{"id":12104,"date":"2016-09-19T02:16:59","date_gmt":"2016-09-19T05:16:59","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=12104"},"modified":"2016-10-06T15:50:07","modified_gmt":"2016-10-06T18:50:07","slug":"as-violencias-da-fome-e-do-desabrigo-talvez-as-piores-crueldades-de-uma-politica-indigenista-insana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/12104","title":{"rendered":"As viol\u00eancias da fome e do desabrigo: talvez as piores crueldades de uma pol\u00edtica indigenista insana"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/ci5.googleusercontent.com\/proxy\/sn-wmxHHq77NC5Cdm1wTaM2u9WAJ6Qb5RPo6d5PK6r3dFpYGmsGwScYHDgBov_3Rt-vltZzVKYpQe0POam0BHtPnkJRmiGbu418uTuADoyEKP-j0xqI=s0-d-e1-ft#http:\/\/www.cimi.org.br\/pub\/RS\/Tekoha%20Irapua\/guaraniirapua2.jpg\" alt=\"imagem\" \/>A comunidade Guarani Mbya de Irapu\u00e1 vive em um acampamento \u00e0s margens da BR-290, na altura do quil\u00f4metro 299, no munic\u00edpio de Ca\u00e7apava do Sul. Teve a terra tradicional delimitada pela Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (Funai) no in\u00edcio de 2011, e declarada pelo Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a em maio de 2016. Portanto, a terra foi caracterizada como sendo de ocupa\u00e7\u00e3o tradicional do povo Guarani Mbya.<!--more--><\/p>\n<p>Apesar disso, nenhuma provid\u00eancia foi tomada pelo governo no sentido de promover o assentamento das fam\u00edlias dentro de sua terra, mantendo-as na beira da estrada sob condi\u00e7\u00f5es absolutamente desumanas. A pergunta que fica: por que manter fam\u00edlias em condi\u00e7\u00f5es de profunda vulnerabilidade sendo que sua terra foi reconhecida como sendo de ocupa\u00e7\u00e3o tradicional?<\/p>\n<p>Os Guarani Mbya sempre habitaram aquela regi\u00e3o. Seu Silvino Wer\u00e1, cacique da comunidade, convive com a realidade de beira de estrada h\u00e1 d\u00e9cadas. Criou seus filhos e agora os netos sob a viol\u00eancia da estrada e dos fazendeiros que os discriminam e os amedrontam. N\u00e3o raras as vezes em que os fazendeiros os amea\u00e7aram, impondo que sa\u00edssem daquele local. Seguiram firmes, apesar de todo sofrimento.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia \u00e9 cotidiana e brutal. Os ind\u00edgenas j\u00e1 tiveram seus barracos queimados, j\u00e1 tiveram seu acampamento destru\u00eddo por tratores, \u00e1rvores frut\u00edferas plantadas na beira da estrada foram arrancadas, um po\u00e7o artesiano perfurado para que tivessem \u00e1gua pot\u00e1vel foi destru\u00eddo, os postes que conduziam energia ao local foram derrubados e uma pequena edifica\u00e7\u00e3o que servia como escola para as crian\u00e7as foi demolida. A comunidade chegou a ser removida por funcion\u00e1rios do estado do Rio Grande do Sul para uma \u00e1rea distante 60 km de Irapu\u00e1. Mas os Guarani retornaram para o local que fica muito pr\u00f3ximo de seu tekoha &#8211; o seu lugar de viver, a sua terra tradicional.<\/p>\n<p>Nesta semana, em visita \u00e0 comunidade, presenciamos crian\u00e7as passando fome e frio, como pode ser constatado em v\u00eddeo realizado durante a visita.<\/p>\n<p>Os Guarani, apesar das agress\u00f5es constantes, se mant\u00eam firmes na esperan\u00e7a de que os \u00f3rg\u00e3os de assist\u00eancia lhes assegurem o direito fundamental de acesso \u00e0 terra, j\u00e1 devidamente reconhecida. At\u00e9 agora, as respostas dos \u00f3rg\u00e3os &#8211; Funai e Secretaria Especial de Sa\u00fade Ind\u00edgena (Sesai) &#8211; t\u00eam sido a omiss\u00e3o e o abandono.<\/p>\n<p>Apesar de oficiados pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) de Cachoeira do Sul a prestar assist\u00eancia, nada vem sendo feito no sentido de assegurar \u00e0s fam\u00edlias um pouco de dignidade. Est\u00e3o abandonadas pelo Poder P\u00fablico. N\u00e3o foram poucas as reivindica\u00e7\u00f5es e apelos para que se garantisse o m\u00ednimo para viverem: abrigo, alimentos, \u00e1gua pot\u00e1vel, j\u00e1 que tudo o que tinham acabou sendo destru\u00eddo por fazendeiros. Nada se fez e ao que tudo indica nada far\u00e3o. Parece uma esp\u00e9cie de conluio entre fazendeiros que n\u00e3o aceitam a presen\u00e7a ind\u00edgena naquela regi\u00e3o, e os que deveriam assegurar \u00e0 comunidade o m\u00ednimo de prote\u00e7\u00e3o. Praticam, na verdade, viol\u00eancias que se tornam as mais cru\u00e9is de todas: o abandono, a fome e o desabrigo.<\/p>\n<p>O Conselho Indigenista Mission\u00e1rio (Cimi) &#8211; Regional Sul, comprometido com a causa ind\u00edgena pela demarca\u00e7\u00e3o das terras e pelo direito a uma vida com dignidade, denuncia os \u00f3rg\u00e3os de assist\u00eancia pela pr\u00e1tica de crimes contra a comunidade Guarani Mbya de Irapu\u00e1, submetida &#8211; pela neglig\u00eancia e omiss\u00e3o &#8211; \u00e0 fome e mis\u00e9ria, sendo que constitucionalmente deve ser protegida e assistida pelos agentes do Estado, mas neste momento est\u00e1 relegada a situa\u00e7\u00e3o de exclus\u00e3o absoluta.<br \/>\nFotos: Roberto Liebgott\/Cimi Regional Sul<\/p>\n<p><b>Fonte da not\u00edcia:<\/b>\u00a0<a href=\"http:\/\/www.cimi.org.br\/\" target=\"_blank\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?hl=pt-BR&amp;q=http:\/\/www.cimi.org.br\/&amp;source=gmail&amp;ust=1474348141562000&amp;usg=AFQjCNHAjMESyIpQZ2aowi3_gzwc8xcanQ\">Por Roberto Liebgott, coordenador do Cimi Regional Sul<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A comunidade Guarani Mbya de Irapu\u00e1 vive em um acampamento \u00e0s margens da BR-290, na altura do quil\u00f4metro 299, no munic\u00edpio de Ca\u00e7apava \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/12104\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[163],"tags":[],"class_list":["post-12104","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-movimento-indigena"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-39e","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12104","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12104"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12104\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12104"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12104"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12104"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}