{"id":1186,"date":"2011-02-05T15:36:09","date_gmt":"2011-02-05T15:36:09","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1186"},"modified":"2011-02-05T15:36:09","modified_gmt":"2011-02-05T15:36:09","slug":"o-estado-da-uniao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1186","title":{"rendered":"O Estado da Uni\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p>Era esperado com interesse o discurso do presidente Obama sobre a matan\u00e7a em Tucson, Arizona, havida quatro dias antes. Seis mortos e 14 feridos, entre estes a jovem congressista Gabrielle Giffords, eleita pela terceira vez e opositora da lei anti-imigra\u00e7\u00e3o daquele estado, que \u00e9 parte do territ\u00f3rio tomado do M\u00e9xico, na injusta guerra de 1848.<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o do Arizona, como a do resto dos Estados Unidos, reagiu com indigna\u00e7\u00e3o. Sua conduta foi, sem duvida, correta, e eu me expressei neste sentido. Nunca duvidei dos fatores \u00e9ticos que s\u00e3o caracter\u00edsticas dos povos, independente da pol\u00edtica dos governos.<\/p>\n<p>Se o discurso de Barack Obama foi omisso quanto \u00e0 incr\u00edvel demonstra\u00e7\u00e3o de primitivismo que reflete do uso generalizado e, praticamente, irrestrito de armas de fogo mort\u00edferas, a mensagem sobre o Estado da Uni\u00e3o merece uma an\u00e1lise pol\u00edtica e \u00e9tica, j\u00e1 que os USA s\u00e3o uma superpot\u00eancia de que depende, independente do presidente e do Congresso, entre outros importantes fatores, o destino da esp\u00e9cie humana.<\/p>\n<p>Nenhum pa\u00eds isolado tem, nem pode ter resposta para os problemas que o mundo enfrenta hoje.<\/p>\n<p>Obama, em primeiro lugar, est\u00e1 envolvido num processo eleitoral. Fala para os democratas e os republicanos, os que votam e os que n\u00e3o votam, os multimilion\u00e1rios e os mendigos, os protestantes e os cat\u00f3licos, os crist\u00e3os e os mu\u00e7ulmanos, os crentes e os n\u00e3o crentes, os negros e os brancos, os que ap\u00f3iam e os que n\u00e3o ap\u00f3iam as investiga\u00e7\u00f5es com c\u00e9lulas-tronco, os homossexuais e os heterossexuais, cada cidad\u00e3o e seu oposto; para terminar clamando que todos s\u00e3o norteamericanos, como se 95,5%, ou seja, o resto dos 6 bilh\u00f5es e 900 milh\u00f5es de pessoas no planeta n\u00e3o existissem.<\/p>\n<p>Logo no princ\u00edpio do discurso, de uma hora, afirmou:<\/p>\n<p>\u201c<em>Neste momento, o que est\u00e1 em jogo n\u00e3o \u00e9 quem ganhar\u00e1 as pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es (&#8230;) O que est\u00e1 em jogo \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de novos empregos e ind\u00fastrias (&#8230;) \u00e9 se podemos manter a lideran\u00e7a que fez dos Estados Unidos n\u00e3o s\u00f3 um ponto no mapa, mas na luz do mundo. Estamos prontos para o progresso (&#8230;) a bolsa tem se recuperado com fervor. Os lucros das corpora\u00e7\u00f5es est\u00e3o mais altos. A economia est\u00e1 voltando a crescer.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Depois destas palavras, ele nos comove com uma passagem, parecendo extra\u00edda de um conhecido filme estadunidense, \u201c&#8230;e o vento levou\u201d, relacionado com a terr\u00edvel guerra civil entre o norte industrial e o sul escravista e agr\u00e1rio, nos anos do homem excepcional que foi Abraham Lincoln.<\/p>\n<p>\u201c<em>Este mundo tem mudado\u201d<\/em> \u2013 continua Obama. <em>\u201cE, para muitos, a mudan\u00e7a tem sido dolorosa. Tenho visto isso nas janelas fechadas de f\u00e1bricas outrora pr\u00f3speras e nas vitrines vazias de ruas principais, antes concorridas. Eu o tenho ouvido na frustra\u00e7\u00e3o de estadunidenses que viram a diminui\u00e7\u00e3o dos seus sal\u00e1rios ou o desaparecimento dos seus empregos; homens e mulheres, orgulhosos do seu trabalho, que pensam que mudaram as regras no meio do jogo (&#8230;) As sider\u00fargicas que, antes, precisavam de mil trabalhadores, agora podem fazer o mesmo trabalho com apenas cem. Enquanto isso, pa\u00edses como a China e a \u00cdndia se deram conta de que, com algumas mudan\u00e7as pr\u00f3prias, podiam competir com este novo mundo (&#8230;) H\u00e1 pouco, a China se converteu na sede da maior planta privada de pesquisa solar do mundo e do maior computador do mundo (&#8230;) mas os Estados Unidos ainda tem a maior e mais pr\u00f3spera economia do mundo. Sabemos o que \u00e9 preciso para competir pelos empregos e ind\u00fastrias do nosso tempo. Precisamos inovar mais, educar melhor e construir mais que o resto do mundo. Devemos fazer dos Estados Unidos o melhor lugar para fazer neg\u00f3cios (&#8230;) e esta noite eu gostaria de falar sobre como fazer isso.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Obama nunca fala das grandes empresas monopolizadoras que, hoje, controlam e saqueiam os recursos do planeta. N\u00e3o menciona jamais o acordo de Breton Woods, o sistema imposto a um mundo arruinado pela guerra, no qual os USA assumiram o controle das institui\u00e7\u00f5es financeiras e do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI), onde mant\u00e9m, ferreamente, o poder de veto. Jamais diz uma palavra sobre a colossal fraude de Nixon, em 1971, quando suspendeu, unilateralmente, a correspond\u00eancia do d\u00f3lar com o ouro, imprimiu papel-moeda estadunidense sem limite algum e adquiriu incont\u00e1veis bens e riquezas no mundo, pagos, fundamentalmente, com pap\u00e9is cujo valor, em 40 anos, se reduziu a 2,5% do que ent\u00e3o valia.<\/p>\n<p>Obama gosta de relatar, em troca, hist\u00f3rias l\u00edricas sobre pequenos empres\u00e1rios que, supostamente, deslumbram e comovem os ouvintes que n\u00e3o estejam conscientes da realidade. Sua orat\u00f3ria, seu estilo e seu tom de voz parecem elaborados para serem ouvidos por meninos disciplinados, como contos comoventes.<\/p>\n<p>\u201c<em>Robert e Gary Allen s\u00e3o irm\u00e3os que t\u00eam uma pequena empresa de constru\u00e7\u00e3o de telhados, em Michigan. Depois do 11 de setembro, ofereceram seus melhores trabalhadores para ajudar a reparar o Pent\u00e1gono. Mas a recess\u00e3o os afetou muito, e sua f\u00e1brica estava operando na metade de sua capacidade. Hoje em dia, com a ajuda de um empr\u00e9stimo do governo, o espa\u00e7o est\u00e1 sendo usado para fabricar telhas fotovoltaicas, que est\u00e3o sendo vendidas em todo o pa\u00eds. Nas palavras de Robert, \u2018n\u00f3s nos reinventamos\u2019. Estamos lan\u00e7ando um desafio. Estamos dizendo aos cientistas e engenheiros dos Estados Unidos que, se constituem equipes com os melhores c\u00e9rebros em seu campo, se se concentrarem nos projetos de energia limpa, financiaremos os projetos Apolo do nosso tempo.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Em seguida, ele nos deixa sem respira\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>\u201c<em>No Instituto de Tecnologia da Calif\u00f3rnia, est\u00e1 sendo desenvolvida uma forma de converter energia solar e \u00e1gua em combust\u00edvel para nossos ve\u00edculos.\u201d<\/em><\/p>\n<p>O planeta est\u00e1 salvo! Ou, pelo menos, n\u00e3o morrer\u00e1 por excesso de CO2, ou por falta de energia. Isso me lembra uma hist\u00f3ria de 40 anos atr\u00e1s, quando um grupo empreendedor de jovens cientistas me falou, com grande entusiasmo, dessa mesma id\u00e9ia, a partir de princ\u00edpios te\u00f3ricos. Em minha f\u00e9 cega na ci\u00eancia, tratei de disponibilizar tudo o que me solicitavam, inclusive a instala\u00e7\u00e3o isolada, onde passaram anos com tal \u00e2nimo que at\u00e9 lhes explodiu um motor, por pouco n\u00e3o matando alguns deles, e, apesar disso, continuaram a tarefa.<\/p>\n<p>N\u00e3o nego nada, muito menos a um super instituto da Calif\u00f3rnia mas, por favor, senhor presidente, informe o mundo sobre essa possibilidade, para que outros muitos cientistas trabalhem nesta mesma dire\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de lucros, a humanidade estar\u00e1 disposta a lhe pagar tudo o que seus cientistas queiram e estou quase seguro de que at\u00e9 Michael Moore aplaudiria sua premia\u00e7\u00e3o com 10 pr\u00eamios Nobel.<\/p>\n<p>Em seguida, e depois de outro alentador coment\u00e1rio sobre Oak Ridge National Laboratory e supercomputadores para que as instala\u00e7\u00f5es nucleares produzam mais energia, o presidente assegura: <em>\u201cCom mais pesquisa e incentivos, podemos acabar com nossa depend\u00eancia do petr\u00f3leo, com biocombust\u00edveis, e nos converter no primeiro pa\u00eds a ter um milh\u00e3o de ve\u00edculos el\u00e9tricos em marcha, para 2015.\u201d (Aplausos)<\/em><\/p>\n<p>Imperturb\u00e1vel, o presidente prossegue:<\/p>\n<p>\u201c<em>Pensem. Nos pr\u00f3ximos dez anos, quase a metade de todos os novos empregos v\u00e3o requerer educa\u00e7\u00e3o superior, n\u00e3o apenas estudos secund\u00e1rios. No entanto, at\u00e9 um quarto dos nossos estudantes nem sequer est\u00e3o terminando o secund\u00e1rio. A qualidade da nosso ensino de matem\u00e1tica e ci\u00eancias \u00e9 inferior ao de muitos outros pa\u00edses. Os Estados Unidos passou a ser o nono em termos da propor\u00e7\u00e3o de jovens com grau universit\u00e1rio. Ent\u00e3o, a pergunta \u00e9 se n\u00f3s, como cidad\u00e3os e como pais, estamos dispostos a fazer o necess\u00e1rio para dar a cada crian\u00e7a a oportunidade de ter \u00eaxito (&#8230;) alcan\u00e7aremos a meta que tracei h\u00e1 dois anos: no final desta d\u00e9cada, os USA ter\u00e1 a mais alta propor\u00e7\u00e3o de graus universit\u00e1rios do mundo.\u201d(Aplausos) \u201cOutros v\u00eam do estrangeiro para estudar em nossas institui\u00e7\u00f5es superiores e universidades. Mas, assim que obt\u00eam o t\u00edtulo, os enviamos de volta a seus pa\u00edses para incrementar a competi\u00e7\u00e3o conosco. <\/em><em>N\u00e3o tem nenhum sentido.\u201d<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 claro que este roubo ins\u00f3lito e confesso de c\u00e9rebros, que ao nosso amigo Obama nem sequer interessa dissimular, deve ser perdoado, em considera\u00e7\u00e3o \u00e0 sua paix\u00e3o pela ci\u00eancia e pela competi\u00e7\u00e3o sadia.<\/p>\n<p>\u201c<em>O terceiro passo, para ganharmos o futuro, \u00e9 reconstruir os Estados Unidos. Para atrair novas empresas ao nosso litoral, precisamos de vias mais r\u00e1pidas para transportar gente, produtos e informa\u00e7\u00e3o, desde trens de alta velocidade at\u00e9 internet de alta velocidade. Nossa infraestrutura sempre foi a melhor, mas j\u00e1 n\u00e3o somos os primeiros. As casas da Cor\u00e9ia do Sul, agora, t\u00eam melhor acesso \u00e0 internet que as nossas. R\u00fassia e pa\u00edses da Europa investem mais em suas estradas e ferrovias que n\u00f3s. China constr\u00f3i trens mais r\u00e1pidos e aeroportos mais modernos (&#8230;) nos \u00faltimos anos, temos come\u00e7ado a reconstruir, para o s\u00e9culo XXI, um projeto que tem gerado milhares de empregos bem remunerados no muito afetado setor da constru\u00e7\u00e3o. E, esta noite, proponho redobrar os esfor\u00e7os. Nos pr\u00f3ximos 25 anos, nossa meta \u00e9 dar a 80% dos estadunidenses acesso a trens de alta velocidade. Nos pr\u00f3ximos 5 anos, tornaremos poss\u00edvel que as empresas fa\u00e7am chegar a gera\u00e7\u00e3o seguinte de tecnologia inform\u00e1tica de alta velocidade a 98% dos cidad\u00e3os. Isto significa que, desde uma comunidade rural, em Iowa ou Alabama, os trabalhadores e pequenos empres\u00e1rios poder\u00e3o vender seus produtos em todo o mundo (&#8230;) far\u00e3o que os Estados Unidos sejam um lugar melhor para fazer neg\u00f3cios e gerar empregos. (&#8230;) nos temos imposto a meta de duplicar nossas exporta\u00e7\u00f5es at\u00e9 2014, porque quanto mais exportamos, mais empregos criamos em nosso pa\u00eds. (&#8230;) Recentemente, assinamos acordos, com a China e com a \u00cdndia, que dar\u00e3o respaldo a mais de 250 mil empregos aqui, nos Estados Unidos. (&#8230;) deixei claro que (&#8230;) s\u00f3 assinaria pactos que beneficiassem os trabalhadores estadunidenses e promovessem empregos em nosso pa\u00eds (&#8230;) \u00e9 o que pretendo fazer ao procurar acordos com o Panam\u00e1 e com a Col\u00f4mbia.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Algumas das coisas ditas por Obama d\u00e3o uma id\u00e9ia dos dram\u00e1ticos sofrimentos que, em pleno s\u00e9culo XXI, s\u00e3o suportados pelos mais pobres em seu pr\u00f3prio pa\u00eds. Ele nos diz, por exemplo:<\/p>\n<p>\u201c<em>n\u00e3o estou disposto a falar com James Howard, paciente no Texas com c\u00e2ncer de c\u00e9rebro, que \u00e9 poss\u00edvel que n\u00e3o se cubra o seu tratamento (&#8230;) Vivemos com uma heran\u00e7a de gastos em d\u00e9ficit que come\u00e7ou h\u00e1 quase uma d\u00e9cada. Depois da crise financeira, alguma coisa disso foi necess\u00e1ria para continuar com o fluxo de cr\u00e9dito, preservar empregos e por dinheiro no bolso das pessoas. (&#8230;) Esta noite, estou propondo que, a partir deste ano, congelemos o gasto nacional anual, durante os pr\u00f3ximos cinco anos. (&#8230;) O secret\u00e1rio de defesa tamb\u00e9m aceitou cortar dezenas de bilh\u00f5es de d\u00f3lares, em gastos que ele e seus generais considerem que podem prescindir. (&#8230;) E se realmente nos importa nosso d\u00e9ficit, simplesmente n\u00e3o podemos nos dar ao luxo de uma extens\u00e3o permanente dos cortes tribut\u00e1rios, para os 2% mais ricos dos estadunidenses. Antes de tomar dinheiro das nossas escolas e universidades, devemos exigir que os milion\u00e1rios renunciem \u00e0s suas isen\u00e7\u00f5es. (&#8230;) J\u00e1 que voc\u00eas merecem saber quando seus funcion\u00e1rios p\u00fablicos se re\u00fanem com lobistas, pedirei ao Congresso que fa\u00e7a o que tem sido feito pela Casa Branca: colocar essas informa\u00e7\u00f5es na internet.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Penso que a simples presen\u00e7a de um ex\u00e9rcito de lobistas trabalhando e negociando com os congressistas constitui uma vergonha para qualquer pa\u00eds civilizado. Continua Obama.<\/p>\n<p>\u201c<em>O exemplo moral dos Estados Unidos deve brilhar sempre, para todos aqueles que desejam a liberdade, a justi\u00e7a e a dignidade\u201d, e Obama, em seguida, passa a outro tema. \u201cConsiderem o Iraque, de onde quase 100 mil de nossos valentes homens e mulheres sa\u00edram com a cabe\u00e7a erguida.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Miss\u00e3o cumprida!, lembrei.<\/p>\n<p>\u201c<em>Gra\u00e7as \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o, por republicanos e democratas, do novo Tratado START, ser\u00e3o deslocados muito menos armas e lan\u00e7adores nucleares. (&#8230;) Devido a um acordo diplom\u00e1tico, para insistir em que o Ir\u00e3 cumpra as suas obriga\u00e7\u00f5es, o governo do Ir\u00e3, agora, enfrenta san\u00e7\u00f5es mais duras, san\u00e7\u00f5es mais estritas que nunca antes. E na pen\u00ednsula da Cor\u00e9ia, apoiamos nossa aliada Cor\u00e9ia do Sul, insistindo que a Cor\u00e9ia do Norte cumpra o seu compromisso de abandonar as armas nucleares.\u201d<\/em><\/p>\n<p>O presidente, como se pode observar, n\u00e3o menciona uma s\u00f3 palavra sobre o assassinato seletivo de cientistas iranianos, realizado por organismos de intelig\u00eancia dos USA e seus aliados, que ele conhece perfeitamente bem. Em troca, nos brinda outra informa\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>\u201c<em>Estas s\u00e3o apenas algumas das formas com o que estamos forjando um mundo que favore\u00e7a a paz e a prosperidade. Com nossos aliados na Europa, revitalizamos a OTAN e aumentamos nossa coopera\u00e7\u00e3o em tudo, desde anti-terrorismo at\u00e9 defesas anti-m\u00edsseis.\u201d<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 claro que nosso ilustre amigo n\u00e3o diz uma palavra sobre a urgente necessidade de impedir o prosseguimento do aquecimento global, nem das chuvas catastr\u00f3ficas ou as nevascas que acabam de golpear o mundo, nem da crise alimentar que, neste momento, amea\u00e7a 80 pa\u00edses do terceiro mundo, nem, \u00e9 \u00f3bvio, das dezenas de milh\u00f5es de toneladas de milho e soja, que as grandes empresas dos USA est\u00e3o consagrando \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edveis, enquanto a popula\u00e7\u00e3o mundial, j\u00e1 no patamar de 6,9 bilh\u00f5es de pessoas, atingir\u00e1 7 bilh\u00f5es em 18 meses.<\/p>\n<p>\u201c<em>Em mar\u00e7o\u201d, prossegue Obama, \u201cviajarei ao Brasil, Chile e El Salvador, para fazer novas alian\u00e7as em todo continente americano.\u201d<\/em><\/p>\n<p>No Brasil ele poder\u00e1 apreciar os estragos e os mortos e desaparecidos causados pelas chuvas sem precedentes que acaba de acontecer no Rio de Janeiro e em S\u00e3o Paulo. Ser\u00e1, sem d\u00favida, ocasi\u00e3o prop\u00edcia para assumir o fato de que os Estados Unidos se negou a assinar o acordo de Kioto, e impulsionou, j\u00e1 sob seu pr\u00f3prio governo, a pol\u00edtica suicida de Copenhague.<\/p>\n<p>No Chile, a pol\u00edtica, agora, est\u00e1 complicada. \u00c9 de se supor que algu\u00e9m deve render tributo a Salvador Allende e aos milhares de cidad\u00e3os chilenos assassinados pela tirania de Pinochet, que os Estados Unidos impuseram ao Chile. A isso se acrescenta o que mais adiante explico. Outra situa\u00e7\u00e3o embara\u00e7osa deve acontecer em El Salvador, onde as armas dos USA e as for\u00e7as treinadas e educadas nas escolas militares de contra-insurg\u00eancia estadunidenses torturaram e cometeram horr\u00edveis crimes contra os combatentes do FMLN, cujo partido, recentemente, obteve a maioria dos votos em elei\u00e7\u00e3o. Inacreditavelmente, o presidente afirma:<\/p>\n<p>\u201c<em>Ao redor do mundo, apoiamos aos que assumem responsabilidade, ajudando agricultores a cultivar mais alimentos, apoiando m\u00e9dicos para que cuidem dos doentes&#8230;\u201d <\/em><\/p>\n<p>Muitas pessoas sabem o que os Estados Unidos fizeram com nossos m\u00e9dicos cubanos, na Venezuela e em outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, armando planos para promover deser\u00e7\u00f5es e oferecendo-lhes vistos e dinheiro nos Estados Unidos, para que abandonassem sua dura e abnegada tarefa. Ningu\u00e9m ignora os acordos de livre-com\u00e9rcio e os enormes subs\u00eddios dos produtos agr\u00edcolas dos USA, para arruinar os produtores de cereais e gr\u00e3os, na Am\u00e9rica Latina. Com essas pr\u00e1ticas, acabaram com a produ\u00e7\u00e3o de milho e outros cereais, no M\u00e9xico, tornando-o dependente da agricultura norteamericana.<\/p>\n<p>Em pa\u00edses como o Haiti, que quase se auto abastecia de arroz, as transnacionais arruinaram a produ\u00e7\u00e3o, \u00e0 base de excedentes subsidiados, e impediram que o pa\u00eds se abastecesse neste setor, oferecendo crescente emprego a milhares de trabalhadores haitianos. Agora, segundo o discurso de Obama, os Estados Unidos \u00e9 o campe\u00e3o da assist\u00eancia m\u00e9dica e da honradez administrativa no mundo. Estes assuntos s\u00e3o extensos e dif\u00edceis de tratar em uma s\u00f3 Reflex\u00e3o.<\/p>\n<p>Lembramos aqui que os pa\u00edses industrializados s\u00e3o os principais captadores de m\u00e9dicos e cientistas dos pa\u00edses do terceiro mundo. A superioridade militar dos USA supera os demais pa\u00edses do mundo, juntos; suas exporta\u00e7\u00f5es de armas duplicam ou triplicam as dos demais Estados; seus arsenais nucleares deslocados somam mais de 5 mil armas estrat\u00e9gicas; suas bases militares no exterior passam de 500; seus porta-avi\u00f5es nucleares e frotas de guerra dominam todos os mares do planeta. Por acaso o sonho \u201camericano\u201d pode servir de modelo para o mundo? A quem pretende enganar o presidente dos Estados Unidos, com esse discurso?<\/p>\n<p>Na \u00faltima parte da sua delirante mensagem, ele exclamou:<\/p>\n<p>\u201c<em>\u00c9 por este sonho que estou diante de voc\u00eas, esta noite. \u00c9 por este sonho que um cidad\u00e3o da classe trabalhadora de Scranton pode se sentar atr\u00e1s de mim. \u00c9 por este sonho que algu\u00e9m que come\u00e7ou varrendo o ch\u00e3o do bar de seu pai, em Cincinnati, pode ser presidente da C\u00e2mara de Representantes, no mais grandioso pa\u00eds do mundo. <\/em><em>(&#8230;) E esse sonho \u00e9 o caso de um pequeno empres\u00e1rio, chamado Brandon Fischer. <\/em><em>Brandon come\u00e7ou uma empresa, na Pensilvania, especializada em um novo tipo de perfura\u00e7\u00e3o. E, num dia no ver\u00e3o passado, ouviu a not\u00edcia de que, no outro lado do mundo, 33 homens estavam presos em uma mina do Chile e ningu\u00e9m sabia como salv\u00e1-los. Mas Brandon pensou que sua empresa poderia ajudar. Ent\u00e3o, formulou um resgate que seria conhecido como \u2018plano B\u2019. Seus empregados trabalharam dia e noite para fabricar o equipamento necess\u00e1rio para a perfura\u00e7\u00e3o. E Brandon partiu para o Chile. Junto com outros, come\u00e7ou a perfurar no solo uma escava\u00e7\u00e3o de 2 mil p\u00e9s, trabalhando tr\u00eas ou quatro dias por vez, sem dormir. Trinta e sete dias depois, o plano B teve \u00eaxito e os mineiros foram resgatados.\u201d(Aplausos) \u201cMas, por n\u00e3o querer toda esta aten\u00e7\u00e3o, Brandon n\u00e3o ficou ali quando os mineiros sa\u00edram \u00e0 superf\u00edcie. J\u00e1 havia voltado para casa, para trabalhar em seu pr\u00f3ximo projeto. Um dos seus empregados diria, mais tarde: \u2018provamos que a Center Rock \u00e9 uma empresa pequena, mas fazemos grandes coisas\u2019.\u201d <\/em><em>(Aplausos)<\/em><\/p>\n<p>Obama falou na noite do dia 25. Hoje, 27 de janeiro, a ag\u00eancia de not\u00edcias norteamericana AP comunicou \u00e0 imprensa mundial o seguinte:<\/p>\n<p>\u201c<em>O chefe das equipes de resgate que recuperaram com vida 33 mineiros acidentados, durante 69 dias, no fundo de uma mina, no Chile, corrigiu o presidente Barack Obama, sobre a participa\u00e7\u00e3o de um estadunidense no resgate. O engenheiro chileno Jorge Sougarret, que dirigiu as tarefas de resgate dos mineiros, em outubro, disse ao jornal El Merc\u00fario: \u2018Acreditar que foram eles, unicamente, os part\u00edcipes do \u00eaxito do resgate, creio ser demais. N\u00e3o me parece correto\u2019. Sougarret esclareceu que Brandon Fischer n\u00e3o fez o plano do resgate, um dos tr\u00eas que foram usados para levar \u00e0 superf\u00edcie os mineiros, embora tenham sido de sua empresa os martelos de perfura\u00e7\u00e3o, pelos quais foram pagos cem mil d\u00f3lares. \u2018O que eles fizeram foi colocar \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o uma t\u00e9cnica, como houve outras, al\u00e9m dela. N\u00e3o foi a exclusiva. Por isso foi chamado plano B. O plano A e o C continuaram funcionando. Portanto, n\u00e3o foi uma opera\u00e7\u00e3o exclusiva o que eles fizeram. Sem d\u00favida, seu equipamento completo teve participa\u00e7\u00e3o, o que permitiu, finalmente, que alcan\u00e7\u00e1ssemos o \u00eaxito\u2019, disse Sougarret. O engenheiro, gerente de uma das cinco grandes minera\u00e7\u00f5es estatais de cobre, disse que a equipe t\u00e9cnica, integrada pela estatal Codelco e duas grandes mineradoras privadas, resolveu a execu\u00e7\u00e3o do plano B, que culminou com o \u00eaxito de 13 de outubro, o resgate atrav\u00e9s de uma sonda introduzida pela perfura\u00e7\u00e3o.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Depois de exaltar a proeza da pequena empresa Center Rock, independentemente dos m\u00e9ritos pessoais e da capacidade que possa ter o jovem Brandon Fischer, Obama, em sua desmedida apologia, que o levou a n\u00e3o mencionar sequer o esfor\u00e7o dos resgatadores chilenos, que trabalharam arduamente durante semanas, para salvar os mineiros, culminou sua ardente fala\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>\u201c<em>A id\u00e9ia dos Estados Unidos permanece. Nosso destino continua sendo o que decidirmos que seja. E, esta noite, mais de dois s\u00e9culos depois, \u00e9 gra\u00e7as \u00e0 nossa gente que nosso futuro est\u00e1 cheio de esperan\u00e7a, nossa travessia continua e o estado de nossa na\u00e7\u00e3o \u00e9 s\u00f3lido. Obrigado, que Deus nos aben\u00e7oe e aben\u00e7oe os Estados Unidos da Am\u00e9rica.\u201d<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil acreditar que Deus aben\u00e7oe tanta mentira.<\/p>\n<p>Fidel Castro Ruiz, 27 de janeiro de 2011<\/p>\n<p>Boletim Cuba Debate<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cubadebate.cu\/\" target=\"_blank\">www.cubadebate.cu<\/a><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Eduardo Marinho<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: Redebrasilatual\n\n\n\n\n\n\n\n\nFidel Castro Ruiz\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1186\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-1186","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-j8","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1186","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1186"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1186\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1186"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1186"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1186"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}