{"id":12498,"date":"2016-10-29T20:59:43","date_gmt":"2016-10-29T23:59:43","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=12498"},"modified":"2016-11-26T15:29:14","modified_gmt":"2016-11-26T18:29:14","slug":"nada-tem-sido-feito-dizem-atingidos-sobre-crime-da-samarco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/12498","title":{"rendered":"\u201cNada tem sido feito\u201d, dizem atingidos sobre crime da Samarco"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/farm6.staticflickr.com\/5759\/29954384253_025d7b62fa_z.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/>Representantes das fam\u00edlias de Bento Rodrigues e da aldeia Krenak convocam protestos para marcar um ano da trag\u00e9dia<\/p>\n<p>Rafaella Dotta<\/p>\n<p>Belo Horizonte, 26 de Outubro de 2016 \u00e0s 20:29<!--more--><\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o sobre as repara\u00e7\u00f5es feitas depois do rompimento da barragem de Fund\u00e3o, na cidade de Mariana em novembro de 2015, \u00e9 un\u00e2nime: \u201cnada tem sido feito\u201d, como resume Geovani Krenak, integrante da Aldeia Ind\u00edgena Krenak. Movimentos e atingidos apresentaram a sua vis\u00e3o sobre o decorrer do ano durante coletiva de imprensa realizada na quarta (26), em Belo Horizonte.<\/p>\n<p>Para o Movimento dos\u00a0Atingidos por Barragens (MAB) a an\u00e1lise da realidade pode considerar o rompimento, de fato, um crime. Segundo Let\u00edcia Oliveira, da coordena\u00e7\u00e3o nacional do MAB, diversos \u00f3rg\u00e3os comprovaram que a mineradora j\u00e1 sabia dos riscos da barragem e que, mesmo assim, houve intensifica\u00e7\u00e3o da extra\u00e7\u00e3o de min\u00e9rio sem medidas de seguran\u00e7a proporcionais e o recebimento de rejeitos da Vale, por\u00e9m, sem o licenciamento.<\/p>\n<p>O deputado estadual Rog\u00e9rio Correa (PT), relator da Comiss\u00e3o Extraordin\u00e1ria das Barragens da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), tamb\u00e9m afirma que a trag\u00e9dia foi ato criminoso. \u201cAs empresas Samarco, Vale e BHP tinham todas as condi\u00e7\u00f5es de avaliar que o rompimento era um risco iminente. Sabiam que a press\u00e3o na parede da barragem seria muito maior do que ela podia aguentar\u201d, sentenciou o deputado.<\/p>\n<p>Na manh\u00e3 de quarta (26), a comiss\u00e3o de Justi\u00e7a da ALMG aprovou dois Projetos de Lei \u2013 3.676 e 3.677 \u2013 que podem \u201calterar profundamente a rela\u00e7\u00e3o entre governo e mineradoras\u201d, de acordo com Rog\u00e9rio.\u00a0 Os PLs preveem, principalmente, a proibi\u00e7\u00e3o de barragens a menos de 10 km de comunidades ou mananciais de \u00e1gua que sirvam de abastecimento e pro\u00edbem tamb\u00e9m o m\u00e9todo de alteamento a montante (quando a barragem \u00e9 aumentada para comportar mais rejeitos) para estocagem de res\u00edduos de minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Nada ser\u00e1 como antes<\/strong><\/p>\n<p>\u201c\u00c9 triste voc\u00ea olhar para tr\u00e1s e ver que nada foi feito\u201d, analisa Aline Ribeiro, atingida e esposa de uma das v\u00edtimas fatais do crime, Samuel Ribeiro. Ela denuncia a falta de resultados jur\u00eddicos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s empresas respons\u00e1veis pela barragem. \u201cSe a Priscila tivesse feito um aborto por vontade pr\u00f3pria ela estaria presa. Mas a Samarco provocou o aborto dela e ningu\u00e9m est\u00e1 preso\u201d, indigna-se, lembrando da moradora de Bento Rodrigues que teve um aborto for\u00e7ado em meio \u00e0 lama.<\/p>\n<p>O mesmo sente Geovani Krenak, que mora em uma aldeia cortada pelo Rio Doce. \u201cCada a\u00e7\u00e3o que eles fazem s\u00e3o duas ou tr\u00eas a\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias. A Samarco est\u00e1 levando \u00e1gua \u00e0 aldeia, mas criou o problema da poeira por causa dos caminh\u00f5es e muito lixo das garrafas de \u00e1gua, coisas que n\u00e3o tinham l\u00e1\u201d, diz. Segundo Geovani os erros acontecem pela inexist\u00eancia do di\u00e1logo com os atingidos.<\/p>\n<p><strong>Problemas de sa\u00fade<\/strong><\/p>\n<p>A Rede de M\u00e9dicos e M\u00e9dicas Populares apresentou tamb\u00e9m um relat\u00f3rio do acompanhamento de atingidos em toda a bacia do Rio Doce. Segundo a m\u00e9dica Clarissa Lage, o cen\u00e1rio encontrado pelos profissionais foi \u201ccompletamente chocante\u201d quanto \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de higiene e de sobreviv\u00eancia. Em consequ\u00eancia, as doen\u00e7as mais recorrentes neste um ano foram as de pele, as respirat\u00f3rias, queda de cabelo e problemas de sa\u00fade mental.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio n\u00e3o descarta o aparecimento de doen\u00e7as a m\u00e9dio e longo prazo, por intoxica\u00e7\u00e3o acumulada. Isso poderia decorrer do consumo de \u00e1gua, alimentos e peixes com alto teor de mangan\u00eas, ars\u00eanio e chumbo, segundo levantamento do Grupo Independente de Avalia\u00e7\u00e3o do Impacto Ambiental (GIAIA).<\/p>\n<p><strong>1 ano: de Reg\u00eancia a Mariana<\/strong><\/p>\n<p>A coletiva de imprensa serviu tamb\u00e9m como convoca\u00e7\u00e3o para ato que o MAB realiza, entre os dias 30 de outubro e 5 de novembro, marcando o um ano do rompimento da barragem de Fund\u00e3o. Atingidos e apoiadores sair\u00e3o da cidade de Reg\u00eancia (ES) e chegar\u00e3o em Mariana (MG) no dia 2 de novembro, onde realizam um encontro at\u00e9 o dia 5.<\/p>\n<p>A marcha passar\u00e1 por 9 cidades da Bacia do Rio Doce, fazendo um debate sobre as diversas formas como a lama afetou esses locais. Participam da a\u00e7\u00e3o as fam\u00edlias e as aldeias ind\u00edgenas atingidas, setores da Igreja Cat\u00f3lica, movimento de trabalhadores e de estudantes.<\/p>\n<p>Brasil de Fato<\/p>\n<p>http:\/\/www.mst.org.br\/2016\/10\/27\/nada-tem-sido-feito-dizem-atingidos-sobre-crime-da-samarco.html<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Representantes das fam\u00edlias de Bento Rodrigues e da aldeia Krenak convocam protestos para marcar um ano da trag\u00e9dia Rafaella Dotta Belo Horizonte, 26 \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/12498\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":true,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-12498","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s6-movimentos"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3fA","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12498","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12498"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12498\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12498"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12498"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12498"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}