{"id":11974,"date":"2016-09-02T13:49:07","date_gmt":"2016-09-02T16:49:07","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=11974"},"modified":"2018-02-06T12:22:32","modified_gmt":"2018-02-06T15:22:32","slug":"o-fracasso-do-reformismo-e-da-politica-de-conciliacao-de-classes-na-america-latina-e-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11974","title":{"rendered":"O fracasso do reformismo e da pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o de classes na Am\u00e9rica Latina e no Brasil!"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/gz.diarioliberdade.org\/media\/k2\/items\/cache\/130b803681d50c655e1459a1c88b334b_L.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/>O Comit\u00ea Central do Partido Comunista Brasileiro (PCB) sa\u00fada a todos os partidos comunistas e revolucion\u00e1rios neste encontro internacional da Am\u00e9rica Latina e Caribe e cumprimenta os dois partidos anfitri\u00f5es, o Partido Comunista do Peru e o Partido Comunista do Peru \u2013 <!--more-->P\u00e1tria Roja, pela organiza\u00e7\u00e3o deste importante encontro dos comunistas e revolucion\u00e1rios de toda a nossa regi\u00e3o. Queremos tamb\u00e9m enfatizar nosso respeito a essas duas valentes organiza\u00e7\u00f5es do proletariado peruano e destemidos partidos na luta contra o imperialismo e pelo socialismo.<\/p>\n<p>Esse nosso encontro se realiza num momento muito complexo e dif\u00edcil para a humanidade e, especialmente, para os trabalhadores da Am\u00e9rica Latina. Para compreendermos essa conjuntura, \u00e9 fundamental atentarmos para o mundo em que vivemos. O sistema capitalista mundial vem sendo castigado h\u00e1 mais de 10 anos por uma crise sist\u00eamica que tem questionado todos os fundamentos do processo de acumula\u00e7\u00e3o capitalista. Por mais que os gestores do capital tenham realizado todo tipo de medidas, a crise continua se aprofundando, com a estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica geral, queda nas Bolsas de Valores, fragiliza\u00e7\u00e3o do sistema banc\u00e1rio, aumento da recess\u00e3o, fal\u00eancia de empresas e crescimento do desemprego.<\/p>\n<p>Em outras palavras, a crise econ\u00f4mica e social \u00e9 geral e atinge todas as economias ligadas ao Pa\u00eds l\u00edder do imperialismo. Isso pode ser observado mais claramente na Europa, onde esses fen\u00f4menos emergem de forma expl\u00edcita em praticamente todas as economias da regi\u00e3o, mas a crise tamb\u00e9m atinge o Jap\u00e3o, cuja economia vem h\u00e1 duas d\u00e9cadas em processo de estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, e tamb\u00e9m os Estados Unidos, apesar da manipula\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o no sentido de apresentar um quadro de estabilidade naquele Pa\u00eds. Os EUA possuem a maior d\u00edvida externa do mundo, sua infraestrutura est\u00e1 em frangalhos, a economia est\u00e1 estagnada e o desemprego efetivo \u00e9 muito maior do que as estat\u00edsticas oficiais anunciam.<\/p>\n<p>Desesperados diante da incapacidade de sair da crise, retomar o crescimento e colocar o sistema em funcionamento, os capitalistas realizam uma ofensiva global contra os trabalhadores e aprofundam a pol\u00edtica guerreira, buscando colocar na conta dos trabalhadores todo o \u00f4nus da crise, promover guerras e desestabilizar governos que n\u00e3o compactuam com suas ordens. Avan\u00e7am sobre o fundo p\u00fablico, cortam direitos, garantias e sal\u00e1rios dos trabalhadores e pensionistas, demitem funcion\u00e1rios p\u00fablicos e semeiam a barb\u00e1rie em todo o sistema capitalista, resultando numa perversa concentra\u00e7\u00e3o de renda, na qual o 1% dos mais ricos possuem mais renda que os 99% das pessoas do planeta.<\/p>\n<p>No in\u00edcio da crise os trabalhadores foram pegos de surpresas e praticamente se comportaram como espectadores do processo, mas a partir do momento em que come\u00e7aram a perder seus direitos, iniciaram um processo de resist\u00eancia em praticamente todos os pa\u00edses que aplicaram essas medidas. Em toda a Europa os trabalhadores j\u00e1 realizaram mobiliza\u00e7\u00f5es ou greves gerais contra o ajuste neoliberal e at\u00e9 mesmo foi feita uma greve internacional, que envolveu trabalhadores de 25 pa\u00edses, realizada na Europa. Em outras partes do mundo tamb\u00e9m h\u00e1 resist\u00eancia dos trabalhadores e da juventude. Esses movimentos, ainda defensivos e sem uma dire\u00e7\u00e3o classista, apontam numa perspectiva de acirramento da luta de classes \u00e0 medida que a crise mundial se aprofunda.<\/p>\n<p><b>Uma sa\u00edda para nossa am\u00e9rica Latina<\/b><\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica Latina, o imperialismo est\u00e1 realizando uma poderosa ofensiva para resgatar o terreno perdido nas \u00faltimas d\u00e9cadas, em fun\u00e7\u00e3o de um conjunto de medidas tomadas pelos governos latinoamericanos como o fortalecimento do Mercosul, a cria\u00e7\u00e3o da Unasul e Celac, al\u00e9m do Banco do Sul. Essas iniciativas, apesar de ainda estarem nos marcos do capitalismo, deixaram profundamente incomodados os Estados Unidos, acostumados a tratar a Am\u00e9rica Latina como uma extens\u00e3o de seus interesses econ\u00f4micos e pol\u00edticos. Al\u00e9m disso, os processos de lutas populares desenvolvidos na Venezuela, Equador e Bol\u00edvia, aliados as iniciativas de integra\u00e7\u00e3o latinoamericana, aplicaram duros reveses \u00e0 pol\u00edtica dos Estados Unidos na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Desde h\u00e1 mais ou menos uma d\u00e9cada que o governo norte-americano vem realizando uma pol\u00edtica contumaz no sentido de reverter o processo de integra\u00e7\u00e3o, realizar acordos de livre com\u00e9rcio para ampliar sua \u00e1rea de influ\u00eancia, depor dirigentes pol\u00edticos que contrariavam seus interesses e sabotar os governos mais comprometidos com uma pol\u00edtica independente. Essa estrat\u00e9gia vem se somar \u00e0 cria\u00e7\u00e3o da IV Frota para intimidar os pa\u00edses latinoamericanos, fato se torna mais perigoso com a constru\u00e7\u00e3o de bases militares em v\u00e1rios pa\u00edses da regi\u00e3o. Essa estrutura militar constitui uma terr\u00edvel amea\u00e7a para os pa\u00edses latinoamericanos, pois possibilita interven\u00e7\u00f5es em qualquer um de nossos pa\u00edses.<\/p>\n<p>Mas as manobras e ofensivas do imperialismo n\u00e3o nos deve impedir de realizar um balan\u00e7o dos governos progressistas na Am\u00e9rica Latina. A maioria desses governos chamados progressistas operou na pr\u00e1tica uma pol\u00edtica que fortaleceu os interesses do grande capital, apesar de realizar algumas pol\u00edticas de compensa\u00e7\u00e3o social. Boa parte desses governos trabalharam no sentido da coopta\u00e7\u00e3o do movimento oper\u00e1rio e popular, do apassivamento das grandes massas e outros tantos realizaram medidas objetivas contra os pr\u00f3prios trabalhadores. Alguns deles, como no Brasil, foram descartados quando n\u00e3o mais serviram \u00e0 burguesia, tanto em fun\u00e7\u00e3o do aprofundamento da crise sist\u00eamica global quanto das pr\u00e1ticas desastrosas de pol\u00edtica interna.<\/p>\n<p>No que se refere \u00e0 Venezuela, Bol\u00edvia e Equador, onde os processos de mobiliza\u00e7\u00e3o popular foram mais avan\u00e7ados e se tomaram medidas efetivas de soberania nacional e antimperialistas, o resultado desses processos tamb\u00e9m n\u00e3o encaminhou seus povos no sentido das transforma\u00e7\u00f5es sociais. \u00c0 medida em que n\u00e3o aprofundaram o processo de controle da economia e da democracia popular, com a estatiza\u00e7\u00e3o dos setores estrat\u00e9gicos e o controle dos espa\u00e7os p\u00fablicos pelos Conselhos Populares, terminaram abrindo espa\u00e7o para a rearticula\u00e7\u00e3o da burguesia que, em alian\u00e7a com o imperialismo, est\u00e3o colocando em perigo as conquistas at\u00e9 ent\u00e3o realizadas por esses governos.<\/p>\n<p>Em termos pol\u00edticos, significa que o reformismo, tanto aquele de fachada, quanto os de car\u00e1ter social-democrata, n\u00e3o representam op\u00e7\u00f5es reais para a liberta\u00e7\u00e3o dos povos de nossa Am\u00e9rica Latina e Caribe. O primeiro cria ilus\u00f5es institucionalista, confunde e desorienta o proletariado, despolitiza a sociedade e leva efetivamente a derrotas desmoralizantes, como est\u00e1 acontecendo no Brasil. J\u00e1 o de segundo tipo, apesar de avan\u00e7os institucionais e medidas populares, ao n\u00e3o aprofundar o processo de transforma\u00e7\u00f5es, com o controle da economia e a institui\u00e7\u00e3o do poder popular, abre espa\u00e7o para a reorganiza\u00e7\u00e3o da burguesia e ao imperialismo desestabilizarem a economia e reverterem o processo de mudan\u00e7as.<\/p>\n<p>Portanto, o caminho para as transforma\u00e7\u00f5es sociais de nossa Am\u00e9rica Latina \u00e9 o fortalecimento e unidade das organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias do movimento oper\u00e1rio e popular e a constru\u00e7\u00e3o de um programa m\u00ednimo anticapitalista e antimperialistas capaz de colocar as amplas massas em movimento no sentido e derrotar as burguesias locais e o imperialismo e construir a democracia popular.<\/p>\n<p><b>A crise brasileira<\/b><\/p>\n<p>No Brasil a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 muito diferente. O Pa\u00eds vive a sua mais grave nas \u00faltimas cinco d\u00e9cadas. Ap\u00f3s 13 anos de governo, onde o Partido dos Trabalhadores realizou uma pol\u00edtica que favoreceu essencialmente ao grande capital, a burguesia e o imperialismo decidiram descarta-lo e constituir um governo puro sangue. Esse processo ocorreu em fun\u00e7\u00e3o do agravamento da crise mundial e suas repercuss\u00f5es no Brasil, dos erros desastrosos de pol\u00edtica interna, al\u00e9m do fato de que o PT j\u00e1 n\u00e3o estava conseguindo mais controlar os movimentos de massas: em 2013 amplos setores da juventude e do proletariado precarizado realizaram grandes manifesta\u00e7\u00f5es em mais de 600 cidades do Brasil, por fora das institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e sindicais. Esses fatos acenderam a luz vermelha da burguesia, que resolveu assumir de vez o governo para implantar o ajuste predat\u00f3rio de maneira r\u00e1pida, medida que o PT vinha realizando de forma mais lenta.<\/p>\n<p>Estamos agora diante de um governo ileg\u00edtimo e usurpador, que est\u00e1 implentando um ataque brutal contra os trabalhadores, pensionistas e a popula\u00e7\u00e3o em geral. Um governo cheio de corruptos, no qual h\u00e1 uma divis\u00e3o de trabalho bastante clara entre eles: de um lado, <i>os ladr\u00f5es de casaca<\/i>, representados pela fina flor da oligarquia financeira, que tomaram de assalto os minist\u00e9rios da \u00e1rea econ\u00f4mica e social para saquear o Pa\u00eds em favor dos rentistas, dos oligop\u00f3lios, agroneg\u00f3cio e do imperialismo. Do outro, <i>os ladr\u00f5es de galinhas<\/i>, representados pelas oligarquias regionais, setores pentecostais obscurantistas, al\u00e9m de reacion\u00e1rios em geral, expressos no <i>baixo clero,<\/i> cujo objetivo \u00e9 roubar os cofres p\u00fablicos como vem fazendo ao longo de nossa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 um governo fr\u00e1gil, mas profundamente perigoso porque n\u00e3o necessita prestar contas \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, mas apenas aos seus patrocinadores, uma vez que o presidente interino est\u00e1 ineleg\u00edvel por oito anos. At\u00e9 agora j\u00e1 realizaram um conjunto de medidas regressivas social e economicamente, como o corte e congelamento dos gastos p\u00fablicos por um prazo de 20 anos; a Desvincula\u00e7\u00e3o das Receitas da Uni\u00e3o (DRU), a partir da qual o governo pode utilizar livremente at\u00e9 30% do or\u00e7amento para pagar os juros da d\u00edvida interna, o que significas mais cortes na sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o; a extin\u00e7\u00e3o do Fundo Soberano e medidas para cortar direitos e garantias dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Mas o pior do ajuste predat\u00f3rio est\u00e1 sendo planejado para depois da aprova\u00e7\u00e3o do impeachment, quando ent\u00e3o se ver\u00e1 a verdadeira face desse governo antinacional e antipopular. O governo planeja realizar a reforma da previd\u00eancia, reduzindo ainda mais direitos e garantias dos pensionistas; a reforma trabalhista, para destruir os direitos inscritos na Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho e consolidar as terceiriza\u00e7\u00f5es; a entrega do pr\u00e9-sal para as multinacionais; al\u00e9m da privatiza\u00e7\u00e3o generalizada do que ainda resta de empresas p\u00fablicas. Todo esse conjunto de politica tem um objetivo claro: transferir recursos e patrim\u00f4nio p\u00fablicos para o setor privado e cevar a oligarquia financeira.<\/p>\n<p><b>Fim de um ciclo e come\u00e7o de outro<\/b><\/p>\n<p>\u00c9 importante compreender tamb\u00e9m que essa crise ocorre no fim de um longo ciclo da vida social brasileira, que se iniciou com as greves do ABC no final da d\u00e9cada de 70 e que agora est\u00e1 se esgotando dramaticamente. Tamb\u00e9m \u00e9 importante compreender que a partir de 2013, com as extraordin\u00e1rias jornadas de junho, a juventude e os trabalhadores precarizados emergiram na cena pol\u00edtica com manifesta\u00e7\u00f5es de massa em mais de 600 cidades brasileiras, por fora das institui\u00e7\u00f5es sindicais e pol\u00edticas, iniciando-se assim, ainda de maneira embrion\u00e1ria, um novo ciclo de lutas sociais no Brasil.<\/p>\n<p>Portanto, estamos vivendo na atual conjuntura aquele intervalo gramsciano no qual o velho est\u00e1 morrendo, o novo est\u00e1 emergindo mas ainda n\u00e3o se consolidou e, nesse vazio, surgem os elementos mais inesperados, imponder\u00e1veis ou bizarros da conjuntura. Mas tamb\u00e9m esse \u00e9 um per\u00edodo cheio de oportunidades. Como todo final de processo, o desfecho desse ciclo poder\u00e1 parir um conjunto de fen\u00f4menos novos na realidade brasileira, como a possibilidade de ascen\u00e7o do movimento social ap\u00f3s duros embates com a burguesia e a reorganiza\u00e7\u00e3o da esquerda num novo patamar:<\/p>\n<p>No inicio do ciclo que est\u00e1 se esgotando foram criadas v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edticas, oriundas do movimento oper\u00e1rio, como o Partido dos Trabalhadores (PT) e a Central \u00fanica dos Trabalhadores (CUT), para falar apenas das duas principais. Essas organiza\u00e7\u00f5es, combativas no in\u00edcio do ciclo, foram aos pouco praticando a concilia\u00e7\u00e3o de classe, o modus operandi da velha pol\u00edtica, se adaptando \u00e0 ordem, at\u00e9 se transformarem em principais operadores da ordem, inclusive contra os pr\u00f3prios trabalhadores.<\/p>\n<p>Portanto, v\u00e3o se esgotar com esse ciclo. Poder\u00e3o at\u00e9 ainda continuar sobrevivendo formalmente, mas ser\u00e3o apenas caricatura do que foram no passado, em fun\u00e7\u00e3o da impossibilidade de realizarem uma autocr\u00edtica sincera dos erros e trai\u00e7\u00f5es cometidas ao longo de sua trajet\u00f3ria. Essas organiza\u00e7\u00f5es est\u00e3o vinculadas de tal maneira \u00e0 ordem e \u00e0 institucionalidade que se torna praticamente imposs\u00edvel uma virada de mesa na atual conjuntura, pois os movimentos que realizaram durante o per\u00edodo de governo as tornaram prisioneiras de seu pr\u00f3prio destino.<\/p>\n<p>Em paralelo, o novo ciclo que est\u00e1 se abrindo ainda embrionariamente cont\u00e9m um enorme potencial de luta e perspectiva para os trabalhadores e as for\u00e7as de esquerda. Nascido fora das institui\u00e7\u00f5es da ordem, com as confus\u00f5es naturais de todo in\u00edcio de ciclo, j\u00e1 produziu um conjunto de fen\u00f4menos novos na sociedade brasileira: as grandes manifesta\u00e7\u00f5es de junho; as ocupa\u00e7\u00f5es dos secundaristas em S\u00e3o Paulo e posteriormente em v\u00e1rios Estados do Pa\u00eds; e o aumento do movimento grevista desde 2013. Vale lembrar que todos os grandes movimentos sociais brasileiros foram antecedidos por lutas da juventude.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, cresce a indigna\u00e7\u00e3o na sociedade, muito embora ainda difusa, contra esse governo ileg\u00edtimo e usurpador, fato que se expressa nos protestos tanto das ruas quanto nas torcidas de futebol nos est\u00e1dios, nos espet\u00e1culos musicais e teatrais e nos <i>escrachos<\/i> de parlamentares e ministros do governo nos aeroportos, dentro de avi\u00f5es, em eventos p\u00fablicos. Se essas manifesta\u00e7\u00f5es j\u00e1 ocorrem num momento em que o governo ainda n\u00e3o mostrou sua verdadeira face, \u00e9 f\u00e1cil imaginar o potencial de luta ap\u00f3s a interinidade. Estamos nos aproximando de um momento de acirramento da luta de classes e possivelmente de uma repress\u00e3o muito dura contra os trabalhadores e os movimentos sociais, pois dificilmente as medidas b\u00e1rbaras do governo ser\u00e3o realizadas sem luta, mas tamb\u00e9m poderemos estar diante da possibilidade da constru\u00e7\u00e3o de uma nova correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as favor\u00e1vel aos trabalhadores.<\/p>\n<p><b>Reorganiza\u00e7\u00e3o da esquerda e do movimento popular<\/b><\/p>\n<p>Mas o grande imperativo dessa conjuntura complexa no Brasil \u00e9 a necessidade reorganiza\u00e7\u00e3o da esquerda revolucion\u00e1ria e do movimento sindical e popular classista. A pr\u00f3pria conjuntura de acirramento da luta de classes vai empurrar a todos nessa dire\u00e7\u00e3o. Quem seguir pelo caminho da arrog\u00e2ncia, do sectarismo autoproclamat\u00f3rio, das ilus\u00f5es de que uma \u00fanica organiza\u00e7\u00e3o ser\u00e1 capaz de hegemonizar a revolu\u00e7\u00e3o brasileira est\u00e1 condenada ao isolamento e a um papel insignificante no novo ciclo que se abre.<\/p>\n<p>As crises geralmente s\u00e3o momentos da verdade para todos. Nas crises n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7os para meios termos, para oportunismos, para ficar em cima do muro. As crises p\u00f5em a nu a verdadeira face das organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e sociais. Qualquer grande erro pode custar caro \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es. Isso explica as grandes dissid\u00eancias que est\u00e3o ocorrendo em v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas de esquerda e os processos que ocorrer\u00e3o nas bases do Partido dos Trabalhadores, que saem desse processo em profunda contradi\u00e7\u00e3o com sua dire\u00e7\u00e3o burocratizada e, com certeza, v\u00e3o procurar um novo rumo para a milit\u00e2ncia em outras organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. O pr\u00f3ximo per\u00edodo ser\u00e1 de intensa reorganiza\u00e7\u00e3o da esquerda brasileira.<\/p>\n<p>Acreditamos que, apesar da conjuntura dif\u00edcil, h\u00e1 um grande espa\u00e7o para a reorganiza\u00e7\u00e3o da esquerda revolucion\u00e1ria e do movimento sindical e popular. Todas as iniciativas que est\u00e3o sendo realizadas atualmente fazem parte desse processo, como as frentes e blocos da esquerda socialista, a Frente Povo Sem Medo, o Espa\u00e7o de Unidade e A\u00e7\u00e3o. Entendemos que \u00e9 fundamental que esse processo avance, amplie suas \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o, envolvam o proletariado avan\u00e7ado e o movimento popular para se trabalhar no sentido da constru\u00e7\u00e3o do poder popular.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 preciso fugir da \u00f3rbita das velhas organiza\u00e7\u00f5es que est\u00e3o morrendo com o velho ciclo em que se forjaram e, especialmente, das armadilhas do lulismo, que busca colocar as lutas das ruas a servi\u00e7o da disputa eleitoral em 2018, na qual nem Lula sabe se ser\u00e1 candidato. \u00c9 fundamental buscar construir um caminho que rejeite tanto a concilia\u00e7\u00e3o de classe quanto a direita. A constru\u00e7\u00e3o desse terceiro campo \u00e9 o caminho mais dif\u00edcil, mas \u00e9 o \u00fanico que pode construir uma alternativa dos trabalhadores para a crise.<\/p>\n<p>Tudo leva a crer que a partir desse segundo semestre teremos uma disputa aberta do proletariado e da juventude contra a burguesia e todo o seu aparato. O resultado desse processo vai depender da capacidade das organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e sociais de esquerda encontrarem pontos em comum, tanto do ponto de vista org\u00e2nico quanto program\u00e1tico. Uma boa ideia nesse sentido \u00e9 a proposta de constru\u00e7\u00e3o de um grande<i> Bloco de Lutas<\/i>, a ser consolidado num Encontro Nacional dos Trabalhadores e do Movimento Popular, que re\u00fana as organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e os movimentos sociais classistas e seja capaz de forjar um programa m\u00ednimo que possa colocar em movimento os trabalhadores, a juventude e o povo pobre dos bairros na luta pelas transforma\u00e7\u00f5es sociais e pelo poder popular.<\/p>\n<p>Para se conseguir \u00eaxito nessa luta \u00e9 necess\u00e1rio partir de suas reivindica\u00e7\u00f5es concretas contra o ajuste fiscal, o ataque aos direitos dos trabalhadores e pensionistas, o pagamento dos juros e amortiza\u00e7\u00f5es da d\u00edvida interna, por terra, trabalho e moradia, em defesa do patrim\u00f4nio nacional. Essas propostas est\u00e3o vinculadas \u00e0 vida cotidiana dos trabalhadores e poder\u00e3o colocar em movimento milh\u00f5es de pessoas nas ruas, locais de trabalho, moradia e estudo e levar a um processo que nos tire da crise e abra possibilidade para uma transi\u00e7\u00e3o no interesse dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Ousar lutar, ousar vencer<\/p>\n<p>Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O Comit\u00ea Central do Partido Comunista Brasileiro (PCB) sa\u00fada a todos os partidos comunistas e revolucion\u00e1rios neste encontro internacional da Am\u00e9rica Latina e \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11974\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[36],"tags":[],"class_list":["post-11974","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c41-unidade-comunista"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-378","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11974","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11974"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11974\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11974"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11974"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11974"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}