{"id":1205,"date":"2011-02-11T11:52:30","date_gmt":"2011-02-11T11:52:30","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1205"},"modified":"2011-02-11T11:52:30","modified_gmt":"2011-02-11T11:52:30","slug":"olga-benario-prestes-um-exemplo-para-os-jovens-de-hoje","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1205","title":{"rendered":"Olga Benario Prestes: um exemplo para os jovens de hoje"},"content":{"rendered":"\n<p><em>07\/02\/2011<\/em><\/p>\n<p><em>Anita Leocadia Prestes<\/em><\/p>\n<p>Olga Benario Prestes nasceu em Munique (Alemanha) a 12 de fevereiro de 1908. Aos quinze anos de idade, sensibilizada pelos graves problemas sociais presentes na Alemanha dos anos de 1920, Olga viria a aproximar-se da Juventude Comunista, organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em que passaria a militar ativamente. Aos 16 anos, apaixonada pelo jovem dirigente comunista Otto Braum, Olga sai da casa paterna e junto com o companheiro viaja para Berlim, onde ambos ir\u00e3o desenvolver intensa atividade pol\u00edtica no bairro oper\u00e1rio de Neuk\u00f6lln. Embora vivendo com nomes falsos, na clandestinidade, Olga e Otto acabam sendo presos em outubro de 1926. Ainda que Olga tenha ficado detida apenas dois meses, Otto permaneceu preso, acusado de \u201calta trai\u00e7\u00e3o \u00e0 p\u00e1tria\u201d. Em abril de 1928, Olga, \u00e0 frente de um grupo de jovens comunistas, lidera assalto \u00e0 pris\u00e3o de Moabit para libertar Otto. A a\u00e7\u00e3o foi coroada de \u00eaxito total, pois al\u00e9m de o prisioneiro ter escapado da pris\u00e3o de \u201cseguran\u00e7a m\u00e1xima\u201d, Olga e seus camaradas conseguiram fugir inc\u00f3lumes. A cabe\u00e7a de Olga \u00e9 posta a pr\u00eamio pelas autoridades alem\u00e3s.<\/p>\n<p><strong>Tarefa internacional<\/strong><\/p>\n<p>Por decis\u00e3o do Partido Comunista, Olga e Otto viajaram clandestinamente para Moscou, onde a jovem comunista de apenas 20 anos se torna dirigente destacada da Internacional Comunista da Juventude. No final de 1934, j\u00e1 separada de Otto, Olga recebe a tarefa da Internacional Comunista de acompanhar Luiz Carlos Prestes em sua viagem de volta ao Brasil, zelando pela sua seguran\u00e7a, uma vez que o governo Vargas decretara sua pris\u00e3o. Prestes e Olga partiram de Moscou no final de dezembro de 1934, viajando com passaportes falsos, como marido e mulher, apesar de estarem se conhecendo naqueles dias. Durante a longa e acidentada viagem rumo ao Brasil, os dois se apaixonam, tornando-se efetivamente marido e mulher.<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o de 1935, Prestes \u00e9 aclamado, no Rio de Janeiro, presidente de honra da Alian\u00e7a Nacional Libertadora (ANL), uma ampla frente \u00fanica, cujo programa visava a luta contra o imperialismo, o latif\u00fandio e a amea\u00e7a fascista, que pairava sobre o mundo e tamb\u00e9m sobre o Brasil. Prestes e Olga chegam ao Brasil em abril desse ano, passando a viver clandestinamente na cidade do Rio de Janeiro. O \u201cCavaleiro da Esperan\u00e7a\u201d torna-se a principal lideran\u00e7a do movimento antifascista no Brasil e, assessorado o tempo todo por Olga, participa da prepara\u00e7\u00e3o da insurrei\u00e7\u00e3o armada contra o governo Vargas, a qual deveria estabelecer no pa\u00eds um governo Popular Nacional Revolucion\u00e1rio, representativo das for\u00e7as sociais e pol\u00edticas agrupadas na ANL.<\/p>\n<p><strong>Repress\u00e3o e pris\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Com o insucesso dos levantes de novembro de 1935, desencadeia-se violenta repress\u00e3o policial contra os comunistas e seus aliados. Em 5 de mar\u00e7o de 1936, Prestes e Olga s\u00e3o presos no sub\u00farbio carioca do M\u00e9ier por ordem do famigerado capit\u00e3o Filinto Muller, ent\u00e3o chefe de pol\u00edcia do governo Vargas. A ordem expedida aos agentes policiais era clara \u2013 a liquida\u00e7\u00e3o f\u00edsica de Luiz Carlos Prestes. No momento da pris\u00e3o, Olga salvou-lhe a vida, interpondo-se entre ele e os policiais, impedindo o assassinato do l\u00edder revolucion\u00e1rio. Uma vez localizados e presos, Prestes e Olga foram violentamente separados. Ele, conduzido para o antigo quartel da Pol\u00edcia Especial, no morro de Santo Ant\u00f4nio, no centro do Rio. Olga, ap\u00f3s uma breve passagem pela Pol\u00edcia Central, foi levada para a Casa de Deten\u00e7\u00e3o, situada ent\u00e3o \u00e0 rua Frei Caneca, onde ficou detida junto \u00e0s demais companheiras que haviam participado do movimento da ANL.<\/p>\n<p><strong>Extradi\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Prestes e Olga nunca mais se veriam. Em setembro de 1936, Olga, gr\u00e1vida de sete meses, era extraditada para a Alemanha hitlerista pelo governo de Get\u00falio Vargas. Junto com Elise Ewert, outra comunista e internacionalista alem\u00e3 que participara da luta antifascista no Brasil, foi embarcada \u00e0 for\u00e7a, na calada da noite, no navio cargueiro alem\u00e3o \u201cLa Coru\u00f1a\u201d, viajando ilegalmente, sem culpa formada, sem julgamento nem defesa. O comandante do navio recebeu ordens expressas de c\u00f4nsul alem\u00e3o no Brasil para dirigir-se direto a Hamburgo, sem parar em nenhum outro porto estrangeiro, pois havia precedentes de os portu\u00e1rios franceses e espanh\u00f3is resgatarem prisioneiros deportados para a Alemanha, quando tais navios aportavam \u00e0 Espanha ou \u00e0 Fran\u00e7a. Ap\u00f3s longa e pesada travessia, as duas prisioneiras foram conduzidas incomunic\u00e1veis para a pris\u00e3o de mulheres de Barnimstrasse, em Berlim, onde Olga deu \u00e0 luz sua fi lha Anita Leocadia, em novembro de 1936.<\/p>\n<p>Numa ex\u00edgua cela dessa pris\u00e3o, submetida a regime de rigoroso isolamento, Olga conseguiu criar a fi lha at\u00e9 a idade de 14 meses, gra\u00e7as \u00e0 ajuda, em alimentos, roupas e dinheiro, que recebeu da m\u00e3e e da irm\u00e3 de Prestes. Ambas se encontravam em Paris dirigindo a campanha internacional de solidariedade aos presos pol\u00edticos no Brasil. Com a deporta\u00e7\u00e3o de Olga, a campanha se ampliara em defesa da esposa de Prestes e de sua filha. V\u00e1rias delega\u00e7\u00f5es estrangeiras foram \u00e0 Alemanha pressionar a Gestapo, obtendo afinal a entrega da crian\u00e7a \u00e0 av\u00f3 paterna \u2013 Leoc\u00e1dia Prestes, mulher valente e decidida, a quem o grande poeta chileno Pablo Neruda dedicou o poema Dura Elegia, que se inicia com o verso : \u201cSe\u00f1ora, hiciste grande, m\u00e1s grande, a nuestra Am\u00e9rica&#8230;\u201d<\/p>\n<p><strong>Assassinada numa c\u00e2mara de g\u00e1s<\/strong><\/p>\n<p>A campanha internacional, que atingiu v\u00e1rios continentes, n\u00e3o conseguiu, contudo, a liberta\u00e7\u00e3o de Olga. Logo depois ela seria transferida para a pris\u00e3o de Lichtenburg, situada a cem quil\u00f4metros ao sul de Berlim. Um ano mais tarde, Olga era confinada no campo de concentra\u00e7\u00e3o de Ravensbruck, onde juntamente com milhares de outras prisioneiras seria submetida a trabalhos for\u00e7ados para a ind\u00fastria de guerra da Alemanha nazista. A situa\u00e7\u00e3o de Olga seria particularmente penosa, pois carregava consigo duas pechas consideradas fatais \u2013 a de comunista e a de judia. Em abril de 1942, Olga era transferida, numa leva de prisioneiras marcadas para morrer, para o campo de concentra\u00e7\u00e3o de Bernburg, onde seria assassinada numa c\u00e2mara de g\u00e1s.<\/p>\n<p><strong>O exemplo<\/strong><\/p>\n<p>Olga, segundo os depoimentos de todos que a conheceram e conviveram com ela, nunca vacilou diante das grandes prova\u00e7\u00f5es que teve que enfrentar. At\u00e9 o \u00faltimo dia de sua tr\u00e1gica exist\u00eancia, manteve-se firme perante o inimigo e solid\u00e1ria com as companheiras. Ao despedir-se do marido e da fi lha, antes de ser levada para a morte, escreveu: \u201dLutei pelo justo, pelo bom e pelo melhor do mundo\u201d; \u201cat\u00e9 o \u00faltimo momento manter-me-ei firme e com vontade de viver\u201d.<\/p>\n<p>A vida e a luta de uma revolucion\u00e1ria como Olga, comunista e internacionalista, n\u00e3o foi em v\u00e3o; seu hero\u00edsmo serve de exemplo e de inspira\u00e7\u00e3o para os jovens de hoje.<\/p>\n<p><em><strong>Anita Leoc\u00e1dia Prestes \u00e9 professora do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria Comparada da UFRJ e Presidente do Instituto Luiz Carlos Prestes.<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong>Artigo publicado originalmente na edi\u00e7\u00e3o 414 do Brasil de Fato.<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: t3.gstatic.com\n\n\n\n\n\n\n\n\nA revolucion\u00e1ria, at\u00e9 o \u00faltimo dia de sua tr\u00e1gica exist\u00eancia, manteve-se firme perante o inimigo e solid\u00e1ria com as companheiras\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1205\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-1205","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c56-memoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-jr","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1205","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1205"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1205\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1205"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1205"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1205"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}