{"id":1191,"date":"2011-02-06T21:03:54","date_gmt":"2011-02-06T21:03:54","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1191"},"modified":"2011-02-06T21:03:54","modified_gmt":"2011-02-06T21:03:54","slug":"egito-o-dilema-do-conglomerado-euaisrael-terrorismo-sa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1191","title":{"rendered":"EGITO \u2013 O DILEMA DO CONGLOMERADO EUA\/ISRAEL TERRORISMO S\/A"},"content":{"rendered":"\n<p>Norberto Bobbio, o c\u00e9lebre cientista pol\u00edtico italiano, em seu DICION\u00c1RIO DE POL\u00cdTICA (Editora UnB, 2002) afirma que o \u201cestado contempor\u00e2neo\u201d define as chamadas \u201cliberdades fundamentais\u201d, como \u201ctutela das liberdades burguesas. Liberdade pessoal, pol\u00edtica e econ\u00f4mica\u201d. Na vis\u00e3o de Bobbio esse conceito forma \u201cum dique contra a interven\u00e7\u00e3o do Estado\u201d.<\/p>\n<p>Por outro lado, segundo o mesmo Bobbio, \u201cdireitos sociais representam o direito de participa\u00e7\u00e3o no poder pol\u00edtico e na distribui\u00e7\u00e3o da riqueza social produzida. A forma do Estado oscila, assim, entre a liberdade e a participa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 a vis\u00e3o de um cientista (colaboraram na obra Nicola Matteucci e GianFranco Pasquinho) que freq\u00fcentou o espectro pol\u00edtico da direita em seu pa\u00eds, a It\u00e1lia. O que Bobbio chama de \u201cdireitos sociais\u201d, na vis\u00e3o dele, incorpora-se ao que define como \u201cEstado Contempor\u00e2neo\u201d.<\/p>\n<p>O ex-presidente norte-americano Franklin Delano Roosevelt, num dos mais c\u00e9lebres discursos que pronunciou (Roosevelt foi eleito em quatro pleitos sucessivos e s\u00f3 ap\u00f3s sua morte a lei nos EUA foi modificada permitindo apenas uma reelei\u00e7\u00e3o) fala dos direitos fundamentais para que se possa construir a na\u00e7\u00e3o de forma justa para todos os seus. Educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, moradia, emprego, seguran\u00e7a, cita a express\u00e3o dignidade referindo-se ao ser humano. Nos EUA, Roosevelt foi eleito a primeira vez em 1932 e os norte-americanos ainda juntavam o que pode ser salvo dos escombros da crise de 1929.<\/p>\n<p>A Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, subscrita entre outros pelo Brasil, EUA, assegura os direitos b\u00e1sicos das pessoas.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 exagero e nem \u00e9 uma express\u00e3o de linguagem referir-se aos EUA e a Israel como conglomerados terroristas. Um general norte-americano, escapa-me o nome, fala que \u201cterrorista \u00e9 quem perde\u201d.<\/p>\n<p>O mundo neoliberal \u00e9 o fim do conceito de na\u00e7\u00e3o. Povo, territ\u00f3rio, l\u00edngua, tradi\u00e7\u00f5es, soberania e governo, em linhas gerais. O deus mercado introduziu o mundo dos conglomerados. Das grandes empresas, do terrorismo que se v\u00ea em Guant\u00e1namo, na farsa das armas qu\u00edmicas e biol\u00f3gicas no Iraque (para justificar o controle do petr\u00f3leo).<\/p>\n<p>Essa forma de ver o mundo pode ser entendida na frase de Madeleine Albright, secret\u00e1ria de Estado do governo Clinton, quando respondia a um rep\u00f3rter sobre o custo em vidas do bloqueio imposto ao Iraque por seu pa\u00eds. Duzentas mil crian\u00e7as mortas \u00e0 m\u00edngua de alimentos, rem\u00e9dios, condi\u00e7\u00f5es primeiras de vida no geral.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 o pre\u00e7o que se paga pela democracia\u201d.<\/p>\n<p>Albright enterrou ali outro conceito, o que afirma a democracia como sendo \u201co governo do povo, pelo povo e para o povo\u201d. E os direitos humanos.<\/p>\n<p>Uma GENERAL MOTORS vale mais que qualquer vida humana, que milh\u00f5es de vidas humanas. E assim o que Eisenhower, ex-presidente dos EUA e comandante aliado na II\u00aa Grande Guerra, chamou de \u201ccomplexo militar e industrial\u201d, referindo-se ao que J\u00e2nio Quadros, entre n\u00f3s, chamaria de \u201cfor\u00e7as ocultas\u201d (a diferen\u00e7a entre o norte-americano e o brasileiro est\u00e1 s\u00f3 no teor alco\u00f3lico).<\/p>\n<p>Foi no rastro dessas constata\u00e7\u00f5es que Guy Debort, em A SOCIEDADE DO ESPET\u00c1CULO (Editora Contraponto, 1997), conclui que h\u00e1 dois s\u00e9culos se faz a mesma e \u201capavorante pergunta\u201d: \u201cComo fazer para que os pobres trabalhem quando a ilus\u00e3o \u00e9 desenganada e a for\u00e7a se desagrega?\u201d<\/p>\n<p>\u201cSe o mundo pode enfim proclamar-se oficialmente unificado, \u00e9 porque essa fus\u00e3o j\u00e1 se realizara na realidade econ\u00f4mico-pol\u00edtica do mundo inteiro. Foi tamb\u00e9m porque a situa\u00e7\u00e3o \u00e0 qual universalmente chegou o poder separado era t\u00e3o grave, que esse mundo sentiu a necessidade de se unificar rapidamente, de participar de um bloco \u00fanico da mesma organiza\u00e7\u00e3o consensual do mercado mundial, falsificado e garantido pelo espet\u00e1culo.\u201d<\/p>\n<p>\u201cE sem d\u00favida o nosso tempo&#8230; prefere a imagem \u00e0 coisa, a c\u00f3pia ao original, a representa\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade, a apar\u00eancia ao ser&#8230; Ele considera que a ilus\u00e3o \u00e9 sagrada, e a verdade \u00e9 profana. E mais: a seus olhos o sagrado aumenta \u00e0 medida que a verdade decresce e a ilus\u00e3o cresce, a tal ponto que, para ele, o c\u00famulo da ilus\u00e3o fica sendo o c\u00famulo do sagrado\u201d (Feuerbach, pref\u00e1cio \u00e0 segunda edi\u00e7\u00e3o de A ESS\u00caNCIA DO CRISTIANISMO).<\/p>\n<p>O espet\u00e1culo \u00e9 cruel, perverso, se sustenta em v\u00e1rios tent\u00e1culos, dois dos quais, decisivos. A m\u00eddia como fator de aliena\u00e7\u00e3o, de desconstru\u00e7\u00e3o do ser e sua coisifica\u00e7\u00e3o. Os arsenais nucleares, qu\u00edmicos e biol\u00f3gicos, o poder do terror infundido nas guerras da \u201cdemocracia\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO espet\u00e1culo em geral, como invers\u00e3o concreta da vida, \u00e9 o movimento aut\u00f4nomo do n\u00e3o vivo\u201d (Debort).<\/p>\n<p>Os eg\u00edpcios acordaram. Ao cabo de trinta anos de ditadura com todos os ingredientes bo\u00e7ais de uma ditadura, os eg\u00edpcios, como os tunisianos, os argelinos, os jordanianos, os iemenitas, despertaram.<\/p>\n<p>O povo de Israel come\u00e7a a despertar do terror do governo nazi\/sionista que dirige o pa\u00eds. Mais de vinte mil manifestantes sa\u00edram \u00e0s ruas para protestar contra a decis\u00e3o do parlamento, de investigar organiza\u00e7\u00f5es que defendem os direitos humanos. Direitos humanos em Israel excluem os palestinos, mu\u00e7ulmanos de um modo geral, num preconceito que se estende \u00e0 mentira tornada sagrada de povo eleito. Ungido.<\/p>\n<p>As ditaduras em pa\u00edses como o Egito foram e s\u00e3o sustentadas pelos norte-americanos. Petr\u00f3leo e o controle do Oriente M\u00e9dio, estrat\u00e9gico para os interesses da pot\u00eancia\/conglomerado terrorista.<\/p>\n<p>Obama n\u00e3o \u00e9 diferente de Bush e nem \u00e9 negro. \u00c9 apenas disfarce.<\/p>\n<p>Nos primeiros momentos da revolta popular contra o ditador Hosni Mubarak, a secret\u00e1ria Hilary Clinton falou em \u201cestabilidade na regi\u00e3o\u201d. Riscos de mudan\u00e7as graves com a sa\u00edda de Mubarak. Num dado momento, o \u201cpresidente\u201d virou ditador diante do inevit\u00e1vel.<\/p>\n<p>A repress\u00e3o, n\u00e3o teve como a m\u00eddia esconder, alcan\u00e7ou jornalistas estrangeiros e se deu a partir da pol\u00edcia (sempre) do ditador. Mortos, milhares de feridos, a declara\u00e7\u00e3o pat\u00e9tica de um sanguin\u00e1rio governante, Mubarak, que \u201cestou farto de poder. N\u00e3o saio para evitar o caos\u201d.<\/p>\n<p>A crise hist\u00e9rica do primeiro-ministro nazi\/sionista de Israel Benjamin Netanyahu tentando vincular o Ir\u00e3 \u00e0 revolta no Egito, advertindo o mundo para a possibilidade de uma revolu\u00e7\u00e3o isl\u00e2mica no Egito. Ora, 90% da popula\u00e7\u00e3o eg\u00edpicia \u00e9 formada por mul\u00e7umanos e seus partidos pol\u00edticos foram proscritos pelo ditador de joelhos diante dos EUA e de Israel.<\/p>\n<p>Quem se dedicar a pesquisar o Alcor\u00e3o, livro sagrado dos mu\u00e7ulmanos, vai encontrar recomenda\u00e7\u00e3o de Maom\u00e9 no sentido da paz e da miseric\u00f3rdia, como da necessidade de luta se essa se fizer necess\u00e1ria.<\/p>\n<p>O deputado Meir Sheetrit, israelense e opositor do terrorismo, disse que a decis\u00e3o do parlamento de \u201cinvestigar\u201d organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos no pa\u00eds \u201c\u00e9 ofensiva perigosa para o Estado de Israel&#8230; e faz do pa\u00eds um dos estados das trevas\u201d.<\/p>\n<p>Hagai Elad, diretor executivo da Associa\u00e7\u00e3o pelos Direitos Civis, afirmou: \u201cOs milhares de pessoas que aqui est\u00e3o entendem que nossa democracia necessita de prote\u00e7\u00e3o contra aqueles que a querem destruir. Somos os porta-vozes de uma voz clara em defesa dos direitos humanos e da democracia e contra o racismo, o macartismo. Continuaremos a lutar pelos valores democr\u00e1ticos, liberdade de express\u00e3o, direitos iguais para os cidad\u00e3os e fim da ocupa\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>O povo de Israel est\u00e1 acordando.<\/p>\n<p>A rea\u00e7\u00e3o do povo eg\u00edpcio a um regime ditatorial, submisso a interesses de pot\u00eancia estrangeira (\u00e9 sempre f\u00e1cil comprar ditadores, Mubarak n\u00e3o \u00e9 exce\u00e7\u00e3o, at\u00e9 porque \u00e9 general tamb\u00e9m cheio de medalhinhas no peito) era previs\u00edvel.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 como manter caladas milh\u00f5es de vozes submetidas ao terror. Sejam eg\u00edpcios, sejam israelenses indignados com o genoc\u00eddio praticado contra palestinos.<\/p>\n<p>O dilema de Obama, seria o de qualquer outro presidente; Obama \u00e9 igual a Bush na ess\u00eancia, difere no estilo, \u00e9 como imaginar um Oriente M\u00e9dio controlado pela vontade popular, ao arrepio da mentira tornada sagrada da \u201cdemocracia\u201d norte-americana.<\/p>\n<p>A verdade absoluta do mundo dos conglomerados. Bancos, latifundi\u00e1rios e empres\u00e1rios. E a corte burocr\u00e1tica arrastando-se no entorno.<\/p>\n<p>Imposta a ferro e fogo e a um espet\u00e1culo aviltante no tent\u00e1culo m\u00eddia.<\/p>\n<p>A Hist\u00f3ria n\u00e3o se faz num dia. \u00c9 passo a passo. O capitalismo e o imp\u00e9rio norte-americano encontraram o cl\u00e1ssico beco sem sa\u00edda. Quanto tempo vai durar a agonia s\u00e3o outros quinhentos.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 a agonia.<\/p>\n<p>O problema no Egito \u00e9 simples. Fora Mubark, elei\u00e7\u00f5es gerais com participa\u00e7\u00e3o dos partidos mu\u00e7ulmanos. O Egito para os eg\u00edpcios.<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o do manifesto temor do embaixador do Brasil no Cairo com a situa\u00e7\u00e3o dos brasileiros que l\u00e1 est\u00e3o (\u201cestamos vivendo um regime sem leis, a pol\u00edcia n\u00e3o permitiu \u00e0 embaixada ajudar os brasileiros\u201d), o Itamaraty n\u00e3o disse uma palavra sobre o assunto que n\u00e3o seja algo vazio e sem sentido.<\/p>\n<p>H\u00e1 um m\u00eas e meio atr\u00e1s n\u00e3o era assim, o Brasil havia deixado de ser coadjuvante, era protagonista.<\/p>\n<p>\u00c9 o tal pragmatismo econ\u00f4mico do Estado economicista de Dilma Roussef. O risco \u00e9 sair uma nota conjunta Brasil\/EUA, quer dizer, EUA\/Brasil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: Boston.com\n\n\n\n\n\n\n\n\nLaerte Braga\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1191\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[71],"tags":[],"class_list":["post-1191","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c84-solidariedade"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-jd","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1191","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1191"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1191\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1191"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1191"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1191"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}