{"id":12205,"date":"2016-09-27T14:51:42","date_gmt":"2016-09-27T17:51:42","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=12205"},"modified":"2016-10-18T13:26:06","modified_gmt":"2016-10-18T16:26:06","slug":"britanicos-admitem-que-guerra-contra-a-libia-foi-movida-a-mentiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/12205","title":{"rendered":"Brit\u00e2nicos admitem que guerra contra a L\u00edbia foi movida \u00e0 mentiras"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/gz.diarioliberdade.org\/media\/k2\/items\/cache\/014b3b01d29848a2270fcc844106a9d4_XL.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/>Ap\u00f3s o relat\u00f3rio sobre a conduta execr\u00e1vel do ent\u00e3o primeiro-ministro brit\u00e2nico Tony Blair durante a invas\u00e3o do Iraque, em 2003, o Reino Unido confronta-se agora com um novo documento, publicado em 14 de setembro de 2016. O texto detalha como a guerra contra a L\u00edbia, em 2011, promovida pela Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte (Otan), foi movida \u00e0 mentiras.<!--more--><\/p>\n<p>Outra conclus\u00e3o \u00f3bvia do novo relat\u00f3rio, que ecoa den\u00fancias da m\u00eddia alternativa e dos movimentos anti-imperialistas, \u00e9 a de que o ent\u00e3o presidente Muammar Kaddafi n\u00e3o planejava um massacre, como alegou-se ent\u00e3o, e que a situa\u00e7\u00e3o na L\u00edbia s\u00f3 piorou desde a sua derrubada e execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio resultou de uma investiga\u00e7\u00e3o lan\u00e7ada em julho de 2015 e conduzida pelo Comit\u00ea de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores da C\u00e2mara Baixa do Parlamento brit\u00e2nico. O documento, j\u00e1 citado por v\u00e1rios meios de comunica\u00e7\u00e3o internacionais, admite que n\u00e3o foram encontradas evid\u00eancias de que o governo brit\u00e2nico tenha conduzido an\u00e1lise adequada da natureza da rebeli\u00e3o na L\u00edbia. \u201cA estrat\u00e9gia do Reino Unido foi baseada em suposi\u00e7\u00f5es incorretas e um entendimento incompleto da evid\u00eancia.\u201d<\/p>\n<p>O texto \u00e9 intitulado \u201cL\u00edbia: Exame da interven\u00e7\u00e3o e do colapso, e as futuras op\u00e7\u00f5es de pol\u00edticas do Reino Unido\u201d e foi elaborado pelo comit\u00ea bipartid\u00e1rio, cuja investiga\u00e7\u00e3o incluiu entrevistas com pol\u00edticos, jornalistas, acad\u00eamicos, entre outros. Entre as principais conclus\u00f5es podem se enumerar as seguintes, de acordo com o portal de an\u00e1lises Salon e outros meios internacionais:<\/p>\n<p>&#8211; A amea\u00e7a de extremistas islamitas foi ignorada e piorada pelos bombardeios da Otan, o que resultou na dissemina\u00e7\u00e3o do auto-proclamado Estado Isl\u00e2mico no Norte da \u00c1frica.<\/p>\n<p>&#8211; A Fran\u00e7a, que iniciou a interven\u00e7\u00e3o militar, foi motivada por interesses pol\u00edticos e econ\u00f4micos, e n\u00e3o humanit\u00e1rios.<\/p>\n<p>&#8211; A revolta, que foi violenta, e n\u00e3o pac\u00edfica, provavelmente n\u00e3o teria sido bem-sucedida se n\u00e3o fosse pela interven\u00e7\u00e3o militar e assist\u00eancia estrangeira. A m\u00eddia estrangeira, particularmente a Al-Jazeera, do Catar, e a Al-Arabiya, da Ar\u00e1bia Saudita, tamb\u00e9m espalharam rumores n\u00e3o fundamentados sobre Kaddafi e o governo l\u00edbio.<\/p>\n<p>&#8211; Os bombardeios da Otan mergulharam a L\u00edbia num desastre humanit\u00e1rio, matando milhares de pessoas e for\u00e7ando centenas de milhares a se deslocarem, transformando a L\u00edbia do pa\u00eds africano com o mais alto padr\u00e3o de vida em um Estado fragmentado pela guerra.<\/p>\n<p>Segundo o relat\u00f3rio, o mito sobre o plano de Kaddafi para um massacre em Bengazi \u2013 a segunda maior cidade l\u00edbia \u2013 n\u00e3o apresentava evid\u00eancias. A falta de informa\u00e7\u00f5es \u00e9 contraposta, no texto, \u00e0 descri\u00e7\u00e3o da interven\u00e7\u00e3o pelos agentes dos servi\u00e7os estadunidenses como uma \u201cdecis\u00e3o de intelig\u00eancia superficial.\u201d<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o de 2011, de acordo com o relat\u00f3rio, dois dias antes do in\u00edcio dos bombardeios da Otan, Kaddafi dissera aos rebeldes em Bengazi que deixassem as armas, \u201cexatamente como seus irm\u00e3os em Ajdabiya e outros lugares. Eles baixaram as armas e est\u00e3o a salvo. N\u00f3s n\u00e3o os perseguimos, de forma alguma.\u201d O comit\u00ea brit\u00e2nico confirma que a retomada da cidade de Ajdabiya, no m\u00eas anterior, n\u00e3o foi seguida de persegui\u00e7\u00e3o aos rebeldes. Kaddafi \u201ctamb\u00e9m tentou apaziguar os manifestantes em Bengazi com a oferta de assist\u00eancia ao desenvolvimento antes de enviar tropas.\u201d<\/p>\n<p>Na contram\u00e3o das alega\u00e7\u00f5es, George Joff\u00e9, da Universidade de Londres, foi citado no relat\u00f3rio dizendo que, embora a ret\u00f3rica de Kaddafi pudesse soar intimidat\u00f3ria, ele foi, na verdade, \u201cbastante cuidadoso\u201d ao evitar mortes de civis. Por exemplo, o pesquisador cita o esfor\u00e7o do ent\u00e3o presidente ao tentar pacificar as tribos em Cyrenaica, no leste, durante seis meses, ao inv\u00e9s de investir militarmente.<\/p>\n<p>Outros especialistas citados no documento dizem que as amea\u00e7as de que falavam l\u00edbios opositores na di\u00e1spora ou mesmo dos \u201crebeldes\u201d cujas narrativas eram reproduzidas pelos meios ocidentais de comunica\u00e7\u00e3o foram \u201cexageradas\u201d, amplificando um mito que levou \u00e0 viol\u00eancia extrema, inclusive com a pr\u00e1tica dos rebeldes de perseguir e atacar imigrantes trabalhadores de outros pa\u00edses africanos, acusando-os de terem sido convocados por Kaddafi.<\/p>\n<p>Estados Unidos, Fran\u00e7a e Reino Unido promovem a &#8220;mudan\u00e7a de regime&#8221;<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o de 2011, a ent\u00e3o secret\u00e1ria de Estado dos EUA, Hillary Clinton, taxou Kaddafi de uma \u201ccriatura\u201d que \u201cn\u00e3o tem qualquer consci\u00eancia e vai amea\u00e7ar qualquer um em seu caminho.\u201d Ela teve um papel protagonista na promo\u00e7\u00e3o dos bombardeios da L\u00edbia pela Otan, alegando que Kaddafi faria \u201ccoisas terr\u00edveis\u201d se n\u00e3o fosse detido, como lembra o Salon. Hillary participou inclusive na dissemina\u00e7\u00e3o do mito de que Kaddafi incentivava suas tropas a violarem mulheres nas \u00e1reas controladas pelos rebeldes.<\/p>\n<p>Os bombardeios da Otan contra a L\u00edbia duraram mais de seis meses, de mar\u00e7o a outubro de 2011, quando Kaddafi foi arrastado para a rua em sua cidade natal, Sirte, e executado em p\u00fablico pelos rebeldes. Hillary Clinton teria comemorado a execu\u00e7\u00e3o ao vivo, na televis\u00e3o, de acordo com Salon.<\/p>\n<p>Esta foi mais uma das \u201cinterven\u00e7\u00f5es\u201d da Otan vendidas para consumo internacional como uma miss\u00e3o \u201chumanit\u00e1ria\u201d, lan\u00e7ada inicialmente pela Fran\u00e7a e estendida pela Otan. \u201cA interven\u00e7\u00e3o limitada, para proteger civis [supostamente, em Bengazi], tornou-se uma pol\u00edtica oportunista para a mudan\u00e7a de regime,\u201d afirma o documento do Comit\u00ea parlamentar. Citado pelo Salon, entretanto, Micah Zenko, do Council on Foreign Relations, cita documentos da pr\u00f3pria Otan para afirmar que \u201ca interven\u00e7\u00e3o na L\u00edbia foi destinada \u00e0 mudan\u00e7a de regime desde o come\u00e7o.\u201d<\/p>\n<p>O texto do comit\u00ea parlamentar brit\u00e2nico ainda confirma que a Fran\u00e7a liderou os esfor\u00e7os por uma interven\u00e7\u00e3o militar contra a L\u00edbia, seguida pelo Reino Unido e, depois, pelos Estados Unidos. As motiva\u00e7\u00f5es francesas foram identificadas no documento como &#8220;os recursos financeiros quase infinitos&#8221; de Kaddafi, seus planos para criar uma moeda alternativa ao franco franc\u00eas na \u00c1frica, seu projeto de suplantar o poderio da Fran\u00e7a da \u00c1frica franc\u00f3fona e o desejo franc\u00eas de aumentar sua influ\u00eancia no norte africano.<\/p>\n<p>Inicialmente inseguros sobre a agress\u00e3o devido a divis\u00f5es internas, o governo estadunidense foi, depois da press\u00e3o franco-brit\u00e2nica pela imposi\u00e7\u00e3o de uma zona de exclus\u00e3o a\u00e9rea sobre a L\u00edbia, essencial para a extens\u00e3o dos termos da Resolu\u00e7\u00e3o 1973 do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU, para incluir a permiss\u00e3o \u00e0 tomada de &#8220;todas as medidas necess\u00e1rias para proteger civis.&#8221;<\/p>\n<p>Em um email \u00e0 secret\u00e1ria de Estado dos EUA, Hillary Clinton, seu assistente, Sidney Blumenthal, \u00e9 citado pelo Salon mencionando os recursos &#8220;quase infinitos&#8221; do filho de Kaddafi, fazendo refer\u00eancia a uma reserva em ouro que seria destinada ao estabelecimento de uma moeda pan-africana baseada no dinar l\u00edbio, segundo o pr\u00f3prio assistente. Esta seria uma alternativa oferecida aos pa\u00edses africanos que ainda usavam o franco franc\u00eas. Os agentes de intelig\u00eancia da Fran\u00e7a, de acordo com o relat\u00f3rio, citando Blumenthal, descobriram o plano pouco depois do in\u00edcio da rebeli\u00e3o, o que teria sido um dos motivos para o ent\u00e3o presidente Nicol\u00e1s Sarkozy promover a agress\u00e3o militar.<\/p>\n<p>De acordo com o Salon,o comit\u00ea resume a situa\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria atual na L\u00edbia com uma refer\u00eancia \u00e0 fala do presidente estadunidense Barack Obama, de abril de 2016, quando ele a classificou de um &#8220;show de merda&#8221;.<\/p>\n<p>O pa\u00eds est\u00e1 fragmentado e a situa\u00e7\u00e3o possibilitou a dissemina\u00e7\u00e3o de grupos extremistas como o &#8220;Estado Isl\u00e2mico&#8221;. Um oficial da Defesa brit\u00e2nica citado pelo relat\u00f3rio diz que o envolvimento de grupos ligados \u00e0 rede terrorista Al-Qaeda com os rebeldes apoiados pela Otan &#8220;n\u00e3o estava claro&#8221; \u00e0 \u00e9poca. A destrui\u00e7\u00e3o causada pela Otan ainda possibilitou que as grandes reservas de armamentos e muni\u00e7\u00f5es da L\u00edbia fossem parar nas m\u00e3os das mil\u00edcias ou traficadas por todo o norte e ocidente africano e tamb\u00e9m no Oriente M\u00e9dio, reconhece o documento.<\/p>\n<p>Cebrapaz, Moara Crivelente<\/p>\n<p>https:\/\/gz.diarioliberdade.org\/artigos-em-destaque\/item\/68066-britanicos-admitem-que-guerra-contra-a-libia-foi-movida-a-mentiras.html<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ap\u00f3s o relat\u00f3rio sobre a conduta execr\u00e1vel do ent\u00e3o primeiro-ministro brit\u00e2nico Tony Blair durante a invas\u00e3o do Iraque, em 2003, o Reino Unido \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/12205\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":true,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-12205","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3aR","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12205","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12205"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12205\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12205"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12205"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12205"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}