{"id":12438,"date":"2016-10-23T22:10:26","date_gmt":"2016-10-24T01:10:26","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=12438"},"modified":"2016-11-26T15:04:45","modified_gmt":"2016-11-26T18:04:45","slug":"marxismo-e-crises-capitalistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/12438","title":{"rendered":"Marxismo e crises capitalistas"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.guilford.com\/covers\/large\/00368237.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/><b>por <i>Science &amp; Society<\/i> <\/b><\/p>\n<p><b>&#8220;Crise&#8221; \u00e9 uma pedra de toque neste per\u00edodo da &#8220;Grande Recess\u00e3o&#8221;, na sequ\u00eancia do colapso de 2007-2008. Noutras alturas, desaparece totalmente do discurso predominante. O pensamento burgu\u00eas caracteriza-se por passar das proje\u00e7\u00f5es da crise, abstratas e absolutas, <!--more-->em certos per\u00edodos, para festejos otimistas de harmonia e de estabilidade, noutros per\u00edodos. [1] O marxismo, pelo contr\u00e1rio, sempre considerou as crises como um modo de exist\u00eancia, sempre presente, do capitalismo, o meio pelo qual avan\u00e7a a acumula\u00e7\u00e3o \u2013 sempre relativa, sempre sist\u00e9mica, que mostra sempre uma realidade nuclear comum e novos modos de apresenta\u00e7\u00e3o.<\/b><\/p>\n<p>Esta Edi\u00e7\u00e3o Especial, &#8220;Crises e Transforma\u00e7\u00e3o do Capitalismo: Investiga\u00e7\u00f5es e An\u00e1lises Contempor\u00e2neas de Marx&#8221;, apresenta uma not\u00e1vel gama de erudi\u00e7\u00e3o marxista, entretecendo fios hist\u00f3ricos, te\u00f3ricos e emp\u00edricos numa rica tape\u00e7aria de perspetiva da atual crise e das suas causas. Esta edi\u00e7\u00e3o \u00e9 um belo complemento da nossa Edi\u00e7\u00e3o Especial, &#8220;Capitalismo e Crise no S\u00e9culo XXI&#8221; (julho 2010), editada por Justin Holt e Julio Huato. Vou deixar os pormenores quanto ao conte\u00fado para a Introdu\u00e7\u00e3o e para os pr\u00f3prios artigos. Aqui, como de costume, apresentamos os nossos profundos agradecimentos aos editores convidados, Eduardo da Motta e Albuquerque e Alex Callinicos, por terem compilado estes ensaios. E (mais uma vez) como sempre, convidamos os leitores a continuar esta investiga\u00e7\u00e3o, cr\u00edtica e fundamental, e as suas controv\u00e9rsias, contribuindo para a nossa sec\u00e7\u00e3o Comunica\u00e7\u00f5es em futuras edi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><b>D.L.<\/b><\/p>\n<p>[1] &#8220;Na v\u00e9spera da crise, o burgu\u00eas, com a autossufici\u00eancia que deriva duma prosperidade embriagadora, declara que o dinheiro \u00e9 uma imagina\u00e7\u00e3o oca. S\u00f3 as mercadorias \u00e9 que s\u00e3o dinheiro! Mas agora, ouve-se o grito por toda a parte: s\u00f3 o dinheiro \u00e9 que \u00e9 uma mercadoria! Tal como a cor\u00e7a anseia por \u00e1gua pura, tamb\u00e9m a alma dele anseia por dinheiro, a \u00fanica riqueza&#8221; (CapitaI, Vol. I, cap. 3).<\/p>\n<p><b><br \/>\nEDI\u00c7\u00c3O ESPECIAL<br \/>\nCrises e Transforma\u00e7\u00e3o do Capitalismo:<br \/>\nInvestiga\u00e7\u00f5es e An\u00e1lises Contempor\u00e2neas de Marx<\/b><br \/>\nEduardo da Motta e Albuquerque e Alex Callinicos, Editores Convidados<\/p>\n<p>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p><b><i>1. A Conjuntura P\u00f3s-Colapso<\/i> <\/b><\/p>\n<p>Oito anos ap\u00f3s o colapso da Lehman Brothers, n\u00e3o h\u00e1 sinais duma recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica global est\u00e1vel e consistente. Pelo contr\u00e1rio, h\u00e1 ind\u00edcios claros de instabilidade prolongada no epicentro da crise. A crise de 2007-2009 e o ambiente econ\u00f3mico mundial p\u00f3s-crise colocam grandes problemas \u00e0s investiga\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas e emp\u00edricas.<\/p>\n<p>O impacto e o significado hist\u00f3rico desta crise \u2013 por vezes chamada &#8220;a primeira crise financeira mundial&#8221; \u2013 t\u00eam sido comparados \u00e0s grandes crises da hist\u00f3ria capitalista, como a crise de 1929. Claro, n\u00e3o \u00e9 uma avalia\u00e7\u00e3o f\u00e1cil, dado que s\u00e3o evidentes muitas novas caracter\u00edsticas nesta \u00faltima crise: o papel das inova\u00e7\u00f5es financeiras, a velocidade da sua difus\u00e3o internacional, a coopera\u00e7\u00e3o transnacional entre estados para a conter.<\/p>\n<p>A natureza da crise de 2007-2009 \u00e9 uma primeira quest\u00e3o: ser\u00e1 uma Grande Depress\u00e3o? Quais s\u00e3o as suas causas? Que \u00e9 que esta crise tem em comum com crises anteriores? O que \u00e9 diferente desta vez?<\/p>\n<p>Uma das singularidades desta crise \u00e9 a natureza e a velocidade da sua difus\u00e3o internacional. Atingiu a economia mundial logo em 2008, mas o impacto foi desigual. Basicamente, as economias capitalistas no centro (os Estados Unidos, a Europa e o Jap\u00e3o) foram as mais afetadas. As principais economias perif\u00e9ricas \u2013 a China, em primeiro lugar \u2013 foram menos afetadas inicialmente e recuperaram mais depressa, em 2012 o Banco de Compensa\u00e7\u00f5es Internacionais (BIS, 2012, 1) chamou-lhe uma &#8220;recupera\u00e7\u00e3o a duas velocidades&#8221;. Mesmo assim, segundo dados do BCI, ap\u00f3s 2010, quanto aos dados sobre desemprego, h\u00e1 uma separa\u00e7\u00e3o entre a recupera\u00e7\u00e3o nos Estados Unidos e a persist\u00eancia da crise na Europa (BIS, 2013, 14). Posteriormente, o BCI (2015, 45) menciona &#8220;padr\u00f5es inst\u00e1veis de crescimento&#8221;, &#8220;em contraste com uma retoma nas economias avan\u00e7adas&#8221; nas economias dos mercados emergentes, que &#8220;perderam o \u00edmpeto&#8221;. Em 2015 a economia brasileira encolheu 3,8%, enquanto a turbul\u00eancia na Bolsa chinesa foi considerada como prenunciando problemas mais profundos. Um epicentro de instabilidade pode ser uma caracter\u00edstica daquilo a que Andy Haldane, economista-chefe do Banco de Inglaterra, chamou<\/p>\n<blockquote><p>uma trilogia da crise em tr\u00eas atos. A Parte Um dessa trilogia foi a crise &#8220;anglo-sax\u00f3nica&#8221; de 2008-2009. A Parte Dois foi a crise da &#8220;\u00e1rea do euro&#8221; de 2011-2012. E podemos estar a entrar agora na primeira fase da Parte Tr\u00eas da trilogia, a crise do &#8220;mercado emergente&#8221; de 2015 em diante. (Haldane, 2015). <a href=\"http:\/\/resistir.info\/crise\/editorial_ss_out16_p.html#notas\">[1]<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p>A conjuntura p\u00f3s-colapso tem sido um ambiente de pol\u00e9micas e disputas, mesmo entre importantes pol\u00edticos e comentadores econ\u00f3micos. O regresso do fantasma de uma &#8220;estagna\u00e7\u00e3o secular&#8221;, avan\u00e7ada pelo antigo conselheiro econ\u00f3mico de Obama, Lawrence Summers, \u00e9 um indicador dos problemas que envolvem a economia capitalista mundial (por ex., Summers, 2014). A crise, em si mesma, dada a sua import\u00e2ncia e efeitos de longa dura\u00e7\u00e3o, apresenta outra quest\u00e3o aos investigadores: estar\u00e1 relacionada com uma transi\u00e7\u00e3o para uma nova fase da evolu\u00e7\u00e3o capitalista?<\/p>\n<p>Para al\u00e9m destas incertezas mais diretamente econ\u00f3micas, a conjuntura atual envolve muitos dos profundos problemas sociais e pol\u00edticos, velhos e novos. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel avaliar o cen\u00e1rio p\u00f3s-colapso sem considerar o aumento da desigualdade, os novos problemas demogr\u00e1ficos relacionados com uma maior esperan\u00e7a de vida, os fluxos de migra\u00e7\u00e3o do M\u00e9dio Oriente e de \u00c1frica para a Europa, a evolu\u00e7\u00e3o, profundamente disfuncional, da integra\u00e7\u00e3o europeia, o aumento da xenofobia e do racismo nalgumas regi\u00f5es da Europa e as mudan\u00e7as em curso na geopol\u00edtica mundial.<\/p>\n<p>Portanto, a conjuntura p\u00f3s-colapso apresenta grandes desafios aos investigadores. Como enfrent\u00e1-los?<\/p>\n<p><b><i>2. Marx enquanto ponto de partida<\/i> <\/b><\/p>\n<p>Marx e as suas obras s\u00e3o um ponto de partida que, pelo menos, pode reunir muitos investigadores. Gostar\u00edamos de sublinhar dois importantes pontos em rela\u00e7\u00e3o a Marx e aos debates contempor\u00e2neos sobre as crises. Primeiro, h\u00e1 a sua teoriza\u00e7\u00e3o do capitalismo como um sistema din\u00e2mico. Isto implica uma perspetiva a longo prazo que apresenta um tratamento da mudan\u00e7a profundamente distinto. Este sistema din\u00e2mico sofre transforma\u00e7\u00f5es de forma turbulenta e n\u00e3o linear, e isso \u00e9 uma raz\u00e3o fundamental para as crises terem um lugar t\u00e3o importante nas obras e nas investiga\u00e7\u00f5es de Marx. O pr\u00f3prio Marx e, depois dele, uma longa tradi\u00e7\u00e3o de intelectuais inspirados em Marx, dedicaram esfor\u00e7os a compreender as crises que povoam a hist\u00f3ria do capitalismo, relacionando-as em especial com a din\u00e2mica a longo prazo do capitalismo. Mais ainda, esta tradi\u00e7\u00e3o persistente tem investigado a complexa rela\u00e7\u00e3o entre a din\u00e2mica capitalista, as crises e as transforma\u00e7\u00f5es do capitalismo. Nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX, Hilferding, Luxemburgo, Bukharine e Lenine, com as suas obras sobre o imperialismo, oferecem exemplos de tentativas para compreender o aparecimento de uma nova fase do capitalismo. Essas obras influenciaram uma posterior e rica linha de investiga\u00e7\u00e3o que tem investigado diferentes fases durante o s\u00e9culo XX. Esta tradi\u00e7\u00e3o mant\u00e9m-se viva e de boa sa\u00fade nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XXI: o livro publicado por Albritton, <i>et al.<\/i> (2001) e a edi\u00e7\u00e3o especial desta revista ( <i>Science &amp; Society,<\/i> 2010, Vol. 74, No. 3), publicada por Justin Holt e Julio Huato, s\u00e3o boas ilustra\u00e7\u00f5es desta linha de investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo, a investiga\u00e7\u00e3o colaborativa internacional e o trabalho organizado em torno do MEGA \u2013 as Obras Completas de Marx-Engels (Marx Engels Gesamtausgabe; ver <a href=\"https:\/\/socialhistory,org\/en\/projects\/marx-engels-gesamtausgabe\" target=\"_new\"> https:\/\/socialhistory,org\/en\/projects\/marx-engels-gesamtausgabe<\/a> ), ou MEGA2 \u2013 transformou o n\u00edvel de estudos de Marx. O projeto MEGA \u00e9 uma fonte fascinante de novas informa\u00e7\u00f5es e novos materiais de Marx; v\u00e3o mudando, \u00e0 medida que os lemos. Para quem est\u00e1 interessado em crises, o projeto MEGA disponibilizou material ainda n\u00e3o publicado, em especial os blocos de notas de Marx sobre crises. Os excertos nesses blocos de notas d\u00e3o pistas aos investigadores contempor\u00e2neos quanto \u00e0 forma como Marx investigou as crises que testemunhou. Esses materiais revelam os seus esfor\u00e7os para coligir cuidadosamente dados emp\u00edricos sobre as crises contempor\u00e2neas \u2013 1847, 1857, 1866, 1874 \u2013 usando fontes como <i>The Economist, The Money Market Review,<\/i> estat\u00edsticas dos relat\u00f3rios do Banco de Inglaterra e inqu\u00e9ritos parlamentares. O MEGA mostra Marx a debater-se para compreender as mudan\u00e7as no capitalismo do seu tempo. Poder\u00e1 surgir uma imagem de Marx, mais viva e mais humana, desses materiais: as suas notas, os t\u00f3picos que atra\u00edram a sua aten\u00e7\u00e3o e as explora\u00e7\u00f5es de quest\u00f5es que eram importantes nalguns excertos, mas que se evaporaram noutros. Portanto, estes materiais (quer os publicados, quer os dos arquivos do MEGA) podem ajudar os investigadores atuais a alargar horizontes, a afiar e melhorar as suas ferramentas de investiga\u00e7\u00e3o e a desenvolver uma nova compreens\u00e3o de todo o empenho de Marx. \u00c9 um acontecimento feliz que este novo conhecimento de Marx e das suas investiga\u00e7\u00f5es sobre crises venham a p\u00fablico exatamente quando temos este enorme desafio de compreender uma nova crise no capitalismo.<\/p>\n<p>Em suma: o que \u00e9 fascinante para os que gostariam de usar Marx como um ponto de refer\u00eancia \u00fatil para investigar o capitalismo contempor\u00e2neo \u00e9 a transforma\u00e7\u00e3o por que est\u00e1 a passar atualmente, para melhor, o nosso conhecimento das suas contribui\u00e7\u00f5es. N\u00e3o s\u00f3 sobre a din\u00e2mica do capitalismo, mas o conhecimento sobre Marx tamb\u00e9m est\u00e1 a mudar \u2013 um sujeito em mudan\u00e7a com um ponto de partida te\u00f3rico em mudan\u00e7a.<\/p>\n<p><b><i>3. Esta Edi\u00e7\u00e3o Especial<\/i> <\/b><\/p>\n<p>O desafio em compreender a conjuntura p\u00f3s-colapso e as oportunidades abertas pelos novos materiais sobre os estudos de Marx de crises exigem uma investiga\u00e7\u00e3o mais profunda, uma reflex\u00e3o coletiva e um debate acad\u00e9mico. Para ajudar a enfrentar este desafio e aproveitar esta oportunidade, foi organizada um <i>workshop<\/i> no King&#8217;s College London (27 e 28 de maio, de 2015): &#8220;Crises e Transforma\u00e7\u00e3o do Capitalismo: Investiga\u00e7\u00f5es e An\u00e1lises Contempor\u00e2neas de Marx&#8221;. <a href=\"http:\/\/resistir.info\/crise\/editorial_ss_out16_p.html#notas\">[2]<\/a><\/p>\n<p>Esta edi\u00e7\u00e3o especial de <i>Science &amp; Society<\/i> \u00e9 um produto desse <i>workshop<\/i> e de vivos argumentos e debates.<\/p>\n<p>O leitor pode us\u00e1-la enquanto combina\u00e7\u00e3o de opini\u00f5es diferentes e, por vezes, at\u00e9 conflituosas, do complexo sistema que \u00e9 o capitalismo. Essas opini\u00f5es conflituosas podem mesmo ser reinterpretadas pelo leitor como complementares, visto que os artigos t\u00eam focos diferentes. Claro que o resultado final fica por conta do leitor. Esperamos que haja qualquer coisa a ganhar com as interpreta\u00e7\u00f5es aqui apresentadas.<\/p>\n<p><b><i>4. Os artigos<\/i> <\/b><\/p>\n<p>Os artigos nesta edi\u00e7\u00e3o especial est\u00e3o divididos em duas sec\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><i>4.1. As Investiga\u00e7\u00f5es de Marx e a Teoria da Crise.<\/i> Lucia Pradella (King&#8217;s College London) abre a primeira parte, seguindo o desenvolvimento da compreens\u00e3o de Marx do elo entre imperialismo, crise e revolu\u00e7\u00e3o. Este artigo usa os blocos de notas de Marx (parcialmente publicados na quarta sec\u00e7\u00e3o do MEGA2), os seus artigos sobre colonialismo (sobre a \u00cdndia, a China e os Estados Unidos em particular), o &#8220;Livro da Crise&#8221; escrito em 1857-1858, e o <i>Capital<\/i> , Volume I. Pradella argumenta em primeiro lugar que, gra\u00e7as \u00e0 sua cr\u00edtica da teoria da quantidade de dinheiro nos Blocos de Notas de Londres (1850-1853), Marx desenvolveu a sua an\u00e1lise da acumula\u00e7\u00e3o de capital a n\u00edvel global, incluindo procedimentos de investimento externo e expans\u00e3o imperialista. Marx elaborou assim uma compreens\u00e3o mais refinada do elo entre a acumula\u00e7\u00e3o de capital e a crise, e ultrapassou a sua anterior perspetiva unidirecional de revolu\u00e7\u00e3o internacional. No &#8220;Livro da Crise&#8221; e nos seus artigos sobre a China e a \u00cdndia, Marx defende que os movimentos anticolonialistas nestes pa\u00edses eram fatores de agravamento da crise; estes movimentos podiam reagir na Gr\u00e3-Bretanha e, atrav\u00e9s dela, na Europa continental, aumentando a possibilidade dum resultado revolucion\u00e1rio. Na sec\u00e7\u00e3o seguinte, Pradella analisa como o Capital I conceptualiza o elo entre movimentos anticolonialistas, transi\u00e7\u00e3o hegem\u00f3nica e crise. Pradella apresenta, em especial, a an\u00e1lise de Marx das consequ\u00eancias do desenvolvimento industrial dos EUA e da Guerra Civil Americana para a ind\u00fastria inglesa.<\/p>\n<p>Leonardo Gomes de Deus (UFOP, Brasil) e os seus colegas (&#8220;Uma Teoria na Forja: Rascunhos de Marx de o <i>Capital<\/i> e os Blocos de Notas sobre a Crise de 1866&#8243;) concentram-se na prepara\u00e7\u00e3o de Marx e trabalho posterior do Volume III, em especial a Parte Cinco sobre juros e cr\u00e9dito, e as altera\u00e7\u00f5es de Engels desses manuscritos e notas. Este artigo segue uma sequ\u00eancia que come\u00e7a com os planos de Marx para as suas obras; continua com o <i>Manuscrito 1864-1865<\/i> , seguido pelo regresso de Marx \u00e0s investiga\u00e7\u00f5es do dinheiro, cr\u00e9dito e finan\u00e7as, ap\u00f3s os seus estudos e leituras relacionadas com a crise de 1866; e conclui com uma an\u00e1lise sobre como Engels corrigiu o Volume III com todos estes materiais <a href=\"http:\/\/resistir.info\/crise\/editorial_ss_out16_p.html#notas\">[3]<\/a> Este artigo mostra como Marx estava a explorar altera\u00e7\u00f5es estruturais que ocorreram antes e depois da crise de 1866. Os t\u00f3pico dos \u00edndices preparados por Marx nos Blocos de Notas B108, B109 e B113 mostra o seu interesse em fen\u00f3menos novos, como as altera\u00e7\u00f5es nas pol\u00edticas do Banco de Inglaterra (o in\u00edcio do seu papel de emprestador de \u00faltimo recurso), a rela\u00e7\u00e3o entre &#8220;t\u00edtulos e p\u00e2nico&#8221;, o aparecimento e o aumento de import\u00e2ncia de &#8220;bancos por a\u00e7\u00f5es e outras empresas&#8221;, o desenvolvimento dos caminhos-de-ferro (que podia ser visto como uma inova\u00e7\u00e3o tanto industrial como financeira), e altera\u00e7\u00f5es institucionais como a Lei de Responsabilidade Limitada de 1862. Na opini\u00e3o dos autores, o &#8221; <i>Exzerpthefte<\/i> , que Marx escreveu em 1868 e 1869, constitui uma investiga\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica da crise de 1866&#8243;. Em di\u00e1logo com a sec\u00e7\u00e3o seguinte, esclarecem que &#8220;os blocos de notas aqui apresentados fornecem uma agenda muito clara, envolvendo o mercado de divisas, o com\u00e9rcio internacional, o cr\u00e9dito e a crise&#8221;.<\/p>\n<p>Alex Callinicos (King&#8217;s College London) e Joseph Choonara (Universidade de Middlesex, UK) contribuem com um artigo que marca uma transi\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de elabora\u00e7\u00e3o no primeiro n\u00edvel \u2013 os escritos e a investiga\u00e7\u00e3o de Marx \u2013 para uma nova que tem por objetivo investigar o papel das crises na din\u00e2mica do capitalismo. O debate muda para quest\u00f5es como o papel dos movimentos de lucros nas crises, como medir a taxa de lucro e como essas quest\u00f5es de medi\u00e7\u00e3o podem ter impacto na discuss\u00e3o sobre a natureza e a situa\u00e7\u00e3o da interpreta\u00e7\u00e3o de Marx. Callinicos e Choonara sublinham que David Harvey \u00e9 um marxista contempor\u00e2neo muito importante, mas s\u00e3o cr\u00edticos quanto \u00e0 sua recente rejei\u00e7\u00e3o das tentativas de explicar crises atrav\u00e9s da queda da taxa de lucro. Resumem diferentes interpreta\u00e7\u00f5es sobre a situa\u00e7\u00e3o da tend\u00eancia para a queda da taxa de lucro (TRPF) nas obras de Marx. Concentrando-se nesta quest\u00e3o \u2013 fundamental para a compreens\u00e3o de crises, velhas e novas \u2013 Callinicos e Choonara oferecem uma ampla vis\u00e3o que analisa quest\u00f5es metodol\u00f3gicas b\u00e1sicas, preparando o terreno para uma discuss\u00e3o sobre &#8220;porque \u00e9 que as taxas de lucro s\u00e3o importantes&#8221;. Aqui, o artigo aborda o papel da taxa de lucro antes e depois das crises, organizando uma an\u00e1lise sobre a causalidade e outras liga\u00e7\u00f5es entre a din\u00e2mica industrial e o papel do cr\u00e9dito e da finan\u00e7a, assuntos do Volume III de Marx. Callinicos e Choonara sugerem uma intera\u00e7\u00e3o entre a queda tendencial da taxa de lucro e as suas contratend\u00eancias, defendendo que &#8220;isso n\u00e3o significa que as taxas de lucro se tornem indeterminadas&#8221;. Sublinham que &#8220;Marx parece ter encarado a TRPF e as tend\u00eancias compensat\u00f3rias como resolvendo-se a si mesmas atrav\u00e9s de crises peri\u00f3dicas\u2026 Longe de a tend\u00eancia e as contratend\u00eancias se limitarem a fazer subir ou descer as taxas de lucro, tendem a desenvolver-se duma maneira explosiva, com per\u00edodos de expans\u00e3o pontuados por crises&#8221;. Callinicos e Choonara apresentam assim o papel de contratend\u00eancias que ser\u00e3o centrais nos dois artigos na sec\u00e7\u00e3o seguinte.<\/p>\n<p><i> 4.2. Tend\u00eancias emp\u00edricas e explica\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas.<\/i> Guglielmo Carchedi (It\u00e1lia) abre a segunda parte com uma pergunta muito precisa: &#8220;A Grande Recess\u00e3o foi uma crise de lucratividade?&#8221; Este tema \u00e9 de novo um t\u00f3pico do Volume III de Marx \u2013 aqui um elo com artigos na primeira sec\u00e7\u00e3o \u2013 e um tema de controv\u00e9rsia entre autores nesta edi\u00e7\u00e3o. O artigo fornece dados para seguir recentes movimentos na composi\u00e7\u00e3o org\u00e2nica do capital e da taxa m\u00e9dia de lucro. Dados sobre emprego e capacidade de utiliza\u00e7\u00e3o ajudam a mostrar movimentos de crise e recupera\u00e7\u00e3o (apresentam-se dados para as crises de 1949, 1954, 1957-58, 1960-61, 1970, 1974-75, 1980-82, 1990-91, 2001-02 e 2007-08). Carchedi aplica a sua interpreta\u00e7\u00e3o da lei de Marx da queda da taxa de lucro, argumentando que ela &#8220;diz que a taxa do lucro cai tendencialmente&#8221;, e que os seus dados mostram &#8220;empiricamente que \u00e9 esse o caso&#8221;. &#8220;Quando aplicada \u00e0 teoria da crise, a lei diz que as crises s\u00e3o determinadas pela lucratividade em queda. Mas a lei <i>n\u00e3o<\/i> diz que a taxa de lucro tem que cair obrigatoriamente nos anos que <i>precedem<\/i> a crise. Nem diz que mesmo que tenha que cair antes da crise, seja a causa da crise&#8221;. Carchedi considera &#8220;se\u2026 [a Grande Recess\u00e3o de 2008-2009] foi uma crise financeira que se propagou aos setores produtivos ou uma crise de lucratividade que determinou e propagou-se aos setores financeiros&#8221;, e conclui que &#8220;o que acontece \u00e9 a \u00faltimo caso&#8221;. Para analisar esta quest\u00e3o, separa os dados de lucros totais em lucros gerados na esfera produtiva e lucros financeiros \u2013 &#8220;uma dedu\u00e7\u00e3o tanto dos lucros gerados nos setores produtivos como dos lucros totais&#8221;. A an\u00e1lise desses dados leva Carchedi a concluir que &#8220;todas as crises financeiras s\u00e3o tendencialmente determinados pela lucratividade em queda&#8221;.<\/p>\n<p>Jan Toporowski (Escola de Estudos Orientais e Africanos, Reino Unido) foca o papel da finan\u00e7a no capitalismo. O seu artigo alia uma incurs\u00e3o na hist\u00f3ria do pensamento econ\u00f3mico (an\u00e1logo ao de Callinicos e Choonara) com uma an\u00e1lise das ra\u00edzes da crise de 2007-2008 (an\u00e1loga \u00e0 de Carchedi). Toporowski passa em revista, criticamente, como Marx e intelectuais como Mikhail Tugan-Baranovsky, Rosa Luxemburgo e Rudolf Hilferding analisavam crises e mudan\u00e7as no capitalismo. Toporowski foca a inova\u00e7\u00e3o financeira e sublinha que &#8220;desde que o <i>Capital<\/i> foi escrito, ocorreu uma mudan\u00e7a radical no funcionamento da economia capitalista, na forma do aparecimento e prolifera\u00e7\u00e3o de mercados para d\u00edvidas a longo prazo e participa\u00e7\u00f5es em empresas capitalistas. Estes mercados expandiram-se, com a legisla\u00e7\u00e3o a partir da d\u00e9cada de 1860 em diante, que facilitou a instaura\u00e7\u00e3o de sociedades an\u00f3nimas nos pa\u00edses capitalistas avan\u00e7ados&#8221;. Esta refer\u00eancia \u00e9 uma liga\u00e7\u00e3o \u00fatil com os artigos da primeira sec\u00e7\u00e3o desta edi\u00e7\u00e3o especial. Toporowski sumariza as altera\u00e7\u00f5es na finan\u00e7a &#8220;desde o s\u00e9culo XX&#8221; em di\u00e1logo com marxistas e p\u00f3s-keynesianos contempor\u00e2neos. Passa em revista teorias de financiariza\u00e7\u00e3o, assumindo uma posi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica: &#8220;Sem uma an\u00e1lise das condi\u00e7\u00f5es para a determina\u00e7\u00e3o do valor, sendo essas condi\u00e7\u00f5es principalmente a acumula\u00e7\u00e3o de capital e o seu financiamento, as teorias de financiariza\u00e7\u00e3o n\u00e3o podem proporcionar uma descri\u00e7\u00e3o adequada da finan\u00e7a corporativa que reside no cerne da economia capitalista&#8221;. Com este pano de fundo te\u00f3rico, Toporowski aborda a crise de 2007-2009&#8243;. &#8220;A finan\u00e7a corporativa tem sido amplamente ignorada nas explica\u00e7\u00f5es da crise de 2008&#8221;. Esta interpreta\u00e7\u00e3o leva-o a apresentar &#8220;uma moldura para compreender como se criou a atual crise econ\u00f3mica na esfera da finan\u00e7a corporativa&#8221;. Usando como refer\u00eancia dados fornecidos em artigos de <i>The Economist<\/i> \u2013 como Marx fez nos seus blocos de notas sobre a crise de 1866 \u2013 Toporowski avalia o comportamento financeiro de seis importantes firmas multinacionais no setor de materiais b\u00e1sicos e da General Electric. A sua conclus\u00e3o sublinha o papel do setor financeiro na \u00faltima crise, mediado pela din\u00e2mica da acumula\u00e7\u00e3o de capital.<\/p>\n<p>G\u00e9rard Dum\u00e9nil e Dominique L\u00e9vy (CNRS, Fran\u00e7a) analisam longamente o capitalismo nos Estados Unidos e organizam o seu artigo, descrevendo cinco fases diferentes e as transi\u00e7\u00f5es entre elas. As suas refer\u00eancias a movimentos na taxa de lucro relacionam este artigo com outras contribui\u00e7\u00f5es. Estes movimentos enformam o seu artigo, que postula tr\u00eas fases de lucratividade em decl\u00ednio (&#8220;trajet\u00f3rias \u00e0 moda de Marx&#8221;) e duas fases de trajet\u00f3rias ascendentes (&#8220;tend\u00eancias contratendenciais&#8221;). Este artigo est\u00e1 tamb\u00e9m sustentado de forma fortemente emp\u00edrica, em que os dados sobre lucros e produtividade do capital criam uma perspetiva de longo prazo sobre esses movimentos, a partir de 1870. Neste cen\u00e1rio de longo prazo, Dum\u00e9nil e L\u00e9vy contextualizam a crise de 2007-2009 e da\u00ed em diante, e apresentam a an\u00e1lise duma transi\u00e7\u00e3o para uma nova fase do capitalismo norte-americano, uma nova trajet\u00f3ria descendente que se iniciou em 2004. A descri\u00e7\u00e3o das cinco fases \u00e9 seguida por uma apresenta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica das duas &#8220;trajet\u00f3rias \u00e0 moda de Marx&#8221; e &#8220;passagens&#8221;: &#8220;caracter\u00edsticas administrativas crescentes&#8221;, um t\u00f3pico que analisa a revolu\u00e7\u00e3o dirigente e as mudan\u00e7as provocadas pelas tecnologias de informa\u00e7\u00f5es e de comunica\u00e7\u00f5es. A sua an\u00e1lise duma nova fase \u2013 a quinta \u2013 depois de 2004, caracterizada pela lucratividade em queda, est\u00e1 ligada a uma cuidadosa avalia\u00e7\u00e3o do atual est\u00e1dio da revolu\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o e das comunica\u00e7\u00f5es, com um diagn\u00f3stico que consideram estar perto da interpreta\u00e7\u00e3o de Robert Gordon.<\/p>\n<p>Michael Roberts avalia tanto o colapso de 2007-2008 como a conjuntura que ele inaugurou, apresentando um diagn\u00f3stico que est\u00e1 muito claro logo no t\u00edtulo do artigo: &#8220;\u00c9 uma Depress\u00e3o&#8221;. Roberts sugere uma tipologia de recess\u00f5es e depress\u00f5es (seis tipos, desde uma recess\u00e3o, como em 1974-1975, at\u00e9 \u00e0 Longa Depress\u00e3o, como a que come\u00e7ou em 2007). O artigo apresenta dados para sustentar a avalia\u00e7\u00e3o da atual conjuntura enquanto longa depress\u00e3o, com foco especial em dados que mostram como o PIB <i>per capita<\/i> est\u00e1 hoje abaixo da linha de tend\u00eancia definida pela trajet\u00f3ria econ\u00f3mica antes da crise de 2007-2009. Roberts passa em revista autores predominantes como Mankiw e Brad Delong, e institui\u00e7\u00f5es como a OCDE que fornecem ind\u00edcios da natureza da atual crise. Integra as an\u00e1lises do papel da taxa de lucro nesta longa depress\u00e3o, apresentando dados para a taxa de lucro mundial, com base em dados processados por Esteban Maito. Esses dados foram alvo de algum debate durante o <i>workshop;<\/i> esta importante controv\u00e9rsia pode continuar. No caso dos Estados Unidos, Roberts apresenta dados sobre como os movimentos da taxa de lucro, os investimentos e o PIB est\u00e3o correlacionados, sublinhando o importante papel dos movimentos da taxa de lucro. O artigo conclui com uma an\u00e1lise da din\u00e2mica a longo prazo e do eventual aparecimento de uma nova fase do capitalismo atrav\u00e9s da considera\u00e7\u00e3o de ciclos de lucro, numa elabora\u00e7\u00e3o que alia Marx e Kondratiev. Com este enquadramento te\u00f3rico, Roberts aponta, por fim, para uma coincid\u00eancia entre o ciclo de lucro e os ciclos de Kondratiev: tal como nos anos 30, &#8220;a onda descendente de lucros coincide hoje com a onda descendente do ciclo de pre\u00e7os de Kondratiev que come\u00e7aram em 1982 e s\u00f3 chegar\u00e3o ao fim em 2018&#8221;.<\/p>\n<p>Leonardo Ribeiro (Inmetro, Brasil) e Eduardo Albuquerque (UFMG, Brasil) continuam esta preocupa\u00e7\u00e3o com longas ondas, usando um enquadramento com base em movimentos amplos da taxa de lucro para investigar caracter\u00edsticas duma nova fase emergente do capitalismo. O artigo est\u00e1 organizado em torno da ideia de que as crises podem ser momentos de transi\u00e7\u00e3o para novas fases do capitalismo, usando a intera\u00e7\u00e3o entre tend\u00eancia e contratend\u00eancias para a queda da taxa de lucro como um conceito fundamental na investiga\u00e7\u00e3o de metamorfoses do capitalismo \u2013 uma intera\u00e7\u00e3o j\u00e1 discutida por Callinicos e Choonara. O artigo sublinha o papel de contratend\u00eancias e usa dados preparados por Dum\u00e9nil e L\u00e9vy para resumir os movimentos a longo prazo da taxa de lucro nos Estados Unidos. O foco est\u00e1 nas duas principais contratend\u00eancias: movimentos de capital na dire\u00e7\u00e3o de novos setores (a persist\u00eancia da revolu\u00e7\u00e3o na tecnologia da informa\u00e7\u00e3o e o aparecimento de potenciais setores novos, como a biotecnologia, a nanotecnologia e rob\u00f4s sofisticados) e na dire\u00e7\u00e3o de novas regi\u00f5es (China e \u00c1sia do leste). Estes dois movimentos \u2013 contratend\u00eancias em a\u00e7\u00e3o \u2013 apresentam amplas mudan\u00e7as na economia global, mudan\u00e7as que n\u00e3o s\u00e3o acompanhadas por mudan\u00e7as institucionais profundas semelhantes. Na conclus\u00e3o, o artigo sugere que esta contradi\u00e7\u00e3o entre mudan\u00e7a e continuidade &#8220;pode ser a caracter\u00edstica definidora da presente conjuntura e pode modelar esta transi\u00e7\u00e3o espec\u00edfica e turbulenta em dire\u00e7\u00e3o a uma nova fase&#8221;.<\/p>\n<p><b><i>5. Uma agenda para investiga\u00e7\u00e3o futura<\/i> <\/b><\/p>\n<p>Esperamos que os leitores se sintam agora motivados para desenvolver as suas interpreta\u00e7\u00f5es destes debates em curso. Esta curta introdu\u00e7\u00e3o mostra certamente que a discuss\u00e3o est\u00e1 longe de acabada. A diversidade de abordagens apresentada nesta edi\u00e7\u00e3o especial \u00e9 uma for\u00e7a e uma contribui\u00e7\u00e3o para todos os que querem investigar o capitalismo contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p>O conte\u00fado do <i>workshop<\/i> e desta edi\u00e7\u00e3o especial tamb\u00e9m pode ajudar a criar essa agenda para posterior investiga\u00e7\u00e3o. H\u00e1, pelo menos, tr\u00eas t\u00f3picos que merecem maior aten\u00e7\u00e3o: 1) teoricamente, uma an\u00e1lise organizada da situa\u00e7\u00e3o das explora\u00e7\u00f5es de Marx sobre a queda tendencial da taxa de lucro; 2) empiricamente, uma elabora\u00e7\u00e3o sobre a natureza do capitalismo contempor\u00e2neo e avalia\u00e7\u00e3o de se est\u00e1 em transi\u00e7\u00e3o para uma nova fase e, se assim for, em que estado se encontra agora; 3) politicamente \u2013 a principal raz\u00e3o por que todos discutimos t\u00e3o intensamente a natureza do atual sistema \u2013 uma nova ronda da indispens\u00e1vel discuss\u00e3o de alternativas ao capitalismo.<\/p>\n<p>Eduardo da Motta e Albuquerque<br \/>\nFACE-UFMG, Gabinete 3069<br \/>\nAv. Antonio Carlos 6627<br \/>\nBelo Horizonte(MG)<br \/>\nCEP31270-901<br \/>\nBrasil<br \/>\nalbuquerque@cedeplar.ufmg.br<\/p>\n<p>Alex Callinicos:<br \/>\nDepartment of European and International Studies<br \/>\nKing&#8217;s College London<br \/>\nVirginia Woolf Building<br \/>\n22 Kingsway<br \/>\nLonfon WC2B 6LE<br \/>\nalex.callinicos @kcl.ac.uk<\/p>\n<p>Notas<br \/>\n[1] Para uma avalia\u00e7\u00e3o desta conjuntura, ver Callinicos, 2016.<\/p>\n<p>[2] Este <i>workshop<\/i> foi um evento relativamente n\u00e3o planeado, nascido de um projeto de investiga\u00e7\u00e3o sobre metamorfoses do capitalismo, inicialmente patrocinado por uma organiza\u00e7\u00e3o brasileira (CAPES, Grant BEX 1669\/14-1), e implementado em 2014-2016 numa colabora\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica entre o King&#8217;s College London, UK, e a Cedeplar-UFMG, Belo Horizonte, Brasil. Durante este projeto, foi sugerida a ideia de um <i>workshop<\/i> , que posteriormente assumiu vida por si pr\u00f3prio. A composi\u00e7\u00e3o do workshop envolveu naturalmente colabora\u00e7\u00f5es e liga\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias; portanto, os participantes estavam localizados academicamente no Reino Unido, na Fran\u00e7a, em It\u00e1lia e no Brasil. O passo seguinte, depois desta edi\u00e7\u00e3o especial, poder\u00e1 ser um workshop no Brasil com uma participa\u00e7\u00e3o mais alargada da Am\u00e9rica (Norte, Centro e Sul) e da \u00c1sia.<\/p>\n<p>[3] O <i>Manuscrito 1864-1865<\/i> j\u00e1 foi publicado agora em ingl\u00eas: Marx, 2016<\/p>\n<p><b>O original encontra-se em <a href=\"http:\/\/www.scienceandsociety.com\/editorial.pdf\" target=\"_new\"> <i>Science &amp; Society<\/i><\/a> , Vol. 80, N.\u00ba 4, outubro 2016, p. 444-453 <\/b><\/p>\n<p><b>Este editorial encontra-se em <a href=\"http:\/\/resistir.info\/crise\/editorial_ss_out16_p.html\" target=\"_new\">http:\/\/resistir.info\/crise\/editorial_ss_out16_p.html<\/a> .<\/b><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o de Margarida Ferreira. .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Science &amp; Society &#8220;Crise&#8221; \u00e9 uma pedra de toque neste per\u00edodo da &#8220;Grande Recess\u00e3o&#8221;, na sequ\u00eancia do colapso de 2007-2008. 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