{"id":11859,"date":"2016-08-17T13:10:44","date_gmt":"2016-08-17T16:10:44","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=11859"},"modified":"2016-09-03T14:04:11","modified_gmt":"2016-09-03T17:04:11","slug":"macri-aprofunda-a-dependencia-e-a-insercao-subordinada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11859","title":{"rendered":"Macri aprofunda a depend\u00eancia e a inser\u00e7\u00e3o subordinada"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.odiario.info\/b2-img\/jgam.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>J\u00falio C. Gambina*<\/p>\n<p>\u00abA 200 anos da declara\u00e7\u00e3o da independ\u00eancia assumida em Tucuman a 9 de Julho de 1816, que hoje se comemora com gritos de \u00abViva a P\u00e1tria\u00bb, deve consignar-se que a \u00abindepend\u00eancia\u00bb continua a ser na Argentina um objectivo pendente. <!--more-->N\u00e3o importa o que se diz mas sim o que se faz e h\u00e1 muitos anos que na Argentina se celebra a data \u00abp\u00e1tria\u00bb escamoteando a rela\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia e subordina\u00e7\u00e3o \u00e0 ordem capitalista mundial.\u00bb<\/p>\n<p>Tanto a revolu\u00e7\u00e3o de Maio de 1810 como a celebra\u00e7\u00e3o independentista de Tucuman de 1816 pretendiam inserir a Nova Na\u00e7\u00e3o em curso de forma\u00e7\u00e3o ao ritmo do desenvolvimento capitalista da economia mundial, o que pode traduzir-se como a luta pelo comercio livre para o Rio da Prata, contra as restri\u00e7\u00f5es que impunha a depend\u00eancia colonial da coroa espanhola.<\/p>\n<p>O com\u00e9rcio livre expressava a for\u00e7a nascente da produ\u00e7\u00e3o capitalista e a disputa entre as velhas na\u00e7\u00f5es hegem\u00f3nicas, Inglaterra e Fran\u00e7a; e as novas emergentes da \u00e9poca, Alemanha e Estados Unidos. Colocar a Argentina no com\u00e9rcio livre foi o programa de 1810 e 1816, insistimos, contra as restri\u00e7\u00f5es do regime colonial.<\/p>\n<p>A gesta pela independ\u00eancia confrontava com o regime colonial e pregava a inser\u00e7\u00e3o no regime econ\u00f3mico mundial, o c\u00e2mbio livre e o desenvolvimento capitalista. Isso impunha a conforma\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria da dualidade social das rela\u00e7\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o, o que podemos explicar hoje com a imigra\u00e7\u00e3o impressionante que deu lugar \u00e0 conforma\u00e7\u00e3o do proletariado na Argentina, mas tamb\u00e9m \u00e0 radica\u00e7\u00e3o de capitais externos que delineou a hegemonia do regime capitalista local.<\/p>\n<p>Sem trabalhadores e investidores capitalistas n\u00e3o existia a possibilidade de desenvolvimento das rela\u00e7\u00f5es capitalistas de produ\u00e7\u00e3o. O programa de 1810 e de 1816 habilitou esse processo e por isso tamb\u00e9m, na tradu\u00e7\u00e3o cultural local n\u00e3o se contempla, em termos gerais, as demandas dos povos ind\u00edgenas origin\u00e1rios, n\u00e3o contidos pelo sujeito independentista no in\u00edcio do S\u00e9culo IXI e muito menos pelo programa relativo ao modelo produtivo e de desenvolvimento.<\/p>\n<p><strong>Centen\u00e1rio de 1916<\/strong><\/p>\n<p>A Argentina celebrou o centen\u00e1rio com restri\u00e7\u00f5es pol\u00edticas (estado de s\u00edtio) e auge econ\u00f3mico das classes dominantes da \u00e9poca: a oligarquia terrateniente e o grande capital externo assente na agricultura e na explora\u00e7\u00e3o, a infra-estrutura especialmente caminhos-de-ferro e na banca, canal do velho e eterno endividamento p\u00fablico da Argentina.<\/p>\n<p>Foram os protestos sociais, de trabalhadores, os que deram a nota de um capitalismo pujante, com um crescimento econ\u00f3mico e conflito social evidente num marco de projectos de desenvolvimento inspirado no imagin\u00e1rio de inser\u00e7\u00e3o com \u00eaxito no mercado mundial capitalista. Da\u00ed a imagem da Argentina forte, provedora de alimentos para o mundo. Principalmente carne e trigo.<\/p>\n<p>Nesse mesmo ano 1916, L\u00e9nine o revolucion\u00e1rio russo, escreveu um dos seus livros mais discutidos ainda na actualidade. \u00abO Imperialismo, etapa superior do capitalismo\u00bb onde apresentava as transforma\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas no capitalismo mundial, desde o com\u00e9rcio livre estudado por Marx ao monop\u00f3lio, e da domina\u00e7\u00e3o do capital industrial e financeiro, entendido este como a fus\u00e3o do capital industrial e do banc\u00e1rio.<\/p>\n<p>Importa destacar que nessa an\u00e1lise, Lenine ressalta o car\u00e1cter dependente da Argentina, destacando a respeito da policolonial da \u00e9poca do imperialismo capitalista\u00bb que al\u00e9m dos pa\u00edses que possuem col\u00f3nias e as col\u00f3nias propriamente ditas, tamb\u00e9m \u00e9 \u00abcaracter\u00edstico da \u00e9poca, as formas variadas de pa\u00edses dependentes que, de um ponto de vista formal, s\u00e3o politicamente independentes, mas que na realidade se acham envoltos nas redes da depend\u00eancia financeira e diplom\u00e1tica\u00bb. Enfatiza a opini\u00e3o, assinalando que temos como exemplo, a Argentina.<\/p>\n<p>Para o centen\u00e1rio da independ\u00eancia politica j\u00e1 est\u00e3o dadas as bases da industrializa\u00e7\u00e3o dependente que consolida o regime de inser\u00e7\u00e3o subordinada \u00e0 l\u00f3gica capitalista mundial, na altura hegemonizada pela Inglaterra.<\/p>\n<p>O Pacto Roca-Runciman, subscrito em Maio de 1933 por J\u00falio Argentino Roca (filho) vice-presidente da Argentina e Walter Ruciman, encarregado de neg\u00f3cios brit\u00e2nico, ser\u00e1 a \u00faltima tentativa para garantir essa forma de inser\u00e7\u00e3o subordinada a Inglaterra, para passar a construir uma nova rela\u00e7\u00e3o de inser\u00e7\u00e3o internacional, agora sob a hegemonia imperialista que se definir\u00e1 pelos Estados Unidos e a sa\u00edda da crise mundial dos 30, em rigor, entre as guerras mundiais (1914-18 e 1939-45).<\/p>\n<p>Logo ap\u00f3s a celebra\u00e7\u00e3o do centen\u00e1rio come\u00e7a outra etapa de inser\u00e7\u00e3o subordinada com a presen\u00e7a crescente de capitais norte americanos e alem\u00e3es, entre outros, e com isso, o aliciante para uma mais extensa burguesia local que associar\u00e1 as suas actividades \u00e0 nova hegemonia capitalista e \u00e0 expans\u00e3o do mercado interno que proporciono a imensa imigra\u00e7\u00e3o entre meados do s\u00e9culo XIX e come\u00e7os do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>O capitalismo local tinha amadurecido e apresentava a conflitualidade da luta de classes que impulsionava iniciativas pol\u00edticas de confronta\u00e7\u00e3o para definir o tipo de desenvolvimento pretendido para o pa\u00eds. Disputas pol\u00edticas para o desenvolvimento capitalista e outras para tentar superar a ordem social numa l\u00f3gica global que inclu\u00eda o socialismo como alternativa ao capitalismo desde 1917 e como bloqueio logo depois de 1945.<\/p>\n<p><strong>Bicenten\u00e1rio de 2016-08-02<\/strong><\/p>\n<p>Se o centen\u00e1rio esta atravessado pelo processo de crise mundial dos anos 30, processo que abarca desde 1914 a 1945; o bicenten\u00e1rio est\u00e1 cruzado pela crise mundial dos fins dos anos 60 e meados dos 70, junto da actual, evidenciada desde 2007\/08.<br \/>\n\u00c9 interessante destacar que o argumento ou discurso das classes dominantes, retoma o original de 1815 pelo livre comercio, o cambio livre e competitividade livre, claro que agora na \u00e9poca imperialista desde o inicio do S\u00e9culo XX e a mundializa\u00e7\u00e3o operada pelas transnacionais desde a crise de fins dos 60, e come\u00e7os dos 70.<\/p>\n<p>A liberaliza\u00e7\u00e3o da economia mundial \u00e9 programa do capital hegem\u00f3nico mundial que sustentam os principais Estados do capitalismo mundial contempor\u00e2neo, e que com eles organizam a super-estrutura jur\u00eddica da mundializa\u00e7\u00e3o para sustentar o direitos e seguran\u00e7a dos grandes investidores do capitalismo mundial.<\/p>\n<p>Aqui est\u00e1 a converg\u00eancia do projecto do governo de Macri com a ordem mundial para desactivar qualquer pretens\u00e3o de inser\u00e7\u00e3o internacional alternativa, comos as tentativas formuladas em anos recentes derivados da mudan\u00e7a pol\u00edtica manifestada nos come\u00e7os do S\u00e9culo XXI na Nossa Am\u00e9rica.<\/p>\n<p>Na verdade, o governo de Macri, apoia-se na quest\u00e3o objectiva do modelo produtivo e de desenvolvimento constru\u00eddo desde os anos 90, com cultivo e mega minerais a c\u00e9u aberto sob domina\u00e7\u00e3o das transnacionais de alimenta\u00e7\u00e3o, a biotecnologia e a minera\u00e7\u00e3o; com est\u00edmulo \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o de hidrocarbonatos de convencionais, subordinada \u00e0 tecnologia da fractura hidr\u00e1ulica ou fracking; com uma industrializa\u00e7\u00e3o de armadura apoiada em importa\u00e7\u00f5es de partes e depend\u00eancia tecnol\u00f3gica, incluindo agora fortalecendo a importa\u00e7\u00e3o e desarticulando industriais apoiadas nas economias regionais, financiada por um endividamento deliberado e inser\u00e7\u00e3o na l\u00f3gica criminosa do capitalismo contempor\u00e2neo, com especula\u00e7\u00e3o financeira, tr\u00e1fico de drogas, armas e pessoas.<\/p>\n<p><strong>O sentido da P\u00e1tria<\/strong><\/p>\n<p>Macri encerrou o acto do bicenten\u00e1rio com \u00abViva a P\u00e1tria\u00bb, o que p\u00f5e em discuss\u00e3o a P\u00e1tria, o sujeito social e pol\u00edtico que constr\u00f3i o conceito e com ele, que programa para o modelo produtivo e de desenvolvimento, que inser\u00e7\u00e3o internacional e em definitivo, ainda est\u00e1 por resolver a independ\u00eancia no sentido integral, mas contendo na sua proposta o resgate das diversas lutas e reivindica\u00e7\u00f5es dos povos atrav\u00e9s da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Num sentido plurinacional e de diversidade, a luta pela independ\u00eancia \u00e9 anticolonial, anti-patriarcado, anticapitalista, anti-imperialista e contra toda a discrimina\u00e7\u00e3o e formas de racismo, associada \u00e0 procura de uma integra\u00e7\u00e3o regional e mundial que promova um desenvolvimento harmonioso entre a sociedade e a natureza.<\/p>\n<p>A disputa e o conflito est\u00e3o presentes neste bicenten\u00e1rio, mas n\u00e3o s\u00f3 contra o governo de Macri e seu projecto de subordina\u00e7\u00e3o \u00e0 liberaliza\u00e7\u00e3o, mas sim contra e para al\u00e9m do regime do capital.<\/p>\n<p>Pois isso n\u00e3o alcan\u00e7a com a defesa de direitos, mas tem de ir mais al\u00e9m. O caminho \u00e9 por exemplo, o protesto contra as tarifas, caso que motiva as disposi\u00e7\u00f5es judiciais contra os aumentos do g\u00e1s e tamb\u00e9m da electricidade, mas precisa-se de consci\u00eancia social contra a privatiza\u00e7\u00e3o da energia e sua mercantiliza\u00e7\u00e3o para defender o direito \u00e0 energia e um programa de soberania energ\u00e9tica. O mesmo podemos afirmar com o direito \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o e da\u00ed sustentar um programa de soberania alimentar, ou de soberania financeira e discutir o regime tribut\u00e1rio e financeiro para organizar a promo\u00e7\u00e3o alternativa dos recursos p\u00fablicos e privados.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 discutir o papel do Estado, mas sim o car\u00e1cter do Estado, ao servi\u00e7o de quem ou a raz\u00e3o do Estado. Trata-se de definir um Estado para a transi\u00e7\u00e3o social, econ\u00f3mica, pol\u00edtica e cultural para afirmar uma independ\u00eancia integral.<\/p>\n<p>O bicenten\u00e1rio pode favorecer um debate de ideias sobre a ordem econ\u00f3mica, social, pol\u00edtica e cultural actual e \u00e9 necess\u00e1rio em perspectiva de emancipa\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p><em>Buenos Aires, 6 de Julho de 2016<\/em><\/p>\n<p><em>*Julio Gambina \u00e9 professor de Economia na Universidade de Ros\u00e1rio, dirigente do Partido Comunista da Argentina, e amigo de odiario.info <\/em><\/p>\n<p>http:\/\/www.odiario.info\/macri-aprofunda-a-dependencia-e-a\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"J\u00falio C. 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