando? Esta \u00e9 a pergunta que fica nas mentes e almas daqueles que vivem sob as lonas e sob os rodados de caminh\u00f5es. Lucas, Guarani Mbya, perdeu a vida, mas sua tr\u00e1gica morte n\u00e3o ser\u00e1 em v\u00e3o. Ser\u00e1 semente na luta por justi\u00e7a.<\/p>\n<p>http:\/\/www.cimi.org.br\/site\/pt-br\/index.php?system=news&#038;action=read&#038;id=8844<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Sem a demarca\u00e7\u00e3o das terras, as comunidades Guarani Mbya vivem sob as lonas e sob as rodas dos caminh\u00f5es nas margens das rodovias, \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11774\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[163],"tags":[],"class_list":["post-11774","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-movimento-indigena"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-33U","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11774","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11774"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11774\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11774"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11774"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11774"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}