{"id":1197,"date":"2011-02-07T19:16:33","date_gmt":"2011-02-07T19:16:33","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1197"},"modified":"2011-02-07T19:16:33","modified_gmt":"2011-02-07T19:16:33","slug":"fora-ditadores-o-imperialismo-e-o-sionismo-do-oriente-medio-e-norte-da-africa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1197","title":{"rendered":"FORA DITADORES, O IMPERIALISMO E O SIONISMO DO ORIENTE M\u00c9DIO E NORTE DA \u00c1FRICA!"},"content":{"rendered":"\n<p>Na esteira dos protestos de revoltas populares na Arg\u00e9lia, na Tun\u00edsia e no I\u00eamen, explodiu um grande movimento de massas no Egito, exigindo a imediata deposi\u00e7\u00e3o do ditador Hosni Mubarak, que h\u00e1 trinta anos dirige o pa\u00eds com m\u00e3o de ferro, servindo d\u00f3cil e fielmente aos interesses pol\u00edticos e econ\u00f4micos do imperialismo estadunidense e do Estado terrorista de Israel na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m no Marrocos, Ar\u00e1bia Saudita, Oman e Jord\u00e2nia, pa\u00edses oprimidos por regimes ditatoriais tutelados por Washington, o clima \u00e9 de tens\u00e3o, e a classe dominante local teme a eclos\u00e3o de manifesta\u00e7\u00f5es das popula\u00e7\u00f5es em revolta.<\/p>\n<p>O governo dos Estados Unidos, diante da inquestion\u00e1vel mobiliza\u00e7\u00e3o popular e da solidariedade internacional \u00e0s lutas no Egito, se apressa a defender uma \u201ctransi\u00e7\u00e3o pac\u00edfica e ordenada\u201d, com \u201creformas democr\u00e1ticas\u201d que n\u00e3o ameacem a manuten\u00e7\u00e3o de seu poderio na regi\u00e3o. Os paladinos da \u201cliberdade\u201d, da \u201cdemocracia\u201d e dos \u201cdireitos humanos\u201d em todo o mundo nada falam sobre o apoio imperialista dado at\u00e9 agora \u00e0s ditaduras sanguin\u00e1rias no mundo \u00e1rabe. Os pa\u00edses da regi\u00e3o, em sua maioria criados artificialmente pelo imperialismo ingl\u00eas e franc\u00eas h\u00e1 muitas d\u00e9cadas, s\u00e3o governados por monarquias, muitas absolutistas, onde sequer as elei\u00e7\u00f5es toleradas pela democracia burguesa existem.<\/p>\n<p>O Egito \u00e9 um pa\u00eds populoso, onde a classe trabalhadora se concentra na ind\u00fastria petrol\u00edfera &#8211; explorada por empresas transnacionais &#8211; e outras ind\u00fastrias, na agricultura e no setor de servi\u00e7os. No per\u00edodo em que foi governado por Gamal Abdel Nasser, nos anos 1950, o pa\u00eds trilhou um caminho de desenvolvimento mais aut\u00f4nomo, de car\u00e1ter nacionalista, marcado pela constru\u00e7\u00e3o da hidroel\u00e9trica de Assu\u00e3. Os governos que o sucederam, tentaram manter, em parte, o n\u00e3o-alinhamento com os EUA, mas, j\u00e1 no segundo per\u00edodo do governo de Anwar Sadat, a classe dominante eg\u00edpcia optou pela assinatura de um acordo de paz em separado com Israel e pela aproxima\u00e7\u00e3o com Washington- traindo, assim, os sonhos da d\u00e9cada de cinquenta.<\/p>\n<p>Mubarak foi, nas tr\u00eas \u00faltimas d\u00e9cadas, o mais submisso dos aliados dos EUA, tendo recebido, por ano, cerca de 1.300 milh\u00f5es de d\u00f3lares como \u201cajuda financeira\u201d, em grande parte investida na compra de armamentos, pois o Estado eg\u00edpcio serve de pa\u00eds tamp\u00e3o entre a \u00c1frica e a \u00c1sia, controlando o Canal de Suez e fazendo fronteira com a Palestina e Israel. Desta forma, garante a continuidade da estrat\u00e9gia imperialista e do terrorismo sionista na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso lembrar ainda que tanto o Egito quanto a Tun\u00edsia, com o providencial aux\u00edlio dos ditadores Mubarak e Ben Ali, na d\u00e9cada de 1990, ajustaram suas economias aos programas neoliberais impostos pelo FMI. Em troca da anula\u00e7\u00e3o da multimilion\u00e1ria d\u00edvida militar do Egito para com os EUA, foram aplicadas medidas como a libera\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os dos alimentos e a privatiza\u00e7\u00e3o geral de empresas estatais, respons\u00e1veis pelo empobrecimento extremo da popula\u00e7\u00e3o e pelo crescimento exacerbado do desemprego, o que, agravado pela escassez de terras ar\u00e1veis no pa\u00eds, explica tamb\u00e9m a radicalidade dos protestos em curso.<\/p>\n<p>O PCB se soma \u00e0 solidariedade internacional de apoio \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es de protesto pelo fim dos regimes autorit\u00e1rios naqueles territ\u00f3rios, mas observa que somente o rompimento definitivo com a pol\u00edtica imperialista e com o terrorismo de Estado de Israel levar\u00e1 a mudan\u00e7as efetivas na regi\u00e3o, pois a exist\u00eancia dos regimes autocr\u00e1ticos e o cont\u00ednuo rebaixamento do n\u00edvel de vida das suas popula\u00e7\u00f5es, as quais foram privadas de seus direitos mais elementares, est\u00e3o umbilicalmente associados aos interesses das poderosas pot\u00eancias capitalistas no Oriente M\u00e9dio e no Norte da \u00c1frica.<\/p>\n<p>Pela composi\u00e7\u00e3o das for\u00e7as de oposi\u00e7\u00e3o no Egito, desenha-se de imediato a tend\u00eancia a que a altern\u00e2ncia pol\u00edtica ao regime de Mubarak se d\u00ea por meio de uma sa\u00edda liberal por cima, com a institui\u00e7\u00e3o de reformas democr\u00e1ticas burguesas, o que, mesmo que possa permitir mais espa\u00e7o para a organiza\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, partidos de esquerda e revolucion\u00e1rios no pa\u00eds, manteria a alian\u00e7a com os EUA e Israel, fazendo aprofundar o processo de desenvolvimento das rela\u00e7\u00f5es capitalistas e a depend\u00eancia perante o imperialismo. Para tal, h\u00e1 em curso uma pol\u00edtica de coopta\u00e7\u00e3o dos l\u00edderes dos principais partidos de oposi\u00e7\u00e3o e de organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, implementada pela direita e financiada pelos EUA atrav\u00e9s de funda\u00e7\u00f5es como o <em>National Endowment for Democracy<\/em> (NED) e o <em>Freedom House<\/em> (FH), ligadas \u00e0 CIA, ao Congresso e aos grandes homens de neg\u00f3cios estadunidenses. Tais organiza\u00e7\u00f5es t\u00eam atuado no sentido de facilitar a divulga\u00e7\u00e3o de mensagens de protesto contra Mubarak pela internet, difundidas principalmente por jovens das camadas m\u00e9dias eg\u00edpcias.<\/p>\n<p>De outro lado, surge a possibilidade de uma alternativa aparentemente mais radical, com o estabelecimento de um estado teocr\u00e1tico mu\u00e7ulmano, que n\u00e3o combateria as desigualdades sociais, podendo ou n\u00e3o se apresentar como uma for\u00e7a anti-imperialista. O maior segmento de oposi\u00e7\u00e3o \u00e9 composto pela Fraternidade Mu\u00e7ulmana, que, na verdade, n\u00e3o chega a constituir hoje uma amea\u00e7a direta aos interesses econ\u00f4micos e estrat\u00e9gicos do imperialismo na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 remota a possibilidade de uma revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica nacional, pois a debilidade dos partidos revolucion\u00e1rios no pa\u00eds \u2013 muitos dos quais foram dizimados e se encontram na clandestinidade \u2013 e o fato de o movimento sindical e social ter sido violentamente reprimido nos anos 1980 e 90, torna pouco prov\u00e1vel esta alternativa. No entanto, a firme atua\u00e7\u00e3o do Partido Comunista Eg\u00edpcio e de outras organiza\u00e7\u00f5es de esquerda neste processo indicam que as for\u00e7as representativas dos trabalhadores e das camadas populares est\u00e3o vivas, em condi\u00e7\u00f5es plenas de acumular novas energias para futuros e decisivos embates.<\/p>\n<p>A verdadeira revolu\u00e7\u00e3o social acontecer\u00e1 caso se adote um programa anticapitalista e anti-imperialista para o pa\u00eds, com o desmantelamento das pol\u00edticas neoliberais, a destrui\u00e7\u00e3o das bases militares pr\u00f3-imperialistas, o rompimento com o terrorismo sionista e a conforma\u00e7\u00e3o de um Estado soberano capaz de desenvolver a democracia pol\u00edtica e social no rumo do socialismo.<\/p>\n<p>Seja qual for o resultado, o PCB valoriza a capacidade de mobiliza\u00e7\u00e3o e a combatividade dos povos em luta na regi\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 porque descobriram sua for\u00e7a, mas porque certamente a experi\u00eancia deixar\u00e1 claro que s\u00f3 o socialismo poder\u00e1 levar \u00e0 emancipa\u00e7\u00e3o e \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o dos problemas da maioria da popula\u00e7\u00e3o. Mesmo que o imperialismo consiga conter o movimento revolucion\u00e1rio em curso, nada ser\u00e1 como antes: n\u00e3o foram somente os povos que descobriram sua for\u00e7a; seus inimigos tamb\u00e9m. O ascenso do movimento de massas na regi\u00e3o aponta, inevitavelmente, para um novo patamar da luta de classes, em que as organiza\u00e7\u00f5es populares e revolucion\u00e1rias tendem a despontar como a grande novidade no processo hist\u00f3rico, trazendo consigo a renovada combatividade da luta socialista.<\/p>\n<p>Fevereiro de 2011.<\/p>\n<p>Partido Comunista Brasileiro.<\/p>\n<p>Comiss\u00e3o Pol\u00edtica Nacional<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: PCB\n\n\n\n\n\n\n\n\n(Nota Pol\u00edtica do PCB)\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1197\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[26],"tags":[],"class_list":["post-1197","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c25-notas-politicas-do-pcb"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-jj","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1197","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1197"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1197\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1197"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1197"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1197"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}