{"id":12176,"date":"2016-09-25T00:15:40","date_gmt":"2016-09-25T03:15:40","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=12176"},"modified":"2016-10-18T13:25:12","modified_gmt":"2016-10-18T16:25:12","slug":"o-capitalismo-dracula","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/12176","title":{"rendered":"O capitalismo Dr\u00e1cula"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/resistir.info\/beinstein\/imagens\/goya_saturn_son.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/><b>\u2013 &#8220;Os p\u00f3los financeiros disciplinam os estados que por sua vez disciplinam os trabalhadores&#8221;<\/b><\/p>\n<p><b>por Jorge Beinstein*<br \/>\nentrevistado por Red Roja <\/b><\/p>\n<p><b>RR: Ap\u00f3s quase uma d\u00e9cada de crise, como v\u00ea a sa\u00fade do capitalismo e da sua tentativa de reverter a queda da taxa de lucro?<\/b><!--more--><\/p>\n<p>JB: Na realidade a crise do sistema come\u00e7ou muito antes de 2008 \u2013 ter\u00edamos que retroceder at\u00e9 os anos 1970 ou, como assinalava Mandel, para fins dos anos 1960. A partir desse per\u00edodo come\u00e7ou a descer tendencialmente a taxa de crescimento real do Produto Global Bruto, processo motorizado pela desacelera\u00e7\u00e3o das grandes economias centrais como as dos Estados Unidos, Jap\u00e3o, Inglaterra ou Alemanha (neste momento Alemanha Federal) e tamb\u00e9m a expandir-se a chamada financiariza\u00e7\u00e3o do capitalismo.<\/p>\n<p>O ano de 2008 foi um ponto de inflex\u00e3o que assinalou o esgotamento da financiariza\u00e7\u00e3o que fora a droga dinamizadora do capitalismo, seu euforizante e ao mesmo tempo seu parasita. Se tomarmos o caso dos &#8220;produtos financeiros derivados&#8221;, a espinha dorsal do sistema financeiro (em consequentemente do capitalismo mundial), constatamos que pelo ano 2000 chegavam aproximadamente aos 100 milh\u00f5es de milh\u00f5es de d\u00f3lares, equivalentes a umas tr\u00eas vezes o Produto Global Bruto; em 2008 atingiam os 685 milh\u00f5es de milh\u00f5es, quase umas 11 vezes do PGB. Mas nesse ano verificou-se a grande crise financeira e a massa nominal de derivados deixou de crescer, manteve-se numa esp\u00e9cie de estagna\u00e7\u00e3o inst\u00e1vel. Em Dezembro de 2013 chegavam aos 710 milh\u00f5es de milh\u00f5es (umas 9 vezes o PGB) e em 2014 come\u00e7ou o desinchar: por alturas de Dezembro de 2015 haviam ca\u00eddo para uns 490 milh\u00f5es de milh\u00f5es de d\u00f3lares (seis vezes o PGB). Em apenas dois anos evaporaram-se 230 milh\u00f5es de milh\u00f5es de d\u00f3lares, que representaram algo menos de tr\u00eas vezes o PGB de 2015 <a href=\"http:\/\/resistir.info\/beinstein\/entrev_17set16.html#notas\">[NR]<\/a> . O desinchar dessa hiperbolha, na realidade a m\u00e3e de todas as bolhas, golpeou duramente os pre\u00e7os e os investimentos. As economias centrais estancaram-se, tiveram crescimentos baixos ou entraram em recess\u00e3o.<\/p>\n<p>Como sabemos, em 2014 verificou-se a queda dos pre\u00e7os das mat\u00e9rias-primas e a generaliza\u00e7\u00e3o do que costuma ser qualificado como crise deflacion\u00e1ria global. O motor financeiro deixou de cumprir o papel euforizante e passou a ser um factor depressivo que empurra para baixo o conjunto do capitalismo. Neste ano de 2016 a situa\u00e7\u00e3o piorou e certamente vai-se agravar proximamente, numerosos sinais assim o indicam.<\/p>\n<p>Quando se olha com mais profundidade percebe-se que por baixo do fen\u00f3meno, desde os anos 1970 at\u00e9 hoje, surge o acentuar da tend\u00eancia para o decl\u00ednio da taxa de lucro que de maneira irregular, com algumas melhoras ef\u00e9meras seguidas por fortes quedas, vai encurralando um sistema enfermo. As melhoras passageiras dessa taxa foram obtidas principalmente gra\u00e7as \u00e0 maior explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e\/ou \u00e0 depreda\u00e7\u00e3o dos recursos naturais da periferia. Exemplo: a entrada no mercado capitalista mundial de milh\u00f5es de oper\u00e1rios industriais chineses e de outras zonas da periferia permitiu \u00e0s grandes empresas deslocalizar suas instala\u00e7\u00f5es e assim produzir com sal\u00e1rios reduzidos. Gra\u00e7as \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o de tecnologias mineiras e agr\u00edcolas altamente destrutivas do meio ambiente as economias imperialistas obtiveram mat\u00e9rias-primas baratas (e super lucros). Vemos ent\u00e3o como a curva representativa da taxa de lucro deixava de cair e at\u00e9 subia durante alguns per\u00edodos entre os anos 1980 e 2000. Mas esses rem\u00e9dios n\u00e3o conseguiram superar o problema e no s\u00e9culo actual a traject\u00f3ria em baixa \u00e9 irresist\u00edvel.<\/p>\n<p>Agora encontramo-nos diante da tentativa sinistra de travar essa descida acentuando ao extremo o saqueio de recursos naturais e submetendo centenas de milh\u00f5es de trabalhadores \u00e0 super-explora\u00e7\u00e3o. Para conseguir esses objectivos \u00e9 empregue uma variedade de instrumentos que v\u00e3o desde as interven\u00e7\u00f5es militares directas e os chamados golpes suaves at\u00e9 a imposi\u00e7\u00e3o autorit\u00e1ria por parte de governos pseudo democr\u00e1ticos de planos econ\u00f3micos que produzem desemprego e quedas dos sal\u00e1rios reais. Mas ao por em andamento esses rem\u00e9dios agravam a crise do sistema, estendem o caos, expandem os espa\u00e7os sociais ingovern\u00e1veis, deterioram as institui\u00e7\u00f5es burguesas. Pretendem afastar o desastre mas na realidade ampliam-no.<\/p>\n<p><b>RR: Que papel desempenha a d\u00edvida como elemento disciplinador? Por que devemos reclamar seu n\u00e3o pagamento? <\/b><\/p>\n<p>JB: O endividamento estatal e privado foi um grande dinamizador do capitalismo a partir das \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo passado. Em pa\u00edses como os Estados Unidos o grosso dos sal\u00e1rios crescia muito pouco, estagnavam e em alguns ca\u00edam \u2013 mas o cr\u00e9dito permitia manter o consumo. O Estado podia continuar a gastar em guerra ou obras p\u00fablicas, aumentando sua d\u00edvida. E as d\u00edvidas cresceram cada vez mais at\u00e9 que atingiram o tecto. Em 2008 verificou-se o descalabro financeiro porque uma massa significativa de devedores privados n\u00e3o podia continuar a pagar e explodiu a bolha imobili\u00e1ria. O ciclo de crescimentos com base em d\u00edvidas esgotou-se e iniciou-se um ciclo oposto de estancamentos, recess\u00f5es e crescimentos an\u00e9micos. Antes o endividamento era um mecanismo que permitir crescer desacelerando sal\u00e1rios. Agora surge como um factor que imp\u00f5e restri\u00e7\u00f5es de gastos sociais do estado, redu\u00e7\u00f5es salariais reais e aumento do desemprego. Os p\u00f3los financeiros disciplinam os estados que por sua vez disciplinam os trabalhadores.<\/p>\n<p>Mas quanto tempo pode durar essa degrada\u00e7\u00e3o? N\u00e3o muito mais. A referida deteriora\u00e7\u00e3o a m\u00e9dio prazo torna as sociedades ingovern\u00e1veis. A decad\u00eancia do sistema generaliza-se, j\u00e1 n\u00e3o afecta apenas as suas estruturas econ\u00f3micas mas tamb\u00e9m as suas reprodu\u00e7\u00f5es institucionais, ideol\u00f3gicas, pol\u00edticas, etc. As super d\u00edvidas, dados os seus volumes, s\u00e3o impag\u00e1veis, s\u00f3 podem ser atendidas com mais d\u00edvidas que por sua vez provoca mais estancamento econ\u00f3mico e desintegra\u00e7\u00e3o social. N\u00e3o existe a f\u00f3rmula m\u00e1gica capaz de resolver o problema preservando o funcionamento do sistema. E isto por uma raz\u00e3o muito simples: a super-d\u00edvida n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o a express\u00e3o da decad\u00eancia do sistema, n\u00e3o \u00e9 a sua causa e sim o seu resultado, \u00e9 um dos seus efeitos vis\u00edveis.<\/p>\n<p>Como demonstrou o caso grego, onde o governo &#8220;progressista&#8221; propunha continuar a pagar &#8220;de outra maneira&#8221; e melhorar a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica geral, o sistema n\u00e3o oferece essa possibilidade. E n\u00e3o pagar a d\u00edvida significa romper com o sistema, com o centro financeiro de um capitalismo global completamente financiarizado. Para os progressistas fazer isso seria &#8220;irracional&#8221;, seria apartarem-se do &#8220;mundo&#8221;, pelo que aceitam a irracionalidade profunda do sistema que nos est\u00e1 a levar ao desastre. Tamb\u00e9m identificam o &#8220;mundo&#8221; com as elites dominantes. Em suma, pagar e pagar empobrecendo-se cada vez mais quando \u00e9 perfeitamente poss\u00edvel melhorar as condi\u00e7\u00f5es de vida da maioria da popula\u00e7\u00e3o dados os recursos t\u00e9cnicos dispon\u00edveis \u2013 desde que saquemos de cima o parasitismo, ou seja o sistema, ou seja o capitalismo tal qual existe na realidade. O que existe na realidade nada tem a ver com os capitalismos imagin\u00e1rios que nos prop\u00f5em progressistas e conservadores simp\u00e1ticos.<\/p>\n<p><b>RR: O que opina da acentua\u00e7\u00e3o das contradi\u00e7\u00f5es inter-imperialistas entre EUA, Alemanha, R\u00fassia, China, &#8230;? <\/b><\/p>\n<p>JB: Como assinalei antes, o capitalismo central \u2013 basicamente as economias dirigentes da Uni\u00e3o Europeia mais os EUA e o Jap\u00e3o \u2013 precisa saquear a periferia para travar, ainda que seja durante algum tempo, sua decad\u00eancia econ\u00f3mica. Trata-se de uma mega estrat\u00e9gia imperialista global, agora em curso. Quando falo de periferia estendo o conceito tradicional n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 R\u00fassia e \u00e0 China como tamb\u00e9m \u00e0s economias submetidas da Europa centro-oriental e do sul.<\/p>\n<p>Mas essa grande ofensiva imperialista desencadeada com o derrube da URSS terminou por se atolar na \u00c1sia. Pior ainda: o pr\u00f3prio mecanismo de reprodu\u00e7\u00e3o global do sistema, ao fomentar o desenvolvimento capitalista subordinado da China, contribuiu de maneira decisiva para a cria\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es que possibilitar\u00e3o a ascens\u00e3o e consolida\u00e7\u00e3o de uma classe dirigente que \u00e9 uma combina\u00e7\u00e3o de burgueses e altos burocratas civis e militares, a qual foi ganhando uma crescente autonomia pol\u00edtica, econ\u00f3mica e tecnol\u00f3gica. Um capitalismo de Estado com tra\u00e7os estruturais e culturais muito surpreendentes que conforma a segunda pot\u00eancia econ\u00f3mica do planeta e agora tamb\u00e9m cient\u00edfico-tecnol\u00f3gica. Segundo a National Science Foundation, em 2016 os Estados Unidos gastaram em Investiga\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento 27% do total global, seguidos pela China com 20%. E entre 2009 e 2013, enquanto os EUA incrementaram 7% suas despesas de I+D, a China o fez em 78%. Extrapolando esses ritmos, por volta de meados da pr\u00f3xima d\u00e9cada a China passaria a ser a primeira pot\u00eancia cient\u00edfico-tecnol\u00f3gica do planeta. Em termos reais talvez o seja antes, uma vez que os gastos estado-unidenses s\u00e3o realizados sobre um aparelho cient\u00edfico velho, praguejado de zonas cinzentas, burocracias, etc ao passo que os gastos chineses aplicam-se a um aparelho jovem, muito din\u00e2mico, em r\u00e1pida expans\u00e3o.<\/p>\n<p>No caso russo, aqueles que nos anos 1990 prognosticavam a desintegra\u00e7\u00e3o da R\u00fassia conforme o que havia acontecido com a URSS equivocaram-se completamente. O Estado e em especial seu componente industrial-cient\u00edfico-militar recomp\u00f4s-se, o n\u00facleo duro das elites dirigentes aproveitou o auge das exporta\u00e7\u00f5es energ\u00e9ticas, recuperou tradi\u00e7\u00f5es nacionalistas que haviam atravessado (e deformado) a URSS e que remontam \u00e0s pr\u00f3prias origens da identidade russa que n\u00e3o podem ser assumidas sem integrar \u00e0s gl\u00f3rias do s\u00e9culo XX. Exemplo: a vit\u00f3ria sovi\u00e9tica sobre o nazismo que custou ao pa\u00eds 27 milh\u00f5es de mortos, o maior sacrif\u00edcio militar de um povo ao longo de toda a hist\u00f3ria humana. Isso n\u00e3o se apaga facilmente. Tamb\u00e9m ali forjou-se um capitalismo de Estado que se foi autonomizando.<\/p>\n<p>Em ambos os casos o que n\u00e3o devemos fazer \u00e9 cair no reducionismo econ\u00f3mico. \u00c9 necess\u00e1rio ampliar a vis\u00e3o ao conjunto da hist\u00f3ria das referidas na\u00e7\u00f5es. Desse modo podemos chegar a entender tanto as suas resist\u00eancias \u00e0 hegemonia ocidental como suas numerosas contradi\u00e7\u00f5es e debilidades.<\/p>\n<p>Ambos os capitalismos dependem das suas exporta\u00e7\u00f5es \u00e0s grandes pot\u00eancias tradicionais. Existem complexos la\u00e7os financeiros globais a que est\u00e3o atados, mas existe tamb\u00e9m a amea\u00e7a dos Estados Unidos, suas agress\u00f5es, pretendendo coloniz\u00e1-los. Alguns analistas simplificadores previam h\u00e1 alguns anos que jamais ocorreriam confronta\u00e7\u00f5es militares dos Estados Unidos com a R\u00fassia ou a China. Diziam isso assinalando que a globaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica havia engendrado uma esp\u00e9cie de trama burguesa transnacional que sobre determinava o comportamento dos grandes estados cujas rivalidades passavam ent\u00e3o a um segundo plano. Certas pessoas pensavam algo semelhante antes da Primeira Guerra Mundial quando vislumbravam a instala\u00e7\u00e3o de uma super burguesia mundial acima dos estados. Mas a guerra chegou, desmentindo essa fantasia.<\/p>\n<p>Em s\u00edntese: integra\u00e7\u00f5es, interdepend\u00eancias de todo tipo entre grandes pot\u00eancias, mas ao mesmo tempo rivalidades, guerras.<\/p>\n<p><b>RR: Que papel desempenha a guerra imperialista hoje? Est\u00e1 o capitalismo na sua etapa senil? <\/b><\/p>\n<p>JB: A guerra, o aparelho militar, seus prolongamentos industriais e financeiros, suas articula\u00e7\u00f5es mafiosas, constitui actualmente o n\u00facleo central das elites dominantes dos Estados Unidos que formam um conglomerado de redes muito concentradas voltadas maioritariamente para pr\u00e1ticas parasit\u00e1rias. Parasitismo, imperialismo e militarismo s\u00e3o conceitos decisivos quando se trata de descrever o comportamento do imp\u00e9rio. Estes tra\u00e7os do amo explicam por sua vez a din\u00e2mica dos seus s\u00f3cios-vassalos (Alemanha, Fran\u00e7a, Jap\u00e3o, etc).<\/p>\n<p>Os capitalismos centrais tradicionais para sobreviver necessitam \u2013 assim como Dr\u00e1cula precisava de sangue e mais sangue \u2013 de super-explorar os recursos naturais e massas trabalhadoras da periferia, o que o converte numa gigantesca for\u00e7a <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/T%C3%A2nato\" target=\"_new\"> tan\u00e1tica<\/a> de alcance planet\u00e1rio.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos, apoiado em certos casos por outras pot\u00eancias ocidentais, destruiu pa\u00edses como o Afeganist\u00e3o, Iraque, L\u00edbia ou S\u00edria, tenta cercar militarmente a R\u00fassia, afundar a sua economia, est\u00e1 come\u00e7ando a fustigar militarmente a China, encontra-se embarcado na recoloniza\u00e7\u00e3o integral da Am\u00e9rica Latina \u00e0 qual reserva um destino mexicano.<\/p>\n<p>Trata-se da guerra dos Estados Unidos e seus s\u00f3cios vassalos contra o resto do mundo, &#8220;guerra de quarta gera\u00e7\u00e3o&#8221; que combina uma ampla variedade de formas (militar convencional, medi\u00e1tica, financeira, etc) cujo objectivo final \u00e9 a transforma\u00e7\u00e3o desses &#8220;resto do mundo&#8221; numa vasta zona cinzenta, como semi-estados falidos, sociedades desarticuladas, ca\u00f3ticas, indefesas perante o saqueio desmesurado.<\/p>\n<p>Mas querer n\u00e3o \u00e9 poder, ainda mais quando as retaguardas imperialistas, seus espa\u00e7os nacionais, se encontram em franca decad\u00eancia. Suas economias crescem cada vez menos. Algumas delas j\u00e1 est\u00e3o em recess\u00e3o e sem possibilidades de recupera\u00e7\u00e3o, armadilhadas por suas tramas parasit\u00e1rias. Nesse sentido o conceito de senilidade \u00e9 sumamente \u00fatil para entender o que est\u00e1 a acontecer, tanto do ponto de vista produtivo-tecnol\u00f3gico como ideol\u00f3gico. A proximidade da morte, a perda de vitalidade, n\u00e3o promovem a resigna\u00e7\u00e3o serena do velho cr\u00e1pula e sim a sua irracionalidade, sua tentativa desesperada de conservar o existente e inclusive aumentar seus privil\u00e9gios. \u00c0 medida que avan\u00e7a a perda de vitalidade exacerbam-se seus del\u00edrios. A RAND Corporation, a mais importante consultora norte-americana em temas militares, acaba de publicar um estudo onde se desenvolvem cen\u00e1rios de uma hipot\u00e9tica guerra entre os Estados Unidos e a China. Ali se medem poss\u00edveis &#8220;perdas&#8221; de cada contendor, etc. Circulam documentos semelhantes quanto a uma eventual guerra com a R\u00fassia.<\/p>\n<p><b>RR: Acredita que o capitalismo possa &#8220;reformar-se&#8221;, como sustenta a social-democracia? <\/b><\/p>\n<p>JB: A reforma produtivista e social do capitalismo, como apregoa a social-democracia, \u00e9 na melhor das hip\u00f3teses uma simples express\u00e3o de desejos. Na realidade trata-se de um engano que oculta a natureza real do capitalismo tal como existe hoje. Para alcan\u00e7ar esse suposto capitalismo com rosto humano seria necess\u00e1rio erradicar seus centros financeiros hegem\u00f3nicos. Dito de outra maneira, para salvar o enfermo seria preciso extirpar seu cora\u00e7\u00e3o e seu c\u00e9rebro para a seguir melhorar o que restasse. O capitalismo do s\u00e9culo XXI est\u00e1 completamente financiarizado e esse facto \u00e9 o resultado de um longo processo hist\u00f3rico de car\u00e1cter global, n\u00e3o efeito indesejado de um desvio revers\u00edvel. \u00c9 o resultado do prolongado decl\u00ednio tendencial da taxa de lucro e em consequ\u00eancia da irrup\u00e7\u00e3o do seu salva-vidas financeiro, do achatamento dos investimentos produtivos, dos modelos tecnol\u00f3gicos centrados na depreda\u00e7\u00e3o de recursos naturais e na poupan\u00e7a de custos laborais.<\/p>\n<p>O capitalismo s\u00f3 nos oferecer viver cada vez pior, n\u00e3o tem outra possibilidade, n\u00e3o pode reproduzir-se como sistema global sem aumentar seu parasitismo e, em consequ\u00eancia, a super-explora\u00e7\u00e3o das suas v\u00edtimas \u00e0s quais a marcha da hist\u00f3ria vai conduzindo a dois cen\u00e1rios contrapostos: o da insurg\u00eancia anti-capitalista e o da degrada\u00e7\u00e3o prolongada.<\/p>\n<p>&lt;17\/Setembro\/2016<\/p>\n<p>[NR] A categoria marxista que designa o fen\u00f3meno assinalado \u00e9 &#8220;capital fict\u00edcio&#8221;. Ver <a href=\"http:\/\/resistir.info\/crise\/capital_ficticio2.html\" target=\"_new\"> Capital fict\u00edcio<\/a> .<\/p>\n<p>*Doutorado de Estado em Ci\u00eancias Econ\u00f3micas (Fran\u00e7a), especialista em progn\u00f3sticos econ\u00f3micos. Foi consultor de organismos internacionais e de governos, dirigiu numerosos programas de investiga\u00e7\u00e3o e foi titular de c\u00e1tedras de econom\u00eda internacional e prospectiva tanto na Europa como na Am\u00e9rica Latina. \u00c9 professor titular das c\u00e1tedras livres &#8220;Globaliza\u00e7\u00e3o e Crise&#8221; nas Universidades de Buenos Aires e C\u00f3rdoba (Argentina) e de La Habana (Cuba), e Director do Centro de Prospectiva y Gesti\u00f3n de Sistemas (Cepros). Sua p\u00e1gina web \u00e9 <a href=\"http:\/\/beinstein.lahaine.org\" target=\"_new\"> beinstein.lahaine.org\/<\/a><\/p>\n<p>O original encontra-se em <a href=\"http:\/\/beinstein.lahaine.org\/?p=537\" target=\"_new\"> beinstein.lahaine.org\/?p=537<\/a><\/p>\n<p>Este artigo encontra-se em <a href=\"http:\/\/resistir.info\/\" target=\"_new\"> http:\/\/resistir.info\/<\/a><\/p>\n<p>http:\/\/resistir.info\/beinstein\/entrev_17set16.html<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u2013 &#8220;Os p\u00f3los financeiros disciplinam os estados que por sua vez disciplinam os trabalhadores&#8221; por Jorge Beinstein* entrevistado por Red Roja RR: Ap\u00f3s \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/12176\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":true,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-12176","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s10-internacional"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3ao","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12176","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12176"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12176\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12176"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12176"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12176"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}