{"id":12035,"date":"2016-09-11T21:13:32","date_gmt":"2016-09-12T00:13:32","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=12035"},"modified":"2016-09-27T15:11:56","modified_gmt":"2016-09-27T18:11:56","slug":"guerras-e-crises-na-africa-de-hoje","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/12035","title":{"rendered":"Guerras e crises na \u00c1frica de hoje"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.odiario.info\/b2-img\/AUTORESCARLOSLOPESPEREIRA1_01.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>Carlos Lopes Pereira<\/p>\n<p>\u00abN\u00e3o s\u00e3o boas as not\u00edcias que chegam de \u00c1frica. Persistem guerras em diferentes pa\u00edses e surgem ou prolongam-se crises pol\u00edticas noutros. As actuais guerras africanas t\u00eam um tra\u00e7o comum: a inger\u00eancia estrangeira. \u00c9 velha a estrat\u00e9gia imperialista de fomentar conflitos armados e divis\u00f5es \u00e9tnicas e religiosas para melhor dominar os povos e explorar as suas riquezas\u00bb.<!--more--><\/p>\n<p>\u00c9 assim na L\u00edbia, produtora de petr\u00f3leo, onde os diversos governos, parlamentos, ex\u00e9rcitos, mil\u00edcias armadas e grupos terroristas recebem \u00abajudas\u00bb em armas e dinheiro tanto de \u00abdemocr\u00e1ticos\u00bb governos ocidentais como das reaccion\u00e1rias monarquias \u00e1rabes. L\u00edbia onde, cinco anos ap\u00f3s a destrui\u00e7\u00e3o do pa\u00eds pela interven\u00e7\u00e3o da NATO, volta a haver bombardeamentos a\u00e9reos pelos norte-americanos e, onde, no terreno, proliferam tropas especiais estado-unidenses, brit\u00e2nicas, francesas e italianas\u2026<\/p>\n<p>Ainda no Norte de \u00c1frica, a par da ac\u00e7\u00e3o de bandos terroristas, desde o Sinai at\u00e9 ao Sul da Arg\u00e9lia, mant\u00e9m-se o dom\u00ednio colonial de Marrocos, aliado dos EUA e do Ocidente, sobre o Saara Ocidental, impedindo pela ocupa\u00e7\u00e3o militar o povo saarau\u00ed de exercer o seu direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o e independ\u00eancia.<\/p>\n<p>Mais a Sul, na faixa saheliana, de onde irradiam em v\u00e1rias direc\u00e7\u00f5es jihadistas e traficantes, a guerra continua centrada no Mali, ocupado por for\u00e7as francesas e \u00abinstrutores\u00bb europeus. Para o controlo desta regi\u00e3o e da \u00c1frica Ocidental, Paris disp\u00f5e de um dispositivo militar com quartel-general em Djamena, no Chade, al\u00e9m de mais tropas e bases em outras capitais, de Niamey a Dakar.<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m guerras abertas ou encobertas e tropas estrangeiras \u2013 em alguns casos em miss\u00f5es da Uni\u00e3o Africana ou das Na\u00e7\u00f5es Unidas \u2013 na zona Leste da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, na Rep\u00fablica Centro-Africana, no Darfour sudan\u00eas e no Sud\u00e3o do Sul.<\/p>\n<p>Na \u00c1frica Ocidental, a Nig\u00e9ria, exportadora de crude e segunda pot\u00eancia econ\u00f3mica do continente, enfrenta alguns movimentos separatistas e assiste, no Nordeste, \u00e0 regionaliza\u00e7\u00e3o da guerra movida pelos terroristas do Boko Haram, a qual provocou o envolvimento dos ex\u00e9rcitos do N\u00edger, dos Camar\u00f5es e do Chade, apoiados por Paris e Washington.<\/p>\n<p>Na \u00c1frica do Leste, al\u00e9m da exist\u00eancia de bases militares estrangeiras no Djibuti, uma amea\u00e7a \u00e0 paz, as ac\u00e7\u00f5es do Al-Shabab, na Som\u00e1lia, atingem aquele pa\u00eds, onde h\u00e1 for\u00e7as da Uni\u00e3o Africana e tropas norte-americanas, e o vizinho Qu\u00e9nia.<\/p>\n<p>Elei\u00e7\u00f5es e crises<\/p>\n<p>A par da continua\u00e7\u00e3o de guerras, multiplicam-se em \u00c1frica as crises pol\u00edticas, que, ali\u00e1s, n\u00e3o s\u00e3o exclusivas deste continente.<\/p>\n<p>A mais recente surgiu na Z\u00e2mbia, onde o presidente cessante Edgar Lungu, da Frente Patri\u00f3tica, foi reeleito na primeira volta, com 50,3 por cento dos votos e uma pequena margem sobre o mais forte opositor, Hakainde Hichilema, que obteve 47,6 por cento. Este denunciou ter havido \u00abfraude\u00bb no processo eleitoral e prometeu impugnar os resultados na justi\u00e7a zambiana.<\/p>\n<p>J\u00e1 na Guin\u00e9-Bissau os problemas s\u00e3o antigos. Partido mais votado nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es, o PAIGC viu demitido o seu governo pelo presidente da Rep\u00fablica. Formou-se um novo executivo, com apoios de deputados dissidentes do PAIGC e do maior partido da oposi\u00e7\u00e3o. Mas o parlamento n\u00e3o aprova o programa de governo e a crise prolonga-se, gerida de forma pac\u00edfica nas inst\u00e2ncias pol\u00edticas e jur\u00eddicas nacionais.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe teve elei\u00e7\u00f5es presidenciais, mas \u00e0 segunda volta concorreu apenas um candidato, Evaristo de Carvalho, apoiado pelo partido governamental. O opositor, Pinto da Costa, presidente da Rep\u00fablica cessante, recusou-se participar num processo que considerou \u00abviciado\u00bb e \u00abrepleto de ilegalidades\u00bb. Os resultados est\u00e3o a ser contestados nos tribunais santomenses.<\/p>\n<p>Mais grave \u00e9 o que acontece em Mo\u00e7ambique. As elei\u00e7\u00f5es gerais de Outubro de 2014 foram ganhas pela Frelimo mas o principal partido da oposi\u00e7\u00e3o, a Renamo, n\u00e3o aceitou os resultados, apesar de validados pelos \u00f3rg\u00e3os eleitorais do pa\u00eds e por observadores internacionais.<br \/>\nO seu l\u00edder, Afonso Dhlakama, que nunca venceu qualquer elei\u00e7\u00e3o, pretende governar seis prov\u00edncias onde, considera, o seu partido teve mais votos. N\u00e3o tendo sido aceite tal exig\u00eancia, a Renamo, ainda que participando da vida pol\u00edtica institucional, com os seus deputados no parlamento, lan\u00e7ou uma s\u00e9rie de ac\u00e7\u00f5es armadas no centro do pa\u00eds, atacando alvos civis.<\/p>\n<p>Em Maputo, em conversa\u00e7\u00f5es com o governo e a Renamo, h\u00e1 mediadores internacionais que tentam nestes dias avistar-se com Dhlakama, refugiado em \u00ablugar seguro\u00bb na serra da Gorongosa, cercada pelas for\u00e7as armadas mo\u00e7ambicanas.<\/p>\n<p>Este artigo foi publicado pelo jornal Avante!<\/p>\n<p>http:\/\/www.odiario.info\/guerras-e-crises-na-africa-de\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Carlos Lopes Pereira \u00abN\u00e3o s\u00e3o boas as not\u00edcias que chegam de \u00c1frica. 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