{"id":11833,"date":"2016-08-14T21:13:20","date_gmt":"2016-08-15T00:13:20","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=11833"},"modified":"2016-09-03T14:03:48","modified_gmt":"2016-09-03T17:03:48","slug":"o-novelao-da-operacao-sodoma-que-resultou-na-morte-de-jorge-briceno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11833","title":{"rendered":"O novel\u00e3o da \u201cOpera\u00e7\u00e3o Sodoma\u201d, que resultou na morte de Jorge Brice\u00f1o"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.semanariovoz.com\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/24\/Mono-Jojoy-1.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>24 de junho de 2016<\/p>\n<p><i><b>Existe muita fantasia sobre o operativo que custou a vida de Jorge Brice\u00f1o, conhecido como o \u201cMono Jojoy\u201d, que morreu em bombardeio promovido pela For\u00e7a A\u00e9rea a seu acampamento em La Macarena<\/b><\/i><!--more--><\/p>\n<p><b>Carlos A. Lozano Guill\u00e9n<\/b><\/p>\n<p>O assalto ao acampamento de Jorge Brice\u00f1o Su\u00e1rez, conhecido como o \u201cMono Jojoy\u201d, membro do Secretariado das FARC-EP e comandante do Bloco Oriental, foi entre a noite de 22 e a madrugada de 23 de setembro de 2010. O chefe guerrilheiro foi abatido e, segundo se diz, sem certeza, tamb\u00e9m ca\u00edram mais 20 combatentes. A opera\u00e7\u00e3o foi batizada pelos militares como \u201cSodoma\u201d, o mesmo nome da c\u00e9lebre e libertina cidade b\u00edblica.<\/p>\n<p>A \u201cOpera\u00e7\u00e3o Sodoma\u201d, definida pelo ministro de Defesa da \u00e9poca, Armando Rivera, como cir\u00fargica, foi elogiada pelas autoridades colombianas e pela \u201cgrande imprensa\u201d. N\u00e3o teve a longa e inteligente prepara\u00e7\u00e3o que se assegura e transcorreu em Larandia, a base militar com forte presen\u00e7a militar estadunidense no departamento de Caquet\u00e1, ao sul da Col\u00f4mbia. O presidente \u00c1lvaro Uribe V\u00e9lez e seu ministro de Defesa, Juan Manuel Santos, com persistente obsess\u00e3o, perseguiram o comandante guerrilheiro e nunca conseguiram encontra-lo. Quanto mais pr\u00f3ximo estiveram, rompeu o cerco com sua tropa apesar de suas limita\u00e7\u00f5es de sa\u00fade pela diabetes, que o sufocaram nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o se conhece o balan\u00e7o real da \u201cOpera\u00e7\u00e3o Sodoma\u201d, mesmo que tenha sido trof\u00e9u suficiente a exibi\u00e7\u00e3o do cad\u00e1ver do lend\u00e1rio e quase m\u00edtico chefe guerrilheiro. Em princ\u00edpio, diziam que foram \u201cdados de baixa\u201d tamb\u00e9m o m\u00e9dico Mauricio Jaramillo, anos depois cabe\u00e7a da delega\u00e7\u00e3o fariana que obteve o \u201cAcordo Geral para colocar fim ao conflito e obter a paz est\u00e1vel e duradoura\u201d na fase secreta dos di\u00e1logos de Havana, e Tanja, a holandesa internacionalista que, depois, tamb\u00e9m reapareceu em Havana.<\/p>\n<p><b>N\u00e3o houve combate<\/b><\/p>\n<p>Na \u201cOpera\u00e7\u00e3o Sodoma\u201d participaram 30 avi\u00f5es de guerra e 27 helic\u00f3pteros de artilharia. N\u00e3o ocorreu nenhum combate, toneladas de bombas ca\u00edram do ar no acampamento, localizado na regi\u00e3o de La Macarena, departamento de Meta. Na realidade, Brice\u00f1o, desde o rompimento dos di\u00e1logos do Cagu\u00e1n, se moveu entre La Macarena, La Uribe e o Guayabero como peixe n\u2019\u00e1gua, gra\u00e7as a sua agilidade, a seu olfato militar e ao apoio de centenas de camponeses que o apreciavam e respeitavam por sua retid\u00e3o e personalidade am\u00e1vel. Para o intenso bombardeio, o Governo n\u00e3o teve necessidade de ter autoriza\u00e7\u00e3o especial como o faz agora, como forma de justifica\u00e7\u00e3o, para n\u00e3o bombardear os locais de concentra\u00e7\u00e3o dos grupos de paramilitares e criminosos.<\/p>\n<p>Abateram o comandante guerrilheiro por um erro <i>(n.t.: da guerrilha)<\/i>, porque foi interceptada uma comunica\u00e7\u00e3o em que se solicitava o envio de um par de sapatos especiais, devido a diabetes que o afetava. O pacote enviado foi interceptado pela intelig\u00eancia do Ex\u00e9rcito e depois reenviado com um GPS decisivo para sua localiza\u00e7\u00e3o. Isso foi \u201cSodoma\u201d sem as tantas voltas que agora contam os enganadores.<\/p>\n<p><b>Suas convic\u00e7\u00f5es<\/b><\/p>\n<p>Jorge Brice\u00f1o (o \u201cMono Jojoy\u201d) morreu com as botas postas. Em meio ao bombardeio, organizou a evacua\u00e7\u00e3o para evitar a morte da maioria dos combatentes. At\u00e9 o \u00faltimo respiro, acreditou na possibilidade da vit\u00f3ria militar sem descartar o di\u00e1logo como alternativa de solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do conflito. Aprendeu com seu professor, o comandante Manuel Marulanda V\u00e9lez, que a paz \u00e9 uma bandeira dos revolucion\u00e1rios. Foi consequente com suas convic\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Desde 1995, o encontrei em v\u00e1rias ocasi\u00f5es. Sempre estava ao lado de Manuel Marulanda. Notava-se a influencia que exercia nele o lend\u00e1rio comandante das FARC-EP. Em 1995, os encontrei. O objetivo da visita era buscar aproxima\u00e7\u00f5es da guerrilha com o governo de Ernesto Samper. O comandante Marulanda tinha feito pronunciamentos p\u00fablicos nesse sentido e Alfonso Cano tamb\u00e9m. Estavam dadas as condi\u00e7\u00f5es para um primeiro encontro em La Uribe (Meta), por\u00e9m as FARC-EP exigiam a desocupa\u00e7\u00e3o total do munic\u00edpio, porque os militares planejavam um cerco em torno do mesmo. O general Harold Bedoya, ambientando o golpe contra Samper, se op\u00f4s \u00e0 desocupa\u00e7\u00e3o de La Uribe.<\/p>\n<p>O \u201cMono Jojoy\u201d, ao mesmo tempo em que reconhecia como inevit\u00e1vel o aumento da confronta\u00e7\u00e3o armada nestas circunst\u00e2ncias, entendia que o di\u00e1logo podia acontecer, \u201calgo que poderia sair dele\u201d, disse. No entanto, a crise pol\u00edtica se precipitou pelo \u201cdinheiro quente\u201d na campanha eleitoral e se recrudesceram os atos de guerra, o que n\u00e3o impediu que se desse a liberta\u00e7\u00e3o unilateral de mais de uma centena de soldados que estavam em poder das FARC. Foi um ato humanit\u00e1rio e durante as gest\u00f5es, voltamos a ver o comandante Brice\u00f1o. Falava da guerra, assim como da necessidade de libertar os soldados que eram tratados com respeito e de deixar aberta a porta do di\u00e1logo, o que se devia continuar buscando.<\/p>\n<p><b>Querido por sua tropa<\/b><\/p>\n<p>Era querido por sua tropa, o apreciavam e celebravam cada apontamento seu. Era um contador de hist\u00f3rias. As mulheres cumpriam as mesmas tarefas que os homens, por\u00e9m dizia para n\u00e3o perderam sua feminilidade e as estimulava a usarem brincos, colares e outros ornamentos, como dizia com gra\u00e7a. Apesar disso, era rigoroso com a disciplina e no cumprimento de deveres.<\/p>\n<p>Durante os di\u00e1logos do Cagu\u00e1n, queria que deles sa\u00edsse um acordo de paz. Por\u00e9m, se mostrou c\u00e9tico depois do Plano Col\u00f4mbia. \u201cPastrana acredita que somos idiotas. Disse que \u00e9 um plano contra os narcotraficantes, mas \u00e9 contra n\u00f3s. Quer nos aniquilar ou, pelo menos, nos pressionar para nos entregarmos na mesa\u201d. N\u00e3o cabe a menor d\u00favida de que o Plano Col\u00f4mbia enterrou as possibilidades que os di\u00e1logos do Cagu\u00e1n fossem exitosos. Desde ent\u00e3o, desconfiou e primou o militar sobre o pol\u00edtico. Foram palavras do chefe guerrilheiro: \u201cEles se preparam para a guerra&#8230; N\u00f3s tamb\u00e9m\u201d.<\/p>\n<p>Salvou a liberta\u00e7\u00e3o de tr\u00eas centenas de soldados e policiais quando estava quase rompida a negocia\u00e7\u00e3o porque Camilo G\u00f3mez e Joaqu\u00edn G\u00f3mez n\u00e3o se entravam em consenso sobre as palavras exatas do conte\u00fado do documento. \u201cPor conta de uns termos pendentes n\u00e3o se pode encerrar a possibilidade\u201d, anotou. Com ele foi falado, sem muita dificuldade, de que fossem libertos todos e n\u00e3o uns poucos, como se pretendia no come\u00e7o. Sa\u00edram todos, menos os oficiais e suboficiais. Foi um ato humanit\u00e1rio de reconhecimento nacional e internacional. Deu oxig\u00eanio \u00e0 mesa do Cagu\u00e1n, que n\u00e3o avan\u00e7ava nos temas de fundo.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, j\u00e1 o amea\u00e7ava a diabetes. Sua alimenta\u00e7\u00e3o era controlada. Por\u00e9m, enganava as cozinheiras e comia de tudo. \u201cN\u00e3o posso fazer dietas nem essas coisas, porque se volta a guerra, me dano\u201d, dizia. Era parte de sua personalidade, porque o tempo todo abrigava a esperan\u00e7a pela paz e em seus acampamentos orientava a cria\u00e7\u00e3o de peixes e cultivo de alimentos. Era infatig\u00e1vel. Trabalhava com intensidade. Dormia pouco, diziam os guerrilheiros mais pr\u00f3ximos.<\/p>\n<p><b>A sorte estava lan\u00e7ada<\/b><\/p>\n<p>A \u00faltima vez que o vi foi no Cagu\u00e1n, em dezembro de 2001, quando agonizava o processo de di\u00e1logo com o governo de Pastrana. A mesa tinha dois meses de paralisa\u00e7\u00e3o. Cheguei buscando o comandante Manuel Marulanda com uma mensagem de James Lemoyne, delegado da ONU, para que recebesse uma delega\u00e7\u00e3o dos Pa\u00edses Amigos e outra do monsenhor Castro, para que se reunisse com representantes da Igreja Cat\u00f3lica. Jorge Brice\u00f1o estava em La Macarena, onde o visitavam campesinos com todo tipo de solicitude e favores.<\/p>\n<p>Quando comentei o objetivo da visita, me disse: \u201cVoc\u00ea ter\u00e1 que convenc\u00ea-lo a falar com essa gente. Ele n\u00e3o quer, est\u00e1 irado\u201d. E me enviou a Iv\u00e1n R\u00edos para que me levasse at\u00e9 Losada em um acampamento onde se encontrava Marulanda. Me dei conta que j\u00e1 estavam em retirada. Cumpriu-se a advert\u00eancia \u201cJojoy\u201d: Marulanda aceitou que se fizessem as duas reuni\u00f5es. Por\u00e9m, a sorte estava lan\u00e7ada. Pastrana, muito s\u00f3 e fraco, n\u00e3o tinha jogo para manter os di\u00e1logos, esperava o pretexto que chegou em fevereiro de 2002.<\/p>\n<p>Voltaram as nuvens negras da guerra. O \u201cMono Jojoy\u201d nunca foi embora da \u00e1rea apesar da \u201cseguran\u00e7a democr\u00e1tica\u201d, como tampouco o fez Manuel Marulanda; resistiram nos embates do confronto. Em Havana, sem a presen\u00e7a f\u00edsica de Marulanda e Brice\u00f1o, as FARC est\u00e3o dialogando sem terem sido derrotadas.<\/p>\n<p>O \u201cMono Jojoy\u201d topou com a morte porque milhares de toneladas de bombas lhe ca\u00edram em cima. Viveu a guerra e acariciou a paz.<\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/www.semanariovoz.com\/2016\/06\/24\/el-novelon-de-la-operacion-sodoma\/<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"24 de junho de 2016 Existe muita fantasia sobre o operativo que custou a vida de Jorge Brice\u00f1o, conhecido como o \u201cMono Jojoy\u201d, \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11833\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-11833","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c39-colombia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-34R","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11833","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11833"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11833\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11833"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11833"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11833"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}