{"id":12071,"date":"2016-09-14T22:16:17","date_gmt":"2016-09-15T01:16:17","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=12071"},"modified":"2016-09-27T15:05:58","modified_gmt":"2016-09-27T18:05:58","slug":"a-reuniao-do-g-20-e-as-sugestoes-perversas-do-fmi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/12071","title":{"rendered":"A reuni\u00e3o do G-20 e as sugest\u00f5es perversas do FMI"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.odiario.info\/b2-img\/g20_01.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>Alejandro Nadal<\/p>\n<p>A Reuni\u00e3o do G-20 realizada na China divulgou um comunicado que confirma o \u00f3bvio: a recusa dos participantes em debater os grandes problemas econ\u00f3micos, pol\u00edticos e sociais da humanidade. O FMI apresentou um documento perverso que<!--more--> sugere como sa\u00edda para a crise mundial reformas estruturais de cariz neoliberal.<\/p>\n<p>Nenhum dos problemas estruturais da economia mundial foi identificado e tratado nas reuni\u00f5es do G-20<\/p>\n<p>O comunicado da reuni\u00e3o do G-20 no passado fim de semana em Hangzhou, China, \u00e9 algo an\u00f3dino. Isso \u00e9 explic\u00e1vel pela agenda superficial do grupo perante os desafios que a economia mundial enfrenta. E, tamb\u00e9m se deve \u00e0 composi\u00e7\u00e3o disfuncional do G-20. As tens\u00f5es pol\u00edticas e comerciais entre Washington, Moscovo e Pequim s\u00e3o j\u00e1 demasiado fortes para permitir que o conclave desemboque em algo construtivo.<\/p>\n<p>O mais revelador foi o documento preparado para esta reuni\u00e3o pelo FMI, Perspectivas e desafios globais, (imf.org). Embora procurasse escolher as palavras cuidadosamente, a informa\u00e7\u00e3o observa que a economia mundial enfrenta um horizonte cheio de desafios. O crescimento para este ano ser\u00e1 menor que o de 2015 e o progn\u00f3stico n\u00e3o \u00e9 nada bom para 2017.<\/p>\n<p>O Fundo reconhece que as economias capitalistas desenvolvidas n\u00e3o saem do marasmo deflaccion\u00e1rio. Passaram mais de sete anos em que se aplicou uma pol\u00edtica monet\u00e1ria flex\u00edvel com taxas de juro no seu limite inferior sem se conseguir reactivar a procura e o investimento. Continua a dominar um cen\u00e1rio de sobre-endividamento corporativo e de fr\u00e1geis folhas de balan\u00e7o no sector financeiro. Continua tamb\u00e9m uma queda perniciosa na taxa de produtividade, o que poderia significar que se est\u00e3o a alcan\u00e7ar os limites da onda de inova\u00e7\u00f5es dos \u00faltimos dois dec\u00e9nios. Finalmente, em mat\u00e9ria de com\u00e9rcio mundial tamb\u00e9m domina um meio-termo declinante no volume de trocas. Finalmente, os d\u00e9beis incentivos ao investimento s\u00e3o acompanhados de uma intensifica\u00e7\u00e3o da desigualdade.<\/p>\n<p>Mas para n\u00e3o apresentar uma imagem t\u00e3o negativa o FMI recorre \u00e0 velha hist\u00f3ria dos mercados emergentes. Agora renasce aquela narrativa de que a China se est\u00e1 a recuperar, a \u00cdndia mant\u00e9m um rigoroso crescimento e no Brasil renasce a confian\u00e7a do sector privado (\u00e9 uma espadeirada no novo governo de Temer e a sua agenda de reformas neoliberais). Essa parte do diagn\u00f3stico \u00e9 infundada e ignora as an\u00e1lises mais s\u00e9rias sobre a natureza e limita\u00e7\u00f5es do crescimento nesses mercados emergentes.<\/p>\n<p>Para balancear a sua sub-an\u00e1lise da economia mundial, o Fundo recomenda manter uma pol\u00edtica monet\u00e1ria numa postura flex\u00edvel at\u00e9 que diminua a tend\u00eancia deflaccion\u00e1ria. Por exemplo, na Europa deve manter-se a taxa de lucro no limite certo, assim como a injec\u00e7\u00e3o de liquidez porque a situa\u00e7\u00e3o dos bancos continua a ser muito fr\u00e1gil. E em mat\u00e9ria fiscal insiste-se na necessidade de aplicar uma pol\u00edtica de investimento p\u00fablico mais amistosa para o crescimento. Quando existir margem de manobra (leia-se, sempre e quando n\u00e3o se abandone a austeridade) o gasto deve dirigir-se a r\u00f3tulos como o da educa\u00e7\u00e3o para ir diminuindo a desigualdade. Claro, que o v\u00ednculo dos sal\u00e1rios baixos e a desigualdade continua a ser inexistente para o FMI. Do lado das receitas, insiste-se em recorrer aos impostos indirectos (como o IVA) porque acham serem menos negativos para o crescimento. Portanto, o Fundo n\u00e3o quer ouvir falar em aumentar a carga fiscal dos mais ricos e prefere os impostos regressivos embora no mesmo par\u00e1grafo minta ao afirmar que essas receitas n\u00e3o afetam o crescimento.<\/p>\n<p>Segundo, o FMI declara s\u00e3o necess\u00e1rias mais reformas estruturais de cunho neoliberal. Ou seja, deve continuar o desregulamento e a privatiza\u00e7\u00e3o. No sector financeiro o Fundo preocupa-se em que surjam tend\u00eancias para a regulariza\u00e7\u00e3o sobre fluxos de capital, como se o casino financeiro nada tivesse a ver com a crise.<\/p>\n<p>Terceiro, o Fundo recomenda continuar a promover a agenda da liberaliza\u00e7\u00e3o comercial. O com\u00e9rcio mundial cresceu a uma taxa decepcionante nos \u00faltimos cinco anos. Principalmente, o com\u00e9rcio de bens de capital e insumos interm\u00e9dios caiu mais que nas redes de bens de consumo devido \u00e0 reduzida taxa de investimento nas principais economias. O que \u00e9 necess\u00e1rio, segundo o FMI, \u00e9 fortalecer a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC), que tem estado a enfraquecer desde o fracasso da ronda da Doha. Esquecem-se que a desregulariza\u00e7\u00e3o comercial global j\u00e1 percorreu o seu caminho e que os acordos comerciais no Atl\u00e2ntico e no Pacifico s\u00f3 servem para fortalecer coisas como as regras sobre investimento e sobre patentes, marcas e direitos de autor. Isso significa que se procuram endurecer as estruturas oligop\u00f3licas de mercados que s\u00f3 beneficiam as grandes empresas transnacionais.<br \/>\nClaro, nada disto permite enfrentar o grave problema do enorme excesso de capacidade instalada que marca a estrutura dos principais ramos industriais da economia global.<\/p>\n<p>Nenhum dos problemas estruturais da economia mundial foi identificado e tratado nas reuni\u00f5es do G-20. Entretanto, o grupo trabalha activamente para se transformar numa entel\u00e9quia irrelevante.<\/p>\n<p>Publicado por lahaine.org<\/p>\n<p>http:\/\/www.odiario.info\/a-reuniao-do-g-20-e\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Alejandro Nadal A Reuni\u00e3o do G-20 realizada na China divulgou um comunicado que confirma o \u00f3bvio: a recusa dos participantes em debater os \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/12071\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-12071","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s10-internacional"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-38H","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12071","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12071"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12071\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12071"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12071"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12071"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}