{"id":11950,"date":"2016-08-26T23:00:30","date_gmt":"2016-08-27T02:00:30","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=11950"},"modified":"2016-09-27T15:13:13","modified_gmt":"2016-09-27T18:13:13","slug":"a-logica-do-capitalismo-neoliberal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11950","title":{"rendered":"A L\u00d3GICA DO CAPITALISMO NEOLIBERAL"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/resistir.info\/patnaik\/imagens\/indian_tenants.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>por Prabhat Patnaik*<\/p>\n<p>O capitalismo \u00e9 um sistema &#8220;espont\u00e2neo&#8221; no sentido de que a sua din\u00e2mica se caracteriza pelo desdobramento de certas tend\u00eancias imanentes, tais como a mercantiliza\u00e7\u00e3o de tudo, a destrui\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o pr\u00e9 capitalista e o processo de centraliza\u00e7\u00e3o do capital. Levanta-se a quest\u00e3o: qual \u00e9 o papel do Estado nesta din\u00e2mica espont\u00e2nea do capitalismo? Em geral o Estado numa sociedade capitalista ajuda esta din\u00e2mica, removendo entraves e <!--more-->acelerando a opera\u00e7\u00e3o das suas tend\u00eancias imanentes. Entretanto pode haver certas conjunturas hist\u00f3ricas em que a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as de classe \u00e9 tal que o Estado pode ter de actuar para restringir a espontaneidade do capitalismo.<\/p>\n<p>A conjuntura do p\u00f3s guerra foi uma dessas, quando o enorme crescimento do campo socialista, o surto de confian\u00e7a da classe trabalhadora nas metr\u00f3poles e a ascens\u00e3o das lutas anti-coloniais de liberta\u00e7\u00e3o no terceiro mundo, conjugaram-se para colocar uma s\u00e9ria amea\u00e7a \u00e0 pr\u00f3pria exist\u00eancia do sistema. A descoloniza\u00e7\u00e3o e a institui\u00e7\u00e3o da interven\u00e7\u00e3o do Estado na &#8220;administra\u00e7\u00e3o da procura&#8221; para assegurar altos n\u00edveis de emprego nas metr\u00f3poles (a qual assumiu mesmo a forma de medidas de Estado Previd\u00eancia nos pa\u00edses da Europa onde a amea\u00e7a socialista era mais s\u00e9ria), foram caminhos pelos quais o sistema enfrentou esta amea\u00e7a existencial, com o Estado capitalista a actuar em certa medida para restringir a espontaneidade do sistema, embora de modo algum para elimin\u00e1-lo (pois isso \u00e9 imposs\u00edvel enquanto o sistema existe). Al\u00e9m disso, nas economias descolonizadas, os Estados que se constitu\u00edram fora da [comunidade] de pa\u00edses socialistas, embora de car\u00e1cter burgu\u00eas no sentido de promover o desenvolvimento capitalista, devido \u00e0 heran\u00e7a da luta anti-colonial tamb\u00e9m actuaram para restringir a espontaneidade do sistema.<\/p>\n<p>Mas a pr\u00f3pria centraliza\u00e7\u00e3o do capital verificada durante este per\u00edodo criou acumula\u00e7\u00f5es financeiras maci\u00e7as cujo impulso para abolir fronteiras nacionais que restringiam sua liberdade de movimento inaugurou o actual regime de globaliza\u00e7\u00e3o que se caracteriza pela globaliza\u00e7\u00e3o do capital e, acima de tudo, da finan\u00e7a. O Estado-na\u00e7\u00e3o sob este regime perde sua autonomia face \u00e0 globaliza\u00e7\u00e3o da finan\u00e7a, uma vez que qualquer movimento da sua parte para actuar de uma maneira oposta \u00e0s exig\u00eancias da finan\u00e7a provoca uma fuga financeira e portanto uma crise interna. Portanto, os Estados-na\u00e7\u00e3o de facto mais uma vez promoveram, ao inv\u00e9s de restringir, as tend\u00eancias imanentes do capital. As pol\u00edticas atrav\u00e9s das quais eles assim o fazem s\u00e3o aquilo a que chamamos as pol\u00edticas neoliberais. <i>O neoliberalismo, em suma, restaura a &#8220;espontaneidade&#8221; do capitalismo&#8221;. <\/i>Encarar o Estado neoliberal como a &#8220;retroceder&#8221; em favor do &#8220;mercado&#8221; \u00e9 enganoso \u2013 o Estado actua de acordo com as exig\u00eancias do capital financeiro internacional e da oligarquia corporativa-financeira interna integrada com ele e, com isso, ajuda a &#8220;espontaneidade&#8221; do sistema.<\/p>\n<p><b>ASSALTO \u00c0 PEQUENA PRODU\u00c7\u00c3O<\/b><\/p>\n<p>Uma vez que uma importante tend\u00eancia imanente \u00e9 a destrui\u00e7\u00e3o da pequena produ\u00e7\u00e3o pr\u00e9 capitalista, esta reafirma\u00e7\u00e3o da &#8220;espontaneidade&#8221; do sistema capitalista mostra-se, <i>inter alia, <\/i>como um assalto \u00e0 pequena produ\u00e7\u00e3o, incluindo a agricultura camponesa, por toda a parte. A crise agr\u00e1ria e os suic\u00eddios de camponeses que assistimos na \u00cdndia na era neoliberal s\u00e3o simplesmente a express\u00e3o deste assalto. Eles ocorrem n\u00e3o porque a agricultura seja &#8220;abandonada&#8221; sob a administra\u00e7\u00e3o neoliberal, como habitualmente se pensa, mas por causa desta mesma administra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os mecanismos atrav\u00e9s dos quais se verifica este assalto \u00e0 pequena produ\u00e7\u00e3o constituem o que Marx chamou o processo de &#8220;acumula\u00e7\u00e3o primitiva de capital&#8221;. Se bem que a acumula\u00e7\u00e3o primitiva seja logicamente distinta, e ocorra historicamente antes, do que se pode chamar a acumula\u00e7\u00e3o &#8220;normal&#8221; de capital estudada pormenorizadamente no <i>Capital, <\/i>ela n\u00e3o est\u00e1 confinada s\u00f3 ao per\u00edodo anterior \u00e0quele em que o capitalismo se p\u00f4s de p\u00e9. Ao contr\u00e1rio, ela ocorre atrav\u00e9s de toda a hist\u00f3ria do capitalismo, utilizando colonialismo como sua arma principal, como Marx observou nos seus escritos sobre a \u00cdndia. O Estado colonial efectuou esta acumula\u00e7\u00e3o primitiva a expensas dos pequenos produtores atrav\u00e9s dos processos paralelos de &#8220;drenagem de excedente&#8221; e &#8220;desindustrializa\u00e7\u00e3o&#8221;, ao passo que o Estado neoliberal utiliza outros instrumentos (como vemos abaixo), mas a sua manifesta\u00e7\u00e3o na forma de uma crise da pequena produ\u00e7\u00e3o permanece a mesma. Em suma, a actual crise agr\u00e1ria \u00e9 uma re-emerg\u00eancia, embora sob circunst\u00e2ncias mudadas, da prolongada crise agr\u00e1ria da era colonial que fora interrompida por algum tempo durante a era <i>dirigista. <\/i><\/p>\n<p>N\u00e3o [significa] que na era <i>dirigista <\/i>n\u00e3o houvesse acumula\u00e7\u00e3o primitiva de capital: a expuls\u00e3o de arrendat\u00e1rios <i>(tenants) <\/i>que assinalou a transi\u00e7\u00e3o rumo \u00e0 agricultura capitalista da variedade <i>junker <\/i>durante este per\u00edodo foi um exemplo \u00f3bvio disto. Mas isto foi acumula\u00e7\u00e3o primitiva a verificar-se <i>dentro <\/i>da economia agr\u00e1ria, n\u00e3o infligida pelo grande capital a partir de fora. Agora, verifica-se al\u00e9m disso que tal acumula\u00e7\u00e3o primitiva infligida a partir de fora pelo grande capital e pelo Estado neoliberal (o qual ao inv\u00e9s de aparentemente pairar acima das classes e cuidar dos interesses de &#8220;todos&#8221; torna-se preocupado acima de tudo com a promo\u00e7\u00e3o dos interesses da oligarquia corporativo-financeira). Pode-se pensar que quanto a isto n\u00e3o h\u00e1 necessidade de distinguir entre a era <i>dirigista <\/i>e a era neoliberal uma vez que a acumula\u00e7\u00e3o primitiva ocorre sob ambas. A quest\u00e3o entretanto \u00e9 que a acumula\u00e7\u00e3o primitiva da esp\u00e9cie que se verifica neste \u00faltimo per\u00edodo <i>\u00e9 sobreposta <\/i>\u00e0 acumula\u00e7\u00e3o primitiva verificada durante o per\u00edodo anterior, <i>a qual tamb\u00e9m continua no per\u00edodo posterior. <\/i>\u00c9 isto que explica a virul\u00eancia da crise agr\u00e1ria de hoje.<\/p>\n<p>O assalto \u00e0 agricultura camponesa assume duas formas. Uma, constituindo acumula\u00e7\u00e3o primitiva em termos de &#8220;fluxo&#8221;, implica um esmagamento de rendimentos da agricultura e portanto da lucratividade (tal como o que o sistema fiscal efectuou no per\u00edodo colonial). A outra, constituindo acumula\u00e7\u00e3o primitiva em termos de &#8220;stock&#8221;, implica uma transfer\u00eancia de activos dos camponeses a pre\u00e7os vis <i>(&#8220;throwaway&#8221;), <\/i>muitas vezes sem o seu consentimento, para corpora\u00e7\u00f5es e desenvolvedores imobili\u00e1rios para projectos de &#8220;infraestrutura&#8221; ou &#8220;industriais&#8221; (al\u00e9m das transfer\u00eancias que se verificam dentro da economia agr\u00e1ria para latifundi\u00e1rios). Mesmo quando \u00e9 obtido consentimento, ele n\u00e3o \u00e9 de todos os produtores dependentes de um lote de terra particular; a compensa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 paga igualmente a todos os produtores. Aqueles que s\u00e3o exclu\u00eddos perdem evidentemente seus direitos sobre a terra em troca de nada (incluindo direitos costumeiros) e s\u00e3o as v\u00edtimas \u00f3bvias da acumula\u00e7\u00e3o primitiva em termos de &#8220;stock&#8221;.<\/p>\n<p>Esta \u00faltima quest\u00e3o tem sido muito discutida; vamos portanto concentrar-nos nela. Um certo n\u00famero de medidas tomadas pelo regime <i>dirigista <\/i>para melhorar a resili\u00eancia e lucratividade da agricultura foi desfeito sob o regime neoliberal, esmagando o campesinato at\u00e9 o ponto em que mesmo a reprodu\u00e7\u00e3o simples se torna imposs\u00edvel para grande n\u00famero deles, resultando em suic\u00eddios de camponeses (mais de 200 mil na \u00faltima d\u00e9cada e meia). Entre estas est\u00e3o: acabar o isolamento da agricultura camponesa das vicissitudes das flutua\u00e7\u00f5es de pre\u00e7os do mercado mundial que o dirigismo proporcionava por meio de tarifas e restri\u00e7\u00f5es quantitativas; colocar camponeses em contacto directo com multinacionais do agro-neg\u00f3cio e corpora\u00e7\u00f5es internas sem a almofada protectora do Estado; fazer subir pre\u00e7os de inputs atrav\u00e9s da retirada de subs\u00eddios do Estado, exigido pelo facto de que recursos or\u00e7amentais fluem cada vez mais para grandes corpora\u00e7\u00f5es; reduzir a investiga\u00e7\u00e3o e desenvolvimento agr\u00edcola em institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas; terminar servi\u00e7os p\u00fablicos de extens\u00e3o agr\u00edcola; cortes severos no investimento p\u00fablico na agricultura; uma retirada progressiva de cr\u00e9dito institucional para o sector de modo a que camponeses tenham de contrair empr\u00e9stimos a taxas exorbitantes de uma classe de novos usur\u00e1rios; e privatiza\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os essenciais como educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade o que os torna inacess\u00edveis para trabalhadores rurais. Tamb\u00e9m se podem listar medidas semelhantes que afectam outros segmentos de pequenos produtores: pescadores, artes\u00e3os, fiadores e tecel\u00f5es.<\/p>\n<p>A acumula\u00e7\u00e3o primitiva de capital que destr\u00f3i a pequena produ\u00e7\u00e3o e liberta trabalhadores para o desemprego n\u00e3o teria provocado o sofrimento que provocou se aqueles &#8220;libertados&#8221; pela sua destrui\u00e7\u00e3o houvessem sido absorvidos significativamente dentro do &#8220;ex\u00e9rcito de trabalho activo&#8221;. Ele n\u00e3o o foram e a raz\u00e3o para isso est\u00e1 na remo\u00e7\u00e3o de outra restri\u00e7\u00e3o \u00e0 &#8220;espontaneidade&#8221; que o <i>dirigismo <\/i>havia imposto, nomeado sobre o ritmo da mudan\u00e7a tecnol\u00f3gica e estrutural. Em consequ\u00eancia a taxa de crescimento da produtividade do trabalho tem sido t\u00e3o alta que, apesar das taxas de crescimento aparentemente altas do PIB, a taxa de crescimento do emprego tem sido demasiado diminuta para absorver sequer o crescimento natural da for\u00e7a de trabalho, muito menos os pequenos produtores deslocados \u00e0 procura de empregos. Certamente o crescente desemprego relativo provocado por isto n\u00e3o se manifestou como tal: ele assumiu a forma de uma prolifera\u00e7\u00e3o de emprego prec\u00e1rio, emprego em tempo parcial, emprego intermitente e desemprego disfar\u00e7ados (muitas vezes camuflado como &#8220;micro empreendedorismo&#8221;). O racionamento de emprego em grande medida apagou a pr\u00f3pria distin\u00e7\u00e3o entre ex\u00e9rcitos de trabalho activos e de reserva como entidades separadas. Isto por um lado resultou numa prolifera\u00e7\u00e3o do lumpen proletariado e por outro numa estagna\u00e7\u00e3o ou mesmo decl\u00ednio dos sal\u00e1rios reais dos trabalhadores organizados.<\/p>\n<p>Mesmo que tomemos o per\u00edodo 2004-05 a 2009-10 que supostamente testemunhou crescimento r\u00e1pido do PIB e que limitemos a nossa aten\u00e7\u00e3o ao que o NSS chama de &#8220;status habitual&#8221; do emprego como um indicador aproximado do emprego correcto, descobrimos que a taxa de crescimento de tal emprego foram uns meros 0,8 por cento ao ano, bem abaixo da taxa de crescimento da pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o (e portanto, aproximadamente, da for\u00e7a de trabalho natural) ainda que ignoremos os pequenos produtores deslocados \u00e0 procura de emprego. Segue-se portanto que para os trabalhadores como um todo, incluindo trabalhadores agr\u00edcolas, camponeses e pequenos produtores e trabalhadores de colarinho n\u00e3o branco, tem havido uma <i>deteriora\u00e7\u00e3o absoluta das condi\u00e7\u00f5es de vida reais sob o neoliberalismo. <\/i>Isto se deve ao facto de que a caracter\u00edstica essencial de um regime neoliberal \u00e9 infligir um processo virulento de acumula\u00e7\u00e3o primitiva de capital numa situa\u00e7\u00e3o de gera\u00e7\u00e3o de emprego diminuta, o qual tamb\u00e9m foi exactamente o caso sob o regime colonial.<\/p>\n<p>O paralelo com a crise agr\u00e1ria do per\u00edodo colonial fica sublinhado se olharmos os n\u00fameros da produ\u00e7\u00e3o cereal\u00edfera. A produ\u00e7\u00e3o l\u00edquida m\u00e9dia anual per capita de cereais no quinqu\u00e9nio 1897-1902 foi de 201,1 quilogramas para a &#8220;\u00cdndia Brit\u00e2nica&#8221;, a qual declinou para 146,7 no quinqu\u00e9nio 1939-44 (os n\u00fameros subsequentes s\u00e3o afectados pela parti\u00e7\u00e3o). Isto foi um decl\u00ednio maci\u00e7o, de mais de 25 por cento, o qual mostra a severidade da crise agr\u00e1ria. No entanto este decl\u00ednio foi revertido e houve uma melhoria no per\u00edodo p\u00f3s independ\u00eancia, at\u00e9 o in\u00edcio da &#8220;liberaliza\u00e7\u00e3o&#8221;: o n\u00famero para a Uni\u00e3o Indiana como um todo ascendeu para 178,77 kg no tri\u00e9nio conclu\u00eddo em 1991-92. Contudo, o per\u00edodo da &#8220;liberaliza\u00e7\u00e3o&#8221; assistiu mais uma vez a um decl\u00ednio: a produ\u00e7\u00e3o cereal\u00edfera l\u00edquida anual per capita do tri\u00e9nio acabado em 2012-23 (a qual \u00e9 compar\u00e1vel com a do tri\u00e9nio anterior) foi de 169,52 kg.<\/p>\n<p>Significativamente, o decl\u00ednio na <i>disponibilidade <\/i>l\u00edquida per capita de cereais tamb\u00e9m acompanhou este decl\u00ednio da produ\u00e7\u00e3o, o que demonstra a afirma\u00e7\u00e3o feita anteriormente acerca da deteriora\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores como um todo. A produ\u00e7\u00e3o l\u00edquida anual per capita de cereais, a qual \u00e9 definida como produ\u00e7\u00e3o l\u00edquida menos exporta\u00e7\u00f5es l\u00edquidas menos acr\u00e9scimos l\u00edquidos a stocks (embora por raz\u00f5es pr\u00e1ticas s\u00f3 stocks do governo sejam considerados), ascendeu de 152,72 kg no quinqu\u00e9nio 1951-55 para 177 kg no quinqu\u00e9nio terminado em 1991-92. Para o tri\u00e9nio terminado em 2012-13, este n\u00famero desceu para 172,1 kg.<\/p>\n<p><b>DECL\u00cdNIO DA ABSOR\u00c7\u00c3O ALIMENTAR <\/b><\/p>\n<p>Este decl\u00ednio na absor\u00e7\u00e3o alimentar que estes n\u00fameros sugerem tamb\u00e9m \u00e9 confirmado pelos n\u00fameros da ingest\u00e3o de calorias per capita. A percentagem da popula\u00e7\u00e3o rural com acesso a menos de 2200 calorias por pessoa por dia (a qual \u00e9 a refer\u00eancia para definir pobreza rural) aumentou de 58,5 em 1993-94 (o primeiro inqu\u00e9rito NSS do per\u00edodo de &#8220;liberaliza\u00e7\u00e3o&#8221; para 68 em 2011-12. A percentagem de popula\u00e7\u00e3o urbana com acesso a menos de 2100 calorias por pessoa por dia (a refer\u00eancia para definir pobreza urbana) aumentou de 57 em 1994-94 para 65 em 2011-12. Em termos de fome, a \u00cdndia agora classifica-se abaixo da \u00c1frica sub-Saariana e tamb\u00e9m no que a ONU chama &#8220;os pa\u00edses menos desenvolvidos&#8221; <i>(&#8220;the least developed countries, LDCs&#8221;). <\/i>O facto da fome crescente contradiz afirma\u00e7\u00f5es oficiais acerca do decl\u00ednio da pobreza, mas isto n\u00e3o \u00e9 surpreendente uma vez que as afirma\u00e7\u00f5es oficiais baseiam-se num m\u00e9todo esp\u00fario de estimar a pobreza. Este m\u00e9todo define uma &#8220;linha de pobreza&#8221; para o ano base como um n\u00edvel de refer\u00eancia da despesa (\u00e0 qual as normas de calorias s\u00e3o cumpridas) e ent\u00e3o actualiza-o para anos posteriores utilizando um \u00edndice de pre\u00e7os no consumidor a fim de estimar quantas pessoas caem abaixo desta linha. Tais \u00edndices de pre\u00e7os no consumidor, contudo, subestimam seriamente a infla\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os real: eles n\u00e3o levam em conta o aumento no custo de vida devido \u00e0 privatiza\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os essenciais como educa\u00e7\u00e3o e cuidados de sa\u00fade.<\/p>\n<p>A ascens\u00e3o do PIB per capita numa situa\u00e7\u00e3o de absoluta deteriora\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores implica um aumento maci\u00e7o da fatia do excedente no PIB, a qual explica o aumento extraordin\u00e1rio em desigualdades de rendimento e riqueza durante o per\u00edodo da liberaliza\u00e7\u00e3o, como \u00e9 evidente por exemplo na ascens\u00e3o do n\u00famero de indianos bilion\u00e1rios. Ela tamb\u00e9m explica (num per\u00edodo em que a realiza\u00e7\u00e3o do excedente em ascens\u00e3o n\u00e3o tem sido um problema devido ao boom) o enriquecimento vis\u00edvel de um segmento da classe m\u00e9dia. O rendimento deste segmento \u00e9 ou derivado directamente deste excedente, exemplo, da sua despesa com consumo de luxo e de actividades associadas \u00e0 sua extrac\u00e7\u00e3o, ou dependente do seu crescimento (o qual \u00e9 o reino da finan\u00e7a). Al\u00e9m disso, a comuta\u00e7\u00e3o de um conjunto de actividades tais como servi\u00e7os relacionados com tecnologia de informa\u00e7\u00e3o (IT) de pa\u00edses metropolitanos para a economia indiana, a qual faz parte de um fen\u00f3meno de transfer\u00eancia <i>(&#8220;outsourcing&#8221;) <\/i>para o terceiro mundo que caracteriza a era actual da globaliza\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m contribui para o seu crescimento. Entretanto, o crescimento deste segmento da classe m\u00e9dia talvez seja menor em termos da sua <i>dimens\u00e3o num\u00e9rica relativa <\/i>do que em termos do seu <i>rendimento relativo em rela\u00e7\u00e3o ao trabalhadores. <\/i><\/p>\n<p>Os ciclos de expans\u00e3o <i>(booms) <\/i>sob o capitalismo neoliberal s\u00e3o tipicamente associados \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de bolhas de pre\u00e7os de activos. O prolongado boom capitalista mundial que foi sustentado primeiro pela &#8220;bolha dotcom&#8221; e a seguir pela &#8220;bolha habitacional&#8221; e que est\u00e1 subjacente ao boom do per\u00edodo de liberaliza\u00e7\u00e3o na economia indiana, chegou ao fim, sem novas bolhas \u00e0 vista no futuro previs\u00edvel. Os dias tranquilos do neoliberalismo est\u00e3o acabados, o que portanto traz para a agenda hist\u00f3rica uma luta pela sua transcend\u00eancia. Isto pode ser uma luta combinada, dos trabalhadores que t\u00eam sido suas v\u00edtimas, e de segmentos da classe m\u00e9dia que at\u00e9 agora t\u00eam sido seus benefici\u00e1rios mas actualmente est\u00e3o \u00e0 beira de tempos \u00e1rduos. Mas precisamente por causa desta possibilidade, o capitalismo neoliberal tamb\u00e9m promover\u00e1 tend\u00eancias fascistas e semi-fascistas a fim de dividir o povo. Reagir a estas tend\u00eancias \u00e9 o meio pelo qual a esquerda e as for\u00e7as democr\u00e1ticas podem avan\u00e7ar.<\/p>\n<p>14\/Agosto\/2016<\/p>\n<p><b>*Economista, indiano, ver <\/b><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Prabhat_Patnaik\"><u><b>Wikipedia<\/b><\/u><\/a><b><\/b><\/p>\n<p>O original encontra-se em <a href=\"http:\/\/peoplesdemocracy.in\/2016\/0814_pd\/logic-neo-liberal-capitalism\"><u><b>peoplesdemocracy.in\/2016\/0814_pd\/logic-neo-liberal-capitalism<\/b><\/u><\/a><b> . Tradu\u00e7\u00e3o de JF. <\/b><\/p>\n<p><b>Este artigo encontra-se em <a href=\"http:\/\/resistir.info\/patnaik\/patnaik_14ago16.html\">http:\/\/resistir.info\/patnaik\/patnaik_14ago16.html<\/a><\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Prabhat Patnaik* O capitalismo \u00e9 um sistema &#8220;espont\u00e2neo&#8221; no sentido de que a sua din\u00e2mica se caracteriza pelo desdobramento de certas tend\u00eancias \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11950\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-11950","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s10-internacional"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-36K","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11950","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11950"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11950\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11950"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11950"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11950"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}