{"id":12379,"date":"2016-10-16T21:48:15","date_gmt":"2016-10-17T00:48:15","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=12379"},"modified":"2016-11-04T16:12:03","modified_gmt":"2016-11-04T19:12:03","slug":"sobre-os-acordos-de-paz-na-colombia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/12379","title":{"rendered":"Sobre os acordos de paz na Col\u00f4mbia"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/resistir.info\/colombia\/imagens\/marquetalianos.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/><b>por <i> Rizospastis<\/i><\/b><\/p>\n<p>Como j\u00e1 se sabe, domingo 2 de Outubro celebrou-se um plebiscito como objectivo de ratificar o acordo de paz firmado entre o governo da Col\u00f4mbia e as For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias da Col\u00f4mbia \u2013 Ex\u00e9rcito do Povo (FARC-EP). A participa\u00e7\u00e3o no plebiscito chegou aos 37% do recenseamento eleitoral e o acordo de paz foi recusado com 50,2% dos votos.<!--more--><\/p>\n<p>O acordo, fruto de quatro anos de negocia\u00e7\u00f5es em Oslo e em Havana, t\u00eave como objectivo terminar o conflito armado que come\u00e7ou em 1964, quando foram fundadas as FARC-EP a fim de responder \u00e0 viol\u00eancia desencadeada pelo ex\u00e9rcito burgu\u00eas contra a popula\u00e7\u00e3o rural de Marquetalia <b>[1]<\/b> . Enquanto isso, havia sido anunciado que o governo exploraria as op\u00e7\u00f5es para come\u00e7ar o di\u00e1logo com o Ex\u00e9rcito de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional (ELN), outra organiza\u00e7\u00e3o guerrilheira importante do pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong> O massacre da &#8220;Uni\u00e3o Patri\u00f3tica&#8221; <\/strong><\/p>\n<p>No passado houve outras tentativas de chegar \u00e0 paz, com as negocia\u00e7\u00f5es dos anos 1982-1984 com o governo de Belisario Betancourt sendo as mais conhecidas. O referido processo resultou na forma\u00e7\u00e3o da &#8220;Uni\u00e3o Patri\u00f3tica&#8221; (UP) como partido pol\u00edtico legal das FARC-EP e do Partido Comunista Colombiano (PCC). A UP foi sujeita a uma verdadeira matan\u00e7a pelo estado burgu\u00eas e pelo paramilitarismo. Numa d\u00e9cada foram assassinados mais de 5000 membros e quadros da UP, entre eles dois candidatos presidenciais, 7 senadores, 13 congressistas, 11 alcaides, 69 vereadores, enquanto milhares de pessoas tiveram que seguir o caminho do ex\u00edlio pol\u00edtico fugindo para o estrangeiro.<\/p>\n<p>Durante todos estes anos os EUA, a Uni\u00e3o Europeia (UE) e outras for\u00e7as imperialistas apoiaram o estado burgu\u00eas colombiano, oferecendo de maneira generosa seu apoio financeiro, militar e pol\u00edtico. Os EUA e a UE inclu\u00edram as FARC-EP no cat\u00e1logo de organiza\u00e7\u00f5es terroristas e depois do falecimento de Ra\u00fal Reyes, quadro das FARC-EP, em 2008 no Equador, travou-se uma verdadeira ca\u00e7a \u00e0s bruxas em n\u00edvel internacional utilizando &#8220;dados&#8221; encontrados no computador pessoal de Ra\u00fal Reyes descoberto no acampamento bombardeado das FARC-EP. Por outro lado, no apoio \u00e0 luta das FARC-EP e do movimento popular do pa\u00eds somou-se a maioria esmagadora dos Partidos Comunistas da Am\u00e9rica Latina, v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es do movimento popular e da juventude da regi\u00e3o e de todo o globo.<\/p>\n<p><strong> Em rela\u00e7\u00e3o ao &#8220;Acordo de Havana&#8221; <\/strong><\/p>\n<p>Em 23 de Junho de 2016 as FARC-EP e o governo colombiano firmaram um cessar-fogo definitivo e um acordo de desarmamento e a 24 de Agosto foi anunciado o &#8220;Acordo final para o t\u00e9rmino do conflito e a constru\u00e7\u00e3o de uma paz est\u00e1vel e duradoura&#8221;, apresentado para ser ratificado no plebiscito. Durante os dias 17-23 de Setembro as FARC-EP celebraram sua 10\u00aa Confer\u00eancia Guerrilheira, que validou o acordo.<\/p>\n<p>O acordo \u00e9 composto por acordos parciais agrupados em 6 cap\u00edtulos. Prev\u00ea-se um processo de desarmamento das FARC-EP em 22 <i> &#8220;zonas veredales transitorias de normalizaci\u00f3n&#8221; <\/i> e em seis mais pequenos <i> &#8220;puntos transitorios de normalizaci\u00f3n&#8221;, <\/i> onde os guerrilheiros das FARC-EP se concentrariam para ficarem durante seis meses e onde suas armas individuais seriam concentradas e desmanteladas sob a jurisdi\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas. Al\u00e9m disso, dentro de tr\u00eas meses da aplica\u00e7\u00e3o dos acordos as FARC assumiriam a obriga\u00e7\u00e3o de desmantelar o resto das armas armazenadas.<\/p>\n<p>O acordo estabelece o monop\u00f3lio do estado capitalista \u00e0 viol\u00eancia, a condena\u00e7\u00e3o da luta revolucion\u00e1ria, promove o consenso social e a assimila\u00e7\u00e3o, reconhece a supremacia da classe capitalista e do seu estado e por fim mina a luta de classes.<\/p>\n<p>Exemplo: o acordo disp\u00f5e claramente que <i> &#8220;O Governo Nacional e as FARC-EP acordam &#8230; <b> assegurar o monop\u00f3lio leg\u00edtimo das for\u00e7as e do uso das armas por parte do Estado em todo o territ\u00f3rio&#8221; <\/b> <\/i> <b>[2]<\/b> uma frase que se repete com formula\u00e7\u00f5es parecidas em v\u00e1rios pontos do texto final. Al\u00e9m disso, nota-se que <i> &#8220;O Governo Nacional e o novo movimento pol\u00edtico que surja da transi\u00e7\u00e3o das FARC-EP \u00e0 actividade pol\u00edtica legal, comprometem-se a promover um Pacto Pol\u00edtico Nacional e a partir das regi\u00f5es com os partidos e movimento pol\u00edticos, os sindicatos, as for\u00e7as vivas da Na\u00e7\u00e3o&#8230;&#8221;. <\/i> <b>[3]<\/b><\/p>\n<p>O acordo n\u00e3o faz qualquer refer\u00eancia a temas importantes como as oito bases militares dos EUA no pa\u00eds, nem ao acontecimento significativo da assinatura do acordo entre a Col\u00f4mbia e a NATO a 25 de Junho de 2012, quando j\u00e1 havia come\u00e7ado o processo do Di\u00e1logo para a Paz.<\/p>\n<p>O Partido Comunista da Gr\u00e9cia (KKE) e muitas organiza\u00e7\u00f5es de massas do movimento popular do nosso pa\u00eds desde h\u00e1 d\u00e9cadas t\u00eam sido solid\u00e1rios com a luta do povo colombiano e das FARC-EP. Recusaram categoricamente a caracteriza\u00e7\u00e3o das FARC-EP como organiza\u00e7\u00e3o terrorista e exigiram sua exclus\u00e3o da lista da UE para as organiza\u00e7\u00f5es terroristas e a aboli\u00e7\u00e3o da referida lista.<\/p>\n<p>O KKE reclamou o reconhecimento das organiza\u00e7\u00f5es insurgentes FARC-EP e ELN como partes beligerantes, a liberta\u00e7\u00e3o dos presos encarcerados nos EUA assim como dos mais de 7500 presos pol\u00edticos na Col\u00f4mbia, a restaura\u00e7\u00e3o dos desalojados. O KKE exprimiu sua solidariedade multiforme com a luta do povo colombiano por uma Col\u00f4mbia sem explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem, para a paz com justi\u00e7a social. Para uma Nova Col\u00f4mbia onde ser\u00e1 respeitada a vontade e soberania popular, sem fome e mis\u00e9ria, com trabalho, habita\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o para todos.<\/p>\n<p>Enfrentamos decisivamente for\u00e7as burguesas e oportunistas que tentaram utilizar a situa\u00e7\u00e3o na Col\u00f4mbia para arremeter contra a luta revolucion\u00e1ria dos povos.<\/p>\n<p>As imensas dificuldades de uma luta prolongada, sob condi\u00e7\u00f5es de uma correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as muito negativa, marcada pelas consequ\u00eancias da contra-revolu\u00e7\u00e3o e do retrocesso tempor\u00e1rio do movimento oper\u00e1rio e revolucion\u00e1rio, pela crise na qual o movimento comunista internacional continua a encontrar-se, s\u00e3o aparentes.<\/p>\n<p>S\u00e3o tamb\u00e9m evidentes os obst\u00e1culos e dificuldades adicionais produzidos pelo apoio generoso do imperialismo ao estado burgu\u00eas da Col\u00f4mbia, pelo fornecimento de armas de alta tecnologia, pela intensifica\u00e7\u00e3o da colabora\u00e7\u00e3o dos estados capitalistas e seus mecanismos na regi\u00e3o atrav\u00e9s de uma rede densa de alian\u00e7as e organiza\u00e7\u00f5es inter-estatais.<\/p>\n<p>A causa dos grandes problemas experimentados pelo povo colombiano, como a repress\u00e3o, a mis\u00e9ria e a pobreza, s\u00e3o intr\u00ednseca ao sistema capitalista, ao poder dos monop\u00f3lios, ao estado burgu\u00eas, aos partidos pol\u00edticos burgueses e suas pol\u00edticas antipopulares. Tudo isto continuar\u00e1 a estar intacto depois do acordo.<\/p>\n<p>O acordo n\u00e3o se avalia sob o crit\u00e9rio de levar ou n\u00e3o a uma mudan\u00e7a das formas de luta. \u00c9 da responsabilidade e obriga\u00e7\u00e3o de cada partido e movimento revolucion\u00e1rio escolher a forma de luta adequada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s condi\u00e7\u00f5es e \u00e0s exig\u00eancias da luta de classes no seu pr\u00f3prio pa\u00eds. O crit\u00e9rio \u00e9 <b> se obriga o movimento popular do pa\u00eds a concess\u00f5es graves, inaceit\u00e1veis, perante a classe capitalista e seu poder, que o desarmar\u00e3o pol\u00edtica e ideologicamente e de maneira objectiva abrir\u00e3o caminho a acontecimentos que levar\u00e3o \u00e0 agudiza\u00e7\u00e3o da repress\u00e3o contra o movimento popular, ou \u00e0 sua assimila\u00e7\u00e3o, ou a ambos simultaneamente. <\/b><\/p>\n<p><b> Solidariedade internacionalista firme com o movimento oper\u00e1rio-popular da Col\u00f4mbia <\/b><\/p>\n<p>A classe oper\u00e1ria, as camadas populares de todos os pa\u00edses devem projectar seus pr\u00f3prios interesses, suas pr\u00f3prias palavras de ordem e objectivos de luta contra a domina\u00e7\u00e3o do capital e seu poder, em confronta\u00e7\u00e3o com o imperialismo, para o direito de cada povo de escolher seu caminho de desenvolvimento.<\/p>\n<p>O acompanhamento atento dos acontecimentos e a posi\u00e7\u00e3o firme ao lado do movimento oper\u00e1rio-popular contra cada tentativa de utilizar os referidos acontecimento para a agudiza\u00e7\u00e3o das persegui\u00e7\u00f5es e da repress\u00e3o \u00e9 imperioso. Exprimimos nossa firma solidariedade internacionalista com as lutas para os direitos oper\u00e1rios e populares, para uma Nova Col\u00f4mbia com o povo no poder.<\/p>\n<p>09\/Outubro\/2016<\/p>\n<p><b>1. Para mais informa\u00e7\u00e3o: <i> &#8220;Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia \u2013 Ejercito del Pueblo \u2013 37 a\u00f1os de batallas para la Nueva Colombia&#8221;, <\/i> Ra\u00fal Reyes, escrito para a revista <i> Komunistiki Epitheorisi, <\/i> \u00f3rg\u00e3o te\u00f3rico e pol\u00edtico do CC de KKE, vol.6\/2001<\/b><\/p>\n<p><b>2. Acuerdo Final, p.70<\/b><\/p>\n<p><b>3. Acuerdo Final, p.72 <\/b><\/p>\n<p>O original encontra-se em <i> Rizospastis, <\/i> 9\/Outubro\/2016<br \/>\ne a vers\u00e3o em castelhano em <a href=\"http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2016\/10\/13\/el-partido-comunista-de-grecia-y-su-opinion-sobre-los-acuerdos-de-paz-en-colombia\/\"> www.resumenlatinoamericano.org\/&#8230;<\/a><\/p>\n<p><b> Este artigo encontra-se em http:\/\/resistir.info\/colombia\/kke_09out16.html<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Rizospastis Como j\u00e1 se sabe, domingo 2 de Outubro celebrou-se um plebiscito como objectivo de ratificar o acordo de paz firmado entre \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/12379\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":true,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-12379","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c39-colombia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3dF","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12379","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12379"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12379\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12379"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12379"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12379"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}