{"id":12150,"date":"2016-09-23T21:02:11","date_gmt":"2016-09-24T00:02:11","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=12150"},"modified":"2016-10-18T13:24:10","modified_gmt":"2016-10-18T16:24:10","slug":"a-luta-pela-paz-em-mocambique","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/12150","title":{"rendered":"A luta pela paz em Mo\u00e7ambique"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.odiario.info\/b2-img\/clp_02.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>Carlos Lopes Pereira<\/p>\n<p>Neste artigo Carlos Lopes Pereira ilumina a complexa situa\u00e7\u00e3o existente em Mo\u00e7ambique. A Renamo perdeu as elei\u00e7\u00f5es mas o seu l\u00edder Dhelakama recusa aceitar a derrota. Refugiado na Serra da Gorongoza, os seus bandos atacam postos de sa\u00fade, cami\u00f5es com mercadorias, viaturas militares e centros administrativos. A paz est\u00e1 ainda distante em Mo\u00e7ambique.<!--more--><\/p>\n<p>Os inimigos de ontem podiam identificar-se facilmente mas os inimigos que a Nam\u00edbia enfrenta hoje escondem-se atr\u00e1s de problemas como a pobreza, a corrup\u00e7\u00e3o, o tribalismo ou at\u00e9 a seca.<\/p>\n<p>A ideia foi defendida h\u00e1 dias pelo presidente da Rep\u00fablica da Nam\u00edbia, Hage Geingob, numa cerim\u00f3nia p\u00fablica em Walvis Bay, comemorativa do Dia dos Her\u00f3is. Para o dirigente namibiano, os actuais \u00abinimigos ocultos\u00bb n\u00e3o ser\u00e3o derrotados por ex\u00e9rcitos mas pelo trabalho colectivo de todo o povo.<\/p>\n<p>Tal como a Nam\u00edbia, Mo\u00e7ambique \u00e9 um pa\u00eds que conquistou a independ\u00eancia atrav\u00e9s de uma her\u00f3ica luta armada de liberta\u00e7\u00e3o nacional. A dos mo\u00e7ambicanos, dirigida pela Frelimo, contra o colonialismo portugu\u00eas, e a dos namibianos, conduzida pela Swapo, contra o regime do apartheid sul-africano.<\/p>\n<p>Para l\u00e1 de todas as semelhan\u00e7as e diferen\u00e7as entre os dois estados da \u00c1frica Austral, Mo\u00e7ambique confronta-se agora com um problema grave, nada oculto \u2013 o da amea\u00e7a \u00e0 paz.<\/p>\n<p>Depois das elei\u00e7\u00f5es gerais de 2014, ganhas pela Frelimo, a Renamo, na oposi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o aceitou os resultados e proclamou-se vencedora em seis prov\u00edncias (Sofala, Manica, Tete, Zamb\u00e9zia, Nampula e Niassa), que pretende governar \u00e0 for\u00e7a. O seu l\u00edder, Afonso Dhlakama, refugiou-se na serra da Gorongosa mas, \u00abdemocraticamente\u00bb, mant\u00e9m os seus deputados em fun\u00e7\u00f5es no parlamento, em Maputo. H\u00e1 mais de um ano, grupos armados da Renamo, em zonas do centro e do Norte, atacam viaturas civis, comboios de mercadorias, centros de sa\u00fade e postos administrativos, causando mortos e feridos, destruindo bens, dificultando a circula\u00e7\u00e3o em estradas principais, encerrando escolas, deslocando popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00c9 bom lembrar que, anteriormente, desde 1976 e ao longo de 16 anos, a Renamo e Dhlakama, ent\u00e3o armados e financiados pelos regimes racistas da Rod\u00e9sia e da \u00c1frica do Sul, j\u00e1 tinham feito a guerra contra a Rep\u00fablica Popular de Mo\u00e7ambique. O conflito, que provocou um milh\u00e3o de v\u00edtimas e atrasou o desenvolvimento do jovem Estado, chegou ao fim com o Acordo de Paz de Roma, assinado em 1992.<\/p>\n<p>Agora, em Maputo, voltam a sentar-se \u00e0 mesa de negocia\u00e7\u00f5es, em busca da paz, representantes do governo mo\u00e7ambicano e da Renamo, formando uma comiss\u00e3o mista, na presen\u00e7a de mediadores internacionais. Um deles, Mario Raffaelli, diplomata e ex-governante italiano, j\u00e1 tinha participado nas conversa\u00e7\u00f5es do come\u00e7o dos anos 90. Tamb\u00e9m a Comunidade de Santo Eg\u00eddio, pr\u00f3xima do Vaticano, que teve um papel importante no processo que culminou com o acordo de Roma, est\u00e1 de novo presente.<\/p>\n<p>Tr\u00e9gua imediata<\/p>\n<p>Na capital mo\u00e7ambicana, os trabalhos dos negociadores do di\u00e1logo pol\u00edtico foram interrompidos at\u00e9 12 de Setembro. Os mediadores propuseram a cessa\u00e7\u00e3o imediata das hostilidades armadas e querem um encontro directo com Dhlakama.<\/p>\n<p>Ambas as partes concordaram com a tr\u00e9gua e v\u00e3o estudar a cria\u00e7\u00e3o de um \u00abcorredor desmilitarizado\u00bb, mas a Renamo pretende que o governo retire as tropas estacionadas na serra da Gorongosa, cercando a zona onde se refugia o seu l\u00edder. A exig\u00eancia foi rejeitada e o presidente Filipe Nyusi declarou que as For\u00e7as de Defesa e Seguran\u00e7a n\u00e3o v\u00e3o recuar. E voltou a acusar a Renamo de actos de viol\u00eancia contra civis em diversos pontos do pa\u00eds, minando o desenvolvimento econ\u00f3mico e social dos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>Nyusi tem levado a cabo intensa actividade diplom\u00e1tica \u2013 esteve em Nairobi, na confer\u00eancia econ\u00f3mica entre o Jap\u00e3o e a \u00c1frica, assistiu em Mbabane, capital da Suazil\u00e2ndia, \u00e0 36.\u00aa cimeira da Comunidade de Desenvolvimento da \u00c1frica Austral (SADC) e, em Setembro, vai \u00e0 Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas, em Nova Iorque.<\/p>\n<p>Segundo a imprensa de Maputo, a suspens\u00e3o de todas as hostilidades militares, quando entrar em vigor, implicar\u00e1 a chegada de observadores internacionais, que ser\u00e3o colocados em zonas onde t\u00eam ocorrido ac\u00e7\u00f5es armadas.<\/p>\n<p>Um passo em frente nas negocia\u00e7\u00f5es pode ter sido a constitui\u00e7\u00e3o de uma subcomiss\u00e3o que est\u00e1 a preparar um pacote legislativo com propostas de descentraliza\u00e7\u00e3o administrativa, a submeter, se aprovado pelas duas partes, ao parlamento.<\/p>\n<p>Outros dois pontos da agenda de negocia\u00e7\u00f5es, ainda n\u00e3o abordados, s\u00e3o a \u00abdespartidariza\u00e7\u00e3o\u00bb das for\u00e7as armadas e de seguran\u00e7a e o desarmamento dos bandos da Renamo.<\/p>\n<p>Apesar das dificuldades, o povo mo\u00e7ambicano, o seu governo e as suas for\u00e7as democr\u00e1ticas saber\u00e3o encontrar, sem inger\u00eancias externas, os caminhos da paz, da consolida\u00e7\u00e3o da unidade nacional, do refor\u00e7o da independ\u00eancia, do progresso e da justi\u00e7a social. Contando, como sempre, com a solidariedade fraterna dos seus verdadeiros amigos.<\/p>\n<p>Este artigo foi publicado pelo jornal Avante! em 1de Setembro de 2016<\/p>\n<p>http:\/\/www.odiario.info\/a-luta -pela-paz-em-mocambique\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Carlos Lopes Pereira Neste artigo Carlos Lopes Pereira ilumina a complexa situa\u00e7\u00e3o existente em Mo\u00e7ambique. 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