{"id":1270,"date":"2011-03-07T18:57:47","date_gmt":"2011-03-07T18:57:47","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1270"},"modified":"2011-03-07T18:57:47","modified_gmt":"2011-03-07T18:57:47","slug":"aumenta-o-perigo-de-intervencao-imperialista-na-libia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1270","title":{"rendered":"Aumenta o perigo de interven\u00e7\u00e3o imperialista na L\u00edbia"},"content":{"rendered":"\n<p>A pior coisa que poderia acontecer ao povo da L\u00edbia seria uma interven\u00e7\u00e3o dos EUA.<\/p>\n<p>A pior coisa que poderia acontecer ao levantamento revolucion\u00e1rio que sacode o mundo \u00e1rabe seria uma interven\u00e7\u00e3o dos EUA na L\u00edbia.<\/p>\n<p>A Casa Branca est\u00e1 a reunir-se com os seus aliados dos pa\u00edses imperialistas europeus da NATO para discutir a imposi\u00e7\u00e3o de uma zona de interdi\u00e7\u00e3o de voo <em>(no-fly zone) <\/em>sobre a L\u00edbia, a interfer\u00eancia electr\u00f3nica de todas as comunica\u00e7\u00f5es do presidente Moammar Kadafi dentro da L\u00edbia e o estabelecimento de corredores militares dentro da L\u00edbia a partir do Egipto e da Tun\u00edsia, supostamente para &#8220;assistir refugiados&#8221;. <em>(New York Times, <\/em>27 Fev.)<\/p>\n<p>Isto significa posicionar tropas dos EUA\/NATO no Egipto e na Tun\u00edsia junto aos dois mais ricos campos petrol\u00edferos da NATO, tanto a Leste como a Oeste. Significa o Pent\u00e1gono coordenar manobras com militares eg\u00edpcios e tunisinos. O que \u00e9 que poderia ser mais perigoso para as revolu\u00e7\u00f5es eg\u00edpcia e tunisina?<\/p>\n<p>A It\u00e1lia, outrora a colonizadora da L\u00edbia, suspendeu um tratado de 2008 com a L\u00edbia que inclu\u00eda uma cl\u00e1usula de n\u00e3o agress\u00e3o, movimento que poderia permitir que fizesse parte de futuras opera\u00e7\u00f5es de &#8220;manuten\u00e7\u00e3o da paz&#8221; ali e permitir a utiliza\u00e7\u00e3o das suas bases militares em qualquer interven\u00e7\u00e3o poss\u00edvel. V\u00e1rias bases dos EUA e da NATO na It\u00e1lia, incluindo a base da Sexta Frota dos EUA em N\u00e1poles, poderiam ser \u00e1reas de prepara\u00e7\u00e3o para ac\u00e7\u00f5es contra a Libia.<\/p>\n<p>O presidente Barack Obama anunciou que &#8220;o conjunto completo de op\u00e7\u00f5es&#8221; est\u00e1 a ser considerado. Esta \u00e9 a linguagem de Washington para opera\u00e7\u00f5es militares.<\/p>\n<p>A secret\u00e1ria de Estado Hillary Clinton encontrou-se em Genebra a 28 de Fevereiro com ministros de Neg\u00f3cios Estrangeiros no Conselho da ONU de Direitos Humanos para discutir poss\u00edveis ac\u00e7\u00f5es multilaterais.<\/p>\n<p>Enquanto isso, a somar-se aos tambores de guerra pela interven\u00e7\u00e3o militar, est\u00e1 a divulga\u00e7\u00e3o de uma carta p\u00fablica do Foreign Policy Initiative, um think tank de extrema direita considerado como o sucessor do Project for the New American Century, a apelar para que os EUA e NATO preparem &#8220;imediatamente&#8221; ac\u00e7\u00e3o militar para ajudar a deitar abaixo o regime Kadafi.<\/p>\n<p>Dentre os signat\u00e1rios do apelo p\u00fablico incluem-se William Kristol, Richard Perle, Paul Wolfowitz, Elliott Abrams, Douglas Feith e mais de uma d\u00fazia de antigos altos respons\u00e1veis da administra\u00e7\u00e3o Bush, mais v\u00e1rios democratas liberais eminentes tais como Neil Hicks do Human Rights First e John Shattuck, chefe dos &#8220;direitos humanos&#8221; de Bill Clinton.<\/p>\n<p>A carta apela a san\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas e ac\u00e7\u00f5es militares: posicionamento de avi\u00f5es de guerra e de uma frota naval da NATO para impor zonas de interdi\u00e7\u00e3o de voo e para ter capacidade de neutralizar vasos navais l\u00edbios.<\/p>\n<p>Os senadores John McCain e Joseph Lieberman, quando em Tel Aviv a 25 de Fevereiro, apelaram a Washington para o fornecimento de armas aos rebeldes l\u00edbios e ao estabelecimento de uma zona de interdi\u00e7\u00e3o de voo sobre o pa\u00eds.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode ignorar os apelos a contingentes da ONU de trabalhadores m\u00e9dicos e humanit\u00e1rios, monitores de direitos humanos e investigadores do Tribunal Penal Internacional a serem enviados \u00e0 L\u00edbia com uma &#8220;escolta armada&#8221;.<\/p>\n<p>Proporcionar ajuda humanit\u00e1ria n\u00e3o tem de incluir militares. A Turquia evacuou 7000 dos seus cidad\u00e3os em ferries e voos charter. Uns 29 mil trabalhadores chineses deixaram o pa\u00eds via ferries, voos charter e transportes terrestres.<\/p>\n<p>Contudo, o modo pelo qual as pot\u00eancias europeias est\u00e3o a evacuar os seus cidad\u00e3os da L\u00edbia durante esta crise envolve uma amea\u00e7a militar e faz parte da manobra imperialista para obter posi\u00e7\u00f5es futuras na L\u00edbia.<\/p>\n<p>A Alemanha enviou tr\u00eas navios de guerra, com 600 soldados, e dois avi\u00f5es militares para retirar 200 empregados alem\u00e3es da empresa de explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo Wintershall de um campo no deserto a 600 milhas [965 km] a Sudeste de Tr\u00edpoli. Os brit\u00e2nicos enviaram o navio de guerra HMS Cumberland para evacuar 200 cidad\u00e3os seus e anunciaran que o destr\u00f3ier York estava a caminho a partir de Gibraltar.<\/p>\n<p>Os EUA anunciaram a 28 de Fevereiro que estavam a enviar o enorme porta-avi\u00f5es USS Enterprise e o navio anf\u00edbio de assalto USS Kearsarge do Mar Vermelho para as \u00e1guas ao largo da L\u00edbia, onde juntar-se-\u00e3o ao USS Mount Whitney e outros navios de guerra da Sexta Frota. Oficiais estado-unidenses chamam a isto um &#8220;pr\u00e9-posicionamento de activos militares&#8221;.<\/p>\n<p><strong>ONU VOTA SAN\u00c7\u00d5ES <\/strong><\/p>\n<p>O Conselho de Seguran\u00e7a da ONU \u2013 sob a press\u00e3o dos EUA \u2013 em 26 de Fevereiro votou pela imposi\u00e7\u00e3o de san\u00e7\u00f5es \u00e0 L\u00edbia. Segundo estudos de ag\u00eancias da pr\u00f3pria ONU, mais de um milh\u00e3o de crian\u00e7as iraquianas morreram em consequ\u00eancia de san\u00e7\u00f5es impostas pelos EUA\/ONU \u00e0quele pa\u00eds, que aplanaram o caminho para uma invas\u00e3o real dos EUA. San\u00e7\u00f5es s\u00e3o crimes e confirmam que esta interven\u00e7\u00e3o n\u00e3o se deve a preocupa\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias.<\/p>\n<p>A absoluta hipocrisia da resolu\u00e7\u00e3o sobre a L\u00edbia exprimindo preocupa\u00e7\u00e3o pelos &#8220;direitos humanos&#8221; \u00e9 dif\u00edcil de superar. Apenas quatro dias antes da vota\u00e7\u00e3o, os EUA utilizaram o seu direito de veto para impedir uma resolu\u00e7\u00e3o redigida em linguagem moderada que criticava colonatos israelenses em terra palestina na Cisjord\u00e2nia.<\/p>\n<p>O governo dos EUA impediu o Conselho de Seguran\u00e7a de adoptar qualquer ac\u00e7\u00e3o durante o massacre israelense de Gaza em 2008, o qual resultou nas mortes de mais de 1500 palestinos. Estes corpos internacionais, bem como o Tribunal Penal Internacional, t\u00eam estado silenciosos sobre massacres israelenses, sobre ataques de avi\u00f5es sem pilotos dos EUA a civis indefesos no Paquist\u00e3o e sobre as criminosas invas\u00f5es e ocupa\u00e7\u00f5es do Iraque e do Afeganist\u00e3o.<\/p>\n<p>O facto de a China ter anu\u00eddo \u00e0 vota\u00e7\u00e3o das san\u00e7\u00f5es \u00e9 um exemplo infeliz de como o governo de Pequim permite que o seu interesse no com\u00e9rcio e nos embarques continuados de petr\u00f3leo prevale\u00e7am sobre a sua passada oposi\u00e7\u00e3o a san\u00e7\u00f5es que prejudicam claramente popula\u00e7\u00f5es civis.<\/p>\n<p><strong>QUEM DIRIGE A OPOSI\u00c7\u00c3O? <\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 importante olhar o movimento de oposi\u00e7\u00e3o, especialmente aqueles que est\u00e3o a ser amplamente citados em todos os media internacionais. Devemos assumir que pessoas que sofreram injusti\u00e7as reais dele participam. Mas quem realmente dirige o movimento?<\/p>\n<p>Um artigo de primeira p\u00e1gina no <em>New York Times <\/em>de 25 de Fevereiro descrevia qu\u00e3o diferente \u00e9 a L\u00edbia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s outras lutas que estalam por todo o mundo \u00e1rabe. &#8220;Ao contr\u00e1rio das rebeli\u00f5es juvenis possibilitadas pelo Facebook, aqui a insurrei\u00e7\u00e3o foi conduzida por pessoas que s\u00e3o mais maduras e que t\u00eam estado a opor-se activamente ao regime durante algum tempo&#8221;. O artigo descreve como foram contrabandeadas armas atrav\u00e9s da fronteira com o Egipto ao longo de semanas, permitindo \u00e0 rebeli\u00e3o &#8220;escalar r\u00e1pida e violentamente em pouco mais de uma semana&#8221;.<\/p>\n<p>O grupo de oposi\u00e7\u00e3o mais amplamente citado \u00e9 a Frente Nacional para a Salva\u00e7\u00e3o da L\u00edbia. A FNSL, fundada em 1981, \u00e9 conhecida por ser uma organiza\u00e7\u00e3o financiada pela CIA, com escrit\u00f3rios em Washington, DC. Ela tem mantido no Egipto, junto \u00e0 fronteira, uma for\u00e7a militar chamada Ex\u00e9rcito Nacional L\u00edbio. Se se procurar no <a href=\"http:\/\/www.google.pt\/search?as_q=%22National+Front+for+the+Salvation+of+Libya%22%2C+CIA&amp;as_epq=&amp;as_oq=&amp;as_eq=&amp;hl=pt-PT&amp;num=10&amp;lr=&amp;cr=&amp;as_ft=i&amp;as_filetype=&amp;as_qdr=all&amp;as_occt=any&amp;as_dt=i&amp;as_sitesearch=&amp;as_rights=&amp;safe=images&amp;btnG=Pesquisa+do+Google\" target=\"_blank\">Google<\/a> &#8220;National Front for the Salvation of Libya&#8221; e &#8220;CIA&#8221; rapidamente descobrem-se centenas de refer\u00eancias [NR: 16.900 resultados]<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 muito citada a National Conference for the Libyan Opposition. Isto \u00e9 uma coliga\u00e7\u00e3o constitu\u00edda pela FNSL que tamb\u00e9m inclui a Libyan Constitutional Union, dirigida por Muhammad as-Senussi, um aspirante ao trono l\u00edbio. O s\u00edtio web da LCU apela a que o povo l\u00edbio reitere um juramento de lealdade ao rei Idris El-Senusi como seu l\u00edder hist\u00f3rico. A bandeira utilizada pela coliga\u00e7\u00e3o \u00e9 a do antigo reino da L\u00edbia.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que estas for\u00e7as financiadas pela CIA e antigos mon\u00e1rquicos s\u00e3o politicamente e socialmente diferentes da juventude e trabalhadores privados de direitos que marcharam aos milh\u00f5es contra ditadores apoiados pelos EUA no Egipto e na Tun\u00edsia e est\u00e3o hoje a manifestar-se no Bahrain, I\u00e9men e Oman.<\/p>\n<p>Segundo o artigo do <em>Times, <\/em>a ala militar da FNSL, utilizando armas contrabandeadas, rapidamente tomou postos policiais e militares na cidade portu\u00e1ria de Benghazi e \u00e1reas vizinhas que est\u00e3o a norte dos mais ricos campos de petr\u00f3leo da L\u00edbia e onde se localiza a maior parte dos oleodutos, gasodutos, refinarias e terminal portu\u00e1rio de g\u00e1s natural liquefeito. O <em>Times <\/em>e outros media ocidentais afirmam que esta \u00e1rea, agora sob &#8220;controle da oposi\u00e7\u00e3o&#8221;, inclui 80 por cento das instala\u00e7\u00f5es petrol\u00edferas da L\u00edbia.<\/p>\n<p>A oposi\u00e7\u00e3o l\u00edbia, ao contr\u00e1rio de movimentos alhures no mundo \u00e1rabe, desde o princ\u00edpio apelou \u00e0 assist\u00eancia internacional. E os imperialistas responderam rapidamente.<\/p>\n<p>Exemplo: Mohammed Ali Abdallah, vice secret\u00e1rio-geral da FNSL, emitiu um apelo desesperado: &#8220;Estamos \u00e0 espera de um massacre&#8221;. &#8220;Estamos a enviar um SOS \u00e0 comunidade internacional para intervir&#8221;. Sem esfor\u00e7os externos para conter Kadafi, &#8220;haver\u00e1 um banho de sangue na L\u00edbia nas pr\u00f3ximas 48 horas&#8221;.<\/p>\n<p>O <em>Wall Street Journal, <\/em>a voz do big business, num editorial em 23 de Fevereiro dizia que &#8220;Os EUA e a Europa deveriam ajudar os l\u00edbios a derrubar o regime Kadafi&#8221;.<\/p>\n<p><strong>INTERESSE DOS EUA \u2013 PETR\u00d3LEO <\/strong><\/p>\n<p>Por que Washington e as pot\u00eancias europeias est\u00e3o desejosos e ansiosos por actuarem na L\u00edbia?<\/p>\n<p>Quando acontece algo novo \u00e9 importante rever o que sabemos do passado e perguntar sempre quais s\u00e3o os interesses das corpora\u00e7\u00f5es estado-unidenses na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A L\u00edbia \u00e9 um pa\u00eds rico petr\u00f3leo \u2013 um dos 10 mais ricos do mundo. A L\u00edbia tem as maiores reservas provadas da \u00c1frica, pelo menos 44 mil milh\u00f5es de barris. Ela tem estado a produzir 1,8 milh\u00e3o de barris de petr\u00f3leo por dia \u2013 um bruto leve que \u00e9 considerada da melhor qualidade e precisa de menos tratamento do que a maior parte dos outros petr\u00f3leos. A L\u00edbia tamb\u00e9m tem grandes dep\u00f3sitos de g\u00e1s natural que \u00e9 f\u00e1cil canalizar directamente para mercados europeus. \u00c9 um pa\u00eds grande em \u00e1rea com uma pequena popula\u00e7\u00e3o de 6,4 milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>\u00c9 assim que as poderosas corpora\u00e7\u00f5es petrol\u00edferas e militares dos EUA, bancos e institui\u00e7\u00f5es financeiras que dominam os mercados globais encaram a L\u00edbia.<\/p>\n<p>Petr\u00f3leo e g\u00e1s s\u00e3o hoje as commodities mais valiosas e a maior fonte de lucros no mundo. Ganhar o controle de campos petrol\u00edferos, oleodutos, gasodutos, refinarias e mercados orienta grande parte da pol\u00edtica imperialista dos EUA.<\/p>\n<p>Durante as duas d\u00e9cadas de san\u00e7\u00f5es dos EUA sobre a L\u00edbia, com que Washington pretendia deitar abaixo o regime, interesses corporativos europeus investiram pesadamente no desenvolvimento de pipelines e infraestruturas ali. Cerca de 85 por cento das exporta\u00e7\u00f5es da L\u00edbia v\u00e3o para a Europa.<\/p>\n<p>Transnacionais europeias \u2013 em particular a BP, Royal Dutch Shell, Total, ENI, BASF, Statoil e Repsol \u2013 dominaram o mercado do petr\u00f3leo da L\u00edbia. As corpora\u00e7\u00f5es gigantes dos EUA foram deixadas fora destes neg\u00f3cios lucrativos. A China tem estado a comprar uma quantidade crescente do \u00f3leo produzido pela National Oil Corp. da L\u00edbia e construiu um pequeno oleoduto na L\u00edbia.<\/p>\n<p>Os enormes lucros que poderiam ser feitos com o controle do petr\u00f3leo e g\u00e1s natural da L\u00edbia s\u00e3o o que est\u00e1 por tr\u00e1s do apelo trombeteado pelos media corporativos dos EUA pela &#8220;interven\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria para salvar vidas&#8221;.<\/p>\n<p>Manlio Dinucci, jornalista italiano que escreve para <em>Il Manifesto, <\/em>explicou em 25 de Fevereiro que <a href=\"http:\/\/resistir.info\/africa\/libia_27fev11.html\" target=\"_blank\">&#8220;se Kadafi for derrubado, os EUA seriam capazes de fazer ruir toda a estrutura das rela\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas com a L\u00edbia, abrindo o caminho para multinacionais com base nos EUA, at\u00e9 agora quase totalmente exclu\u00eddas da explora\u00e7\u00e3o das reservas de energia na L\u00edbia. Os Estados Unidos poderiam ent\u00e3o controlar a torneira de fontes de energia de que a Europa depende amplamente e que tamb\u00e9m abastecem a China&#8221; <\/a>.<\/p>\n<p><strong>ANTECEDENTES <\/strong><\/p>\n<p>A L\u00edbia foi uma col\u00f3nia italiana desde 1911 at\u00e9 a derrota da It\u00e1lia na II Guerra Mundial. As pot\u00eancias imperialistas ocidentais ap\u00f3s a guerra estabeleceram por toda a regi\u00e3o regimes que eram chamados estados independentes mas eram encabe\u00e7ados por monarcas nomeados sem o voto democr\u00e1tico do povo. A L\u00edbia tornou-se um pa\u00eds nominalmente soberano, mas estava firmemente amarrado aos EUA e Gr\u00e3-Bretanha sob um novo monarca \u2013 o rei Idris.<\/p>\n<p>Em 1969, quando uma onda de lutas anti-coloniais varreu o mundo colonizado, oficiais militares de baixa patente moldados pelo revolucion\u00e1rio nacionalismo pan-\u00e1rabe derrubaram Idris, que estava em f\u00e9rias na Europa. O l\u00edder do golpe era Moammar Kadafi, com 27 anos.<\/p>\n<p>A L\u00edbia mudou o seu nome de Reino da L\u00edbia para Rep\u00fablica \u00c1rabe L\u00edbia e posteriormente para Grande Jamahiriya \u00c1rabe L\u00edbia do Povo Socialista.<\/p>\n<p>Os jovens oficiais ordenaram o encerramento das bases dos EUA e Gr\u00e3-Bretanha na L\u00edbia, incluindo a grande Base A\u00e9rea Wheelus do Pent\u00e1gono. Nacionalizaram a ind\u00fastria petrol\u00edfera e muitos interesses comerciais que estavam sob o controle imperialista estado-unidense e brit\u00e2nico.<\/p>\n<p>Estes oficiais n\u00e3o chegaram ao poder num levantamento revolucion\u00e1rio das massas. N\u00e3o foi uma revolu\u00e7\u00e3o socialista. Ainda era uma sociedade de classe. Mas a L\u00edbia j\u00e1 n\u00e3o estava sob dom\u00ednio estrangeiro.<\/p>\n<p>Foram efectuadas muitas mudan\u00e7as progressistas. A nova L\u00edbia obteve muitos ganhos econ\u00f3micos e sociais. As condi\u00e7\u00f5es de vida para as massas melhoraram radicalmente. A maior parte das necessidades b\u00e1sicas \u2013 alimenta\u00e7\u00e3o, habita\u00e7\u00e3o, combust\u00edvel, cuidados de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o \u2013 foram fortemente subsidiadas ou tornaram-se inteiramente gratuitas. Os subs\u00eddios foram utilizados como o melhor meio de redistribuir a riqueza nacional.<\/p>\n<p>As condi\u00e7\u00f5es para as mulheres mudaram radicalmente. Em 20 anos a L\u00edbia alcan\u00e7ou a mais alta classifica\u00e7\u00e3o no \u00cdndice de Desenvolvimento Humano da \u00c1frica \u2013 uma medida da ONU de expectativa de vida, realiza\u00e7\u00e3o educacional e rendimento real corrigido. Ao longo das d\u00e9cadas de 1970 e 1980 a L\u00edbia tornou-se conhecida internacionalmente por adoptar fortes posi\u00e7\u00f5es anti-imperialistas e apoiar outras lutas revolucion\u00e1rias, desde o Congresso Nacional Africano na \u00c1frica do Sul at\u00e9 a Organiza\u00e7\u00e3o de Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina e o Ex\u00e9rcito Republicano Irland\u00eas.<\/p>\n<p>Os EUA executaram numerosas tentativas de assass\u00ednio e tentativas de golpe contra o regime Kadafi e financiaram grupos armados de oposi\u00e7\u00e3o, tais como a FNSL. Alguns ataques foram flagrantes e abertos. Exemplo: sem aviso pr\u00e9vio 66 jactos dos EUA bombardearam Tr\u00edpoli, a capital l\u00edbia, e a sua segunda maior cidade, Benghazi, em 15 de Abril de 1986. A casa da Kadafi foi bombardeada e a crian\u00e7a sua filha morta no ataque, juntamente com centenas de outros.<\/p>\n<p>Ao longo das d\u00e9cadas de 1980 e 1990 os EUA tiveram \u00eaxito em isolar a L\u00edbia atrav\u00e9s de severas san\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas. Foram feitos todos os esfor\u00e7os para sabotar a economia e desestabilizar o governo.<\/p>\n<p><strong>DEMONIZA\u00c7\u00c3O DE KADAFI <\/strong><\/p>\n<p>Cabe ao povo da L\u00edbia, da \u00c1frica e do mundo \u00e1rabe avaliar o papel contradit\u00f3rio de Kadafi, o presidente do Conselho do Comando Revolucion\u00e1rio da L\u00edbia. O povo daqui [EUA], no centro de um imp\u00e9rio constru\u00eddo sobre a explora\u00e7\u00e3o global, n\u00e3o deveria aderir \u00e0s caracteriza\u00e7\u00f5es racistas, ridiculariza\u00e7\u00f5es e demoniza\u00e7\u00f5es de Kadafi que saturam os media corporativos.<\/p>\n<p>Mesmo que Kadafi fosse t\u00e3o sereno e austero quanto um monge e t\u00e3o cuidadoso quanto um diplomata, como presidente de pa\u00eds africano rico em petr\u00f3leo anteriormente subdesenvolvido ele ainda teria sido odiado, ridicularizado e demonizado pelo imperialismo dos EUA se houvesse resistido ao dom\u00ednio corporativo estado-unidense. Esse foi o seu crime real pelo qual nunca foi esquecido.<\/p>\n<p>\u00c9 importante assinalar que termos degradantes e racistas nunca s\u00e3o utilizados contra pe\u00f5es ou ditadores confi\u00e1veis dos EUA, n\u00e3o importa qu\u00e3o corruptos ou brutais possam ser para o seu pr\u00f3prio povo.<\/p>\n<p><strong>AMEA\u00c7AS DOS EUA OBRIGAM A CONCESS\u00d5ES <\/strong><\/p>\n<p>Foi ap\u00f3s o crime de guerra dos EUA denominado &#8220;pavor e choque&#8221;, com o maci\u00e7o bombardeamento a\u00e9reo do Iraque seguido de uma invas\u00e3o terrestre e ocupa\u00e7\u00e3o, que a L\u00edbia finalmente sucumbiu \u00e0s exig\u00eancias estado-unidenses. Ap\u00f3s d\u00e9cadas de solidariedade militante e anti-imperialista, a L\u00edbia mudou de curso drasticamente. Kadafi ofereceu ajuda aos EUA na sua &#8220;guerra ao terror&#8221;.<\/p>\n<p>As exig\u00eancias de Washington foram onerosas e humilhantes. A L\u00edbia foi for\u00e7ada a aceitar a plena responsabilidade pelo derrube do avi\u00e3o de Lockerbie e a pagar US$2,7 mil milh\u00f5es em indemniza\u00e7\u00f5es. Isso foi s\u00f3 o princ\u00edpio. A fim de as san\u00e7\u00f5es dos EUA serem suspensas, a L\u00edbia teve de abrir seus mercados e &#8220;reestruturar&#8221; a sua economia. Tudo isso fez parte do pacote.<\/p>\n<p>Apesar das muitas concess\u00f5es de Kadafi e das subsequentes grandes recep\u00e7\u00f5es em sua homenagem por parte de chefes de estado europeus, o imperialismo estado-unidense estava a planear a sua humilha\u00e7\u00e3o completa e a sua queda. Think tanks dos EUA empenhavam-se em numerosos estudos sobre como minar e enfraquecer o apoio popular de Kadafi.<\/p>\n<p>Estrategas do FMI aterraram na L\u00edbia com programas. Os novos conselheiros econ\u00f3micos prescreveram as mesmas medidas que imp\u00f5em a todo pa\u00eds em desenvolvimento. Mas a L\u00edbia n\u00e3o tinha uma d\u00edvida externa; tinha uma balan\u00e7a comercial positiva de US$27 mil milh\u00f5es por ano. A \u00fanica raz\u00e3o porque o FMI exigiu acabar com os subs\u00eddios de necessidades b\u00e1sicas era minar a base social de apoio ao regime.<\/p>\n<p>A &#8220;liberaliza\u00e7\u00e3o do mercado&#8221; da L\u00edbia significou um corte de US$5 mil milh\u00f5es no valor dos subs\u00eddios anuais. Durante d\u00e9cadas o estado estivera a subsidiar 93 por cento do valor de v\u00e1rias commodities b\u00e1sicas, nomeadamente combust\u00edvel. Depois de aceitar o programa do FMI, o governo duplicou o pre\u00e7o da electricidade para os consumidores. Houve uma alta s\u00fabita de 30 por cento nos pre\u00e7os dos combust\u00edveis. Isto desencadeou aumentos de pre\u00e7os em muitos outros bens e servi\u00e7os.<\/p>\n<p>Disseram \u00e0 L\u00edbia para privatizar 360 empresas estatais, incluindo siderurgia, cimenteiras, firmas de engineering, f\u00e1bricas de alimentos, linhas de montagem de cami\u00f5es e autocarros e unidades agr\u00edcolas estatais. Isto resultou em milhares de trabalhadores desempregados.<\/p>\n<p>A L\u00edbia teve de vender uma fatia de 60 por cento na companhia petrol\u00edfera estatal Tamoil Group e privatizar a sua Companhia Geral Nacional de Farinhas e Forragens.<\/p>\n<p>O Carnegie Endowment Fund estava a controlar o impacto das reformas econ\u00f3micas. Um relat\u00f3rio de 2005 intitulado &#8220;Reforma econ\u00f3micas irritam cidad\u00e3os l\u00edbios&#8221; (\u201cEconomic Reforms Anger Libyan Citizens\u201d), de Eman Wahby, dizia que &#8220;Outro aspecto da reforma estrutural foi o fim das restri\u00e7\u00f5es a importa\u00e7\u00f5es. Foram garantidas licen\u00e7as a companhias estrangeiras para exportar para a L\u00edbia atrav\u00e9s de agentes locais. Em consequ\u00eancia, produtos de todo mundo inundaram o mercado l\u00edbio anteriormente isolado&#8221;. Isto foi um desastre para os trabalhadores nas f\u00e1bricas da L\u00edbia, as quais n\u00e3o estavam preparadas para enfrentar a competi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mais de US$4 mil milh\u00f5es entraram na L\u00edbia, a qual se tornou o principal receptor africano de investimento estrangeiro. Como os banqueiros e os seus think tanks bem sabem, isto n\u00e3o beneficiou as massas l\u00edbias, empobreceu-as.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o importava o que Kadafi fizesse, nunca era o suficiente para o poder corporativo dos EUA. Os banqueiros e financeiros queriam mais. N\u00e3o havia confian\u00e7a. Kadafi havia-se oposto aos EUA durante d\u00e9cadas e ainda era considerado altamente &#8220;inconfi\u00e1vel&#8221;.<\/p>\n<p>Em Maio de 2005 a revista <em>US Banker <\/em>publicou um artigo intitulado &#8220;Mercados emergente: Ser\u00e1 a L\u00edbia a pr\u00f3xima fronteira para bancos dos EUA?&#8221; (&#8220;Emerging Markets: Is Libya the Next Frontier for U.S. Banks?&#8221;). Ali se dizia que &#8220;Quando o pa\u00eds atravessa reforma, os lucros acenam. Mas o caos abunda&#8221;. A revista entrevistou Robert Armao, presidente do Conselho Econ\u00f3mico e Comercial EUA-L\u00edbia com sede em Nova York: &#8220;Todos os grandes bancos ocidentais agora est\u00e3o a explorar oportunidades ali&#8221;, disse Armao. &#8220;A situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica com Kadafi ainda \u00e9 muito suspeita&#8221;. O potencial &#8220;parece maravilhoso para bancos. A L\u00edbia \u00e9 um pa\u00eds intacto e uma terra de oportunidade. Ela acontecer\u00e1, mas isso pode levar algum tempo&#8221;.<\/p>\n<p>A L\u00edbia nunca foi um pa\u00eds socialista. Sempre houve ali vasta riqueza herdada e velhos privil\u00e9gios. \u00c9 uma sociedade de classe com milh\u00f5es de trabalhadores, muitos deles imigrantes.<\/p>\n<p>Reestruturar a economia a fim de maximizar lucros para banqueiros ocidentais desestabilizou rela\u00e7\u00f5es, mesmo nos c\u00edrculos dirigentes. Quem obt\u00e9m neg\u00f3cios de privatiza\u00e7\u00e3o de ind\u00fastrias chave, que fam\u00edlias, que tribos? Quem \u00e9 deixado de fora? Velhas rivalidades e competi\u00e7\u00f5es vieram \u00e0 superf\u00edcie.<\/p>\n<p>Qu\u00e3o cuidadosamente o governo dos EUA estava a monitorar estas mudan\u00e7as impostas pode ser visto nos telegramas da Embaixada dos EUA em Tr\u00edpoli divulgados recentemente pelo WikiLeaks, publicado no jornal brit\u00e2nico <em>Telegraph <\/em>de 31 de Janeiro. Um telegrama intitulado &#8220;infla\u00e7\u00e3o sobe na L\u00edbia&#8221;, enviado em 4 de Janeiro de 2009, descrevia o impacto de &#8220;um programa radical de privatiza\u00e7\u00e3o e reestrutura\u00e7\u00e3o do governo&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Aumentos significativos foram vistos&#8221;, dizia o telegrama, &#8220;nos pre\u00e7os alimentares \u2013 o pre\u00e7o de bens anteriormente subsidiados tais como a\u00e7\u00facar, arroz e farinha aumentou 85 por cento em dois anos desde que os subs\u00eddios foram suspensos. Materiais de constru\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m aumentaram significativamente: pre\u00e7os para cimento, madeira aglomerada e tijolos aumentaram 65 por cento no ano passado. O cimento passou de 5 dinares l\u00edbios por um saco de 50 kg para 17 dinares em um ano; o pre\u00e7o de var\u00e3o de a\u00e7o aumentou num factor de dez.<\/p>\n<p>&#8220;O t\u00e9rmino [pelo governo l\u00edbio] de subs\u00eddios e controles de pre\u00e7os como parte de um programa mais vasto de reforma econ\u00f3mica e privatiza\u00e7\u00e3o certamente contribuiu para press\u00f5es inflacion\u00e1rias e provocou alguns resmungos.<\/p>\n<p>&#8220;A combina\u00e7\u00e3o de alta infla\u00e7\u00e3o e diminui\u00e7\u00e3o de subs\u00eddios e controles de pre\u00e7os \u00e9 preocupante para um p\u00fablico l\u00edbio habituado a uma maior protec\u00e7\u00e3o do governo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s for\u00e7as do mercado&#8221;.<\/p>\n<p>Estes telegramas da Embaixada dos EUA confirmam que enquanto continuavam a manter e financiar grupos da oposi\u00e7\u00e3o l\u00edbia no Egipto, Washington e Londres tamb\u00e9m estavam constantemente a medir a temperatura do descontentamento em massa provocado pelas suas pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Hoje milh\u00f5es de pessoas nos EUA e por todo o mundo est\u00e3o profundamente inspiradas pelas ac\u00e7\u00f5es de milh\u00f5es de jovens nas ruas do Egipto, Tun\u00edsia, Bahrain, I\u00e9men e agora Oman. O impacto \u00e9 sentido mesmo na ocupa\u00e7\u00e3o de Wisconsin.<\/p>\n<p>\u00c9 vital ao movimento pol\u00edtico com consci\u00eancia de classe dos EUA resistir \u00e0s enormes press\u00f5es de uma campanha orquestrada para a interven\u00e7\u00e3o militar na L\u00edbia. Uma nova aventura imperialista deve ser desafiada. Solidariedade com os movimentos dos povos! Fora com as m\u00e3os dos EUA!<\/p>\n<p>02\/Mar\u00e7o\/2011 Articles copyright 1995-2011 Workers World. Verbatim copying and distribution of this entire article is permitted in any medium without royalty provided this notice is preserved.<\/p>\n<p><strong>O original encontra-se em <a href=\"http:\/\/www.workers.org\/2011\/world\/no_us_attack_on_libya_0310\/\" target=\"_blank\">http:\/\/www.workers.org\/2011\/world\/no_us_attack_on_libya_0310\/<\/a> <\/strong><\/p>\n<p><strong>Este artigo encontra-se em <a href=\"http:\/\/resistir.info\/\" target=\"_blank\">http:\/\/resistir.info\/<\/a> .<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: Resistir.info\n\n\n\n\n\n\n\n\npor Sara Flounders\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1270\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-1270","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-ku","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1270","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1270"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1270\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1270"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1270"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1270"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}