{"id":12001,"date":"2016-09-05T11:43:21","date_gmt":"2016-09-05T14:43:21","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=12001"},"modified":"2016-09-27T15:10:41","modified_gmt":"2016-09-27T18:10:41","slug":"a-doutrina-obama-causa-estragos-no-medio-oriente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/12001","title":{"rendered":"A Doutrina Obama causa estragos no M\u00e9dio Oriente"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.odiario.info\/b2-img\/obama.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>Ramzy Baroud<\/p>\n<p><span class=\"entr_single\">\u00abTodos parecem ter uma teoria sobre como destruir o Daesh. Mas, h\u00e1 dois aspectos a citar: o primeiro, as origens do grupo, e o segundo, se as inten\u00e7\u00f5es da sua derrota s\u00e3o realmente sinceras. Devemos abordar de frente o primeiro para poder deslindar o enigma existente desde o nascimento e crescimento do Daesh, ou seja, como desmantelar o grupo. E temos de lidar com o segundo ponto antes de come\u00e7armos discuss\u00f5es sup\u00e9rfluas sobre a estrat\u00e9gica b\u00e9lica mais apropriada, se a guerra for realmente a resposta.\u00bb.<\/span><!--more--><\/p>\n<p>\u00abTodos parecem ter uma teoria sobre como destruir o Daesh. Mas, h\u00e1 dois aspectos a citar: o primeiro, as origens do grupo, e o segundo, se as inten\u00e7\u00f5es da sua derrota s\u00e3o realmente sinceras. Devemos abordar de frente o primeiro para poder deslindar o enigma existente desde o nascimento e crescimento do Daesh, ou seja, como desmantelar o grupo. E temos de lidar com o segundo ponto antes de come\u00e7armos discuss\u00f5es sup\u00e9rfluas sobre a estrat\u00e9gica b\u00e9lica mais apropriada, se a guerra for realmente a resposta.\u00bb.<\/p>\n<p>ARTIGO<\/p>\n<p>Agora que os americanos lan\u00e7aram outra guerra a\u00e9rea contra a L\u00edbia, supostamente para atacar as posi\u00e7\u00f5es do Daesh ali, a discuss\u00e3o est\u00e1 a ser cuidadosamente orientada para at\u00e9 onde devem ir os Estados para derrotar o grupo combatente?<\/p>\n<p>Na verdade, a pergunta pode-se ganhar uma guerra s\u00f3 com ataques a\u00e9reos, sem botas no terreno, de certo modo transformou-se no cerne da quest\u00e3o, envolvendo um grande n\u00famero de intelectuais nos dois lados do debate.<\/p>\n<p>Aos gurus da media norte americana, dividida entre dois partidos igualmente belicistas, encanta-os usar essas oportunidades para desacreditar uns e outros, como se iniciar guerras noutros pa\u00edses fosse um assunto americano exclusivamente local.<\/p>\n<p>J\u00e1 se passaram os dias em que os Estados Unidos se esfor\u00e7avam em estabelecer condi\u00e7\u00f5es para empreender a guerra, como aconteceu no Kuvait e no Iraque (1990-91), a um n\u00edvel menor, novamente no Iraque em 2003. Agora as guerras executam-se como se fosse um h\u00e1bito. Muitos americanos nem parecem conscientes, ou ficam indiferentes, perante o facto de o seu pa\u00eds estar em luta em v\u00e1rias frentes e implicado noutras indirectamente.<\/p>\n<p>Com m\u00faltiplas frentes de guerra e conflitos a fermentar por todos os lados, muitos tornam-se insens\u00edveis. Infelizmente, os americanos em especial tomaram o soro da guerra perp\u00e9tua a um tal grau que raramente se mobilizam de uma forma s\u00e9ria contra ela.<\/p>\n<p>Por outras palavras, o estado de guerra transformou-se em<i> statu quo.<\/i><\/p>\n<p>Embora a administra\u00e7\u00e3o americana do presidente Obama tenha acabado com milhares de seres, a maioria deles civis, n\u00e3o tem havido protestos maci\u00e7os nem manifesta\u00e7\u00f5es contra. Aparte o facto de que se criou a marca Obama para parecer o contraste pac\u00edfico do belicoso George W. Bush, n\u00e3o houve qualquer mudan\u00e7a importante nas pol\u00edticas externas dos Estados Unidos no M\u00e9dio Oriente que pudesse sugerir que um presidente seja \u00abmelhor\u00bb que o outro.<\/p>\n<p>Obama continuou simplesmente o legado do seu predecessor, sem obst\u00e1culos. A mudan\u00e7a fundamental que surgiu foi de ordem t\u00e1ctica: em lugar de criar um aumento maci\u00e7o de tropas no terreno com o encargo de derrubar governos, Obama utilizou ataques a\u00e9reos para atacar quem considere inimigo, embora deixe acabar o trabalho \u00e0queles que considera moderados.<\/p>\n<p>Assim como a guerra preventiva contra o terror\u00bb de Bush a doutrina Obama tem sido igualmente desastrosa.<\/p>\n<p>As guerras de Obama disfar\u00e7am-se para produzir poucas baixas americanas (ou nenhuma), j\u00e1 que realizam quase inteiramente pelo ar e atrav\u00e9s de avi\u00f5es n\u00e3o tripulados operados por controlo remoto, a milhares de quil\u00f3metros. Esta atitude \u00e9 comprovadamente menos grave a n\u00edvel pol\u00edtico. Mas, piorou a situa\u00e7\u00e3o no terreno e aumentou a guerra, em vez de acabar com ela.<\/p>\n<p>Embora a invas\u00e3o do Iraque por Bush revitalizasse a Al-Queda e colocasse o grupo no centro da regi\u00e3o, as guerras a\u00e9reas de Obama for\u00e7aram-no a reagrupar-se e a utilizar uma estrat\u00e9gia diferente. Tomaram um novo nome, passaram de c\u00e9lulas militantes a \u00abEstado\u00bb, procuraram uma r\u00e1pida expans\u00e3o territorial, utilizaram a guerra de guerrilhas quando enfrentavam um ex\u00e9rcito organizado ou eram bombardeados a partir do c\u00e9u e levaram a cabo atentados suicidas por todo o mundo para quebrar a moral dos seus inimigos e servir os seus esfor\u00e7os propagand\u00edsticos destinados a continuar a recrutar militantes.<\/p>\n<p>Na medida em que os inimigos do Daesh s\u00e3o inimigos uns dos outros, o grupo assegura-se de que a sua exist\u00eancia pelo menos num futuro pr\u00f3ximo esteja assegurada.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que o Daesh se nutre de interven\u00e7\u00f5es militares porque nasceu de outras interven\u00e7\u00f5es militares. Est\u00e1 a aumentar porque os seus inimigos n\u00e3o actuam em conjunto, porque cada um cumpre agendas que raramente t\u00eam a ver com por fim \u00e0 guerra mas com uma oportunidade para conseguir vantagens politicas.<\/p>\n<p>Com esta l\u00f3gica em mente, n\u00e3o se pode esperar que a \u00abOpera\u00e7\u00e3o Odisseia do Amanhecer\u00bb dos Estados Unidos que come\u00e7ou oficialmente consiga resultados que possam estabilizar o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Como poderia projectar-se essa estabilidade? Foi a guerra que os Estados Unidos e outros membros da OTAN empreenderam contra a L\u00edbia em 2011, que em grande parte desmembrou o que noutro tempo era um pais \u00e1rabe rico e relativamente est\u00e1vel. Com efeito, foi o vazio deixado por posteriores conflitos o que convidou o Daesh a entrar em Sirte e noutras zonas. Agora, os Estados Unidos e outras potencias ocidentais, dirigidas pela Fran\u00e7a est\u00e3o a por em pratica uma s\u00e9rie de t\u00e1cticas numa guerra imposs\u00edvel de ganhar tratando de travar uma imensa crise que eles mesmos criaram ao iniciar a guerra anterior.<\/p>\n<p>Mesmo que expulsem o Daesh de Sirte, o grupo encontrar\u00e1 outro s\u00edtio inst\u00e1vel onde parar e semear o caos. Sirte, por sua vez, voltar\u00e1 a um est\u00e1gio de voragem onde diversas mil\u00edcias, muitas delas armadas pela OTAN, se atacar\u00e3o umas \u00e0s outras.<\/p>\n<p>Sem um estudo totalmente novo do problema, os conflitos continuar\u00e3o a multiplicar-se.<br \/>\nSegundo airwar.org que acompanha a guerra contra o Daesh, a coliga\u00e7\u00e3o lan\u00e7ou 14.405 ataques a\u00e9reos contra o grupo no Iraque e S\u00edria em 735 dias de campanha implac\u00e1vel. Calcula-se que foram lan\u00e7adas bombas e m\u00edsseis, embora o n\u00famero real deva ser muito mais alto, j\u00e1 que tem havido numerosos ataques que nenhuma das partes reivindicou, portanto, n\u00e3o est\u00e3o oficialmente registados como tal.<\/p>\n<p>Esta estimativa, nem sequer menciona os bombardeamentos a\u00e9reos russos ou de qualquer outro pa\u00eds n\u00e3o integrado na coliga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas conseguiu-se algo positivo com tudo isto, para al\u00e9m de matar muitos civis, destruir maci\u00e7amente infra-estruturas e levar o Daesh a outros lugares vulner\u00e1veis do M\u00e9dio Oriente e Africa do Norte?<\/p>\n<p>H\u00e1 poucas vozes s\u00e9rias no governo e os meios de comunica\u00e7\u00e3o norte americanos dispostos a mudar completamente a perspectiva sobre a guerra contra o terror Bush-Obama. Os apelos sensatos, como os de Jill Stein, candidata do Partido Verde \u00e0 presid\u00eancia, de que t\u00eam de ser abordada as causas raiz do terrorismo para poder acabar com ele, raramente chegam aos ouvidos do governo e Congresso dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Em Janeiro, o custo da guerra contra o Daesh, segundo c\u00e1lculos do Departamento de Defesa norte-americano saltou de 2 milh\u00f5es de d\u00f3lares por dia para um total de 11 milh\u00f5es. \u00abA guerra a\u00e9rea custou aos Estados Unidos cerca de 5.500 milh\u00f5es de d\u00f3lares desde o seu in\u00edcio em 2014, informava o Business Insider. \u00c9 prov\u00e1vel que a escalada na L\u00edbia produza em breve n\u00fameros ainda mais assombrosos.<\/p>\n<p>Como era de esperar, \u00e9 uma boa altura para fazer neg\u00f3cios para todos os que beneficiam com as guerras. Ao mesmo tempo, o ciclo de guerra e viol\u00eancia continua a alimentar-se a si pr\u00f3prio sem um fim \u00e0 vista.<\/p>\n<p>Confiar em que os bombardeamentos a\u00e9reos sejam o profil\u00e1tico da paz \u00e9 absurdo escreveu recentemente Vijav Prashad, professor de estudos internacionais no Trinity College em Hartford, sobre a inutilidade da guerra de ataques a\u00e9reos. A \u00fanica coisa conseguida \u00e9 a instabilidade e caos. H\u00e1 que abrir outras rotas. Admitir outros caminhos.<\/p>\n<p>N\u00e3o posso estar mais de acordo.<\/p>\n<hr \/>\n<p>*Ramzy Baroud escreve h\u00e1 mais de vinte anos sobre o M\u00e9dio Oriente. \u00c9 colunista internacional, autor de v\u00e1rio livro e fundador da Palestine Chronicle.com. O seu \u00faltimo livro intitula-se <em>Meu pai foi um combatente pela liberdade<\/em>. A historia n\u00e3o contada de Gaza.<\/p>\n<p>Este artigo foi publicado por rebelion.org<\/p>\n<p>http:\/\/www.odiario.info\/a-doutrina-obama-causa-estragos-no\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ramzy Baroud \u00abTodos parecem ter uma teoria sobre como destruir o Daesh. 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