{"id":12346,"date":"2016-10-13T19:13:44","date_gmt":"2016-10-13T22:13:44","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=12346"},"modified":"2016-11-04T16:10:00","modified_gmt":"2016-11-04T19:10:00","slug":"pt-uma-tragedia-anunciada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/12346","title":{"rendered":"PT: UMA TRAG\u00c9DIA ANUNCIADA"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/RNGRAPTH6_fQ8nhzfem6-nLILoFp43Ow4ATDx0aNkhO6iFdIQJaUYbeQUvk3qY9SiwEFlC7wn-Osvv4sC6MFPs40CJRw9v7e_dMY1ZqrU7tvSSp0U3RNhSb9Ft7JtrJwYkaPPyt-vcd0Ldyipb5TnTZzsEEjm_6_no8ZIKUnc4yRWbGF2EFYPm0KOK8DcQf9skAtZSu-eFvthLYgKo1PbG5gdqh2CZodfCol8EspfzwTYLnSpQMFVYQ6qNWo3wOodHposrQO8pLxw9mAkInt8-kRwgZI2Px43-rsigX20WGtDedXMpWVZWhHz_qpebmpT81IRrDwoin7MtQpCxn6TbP7DW5y5bC4KaDPPs1S0RyKceYo0Fgn9f0QSVQj-G6INMUH79Rr7f27tuFjKPyPq_-kv1RIGNHWaV4DPhihv52xIqXuZF4WyYpKpmkThOoi7TvvJmbNulXgicX-k0E5TnKMgIk9actlud-ul5MzvHi97iihehNV6smPOUpH5oe7Sn21cm69DyHPZfIkRYKNOH9MNqUUpLGVINVIAotkino_HMBkcdapS3esgR3EhQTgjNVx6oaHfycio1LNIgWQX55sDti79mcBQQveFQoxgWCLGWoh=w308-h206-no\" alt=\"imagem\" \/>Jos\u00e9 Renato Andr\u00e9 Rodrigues*<\/p>\n<p>Boa parte da milit\u00e2ncia de esquerda no Brasil hoje ataca o PT, sejam ex-petistas organizados em outros partidos de esquerda, militantes de movimentos sociais e ex-militantes do PT soltos e desiludidos com os rumos e o caminho tra\u00e7ado por esse partido para chegar ao governo e administr\u00e1-lo para o grande capital.<!--more--><\/p>\n<p>Para entender o fen\u00f4meno PT, \u00e9 preciso entender a hist\u00f3ria recente do Brasil, a luta de classes e como as classes dominantes tra\u00e7aram os rumos da ditadura empresarial-militar at\u00e9 a abertura e a consolida\u00e7\u00e3o da hegemonia burguesa no fim da ditadura, em 1985.<\/p>\n<p>Entre o final de 1970 e o in\u00edcio de 1980, parte da sociedade brasileira lutava contra a ditadura empresarial-militar instalada em 1964. A burguesia brasileira tinha como objetivo o processo de abertura com uma lenta transi\u00e7\u00e3o democr\u00e1tico-burguesa, que tentou tirar de cena os setores mais combativos ao regime, em especial o Partido Comunista Brasileiro-PCB.<\/p>\n<p>O PCB, atrav\u00e9s de suas organiza\u00e7\u00f5es, conseguiu agregar os diversos setores descontentes com a ditadura; assim, come\u00e7ava o desgaste do regime e o aumento do prest\u00edgio das for\u00e7as de oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 ditadura. O PCB se torna o principal alvo dos \u00f3rg\u00e3os de repress\u00e3o, quando diversas organiza\u00e7\u00f5es do Partido s\u00e3o atingidas, militantes e dirigentes do Partido s\u00e3o presos, torturados e assassinados e ainda hoje muitos constam entre os desaparecidos.<\/p>\n<p>As a\u00e7\u00f5es do PCB na articula\u00e7\u00e3o das for\u00e7as pol\u00edticas contra a ditadura empresarial-militar foram fundamentais para o crescimento das manifesta\u00e7\u00f5es de massa contra o regime. Foi nesse cen\u00e1rio, t\u00e3o desfavor\u00e1vel para os comunistas, que come\u00e7ava a movimenta\u00e7\u00e3o para formar o Partido dos Trabalhadores (PT). E o Partido dos Trabalhadores se beneficia diretamente do cerco e exterm\u00ednio promovido pela ditadura contra o PCB.<\/p>\n<p>A Igreja Cat\u00f3lica, atrav\u00e9s da Teologia de Liberta\u00e7\u00e3o, e diversos grupos trotskistas encontraram no PT uma possibilidade de rivalizar com o PCB no movimento sindical. N\u00e3o foi \u00e0 toa que um col\u00e9gio tradicional como o Sion forneceu espa\u00e7o para a cria\u00e7\u00e3o do PT, em 1980. Nesse primeiro encontro, o Partido dos Trabalhadores sequer falou em socialismo.<\/p>\n<p>Os partidos de esquerda, principalmente os comunistas, sempre tiveram dificuldades para dialogar com as institui\u00e7\u00f5es religiosas por causa do comportamento conservador de alguns l\u00edderes. No entanto, o PT, desde sua funda\u00e7\u00e3o, sempre contou com o apoio de diversas institui\u00e7\u00f5es religiosas, n\u00e3o s\u00f3 dos cat\u00f3licos progressistas, mas tamb\u00e9m dos cat\u00f3licos carism\u00e1ticos, assim como de protestantes, de onde veio, por exemplo, Benedita da Silva.<\/p>\n<p>O Partido dos Trabalhadores, em seu nascedouro, abrigou diversos grupos de diversas matrizes, militantes que vieram do PCB, PCBR, ALN, MR8, MDB, PCdoB e outros. Grupos da Igreja Cat\u00f3lica e do chamado Novo Sindicalismo. Ao longo do crescimento do Partido dos Trabalhadores, as tend\u00eancias foram se adaptando \u00e0 m\u00e1quina partid\u00e1ria; grupos trotskistas, como a Libelu e a Converg\u00eancia Socialista, que mais tarde virou o PSTU, eram pequenos partidos dentro do PT. O PT j\u00e1 surge legalizado e permitido pela ditadura empresarial-militar em 1980, atrelado ao fundo partid\u00e1rio, contribuindo dessa maneira para criar uma milit\u00e2ncia ligada \u00e0 legalidade burguesa.<\/p>\n<p>O apoio ao socialismo era muito vago e espor\u00e1dico, tanto que, at\u00e9 hoje, o Partido dos Trabalhadores e suas diversas correntes n\u00e3o assumem o apoio que deram ao Sindicato Solidariedade, grupo pol\u00edtico apoiado pelo Vaticano, pela \u201cCIA e por toda a direita mundial\u201d.<b><i> <\/i><\/b>Como ficou claro mais tarde, o Solidariedade era anticomunista, inimigo dos trabalhadores, um grupo que lutava para restaurar o capitalismo na Pol\u00f4nia. Durante o governo Lech Walesa, Lula e Lech, ambos cat\u00f3licos, foram recebidos pelo Papa Jo\u00e3o Paulo II, de linha conservadora, inimigo declarado do socialismo e da Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No movimento sindical, o PT, quando surgiu, se apresentava como o novo, a grande novidade do movimento oper\u00e1rio e sindical no Brasil. Come\u00e7ava procurando falsificar a hist\u00f3ria das lutas dos trabalhadores como se elas tivessem come\u00e7ado nos anos 1970 e que o PT era o primeiro partido oper\u00e1rio no Brasil. Em nome do novo, o Partido dos Trabalhadores procurava n\u00e3o s\u00f3 combater a era Vargas e a estrutura sindical atrelada ao Estado, com os sindicatos hegemonizados pelos chamados pelegos, mas procurava tamb\u00e9m combater os comunistas, que eram, naquela conjuntura, seus principais inimigos a serem combatidos, n\u00e3o s\u00f3 por setores cat\u00f3licos conservadores anticomunistas de onde veio o Lula, como tamb\u00e9m por elementos ex-PCB e por grupos trotskistas, que precisavam, naquele momento, combater a velha capacidade de influ\u00eancia e articula\u00e7\u00e3o do PCB no meio sindical.<\/p>\n<p>O cerco promovido pela ditadura empresarial-militar contra o PCB provocou perda de sua influ\u00eancia no movimento sindical, ajudando o Partido dos Trabalhadores, que se valeu tamb\u00e9m dos erros t\u00e1ticos do PCB entre o fim da d\u00e9cada de 1970 e o in\u00edcio de 1980. O Partido dos Trabalhadores foi legalizado a tempo de concorrer \u00e0s elei\u00e7\u00f5es de 1982, ainda durante a ditadura, enquanto o PCB s\u00f3 se tornou legal ap\u00f3s o fim da ditadura.<\/p>\n<p>O 7\u00ba Congresso do PCB, realizado em novembro de 1982, na sede da Editora Novos Rumos, na Pra\u00e7a Dom Jos\u00e9 Gaspar, centro de S\u00e3o Paulo, foi invadido pela Pol\u00edcia Federal, que enquadrou o Partido e seus militantes e dirigentes na famigerada Lei de Seguran\u00e7a Nacional. Enquanto isso, em 1982, os militantes do PT podiam andar livremente, usando suas camisetas do Solidariedade e falar bobagens contra o socialismo e os comunistas.<\/p>\n<p>O chamado \u201cNovo Sindicalismo\u201d, que despontava nas greves do ABC paulista, negava todo o passado de luta que o Partido Comunista construiu. Os seus inimigos n\u00e3o eram apenas os pelegos da era Vargas, mas principalmente os comunistas. O pr\u00f3prio Lula j\u00e1 declarava o grande empecilho que era a exist\u00eancia do PCB para a cria\u00e7\u00e3o do Partido dos Trabalhadores, j\u00e1 que, at\u00e9 aquele per\u00edodo, o PCB era a principal for\u00e7a pol\u00edtica no meio sindical. Com acertos e erros, desde a d\u00e9cada de 1920, foram os comunistas que apresentaram um programa claro de ruptura com o sistema capitalista. O PT, desde o seu nascimento, sempre apresentou um programa difuso, nunca se assumiu como socialdemocrata.<\/p>\n<p>O PT, desde quando se tornou a principal for\u00e7a pol\u00edtica no meio sindical e popular, s\u00f3 tem conduzido as massas trabalhadoras ao desarme pol\u00edtico e ideol\u00f3gico; ideias como \u201ccidadania\u201d e \u201ccolabora\u00e7\u00e3o de classe\u201d invadiram o meio sindical hegemonizado pelo PT; surgiram criticando o PCB como velho e terminaram como o que h\u00e1 de pior na trai\u00e7\u00e3o de classe. Ao chegar ao governo em 2003, os sindicalistas petistas se abrigaram na m\u00e1quina do Estado burgu\u00eas, envolvendo-se na corrup\u00e7\u00e3o, aceitando fazer o jogo do grande capital, <strong><em><b><i>\u201c<\/i><\/b><\/em><\/strong>terminando mais pelego do que os pelegos que diziam combater\u201d, o que acabou respingando em toda a esquerda no Brasil, deixando um <em><i>deficit<\/i><\/em> organizativo no conjunto da classe trabalhadora brasileira ap\u00f3s treze anos de seu governo.<\/p>\n<p>Um partido que surgiu como o PT, com tamanha diversidade pol\u00edtico-ideol\u00f3gica e regional, ao negar o marxismo como ideologia do proletariado e o leninismo como organiza\u00e7\u00e3o de um partido independente e de classe, s\u00f3 poderia dar nisso que deu. O Partido dos Trabalhadores abriu caminho ao pragmatismo pol\u00edtico e poss\u00edvel adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 ordem burguesa.<\/p>\n<p>O processo de degenera\u00e7\u00e3o do Partido dos Trabalhadores n\u00e3o come\u00e7ou com a chegada de Lula \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, em 2003. Foi um processo cont\u00ednuo de acordo com a conjuntura. Essa pluralidade no PT se reflete com a constitui\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Empres\u00e1rios pela Cidadania, que apoiou a candidatura de Lula em 1994 e 1998, pela articula\u00e7\u00e3o de empres\u00e1rios atrav\u00e9s do grupo ETHOS, liderado por Lawrence Pih, um importante empres\u00e1rio formado em Filosofia na University of Massachussetts, nos Estados Unidos. Al\u00e9m da contribui\u00e7\u00e3o e alian\u00e7a com grandes empres\u00e1rios, o PT foi cada vez mais um partido da ordem burguesa, quando come\u00e7ou a ganhar prefeituras pelo pa\u00eds afora com um <em><i>slogan<\/i><\/em> despolitizado para n\u00e3o afrontar o sistema capitalista, o famoso \u201co PT faz bem, o PT na prefeitura s\u00f3 \u00e9 nota cem\u201d!! O Partido dos Trabalhadores nas prefeituras ampliou sua rela\u00e7\u00e3o com diversos empres\u00e1rios locais e nacionais, viciando dirigentes na conviv\u00eancia prom\u00edscua t\u00e3o comum na sociedade capitalista.<\/p>\n<p>O PT se apresentava como um gerenciador do capitalismo brasileiro. No governo, o PT e seus aliados ditos de esquerda, como o PCdoB, procuravam domesticar as massas trabalhadoras atrav\u00e9s da coopta\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais, confirmando uma previs\u00e3o de Antonio Gramsci, que afirmou que, ap\u00f3s 1917, a burguesia criou formas de coopta\u00e7\u00e3o das classes subalternas sem precisar dar um tiro sequer, isto \u00e9, atrav\u00e9s da corrup\u00e7\u00e3o na m\u00e1quina partid\u00e1ria e sindical, em que funcion\u00e1rios e militantes v\u00e3o se adaptando \u00e0 ordem burguesa. Gramsci apenas aprofunda uma previs\u00e3o de Lenin, quando o dirigente bolchevique denunciava o perigo da forma\u00e7\u00e3o da aristocracia sindical e oper\u00e1ria criada pelo sistema para amortecer a luta de classes. O Partido dos Trabalhadores aceitou fazer esse jogo quando construiu a governabilidade burguesa.<\/p>\n<p>Nos f\u00f3runs internacionais, para agradar a burguesia do Brasil e o imperialismo, o PT aumentou suas cr\u00edticas \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es do campo revolucion\u00e1rio, assim como negou a participa\u00e7\u00e3o das Farc no F\u00f3rum de S\u00e3o Paulo, nos anos de 1990. O PT passou a fazer alian\u00e7as at\u00e9 mesmo com o PSDB e o DEM (antigo PFL), partidos que deram sustenta\u00e7\u00e3o ao neoliberalismo no tempo de Fernando Henrique. Mesmo ap\u00f3s o <em><i>impeachment<\/i><\/em> de Dilma Rousseff, o PT segue fazendo alian\u00e7a Brasil afora com os mesmos partidos que votaram pelo afastamento da presidente Dilma, como o PMDB do atual presidente Michel Temer.<\/p>\n<p>Com a Carta aos Brasileiros, em 2002, o PT apenas consolida um longo processo iniciado no fim da d\u00e9cada de 1970. O PT se beneficia do processo de abertura promovido pela ditadura empresarial-militar, mantendo o pacto conservador com a burguesia do Brasil e o imperialismo. Assim foi feito nas negocia\u00e7\u00f5es de bastidores entre Fernando Henrique e Lula, quando negociaram a viagem de Lula aos Estados Unidos ap\u00f3s Lula ser eleito presidente do Brasil, em 2002. Nessa negocia\u00e7\u00e3o, Lula e Fernando Henrique e os organismos internacionais decidiram nomear Henrique Meirelles, \u201chomem de confian\u00e7a dos grandes bancos nacionais e internacionais\u201d. No plano interno, para garantir a governabilidade burguesa, o PT tratou de ampliar a base parlamentar com os velhos grupos pol\u00edticos que sempre comandaram o capitalismo brasileiro. Com isso, o governo petista garantiu grandes lucros \u00e0s grandes empresas atrav\u00e9s dos financiamentos do BNDES, com as PPP\u2019s, privatiza\u00e7\u00f5es como as rodadas dos leil\u00f5es do petr\u00f3leo, ampliou o agroneg\u00f3cio, enquanto os \u00edndios e os quilombolas n\u00e3o tiveram suas terras reconhecidas e nem foi realizada a reforma agr\u00e1ria. Tudo isso foi feito como o aval dos movimentos sociais hegemonizados pelo PT e seus aliados, como o PCdoB, que fizeram o servi\u00e7o sujo de ser a express\u00e3o da ideologia burguesa junto \u00e0 classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Acordos e investimentos foram feitos em Cuba, China, Venezuela e em alguns pa\u00edses da \u00c1frica, pelo interesse exclusivo da burguesia brasileira, interessada em diversificar seus investimentos no exterior. Se o governo do PT tivesse interesse em construir uma alternativa anti-imperialista, teria se incorporado \u00e0 ALBA, a Alternativa Bolivariana constru\u00edda pelo presidente Ch\u00e1vez, da Venezuela e aberto o sinal no Brasil para a rede de televis\u00e3o Telesur. N\u00e3o teria assinado acordos militares com os Estados Unidos, Israel e Col\u00f4mbia, n\u00e3o teria aceitado a pol\u00edtica imperialista de mandar tropas do Brasil para o Haiti. Foi o pr\u00f3prio Lula quem, em visita \u00e0 Col\u00f4mbia, afirmou que a Am\u00e9rica Latina n\u00e3o precisava mais da espada de Bol\u00edvar, e, sim, de mais capital, defendendo, na verdade, a integra\u00e7\u00e3o entre as burguesias da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Podemos dizer que a burguesia brasileira \u00e9 uma das mais pragm\u00e1ticas do mundo. Ela \u00e9 capaz de dizer que o governo do Brasil \u00e9 contra o bloqueio a Cuba e, ao mesmo tempo, ter acordos com os Estados Unidos; \u00e9 capaz de dizer que \u00e9 solid\u00e1ria \u00e0 causa Palestina, enquanto tem acordos com Israel na \u00e1rea militar e comercial.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica social promovida pelo governo do PT foi muito rebaixada, n\u00e3o se trabalhou a politiza\u00e7\u00e3o das massas trabalhadoras que passaram a ter at\u00e9 acesso ao consumo. Apenas se criou uma falsa ideia de que se estava constituindo uma nova classe m\u00e9dia no Brasil. Foi uma caricatura de uma social-democracia tentando aplicar uma pol\u00edtica de bem-estar social em uma \u00e9poca em que os partidos social-democratas estavam totalmente rendidos \u00e0 pol\u00edtica do grande capital, n\u00e3o podendo mais fazer a media\u00e7\u00e3o do conflito capital-trabalho.<\/p>\n<p>No governo, o PT escolheu n\u00e3o afrontar a burguesia de plant\u00e3o, n\u00e3o tocou nos temas da luta de classes e n\u00e3o fez o enfrentamento \u00e0 pol\u00edtica neoliberal dos governos anteriores, nem procurou engavetar as reformas contra os trabalhadores. E foi no governo Lula\/Dilma que se deu prosseguimento \u00e0s reformas trabalhista, sindical e previdenci\u00e1ria da era Fernando Henrique, do PSDB.<\/p>\n<p>Se, por um lado, o governo petista dava alguns benef\u00edcios \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de baixa de renda, do outro lado, dava bilh\u00f5es \u00e0s grandes empresas atrav\u00e9s do apoio do Estado brasileiro.<\/p>\n<p>Para chegar ao poder e garantir a governabilidade do grande capital, o PT n\u00e3o precisou romper com o marxismo, porque o PT n\u00e3o foi nem nunca quis ser um partido socialista ou comunista. Para buscar alian\u00e7as com a direita, o campo majorit\u00e1rio soube usar sua influ\u00eancia no interior do PT, enquanto alguns grupos ditos da esquerda do PT n\u00e3o romperam e nem sa\u00edram desse partido. Esses grupos tamb\u00e9m estavam viciados nas benesses dos mandatos parlamentares.<\/p>\n<p>Hoje, uma das grandes tarefas das for\u00e7as pol\u00edticas anticapitalistas no Brasil \u00e9 desmascarar as for\u00e7as pol\u00edticas reformistas que ainda exercem influ\u00eancia no seio da classe trabalhadora. O Partido dos Trabalhadores cumpriu um desservi\u00e7o na consci\u00eancia e na hist\u00f3ria das lutas dos trabalhadores no Brasil. \u00c9 hora de se resgatar a identidade de classe, romper com a concilia\u00e7\u00e3o e trai\u00e7\u00e3o de classe promovida pelo petismo e seus aliados nesses treze anos em que estiveram nos governos de ampla coaliz\u00e3o de Lula\/Dilma.<\/p>\n<p>O petismo, em seus treze anos de governo, transformou antigos militantes em pol\u00edticos envolvidos na sujeira comum da tradicional pol\u00edtica burguesa, totalmente humilhados e rendidos nas m\u00e3os das classes dominantes, implorando participar do clube para o qual n\u00e3o foram convidados. Foram usados e chutados pela burguesia, porque foram os petistas quem de fato escolheram governar para o grande capital. N\u00e3o d\u00e1 para passar uma borracha como se nada tivesse acontecido nesses \u00faltimos treze anos, como est\u00e3o querendo fazer os militantes e dirigentes do PT e seus aliados, com o objetivo de neutralizar e hegemonizar os movimentos sociais para tentar barrar a esquerda classista que n\u00e3o conciliou com os treze anos de governo de trai\u00e7\u00e3o de classe.<\/p>\n<p>Lembrando Caio Prado Junior, n\u00e3o podemos trabalhar com pr\u00e1ticas pol\u00edticas de alian\u00e7as que levem ao desarme pol\u00edtico e ideol\u00f3gico das classes trabalhadoras. Devemos romper com velhas pr\u00e1ticas para construir um programa anticapitalista que leve os trabalhadores a se colocar em movimento para manter e ampliar direitos.<\/p>\n<p>Hoje, mais do que nunca, \u00e9 necess\u00e1rio manter viva a consci\u00eancia de classe para criar as condi\u00e7\u00f5es da unidade de todos os trabalhadores para defender seus interesses leg\u00edtimos. Romper com o reformismo e a concilia\u00e7\u00e3o, deixando bem claro que, de um lado, est\u00e3o as for\u00e7as do passado, que se aliam com a burguesia, e, de outro lado, as for\u00e7as pol\u00edticas com um projeto claro de futuro de transforma\u00e7\u00f5es radicais da realidade brasileira.<\/p>\n<p>Na composi\u00e7\u00e3o desse bloco de for\u00e7as anticapitalistas e anti-imperialistas, n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o nem para a concilia\u00e7\u00e3o nem para o reformismo. A partir da\u00ed poderemos lutar para superar o capitalismo em dire\u00e7\u00e3o ao socialismo em nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p><em><i>*Professor de Filosofia da Rede P\u00fablica Estadual do Estado do Rio de Janeiro,<\/i><\/em><\/p>\n<p><strong><em><i>Secret\u00e1rio Pol\u00edtico do PCB na cidade de Nova Igua\u00e7u-RJ <\/i><\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Jos\u00e9 Renato Andr\u00e9 Rodrigues* Boa parte da milit\u00e2ncia de esquerda no Brasil hoje ataca o PT, sejam ex-petistas organizados em outros partidos de \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/12346\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":true,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-12346","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s8-brasil"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3d8","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12346","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12346"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12346\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12346"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12346"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12346"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}