{"id":12431,"date":"2016-10-21T11:14:59","date_gmt":"2016-10-21T14:14:59","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=12431"},"modified":"2017-12-30T17:06:15","modified_gmt":"2017-12-30T20:06:15","slug":"mocambique-samora-machel-trinta-anos-depois","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/12431","title":{"rendered":"Mo\u00e7ambique: Samora Machel, trinta anos depois"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/gz.diarioliberdade.org\/media\/k2\/items\/cache\/x959bff13552db2ecd5f0abd06198aa6f_L.jpg.pagespeed.ic.VvAWPXe2Ik.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/>Alcidio do Rosario Alberto Bombi*<\/p>\n<p>Mo\u00e7ambique celebrou no dia 19 de outubro o trig\u00e9simo anivers\u00e1rio do desaparecimento f\u00edsico do primeiro presidente da Rep\u00fablica Popular de Mo\u00e7ambique, Marechal <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Samora_Machel\">Samora Mois\u00e9s Machel<\/a>.<!--more--><\/p>\n<p>Mo\u00e7ambique celebrou no dia 19 de outubro o trig\u00e9simo anivers\u00e1rio do desaparecimento f\u00edsico do primeiro presidente da Rep\u00fablica Popular de Mo\u00e7ambique, Marechal\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Samora_Machel\">Samora Mois\u00e9s Machel<\/a>, v\u00edtima de desastre a\u00e9reo ocorrido a 19 Outubro de 1986. Este triste epis\u00f3dio teve lugar no auge da Guerra Fria liderada pela Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e Estados Unidos da Am\u00e9rica, em representa\u00e7\u00e3o dos blocos Comunista e Capitalista, respectivamente.<\/p>\n<p><strong>A quem interessava a morte de Samora Machel?<\/strong><\/p>\n<p>A morte do pai da na\u00e7\u00e3o mo\u00e7ambicana pode ser entendida em Tr\u00eas vertentes, a saber:<\/p>\n<p><strong>N\u00edvel sist\u00eamico<\/strong><\/p>\n<p>Devido a conjuntura bipolar, pouco depois da independ\u00eancia nacional, Mo\u00e7ambique declarou-se Estado Socialista. Contudo, n\u00e3o foi reconhecido como tal pela URSS, alegadamente Porque n\u00e3o estavam criadas bases para a <strong>luta de classes<\/strong>, em Mo\u00e7ambique. Esta situa\u00e7\u00e3o fez com que a FRELIMO se declarasse partido de vanguarda marxista-leninista. Por seu turno, a URSS recusou\u00a0 prestar apoio ao seu aliado (Mo\u00e7ambique) o que ter\u00e1 levado o governo de Maputo a procurar ajuda nos pa\u00edses capitalistas\/Ocidente. Parafraseando o meu ex-professor da cadeira de Estudos de Conflitos Calton Cadeado, Mo\u00e7ambicaque piscava \u00e1 esquerda e virava para a direita, ou seja, era anticapitalista e procurava apoio nos pa\u00edses que dizia combater a sua ideologia. Esta &#8220;ousadia&#8221; de se aproximar ao Ocidente n\u00e3o agradou os sovi\u00e9ticos, por sinal fabricante da aeronave Tupolev 134 e fornecedores da tripula\u00e7\u00e3o da mesma. De acordo com a tese do regime do <em>apartheid<\/em> a queda do avi\u00e3o deveu-se a erro humano: A tripula\u00e7\u00e3o informou a torre de controle do aer\u00f3dromo de Maputo de que a autonomia do voo do Tupolev seria de 4 horas. Na realidade, o avi\u00e3o s\u00f3 dispunha de combust\u00edvel para 3 horas e 45 minutos. Todavia, a aeronave n\u00e3o dispunha de combust\u00edvel suficiente para chegar \u00e0 Beira (local de aterragem alternativa caso n\u00e3o fosse poss\u00edvel em Maputo). Segundo o relat\u00f3rio da comiss\u00e3o encarregue de investigar as causas\u00a0 do acidente, o combust\u00edvel necess\u00e1rio para um desvio de Maputo para a Beira, incluindo as reservas, seria de 4730 kg. A estimativa de combust\u00edvel de que o avi\u00e3o dispunha quando se deu o acidente era de 2400 kg. Ou seja, faltavam no m\u00ednimo 2200 kg de combust\u00edvel para o avi\u00e3o poder efetuar o trajeto Maputo-Beira. A pessoa que talvez pudesse esclarecer essa d\u00favida teria sido o mec\u00e2nico de bordo e que havia sobrevivido ao acidente. Por\u00e9m, a parte sovi\u00e9tica n\u00e3o permitiu que ele comparecesse perante a comiss\u00e3o de inqu\u00e9rito, n\u00e3o obstante ter sido oficialmente solicitado a faz\u00ea-lo.<\/p>\n<p><strong>N\u00edvel regional<\/strong><\/p>\n<p>Aqui \u00e9 chamada a quest\u00e3o da r\u00e1dio-ajuda Falso (ponto defendido pelos regimes de Maputo e de Moscovo). Para estes regimes o acidente foi originado pela exist\u00eancia de um VOR falso, que ajudou a desviar o avi\u00e3o presidencial da sua rota normal. Nesta altura o governo segregacionista da RSA e o Estado mo\u00e7ambicano mantinham rela\u00e7\u00f5es muito tensas. Por um lado o governo mo\u00e7ambicano apoiava a luta do povo sul-africano, sob a dire\u00e7\u00e3o do Congresso Nacional Africano. Por seu turno, a \u00c1frica do Sul apoiava a Renamo. Como forma de esfriar a tens\u00e3o, os dois Estados firmaram, em 1984, o Acordo de Nkomati, com o objetivo de cortar as linhas de apoio ao ANC e \u00e1 Renamo, respectivamente.<\/p>\n<p>\u00c1 luz deste acordo, os dirigentes do ANC que viviam em Maputo foram expulsos de Mo\u00e7ambique, mas o apoio ao Inkhonto we Sizwe (bra\u00e7o armado do ANC) manteve-se. Um dado n\u00e3o menos importante \u00e9 que o Presidente Machel fez de Mo\u00e7ambique um basti\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o, entrando desta forma em confronta\u00e7\u00e3o direta com o imperialismo e o apartheid. Na altura da morte do &#8220;camarada presidente&#8221;, al\u00e9m de apoiar o ANC, Mo\u00e7ambique apoiava a SWAPO, movimento nacionalista que lutava pela autodetermina\u00e7\u00e3o do povo nam\u00edbio, que estava sob dom\u00ednio sul-africano. Por isso, convinha \u00e0 \u00c1frica do Sul eliminar fisicamente a figura do l\u00edder carism\u00e1tico mo\u00e7ambicano, pois era um entrave \u00e1s ambi\u00e7\u00f5es sul-africanas na regi\u00e3o da \u00c1frica Austral.<\/p>\n<p><strong>N\u00edvel dom\u00e9stico<\/strong><\/p>\n<p>Mais uma vez a m\u00e3o da \u00c1frica do Sul ganha espa\u00e7o, atrav\u00e9s do apoio direto ao banditismo armado, desencadeado pelo Movimento Nacional de Resist\u00eancia (MNR). Apoiando o MNR, a \u00c1frica do Sul queria derrubar o governo da Frelimo atrav\u00e9s de uma guerra civil. No que tange a este ponto (guerra civil), podemos encontrar dois cen\u00e1rios:<\/p>\n<ol>\n<li>Com a intensifica\u00e7\u00e3o da guerra, o povo mo\u00e7ambicano se levantaria contra o seu pr\u00f3prio governo\/revolta popular. Este cen\u00e1rio n\u00e3o vincou, pois o Presidente Samora era querido pelos mo\u00e7ambicanos;<\/li>\n<li>Possibilidade de ocorr\u00eancia de um golpe de Estado, desencadeado pelas For\u00e7as de defesa e Seguran\u00e7a.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Mais uma vez a pretens\u00e3o sul-africana n\u00e3o vincou, pois a popularidade de Samora no seio das for\u00e7as armadas era enorme, aliado ao facto de o chefe do Estado Maior das For\u00e7as Armadas (Figura respeitada pelos militares), Coronel General Sebasti\u00e3o Marcos Mabote, ter se mantido fiel ao seu Comandante-em-Chefe.<\/p>\n<p>Num passado muito pr\u00f3ximo, uma das filhas do saudoso presidente Samora Machel, disse que a morte do seu pai contou com a participa\u00e7\u00e3o de &#8220;m\u00e3o interna&#8221;.<\/p>\n<p>A n\u00edvel interno quem estaria interessado na morte do Marechal? Tendo em conta os seus sucessivos discursos, muitos deles direcionados, podemos chegar a seguinte conclus\u00e3o:<\/p>\n<p>A m\u00e3o interna \u00e9:\u00a0Os ambiciosos, os fomentadores de corrup\u00e7\u00e3o e nepotismo, o servilismo, os que faziam da tarefa recebida um privil\u00e9gio ou um meio de acumular bens ou distribuir favores, os que queriam ser os primeiros nos benef\u00edcios e \u00faltimos quando se tratava de sacrif\u00edcios, e por fim os respons\u00e1veis sens\u00edveis ao beija-m\u00e3o. No seio do seu pr\u00f3prio partido, Samora lan\u00e7ava discursos \u00e1cidos contra a corrup\u00e7\u00e3o, nepotismo, clientelismo e as repreens\u00f5es p\u00fablicas contra os seus camaradas granjearam uma grande admira\u00e7\u00e3o no seio das classes mais desfavorecidas do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 uma, al\u00e9m do seu papel fundamental na liberta\u00e7\u00e3o de Mo\u00e7ambique contra o jugo colonial portugu\u00eas, a determina\u00e7\u00e3o no apoio \u00e1 luta pela independ\u00eancia do Zimbabw\u00e9, da \u00c1frica do Sul, de Timor-Leste e cria\u00e7\u00e3o da Linha da\u00a0Frente,\u00a0 projetou o Presidente Samora como um \u00edcone da luta contra a opress\u00e3o no mundo.<\/p>\n<p>Para terminar, apraz-me terminar dizendo uma palavra de ordem que Samora n\u00e3o esquecia: A luta continua!<\/p>\n<p><em>*Alc\u00eddio do Ros\u00e1rio Alberto Bombi \u00e9 estudante de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais e Diplomacia.<\/em><\/p>\n<p>https:\/\/gz.diarioliberdade.org\/artigos-em-destaque\/item\/81841-mocambique-samora-machel-trinta-anos-depois.html<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Alcidio do Rosario Alberto Bombi* Mo\u00e7ambique celebrou no dia 19 de outubro o trig\u00e9simo anivers\u00e1rio do desaparecimento f\u00edsico do primeiro presidente da Rep\u00fablica \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/12431\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":true,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[177],"tags":[],"class_list":["post-12431","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3ev","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12431","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12431"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12431\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12431"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12431"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12431"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}