{"id":12220,"date":"2016-09-30T20:36:36","date_gmt":"2016-09-30T23:36:36","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=12220"},"modified":"2016-10-24T12:47:41","modified_gmt":"2016-10-24T15:47:41","slug":"crise-algumas-perguntas-e-respostas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/12220","title":{"rendered":"Crise: algumas perguntas e respostas"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/resistir.info\/jf\/imagens\/esquema_conceptual.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/><\/p>\n<p><b> por Jorge Figueiredo <\/b><\/p>\n<p>Pode haver um capitalismo sem crises?<\/p>\n<p>N\u00e3o, as crises peri\u00f3dicas, ou crises de conjuntura, s\u00e3o inerentes ao modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista. Trata-se de um assunto j\u00e1 bem estudado pelos mais diversos autores, inclusive Marx.<!--more--><\/p>\n<p>A presente crise econ\u00f4mica \u00e9 conjuntural?<br \/>\nN\u00e3o, a presente crise \u00e9 estrutural. Ela tem um car\u00e1cter sist\u00eamico.<\/p>\n<p>J\u00e1 houve outras crises estruturais na hist\u00f3ria do capitalismo?<br \/>\nSim, no passado verificaram-se crises de natureza estrutural, como as de 1880-1890, 1913 e 1929-1939.<\/p>\n<p>O que desencadeia uma crise capitalista de natureza estrutural?<br \/>\nEm s\u00edntese, a crise \u00e9 desencadeada por uma acumula\u00e7\u00e3o excessiva de Capital Fict\u00edcio, a qual tem origem na queda da taxa de lucro obtida nas atividades produtivas da economia real. A queda da taxa de lucro \u00e9 provocada basicamente pelo aumento da composi\u00e7\u00e3o org\u00e2nica do capital (r\u00e1cio capital constante\/capital vari\u00e1vel).<\/p>\n<p>O que \u00e9 Capital Fict\u00edcio?<br \/>\nTrata-se do capital investido em t\u00edtulos de cr\u00e9dito, tanto os cl\u00e1ssicos (a\u00e7\u00f5es, obriga\u00e7\u00f5es, debentures, etc) como os modernos inventados recentemente (derivativos de toda esp\u00e9cie, como as CDOs, CDSs, MBSs, etc). O montante do capital fict\u00edcio ultrapassa em muito o do capital real. Ver <a href=\"http:\/\/resistir.info\/crise\/capital_ficticio2.html\" target=\"_new\"> Capital Fict\u00edcio<\/a><\/p>\n<p>Uma crise estrutural pode ser resolvida rapidamente?<br \/>\nN\u00e3o, a sa\u00edda de uma crise estrutural exige que o capital fict\u00edcio acumulado seja <i> destru\u00eddo. <\/i> A referida destrui\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ocorrer rapidamente. Enquanto n\u00e3o for realizada haver\u00e1 um per\u00edodo de estagna\u00e7\u00e3o, ou depress\u00e3o, que pode perdurar por muitos anos.<\/p>\n<p>A estagna\u00e7\u00e3o \u00e9 uma anomalia no modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista?<br \/>\nComo demonstrou Paul Sweezy, na sua fase monopolista a estagna\u00e7\u00e3o \u00e9 uma caracter\u00edstica inerente ao capitalismo. Assim, o que precisa ser explicado \u00e9 a raz\u00e3o porque h\u00e1 crescimento e n\u00e3o porque h\u00e1 estagna\u00e7\u00e3o. Ver <i> Capitalismo monopolista, <\/i> de Paul Baran e Paul Sweezy.<\/p>\n<p>Como se manifesta o Capital Fict\u00edcio?<br \/>\nManifesta-se na acumula\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas por toda a sociedade (bancos, empresas, fam\u00edlias e governos). A maior parte destas d\u00edvidas \u00e9 impag\u00e1vel.<\/p>\n<p>A destrui\u00e7\u00e3o de capital fict\u00edcio j\u00e1 verificada desde 2008 n\u00e3o foi suficiente?<br \/>\nAinda n\u00e3o. Ap\u00f3s a fal\u00eancia do Lehman Brothers os demais bancos sist\u00eamicos foram salvos pelos Estados respectivos atrav\u00e9s de medidas como as facilidades quantitativas, bail-outs e bail-in (no caso de Chipre). Atualmente h\u00e1 outros bancos &#8220;sist\u00eamicos&#8221; na fila de espera (Deutsche Bank, Commerzbank, Monte Paschi, etc).<\/p>\n<p>Como foi a sa\u00edda de crises estruturais anteriores do capitalismo?<br \/>\nA crise iniciada em 1929 s\u00f3 acabou com o in\u00edcio da II Guerra Mundial. Nesse caso verificou-se n\u00e3o s\u00f3 destrui\u00e7\u00e3o de capital fict\u00edcio como tamb\u00e9m de uma quantidade enorme de activos fixos, o que proporcionou um novo ciclo de acumula\u00e7\u00e3o. A crise do fim do s\u00e9culo XIX acabou sem guerra, ap\u00f3s a destrui\u00e7\u00e3o (que levou dez anos) do capital fict\u00edcio que fora acumulado.<\/p>\n<p>Quais os desenlaces poss\u00edveis de uma crise estrutural?<br \/>\nAssumindo que n\u00e3o haja guerra nuclear, as principais sa\u00eddas de uma crise estrutural ao longo do tempo podem ser em V, em L, em W, em raiz quadrada, em raiz ondulante, conforme os gr\u00e1ficos respectivos. Para mais pormenores ver <a href=\"http:\/\/resistir.info\/jf\/saidas_da_crise.html\" target=\"_new\"> Crises, os desenlaces poss\u00edveis<\/a>.<\/p>\n<p>Pode um pa\u00eds sair individualmente de uma crise estrutural?<br \/>\nSim, se tiver for\u00e7as, lucidez, um governo digno e unidade popular. Para isso ser\u00e1 preciso romper com o capital monopolista e financeiro. Isso implica o rep\u00fadio da sua d\u00edvida externa (pelo menos da parte odiosa), a recupera\u00e7\u00e3o da sua soberania monet\u00e1ria, o abandono de organiza\u00e7\u00f5es imperialistas (UE, FMI, OMC, &#8230;), a emiss\u00e3o de moeda pelo pr\u00f3prio governo (de modo a que este n\u00e3o tenha de ser endividar permanentemente junto a banqueiros privados) e a constru\u00e7\u00e3o de uma economia que sirva o povo e n\u00e3o o capital financeiro.<\/p>\n<p>Algum pa\u00eds j\u00e1 repudiou a sua d\u00edvida externa?<br \/>\nSim, h\u00e1 muitos exemplos hist\u00f3ricos. Eis alguns:<\/p>\n<ul>\n<li>Em 1776 os Estados Unidos repudiaram a sua d\u00edvida para com a Inglaterra.<\/li>\n<li>O M\u00e9xico repudiou alguns pagamentos de d\u00edvida em 1867, 1914 e 1946.<\/li>\n<li>Em 1870, ap\u00f3s a guerra civil, o governo federal dos EUA repudiou d\u00edvidas a bancos sulistas.<\/li>\n<li>Em 1898 Cuba repudiou d\u00edvidas a bancos espanh\u00f3is, consideradas odiosas.<\/li>\n<li>Em 1912 a Turquia ganhou num Tribunal Arbitral o processo referente ao seu rep\u00fadio \u00e0 d\u00edvida para com a R\u00fassia czarista.<\/li>\n<li>Em 1918 a R\u00fassia repudiou a d\u00edvida czarista, particularmente aquela acumulada com a I Guerra Mundial.<\/li>\n<li>Em 1919 um novo governo da Costa Rica considerou ileg\u00edtima a d\u00edvida de governos anteriores e consequentemente pediu a sua anula\u00e7\u00e3o, o que foi devidamente assegurado num tribunal dos EUA.<\/li>\n<li>Em 1919 o Tratado de Versalhes isentou a Pol\u00f4nia da d\u00edvida acumulada para com a Alemanha durante a I Guerra Mundial.<\/li>\n<li>Em 1931 o Brasil anulou grande parte da sua d\u00edvida externa ap\u00f3s uma auditoria conduzida pelo ministro Osvaldo Aranha.<\/li>\n<li>Na d\u00e9cada de 1930 treze outros pa\u00edses latino-americanos repudiaram d\u00edvidas que consideraram ileg\u00edtimas.<\/li>\n<li>Em 1953 o <a href=\"http:\/\/resistir.info\/v_carvalho\/divida_renegociacao.html\" target=\"_new\"> Acordo de Londres<\/a> cancelou 51% da d\u00edvida da Alemanha acumulada durante a II Guerra Mundial. Foi acordado ali que o servi\u00e7o da d\u00edvida que ultrapassasse 3,5% das receitas de exporta\u00e7\u00e3o n\u00e3o teria de ser pago. Este cancelamento foi a chave para o crescimento da economia alem\u00e3.<\/li>\n<li>Em 1959, a seguir \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o, Cuba repudiou a d\u00edvida da ditadura de Batista.<\/li>\n<li>O governo p\u00f3s-apartheid da \u00c1frica do Sul cancelou d\u00edvidas da Nam\u00edbia e de Mo\u00e7ambique para com o antigo regime racista.<\/li>\n<li>Em 2002, em meio \u00e0 recess\u00e3o provocada pelos empr\u00e9stimos e pol\u00edticas do FMI, o governo da Argentina anunciou a maior suspens\u00e3o de pagamentos de d\u00edvida da hist\u00f3ria, no montante de US$80 mil milh\u00f5es. Durante os anos seguintes a economia argentina cresceu a taxas de 8 a 9% ao ano.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Sob a ocupa\u00e7\u00e3o dos EUA, a d\u00edvida nacional do Iraque (US$125 mil milh\u00f5es) foi renegociada tendo sida reduzida em mais de 80%.<b> Este artigo encontra-se em <a href=\"http:\/\/resistir.info\/\" target=\"_new\"> http:\/\/resistir.info\/<\/a> . <\/b><\/li>\n<\/ul>\n<p>http:\/\/resistir.info\/jf\/crise_faq.html<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Jorge Figueiredo Pode haver um capitalismo sem crises? N\u00e3o, as crises peri\u00f3dicas, ou crises de conjuntura, s\u00e3o inerentes ao modo de produ\u00e7\u00e3o \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/12220\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":true,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-12220","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s10-internacional"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3b6","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12220","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12220"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12220\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12220"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12220"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12220"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}