{"id":12610,"date":"2016-11-14T08:51:03","date_gmt":"2016-11-14T11:51:03","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=12610"},"modified":"2016-12-02T21:38:23","modified_gmt":"2016-12-03T00:38:23","slug":"o-genocidio-da-populacao-negra-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/12610","title":{"rendered":"O genoc\u00eddio da popula\u00e7\u00e3o negra no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/nacaoblack.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/Na%C3%A7%C3%A3o-Black-Gen%C3%B4cidio-exterminio-assassinato.gif?w=747\" alt=\"imagem\" \/>A cada 23 minutos um jovem negro \u00e9 morto no Brasil. Nunca se matou tanto no Brasil. Segundo dados do Atlas da Viol\u00eancia, lan\u00e7ado em mar\u00e7o deste ano pelo Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea), foram cometidos 59.216 homic\u00eddios em 2014, um recorde na hist\u00f3ria do pa\u00eds. N\u00e3o h\u00e1 pa\u00eds no mundo com mais assassinatos, em n\u00fameros absolutos, do que no Brasil.<!--more--><\/p>\n<p>O relat\u00f3rio comprova ainda que a maior parte das mortes recai sobre a popula\u00e7\u00e3o negra: a taxa de homic\u00eddios entre a popula\u00e7\u00e3o negra aumentou 18,2% nos \u00faltimos dez anos, ao mesmo tempo em que houve diminui\u00e7\u00e3o de 14,6% nas mortes de indiv\u00edduos n\u00e3o negros. As chances de um jovem negro de 21 anos morrer assassinado s\u00e3o 147% maiores do que as de um jovem n\u00e3o negro. Tamb\u00e9m chama aten\u00e7\u00e3o o alto \u00edndice de mortes causadas pela pol\u00edcia em 2014: foram 3.022 casos, representando aumento de 37% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior. Em S\u00e3o Paulo, 61% das 965 v\u00edtimas eram negras, enquanto, no Rio de Janeiro, dentre as 584 pessoas mortas pela pol\u00edcia, 445 (77%) eram negras. No ano de 2013, dos 30 mil jovens com 15 a 29 anos assassinados no Brasil, cerca de 23 mil eram negros, segundo den\u00fancia da Anistia Internacional.<\/p>\n<p>Comiss\u00e3o Parlamentar de Inqu\u00e9rito (CPI) criada no Senado Federal para investigar os crimes de racismo no pa\u00eds aponta que os \u00edndices alarmantes de viol\u00eancia contra a juventude negra revelam a associa\u00e7\u00e3o da omiss\u00e3o do poder p\u00fablico com o aparecimento de grupos organizados de traficantes e de mil\u00edcias. Destaca tamb\u00e9m que o crescimento da viol\u00eancia policial contra esses jovens muito contribui para o genoc\u00eddio da popula\u00e7\u00e3o negra.<\/p>\n<p>Entre outras recomenda\u00e7\u00f5es feitas no relat\u00f3rio da CPI est\u00e1 a extin\u00e7\u00e3o dos chamados autos de resist\u00eancia, que h\u00e1 anos s\u00e3o denunciados pelos movimentos sociais como instrumentos que permitem mascarar homic\u00eddios decorrentes de execu\u00e7\u00f5es como sendo fruto de confrontos com as v\u00edtimas, as quais acabam levando a culpa pelos crimes. Segundo levantamento do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, as pol\u00edcias brasileiras mataram 11.197 pessoas em casos listados como autos de resist\u00eancia entre 2008 e 2013, ou seja, seis mortes por dia! Quase 100% dos inqu\u00e9ritos sobre os autos de resist\u00eancia acabam sendo arquivados.<\/p>\n<p>Fica muito evidente existir uma pol\u00edtica de seguran\u00e7a p\u00fablica racista que v\u00ea os jovens negros como potenciais criminosos e inimigos do Estado, sempre vistos como suspeitos e pessoas perigosas. O crime n\u00e3o provado acaba servindo de justificativa para o assassinato, o que demonstra haver a naturaliza\u00e7\u00e3o do racismo, da desigualdade e da viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Documento produzido pelo Coletivo Negro Minervino de Oliveira, que re\u00fane militantes e amigos do PCB na luta contra o racismo e o genoc\u00eddio da popula\u00e7\u00e3o negra, afirma que:<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o negros e negras a maior parte das pessoas confinadas em pres\u00eddios e em institui\u00e7\u00f5es que, em vez de possibilitar a recupera\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento da condi\u00e7\u00e3o humana, encarceram crian\u00e7as e adolescentes, assim como aqueles que engrossam diariamente as estat\u00edsticas de assassinatos cometidos nas favelas e periferias, configurando um cen\u00e1rio catastr\u00f3fico de abandono e genoc\u00eddio vivido pelo povo negro em nossa sociedade\u201d.<\/p>\n<p>Diante deste quadro, o Coletivo aponta que \u201ca \u00fanica alternativa eficaz para o enfrentamento do racismo passa pela identifica\u00e7\u00e3o e den\u00fancia do sistema de rela\u00e7\u00f5es sociais no qual se reproduz a opress\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o negra brasileira\u201d. A luta pela conquista da igualdade racial n\u00e3o se faz dissociada das lutas anticapitalistas, mas \u00e9 preciso avan\u00e7ar no combate ao racismo nosso de cada dia, denunciando sem tr\u00e9guas a viol\u00eancia e o genoc\u00eddio cometidos contra a popula\u00e7\u00e3o negra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A cada 23 minutos um jovem negro \u00e9 morto no Brasil. Nunca se matou tanto no Brasil. 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