{"id":12662,"date":"2016-11-19T18:03:57","date_gmt":"2016-11-19T21:03:57","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=12662"},"modified":"2016-12-02T21:40:09","modified_gmt":"2016-12-03T00:40:09","slug":"cabo-dias-o-revolucionario-de-1935","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/12662","title":{"rendered":"Cabo Dias, o revolucion\u00e1rio de 1935"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2016\/11\/giocondo-dias.jpg?w=747&#038;h=620&#038;fit=620%2C620\" alt=\"imagem\" \/><strong>103 anos do nascimento de Giocondo Dias<\/strong><\/p>\n<p>Por Milton Pinheiro*<\/p>\n<p>Est\u00e1 completando 103 anos do nascimento de Giocondo Dias, o dirigente pol\u00edtico que substituiu Luiz Carlos Prestes na Secretaria Geral do PCB. Trata-se do cabo Vermelho, um dos comandantes do governo revolucion\u00e1rio de quatro dias, no Rio Grande do Norte, em 1935.<!--more--><\/p>\n<p>Chamado pela historiografia de Cabo Dias ou, simplesmente, o camarada Dias, ele nasceu na cidade de Salvador, em 18 de novembro de 1913, no centro hist\u00f3rico dessa cidade. Descendente de italianos por parte de m\u00e3e e de portugueses por parte de pai, Giocondo trabalhou em armaz\u00e9ns de secos e molhados e, depois, como ajudante de padres, em v\u00e1rias igrejas do centro hist\u00f3rico expandido de Salvador. A luta pelo sustento da fam\u00edlia n\u00e3o permitiu que ele terminasse sequer o curso prim\u00e1rio, embora tenha se matriculado v\u00e1rias vezes. O que restava para um jovem pobre e lutador, naquele per\u00edodo, era ingressar no ex\u00e9rcito para garantir a continuidade do sustento familiar. Contudo, antes de entrar para o ex\u00e9rcito, ele entrou em contato com as ideias que movimentariam a sua vida e pelas quais lutaria por toda a sua exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Em 1932, em Pernambuco, Giocondo Dias se alista no 21\u00ba Batalh\u00e3o de Ca\u00e7adores e entra oficialmente para o ex\u00e9rcito brasileiro. Logo depois eclode o movimento de descontentamento da burguesia paulista com o Governo Get\u00falio Vargas, que ficou conhecido na hist\u00f3ria oficial como a \u201cRevolu\u00e7\u00e3o Constitucionalista de 1932\u201d.<\/p>\n<p>Ao terminar sua participa\u00e7\u00e3o nas disputas entre o governo de Vargas e as tropas arregimentadas pela burguesia paulista, o 21\u00baBC, que em 1931 havia se levantado contra o usineiro e governador de Pernambuco Lima Cavalcante (quase foi dissolvido ap\u00f3s esse epis\u00f3dio), foi enviado para a fronteira. Giocondo, que havia participado de combates e opera\u00e7\u00f5es, estava neste momento, numa regi\u00e3o in\u00f3spita de fronteira, onde o batalh\u00e3o foi quase liquidado por doen\u00e7as tropicais. Esse batalh\u00e3o sempre mostrou um desejo ardente por transforma\u00e7\u00e3o social. Giocondo cita que ao chegar ao quartel, no in\u00edcio da sua vida militar, encontrara nas paredes muitas picha\u00e7\u00f5es com as seguintes frases: \u201cViva o Comunismo\u201d, \u201cViva Luiz Carlos Prestes\u201d.<\/p>\n<p>Mas a inger\u00eancia pol\u00edtica do ent\u00e3o governador de Pernambuco, Lima Cavalcanti, n\u00e3o permitiria o retorno do 21\u00ba BC \u00e0 sua terra e a sa\u00edda foi fazer uma troca, o 29\u00ba BC de Natal iria para Pernambuco e o 21\u00ba BC iria para o Rio Grande do Norte. Manifestando assim, nesse momento, o uso e abuso das classes dominantes sobre o ex\u00e9rcito brasileiro.<\/p>\n<p><strong>O Cabo Vermelho<\/strong><\/p>\n<p>Giocondo Dias, por bravura e hero\u00edsmo na luta contra as tropas paulistas, tinha sido promovido a Cabo. Em 1933 se encontrava em Natal, onde sua lideran\u00e7a crescia dentro do quartel. Provavelmente em 1934 teria entrado em contato com o PCB. Embora, para outras fontes, a sua entrada no partido teria se dado em agosto de 1935.<\/p>\n<p>O ano de 1934 \u00e9 de intensa agita\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e com grande insatisfa\u00e7\u00e3o popular nos centros urbanos, fazendo com que, ao final daquele ano e in\u00edcio de 1935, ocorressem greves que deixaram paralisados mais de 1,5 milh\u00f5es de trabalhadores pelo Brasil. Oper\u00e1rios, estudantes, lutadores antifascista, contribu\u00edram para que o ano de 1935 fosse fortalecido com a funda\u00e7\u00e3o, logo no seu in\u00edcio, da ANL (Alian\u00e7a Nacional Libertadora), em 30 de mar\u00e7o, tendo um programa progressista que obteve ampla repercuss\u00e3o. Contando com forte presen\u00e7a nos quart\u00e9is, lideran\u00e7a do PCB e comando de Prestes. Embora se fizesse notar uma destacada presen\u00e7a de segmentos que n\u00e3o eram organizados pelo partido.<\/p>\n<p>Essa articula\u00e7\u00e3o aliancista agrupou, em trezentas cidades e 17 Estados, algo mais que um milh\u00e3o de pessoas. Tratava-se de um operador pol\u00edtico que, pela sua import\u00e2ncia, foi atacado pelo governo Vargas e seus aparatos repressivos, sendo fechado em 12 de julho de 1935. Come\u00e7ava ent\u00e3o um momento hist\u00f3rico de muitas precipita\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e de avalia\u00e7\u00f5es voluntaristas e dogm\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s entrar para o partido, Giocondo foi desenvolver a sua milit\u00e2ncia na mesma c\u00e9lula do sapateiro Praxedes, e de outros militantes, no bairro chamado Petr\u00f3polis, em Natal. Come\u00e7a uma grande articula\u00e7\u00e3o nacional que colocava a quest\u00e3o do poder na ordem do dia. Essa movimenta\u00e7\u00e3o ficaria restrita ao aparato militar do partido e, para muitos historiadores, grande parte dos CRs (Comit\u00eas Regionais) do partido n\u00e3o tinham conhecimento do que estava ocorrendo. Finalmente, a partir de uma inflex\u00e3o da base militar do PCB, articulada com poucos membros da c\u00fapula do partido, a partir das informa\u00e7\u00f5es do Secret\u00e1rio Geral da \u00e9poca (Miranda), e com o conhecimento de Luiz Carlos Prestes, \u00e9 desencadeado o movimento insurrecional de 1935.<\/p>\n<p>O movimento revolucion\u00e1rio come\u00e7ou em Natal, no Rio Grande do Norte, na noite do dia 23 de novembro, quando o 21\u00ba BC se sublevou, tomando a cidade e o batalh\u00e3o da pol\u00edcia, depois de uma luta feroz que durou 19 horas. Os revolucion\u00e1rios tiveram o apoio da popula\u00e7\u00e3o e formaram o Comit\u00ea Popular Revolucion\u00e1rio (CPR). O Cabo Dias, l\u00edder revolucion\u00e1rio, participa nesse momento da indica\u00e7\u00e3o dos membros do governo provis\u00f3rio que foi composto por Lauro Cort\u00eas Lago (ministro do interior), Jos\u00e9 Batista Galv\u00e3o (ministro da via\u00e7\u00e3o), Jos\u00e9 Praxedes, sapateiro que era o Secret\u00e1rio Pol\u00edtico do PCB naquele momento, seria o ministro do abastecimento, Quintino Clemente de Barros, que era sargento, ministro da defesa e Jos\u00e9 Macedo, ministro das finan\u00e7as. Estava assim constitu\u00eddo o Primeiro Governo Popular da Rep\u00fablica Brasileira, que ficou quatro dias no poder.<\/p>\n<p>O velho sapateiro Praxedes, comunista de longa tradi\u00e7\u00e3o, em relatos no primeiro semestre de 1982, nos informou que o Governo Provis\u00f3rio era todo composto por militantes do PCB, embora eles n\u00e3o fizessem a distin\u00e7\u00e3o dentro ANL.<\/p>\n<p>O l\u00edder revolucion\u00e1rio, Cabo Dias, articulou v\u00e1rias a\u00e7\u00f5es que iam definindo os rumos do levante. Todavia, as tropas do governo federal estavam no interior do estado, vindas da Para\u00edba e de Alagoas, marchando para Natal. A correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as na luta era muito desfavor\u00e1vel. O Cabo Dias ao tentar encontrar meios para reorganizar os combatentes, e evitar as precipita\u00e7\u00f5es, foi atingido por 3 tiros tendo que ser socorrido e levado rapidamente para o hospital. Mas, antes impediu que o atirador fosse fuzilado por seus camaradas. Do hospital, prevendo a derrota do levante, encaminhou um carro como escolta do quartel para resgatar a sua fam\u00edlia. No retorno, quando o carro passava pela chefatura de pol\u00edcia, foi alvo de v\u00e1rios tiros e um deles alvejou a cabe\u00e7a da jovem Sinh\u00e1, cunhada do Cabo Dias, que morreu naquele momento.<\/p>\n<p>A insurrei\u00e7\u00e3o n\u00e3o avan\u00e7ou, mesmo com os levantes do dia 24 em Recife e do dia 27 no Rio de Janeiro. O levante foi dominado em todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>O Cabo Dias empreendeu fuga, conseguiu se esconder numa fazenda no interior do Estado e l\u00e1, em circunst\u00e2ncias perif\u00e9ricas ao movimento, foi covardemente ferido, levando 13 facadas e ficando \u00e0 beira da morte jogado numa estrada vicinal. O l\u00edder revolucion\u00e1rio se recuperou. No entanto, ficou preso em Natal quando sofreu uma nova tentativa de assassinato que n\u00e3o se consumou. Ficou na cadeia por mais de 1 ano, quando foi solto em Salvador (para onde havia sido transferido), pelo ato de anistia conhecido como \u201cmacedada\u201d, em 1937. E, mesmo solto, foi procurado pela pol\u00edcia em Salvador, tendo que entrar para uma rigorosa clandestinidade at\u00e9 meados de 1945.<\/p>\n<p>Os bastidores da reorganiza\u00e7\u00e3o do PCB, na Bahia<\/p>\n<p>Apesar das grandes desconfian\u00e7as em virtude de infiltra\u00e7\u00f5es, Giocondo Dias articula seu contato com o partido na Bahia atrav\u00e9s de conversas com Jo\u00e3o Falc\u00e3o. Mesmo na clandestinidade, se transforma num importante dirigente do CR da Bahia, inst\u00e2ncia que era reconhecidamente a mais importante do partido no Brasil naquele momento.<\/p>\n<p>No come\u00e7o dos anos 1940 se constituiu o chamado \u201cGrupo Baiano\u201d que iria preparar e realizar a confer\u00eancia do PCB, em 1943. Era um contingente de militantes baianos e n\u00e3o baianos, mas que na Bahia haviam se encontrado, a exemplo de Carlos Marighella, Arm\u00eanio Guedes, Mois\u00e9s Vinhas, Giocondo Dias, Aristeu Nogueira, Milton Ca\u00edres de Brito, Arruda C\u00e2mara, Le\u00f4ncio Basbaum, Alberto Passos Guimar\u00e3es, Jacob Gorender, Maur\u00edcio Grabois, Praxedes, Osvaldo Peralva, Boris Tabakoff e Jorge Amado. M\u00e1rio Alves a partir de 1942 e Ana Montenegro, em 1945. Era um conjunto extraordin\u00e1rio de militantes, intelectuais e dirigentes que marcou a hist\u00f3ria do PCB e do Brasil de forma indel\u00e9vel.<\/p>\n<p>Durante o per\u00edodo de clandestinidade, Giocondo Dias foi condenado \u00e0 revelia pelo Tribunal de Seguran\u00e7a Nacional (TSN) h\u00e1 6 anos e 6 meses. Na clandestinidade fez uma cirurgia para retirar as balas que o atingiram no levante de 1935. Ainda nesse per\u00edodo de dura clandestinidade nasceram seus filhos: Gilberto (1938), Antonio Eduardo (1940) e Eduardo Lu\u00eds (1942), depois ainda teria mais um filho (j\u00e1 que Ana Maria nasceu em Natal, no Rio Grande do Norte, antes desse per\u00edodo), com D. Lourdes, a companheira de sempre.<\/p>\n<p>Um fato novo ocorreu na vida do partido na Bahia. Voltando do ex\u00edlio em 1943, Jorge Amado informou ao CR da Bahia que existia uma articula\u00e7\u00e3o nacional para reorganizar o partido e que estava sendo feito pela CNOP (Comiss\u00e3o Nacional Provis\u00f3ria do PCB), constitu\u00edda no Rio de Janeiro pelo chamado \u201cGrupo Baiano\u201d. Pouco tempo depois, em passagem pela Bahia, Jo\u00e3o Amazonas conversaria com Giocondo Dias e Jo\u00e3o Falc\u00e3o sobre o partido. \u00c9 desse per\u00edodo hist\u00f3rico a realiza\u00e7\u00e3o da II Confer\u00eancia Pol\u00edtica do PCB, que ocorreu nos dias 27, 28 e 29 de agosto de 1943 num local entre Barra do Pira\u00ed e Engenheiro Passos, regi\u00e3o da Serra da Mantiqueira. A partir da\u00ed o partido passaria a ter uma dire\u00e7\u00e3o e a CNOP elege, in absentia, Luiz Carlos Prestes Secret\u00e1rio Geral do PCB. Nesse momento re-come\u00e7a o trabalho de constru\u00e7\u00e3o da unidade partid\u00e1ria e da organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do partido em todo o pa\u00eds. Na Bahia o Secret\u00e1rio Pol\u00edtico era Giocondo Dias.<\/p>\n<p><strong>Novos tempos\u2026<\/strong><\/p>\n<p>O Estado Novo estava desmoronando, aquele aparato que perseguiu, torturou e matou comunistas sucumbiu diante das lutas sociais e dos novos tempos do mundo. Era o fim do governo desp\u00f3tico que havia enviado gr\u00e1vida, a hero\u00edna comunista, Olga Ben\u00e1rio Prestes para os campos de concentra\u00e7\u00e3o da Alemanha nazista para ser assassinada. L\u00e1 nasceu sua filha, Anita Prestes, s\u00edmbolo de uma luta sem tr\u00e9gua contra a barb\u00e1rie.<\/p>\n<p>O povo tomou as ruas, o PCB se transformou no operador pol\u00edtico da vanguarda brasileira. Caiu o Estado Novo no dia 18 de abril de 1945. Nesse dia hist\u00f3rico, na condi\u00e7\u00e3o de Secret\u00e1rio Pol\u00edtico do PCB na Bahia, e ao lado de M\u00e1rio Alves, Carlos Marighella, Fernando Santana e Jo\u00e3o Falc\u00e3o, Giocondo Dias fala para as massas da sacada de um pr\u00e9dio na pra\u00e7a municipal, no centro de Salvador. Era o l\u00edder revolucion\u00e1rio falando para os trabalhadores da sua terra. A hist\u00f3ria marchava para frente, a luta de classes favorecia ao proletariado, a burguesia reacion\u00e1ria encontrava-se debilitada e o PCB dirigia a esquerda brasileira.<\/p>\n<p>Em junho de 1946, na III Confer\u00eancia Pol\u00edtica do PCB, realizada no Rio de Janeiro, Giocondo Dias \u00e9 eleito para o Comit\u00ea Central. Nesse encontro, a vida do Cabo Vermelho \u00e9 conhecida pela primeira vez dentro do partido e ele passou a gozar de uma grande admira\u00e7\u00e3o diante da descoberta de seus feitos em 1935. Ao t\u00e9rmino dessa confer\u00eancia foi apresentado, publicamente, o CC (Comit\u00ea Central) na sede da UNE. Era sem d\u00favida um grande feito hist\u00f3rico. Foi eleito um CC com 29 efetivos e 15 suplentes. Entre os efetivos, al\u00e9m de Prestes, chamava \u00e0 aten\u00e7\u00e3o a presen\u00e7a dos integrantes do \u201cGrupo Baiano\u201d.<\/p>\n<p>No processo eleitoral de 1945 o partido teve uma grande participa\u00e7\u00e3o. Seu candidato \u00e0 presid\u00eancia, o engenheiro Yedo Fi\u00faza, tinha tido quase 10% dos votos e Prestes foi eleito Senador, juntamente com 14 deputados federais pelo PCB, e mais tr\u00eas por outros partidos. O PCB encontrava-se num momento de grande visibilidade p\u00fablica.<\/p>\n<p>Em janeiro de 1947 ocorreram elei\u00e7\u00f5es para deputados estaduais e governador. Na Bahia, o PCB lan\u00e7ou uma chapa composta por mais de 20 militantes e liderada por Giocondo Dias, mas que ainda tinha a presen\u00e7a de Ana Montenegro, M\u00e1rio Alves, Jaime Maciel e o l\u00edder oper\u00e1rio que seria depois condecorado na URSS, Jo\u00e3o dos Passos. Essa chapa elegeu dois deputados: Giocondo Dias e Jaime Maciel. Em Sete de abril de 1947 foi instalado os trabalhos da Assembleia Legislativa com car\u00e1ter Constituinte. Giocondo Dias teve uma participa\u00e7\u00e3o importante nos debates da Constituinte, levando para este espa\u00e7o pol\u00edtico as propostas dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Mas a burguesia interna, reacion\u00e1ria e golpista, articulou a rea\u00e7\u00e3o conservadora para enfrentar os trabalhadores. No dia 7 de maio de 1947 cassou o registro do PCB. Come\u00e7ava uma longa jornada em defesa do partido que tinha uma presen\u00e7a enorme entre os trabalhadores, quase duzentos mil filiados, 17 deputados federais, 64 deputados estaduais, um senador legend\u00e1rio (mais bem votado do pa\u00eds) e um candidato a presidente que havia tido 10% dos votos na elei\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n<p>O PCB reagiu em todo pa\u00eds. Lutou nas diversas trincheiras, fez manifesta\u00e7\u00f5es, publicou comunicados em seus jornais, a exemplo daqueles que sa\u00edram no jornal <em>O Momento<\/em> na Bahia, mas foi derrotado. Logo em seguida, no in\u00edcio de 1948, os parlamentares comunistas s\u00e3o cassados e um tempo de trevas se abriu novamente para aqueles que sempre lutaram pela liberdade.<\/p>\n<p>No dia 8 de maio, Giocondo Dias fez um discurso na Assembleia Legislativa da Bahia, em nome dos \u201cinteresses do povo e da classe oper\u00e1ria da nossa terra\u201d. E no dia 14, realizava o seu discurso final, onde afirmava \u201c[\u2026] Um comunista \u00e9 homem que sabe cumprir o dever e resistir \u00e0 todas os arreganhos da rea\u00e7\u00e3o e dos potentados senhores das classes dominantes.\u201d E concluiu seu discurso dizendo que chegar\u00e1 um tempo onde \u201cn\u00e3o haver\u00e1 mais lugar para ditaduras terroristas como a que ora infelicita a na\u00e7\u00e3o, ditadura que nosso povo repudia e saber\u00e1 substituir por um governo de sua confian\u00e7a, um governo popular.\u201d E concluiu dando vivas a Luiz Carlos Prestes.<\/p>\n<p><strong>Recome\u00e7a a longa noite\u2026<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 na clandestinidade, Giocondo chega ao Rio de Janeiro em 15 de abril de 1948 e \u00e9 designado pelo partido para ser um dos respons\u00e1veis pela seguran\u00e7a de Prestes. Em 1949, Giocondo, ficou efetivamente encarregado da seguran\u00e7a do Cavaleiro da esperan\u00e7a, agora j\u00e1 em S\u00e3o Paulo, substituindo ao Jo\u00e3o Amazonas. Assim, Giocondo era a \u00fanica pessoa que tinha as informa\u00e7\u00f5es sobre Prestes e sobre o aparelho onde esse residia, fazendo a ponte com a dire\u00e7\u00e3o do partido.<\/p>\n<p>O partido entrou na mais profunda clandestinidade e seus dirigentes mergulharam nos subterr\u00e2neos da luta. No entanto, em meados dos anos 1950, com a elei\u00e7\u00e3o de Juscelino (apoiado pelo PCB), ventos de liberdades democr\u00e1ticas modificaram a cena pol\u00edtica brasileira.<\/p>\n<p>Nesse mesmo per\u00edodo vem a p\u00fablico o relat\u00f3rio do XX Congresso do PCUS que traria uma larga crise ao partido. Mas ap\u00f3s muitos debates o PCB supera aquele momento e numa reviravolta pol\u00edtica, a partir da articula\u00e7\u00e3o de Giocondo Dias, apresenta uma nova linha pol\u00edtica. Essa nova orienta\u00e7\u00e3o foi apresentada pelo CC em mar\u00e7o de 1958, ficando conhecida como a Declara\u00e7\u00e3o de Mar\u00e7o. Esse documento contou com o apoio de Prestes, afinal, para o Secret\u00e1rio Geral, era a media\u00e7\u00e3o poss\u00edvel no sentido de manter a unidade do partido. Vale ressaltar o papel primordial que tiveram M\u00e1rio Alves e Jacob Gorender na elabora\u00e7\u00e3o do documento.<\/p>\n<p>O PCB est\u00e1, atrav\u00e9s da nova orienta\u00e7\u00e3o, na ante-sala das articula\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Termina o governo Juscelino, passa o epis\u00f3dio J\u00e2nio Quadros e agora \u00e9 o governo Goulart. A Declara\u00e7\u00e3o de Mar\u00e7o permitiu a reinser\u00e7\u00e3o do PCB na pol\u00edtica nacional, todavia, se constituiu num instrumento para uma pol\u00edtica reboquista frente ao governo e ao processo pol\u00edtico em curso, permitindo vacila\u00e7\u00f5es frente \u00e0 conjuntura de crise. Giocondo era, nesse per\u00edodo, o segundo dirigente na estrutura partid\u00e1ria na condi\u00e7\u00e3o de Secret\u00e1rio de Organiza\u00e7\u00e3o e com o prest\u00edgio pol\u00edtico em ascens\u00e3o. Afinal, foi o articulador da nova linha pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Era um momento muito importante na hist\u00f3ria do PCB e do Brasil: massas nas ruas, trabalhadores em greve, reformas de base em discuss\u00e3o e estrat\u00e9gias pol\u00edticas em debate. O partido estava no \u00e1pice do seu papel de vanguarda no p\u00f3s 1946, dirigia a classe oper\u00e1ria via o GCT (Comando Geral dos Trabalhadores), estava no comando dos sindicatos rurais, atrav\u00e9s da CONTAG (Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores na Agricultura), tinha muitos militantes nas for\u00e7as armadas e nas for\u00e7as p\u00fablicas (PM). Poderia se dizer que o PCB estava com possibilidades de criar momentos de dualidade de poder. O que fazer? Continuava a indefini\u00e7\u00e3o dentro do partido (qual seria o caminho a seguir?), no governo o ambiente pol\u00edtico era de confus\u00e3o e vacila\u00e7\u00e3o. Todavia, a rea\u00e7\u00e3o burguesa encontrou o seu caminho hist\u00f3rico, consolidou uma alian\u00e7a dentro e fora do pa\u00eds, colocou as tropas na rua e deu o golpe burgo-militar de 1\u00ba de abril de 1964, efetivando assim a contra-revolu\u00e7\u00e3o de forma preventiva.<\/p>\n<p><strong>A derrota pol\u00edtica<\/strong><\/p>\n<p>Giocondo Dias estava alinhado em um campo dentro do partido que examinava o acirramento pol\u00edtico, do in\u00edcio de 1964, com preocupa\u00e7\u00e3o. Ele compreendia que o partido n\u00e3o tinha for\u00e7as, naquele momento, para colocar a quest\u00e3o do poder na pauta da a\u00e7\u00e3o concreta. E, em virtude disso, temia que algo de muito grave ocorresse. Comprovou-se sua tese, a autocracia burguesa se rearticulou e imp\u00f4s um golpe de classe no Brasil. Dias, assim como o partido, de forma mais dura ou menos fechada, entraram para a clandestinidade. Uma velha forma de vida e milit\u00e2ncia, conhecida por ele h\u00e1 muito tempo.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio pol\u00edtico Giocondo Dias consolidou a sua lideran\u00e7a e lan\u00e7ou o documento \u201cManifesto ao Partido\u201d. Prestes estava isolado dos debates, por se encontrar blindado na clandestinidade em virtude da repress\u00e3o. Operavam no campo da luta pol\u00edtica dois grupos: um liderado por Dias, que era composto por Geraldo Rodrigues, Jaime Miranda, Orlando Bonfim e Dinarco Reis, tendo o acompanhamento intelectual de Alberto Passos Guimar\u00e3es, que era sempre consultado por Giocondo e outro, que era composto por Carlos Marighella, M\u00e1rio Alves e Jover Telles.<\/p>\n<p>Nesse processo, quanto mais o regime \u201cendurecia\u201d, mais estragos o partido sofria. Na disputa interna para encontrar uma orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, que refletisse sobre o golpe e apontasse o caminho para enfrentar a autocracia burguesa, foi convocado o VI congresso que viria ocorrer em dezembro de 1967, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>\u00c9 um momento de grande ruptura pol\u00edtica e org\u00e2nica que abriu uma fenda profunda na maior for\u00e7a pol\u00edtica da esquerda brasileira. O PCB, agora sem os dissidentes, encontrou um novo rumo. Estava formulada a pol\u00edtica de Frente \u00danica com o chamamento \u00e0 participa\u00e7\u00e3o de amplas camadas populares. O trabalho do partido com base na \u201clinha\u201d definida come\u00e7a a se mostrar vitoriosa, quando, ao mesmo tempo, os aparatos repressivos massacravam os bravos her\u00f3is, que mesmo equivocadamente, optaram pela luta armada. Dias sofreu muito com os assassinatos de camaradas e amigos de longas jornadas, como M\u00e1rio Alves e Carlos Marighella.<\/p>\n<p>Giocondo Dias operava na clandestinidade. Um ter\u00e7o do CC estava no ex\u00edlio. Prestes j\u00e1 havia sa\u00eddo do pa\u00eds para n\u00e3o ser eliminado pela repress\u00e3o, se estabeleceu em Moscou. A ditadura era impactada pelo o avan\u00e7o das lutas sociais e pol\u00edticas. Nesse momento a ditadura se voltou contra o PCB e lan\u00e7ou v\u00e1rias opera\u00e7\u00f5es para destruir o partido. A repress\u00e3o queria acabar com o papel do PCB na opera\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que come\u00e7ava a abalar o poder do regime. Utilizando-se de v\u00e1rias t\u00e9cnicas, a repress\u00e3o conseguiu com sucesso infiltrar seus agentes no partido, para, a partir da\u00ed, efetuar pris\u00f5es e assassinar quadros dirigentes e lideran\u00e7as de frente de massa. Quando come\u00e7ou o ano de 1974, essas opera\u00e7\u00f5es avan\u00e7aram e at\u00e9 1976 conseguiram efetuar quase 700 pris\u00f5es de militantes do partido e mais de 20 assassinatos de dirigentes, sejam eles do CC, CRs ou da base, como o oper\u00e1rio Manuel Fiel Filho e o jornalista Vladmir Herzog.<\/p>\n<p>Aqui no Brasil, na clandestinidade, Giocondo Dias sentiu o cerco da repress\u00e3o que se fechava sobre ele e notando que ele corria risco, o CC no ex\u00edlio, em conjunto com o governo Sovi\u00e9tico, designou o baiano Jos\u00e9 Salles para organizar uma opera\u00e7\u00e3o no sentido de tir\u00e1-lo do Brasil. Foi uma longa e bem sucedida opera\u00e7\u00e3o, comandada pelo jovem dirigente que mais tarde viria a ser o Secret\u00e1rio Geral Adjunto do Partido, no ex\u00edlio. Salles saiu com Dias pela fronteira do sul e conseguiu seguir em diversos v\u00f4os at\u00e9 Moscou.<\/p>\n<p><strong>Do Ex\u00edlio ao comando do PCB: o papel do General da t\u00e1tica<\/strong><\/p>\n<p>Giocondo Dias se estabeleceu primeiro em Moscou e depois em Paris, onde passou a trabalhar em conjunto com outros dirigentes comunistas em um escrit\u00f3rio cedido pela CGT. Era um trabalho de articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica junto aos exilados da Frente de combate \u00e0 ditadura brasileira. Ele fazia reuni\u00f5es, desenvolvia contatos, articulava o partido no exterior e criava pontes para entrar em contato com seus camaradas no Brasil. Trabalhava de forma incessante. No ex\u00edlio, ainda em Paris, Dias perde a companheira de sua vida. Faleceu D. Lourdes, a camarada Lourdes, a mulher que conviveu ombro-a-ombro com ele por toda uma jornada de vida.<\/p>\n<p>Com a dire\u00e7\u00e3o do partido quase toda no ex\u00edlio, novas pol\u00eamicas se apresentaram no debate interno do CC. De um lado se postava o Cavaleiro da Esperan\u00e7a e do outro, mesmo sem demonstrar querer o combate, colocava-se o l\u00edder da maioria do CC, Giocondo Dias. Ele viajou por toda a Europa, discutindo com os camaradas do PCB e dos outros Partidos Comunistas. No Brasil a luta de massas avan\u00e7ava; a pol\u00edtica econ\u00f4mica da ditadura fracassava, a Frente pol\u00edtica crescia no parlamento desde as elei\u00e7\u00f5es de 1974, se organizavam lutas contra a carestia, pela anistia e por elei\u00e7\u00f5es gerais.<\/p>\n<p>Era chegado o momento de voltar ao Brasil. Giocondo Dias retornou no dia 2 outubro de 1979. Alegre, e motivado, ele tenta organizar a sua vida para melhor atender a reconstru\u00e7\u00e3o do Partido.Reencontra sua m\u00e3e, que pouco depois faleceu, e se casa novamente. Mas a situa\u00e7\u00e3o do PCB era de profunda cis\u00e3o entre Prestes e o CC. Ap\u00f3s algumas tentativas de resolu\u00e7\u00e3o do longo impasse, o legend\u00e1rio Secret\u00e1rio Geral lan\u00e7a uma \u201cCarta aos Comunistas\u201d e se afasta da dire\u00e7\u00e3o. \u00c9 nesse contexto que o CC se re\u00fane no dia 12 de maio de 1980 e, mesmo bastante desfalcado, por mortes e desaparecimentos, elege Giocondo Dias para a Secretaria Geral do PCB.<\/p>\n<p>Giocondo Dias na condi\u00e7\u00e3o de Secret\u00e1rio Geral viajou para Moscou, esteve em v\u00e1rios pa\u00edses da Europa, em Cuba, na China, sempre em reuni\u00f5es com as lideran\u00e7as comunistas. No Brasil, esteve em contato pol\u00edtico com diversas for\u00e7as que efetivaram a transi\u00e7\u00e3o. O dirigente Dias, longe do cabo vermelho, agora era o General da t\u00e1tica. Operava na media\u00e7\u00e3o da democracia e n\u00e3o conseguia perceber que a t\u00e1tica estava derrotando a estrat\u00e9gia socialista.<\/p>\n<p>Na consolida\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica de frente Democr\u00e1tica, Giocondo Dias trabalhou na perspectiva da realiza\u00e7\u00e3o do VII congresso que come\u00e7a no dia 13 de dezembro de 1982, em S\u00e3o Paulo, com a participa\u00e7\u00e3o de 86 delegados. Contudo, a pol\u00edcia invade o local e prende todos. Mais uma vez o velho combatente estava na cadeia. Todavia, 3 dias depois seria solto. Mesmo assim, ele seria mais uma vez detido quando retornava de uma viagem a Moscou, em 1985.<\/p>\n<p>O velho dirigente Giocondo Dias seria ainda, antes de morrer, homenageado no Brasil e no exterior pela sua incans\u00e1vel luta em defesa da Democracia, da Paz e da perspectiva do Socialismo.<\/p>\n<p>Mas um novo inimigo se apresentou para um \u00faltimo combate, Dias descobriu que tinha um tumor no c\u00e9rebro. Foi tratado em Moscou, onde fez uma cirurgia em janeiro de 1987. Retornou ao Brasil e faleceu no dia 7 de setembro desse mesmo ano, seu corpo foi velado na AL (Assembl\u00e9ia Legislativa) do Rio de Janeiro e por l\u00e1 passaram autoridades pol\u00edticas, velhos e novos camaradas, intelectuais e simples tra- balhadores. Havia falecido um her\u00f3i, o Cabo Vermelho, que nos legou um patrim\u00f4nio de 52 anos de milit\u00e2ncia no Partido Comunista Brasileiro, o Partid\u00e3o. Uma legenda da hist\u00f3ria n\u00e3o oficial do Brasil.<\/p>\n<hr \/>\n<p><em>*Milton Pinheiro \u00e9 soci\u00f3logo e cientista pol\u00edtico,\u00a0professor da Universidade do Estado da Bahia (Uneb). Editor da revista\u00a0Novos Temas e autor\/organizador, entre outros, dos livros A reflex\u00e3o marxista\u00a0sobre os impasses do mundo atual (Outras Express\u00f5es, 2012) e\u00a0Teoria e pr\u00e1tica\u00a0dos conselhos oper\u00e1rios (Express\u00e3o Popular, 2013), em conjunto com Luciano\u00a0Martorano, e organizou a colet\u00e2nea\u00a0Ditadura: o que resta da transi\u00e7\u00e3o (Boitempo, 2014). Integra o grupo de pesquisa Pensamento Pol\u00edtico Brasileiro e\u00a0Latino-Americano (Unesp).<\/em><\/p>\n<p>Fonte: Blog da Boitempo &#8220;<a href=\"https:\/\/blogdaboitempo.com.br\/2016\/11\/18\/cabo-dias-o-revolucionario-de-1935\/\" target=\"_blank\">Cabo Dias, o revolucion\u00e1rio de 1935<\/a>&#8220;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"103 anos do nascimento de Giocondo Dias Por Milton Pinheiro* Est\u00e1 completando 103 anos do nascimento de Giocondo Dias, o dirigente pol\u00edtico que \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/12662\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":true,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-12662","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c56-memoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3ie","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12662","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12662"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12662\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12662"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12662"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12662"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}