{"id":12260,"date":"2016-10-04T16:33:31","date_gmt":"2016-10-04T19:33:31","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=12260"},"modified":"2016-10-24T12:51:55","modified_gmt":"2016-10-24T15:51:55","slug":"os-fundamentos-da-alienacao-da-mulher","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/12260","title":{"rendered":"Os fundamentos da aliena\u00e7\u00e3o da mulher"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/bloglavrapalavra.files.wordpress.com\/2016\/09\/samora.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/><strong>Por Samora Machel, via <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/machel\/1973\/mulher\/02.htm\">marxists.org<\/a><\/strong><\/p>\n<p><em>Samora Machel, nascido em 29 de setembro de 1933, liderou a Guerra de Independ\u00eancia do Mo\u00e7ambique. O texto abaixo foi extra\u00eddo \u00e0 brochura \u201cA Liberta\u00e7\u00e3o da Mulher \u00e9 uma Necessidade da Revolu\u00e7\u00e3o, Garantia da sua Continuidade, Condi\u00e7\u00e3o do seu Triunfo\u201d, e foi transcrito originalmente com base em uma interven\u00e7\u00e3o oral do camarada Samora Machel, Presidente da Frente de Liberta\u00e7\u00e3o de Mo\u00e7ambique (FRELIMO), na I Confer\u00eancia Nacional da Mulher Mo\u00e7ambicana, realizada em 4 de <!--more-->Mar\u00e7o de 1973. Nesse discurso, que virou um documento de orienta\u00e7\u00e3o para o trabalho de base da FRELIMO, Samora Machel destaca um aspecto crucial da luta pela emancipa\u00e7\u00e3o da mulher: o de que a contradi\u00e7\u00e3o principal que atravessa a sociedade n\u00e3o \u00e9 entre homens e mulheres, mas sim entre explorados e exploradores; e que a luta da mulher necessariamente \u00e9 a luta pela constru\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o socialista.<\/em><\/p>\n<p><strong>O sistema de explora\u00e7\u00e3o como ponto de partida<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 evidente que se falamos de emancipa\u00e7\u00e3o da mulher isso significa implicitamente que ela \u00e9 oprimida, explorada. Importa compreendermos as bases dessa opress\u00e3o, dessa explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Comecemos por dizer que a opress\u00e3o da mulher \u00e9 uma consequ\u00eancia da sua explora\u00e7\u00e3o, a opress\u00e3o na sociedade \u00e9 sempre o resultado da explora\u00e7\u00e3o imposta. O colonialismo n\u00e3o nos veio ocupar com o objetivo de nos prender, de nos chicotear ou dar palmatoadas. Ele invadiu-nos, ele ocupou-nos com o objetivo de explorar, as nossas riquezas, explorar o nosso trabalho. Para nos explorar, para suprimir a nossa resist\u00eancia \u00e0 explora\u00e7\u00e3o e impedir uma revolta contra ela, introduziu ent\u00e3o o sistema de opress\u00e3o. A opress\u00e3o f\u00edsica, com os tribunais, a pol\u00edcia, as for\u00e7as armadas, as pris\u00f5es, as torturas, os massacres. A opress\u00e3o moral, com o obscurantismo, a supersti\u00e7\u00e3o, a ignor\u00e2ncia, destinados a destruir o esp\u00edrito de iniciativa criadora, liquidar o sentido de justi\u00e7a e cr\u00edtica, reduzir a pessoa \u00e0 passividade, \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o do estado de explorado e oprimido como coisa normal. Dentro do processo surge ent\u00e3o a humilha\u00e7\u00e3o e o desprezo, porque aquele que explora e oprime tem tend\u00eancia a humilhar e desprezar a v\u00edtima, consider\u00e1-la como naturalmente inferior. Aparece o racismo, forma suprema da humilha\u00e7\u00e3o e do desprezo mecanismo da aliena\u00e7\u00e3o da mulher \u00e9 id\u00eantico ao mecanismo da aliena\u00e7\u00e3o do homem colonizado na sociedade colonial, ou do trabalhador na sociedade capitalista.<\/p>\n<p>A partir do momento em que a humanidade primitiva come\u00e7ou a produzir mais do que consumia, foram criadas as bases materiais para que no seio da sociedade surgisse uma camada que se iria apropriar dos frutos do trabalho da maioria. \u00c9 esta apropria\u00e7\u00e3o do resultado do trabalho das massas por um punhado de elementos na sociedade que constitui a ess\u00eancia do sistema de explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem e o cora\u00e7\u00e3o da contradi\u00e7\u00e3o antag\u00f4nica que h\u00e1 s\u00e9culos divide a sociedade.<\/p>\n<p>Logo que se desencadeou o processo de explora\u00e7\u00e3o, a mulher na sua generalidade, como o homem, foi submetida \u00e0 domina\u00e7\u00e3o das camadas privilegiadas. A mulher \u00e9 tamb\u00e9m um produtor, um trabalhador, mas com qualidades particulares. Possuir mulheres \u00e9 possuir trabalhadores, trabalhadores gratuitos, trabalhadores cuja totalidade do esfor\u00e7o de trabalho pode ser apropriada sem resist\u00eancia pelo esposo, que \u00e9 amo e senhor. Casar-se com muitas mulheres na sociedade de economia agr\u00e1ria torna-se um meio certo para acumular muitas riquezas. O marido assegura-se de uma m\u00e3o-de-obra gratuita, que n\u00e3o reclama nem se revolta contra a explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Da\u00ed a import\u00e2ncia da poligamia nas zonas rurais de economia agr\u00e1ria primitiva. A sociedade, compreendendo que a mulher \u00e9 uma fonte de riqueza, exige que um pre\u00e7o seja pago. Os pais requerem do futuro genro o pagamento dum pre\u00e7o, o \u201c<a href=\"http:\/\/www.dw.com\/pt\/lobolo-os-casamentos-em-mo%C3%A7ambique-ontem-e-hoje\/a-3657678\">lobolo<\/a>\u201d, para cederem a filha. A mulher \u00e9 comprada, herdada, como se fosse um bem material, uma fonte de riquezas.<\/p>\n<p>Mas mais importante ainda: comparada com o escravo, por exemplo, que tamb\u00e9m \u00e9 uma fonte de riqueza, que tamb\u00e9m \u00e9 um trabalhador gratuito, a mulher oferece duas outras vantagens ao seu propriet\u00e1rio: \u00e9 uma fonte de prazer, e sobretudo, \u00e9 uma produtora de outros trabalhadores, uma produtora de novas fontes de riqueza.<\/p>\n<p>Este \u00faltimo aspecto \u00e9 particularmente significativo. Assim, um marido ter\u00e1 na sociedade o direito de repudiar a mulher e de exigir a devolu\u00e7\u00e3o do lobolo quando a mulher for est\u00e9ril, ou o marido pensar que ela assim o \u00e9. Nota-se ainda que em muitas sociedades, conscientes do valor da for\u00e7a de trabalho dos filhos gerados pela mulher, se estabelece o princ\u00edpio de que estes pertencem ao cl\u00e3 maternal, \u00e0 fam\u00edlia da m\u00e3e. Na nossa sociedade \u00e9 tamb\u00e9m corrente a pr\u00e1tica de os filhos continuarem a pertencer \u00e0 fam\u00edlia da m\u00e3e, sobretudo enquanto o marido n\u00e3o tiver satisfeito a totalidade do lobolo, isto \u00e9, o pre\u00e7o da compra dessas riquezas. \u00c9 este contexto que produz a sobrevaloriza\u00e7\u00e3o da fertilidade da mulher, a transforma\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o homem-mulher em mero ato de procria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas uma situa\u00e7\u00e3o particular surgiu. O explorador, gra\u00e7as \u00e0 sua domina\u00e7\u00e3o sobre as massas, adquiria vastas riquezas, enormes propriedades, manadas de gado, ouro, joias, etc. Apesar das riquezas, como todo o homem, continuava mortal. Punha-se ent\u00e3o o problema do destino dessas riquezas; por outras palavras, a quest\u00e3o da heran\u00e7a torna-se fundamental. A mulher \u00e9 a produtora dos herdeiros.<\/p>\n<p>Compreendemos assim, que o ponto de partida da explora\u00e7\u00e3o da mulher e sua consequente opress\u00e3o se encontra no sistema de propriedade privada dos meios de produ\u00e7\u00e3o, no sistema de explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem.<\/p>\n<p><strong>Os mecanismos ideol\u00f3gicos e culturais da domina\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A sociedade da propriedade privada dos meios de produ\u00e7\u00e3o, sociedade de explora\u00e7\u00e3o do homem, cria e imp\u00f5e a ideologia e cultura que defender\u00e3o os seus valores, assegurar\u00e3o a sua sobreviv\u00eancia. A explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da mulher, a sua transforma\u00e7\u00e3o em produtor sem direitos, ao servi\u00e7o do propriet\u00e1rio \u2014 esposo ou do propriet\u00e1rio \u2014 pai, exigem a elabora\u00e7\u00e3o da ideologia e cultura adequadas, a organiza\u00e7\u00e3o dum sistema de educa\u00e7\u00e3o que as transmitam. \u00c9 evidente que n\u00e3o se trata dum ato \u00fanico e total, mas dum processo que se elabora e refina durante os mil\u00eanios em que a sociedade existe.<\/p>\n<p>O obscurantismo \u00e9 o ponto de partida do processo. Manter a mulher na ignor\u00e2ncia, ou s\u00f3 educ\u00e1-la o m\u00ednimo necess\u00e1rio, \u00e9 o princ\u00edpio geral. Em toda a parte vemos que o analfabetismo \u00e9 sempre superior nas mulheres que, embora constituam a maioria da popula\u00e7\u00e3o, aparecem sempre como minoria nas escolas, nos liceus, nas universidades.<\/p>\n<p>As civiliza\u00e7\u00f5es mais desenvolvidas do passado, como hoje ainda na sociedade capitalista, sempre mantiveram a ci\u00eancia como monop\u00f3lio do homem, seu dom\u00ednio exclusivo. Manter a mulher separada da ci\u00eancia \u00e9 impedi-la de descobrir que a sociedade \u00e9 criada em fun\u00e7\u00e3o de certos interesses precisos, e que por consequ\u00eancia \u00e9 poss\u00edvel modificar a sociedade.<\/p>\n<p>O obscurantismo, a ignor\u00e2ncia, s\u00e3o irm\u00e3os g\u00eameos da supersti\u00e7\u00e3o e os pais da passividade.<\/p>\n<p>Todas as supersti\u00e7\u00f5es, as religi\u00f5es, sempre encontraram o terreno mais f\u00e9rtil no seio da mulher, porque esta se encontrava mergulhada na maior ignor\u00e2ncia e obscurantismo. Na nossa sociedade, os ritos e cerim\u00f4nias aparecem como o ve\u00edculo principal de transmiss\u00e3o dos conceitos da sociedade sobre a inferioridade da mulher, sobre a sua subservi\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o ao homem. \u00c9 a este n\u00edvel ainda que se propagam numerosos mitos e supersti\u00e7\u00f5es que se destinam objetivamente a destruir o esp\u00edrito de iniciativa da mulher; e reduzi-la \u00e0 passividade.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria educa\u00e7\u00e3o familiar acentua e refor\u00e7a estes diversos aspectos. Desde crian\u00e7a a rapariga \u00e9 educada duma maneira diferente do rapaz, \u00e9-lhe inculcado um sentimento de inferioridade.<\/p>\n<p>Nada disso \u00e9 surpreendente: como dissemos, a sociedade exploradora fomenta a ideologia, a cultura, a educa\u00e7\u00e3o que servem os seus interesses. Ela faz isso com a mulher, como o faz com o colonizado ou o trabalhador nos pa\u00edses capitalistas. Todos eles s\u00e3o mantidos deliberadamente na ignor\u00e2ncia, obscurantismo e supersti\u00e7\u00e3o, com vista a convenc\u00ea-los a resignarem-se \u00e0 sua situa\u00e7\u00e3o, a inculcar-lhes o esp\u00edrito de passividade e servilismo.<\/p>\n<p>O racismo surge aqui: o colonizado \u00e9 definido como ser humano de segunda categoria, em fun\u00e7\u00e3o da sua cor. A mulher \u00e9 definida como ser humano inferior por causa do seu sexo. Nos pa\u00edses capitalistas da Europa dir\u00e3o que a mulher \u00e9 uma criatura com cabelos compridos e ideias curtas.<\/p>\n<p>O processo de aliena\u00e7\u00e3o mental atinge o ponto culminante quando o elemento explorado, reduzido \u00e0 passividade total, j\u00e1 n\u00e3o consegue imaginar que possa existir uma possibilidade de liberta\u00e7\u00e3o, e ele pr\u00f3prio se torna em agente difusor da teoria da resigna\u00e7\u00e3o e passividade. Devemos reconhecer que a domina\u00e7\u00e3o multissecular da mulher a reduziu em grande parte a este estado de passividade, que a impede mesmo de compreender a sua condi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>A defini\u00e7\u00e3o do antagonismo<\/strong><\/p>\n<p>Importa compreender corretamente a natureza da contradi\u00e7\u00e3o ou das contradi\u00e7\u00f5es que se encontram em jogo, pois s\u00f3 depois de as compreendermos estaremos em condi\u00e7\u00f5es de definir os alvos do nosso ataque, conceber a estrat\u00e9gia e a t\u00e1tica adequadas ao nosso combate.<\/p>\n<p>Vimos que o fundamento da domina\u00e7\u00e3o da mulher se encontrava no sistema de organiza\u00e7\u00e3o da vida econ\u00f4mica da sociedade: a propriedade privada dos meios de produ\u00e7\u00e3o, que necessariamente conduz \u00e0 explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem.<\/p>\n<p>Quer isto dizer que, na sua ess\u00eancia, a contradi\u00e7\u00e3o entre a mulher e a ordem social, para al\u00e9m das condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas da sua situa\u00e7\u00e3o, \u00e9 a contradi\u00e7\u00e3o entre ela e a explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem, entre ela e a propriedade privada dos meios de produ\u00e7\u00e3o. Por outras palavras, essa contradi\u00e7\u00e3o \u00e9 a mesma que existe entre as massas populares trabalhadoras e a ordem social exploradora.<\/p>\n<p>Sejamos claros neste ponto: a contradi\u00e7\u00e3o antag\u00f4nica n\u00e3o \u00e9 entre a mulher e o homem, mas, sim entre a mulher e a ordem social, entre todos os explorados, mulheres e homens, e a ordem social. \u00c9 esta situa\u00e7\u00e3o de explorada que explica a sua aus\u00eancia de todas as tarefas de concep\u00e7\u00e3o e decis\u00e3o no seio da sociedade, que a exclui da elabora\u00e7\u00e3o das concep\u00e7\u00f5es que organizam a vida econ\u00f4mica, social, cultural e pol\u00edtica, mesmo quando os seus interesses est\u00e3o diretamente afetados.<\/p>\n<p>\u00c9 este o aspecto principal da contradi\u00e7\u00e3o: a sua exclus\u00e3o da esfera de decis\u00e3o da sociedade. Esta contradi\u00e7\u00e3o s\u00f3 pode ser resolvida pela Revolu\u00e7\u00e3o porque s\u00f3 a Revolu\u00e7\u00e3o destr\u00f3i os alicerces da sociedade exploradora e reconstr\u00f3i a sociedade em bases novas, que libertam a iniciativa da mulher, a integram como ser respons\u00e1vel na sociedade e a associam \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o das decis\u00f5es.<\/p>\n<p>Por consequ\u00eancia, da mesma maneira que n\u00e3o pode haver Revolu\u00e7\u00e3o sem liberta\u00e7\u00e3o da mulher, a luta pela emancipa\u00e7\u00e3o da mulher n\u00e3o pode triunfar sem a vit\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Devemos ainda dizer que os fundamentos ideol\u00f3gicos e culturais da sociedade exploradora, que mant\u00e9m dominada a mulher, s\u00e3o destru\u00eddos pelo progresso da Revolu\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica e cultural, que imp\u00f5e \u00e0 sociedade novos valores, novos m\u00e9todos, novo conte\u00fado da educa\u00e7\u00e3o e cultura. Mas, al\u00e9m desta contradi\u00e7\u00e3o antag\u00f4nica entre a mulher e a ordem social, surgem ainda, como reflexo, outras contradi\u00e7\u00f5es que, com car\u00e1ter secund\u00e1rio, op\u00f5em a mulher ao homem.<\/p>\n<p>O sistema de casamento, a autoridade marital fundada exclusivamente no sexo, a frequente brutalidade do marido, a sua recusa sistem\u00e1tica em tratar a mulher como seu igual, constituem fontes de atritos e contradi\u00e7\u00f5es. Por vezes mesmo, em certos casos limites, estas contradi\u00e7\u00f5es secund\u00e1rias, porque n\u00e3o resolvidas corretamente, agudizam-se e resultam em consequ\u00eancias graves, como o div\u00f3rcio.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o s\u00e3o estes fatos, por graves que possam ser, que alteram a natureza da contradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Importa sublinhar este aspecto porque na nossa \u00e9poca presenciamos, sobretudo no inundo capitalista uma ofensiva ideol\u00f3gica que, sob a camuflagem de luta de liberta\u00e7\u00e3o da mulher, pretende transformar em antag\u00f4nica a contradi\u00e7\u00e3o com o homem, dividindo assim homens e mulheres-\u2014explorados, para impedir que combatam a sociedade exploradora. Na realidade, para al\u00e9m da demagogia que encobre a sua natureza real, esta ofensiva ideol\u00f3gica \u00e9 uma ofensiva da sociedade capitalista para confundir as mulheres, desviar a sua aten\u00e7\u00e3o do alvo verdadeiro.<\/p>\n<p>No nosso seio aparecem pequenas manifesta\u00e7\u00f5es desta ofensiva ideol\u00f3gica. Ouvimos aqui e acol\u00e1, mulheres murmurarem contra os homens, como se fosse a diferen\u00e7a dos sexos a causa da sua explora\u00e7\u00e3o, como se os homens fossem uns monstros s\u00e1dicos que tiram o seu prazer da opress\u00e3o da mulher.<\/p>\n<p>Homens e mulheres s\u00e3o produtos e v\u00edtimas da sociedade exploradora que os criou e educou. \u00c9 contra ela essencialmente que mulheres e homens unidos devem combater.<\/p>\n<p>A nossa experi\u00eancia pr\u00e1tica tem provado que os progressos obtidos na liberta\u00e7\u00e3o da mulher resultam dos sucessos obtidos no nosso combate comum contra o colonialismo e imperialismo, contra a explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem, pela constru\u00e7\u00e3o da nova sociedade.<\/p>\n<p><i><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagemp\" src=\"https:\/\/bloglavrapalavra.files.wordpress.com\/2016\/09\/josina.jpg?w=747\" \/>\u00c0 mem\u00f3ria de Josina Muthemba Machel, lutadora da Guerra de Independ\u00eancia, nascida em 10 de Agosto de 1945, falecida no dia 7 de abril de 1971 \u2013 hoje lembrado no pa\u00eds como Dia da Mulher Mo\u00e7ambicana.<\/i><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/lavrapalavra.com\/2016\/09\/28\/os-fundamentos-da-alienacao-da-mulher\/\">Os fundamentos da aliena\u00e7\u00e3o da&nbsp;mulher<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Por Samora Machel, via marxists.org Samora Machel, nascido em 29 de setembro de 1933, liderou a Guerra de Independ\u00eancia do Mo\u00e7ambique. O texto \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/12260\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":true,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[50],"tags":[],"class_list":["post-12260","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c61-cultura-revolucionaria"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3bK","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12260","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12260"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12260\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12260"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12260"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12260"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}