{"id":1218,"date":"2011-02-16T14:31:45","date_gmt":"2011-02-16T14:31:45","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1218"},"modified":"2011-02-16T14:31:45","modified_gmt":"2011-02-16T14:31:45","slug":"parem-o-massacre-no-haiti","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1218","title":{"rendered":"Parem o massacre no Haiti!"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Na mesma semana em que se comemora no Haiti a festa nacional Jean Jacques Dessalines (17\/10) \u2013 um dos l\u00edderes da independ\u00eancia da primeira rep\u00fablica negra (1804) \u2013 a ONU renova a perman\u00eancia das tropas militares no pa\u00eds por mais 1 ano.<\/em><\/p>\n<p>Quando se fala sobre o Haiti, grande parte dos brasileiros logo lembra da can\u00e7\u00e3o de Gil e Caetano. Aquela que faz uma analogia: \u201cO Haiti \u00e9 aqui!\u201d. Mas poucos sabem que j\u00e1 h\u00e1 mais de 4 anos essa analogia tem se tornado assustadoramente cada vez mais real. N\u00e3o que o Brasil tenha ficado mais parecido \u2013 do que j\u00e1 \u00e9 em alguns aspectos e em certas regi\u00f5es \u2013 com o Haiti. Mas sim que nas favelas do Haiti, como nas do Brasil, homens, mulheres e crian\u00e7as t\u00eam sido atingidos por balas perdidas \u2013 e outras nem t\u00e3o \u201cperdidas\u201d assim \u2013 disparadas por armas nas m\u00e3os de um agente comum: o soldado brasileiro!<\/p>\n<p>\u00c9&#8230; isso mesmo! As for\u00e7as armadas brasileiras, o ex\u00e9rcito verde e amarelo \u2013 anos depois de a luta do povo trabalhador brasileiro ter enterrado a ditadura militar \u2013 est\u00e1 reprimindo e assassinando o povo irm\u00e3o do pa\u00eds mais pobre das Am\u00e9ricas. E o mais assombroso: quem enviou as tropas pra l\u00e1, a mando de Bush, foi o companheiro presidente Lula!<\/p>\n<p>Alguns argumentam que se trata de uma \u201cmiss\u00e3o de paz\u201d da ONU. Mas a verdade \u00e9 outra. Iniciada a partir de um golpe militar no qual tropas estadunidenses raptaram o ent\u00e3o presidente eleito do Haiti, a MINUSTAH (Miss\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas pela Estabiliza\u00e7\u00e3o no Haiti) nada mais \u00e9 do que uma ocupa\u00e7\u00e3o militar repressora que impede o povo haitiano de se manifestar e de lutar por melhores condi\u00e7\u00f5es de vida, por mudan\u00e7as, garantindo assim o controle do imperialismo na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim como planejou e financiou ditaduras militares em toda a Am\u00e9rica Latina nas d\u00e9cadas seguintes \u00e0 2\u00aa Guerra Mundial para conter o avan\u00e7o das id\u00e9ias socialistas e reprimir o movimento oper\u00e1rio, agora o imperialismo do \u201cTio Sam\u201d utiliza for\u00e7as armadas de diversos pa\u00edses \u2013 principalmente do Brasil \u2013 para fincar suas garras na ilha da Am\u00e9rica Central cuja hist\u00f3ria de luta do seu povo j\u00e1 foi exemplo para os povos oprimidos de todo o continente.<\/p>\n<table border=\"0\" width=\"200\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"170\" bgcolor=\"#f1f1f1\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.marxismo.org.br\/uploads\/218102008022343.jpg?w=170\" border=\"0\" alt=\"imagem\"  align=\"left\" \/><em>Cr\u00e9dito: <a href=\"http:\/\/www.marxismo.org.br\/index.php?pg=artigos_detalhar&amp;artigo=230\" target=\"_blank\">Esquerda Marxista<\/a><\/em><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><a href=\"http:\/\/video.google.com\/videoplay?docid=-6353604084333423510\" target=\"_blank\"><strong>Clique aqui e assista a um v\u00eddeo de 2007 que mostra a a\u00e7\u00e3o assassina das tropas da ONU comandadas pelo Brasil no Haiti.<\/strong><\/a><\/p>\n<p>Se pud\u00e9ssemos retroceder no tempo e contar isso ao Lula sindicalista, aquele do final da d\u00e9cada de 70, que foi preso pela ditadura, qual seria sua rea\u00e7\u00e3o? Nos EUA, o povo americano j\u00e1 se habituou a exigir: \u201cSr. Presidente, traga os soldados pra casa!\u201d. Uma pot\u00eancia imperialista como os EUA precisa promover guerras o tempo todo para defender os interesses econ\u00f4micos dos capitalistas. Mas quem imaginaria o povo brasileiro tendo que exigir a mesma coisa daquele que foi eleito justamente para defender os interesses dos trabalhadores? A frase: \u201cLula, traga os soldados pra casa!\u201d parece vinda de um pesadelo de mau gosto! Pois \u00e9&#8230; a hist\u00f3ria d\u00e1 voltas e tudo pode se transformar em seu contr\u00e1rio!<\/p>\n<p>As ra\u00edzes da hist\u00f3rica luta do povo haitiano<\/p>\n<p>H\u00e1 mais de 5 s\u00e9culos, com a chegada dos europeus \u00e0 Am\u00e9rica, a segunda maior ilha do Caribe que era chamada de <em>Ayiti<\/em> ou <em>Quisqueya<\/em> pelos \u00edndios, foi batizada de <em>Hispaniola<\/em> por Crist\u00f3v\u00e3o Colombo, que estabeleceu ali, em 1493, a primeira col\u00f4nia na Am\u00e9rica. Depois do genoc\u00eddio que em menos de duas d\u00e9cadas reduziu a popula\u00e7\u00e3o nativa a 12% dos cerca de 500 mil ind\u00edgenas que habitavam a ilha, os espanh\u00f3is levaram quase todo o ouro. \u00c0 medida que os espanh\u00f3is abandonavam parte do territ\u00f3rio onde o ouro ficava escasso, os franceses come\u00e7avam a ocup\u00e1-lo pelo norte da ilha. At\u00e9 que em 1697, os espanh\u00f3is reconhecem a parte ocidental da ilha como col\u00f4nia da Fran\u00e7a e os franceses a batizam de S\u00e3o Domingos (<em>Saint-Domingue<\/em>). Quase sem ouro, os colonizadores franceses apostam na cana-de-a\u00e7\u00facar e no caf\u00e9 produzidos com m\u00e3o-de-obra de escravos trazidos da \u00c1frica.<\/p>\n<p>S\u00e3o Domingos torna-se uma pot\u00eancia produtora de a\u00e7\u00facar e fonte de alt\u00edssimos lucros para o tr\u00e1fico negreiro. Foi a col\u00f4nia francesa mais pr\u00f3spera na Am\u00e9rica e o a\u00e7\u00facar de boa qualidade concorria com o que era produzido no Brasil. J\u00e1 pouco antes de 1770 a col\u00f4nia exportava 35 mil toneladas de a\u00e7\u00facar bruto e 25 mil toneladas de a\u00e7\u00facar branco ao ano. Entre 1764 e 1771, a m\u00e9dia anual era de 10 mil novos escravos comprados, trazidos pelos navios. No fim dos anos 1780, a produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar quase dobrou na ilha e de 1787 em diante, eram mais de 40 mil novos escravos comprados por ano! A pequena ilha foi \u201ccolonizada\u201d com escravos africanos. E estes recebiam o pior tratamento imagin\u00e1vel por parte de seus \u201cdonos\u201d franceses.<\/p>\n<table border=\"0\" width=\"200\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"170\" bgcolor=\"#f1f1f1\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.marxismo.org.br\/uploads\/218102008022526.jpg?w=170\" border=\"0\" alt=\"imagem\"  align=\"left\" \/><em>Cr\u00e9dito: <a href=\"http:\/\/www.marxismo.org.br\/index.php?pg=artigos_detalhar&amp;artigo=230\" target=\"_blank\">Esquerda Marxista<\/a><\/em><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"padding-left: 60px;\" align=\"justify\"><em>\u201cOs africanos que chegavam escravizados eram sobreviventes: os negros enfrentavam uma viagem transatl\u00e2ntica pela Rota do Meio como cargas selvagens de um traficante. N\u00e3o raro, quase um quarto dos escravos transportados morria dentro dos navios pelas p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de alimenta\u00e7\u00e3o e higiene. Quando chegavam aos portos, eram examinados, comprados e queimados com ferro em brasa em cada lado do peito para identificar seu dono. Os maus tratos que se seguiam estimulavam juras de contra-ataque. Algumas delas eram proferidas nos rituais noturnos de vodu, sincretismo dos rituais africanos com o catolicismo.\u201d<\/em> (Aloisio Milani, <em>Revolu\u00e7\u00e3o Negra<\/em>, Revista Hist\u00f3ria Viva n\u00ba 51, Jan\/2008).<\/p>\n<p>Uma massa numerosa de escravos &#8211; que falavam crioulo e franc\u00eas &#8211; foi colocada a trabalhar em toda a extens\u00e3o da col\u00f4nia (parte ocidental da ilha). Com cargas desumanas de trabalho, torturas e puni\u00e7\u00f5es, os escravos se revoltavam. Assim como no Brasil chegaram a se organizar em quilombos. Aloisio Milani escreve:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\" align=\"justify\"><em>\u201cEm creoule, dan\u00e7avam e gritavam can\u00e7\u00f5es amea\u00e7adoras, registra o escritor Cyril Lionel Robert James. \u2018\u00ca! \u00ca! Bomba! Heu! Heu! Canga, bafio t\u00e9! Canga, maun\u00e9 de l\u00e9! Canga, do ki la! Canga, li!\u2019 A tradu\u00e7\u00e3o seria algo como: \u2018Juramos destruir os brancos e tudo o que possuem; que morramos se falharmos nesta promessa\u2019. Tal qual o Brasil pr\u00e9-abolicionista, tamb\u00e9m havia quilombos organizados nas montanhas haitianas para montar uma resist\u00eancia contra a escravid\u00e3o. O mais temido foi o l\u00edder Mackland. Negro da Guin\u00e9, ele era um vision\u00e1rio, grande orador e se dizia imortal com os poderes do vodu. Tinha seguidores aos montes. Em 1758 planejou envenenar a \u00e1gua das casas dos brancos para libertar os escravos. Foi tra\u00eddo, capturado e queimado vivo.\u201d<\/em> (idem).<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o foram apenas os maus-tratos dos franceses contra os escravos que incentivaram as revoltas. As not\u00edcias da independ\u00eancia dos EUA em 1776 \u2013 inspirada pelas id\u00e9ias iluministas \u2013 e a pr\u00f3pria Revolu\u00e7\u00e3o Francesa em 1789 agitavam o ambiente na ilha caribenha.<\/p>\n<p>Revolu\u00e7\u00e3o Francesa e luta contra a escravid\u00e3o<\/p>\n<p>Em 1789, a burguesia francesa que vinha enriquecendo \u2013 a\u00ed inclu\u00edda a burguesia mar\u00edtima que enriquecia com o tr\u00e1fico de escravos e o com\u00e9rcio do a\u00e7\u00facar de S\u00e3o Domingos \u2013 enfrenta o poder da monarquia e a grande revolu\u00e7\u00e3o eclode na Fran\u00e7a varrendo o feudalismo do mapa. Mas os princ\u00edpios de <em>Liberdade, Igualdade e Fraternidade<\/em> que inspiraram a revolu\u00e7\u00e3o francesa n\u00e3o podiam ser empregados na col\u00f4nia de S\u00e3o Domingos, pois contrariariam os interesses econ\u00f4micos dos senhores de escravos. Os colonos de S\u00e3o Domingos s\u00e3o questionados pelos franceses em plena revolu\u00e7\u00e3o. A partir disto a luta dos escravos de S\u00e3o Domingos se torna intr\u00ednseca \u00e0 luta pela revolu\u00e7\u00e3o na Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a queda da Bastilha, com o desenvolvimento da revolu\u00e7\u00e3o na Fran\u00e7a, em 1790 \u00e9 permitida a institui\u00e7\u00e3o de uma assembl\u00e9ia colonial em S\u00e3o Domingos, dividida entre \u201clatifundi\u00e1rios, brancos pobres, mulatos livres e escravos\u201d. Mas nos debates prevalecia o poder dos latifundi\u00e1rios. S\u00f3 em 1791, na assembl\u00e9ia constituinte da Fran\u00e7a, \u00e9 que foi aprovada a igualdade de direitos entre todas as pessoas em S\u00e3o Domingos.<\/p>\n<table border=\"0\" width=\"200\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"170\" bgcolor=\"#f1f1f1\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.marxismo.org.br\/uploads\/218102008023559.jpg?w=170\" border=\"0\" alt=\"imagem\"  align=\"left\" \/><em>Cr\u00e9dito: <a href=\"http:\/\/www.marxismo.org.br\/index.php?pg=artigos_detalhar&amp;artigo=230\" target=\"_blank\">Esquerda Marxista<\/a><\/em><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>A not\u00edcia da decis\u00e3o chegava aos poucos aos ouvidos dos escravos na ilha. Os latifundi\u00e1rios n\u00e3o a aceitaram e contra-argumentavam que negros e mulatos n\u00e3o eram pessoas e, logo, n\u00e3o podiam ter direitos. Um clima revolucion\u00e1rio percorria todas as fazendas. E foi Boukman \u2013 um capataz e sacerdote de vodu \u2013 que liderou uma revolta que ateou fogo em todas as fazendas da plan\u00edcie do norte de S\u00e3o Domingos, matando os latifundi\u00e1rios.<\/p>\n<p>Os escravos do sul e do leste espanhol da ilha somam-se aos rebeldes. A repress\u00e3o aumenta e Boukman \u00e9 morto em combate, mas a revolta n\u00e3o para! A cada dia aumentava o n\u00famero de insurgentes. Passaram de 100 mil homens e essa quantidade propiciou um salto de qualidade levando a luta a amadurecer e levantar a bandeira pela independ\u00eancia da col\u00f4nia.<\/p>\n<p>Luta pela independ\u00eancia<\/p>\n<p>Depois de Boukman houve outros l\u00edderes, mas o que mais se destacou foi Toussaint L\u2019Ouverture, um ex-escravo que teve acesso \u00e0 literatura pol\u00edtica e se revelou um grande estrategista militar. Ele unificou os grupos de rebeldes e organizou um ex\u00e9rcito capaz de derrotar tropas europ\u00e9ias. Entretanto inclinava-se a conciliar com os latifundi\u00e1rios, que por sua vez, recusavam qualquer acordo de paz. A Fran\u00e7a envia ent\u00e3o 3 comiss\u00e1rios com 6 mil soldados para conter as rebeli\u00f5es dos escravos e resolver a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<table border=\"0\" width=\"200\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"170\" bgcolor=\"#f1f1f1\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.marxismo.org.br\/uploads\/218102008022950.jpg?w=170\" border=\"0\" alt=\"imagem\"  align=\"left\" \/><em>Cr\u00e9dito: <a href=\"http:\/\/www.marxismo.org.br\/index.php?pg=artigos_detalhar&amp;artigo=230\" target=\"_blank\">Esquerda Marxista<\/a><\/em><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Mas, enquanto os comiss\u00e1rios tentavam negociar um acordo, a nova rep\u00fablica francesa declara guerra \u00e0 Inglaterra. A guerra envolve as col\u00f4nias europ\u00e9ias e o ex\u00e9rcito de Toussaint defende a ilha, combatendo tropas francesas, inglesas e espanholas.<\/p>\n<p>Em 1794, a rep\u00fablica francesa declara a aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o em todos os seus territ\u00f3rios e o ex\u00e9rcito de Toussaint, aliado aos franceses, expulsa os ingleses e espanh\u00f3is da ilha (inclusive da parte espanhola). Com isso, Toussaint foi nomeado pela metr\u00f3pole o Chefe do Ex\u00e9rcito de S\u00e3o Domingos. Em 1801, S\u00e3o Domingos proclamou uma Constitui\u00e7\u00e3o, tornando-se prov\u00edncia aut\u00f4noma.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, em 1802, Napole\u00e3o Bonaparte d\u00e1 in\u00edcio \u00e0 sua jornada pela domina\u00e7\u00e3o de tudo e de todos. J\u00e1 com o dom\u00ednio da Louisiana, ao sul dos EUA, viu na ilha de S\u00e3o Domingos um ponto-chave para a expans\u00e3o do imp\u00e9rio franc\u00eas no Novo Mundo e enviou uma armada para retomar o dom\u00ednio da col\u00f4nia: 47 mil homens sob o comando do General LeClerc.<\/p>\n<p>Toussaint combateu as tropas napole\u00f4nicas, mas seu instinto conciliador o traiu de novo: o l\u00edder negro fez um acordo de paz e se deixou levar, preso, at\u00e9 a Fran\u00e7a, na tentativa de negociar. Acabou morto numa pris\u00e3o em Forte Joux, nos Alpes.<\/p>\n<p>Mas a luta pela independ\u00eancia continuou. Os ex-escravos se organizam sob a lideran\u00e7a de Jean Jacques Dessalines e derrotam as tropas napole\u00f4nicas de LeClerc em 28 de Novembro de 1803. No dia 1\u00ba de Janeiro de 1804, Dessalines proclama a independ\u00eancia da col\u00f4nia (da ilha inteira) que passa a se chamar Haiti, em homenagem ao antigo nome ind\u00edgena da ilha que significava \u201cilha de montanhas altas\u201d.<\/p>\n<p>A derrota das tropas francesas fez com que Napole\u00e3o vendesse Louisiana a pre\u00e7os baixos e evitou sua poss\u00edvel expans\u00e3o nas Am\u00e9ricas. Gerou grande impacto no mercado do tr\u00e1fico de escravos e no pre\u00e7o do a\u00e7\u00facar. \u00c9&#8230; a hist\u00f3ria d\u00e1 voltas: a burguesia que tomou o poder na Fran\u00e7a inspirou as revoltas no Haiti; e a revolu\u00e7\u00e3o no Haiti acabou com uma das principais fontes de renda da burguesia francesa.<\/p>\n<p>Exemplo de luta para os povos<\/p>\n<p>A luta do povo haitiano que se desenvolveu de 1791 a 1803 foi e \u00e9 considerada a \u00fanica revolta de escravos bem-sucedida desde a Antiguidade Cl\u00e1ssica. Ganhou grande repercuss\u00e3o no mundo todo e representou um gigantesco ponto de apoio para todos que lutavam contra a escravid\u00e3o. Os senhores de escravos em toda a Am\u00e9rica ficavam preocupados com a repercuss\u00e3o da vitoriosa revolu\u00e7\u00e3o negra. Nos EUA, os propriet\u00e1rios de terra se interessavam mais pelos desenvolvimentos na ilha do caribe do que na guerra entre as pot\u00eancias europ\u00e9ias.<\/p>\n<p>Entre os escravos e abolicionistas o interesse n\u00e3o podia ser menor. No Brasil, h\u00e1 registros de milicianos mulatos no Rio de Janeiro que usavam retratos de Dessalines. Os que lutavam contra a escravid\u00e3o e o racismo passaram a ser rotulados de \u201chaitianistas\u201d por algum tempo no Brasil:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\" align=\"justify\"><em>\u201cNo per\u00edodo da Reg\u00eancia (1831-40), o termo \u2018haitianismo\u2019 foi usado como um ep\u00edteto contra jornais que supostamente representavam os interesses da popula\u00e7\u00e3o de cor livre e abordavam persistentemente a quest\u00e3o racial.\u201d<\/em> (Stuart Schwartz, <em>Segredos Internos \u2013 Engenhos e escravos na sociedade colonial<\/em>).<\/p>\n<p>Dois s\u00e9culos de mais explora\u00e7\u00e3o e repress\u00e3o<\/p>\n<p>Os imperialistas n\u00e3o podiam deixar barato o que os haitianos fizeram. Desde que os ex-escravos derrotaram as tropas napole\u00f4nicas, fazem o povo pagar. O presidente dos EUA Thomas Jefferson (1801 a 1809) \u2013 defensor da liberdade e propriet\u00e1rio de escravos \u2013 disse que do Haiti vinha o mau exemplo e que a peste devia ser confinada naquela ilha!<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\" align=\"justify\"><em>&#8220;Em 1804, herdaram uma terra arrasada pelas devastadoras planta\u00e7\u00f5es de cana-de-a\u00e7\u00facar e um pa\u00eds queimado pela guerra feroz. E herdaram \u201ca d\u00edvida francesa\u201d: a Fran\u00e7a cobrou a humilha\u00e7\u00e3o infringida a Napole\u00e3o Bonaparte. Logo depois de nascer, o Haiti teve que se comprometer a pagar uma indeniza\u00e7\u00e3o gigantesca pelo dano que havia feito libertando-se. Esta expia\u00e7\u00e3o do pecado da liberdade lhe custou 150 milh\u00f5es de francos em ouro. O novo pa\u00eds nasceu estrangulado por essa corda amarrada no pesco\u00e7o: uma fortuna que atualmente equivaleria a 21,7 bilh\u00f5es de d\u00f3lares ou a 44 or\u00e7amentos totais do Haiti de nossos dias. Muito mais de um s\u00e9culo levou o pagamento da d\u00edvida, que os juros de usura iam multiplicando. Em 1938 cumpriu-se, finalmente, a reden\u00e7\u00e3o final. Nesse momento o Haiti j\u00e1 pertencia aos bancos dos Estados Unidos.&#8221;<\/em> (Eduardo Galeano, <em>A Maldi\u00e7\u00e3o Branca<\/em>, 2004).<\/p>\n<table border=\"0\" width=\"200\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"170\" bgcolor=\"#f1f1f1\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.marxismo.org.br\/uploads\/218102008024104.jpg?w=170\" border=\"0\" alt=\"imagem\"  align=\"left\" \/><em>Cr\u00e9dito: <a href=\"http:\/\/www.marxismo.org.br\/index.php?pg=artigos_detalhar&amp;artigo=230\" target=\"_blank\">Esquerda Marxista<\/a><\/em><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Depois da independ\u00eancia de 1804, os habitantes da ilha vivem muitos conflitos. A press\u00e3o externa \u00e9 muito grande. A rep\u00fablica fica inst\u00e1vel. Dessalines se proclama imperador e \u00e9 assassinado em 1806. O pa\u00eds se divide em dois e os espanh\u00f3is retomam o leste da ilha. Conflitos se seguem e em 1822, o presidente da rep\u00fablica do Haiti, Jean-Pierre Boyer, ocupa militarmente o lado espanhol da ilha. Isso s\u00f3 dura at\u00e9 1844 quando este \u00e9 derrubado e \u00e9 declarada a independ\u00eancia da Rep\u00fablica Dominicana (que ocupa dois ter\u00e7os da parte leste da ilha). Em 1861 os espanh\u00f3is retomam o controle do lado leste da ilha e em 1865 \u00e9 proclamada a independ\u00eancia da Rep\u00fablica Dominicana de novo.<\/p>\n<p>O povo haitiano passa por d\u00e9cadas de terr\u00edveis dificuldades econ\u00f4micas. Apesar da d\u00edvida que seguia pagando \u00e0 Fran\u00e7a, o pa\u00eds investe no aumento da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, mas esse processo lhe custa um grande endividamento externo, especialmente com capitais norte-americanos. Essa depend\u00eancia cresceu at\u00e9 o momento em que os EUA, sob a justificativa do n\u00e3o-cumprimento dos contratos, invadem o Haiti em 1915.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\" align=\"justify\"><em>&#8220;A primeira coisa que fizeram foi ocupar a alf\u00e2ndega e o escrit\u00f3rio de arrecada\u00e7\u00e3o de impostos. O ex\u00e9rcito de ocupa\u00e7\u00e3o reteve o sal\u00e1rio do presidente haitiano at\u00e9 que se resignou a assinar a liquida\u00e7\u00e3o do Banco da Na\u00e7\u00e3o, que se converteu em sucursal do City Bank de Nova York. O presidente e todos os demais negros tinham a entrada proibida nos hot\u00e9is, restaurantes e clubes exclusivos do poder estrangeiro. Os ocupantes n\u00e3o se atreveram a restabelecer a escravid\u00e3o, mas impuseram o trabalho for\u00e7ado para as obras p\u00fablicas. E mataram muito. N\u00e3o foi f\u00e1cil apagar o fogo da resist\u00eancia. O l\u00edder guerrilheiro, Charlemagne P\u00e9ralte, foi pregado em cruz em uma porta e exibido em pra\u00e7a p\u00fablica como advert\u00eancia.&#8221;<\/em> (idem).<\/p>\n<p>O saldo do regime militar sob comando estadunidense que durou at\u00e9 1934 \u00e9 de mais de 10 mil haitianos mortos. A partir da d\u00e9cada de 30 o imperialismo estadunidense trata as ilhas da Am\u00e9rica Central como quintal de explora\u00e7\u00e3o de m\u00e3o-de-obra barata, contrabando e prostitui\u00e7\u00e3o. Mesmo depois de 1934, a influ\u00eancia norte-americana continuava forte no Haiti. Apesar da sa\u00edda militar do pa\u00eds, mantiveram uma pol\u00edcia nacional fiel \u00e0s suas ordens.<\/p>\n<p>At\u00e9 que, ap\u00f3s sucessivos golpes militares, em 1957, Fran\u00e7ois Duvalier \u2013 um m\u00e9dico mais conhecido como Papa Doc \u2013 assumiu a presid\u00eancia sob o apadrinhamento dos EUA e implantou novo regime de terror massacrando todos que se contrapunham \u00e0 sua vontade. A oposi\u00e7\u00e3o que sobrou era nitidamente controlada por Papa Doc.<\/p>\n<p>Na mesma \u00e9poca em que a ilha vizinha, Cuba, passava por uma revolu\u00e7\u00e3o liderada por Fidel Castro e Che Guevara, Papa Doc reprimia qualquer manifesta\u00e7\u00e3o do povo haitiano. Treinou mil\u00edcias armadas chamadas de <em>Tontons Macoutes<\/em> (Bichos-Pap\u00f5es), que promoviam chacinas, abusos sexuais e controlavam o contrabando de armas e tr\u00e1fico de drogas na regi\u00e3o. Um regime cruel com o povo pobre e submisso aos interesses do imperialismo estadunidense.<\/p>\n<p>Assim como no Brasil, na d\u00e9cada de 60, muitos haitianos de esquerda se organizam na igreja cat\u00f3lica. Nessa \u00e9poca Papa Doc extermina sistematicamente todos com \u201cinflu\u00eancia cubana\u201d e persegue a igreja cat\u00f3lica.<\/p>\n<p>O regime de Papa Doc era a express\u00e3o da degenera\u00e7\u00e3o de uma sociedade submetida a todos os males do capitalismo. Sob patroc\u00ednio de Washington, Papa Doc montou um enorme sistema comercial ilegal que transformou o Haiti em rota obrigat\u00f3ria do narcotr\u00e1fico entre Col\u00f4mbia e EUA. No fim de seu governo o Haiti j\u00e1 era o pa\u00eds mais pobre das Am\u00e9ricas, com a maior taxa de analfabetismo e mortalidade infantil. Morto em 1971, Papa Doc foi substitu\u00eddo por seu filho, o Baby Doc.<\/p>\n<p>Baby Doc imp\u00f4s um brutal sistema de super explora\u00e7\u00e3o do trabalho, que beneficiou largamente as multinacionais norte-americanas e tamb\u00e9m a \u201craqu\u00edtica\u201d burguesia haitiana. O povo trabalhador reage. Baby Doc decreta Estado de S\u00edtio, at\u00e9 que, em 1985, protestos populares se intensificam e Baby Doc foge para a Fran\u00e7a num avi\u00e3o da For\u00e7a A\u00e9rea Norte-Americana, deixando em seu lugar uma junta chefiada pelo General Henri Namphy.<\/p>\n<p>Tem in\u00edcio uma disputa entre os militares pelo comando do Estado e do narcotr\u00e1fico. Uma s\u00e9rie de golpes se sucede at\u00e9 que sob forte press\u00e3o popular \u00e9 aprovada uma nova Constitui\u00e7\u00e3o e s\u00e3o convocadas elei\u00e7\u00f5es diretas para presidente, num tipo de sistema parlamentarista, para Dezembro de 1990.<\/p>\n<table border=\"0\" width=\"200\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"170\" bgcolor=\"#f1f1f1\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.marxismo.org.br\/uploads\/218102008024309.jpg?w=170\" border=\"0\" alt=\"imagem\"  align=\"left\" \/><em>Cr\u00e9dito: <a href=\"http:\/\/www.marxismo.org.br\/index.php?pg=artigos_detalhar&amp;artigo=230\" target=\"_blank\">Esquerda Marxista<\/a><\/em><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>As origens da crise atual<\/p>\n<p>Com uma campanha de den\u00fancia da domina\u00e7\u00e3o imperialista no Haiti, Jean Bertrand Aristide, ex-padre cat\u00f3lico, defensor haitiano da Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o, foi eleito presidente com enorme apoio popular, 67% dos votos, tomando posse em Fevereiro de 1991. L\u00edder de um movimento popular chamado Lavalas, nomeou um primeiro-ministro de sua confian\u00e7a. Aristide estabeleceu como eixos de seu governo o combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o e ao narcotr\u00e1fico e a luta contra a pobreza. Sete meses depois sofreu um golpe militar, liderado pelo General Raoul Cedras e patrocinado pela CIA.<\/p>\n<p>Exilado nos EUA, Aristide busca ajuda internacional. \u00c9 a oportunidade de ouro para o imperialismo voltar ao comando do Haiti desde que Baby Doc fugiu e estabelecer um controle militar direto no transporte das drogas, contendo a insatisfa\u00e7\u00e3o popular com Aristide. O governo dos EUA prop\u00f5e apoiar a volta de Aristide ao poder desde que este aceite e ap\u00f3ie a presen\u00e7a de tropas estadunidenses para \u201cestabilizar o pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p>O ex-presidente americano Jimmy Carter se apresenta como \u201cmediador\u201d e faz de conta que obt\u00e9m um acordo com Cedras: em troca de anistia os militares deixam o poder, o ex\u00e9rcito haitiano \u00e9 dissolvido e tropas norte-americanas entram no pa\u00eds em Setembro de 1994 para \u201cassegurar o retorno \u00e0 legalidade\u201d. Aristide reassume a presid\u00eancia em Outubro escolhendo Smarck Michel como seu primeiro-ministro. Em Abril de 1995, as tropas dos EUA s\u00e3o substitu\u00eddas por soldados da ONU.<\/p>\n<p>Aristide \u00e9 recebido pelo povo haitiano com grandes manifesta\u00e7\u00f5es de boas vindas. Em Junho de 1995, nas elei\u00e7\u00f5es, Ren\u00e9 Pr\u00e9val, o candidato do movimento Lavalas, apoiado por Aristide \u2013 e tamb\u00e9m pela Casa Branca \u2013 \u00e9 eleito presidente com 87,9% dos votos. O povo queria Aristide, por\u00e9m a constitui\u00e7\u00e3o do Haiti n\u00e3o permite a reelei\u00e7\u00e3o para um mandato consecutivo e Pr\u00e9val carrega os votos do antecessor. Mas n\u00e3o corresponde \u00e0s expectativas do povo. Ele mant\u00e9m a presen\u00e7a das tropas da ONU e nomeia para o posto de primeiro-ministro um economista alinhado com Washington, chamado Rony Smarth.<\/p>\n<p>Em Mar\u00e7o de 1996, Pr\u00e9val anuncia plano de privatizar todas as estatais e servi\u00e7os p\u00fablicos, desencadeando greves e grandes manifesta\u00e7\u00f5es de protesto. Em Agosto do mesmo ano, o Lavalas \u00e9 responsabilizado pelo assassinato de dois l\u00edderes burgueses. A situa\u00e7\u00e3o fica inst\u00e1vel e a popula\u00e7\u00e3o \u00e9 reprimida pelas tropas da ONU. Aristide racha com Pr\u00e9val e cria o movimento Fam\u00edlia Navalas, anunciando que ser\u00e1 candidato \u00e0 presid\u00eancia em 2000.<\/p>\n<p>Em Janeiro de 1997, a Rep\u00fablica Dominicana decide expulsar os imigrantes ilegais haitianos, mas interrompe o envio diante dos protestos do povo haitiano \u00e0 chegada dos primeiros 16 mil deportados. Os protestos de rua ganham for\u00e7a e possibilitam a forma\u00e7\u00e3o de um movimento nacional contra a imposi\u00e7\u00e3o de um programa de cortes de gastos p\u00fablicos acordado entre o primeiro-ministro Smarth e o FMI. Centenas de milhares v\u00e3o \u00e0s ruas. A crise institucional se acentua e menos de 10% dos eleitores votam nas elei\u00e7\u00f5es legislativas e municipais de Abril de 1997.<\/p>\n<table border=\"0\" width=\"200\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"170\" bgcolor=\"#f1f1f1\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.marxismo.org.br\/uploads\/218102008023247.jpg?w=170\" border=\"0\" alt=\"imagem\"  align=\"left\" \/><em>Cr\u00e9dito: <a href=\"http:\/\/www.marxismo.org.br\/index.php?pg=artigos_detalhar&amp;artigo=230\" target=\"_blank\">Esquerda Marxista<\/a><\/em><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Nessa \u00e9poca a popula\u00e7\u00e3o do Haiti j\u00e1 chega a quase 8 milh\u00f5es de habitantes. O desemprego atinge 70% da popula\u00e7\u00e3o ativa. A fome se alastra nas zonas rurais. Uma greve geral dos professores fecha as escolas de todo o pa\u00eds! O povo trabalhador haitiano tinha as condi\u00e7\u00f5es de efetuar uma insurrei\u00e7\u00e3o vitoriosa e a tomada do poder em 1997. Mas, al\u00e9m da presen\u00e7a das tropas militares da ONU, lhe faltava um partido revolucion\u00e1rio. A fragmenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e9 impressionante. H\u00e1 mais de uma centena de partidos e organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas no Haiti. Com o recente racha entre Pr\u00e9val e Aristide e as trai\u00e7\u00f5es do Governo Pr\u00e9val, o Movimento Lavalas que teria maior apoio popular n\u00e3o consegue nem esbo\u00e7ar uma tentativa de ocupar este papel.<\/p>\n<p>O primeiro-ministro Smarth renuncia em Junho, por\u00e9m continua no cargo at\u00e9 Outubro. Em Novembro, o presidente Pr\u00e9val indica Herv\u00e9 Denis para o cargo de primeiro-ministro. A ONU retira as tropas militares e coloca uma Pol\u00edcia Civil das Na\u00e7\u00f5es Unidas (MIPONUH) para conter a onda revolucion\u00e1ria e profissionalizar a Pol\u00edcia Nacional do Haiti \u2013 \u00fanica for\u00e7a repressora do Estado, j\u00e1 que o ex\u00e9rcito foi dissolvido em 94. Essa miss\u00e3o da ONU permanece no Haiti at\u00e9 Mar\u00e7o de 2000.<\/p>\n<p>Um golpe preparado 4 anos antes<\/p>\n<p>Aristide foi eleito presidente novamente nas elei\u00e7\u00f5es de Dezembro de 2000 num processo conturbado. Mesmo ele tendo demonstrado no passado que diante de press\u00f5es segue fielmente \u00e0s ordens do imperialismo, ele representa a vontade de mudan\u00e7as de milh\u00f5es de haitianos e por isso a burguesia e os senhores de Washington n\u00e3o confiam nele.<\/p>\n<p>Uma forte oposi\u00e7\u00e3o de latifundi\u00e1rios, empres\u00e1rios, paramilitares, grupos narcotraficantes e ONGs acusam Aristide de ter manipulado as elei\u00e7\u00f5es parlamentares do in\u00edcio do ano e por isso boicotam as elei\u00e7\u00f5es presidenciais. Na verdade sabiam que n\u00e3o teriam for\u00e7as para vencer Aristide que contava com grande apoio popular e n\u00e3o prometia dar continuidade ao governo entreguista de Pr\u00e9val. Sem advers\u00e1rios, Aristide foi eleito com baixa vota\u00e7\u00e3o. Toma posse em Mar\u00e7o de 2001. Entretanto dessa vez parece que Washington est\u00e1 do lado da oposi\u00e7\u00e3o e o Banco Mundial corta a ajuda anual de US$500 milh\u00f5es que enviava ao governo anterior.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica econ\u00f4mica aplicada por Aristide foi amb\u00edgua, pois ao mesmo tempo em que fazia cr\u00edticas abertas ao FMI, seguia sua cartilha \u00e0 risca. O desemprego aumentou. A mis\u00e9ria e a fome tamb\u00e9m. A epidemia de AIDS atingiu n\u00fameros alarmantes. Sua popularidade caiu. Sem dinheiro para programas sociais, Aristide passa a exigir da Fran\u00e7a a devolu\u00e7\u00e3o de 22 milh\u00f5es de euros como compensa\u00e7\u00e3o por riquezas repassadas pelo Haiti no decorrer do s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p>Em Janeiro de 2004, as comemora\u00e7\u00f5es dos 200 anos de independ\u00eancia do Haiti se transformam em grandes manifesta\u00e7\u00f5es de rua por comida. Os empres\u00e1rios haitianos organizam greves e grupos armados come\u00e7am a atacar os apoiadores de Aristide nas ruas. A imprensa noticia conflitos com dezenas de mortos. O Governo dos EUA se pronuncia dizendo que Aristide tinha que estabilizar seu pa\u00eds e garantir a democracia. A oposi\u00e7\u00e3o armada exige a ren\u00fancia de Aristide amea\u00e7ando um golpe. Grupos de apoiadores de Aristide resistem, mas a oposi\u00e7\u00e3o tinha muito mais recursos. Aristide diz que n\u00e3o renuncia e que n\u00e3o abandonar\u00e1 o Pal\u00e1cio do Governo mesmo que tenha que pagar com sua vida. O povo sai \u00e0s ruas.<\/p>\n<table border=\"0\" width=\"200\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"170\" bgcolor=\"#f1f1f1\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.marxismo.org.br\/uploads\/218102008024427.jpg?w=170\" border=\"0\" alt=\"imagem\"  align=\"left\" \/><em>Cr\u00e9dito: <a href=\"http:\/\/www.marxismo.org.br\/index.php?pg=artigos_detalhar&amp;artigo=230\" target=\"_blank\">Esquerda Marxista<\/a><\/em><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Como o Haiti n\u00e3o tem mais ex\u00e9rcito (dissolvido em 1994) isso dificulta aos opositores tomar o poder militarmente como estavam habituados no passado. Foi ent\u00e3o que, em 29 de Fevereiro de 2004, fuzileiros navais estadunidenses raptam o presidente eleito do Haiti e declaram que ele havia renunciado. Um governo interino \u00e9 nomeado pelos americanos e tropas francesas e americanas reprimem as manifesta\u00e7\u00f5es pr\u00f3-Aristide, at\u00e9 que em 1\u00ba de Junho de 2004 chegam as tropas da ONU, comandadas pelo ex\u00e9rcito brasileiro.<\/p>\n<p>A Miss\u00e3o da ONU e o Governo Lula<\/p>\n<p>O golpe de 2004 no Haiti chega a ser mais escandaloso do que foi o golpe de 2002 na Venezuela em que Ch\u00e1vez ficou seq\u00fcestrado por 3 dias. N\u00e3o foi um golpe de militares haitianos patrocinados pelos EUA. Foi um golpe executado diretamente por militares estadunidenses! E no contexto de ent\u00e3o, em que Bush se via confrontado com a maior mobiliza\u00e7\u00e3o global da hist\u00f3ria, de milh\u00f5es de pessoas nas ruas, em todos os cantos do mundo, contra a guerra do Iraque, Washington n\u00e3o podia deixar parecer que estava come\u00e7ando outra guerra na Am\u00e9rica Central, numa ilha a duas bra\u00e7adas de Cuba e da Venezuela!<\/p>\n<p>Era important\u00edssimo para os EUA que a ocupa\u00e7\u00e3o militar no Haiti tivesse a apar\u00eancia de uma \u201cmiss\u00e3o de ajuda\u201d, uma \u201cmiss\u00e3o de paz\u201d. Para isso precisavam que um pa\u00eds n\u00e3o-imperialista, de \u201cficha limpa\u201d, chefiasse as tropas da ONU. E o Brasil caiu como uma luva, pois tinha como presidente rec\u00e9m-eleito uma figura respeitada pelos movimentos de esquerda em todos os pa\u00edses: Lula.<\/p>\n<table border=\"0\" width=\"200\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"170\" bgcolor=\"#f1f1f1\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.marxismo.org.br\/uploads\/218102008025009.jpg?w=170\" border=\"0\" alt=\"imagem\"  align=\"left\" \/><em>Cr\u00e9dito: <a href=\"http:\/\/www.marxismo.org.br\/index.php?pg=artigos_detalhar&amp;artigo=230\" target=\"_blank\">Esquerda Marxista<\/a><\/em><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Lula, que j\u00e1 vinha seguindo \u00e0 risca a orienta\u00e7\u00e3o de Washington no Brasil (alian\u00e7as com a burguesia, contra-reforma da previd\u00eancia, subs\u00eddios ao latif\u00fandio, aumento do super\u00e1vit prim\u00e1rio para o pagamento da d\u00edvida externa, etc.) n\u00e3o pensa duas vezes. E argumenta que isso ajudar\u00e1 o Brasil a conquistar um acento permanente no genocida Conselho de Seguran\u00e7a da ONU!<\/p>\n<p>Os trabalhadores brasileiros n\u00e3o elegeram Lula para conseguir uma vaga pro Brasil num conselho que decide qual pa\u00eds deve ser invadido militarmente, muito menos para participar de uma dessas invas\u00f5es militares! Mas Lula \u00e9 inteligente e faz forte propaganda sobre a \u201cmiss\u00e3o de paz\u201d da ONU. Organiza inclusive um jogo amistoso da sele\u00e7\u00e3o brasileira contra a sele\u00e7\u00e3o haitiana no Haiti em Agosto de 2004. \u00c9 chamado de \u201co jogo da paz\u201d. O Brasil vence por 6 a 0.<\/p>\n<p>N\u00f3s organizamos abaixo-assinados antes e depois do envio das tropas. Milhares de assinaturas dirigidas a Lula dizendo: \u201cN\u00e3o envie as tropas!\u201d; \u201cRetire as tropas!\u201d. Mas o governo n\u00e3o deu bola. E n\u00e3o dar\u00e1 bola at\u00e9 que haja uma exig\u00eancia das massas. Voltaremos a isso mais adiante.<\/p>\n<p>A MINUSTAH (Miss\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas pela Estabiliza\u00e7\u00e3o no Haiti) conta com a participa\u00e7\u00e3o de tropas dos seguintes pa\u00edses:<\/p>\n<p><strong>Efetivos militares:<\/strong> Argentina, Benim, Bol\u00edvia, Brasil, Canad\u00e1, Chile, Cro\u00e1cia, Equador, Espanha, Fran\u00e7a, Guatemala, Jord\u00e2nia, Marrocos, Nepal, Paraguai, Peru, Filipinas, Sri Lanka, Estados Unidos e Uruguai.<\/p>\n<table border=\"0\" width=\"200\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"170\" bgcolor=\"#f1f1f1\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.marxismo.org.br\/uploads\/218102008025146.jpg?w=170\" border=\"0\" alt=\"imagem\"  align=\"left\" \/><em>Cr\u00e9dito: <a href=\"http:\/\/www.marxismo.org.br\/index.php?pg=artigos_detalhar&amp;artigo=230\" target=\"_blank\">Esquerda Marxista<\/a><\/em><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>For\u00e7as policiais:<\/strong> Argentina, Benin, Burkina Faso, Camar\u00f5es, Canad\u00e1, Chade, Chile, China, Col\u00f4mbia, Egito, El Salvador, Fran\u00e7a, Granada, Guin\u00e9, Jord\u00e2nia, Madagascar, Mali, Maur\u00edcia, Nepal, N\u00edger, Nig\u00e9ria, Paquist\u00e3o, Filipinas, Rom\u00eania, Federa\u00e7\u00e3o Russa, Ruanda, Senegal, Serra Leoa, Espanha, Togo, Turquia, Estados Unidos, Uruguai, Vanuatu e Y\u00eamen.<\/p>\n<p>Notem que al\u00e9m do Brasil, h\u00e1 tropas de outros pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul cujos presidentes foram levados \u00e0 vit\u00f3ria eleitoral como express\u00e3o da luta por mudan\u00e7as das massas trabalhadoras em seus pa\u00edses: Bol\u00edvia de Evo Morales, Chile de Bachelet, Paraguai de Lugo, Uruguai de Vasquez e Equador de Rafael Correa!<\/p>\n<p>Todos cumprindo um papel asqueroso a mando do imperialismo, enviando tropas, usando recursos materiais e humanos para reprimir e assassinar o povo pobre e sofrido do Haiti. Al\u00e9m do cubano Fidel, apenas Ch\u00e1vez se posicionou contra a ocupa\u00e7\u00e3o do Haiti. Mas n\u00e3o \u00e9 pra menos, h\u00e1 uma revolu\u00e7\u00e3o em curso na Venezuela!<\/p>\n<p>No in\u00edcio a ONU anunciou uma miss\u00e3o de 6 meses. Depois foi prorrogada at\u00e9 que houvesse elei\u00e7\u00f5es. Depois de muitos adiamentos, houve elei\u00e7\u00f5es em 2006, mas Aristide \u2013 o presidente de fato eleito pelo povo, exilado na \u00c1frica do Sul \u2013 estava e permanece impedido de regressar ao Haiti! Pr\u00e9val acabou eleito novamente.<\/p>\n<p>Agora j\u00e1 h\u00e1 presidente \u201celeito\u201d \u2013 imposto. E as tropas continuam l\u00e1! A ONU argumenta que sem as tropas l\u00e1 as gangues de narcotraficantes e seq\u00fcestradores afundariam o pa\u00eds no caos novamente. Mas isso \u00e9 falso!<\/p>\n<table border=\"0\" width=\"200\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"170\" bgcolor=\"#f1f1f1\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.marxismo.org.br\/uploads\/218102008025320.jpg?w=170\" border=\"0\" alt=\"imagem\"  align=\"left\" \/><em>Cr\u00e9dito: <a href=\"http:\/\/www.marxismo.org.br\/index.php?pg=artigos_detalhar&amp;artigo=230\" target=\"_blank\">Esquerda Marxista<\/a><\/em><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Fora tropas do Haiti e tamb\u00e9m dos morros do Rio<\/p>\n<p>S\u00e3o incont\u00e1veis os mortos, assassinados pelas tropas da ONU no Haiti nesses mais de 4 anos de ocupa\u00e7\u00e3o. Se a ONU quisesse mesmo combater os traficantes deveria come\u00e7ar prendendo seus patrocinadores nos EUA e na Col\u00f4mbia, e n\u00e3o enviando soldados para atirar a esmo nas favelas do Haiti.<\/p>\n<p>De novo vem \u00e0 cabe\u00e7a a can\u00e7\u00e3o de Gil e Caetano. O Haiti \u00e9 aqui? Nos morros e favelas do Brasil a pol\u00edcia tamb\u00e9m n\u00e3o mata o negro pobre sob o pretexto de combater o tr\u00e1fico? N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que o BOPE (Batalh\u00e3o de Opera\u00e7\u00f5es Policiais Especiais) da PM do Rio fez um conv\u00eanio com o ex\u00e9rcito brasileiro para \u201ctrocar experi\u00eancias de combate\u201d com as tropas brasileiras em miss\u00e3o no Haiti e que alguns contingentes, antes de serem enviados ao Caribe, passaram por semanas de treinamento na \u201cfavela do BOPE\u201d, no Rio.<\/p>\n<p>E mesmo que fosse real a inten\u00e7\u00e3o da ONU em combater o narcotr\u00e1fico, n\u00e3o \u00e9 com tropas que a quest\u00e3o ser\u00e1 resolvida. Combater o efeito em vez da causa, n\u00e3o resolve nada! A situa\u00e7\u00e3o no Haiti \u00e9 similar \u00e0 situa\u00e7\u00e3o do Rio e de qualquer outro canteiro de pobreza desenvolvido pelo capitalismo:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\" align=\"justify\"><em>\u201cMesmo que o BOPE acabasse com o tr\u00e1fico nas 700 favelas do Rio de Janeiro, o desemprego continuaria, a falta de pol\u00edticas p\u00fablicas de habita\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o, saneamento, sa\u00fade, lazer, recrea\u00e7\u00e3o e cultura, continuariam. E portanto, os burgueses que investem no ramo das drogas il\u00edcitas continuariam encontrando terreno f\u00e9rtil para o subemprego do tr\u00e1fico. E em 6 meses as 700 favelas do Rio estariam tomadas pelos traficantes novamente, que s\u00e3o apenas v\u00edtimas deste ramo dos neg\u00f3cios burgueses.\u201d<\/em> (Caio Dezorzi, <a href=\"http:\/\/www.marxismo.org.br\/uploads\/206122007060527.pdf\" target=\"_blank\"><em>Tropa da Elite e para a Elite, Jornal Luta de Classes n\u00ba 7<\/em><\/a>, Nov\/2007).<\/p>\n<p>Soldados brasileiros que voltaram do Haiti deram entrevista para o Jornal Folha de SP onde afirmaram que o nome \u201cmiss\u00e3o de paz\u201d dava uma impress\u00e3o errada do que estava acontecendo no Haiti. Um dos soldados identificado como \u201cS\u201d, explica: <em>\u201cAt\u00e9 parece que este nome \u00e9 para tranq\u00fcilizar as pessoas no Brasil. Na verdade, n\u00e3o h\u00e1 dia em que as tropas da ONU n\u00e3o matem um haitiano em troca de tiros. Eu mesmo, com certeza, matei dois. Outros, eu n\u00e3o voltei para ver.\u201d<\/em> (Folha de SP, 29\/01\/2006).<\/p>\n<table border=\"0\" width=\"200\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"170\" bgcolor=\"#f1f1f1\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.marxismo.org.br\/uploads\/218102008025445.jpg?w=170\" border=\"0\" alt=\"imagem\"  align=\"left\" \/><em>Cr\u00e9dito: <a href=\"http:\/\/www.marxismo.org.br\/index.php?pg=artigos_detalhar&amp;artigo=230\" target=\"_blank\">Esquerda Marxista<\/a><\/em><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>E o mais revoltante: desde 2005 as tropas da ONU t\u00eam chacinado haitianos em repres\u00e1lia expl\u00edcita por se manifestarem pela retirada das tropas e pelo retorno de Aristide \u2013 <em>Titid<\/em>, como o povo pobre o chama. Manifesta\u00e7\u00f5es com dezenas de milhares de haitianos s\u00e3o reprimidas a bala pelas for\u00e7as policiais e tropas da ONU. Quando as manifesta\u00e7\u00f5es s\u00e3o muito grandes, no dia seguinte as tropas da ONU costumam fazer incurs\u00f5es em Cit\u00e9 Soleil \u2013 com 300 mil moradores \u00e9 a maior favela na periferia da capital do pa\u00eds, Porto Pr\u00edncipe \u2013 e atiram por horas sem parar contra as casas dos moradores, matando homens, mulheres e crian\u00e7as. S\u00f3 n\u00e3o matam idosos porque estes s\u00e3o raros no Haiti. A expectativa de vida \u00e9 de 49 anos!<\/p>\n<p>Nessas incurs\u00f5es \u2013 chamadas de \u201cpuni\u00e7\u00f5es coletivas\u201d por alguns jornalistas presentes no Haiti \u2013 os soldados atiram de dentro de seus carros blindados, semelhantes aos \u201ccaveir\u00f5es\u201d usados pelo BOPE nas favelas do Rio, e tamb\u00e9m de helic\u00f3pteros. Muitas pessoas, principalmente crian\u00e7as, s\u00e3o atingidas na cama, enquanto dormem, por balas de calibre pesado que atravessam os telhados de suas habita\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Depois de contar e chorar seus mortos, o povo pobre de Cit\u00e9 Soleil volta \u00e0s ruas protestando e \u00e9 reprimido de novo! A situa\u00e7\u00e3o de um povo desarmado enfrentando for\u00e7as externas t\u00e3o poderosas como essas, pode aniquilar f\u00edsica e psicologicamente toda uma gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os que buscam se organizar ou participar de movimentos de resist\u00eancia s\u00e3o mortos ou presos sem motivo, ilegalmente. Depois de presos sofrem torturas e geralmente s\u00e3o \u201cdesaparecidos\u201d pela Pol\u00edcia Nacional. J\u00e1 s\u00e3o incont\u00e1veis os presos pol\u00edticos e ativistas desaparecidos.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o no Haiti ocupado<\/p>\n<p>Como se n\u00e3o bastassem as mortes causadas pelas tropas estrangeiras e pela Pol\u00edcia Nacional, os haitianos ainda correm muitos outros riscos de vida. H\u00e1 tamb\u00e9m as mil\u00edcias armadas haitianas que controlam o tr\u00e1fico de drogas e o contrabando de armas. Apesar de v\u00e1rias terem sido desmontadas ou exterminadas, as que restaram s\u00e3o submissas \u00e0 Pol\u00edcia Nacional e o ambiente de mis\u00e9ria \u00e9 extremamente f\u00e9rtil para a prolifera\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico de drogas e a\u00e7\u00f5es criminosas diversas.<\/p>\n<table border=\"0\" width=\"200\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"170\" bgcolor=\"#f1f1f1\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.marxismo.org.br\/uploads\/218102008025619.jpg?w=170\" border=\"0\" alt=\"imagem\"  align=\"left\" \/><em>Cr\u00e9dito: <a href=\"http:\/\/www.marxismo.org.br\/index.php?pg=artigos_detalhar&amp;artigo=230\" target=\"_blank\">Esquerda Marxista<\/a><\/em><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>H\u00e1 a fome:<\/strong> Quem n\u00e3o ficou chocado ao ver imagens na TV dos biscoitos de barro que os haitianos comem? Quando n\u00e3o h\u00e1 comida os haitianos buscam fazer como as plantas, retirando os nutrientes direto do solo! N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil conhecer algu\u00e9m no Haiti que tenha na fam\u00edlia uma crian\u00e7a que tenha morrido de fome. Mais de 80% da popula\u00e7\u00e3o vive abaixo da chamada \u201clinha da pobreza\u201d. E tudo ainda pode piorar! Com a crise mundial de aumento dos pre\u00e7os dos alimentos, no \u00faltimo m\u00eas de abril, o saco de 23 quilos de arroz passou de 35 para 70 d\u00f3lares no Haiti, enquanto o milho, o feij\u00e3o e o \u00f3leo de cozinha registraram aumentos de 40%. Isso provocou protestos de massa, com saques a dep\u00f3sitos de alimentos e barricadas com pneus queimados nas ruas. As tropas da ONU reprimiram os manifestantes famintos com balas. Hoje 80% do arroz consumido no Haiti \u00e9 comprado dos EUA com altas taxas de importa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 doen\u00e7as:<\/strong> J\u00e1 chegam a 300 mil os haitianos portadores de HIV (4% da popula\u00e7\u00e3o). Outras epidemias como mal\u00e1ria e tuberculose tamb\u00e9m aterrorizam os mais pobres. A mortalidade infantil \u00e9 de 57 a cada mil crian\u00e7as. A mortalidade materna \u00e9 de 630 a cada cem mil partos. Faltam rem\u00e9dios elementares nas farm\u00e1cias \u2013 e faltam farm\u00e1cias. Faltam m\u00e9dicos, recursos e estrutura nos hospitais \u2013 e faltam hospitais. Na maioria das comunidades n\u00e3o h\u00e1 esgoto encanado nem coleta de lixo. O \u00edndice de contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua que a popula\u00e7\u00e3o bebe \u00e9 muito elevado. A falta de higiene e saneamento agrava os problemas de sa\u00fade e aumenta o risco de contra\u00e7\u00e3o de muitas doen\u00e7as que poderiam ser facilmente prevenidas.<\/p>\n<table border=\"0\" width=\"200\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"170\" bgcolor=\"#f1f1f1\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.marxismo.org.br\/uploads\/218102008025804.jpg?w=170\" border=\"0\" alt=\"imagem\"  align=\"left\" \/><em>Cr\u00e9dito: <a href=\"http:\/\/www.marxismo.org.br\/index.php?pg=artigos_detalhar&amp;artigo=230\" target=\"_blank\">Esquerda Marxista<\/a><\/em><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>H\u00e1 a super-explora\u00e7\u00e3o do trabalho:<\/strong> segundo o conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), Aderson Bussinger Carvalho, a ocupa\u00e7\u00e3o militar internacional sob comando do Brasil \u201ctem interesses de explorar a m\u00e3o-de-obra haitiana atrav\u00e9s de zonas francas&#8221;. As jornadas de trabalho muitas vezes ultrapassam as 12 horas di\u00e1rias e o sal\u00e1rio m\u00ednimo foi dobrado este ano, passando a um valor correspondente a 120 d\u00f3lares mensais. Empresas de capital americano, canadense e dominicano fazem a festa. Sindicatos haitianos denunciam o aumento de maquiladoras no pa\u00eds. At\u00e9 o ministro Celso Amorim andou conversando com a secret\u00e1ria de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, sobre ind\u00fastrias brasileiras que se interessaram em criar unidades no Haiti para exportar produtos aos Estados Unidos. Isso explica a comitiva de empres\u00e1rios que o presidente Lula levou ao Haiti em sua \u00faltima visita. Entretanto os oper\u00e1rios fabris somam apenas 3% dos trabalhadores ativos no Haiti. A grande maioria est\u00e1 nos setores informais e trabalhando no campo, onde a precariza\u00e7\u00e3o do trabalho \u00e9 ainda pior. N\u00e3o raro h\u00e1 mortes no campo por excesso de trabalho.<\/p>\n<table border=\"0\" width=\"200\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"170\" bgcolor=\"#f1f1f1\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.marxismo.org.br\/uploads\/218102008025854.jpg?w=170\" border=\"0\" alt=\"imagem\"  align=\"left\" \/><em>Cr\u00e9dito: <a href=\"http:\/\/www.marxismo.org.br\/index.php?pg=artigos_detalhar&amp;artigo=230\" target=\"_blank\">Esquerda Marxista<\/a><\/em><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>H\u00e1 os furac\u00f5es:<\/strong> Imagine todos esses problemas batidos num liquidificador. Freq\u00fcentemente furac\u00f5es e tempestades tropicais se formam no Atl\u00e2ntico e avan\u00e7am em dire\u00e7\u00e3o ao sudeste dos EUA. No caminho passam pelas Antilhas. Mesmo quando n\u00e3o acertam o Haiti em cheio, s\u00f3 de passarem pr\u00f3ximos \u00e0 costa j\u00e1 causam um forte estrago, provocando eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar e enchentes dos rios. Em 2004, Gonaives, principal cidade da regi\u00e3o norte, atingida pelo furac\u00e3o Jeanne, foi soterrada por uma enxurrada de lama de 3 metros de altura: quase 3 mil mortos! Isso ocorreu logo ap\u00f3s a ocupa\u00e7\u00e3o militar da ONU. O governo interino da \u00e9poca bateu todos os recordes de corrup\u00e7\u00e3o: os sobreviventes \u2013 que tinham perdido todos os seus bens \u2013 tinham que pagar (!) pela carteira de identidade que dava direito \u00e0 ajuda aos desabrigados. Muitas ONGs receberam grandes quantias de dinheiro de ajuda humanit\u00e1ria internacional, mas ningu\u00e9m sabe onde esse dinheiro foi parar. Neste ano o pa\u00eds foi atingido por mais 4 tempestades (Hanna, Gustav, Ike e Fay) provocando grande devasta\u00e7\u00e3o e centenas de mortes. O governo haitiano pede que as doa\u00e7\u00f5es sejam feitas diretamente ao governo e n\u00e3o atrav\u00e9s das ONGs. Na imprensa circulam den\u00fancias de desvio de alimentos que seriam entregues para os desabrigados que j\u00e1 passam de 20 mil haitianos.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\" align=\"justify\"><em>&#8220;O furac\u00e3o Jeanne devastou o Haiti em 2004, oito meses ap\u00f3s o golpe que derrubou Jean-Bertrand Aristide. Gerard Latortue [o primeiro-ministro do governo provis\u00f3rio], o cabe\u00e7a da ditadura da ONU e natural de Gonaives, recebeu dinheiro de todo o mundo para ajudar a reconstruir a cidade. Infelizmente, as v\u00edtimas receberam poucos benef\u00edcios deste dinheiro. Gonaives situa-se abaixo do n\u00edvel do mar, mas diques nunca foram constru\u00eddos; muitas estradas ainda sequer foram reparadas. Os poucos resultados obtidos com dinheiro da ajuda internacional s\u00f3 trazem a convic\u00e7\u00e3o de que, em Gonaives, os amigos de Latortue e ONGs corruptas simplesmente embolsaram o dinheiro. (\u2026) O presidente Ren\u00e9 Pr\u00e9val, um nativo do estado de Artibonite [onde Gonaives \u00e9 a capital], apelou \u00e0 comunidade internacional para ajudar. O tumulto sobre sua \u00faltima indica\u00e7\u00e3o para primeiro-ministro terminou. O Senado aprovou Michele Duvivier Pierre-Louis como primeira-ministra. Aux\u00edlio financeiro vai chegar. A quest\u00e3o \u00e9 quem ir\u00e1 se beneficiar com ele. O povo de Gonaives est\u00e1 compreensivelmente pessimista ap\u00f3s a experi\u00eancia com o furac\u00e3o Jeanne.&#8221;<\/em> (Wadner Pierre, <a href=\"http:\/\/www.haitianalysis.com\/\" target=\"_blank\">HaitiAnalysis.com<\/a>, 9\/9\/2008).<\/p>\n<p>O povo haitiano pede ajuda! Precisa de comida, rem\u00e9dios, infra-estrutura, empregos, hospitais, escolas! Mas a ajuda chega em forma de balas que atingem os peitos e cabe\u00e7as das crian\u00e7as. Parece que est\u00e1 sendo seguida \u00e0 risca a orienta\u00e7\u00e3o de Thomas Jefferson: \u201cconfinar a peste na ilha\u201d.<\/p>\n<table border=\"0\" width=\"200\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"170\" bgcolor=\"#f1f1f1\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.marxismo.org.br\/uploads\/218102008030038.jpg?w=170\" border=\"0\" alt=\"imagem\"  align=\"left\" \/><em>Cr\u00e9dito: <a href=\"http:\/\/www.marxismo.org.br\/index.php?pg=artigos_detalhar&amp;artigo=230\" target=\"_blank\">Esquerda Marxista<\/a><\/em><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>A nova primeira-ministra<\/p>\n<p>Desde Abril a rep\u00fablica parlamentarista do Haiti \u2013 ocupada por tropas da ONU \u2013 estava sem primeiro-ministro. O \u00faltimo mandat\u00e1rio, Jacques Edouar Alexis, caiu com a crise do aumento dos pre\u00e7os dos alimentos e a onda de protestos que se seguiu por todo o pa\u00eds. Desde ent\u00e3o, o presidente Pr\u00e9val indicou outros nomes que foram rejeitados pelo parlamento.<\/p>\n<p>Finalmente o nome da economista Michele Duvivier Pierre-Louis foi ratificado no dia 5 de Setembro, logo ap\u00f3s os furac\u00f5es Hanna e Gustav terem passado. Atualmente professora na Universidade Quisqueya, em Porto Pr\u00edncipe, Michele iniciou sua milit\u00e2ncia nas miss\u00f5es de alfabetiza\u00e7\u00e3o da igreja cat\u00f3lica dos anos 80. Fez parte do Lavalas e do primeiro governo de Aristide em 1991. Depois passou a ser diretora-executiva da ONG Fondation Konesans ak Lib\u00e8te (Fokal), financiada por entidades da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia e tamb\u00e9m pelo mega-especulador George Soros.<\/p>\n<p>Apesar de sua origem militante, sua passagem pela Fokal mostra bem que interesses defende. Ela costumava ser bem cr\u00edtica \u00e0s interven\u00e7\u00f5es militares da ONU, mas hoje n\u00e3o defende a retirada das tropas.<\/p>\n<p>A crise mundial e a ajuda aos pobres<\/p>\n<p>O Haiti tem uma d\u00edvida externa de quase 2 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. Para pagar os juros dessa d\u00edvida o governo haitiano precisa economizar na sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, saneamento, etc. E se n\u00e3o pagar, voc\u00eas lembram o que aconteceu em 1915!<\/p>\n<p>Por conta da devasta\u00e7\u00e3o causada pelos furac\u00f5es o governo tem pedido o perd\u00e3o da d\u00edvida, mas o pedido foi negado.<\/p>\n<table border=\"0\" width=\"200\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"170\" bgcolor=\"#f1f1f1\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.marxismo.org.br\/uploads\/218102008030141.jpg?w=170\" border=\"0\" alt=\"imagem\"  align=\"left\" \/><em>Cr\u00e9dito: <a href=\"http:\/\/www.marxismo.org.br\/index.php?pg=artigos_detalhar&amp;artigo=230\" target=\"_blank\">Esquerda Marxista<\/a><\/em><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>\u00c9 a\u00ed que caem todas as m\u00e1scaras dos capitalistas e dos defensores deste sistema podre. Todos estamos acompanhando o desenvolvimento da crise mundial: em poucos dias os governos capitalistas e seus bancos centrais doaram a um punhado de banqueiros trilh\u00f5es de d\u00f3lares de dinheiro p\u00fablico! Com esse dinheiro seria poss\u00edvel alimentar para sempre milhares de Haitis inteiros. E pra que precisamos de ONGs? H\u00e1 dinheiro e recursos para toda a popula\u00e7\u00e3o da Terra!<\/p>\n<p>Para salvar meia d\u00fazia de banqueiros: trilh\u00f5es de d\u00f3lares! Para livrar da fome quase 1 bilh\u00e3o de seres humanos no planeta: milhares de ONGs! Este \u00e9 o presente do sistema que n\u00e3o reserva nenhum futuro pra humanidade.<\/p>\n<p>Distribuir a riqueza do mundo permitiria transformar a fome em assunto dos livros de hist\u00f3ria. Mas pra isso \u00e9 necess\u00e1rio tirar do poder a classe capitalista, planificar a economia sob controle da classe trabalhadora. Sim! Uma revolu\u00e7\u00e3o socialista. Esta \u00e9 a sa\u00edda. A \u00fanica!<\/p>\n<p>H\u00e1 sa\u00edda! Lutar pelo socialismo!<\/p>\n<p>Apesar de todas as dificuldades, de alguma forma os haitianos encontram for\u00e7as para levantar a cabe\u00e7a e gritar! Para levantar os bra\u00e7os e com os punhos cerrados, marchar! Lutam esses homens e mulheres massacrados! E como lutam! E continuar\u00e3o lutando, pois a hist\u00f3ria \u00e9 deles! A hist\u00f3ria \u00e9 nossa! Dos que lutam! A luta de classes \u00e9 o motor da hist\u00f3ria e a hist\u00f3ria n\u00e3o vai acabar antes que ven\u00e7amos!<\/p>\n<p>Assim como os haitianos fizeram no fim do s\u00e9culo XVIII, por todas as partes do mundo os povos d\u00e3o o exemplo. E \u00e9 na Am\u00e9rica Latina onde a luta est\u00e1 mais avan\u00e7ada. Algumas bra\u00e7adas pelo mar do Caribe ao sul do Haiti, chegamos \u00e0s praias da Venezuela, onde uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o est\u00e1 em curso.<\/p>\n<p>A defesa da revolu\u00e7\u00e3o cubana e o aprofundamento da revolu\u00e7\u00e3o na Venezuela e em toda a Am\u00e9rica Latina s\u00e3o fundamentais para a luta do povo haitiano. Pode-se dizer que, da mesma forma que no fim do s\u00e9culo XVIII a luta pela independ\u00eancia haitiana estava intrinsecamente ligada ao desenvolvimento da revolu\u00e7\u00e3o francesa, hoje, a luta pela autodetermina\u00e7\u00e3o do povo haitiano est\u00e1 intrinsecamente ligada ao desenvolvimento da revolu\u00e7\u00e3o na Venezuela.<\/p>\n<p>\u00c9 a teoria da revolu\u00e7\u00e3o permanente: as conquistas democr\u00e1ticas mais elementares nos pa\u00edses atrasados est\u00e3o invariavelmente associadas \u00e0 luta pela tomada do poder de Estado pela classe trabalhadora. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel a luta pela soberania do Haiti desconectada da luta pelo socialismo.<\/p>\n<table border=\"0\" width=\"200\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"170\" bgcolor=\"#f1f1f1\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.marxismo.org.br\/uploads\/218102008030340.jpg?w=170\" border=\"0\" alt=\"imagem\"  align=\"left\" \/><em>Cr\u00e9dito: <a href=\"http:\/\/www.marxismo.org.br\/index.php?pg=artigos_detalhar&amp;artigo=230\" target=\"_blank\">Esquerda Marxista<\/a><\/em><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Para fazer frente a todos os problemas do Haiti, que em certo aspecto s\u00e3o comuns a todos os pa\u00edses atrasados do mundo, \u00e9 preciso planificar a economia, socializar a propriedade dos meios de produ\u00e7\u00e3o e estabelecer a democracia dos conselhos de oper\u00e1rios e camponeses. Com o socialismo mundial poderemos planejar a produ\u00e7\u00e3o e a distribui\u00e7\u00e3o de tudo, de tal forma que todos poder\u00e3o viver sem qualquer necessidade deixar de ser atendida. At\u00e9 acabar de vez com o Estado e estabelecer uma sociedade sem classes: o comunismo! A fome n\u00e3o existir\u00e1 mais, nem as guerras. N\u00e3o haver\u00e1 mais explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas para chegar l\u00e1 \u00e9 preciso come\u00e7ar lutando. E para lutar \u00e9 preciso nos organizar. No Haiti, para os trabalhadores lutarem e se organizarem \u00e9 preciso restabelecer minimamente os direitos democr\u00e1ticos. Urge a retirada da ditadura militar instalada pela ONU!<\/p>\n<p>Uma tarefa imediata<\/p>\n<p>Nessa \u00faltima Ter\u00e7a, 14\/10, o Conselho de Seguran\u00e7a da ONU decidiu por unanimidade prorrogar a perman\u00eancia das tropas no Haiti at\u00e9 Outubro de 2009 (todo ano em Outubro eles prorrogam por mais 1 ano), incluindo planos de a\u00e7\u00e3o pelo menos at\u00e9 a posse do novo presidente em 2011.<\/p>\n<p>O principal argumento utilizado foi que o pa\u00eds continua inst\u00e1vel \u201cconforme foi demonstrado nos tumultos de Abril\u201d. Ou seja, a ONU admite que a ocupa\u00e7\u00e3o serve para reprimir as manifesta\u00e7\u00f5es populares por mudan\u00e7as e melhorias.<\/p>\n<p>No Brasil estamos desde antes do in\u00edcio da ocupa\u00e7\u00e3o exigindo que Lula n\u00e3o envie soldados; que traga os soldados de volta. Mas o m\u00e1ximo que conseguimos foram algumas milhares de assinaturas. Sabemos que devemos seguir exigindo do Lula a retirada das tropas, mas n\u00e3o temos ilus\u00f5es de que Lula se sensibilizar\u00e1 com nossos apelos. Ele n\u00e3o est\u00e1 desavisado sobre o que se passa no Haiti. Ele sabe muito bem e aprova o massacre. Essa foi a op\u00e7\u00e3o que Lula fez ao se aliar com a burguesia brasileira e submeter-se completamente ao imperialismo americano. A \u00fanica chance de Lula ceder e retirar as tropas seria uma campanha de massas que tivesse for\u00e7a para obrig\u00e1-lo a fazer isso.<\/p>\n<table border=\"0\" width=\"200\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"170\" bgcolor=\"#f1f1f1\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.marxismo.org.br\/uploads\/218102008030452.jpg?w=170\" border=\"0\" alt=\"imagem\"  align=\"left\" \/><em>Cr\u00e9dito: <a href=\"http:\/\/www.marxismo.org.br\/index.php?pg=artigos_detalhar&amp;artigo=230\" target=\"_blank\">Esquerda Marxista<\/a><\/em><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Tomamos conhecimento de um chamado por uma jornada continental pela retirada das tropas da ONU do Haiti. Esse chamado que era encabe\u00e7ado pela Central Aut\u00f4noma dos Trabalhadores do Haiti (CATH) e assinado por dezenas de entidades oper\u00e1rias, populares e juvenis haitianas, se dirigia aos povos do continente americano convocando uma jornada de lutas no dia 10 de Outubro, exigindo que seus governos n\u00e3o permitissem a renova\u00e7\u00e3o da Miss\u00e3o da ONU. No Brasil atendemos ao chamado e participamos do ato em frente ao escrit\u00f3rio regional do governo federal em SP, na Av. Paulista, convocado pelo MST, CMP, entidades sindicais e alguns poucos parlamentares do PT. Os presentes no ato n\u00e3o passavam de 50 pessoas. Os milhares de transeuntes na Av. Paulista que passavam pelo ato n\u00e3o faziam a menor id\u00e9ia do que estava em quest\u00e3o. Nos outros pa\u00edses os atos foram ainda menores.<\/p>\n<p>Por isso se faz urgente e necess\u00e1ria uma campanha ampla de propaganda e agita\u00e7\u00e3o. Textos, fotos, v\u00eddeos que expliquem que n\u00e3o podemos aceitar que dinheiro p\u00fablico brasileiro seja destinado para esse fim e nem que jovens militares brasileiros sejam enviados para o Haiti para massacrar os nossos irm\u00e3os haitianos e nem que essa miss\u00e3o de ocupa\u00e7\u00e3o sirva de escola para tropas aprenderem como massacrar os jovens negros e pobres nas favelas e periferias do Brasil.<\/p>\n<p>Uma campanha de interven\u00e7\u00f5es urbanas nas grandes cidades brasileiras que levem o problema ao conhecimento do maior n\u00famero poss\u00edvel de jovens e trabalhadores, com palavras de ordem que exijam:<\/p>\n<p>\u2022 Fim da ocupa\u00e7\u00e3o Militar J\u00e1! Retirada imediata das tropas da ONU!<\/p>\n<p>\u2022 Pelo direito a autodetermina\u00e7\u00e3o do povo haitiano!<\/p>\n<p>\u2022 Fim dos assassinatos, abusos sexuais e massacres dos pobres pelas tropas da ONU e Pol\u00edcia Nacional!<\/p>\n<p>\u2022 Liberdade aos presos pol\u00edticos \u2013 parem com as deten\u00e7\u00f5es ilegais e torturas no Haiti!<\/p>\n<p>\u2022 O Presidente Aristide deve ter a liberdade de retornar ao Haiti!<\/p>\n<p>\u2022 Os executores do golpe e massacres dos pobres devem ser punidos! Indeniza\u00e7\u00f5es para as v\u00edtimas!<\/p>\n<p>\u2022 Lula, traga os soldados brasileiros pra casa!<\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo, 15 de Outubro de 2008.<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/www.marxismo.org.br\/index.php?pg=artigos_detalhar&amp;artigo=230\" target=\"_blank\">http:\/\/www.marxismo.org.br\/index.php?pg=artigos_detalhar&amp;artigo=230<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: Esquerda Marxista\n\n\n\n\n\n\n\n\nCaio Dezorzi\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1218\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-1218","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-jE","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1218","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1218"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1218\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1218"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1218"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1218"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}